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São Mateus, o futuro é uma incógnita

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São Mateus é um importante distrito da cidade de São Paulo, cujo próximo censo demográfico se quiser ser realístico tem que indicar quase 1 milhão de habitantes. Dos censos mais recentes para agora a chegada de novos moradores tem sido constante e sempre em acensão. É uma das poucas regiões da cidade que ainda suporta alguma expansão dessa natureza.

Com tanta gente chegando até mesmo porque havia amplas áreas sem ocupação domiciliar aliada ao baixo valor relativo das terras, quando comparada com outras regiões ou aliada ao custo zero da terra, uma vez que alguns distritos de São Mateus ainda sofrem com a ocupação de terrenos públicos e privados, parcelas importantes do bairro se transformam em médias e grandes aglomerações de famílias em locais desestruturados e desassistidos.

Crescendo tanto em termos populacionais a coisa tem funcionado como um rastelo eficiente e faz crescer coisas boas e desejáveis e coisas ruins e indesejáveis. Se traz algum alento e sobrevida a economia local com a expansão dos negócios e oportunidades, o fortalecimento do comércio e serviços e colateralmente da indústria, não tem tido, até agora, efeito semelhante nas ofertas de emprego. Se dá uma sobrevida a economia local, traz como contrapartida uma infinidade de problemas quando acentuam-se as exigências das pessoas quanto aos serviços de amparo social e de outros tantos serviços públicos tais como de educação, de saúde, de transporte público, de cultura, todos itens de grande demanda e altamente defasados quando comparado a padrões aceitáveis e que o estado, estamos carecas de saber, sempre fica deficitário e devedor.

Nessas condições a futuro imediato de São Mateus passa a ser uma incógnita de difícil previsão. Pode dar muito certo, como também pode dar bem errado. O que se espera é que a primeira alternativa aconteça, embora não se possa contar com elementos otimistas olhando a conjuntura mais recente e atual. É preciso deixar claro que São Mateus não é uma ilha isolada e refratária a influências e natureza até planetária.

De curto alcance deve-se pensar são Mateus no contexto da cidade que continua sendo uma cidade desordenada. Ela fisicamente não cresce não se expande, em contrapartida cresce a sua ocupação em quantidade e modos e usos desses espaço. Nesses termos se olharmos para o que acontece no entorno vamos ver que o que cresce na cidade são os problemas, o uso irregular e cada vez mais predatório dos recursos cada vez mais escassos. Aqui vale contextualizar esse artigo sendo escrito em fevereiro de 2015 no pico de uma grande crise hídrica que vem se arrastando desde o ano de 2013 por conta de vários atores culpados; a sociedade e governo.

Ainda no curto alcance se avizinha uma estagnação e até um possível recuou na economia que surfou nas últimas décadas em uma fórmula monetária e especulativa com os altos juros que se paga no país a chegada de recursos com a subida vertiginosa da dívida pública. A fórmula que dá uma espécie de lustro em móvel velho e comprometido é bem semelhante a um centro de tratamento intensivo onde as chances de recuperação ficam cada vez mais distante. Esse quadro infeliz vai ter efeitos sobre São Mateus. Se mais ou menos severa torçamos para que fique na média da cidade; nem melhor nem pior.

Objetivamente essa situação pode se refletir em menos emprego e mais carestia; em menor atividade e desaquecimento da economia local e não há como escapar desses efeitos. É preciso entretanto, compreender que não podendo se esconder São Mateus e seus personagens tentem fazer o melhor possível.

De médio alcance é possível vislumbrar uma São Mateus menos viscosa, menos verde, mais afinada com o resto da cidade. É quase certo que o que ainda resta de sua vegetação nativa e recursos que tem boa contribuição à saúde ambiental da cidade também se deteriorem. Pode parecer o caminho do desenvolvimento, mas nunca foi e não será. Como a natureza vem mostrando os custos da sua não preservação são cada vez mais sérios e danosos; voltemos a falta de água.

Uma pena. Com espaço e território cuja paisagem em alguns momentos nos remetem a meados do século passado, São Mateus vai perdendo suas características mista, com áreas de cidade e guetos interioranos, o seu uso e ocupação continuará sendo de forma predatória.

Se essa direção agora nos parece irreversível o esforço de todos precisaria ser no sentido de fazê-lo da forma mas civilizada e menos depreciativa possível. Nenhum cidadão ou ator desse palco chamado São Mateus poderá se eximir dessas responsabilidades.

Agora o futuro de longo alcance mesmo, nada a declarar ou especular. O que sei é que o que se faz agora e se fará amanhã refletira nesse futuro distante.

J. de Mendonça Neto, redator da GSM é jornalista.

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10 de fevereiro de 2015 at 18:08

Escola do Jardim Iguatemi, que sirva de exemplo

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A Escola Estadual Jardim Iguatemi localizada no distrito Iguatemi, em São Mateus tem se diferenciado da média das escolas públicas estaduais no sentido positivo, muito pelo empenho, criatividade de sua diretora Suzy Rocha Ribeiro Silva responsável pela unidade nos seus últimos quatorze anos.

Em rápida conversa com a reportagem a diretora explicou as razões dessa diferença e nesse sentido ela esclarece que o que trouxe como postura e prática para a escola tem muito a ver com a forma com que ela própria, filha de pais da roça que estudaram, fizeram cursos superiores e também se tornaram professores a ensinaram. Foi mais longe e explicou que sendo criada em família grande a prática do compartilhamento, da união e de acordos eram vivências naturais. Desde jovem percebia que a educação traz mudança e dessa forma desde os últimos 35 anos em que resolveu trabalhar com educação carregou isso consigo.

Suzy tem uma longa trajetória em vários cargos dentro da estrutura escolar, desde quando como professora, passando por coordenação pedagógica e posteriormente nas tarefas de gestão. Chegou a condição de diretora de escola por méritos próprios comprovados em concurso público.

Três linhas de comportamento orientam a sua vida profissional e eventualmente e por extensão até a privada. Suzy acha que planejar as ações em curto, médio e longo prazo é fundamental para uma caminhada certeira. O segundo ponto são o estabelecimento e respeito a regras e disciplinas acordadas entre todos os atores e clientela da escola com respeito aos horários, clareza de propósito e o terceiro ponto é a aposta no trabalho coletivo onde todos possam fazer parte de um grupo senão coeso, mas afinado nos propósitos. Foi com essa ‘filosofia’ que desde o início se comportou no Jardim Iguatemi.

