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Espaço de observação comprometido com a cidadania.

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Os números de 2014

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Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.600 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 27 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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29 de dezembro de 2014 at 23:41

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Atriz amadora e ativista: exemplo de vitalidade na maturidade

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Casal se mantém ativo e atuante no Parque São Rafael

Casal se mantém ativo e atuante no Parque São Rafael

O casal Oscar Aparecido Fantinati e Elza Fantinati, moradores no Parque São Rafael há 52 anos,  hoje, ambos aposentados só curtem a vida, mas com qualidade.  Elza também é poeta, é atriz, participa de algumas peças; já deu oficinas de artesanato, tentou uns desenhos e umas pinturas, fez muito crochê e tricô, mas, principalmente, é uma senhora otimista animada e atuante. Tinha que ser destaque em nossas páginas.

Com seus 72 anos e o marido 71, Elza, também conhecida como Elzinha formam um casal que já completou 50 anos de união, com filhos criados e netos. Elzinha num determinado momento de sua vida, já com os filhos casados e lá pelos 48 decidiu voltar a estudar, completou o ensino médio, se relacionou de forma entusiasta com alunos muito mais jovens durante o supletivo e descobriu que podia fazer mais, muito mais.

Ainda durante o supletivo ela disse ter sido abordada por jovens de 18, 19 anos que buscavam retomar os estudos, mas que se lembraram de terem ganhado em suas mais tenras infâncias sapatinhos de crochê daquela mulher. Enturmou-se tão bem que experimentou algumas tentativas de fazer teatrinhos. Que depois viraram teatrão.

Vinte anos de costura, outros tantos em fábricas, mesmo porque ela trabalhou o tempo todo e acabou se envolvendo, se interessando e procurando se aperfeiçoar na arte do teatro que durante muito tempo era apenas uma brincadeira. Com o tempo e com o aprofundamento também desenvolveu uma capacidade maior de relacionamento e compreensão de uma série de coisas. Como ela mesma diz; das relações que estabeleceu e das peças que ensaiou e algumas que chegou a atuar, ganhou o gosto e o interesse em conhecer coisas novas e tornou-se então uma voraz leitora e uma estudiosa atenta; tanto da sua arte, como outros tipos de arte.

Leva e mantem consigo todo esse ânimo, essa garra, e compartilha o conhecimento acumulado. Da escola onde cursava o supletivo, partiu para um curso de teatro, ensaios e apresentação de peças através do Sesc, e nos tempos em que os centros educacionais unificados (Ceus) estavam mais ativos, atuou em vários trabalhos, alguns de forma destacada com competência e talento. Toda essa história retoma aos anos de 1998, portanto mais de quinze anos experimentando, atuando onde é convidada, pode e tem interesse.

Elzinha lembra-se do reconhecimento à qualidade do equipamento, ou seja, do teatro, feito pela atriz Gloria Menezes em ocasião de sua visita. Entretanto, tem consciência que, agora, com o passar do tempo, a utilização desses mesmos equipamentos estão muito aquém do que poderiam. Aparentemente a comunidade, incluindo os artistas, não se apropriaram desses equipamentos de forma intensa, mas isso pode ter a ver com ausência de incentivo do poder público. Para ela, que pegou interesse pela arte, uma coisa a se lamentar.

Elzinha começou concretamente a se expor no ofício fazendo dupla com outra animada senhora de nome Néa. A dupla de palhaças ficou conhecida como Pipoca e Palhaça, entretanto em outra peça ela se destacou interpretando uma cigana desbocada que falava em portunhol, o que levou Elzinha a estudar um pouco da língua espanhola. Também participou de forma amadora de peça baseada na obra de Guimarães Rosa, o livro Vidas Secas.

Ainda hoje, lá está ela no espaço mais ecumênico da  Igreja Batista de São Mateus  participando de um grupo de terceira idade com mais outras 60 pessoas que desenvolvem desde pequenas esquetes dramáticas, ensaios de canto, dança, enfim atividades lúdicas e, porque não dizer, terapêuticas entre si. O grupo ‘Vida e Maturidade’ sob a coordenação de Andreia e do Pastor Ramirez promove ainda viagens, almoços e lanches coletivos, tudo de forma muito bem organizada.

 Enquanto isso, o marido acompanha e prestigia o futebol

Já o marido Oscar é diretor de alguns times, com destaque ao Unidos FC do Parque São Rafael e é uma espécie de zelador e dirigente que cuida das necessidades que são muitas do campo de futebol usado pelo clube. Reclama da dificuldade de se conseguir apoio institucional até mesmo para pequenas demandas para a manutenção do campo. Também exerce uma liderança local participando tanto quanto possível e a idade permitam das ações coletivas das comunidades em que vivem.

Voltando a cena, Elzinha diz que…..

Se fosse solicitada à aconselhar as mulheres da sua idade a também ter uma vida produtiva e atuante, diria que elas devem tentar focar basicamente no que gostam. De preferência com alguma atividade de natureza coletiva que possa beneficiar direta ou indiretamente a sociedade. Parece insinuar que a terceira idade ainda pode ser muito produtiva se deixar de focar apenas e tão somente em suas próprias famílias. E o exemplo de vida dela dá certa razão a essa insinuação.

Com relação à poesia, ela despertou um gosto maior quando leu “Recomeço”, de Carlos Drummond de Andrade cuja temática é exatamente o que o nome diz e indica: recomeçar as coisas, que sempre há tempo para coisas novas, etc. “Quando voltei para a escola e fui estudando a minha vida foi tomando um rumo diferente, mais rico. Até as dores da idade são relativas e vão embora quando você tem boas tarefas e coisas interessantes para fazer”, diz. ‘E uma renovação, de preferência para melhor. “A leitura faz você aprender, viajar; a conhecer as coisas, a se inquietar”, enfatiza.