Entender o tempo de hoje, mas preservar as boas práticas

Suzy comenta sobre as notórias diferenças que os tempos atuais conectado, ligeiro, expresso tem com um passado não tão distante. Apesar de compreender e aceitar toda a dinâmica atual que envolve principalmente os adolescentes e as redes sociais onde outras linguagens, outros modos e comportamentos são a tônica, ela, enquanto educadora, sabe que é necessário preservar valores como a leitura, a boa escrita, os bons modos. Algo como preservar e difundir junto a esse público mais fugaz a cultura mais geral, mais ampla, mais complexa e, portanto mais completa. “O adolescente pode achar bom ler alguma coisa de forma digital, mas precisa também retomar e se habituar a ler bons livros”, cita como exemplo.

Reconhece, entretanto, a dificuldade e a lentidão de como a escola enquanto instituição se adapta aos novos tempos. A ideia é tentar tirar proveito das inovações tecnológicas, sem abrir mão de valores, em resumo.

Projetos inovadores na região

Um dos destaques da escola é como ela se relaciona com os alunos e por extensão com a própria comunidade. É perceptível que por lá algumas coisas acontecem que qualificam-na, o seu corpo diretivo e pedagógico e principalmente a atual direção, pois foi da ideia inicial da diretora Suzy trazer ações que movimentasse e ajudasse os envolvidos a serem protagonistas dessas ações. Suzy explica que optou por eventos e iniciativas de natureza cultural que se diferenciava da realidade objetiva dos alunos. “A realidade do aluno de escola pública da periferia pobre da cidade de São Paulo, com os seus desconfortos que todos eles conhecem bem, foi abortada. Achei que não era motivadora e parece que acertamos”, comenta.

A primeira ação foi trabalhar com a arte dos pintores importantes. “A arte sensibiliza através da percepção da estética, do belo que mexe e trás sentimentos. Muitos acharam que estávamos delirando, mas as crianças se envolveram. Ao contrário de pais e professores que tinham dúvidas, os alunos perceberam a oportunidade de sair daquele mundo real da periferia. Deu certo”. “Quando o padre da comunidade em sermão deu um depoimento parabenizando a escola chamando-a de museu a céu aberto que tirava o conhecimento de trás dos muros para fora, fiquei mais otimista”.

Depois desse primeiro encontro outros tantos se repetiram com o passar dos anos, sempre com o mesmo envolvimento e empenho. Como temas trataram dos cientistas, de países, dos filósofos, de atletas, em vésperas da copa do mundo desse próprio assunto e também da Amazônia. São realizados um por ano envolvendo todos os ciclos da escola.

O tema Amazônia envolveu todas as disciplinas e as socioambientais. “Percebemos que as crianças passaram a ter informações ambientalmente corretas e adotar cuidados possíveis no seu próprio universo. Coleta seletiva, gastos no banho, fizemos todas essas discussões. O tema do Enem foi Amazônia. E eles sabiam tudo tinham clareza e tiraram nova média de 7,5, deu uma sensação de acerto do nosso projeto. Estamos contribuindo”, comenta a diretora. “Conseguimos perceber que as crianças assimilavam as informações e iniciaram práticas cotidianas mais sustentáveis adotando os cuidados possíveis dentro de seus próprios universos”, completa.

Em 2010 o projeto focou os poetas e suas obras e o esforço acabou resultando na produção de um livro. Durante a realização mais de mil poemas foram recitados pelos alunos e demais envolvidos. Em outros anos temas como profissões, cinema, músicas e mais recentemente política desembocaram, agora, em temas de ação política. Suzy explica que as questões de segurança, saúde, transporte, educação e outros temas de importância para as comunidades serão enfocadas também do ponto de vista da ação política. Um feito, visto que a alienação e a recusas à política é uma situação, infelizmente, comum. A própria pintura do muro da escola perpassará essa temática.

Segundo e terceiro livros

Um segundo livro intitulado Pequenos Gestos, Grandes Transformações, em 2012, enfocou de forma coloquial uma série de exemplos de ações que resultam em melhorias. Já o terceiro livro que está sendo gestado será a resultante do relato das experiências dos professores na condição de gerir a escola por um dia. Com o título Professor, gestor por um dia, o livro reunirá o relato destes aos quais a diretora já teve algum acesso. Para Suzy, a experiência relatada pelos professores mostra a importância desse trabalho de gestão e suporte nem sempre percebido pelos próprios professores, funcionários e alunos.

Escola comemora 15 anos com baile debutante

Apos as comemorações de 10 anos da escola onde os alunos estiveram envolvidos parcialmente as comemorações dos 15 anos ocorrida ao final de 2014 contou com intensa participação. Com certas dúvidas e reservas, professores e funcionários aceitaram a proposta de um baile. Deu muito certo, diz Suzy. Todas as classes participaram e ainda destacaram um casal de cada sala de aula e de cada ciclo onde foi possível para participar de uma dança mais cerimoniosa. Ou seja, a adesão dos alunos e da comunidade foi um sucesso.

Com três livros finalizados, com ações comunitárias, com regras, respeito e pratica educativa a Escola Estadual Jardim Iguatemi se destaca dentro desse cenário. Parabéns aos esforços da diretora. (JMN)

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10 de fevereiro de 2015 at 18:07

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Conselheiros discutem dificuldades e mostram necessidade de correção de rumos

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Pelo tom da conversa em reunião extraordinária com parte de seus membros, no dia 31, o conselho de representantes de São Mateus, a exemplo do que ocorre em muitas outras regiões da cidade, precisa urgentemente afinar a viola internamente para não deixar legado de triste lembrança

Alguns membros do conselho de representantes da região de São Mateus reuniram-se no dia 31 na Subprefeitura de São Mateus em atendimento a um chamamento anterior por parte também de alguns conselheiros tendo em vista a dificuldade de manter a rotina e a presença de uma maioria entre seus 43 durante o exercício desse mandato. Alguns convidados como o ex-assessor da subprefeitura da gestão anterior, Izaltino do Nascimento e a diretora do jornal Gazeta São Mateus estiveram presentes. Vale observar que a presença de munícipes, não conselheiros, é prevista no regimento interno do funcionamento deste conselho.

A reunião extraordinária reuniu treze de seus membros eleitos, pessoas e acabou assumindo um caráter informal de encontro de queixas. Nada excepcional e muito diferente do que vem ocorrendo em diversos conselhos de representantes em outras regiões da cidade. Se em algumas, minoria, o funcionamento do conselho é exemplar, outros tanto ainda percorrem o árduo caminho do aprendizado de trabalho coletivo.

Coube ao vice-coordenador Valdir Leite de Souza revelar que a última reunião mais organizada e de presença significativa havia ocorrido em 13 de dezembro. Antes, dado o período eleitoral e o fato de diversos conselheiros terem vínculos partidários ou de campanha ou de candidato o funcionamento do conselho foi quase inexistente. Uma primeira reunião foi marcada para o dia 17 de janeiro deste ano e estive ausente grande parte dos conselheiros incluindo o coordenador, Ricardo, e a secretária, Neide. Foi, como este, um encontro de 10 conselheiros vendo a situação confusa e por esse e outros motivos enxergarem a necessidade de mudar a coordenação. Dai uma das razões do encontro.

Segundo Valdir, dois conselheiros, Marli Limae Manoel, foram designados para fazer um esforço de convocação, através de telefonemas para a reunião em curso. Como se viu, um terço atendeu ao apelo. Houve também um apelo por parte do vice para que os conselheiros que também são comissionados na prefeitura comparecessem. Não compareceram, e segundo o que vão revelando os presentes é dai que as confusões, mal entendidos, comportamentos duvidosos, posturas equivocadas vão se revelando.

Uma delas diz respeito a uma suposta reunião que teria havido no diretório zonal do PT a respeito do que estava ocorrendo no conselho. O assunto teria certa pertinência pelo fato de que diversos membros do partido também serem conselheiros, entre eles parte expressiva da executiva e da coordenação deste. Para alguns esse procedimento não seria correto, para outros, entretanto, como ouvido no decorrer da reunião, a atitude do DZ do PT seria legitima; uma atividade partidária para seus membros que podem, sim, discutir a situação do conselho de representantes. Ocorre, entretanto, que por conta dessa reunião existe a desconfiança de que o coordenador, Ricardo, membro do partido, não aceitar os encaminhamentos da reunião anterior e cancelá-la, eventualmente extrapolando de suas funções como foi aventado mais a frente.

Confusões à granel

Cancelamento, confusão de datas, comportamentos equivocados por parte da coordenação e também de outros conselheiros, só fez revelar o tamanho do descompasso em que se encontra hoje o conselho de São Mateus. A reunião informal, pelo menos, indicou a necessidade de um esforço em busca de quórum para a próxima reunião, até o momento do fechamento desta edição, prevista para o dia 07, no espaço da subprefeitura e para a qual se espera a presença de todos, inclusive, do coordenador e da secretária, além dos conselheiros comissionados em funções paralelas dentro da prefeitura.

A informalidade da reunião e o desfile de reclamações e queixas

Colocado o quadro que visivelmente precisa de reparos e alertados pelo vice-coordenador que sequer uma ata poderia sair daquela conversa informal, o conselheiro Flávio dos Santos , do Jardim Colonial apontou que o coordenador, ausente, não teria o poder de cancelar. “Ele (Ricardo) é advogado e deveria saber disso”, enfatizou. Queixou-se ainda das despesas e dos esforços que os conselheiros têm para ver funcionar uma coisas. “Não podemos vir aqui e ficar como bonecos de enfeite. Nem para decidir uma reunião temos o direito. O que somos então”, perguntou.

A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Conquista, conselheira Luiza Helena insistiu que sem união não vai se chegar em lugar algum e que muito blá, blá, blá e misturar o partido com o conselho é muito ruim. “As pessoas não estão se colocando para o conselho e sim para os seus partidos. Desde agosto não temos reuniões normais e uma das razoes foi a campanha eleitoral”, apontou. Segundo entendimento dela, alguns projetos para São Mateus tem sido perdido por conta de negligência dos representantes indicados que deveriam, ainda segundo ela, estar presente em alguns encontros e se ausentaram. “Perdemos por desinteresse de alguns de nossos delegados”.

O fato, entretanto, é que ela foi parcialmente contestado mais a frente por outro conselheiro que argumentou que o que ela eventualmente considerava perda de projetos não poderia ser considerado perda, vez que elas não estavam indicadas como prioridades indicadas, razão pela qual não estavam consideras.

Durante a sua fala, entretanto, foi uma das primeiras a comentar que o mandato do coordenador, conforme ajuste combinado internamente e com base no regimento já venceu. Se colocou também como pré-candidata ao cargo.

Marli Lima se eximiu de culpas nos mal entendidos que estavam aparecendo. Tendo sido indicada para fazer as ligações para chamar a reunião. Ela mesma comentou que nunca havia recebido e-mail de convocação dos encontros anteriores. Disse que ligou ao Dr. Ricardo para convidá-lo quando soube de outra reunião que estaria ocorrendo na noite do mesmo dia. Sinal evidente de desencontros. Ao checar com outros conselheiros, as conversas, comentários e palpites foram crescendo.

Marli, entretanto, ainda fez insinuações quanto ao uso de um veículo que teria sido disponibilizado pela administração, eventualmente por força do decreto que regulamento, mas do qual ela nunca viu, recurso que só pode usar uma vez, utilizando-se de outra perua substituta. Foi uma das que considera que existe uma panela no PT que, no mínimo, não respeita a autonomia do conselho. Também denunciou que a Gazeta São Mateus nunca foi convidada a participar de qualquer encontro ou reunião extraordinária do conselho de São Mateus.

Precisamos retomar os trabalhos, foi um ano perdido, poucos encaminhamentos e precisamos entender o papel de cada um”, iniciou Dr. Sérgio Henrique Soares que refutou o papel deliberativo do coordenador como parece que tem ocorrido pela não compreensão das competências. Como ilustração perguntou quem dali tinha conhecimento pleno do regimento interno; de onde ele estaria publicado; informando a seguir que o que está disponível para consulta está incompleto. “O coordenador não é dono da reunião. Só coordena e na sua ausência outro coordenador é indicado para substitui-lo”, enfatizou. “Nosso papel aqui é fazer as coisas acontecerem para tentar sanar a precariedade de serviços públicos na região”, resumiu.

Outro a comentar a situação foi Odair de Jesus Souza que retomou a critica quanto a eventual mistura entre os interesses comuns do conselho, com os interesses da região e ainda com os interesses partidários indicando que essa situação precisa ser esclarecida e superada. Lamentou ainda que a reunião em curso deveria ter respaldo jurídico, “No mínimo para fazer moção junto à coordenação geral e fazer valer os reclamos que estão sendo ouvidos aqui”. Ao final expressou o desejo de que na próxima reunião as coisas fiquem claras e esclarecidas e se diz disposto a colaborar como liderança, mesmo não sendo conselheiro.

Já Rute, conselheira do Sapopemba lembrou que a culpa que se atribui ao PT não pode ser generalizada e que eventuais posturas equivocadas são da parte de alguns de seus quadros. Alertou, também, que grande parte do que vem acontecendo em termos de desencontros são de responsabilidade dos próprios conselheiros que estão deixando acontecer.

Segundo informações de Hamilton Clemente a Gazeta São Mateus, a tão reclamada reunião no Diretório Zonal, motivo de reclamação generalizada, de fato, teve como pauta a indicação do novo coordenador na reunião do dia 07 do conselho de representantes”

Coube ao Dr. Sérgio esclarecer que o que a maioria decidir, reuniões paralelas, como as que pode ter ocorrido no PT ou em outros partidos não devem interferir. Ressaltou também o direito que os partidos ou de qualquer outro cidadão ou organização têm de discutir a situação dos conselhos “O nosso foco tem que estar na execução do orçamento e no quanto e como São Mateus participa disso a partir das indicações de prioridades”, registrou. Foi ele quem havia pontuado antes que as prioridades envolviam a construção ou funcionamento de um hospital público de um centro desportivo aparelhado entre as demandas principais, razão pela qual não haveria perda de projetos com outras demandas conforme lembrado no começo da conversa.

Também reiterou que a tarefa do coordenador é coordenar, não comandar os conselheiros e que se faz necessário conhecer as leis, o regimento, os estatutos e discutir outra coordenação para o conselho. “Essa também é uma exigência que se faz ao conselheiro para que confusões como as que estão ocorrendo não aconteçam”.

Quase ao final, Odair Souza, do distrito São Rafael lembrou que mesmo o papel de coordenação é complicado e trabalhoso. Ele coordena a ação de 16 conselheiros do distrito e tem feito enorme esforço para compor acordos, tentar entender e viabilizar o funcionamento. Em permanente aprendizado, diz ter clareza do papel que assumiu quando foi eleito coordenador local e como conselheiro que também é de fiscalizar, dialogar com governo e com a comunidade.

Ele próprio revela que foi convidado para a suposta reunião do DZ a qual criticou com base em um dos pontos do regimento que resumidamente diz não ao proselitismo político partidário dentro do conselho de representantes. Não só não foi a favor como reconheceu o erro de algumas pessoas do PT, mais ainda de alguém que tem formação em Direito, insinuou.

Tentando resumir uma ópera até agora bufa, dado o grau de desencontro e confusão que permeia o funcionamento do conselho de representantes de São Mateus, segundo revelado pelos próprios membros a situação precisa de reparos. Cabe aos envolvidos se concentrarem nesse esforço sob o risco de terem participado de um coletivo que não deixará nada de louvável para ser lembrado.

Para o bem da comunidade e do funcionamento de um importante instrumento de cidadania a redação da Gazeta espera que os rumos corretos sejam retomados. (LM/JMN)

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10 de fevereiro de 2015 at 18:05

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Os números de 2014

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Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.600 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 27 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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29 de dezembro de 2014 at 23:41

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Atriz amadora e ativista: exemplo de vitalidade na maturidade

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Casal se mantém ativo e atuante no Parque São Rafael

Casal se mantém ativo e atuante no Parque São Rafael

O casal Oscar Aparecido Fantinati e Elza Fantinati, moradores no Parque São Rafael há 52 anos,  hoje, ambos aposentados só curtem a vida, mas com qualidade.  Elza também é poeta, é atriz, participa de algumas peças; já deu oficinas de artesanato, tentou uns desenhos e umas pinturas, fez muito crochê e tricô, mas, principalmente, é uma senhora otimista animada e atuante. Tinha que ser destaque em nossas páginas.

Com seus 72 anos e o marido 71, Elza, também conhecida como Elzinha formam um casal que já completou 50 anos de união, com filhos criados e netos. Elzinha num determinado momento de sua vida, já com os filhos casados e lá pelos 48 decidiu voltar a estudar, completou o ensino médio, se relacionou de forma entusiasta com alunos muito mais jovens durante o supletivo e descobriu que podia fazer mais, muito mais.

Ainda durante o supletivo ela disse ter sido abordada por jovens de 18, 19 anos que buscavam retomar os estudos, mas que se lembraram de terem ganhado em suas mais tenras infâncias sapatinhos de crochê daquela mulher. Enturmou-se tão bem que experimentou algumas tentativas de fazer teatrinhos. Que depois viraram teatrão.

Vinte anos de costura, outros tantos em fábricas, mesmo porque ela trabalhou o tempo todo e acabou se envolvendo, se interessando e procurando se aperfeiçoar na arte do teatro que durante muito tempo era apenas uma brincadeira. Com o tempo e com o aprofundamento também desenvolveu uma capacidade maior de relacionamento e compreensão de uma série de coisas. Como ela mesma diz; das relações que estabeleceu e das peças que ensaiou e algumas que chegou a atuar, ganhou o gosto e o interesse em conhecer coisas novas e tornou-se então uma voraz leitora e uma estudiosa atenta; tanto da sua arte, como outros tipos de arte.

Leva e mantem consigo todo esse ânimo, essa garra, e compartilha o conhecimento acumulado. Da escola onde cursava o supletivo, partiu para um curso de teatro, ensaios e apresentação de peças através do Sesc, e nos tempos em que os centros educacionais unificados (Ceus) estavam mais ativos, atuou em vários trabalhos, alguns de forma destacada com competência e talento. Toda essa história retoma aos anos de 1998, portanto mais de quinze anos experimentando, atuando onde é convidada, pode e tem interesse.

Elzinha lembra-se do reconhecimento à qualidade do equipamento, ou seja, do teatro, feito pela atriz Gloria Menezes em ocasião de sua visita. Entretanto, tem consciência que, agora, com o passar do tempo, a utilização desses mesmos equipamentos estão muito aquém do que poderiam. Aparentemente a comunidade, incluindo os artistas, não se apropriaram desses equipamentos de forma intensa, mas isso pode ter a ver com ausência de incentivo do poder público. Para ela, que pegou interesse pela arte, uma coisa a se lamentar.

Elzinha começou concretamente a se expor no ofício fazendo dupla com outra animada senhora de nome Néa. A dupla de palhaças ficou conhecida como Pipoca e Palhaça, entretanto em outra peça ela se destacou interpretando uma cigana desbocada que falava em portunhol, o que levou Elzinha a estudar um pouco da língua espanhola. Também participou de forma amadora de peça baseada na obra de Guimarães Rosa, o livro Vidas Secas.

Ainda hoje, lá está ela no espaço mais ecumênico da  Igreja Batista de São Mateus  participando de um grupo de terceira idade com mais outras 60 pessoas que desenvolvem desde pequenas esquetes dramáticas, ensaios de canto, dança, enfim atividades lúdicas e, porque não dizer, terapêuticas entre si. O grupo ‘Vida e Maturidade’ sob a coordenação de Andreia e do Pastor Ramirez promove ainda viagens, almoços e lanches coletivos, tudo de forma muito bem organizada.

 Enquanto isso, o marido acompanha e prestigia o futebol

Já o marido Oscar é diretor de alguns times, com destaque ao Unidos FC do Parque São Rafael e é uma espécie de zelador e dirigente que cuida das necessidades que são muitas do campo de futebol usado pelo clube. Reclama da dificuldade de se conseguir apoio institucional até mesmo para pequenas demandas para a manutenção do campo. Também exerce uma liderança local participando tanto quanto possível e a idade permitam das ações coletivas das comunidades em que vivem.

Voltando a cena, Elzinha diz que…..

Se fosse solicitada à aconselhar as mulheres da sua idade a também ter uma vida produtiva e atuante, diria que elas devem tentar focar basicamente no que gostam. De preferência com alguma atividade de natureza coletiva que possa beneficiar direta ou indiretamente a sociedade. Parece insinuar que a terceira idade ainda pode ser muito produtiva se deixar de focar apenas e tão somente em suas próprias famílias. E o exemplo de vida dela dá certa razão a essa insinuação.

Com relação à poesia, ela despertou um gosto maior quando leu “Recomeço”, de Carlos Drummond de Andrade cuja temática é exatamente o que o nome diz e indica: recomeçar as coisas, que sempre há tempo para coisas novas, etc. “Quando voltei para a escola e fui estudando a minha vida foi tomando um rumo diferente, mais rico. Até as dores da idade são relativas e vão embora quando você tem boas tarefas e coisas interessantes para fazer”, diz. ‘E uma renovação, de preferência para melhor. “A leitura faz você aprender, viajar; a conhecer as coisas, a se inquietar”, enfatiza.

Seu Oscar, mesmo com menor intensidade foi na mesma direção, tanto assim que destaca que na escolinha de esportes que funciona no espaço do campo, eles não descuidam de oferecer reforço escolar e um pouco mais de cultura as crianças. De novo lamenta, e ai secundado pela esposa, o desinteresse dos próprios pais ou responsáveis pelas crianças. O fato é que o casal lamenta como as coisas estão nos dias de hoje, principalmente, na falta de educação elementar das crianças “deixadas ao Deus dará” pelos próprios pais que parecem não perceber a gravidade e o prejuízo futuro com essa omissão.

Se ainda parece pouco o casal. O que acha, então, o leitor, o fato de que no processo do seu próprio crescimento como ser humano, Elzinha, depois dos 48 anos, ainda ter estudado violão, inglês e espanhol, teclado, computação? “Sempre um pouco de cada coisa, mas que abriu um mundo cada vez mais completo e complexo”, diz ela, que ainda indicou que o respeito, a tolerância e o compromisso com o outro é que tornam possível se viver bem, tanto tempo, como casal. As brigas sempre procuraram ser evitadas e quando não puderam deram tempo ao tempo para cada um se desarmar e buscar a harmonia.

Mas, se ainda é pouco ainda será possível encontrar o ‘seu’ Oscar pelo clube e a Elzinha encenando algum novo papel ou em ação naquela parte da comunidade do Parque São Rafael. Portanto, a Gazeta parabeniza o casal que não se cansa de fazer o bem, enquanto Elzinha nos brinda com um de seus poemas. (JMN)

Paixão de um poeta

Como a natureza é bela / foi nosso Deus que a criou / cada coisa em seu lugar com a maior perfeição / para que os homens aprendam essa organização / mas, não é isto que fazem / tudo que querem é destruição / destroem as matas, poluem os rios / e se destroem / pouco interessa / o que interessa é a fama e riqueza / esqueceram que dependemos de Deus e da natureza / esqueceram que Deus criou tudo para a nossa proteção / por isso merece respeito, nossa admiração / mas o avarento só pensa em dinheiro e o resto é piada / esquece que sem a natureza a vida não vale nada / mas sou apaixonada pela vida / não quero ficar para trás / acho errado o que fazem e nisso tenho razão / pois sou apaixonada pela obra da criação.

Written by Página Leste

23 de outubro de 2014 at 11:59

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Em disputa na sucessão a política econômica e social

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Apostando na apatia e desinteresse do eleitor, pouco ou quase nada se falou em campanha sobre o que se fez e o que se quererá para a política econômica e social, com certeza pontos dos mais importantes que em linhas gerais tento abordar neste artigo.

O pouco que se viu de debate sobre a política econômica e social durante a sucessão presidencial em quase nada ajuda o eleitor a entender e distinguir as duas estratégias dos concorrentes. Chamemos de “nacional desenvolvimentismo” ou “social desenvolvimentismo” o que a presidente Dilma defende e representa e o projeto neoliberal cuja boa expressão é o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga até agora indicado como ministro da Fazenda pelo candidato Aécio Neves.

Os debates eleitorais formais também não esclarecem, mesmo porque os meios de comunicação não estão imunes ideologicamente e pouco ajuda a demonstrar os interesses em disputa.

O que interessa aqui é o foco na questão econômica e ai vale dizer que os projetos atuais de Lula e Dilma experimenta neste mandato certo viés de estagnação que tem como consequência bloquear a estratégia distributiva de renda advinda dos benefícios monetários ou não da política social. Voltam também as pressões inflacionárias e o desequilíbrio externo se acentuando com a diminuição das exportações industriais.

Como se vai resolver essa estagnação, conflito distributivo, pressões inflacionárias e aumento da dependência externa fará objetivamente grande diferença para os brasileiros, mas não se fala sobre isso no debate. Para que possamos voltar a crescer e distribuir a economia e manter e ampliar a política social reformas são necessárias, com ênfase no sistema tributário com mais justiça e equidade tributária, entretanto essa exigência dos fatos é um assunto desagradável para a base de sustentação do atual governo e sequer passa perto da turma dos que disputam com Dilma o governo central. De qualquer forma sem essas reformas a economia não cresce e se crescer será apropriado não pelo social desenvolvimento, mas para um subdesenvolvimento puro, ganhando os que sempre ganharam.

O outro projeto neoliberal não tem nada a ver com a igualdade, nem considera redistribuir a renda ou desconcentrar a riqueza. Simples assim. Consideram que o mercado distribui o excedente, além de alijar o Estado com essa concepção que nada faria nem como protagonista, nem como indutor da distribuição ou fomentador da economia de forma mais justa. Ficará reservado a ele, apenas se virar para garantir as metas da inflação, superávit primário para pagar os serviços da divida aos rentistas e o câmbio flutuante. Ou seja, operando a favor do interesse das minorias. Claro que essas medidas seriam ‘maldosas’, e o assunto é evitado nas propostas, embora o Armínio Fraga já tenha deixado escapar cortes profundos nos gastos públicos e principalmente no gasto social para fazer os ajustes que interessa a esse grupo e tipo de pensamento.

Nesse modelo neoliberal bancos públicos e empresas estatais não se harmonizam, mas a campanha não tem coragem de dizer que vão privatizar porque a resistência pode aumentar proporcionalmente É para facilitar essa medida, inclusive que se faz intensa campanha com as denúncias de corrupção nessas empresas. Com certeza, no subconsciente do cidadão a privatização pode soar como dar um fim a corrupção o que não é verdade e de longe não é a solução mais adequada.

Para que fique bem claro o modelo neoliberal tem enorme fé na eficiência econômica dos mercados que sabemos tem donos e não são todos. Qualquer que seja o resultado se bom ou ótimo caberá à sociedade que não é o mercado prestar serviço duro e ajudar a pagar as contas para esse tal mercado. Dependência integral nas relações exteriores será certa, bem como promover a independência do Banco Central que em acontecendo deixará de ser um regulador do Estado e estará a serviço do mercado e seus mercadores.

É diante dessas diferenças esboçadas em linhas gerais que o eleitor comparecerá na urna em segundo turno. Penso que o eleitor deve escolher o mal menor e nesse sentido e para este articulista é dar um sonoro não às armações neoliberais que ainda vem junta com forte retórica de ultradireita. (JMN)

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22 de outubro de 2014 at 23:19

Mais um aspecto ruim dessas eleições

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Para votar para a Presidência da República em 2014, aparentemente o eleitor não se interessou em conhecer a vida pregressa de fortes candidatos. Serviu apenas olhar quem estava no governo no período

Olhando com um rigor mediano para o resultado das eleições para presidente no primeiro turno desconfio que a rede social e a velocidade com que as informações circulam de segundo em segundo contribuíram para fazer com que a memória dos brasileiros não fosse muito para trás para lembrar como e o que era sequer esse nosso passado recente. Acho até que esse fenômeno resultante dessa velocidade e descarte de informações possa estar se repetindo em toda parte mundo afora.

Há fortes indicativos de que adultos relativamente jovens, na casa de seus 30, 40 anos não se interessaram em construir cenários comparativos entre a situação atual e as situações e conjunturas em que se encontrava o país no período da redemocratização. Aqui tão perto em termos de tempo, nem tão longe. Coisa da década de 80. Poucos, eventualmente os mais idosos e experimentados, trouxeram esses subsídios do tempo e da história recente para fazer avaliações, comparações e decidir seus votos. Mesmo assim, registre-se, uma minoria.

Se essa maioria de trintões ou quarentões não se atentou para essa necessidade, a ação cidadã de votar acabou se dando, então, basicamente a partir da constatação e da necessidade quase generalizada de que era preciso mudanças, embora não se saiba ainda para onde. Sem ter com o que comparar, ou seja, objetivamente não levando em conta esse passado recente, era óbvio que a resultante seria votar por uma mudança, mesmo que seja para endereço antigo. Até ai compreensível, mas que mudança era essa quando não se compara situações?

Vou exemplificar simplificando. Quando tomamos uma xícara de café, visto que existem disponíveis várias marcas, não podemos afirmar com segurança se ele é muito ou pouco saboroso, uma vez que não temos outra xícara de café, de outra marca, para comparar. Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O cidadão brasileiro informado mesmo que medianamente e principalmente pelos grandes meios de comunicação disponível vê, ouve se espanta e fica indignado, com toda razão, com uma série de desacertos e descalabros na República, notadamente nos casos de corrupção nas barbas do governo central. E fica indignado, principalmente, porque é mais fácil e recorrente divulgar notícias ruins do que as boas. Muita notícia ruim e a tendência é querermos dar o troco nas urnas.

Esse troco ou essa vingança, entretanto, registre-se, é feita difusamente uma vez que também é fato que a maioria dos eleitores seja conivente e tolerante com pequenas e médias lambanças, principalmente se estiverem participando com alguma vantagem. Apesar de fazerem das suas, um pouco de inveja também os fazem ficar contrariados com a destreza e desfaçatez dos grandes larápios. No intimo, com algum grau de entendimento, percebem que quando se lesa o patrimônio e os recursos públicos é um pouco do seu que está sendo tomado. Eles têm razão, de novo.

Acontece que esses grandes meios de comunicação, no sentido de manter o status que desfrutam estão quase em sua totalidade acordados numa prática sutil de esclarecer, mas não muito, de informar sem contextualizar, e o que é mais grave simplificar questões complexas.

Fazem do senso comum de que políticos são todos bandidos uma espécie de chavão que funciona, mas que não passa de uma espécie econômica de xingamento. Preguiçosos e de rabo muito bem presos não vão ao fundo das questões; não usam da necessária comparação entre situações que poderiam no mínimo elevar a qualidade desse senso comum dando a cada um, xingamentos em doses diferentes. Misturar tudo no mesmo balaio não resolve, apenas joga para a plateia.

O resultado dessa conjuntura contribuiu para o que se viu no primeiro turno. Clamor de mudança nas eleições. Com isso, os eleitores querem e estão em vias de conseguir em segundo turno trocar o comando do governo central por outro; aquele que disputará com a atual presidente sem ao menos conhecer o ficha pregressa do que o oponente da presidenta Dilma, o seu partido e os aliados de sempre representaram nesse passado recente. Os eleitores deixam de pesquisar e se aprofundar porque ainda não acham importante esse aspecto da equação.

Seguindo esse raciocínio a troca de governo é iminente e como o passado não interessa, parece que não interessará também para qual direção e endereço essa mudança está sendo feita. Dias sinistros virão, mas que não se responsabilize apenas a falta de interesse dos eleitores em ver o assunto de maneira inteira e de forma comparativa.

Erros aos borbotões foram cometidos também pela quilométrica coligação que vem atuando no governo federal no último período. Se não fossem tantos erros e se os acertos fossem mais evidentes e compensatórios do ponto de vista do interesse maior da nação, nem tantos eleitores quereriam abrir a outra porta do desconhecido. (JMN)

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16 de outubro de 2014 at 12:39

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São Mateus vota, mas de certa forma perdeu

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E São Mateus com seus milhares de eleitores entraram na festa da democracia para perder seus parlamentares. Explico: deixou de eleger deputados estaduais o vereador Gilson Barreto, do PSDB, o deputado estadual José Zico Prado e também o deputado Adriano Diogo que, por sua vez, se candidatou a deputado federal.

Gilson Barreto, atualmente vereador conseguiu 9361 votos, Zico Prado 6896 e Adriano Diogo 7358. Correndo por fora, e querendo entrar, estava o empresário Pedro Kaká em sua segunda disputa, uma vez que também foi candidato a vereador sem alcançar número suficiente, mas que cresceu agora, através do PTN com 6061 votos.

Não que eles fossem parlamentares exclusivos dessa enorme São Mateus, mas que tinham muito a ver com tanta coisa que acontece e rola por aqui, todo mundo informado sabe. É o caso de Gilson Barreto que tem muito de sua atuação parlamentar vinculada a São Mateus. José Zico vai na mesma toada, visto que em diversas outras disputas fez dobradas com Paulo Fiorilo, atual vereador pela cidade de São Paulo e, durante várias dessas disputas com Devanir Ribeiro que disputando também não conseguiu votos suficientes para se manter no Congresso Nacional.

O caso de Adriano Diogo tem algumas particularidades. Com os mais de 50 mil votos que obteve nessa disputa se reelegeria até com alguma facilidade caso quisesse continuar com deputado estadual na Assembleia Legislativa, mas essa não era a dele. Com vários mandatos como vereador e alguns outros como deputado achava que era hora de estar em Brasília, no Congresso Nacional, menos como desejo ou ambição pessoal e mais como uma tarefa que analistas políticos revelam da maior importância no atual período. Adriano Diogo é um dos mais destacados deputados que atua na Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e tem capitaneado um enorme esforço de recomposição da historia recente desse país.

Atuando na Comissão da Verdade que é parte de um esforço nacional de trazer às claras a atuação das forças de repressão durante o período da ditadura militar de forma a restabelecer a verdade dos fatos, de ambos os lados que foi de certa forma esquecida e relegada a segundo plano por causa da anistia dos envolvidos em batalhas, combates envolvendo abusos, torturas e até mortes no período.

Pois bem, entre esses poucos nomes nem todos são nativos da região. Sequer conduziam em maior ou menor grau suas ações como se despachantes fosses dos interesses da região. O papel deles estava além do distrito, como deveria ser. Mesmo assim um sem número de questões e demandas da região só ganhou ares de demanda pública a prefeitura, ao estado ou até ao governo federal com a participação deles. Dai a razão de entendermos que São Mateus votou, fez a festa da democracia, elegeu parlamentares, governo e estará em vias de ajudar a eleger presidente seja ele quem for, mas perdendo seus parceiros. Uns muito parceiros mesmo, outros menos.

Não dá, portanto para apreciar o resultado. Gilson Barreto volta a Câmara Municipal para cumprir o restante do mandato que ainda tem até final de 2016. Continua na Câmara Municipal outra parceira de São Mateus, mas que não disputou eleições porque apoiava Adriano Diogo, a vereadora Juliana Cardoso. Ela mesma com um caminhão de votos e prestigio em nosso distrito.

Oxalá, ambos façam o melhor possível para que São Mateus não passe uma temporada órfã. Ao eleitor de São Mateus vale a reflexão e o compromisso de fazer o melhor nas próximas eleições à Câmara Municipal em 2016, enquanto aguarda nova disputa para a Assembleia Legislativa, o Congresso Nacional, o governo estadual e novamente a Presidência da República daqui a quatro anos. (LM/JMN)

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16 de outubro de 2014 at 12:32

Entre perguntas Leci explica um pouco de sua trajetória

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A deputada Leci Brandão contou um pouco de sua trajetória, mas principalmente sua relação com São Paulo, tendo em vista ser nascida e criada no Rio de Janeiro. Já como artista, cantora e compositora de sucessos permanentes com temática eminentemente popular; suas vidas, aflições, alegrias e características, Leci a convite de uma grande emissora de TV, veio a São Paulo para comentar o carnaval. Nada menos que uma artista de samba que já havia trabalhado com Cartola, Nelson Cavaquinho e outros grandes.

E começou comentando o carnaval a partir da periferia de São Paulo na Cidade Tiradentes, zona leste. Durante um desses dias ela observou e pode relembrar o comportamento das escolas e das pessoas que iam ver os desfiles que eram muito semelhantes ao que vivenciou no passado.

“Como comentarista, na Cidade Tiradentes, saiu da cabine para a avenida relembrou o passado e se entusiasmou com a Nenê da Vila Matilde

“Sai da cabine da transmissão para conferir uma batucada distante que depois se revelou ser da Nenê da Vila Matilde da qual virei fã, e em contato mais próximo, pude verificar que as pessoas iam aos desfiles munidos de seus pequenos lanches que trocavam entre si. Fazíamos isso no Rio de Janeiro, antes da instalação das arquibancadas. Ficávamos próximos ao desfile, conhecíamos de cor os sambas de nossas escolas preferidas e chamávamos as pessoas pelos nomes. Como éramos pobres cada um levava alguma coisa para comer que trocávamos entre nós num ambiente fraternal, de comunidade mesmo. Vi isso se repetindo aqui e a emoção tomou conta. Uma por ver essa simplicidade outra por conhecer de perto a Nenê de Vila Matilde”, explica.

A deputada ainda explicou que após um afastamento compulsório de cinco anos no início dos anos 80, muito por conta de seus posicionamentos políticos e comprometimento com as causas populares, foi em São Paulo onde praticamente retomou a sua carreira. Citou diversos nomes de gente de rádio e ativistas culturais de samba que contribuíram para essa retomada.

“Para se ter uma ideia de como era o clima na ocasião, a música Zé do Caroço, sucesso em 1985, após a retomada de sua carreira em ares menos congestionados em termos de censura e ditadura foi feita em 1978. “Nessa retomada cantei muito também aqui pela zona leste, mas jamais poderia supor que neste segundo milênio estaria na segunda maior assembleia do país; de volta a zona leste e com gente como a gente por aqui. “A emoção é grande e minha cabeça chega a dar voltas, mas de felicidade”, comentou.

Estou deputada como uma missão, diz Leci

Entre uma explicação e outra Leci ouviu do ativista cultural do samba Tim Maia, de Ibson Pessoa e Luana Pessoa, gente ligada ao Berço do Samba de São Mateus, sendo que Ibson faz parte do Quinteto em Banco e Preto a respeito de algumas preocupações.

Tim Maia, concretamente, disse torcer para que Leci Brandão, enquanto deputada, some-se aos esforços do também deputado Adriano Diogo para ajudar a divulgar e consolidar a produção de cultura local.

Ibson queria saber da origem da sua militância e de quais esforços estariam sendo feitos para barrar essa perseguição difusa na sociedade em relação às religiões de matriz africana. Já Luana Pessoa promotora de diversas e distintas espécies de manifestações culturais na região registrou a carência de espaços e ausência de apoios à rica produção local.

“Tô deputada por conta de uma missão”, iniciou contando sua história. Disse que sua entrada no PCdoB tem certas peculariedades, uma vez que seria o mais natural ela estar no PT, tantas às vezes as quais ela emprestou sua fala, talento e competência para causas que em geral o PT de então estava envolvido. “Conheço e ajudei o PT e o Lula, desde quando ele tinha cabelos e barba escuros. Participei do MST, ajudei a eleger Erundina a Marta, participei das Diretas Já, tudo porque aquelas temáticas de cunho popular eram e são as minhas realidades”.

Com a carreira em dificuldades, fora das gravadoras por conta do boicote da indústria cultural, Leci, batizada na igreja católica tinha desde então sua relação e amparo espiritual em religiões de matriz africana disse. Falou sobre isso primeiro avisando que respeita todas as crenças e religiões. Nessa sua relação espiritual, disse que foi orientada por seu guia espiritual que sua vida estaria mudando e que em 1984 ela também sairia do país, o que lhe parecia bastante improvável à época. Resumindo a opera: ela se apresentou em Angola, na África e a sua volta ao Brasil ainda assinou contrato com uma grande gravadora podendo trabalhar inclusive parte do repertório que, digamos assim estava censurado.

Chegou também à assembleia legislativa como missão

De novo, Leci explicou que diante dos convites para ingressar na política partidária e até como candidata, a decisão teve a participação do seu guia espiritual. Repetindo a fala da entrevistada “É mais uma missão que o seu anjo da guarda está lhe dando, é mais um desafio. Aceite-o e cumpra-o”. Foi o que fez.

Uma vez na assembleia é esse perfil e atuação que qualquer interessado pode ver e conhecer. Abraça as boas causas; as causas da população mais sofrida; atua contra os preconceitos dos vários matizes _racial, homofobia; na luta pela defesa das mulheres, dos despossuídos.

Nessas tarefas e missões, uma vez que insiste em ‘estar e não ser deputada’, Leci participa de algumas comissões; entre elas a de Direitos Humanos presidida pelo Adriano Diogo, de que também ‘se diz fã’ e outras CPI. No dia a dia ainda é uma digna representante da voz e anseios do povo, com ênfase na área cultural onde ainda continua atuando.

Ver fotos em: https://drive.google.com/folderview?id=0B2bhCIh1J_OUa1Q0OV9HZ3pfMUE&usp=sharing

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2 de outubro de 2014 at 16:54

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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento

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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento para a Gazeta São Mateus

O deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP) que este ano concorre a uma vaga na Câmara em Brasília e que também é geólogo por formação, atribuiu principalmente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp, a responsabilidade sobre a desastrada situação do saneamento básico no estado.

Para ele a criação de empresas estaduais, como é o caso da Sabesp, durante o regime militar tirou da responsabilidade dos municípios o fornecimento de água e, eventualmente, da coleta de esgotos. Segundo ele a Sabesp, em se tratando de uma empresa com interesses na bolsa de valores e com acionistas, entre os quais, o próprio governo, e todos ávidos pelo lucro já não tem como premissa principal a prestação de serviço e, sim, o retorno aos associados. Nem mesmo a parte dos lucros que cabe ao governo é utilizada para investimentos nos serviços de saneamento. Pode e, em geral, é usado para equilibrar as contas do Estado.

Essa situação explica parte dos problemas que vem comprometendo praticamente quase todos os córregos, pequenos rios e até mesmo as nascentes de água, algumas delas remanescentes em São Mateus, esclarece o deputado.

O fato de não haver investimentos nem iniciativa das companhias de saneamento em, por exemplo, prover os diversos córregos com encanamentos e troncos principais por onde pudesse transitar a matéria orgânica proveniente dos esgotos domésticos fazem com que atualmente esses mesmo córregos, em situação de estiagem, sejam uma espécie de apenas corredor de resíduos.

Se as companhias de saneamento, no caso da Sabesp, em São Paulo tivessem feito investimentos e cuidado para que todo os resíduos de esgotos fossem passíveis de serem encaminhados às estações de tratamento, nem o Aricanduva, nem o Rio Tietê, que corta toda a cidade, não estariam na situação em que se encontram.

Naturalmente que as responsabilidades não são apenas da empresa. Tem muito a ver com a falta de consciência dos ocupantes da cidade, principalmente os em moradias improvisadas e em localidades deficitárias do serviço e também por negligência da fiscalização do poder público que permite a instalação e fixação nesses locais.

Mal acomodadas, seguem crescentes as aglomerações urbanas em áreas de vegetação ainda nativa. Estas vão se impermeabilizando, com córregos sendo assoreados e com a vegetação completamente removida. Num sistema harmônico, sem vegetação, as nascentes secam e o resultado é que a água de qualidade que antes percorriam os córregos somem ficando no seu lugar uma esteira de esgoto com água muito suja.

O deputado que tem muito interesse na questão de saneamento compara a precariedade do atendimento feito no Brasil a iniciativas que já estão sendo adotadas em outros locais mais desenvolvidos. Foi mais longe e deu como exemplo partes muito adensadas e empobrecidas da Índia, onde a coleta de fezes e urinas sofrem por um processo de compactação que serve depois para ser usado como gerador de energia. Já se conhece e existe disponível outros tantos procedimentos que deveriam ser considerados.

O que não é mais tolerável, segundo o deputado, é o uso de água tratada e potável que deveria servir apenas para se beber, se alimentar e até banhar-se como condutor de descarga de privadas. O custo desse procedimento em tempos de escassez é potencializado.

Deputado faz conta e demonstra como que para o consumidor o produto é caro

O raciocínio básico demonstrado pelo deputado foi o fato de haver cobrança de água e esgoto onde, em muitos casos, o esgoto sequer ser recolhido e tratado como deveria. Apenas desviado para deteriorar o que ainda resta de córregos, rios pequenos e maiores da cidade. Adriano demonstrou também que comparando a quantidade necessária de água para o consumo humano com o que se paga e também com o que se recebe em termos de produto ou serviço o custo é alto e penaliza ainda mais os mais necessitados e os mais pobres.

Como uma roda do infortúnio uma coisa alimenta outra. Sem recursos adequados, sem esgoto, sem regularização das comunidades, notadamente nas periferias e na região metropolitana, uma coisa alimenta a outra e o saneamento básico que deveria ser essencial à vida humana com qualidade fica cada vez mais ausente.

O desmatamento, a impermeabilização e a procura por locais por moradia só agrava a situação

Se nascentes, córregos e rios saudáveis vão desaparecendo, se agrava a situação do saneamento como um todo. Para se fixar com moradia em ocupações ou loteamentos irregulares as pessoas precisam remover as vegetações nativas que se encontram nesses locais. Sem vegetação, os recursos hídricos também desaparecem. Some-se a isso a falta de infraestrutura adequada de fornecimento de água e serviço de esgoto. Está montado o quadro que para ser revertido levará uma eternidade e ainda tão somente se a sociedade, as empresas de saneamento e os governos tomarem a decisão e empenho em reverter esse estado de coisas. (JMN)

Written by Página Leste

17 de setembro de 2014 at 14:03

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