Seu Oscar, mesmo com menor intensidade foi na mesma direção, tanto assim que destaca que na escolinha de esportes que funciona no espaço do campo, eles não descuidam de oferecer reforço escolar e um pouco mais de cultura as crianças. De novo lamenta, e ai secundado pela esposa, o desinteresse dos próprios pais ou responsáveis pelas crianças. O fato é que o casal lamenta como as coisas estão nos dias de hoje, principalmente, na falta de educação elementar das crianças “deixadas ao Deus dará” pelos próprios pais que parecem não perceber a gravidade e o prejuízo futuro com essa omissão.

Se ainda parece pouco o casal. O que acha, então, o leitor, o fato de que no processo do seu próprio crescimento como ser humano, Elzinha, depois dos 48 anos, ainda ter estudado violão, inglês e espanhol, teclado, computação? “Sempre um pouco de cada coisa, mas que abriu um mundo cada vez mais completo e complexo”, diz ela, que ainda indicou que o respeito, a tolerância e o compromisso com o outro é que tornam possível se viver bem, tanto tempo, como casal. As brigas sempre procuraram ser evitadas e quando não puderam deram tempo ao tempo para cada um se desarmar e buscar a harmonia.

Mas, se ainda é pouco ainda será possível encontrar o ‘seu’ Oscar pelo clube e a Elzinha encenando algum novo papel ou em ação naquela parte da comunidade do Parque São Rafael. Portanto, a Gazeta parabeniza o casal que não se cansa de fazer o bem, enquanto Elzinha nos brinda com um de seus poemas. (JMN)

Paixão de um poeta

Como a natureza é bela / foi nosso Deus que a criou / cada coisa em seu lugar com a maior perfeição / para que os homens aprendam essa organização / mas, não é isto que fazem / tudo que querem é destruição / destroem as matas, poluem os rios / e se destroem / pouco interessa / o que interessa é a fama e riqueza / esqueceram que dependemos de Deus e da natureza / esqueceram que Deus criou tudo para a nossa proteção / por isso merece respeito, nossa admiração / mas o avarento só pensa em dinheiro e o resto é piada / esquece que sem a natureza a vida não vale nada / mas sou apaixonada pela vida / não quero ficar para trás / acho errado o que fazem e nisso tenho razão / pois sou apaixonada pela obra da criação.

Written by Página Leste

23 de outubro de 2014 at 11:59

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Em disputa na sucessão a política econômica e social

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Apostando na apatia e desinteresse do eleitor, pouco ou quase nada se falou em campanha sobre o que se fez e o que se quererá para a política econômica e social, com certeza pontos dos mais importantes que em linhas gerais tento abordar neste artigo.

O pouco que se viu de debate sobre a política econômica e social durante a sucessão presidencial em quase nada ajuda o eleitor a entender e distinguir as duas estratégias dos concorrentes. Chamemos de “nacional desenvolvimentismo” ou “social desenvolvimentismo” o que a presidente Dilma defende e representa e o projeto neoliberal cuja boa expressão é o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga até agora indicado como ministro da Fazenda pelo candidato Aécio Neves.

Os debates eleitorais formais também não esclarecem, mesmo porque os meios de comunicação não estão imunes ideologicamente e pouco ajuda a demonstrar os interesses em disputa.

O que interessa aqui é o foco na questão econômica e ai vale dizer que os projetos atuais de Lula e Dilma experimenta neste mandato certo viés de estagnação que tem como consequência bloquear a estratégia distributiva de renda advinda dos benefícios monetários ou não da política social. Voltam também as pressões inflacionárias e o desequilíbrio externo se acentuando com a diminuição das exportações industriais.

Como se vai resolver essa estagnação, conflito distributivo, pressões inflacionárias e aumento da dependência externa fará objetivamente grande diferença para os brasileiros, mas não se fala sobre isso no debate. Para que possamos voltar a crescer e distribuir a economia e manter e ampliar a política social reformas são necessárias, com ênfase no sistema tributário com mais justiça e equidade tributária, entretanto essa exigência dos fatos é um assunto desagradável para a base de sustentação do atual governo e sequer passa perto da turma dos que disputam com Dilma o governo central. De qualquer forma sem essas reformas a economia não cresce e se crescer será apropriado não pelo social desenvolvimento, mas para um subdesenvolvimento puro, ganhando os que sempre ganharam.

O outro projeto neoliberal não tem nada a ver com a igualdade, nem considera redistribuir a renda ou desconcentrar a riqueza. Simples assim. Consideram que o mercado distribui o excedente, além de alijar o Estado com essa concepção que nada faria nem como protagonista, nem como indutor da distribuição ou fomentador da economia de forma mais justa. Ficará reservado a ele, apenas se virar para garantir as metas da inflação, superávit primário para pagar os serviços da divida aos rentistas e o câmbio flutuante. Ou seja, operando a favor do interesse das minorias. Claro que essas medidas seriam ‘maldosas’, e o assunto é evitado nas propostas, embora o Armínio Fraga já tenha deixado escapar cortes profundos nos gastos públicos e principalmente no gasto social para fazer os ajustes que interessa a esse grupo e tipo de pensamento.

Nesse modelo neoliberal bancos públicos e empresas estatais não se harmonizam, mas a campanha não tem coragem de dizer que vão privatizar porque a resistência pode aumentar proporcionalmente É para facilitar essa medida, inclusive que se faz intensa campanha com as denúncias de corrupção nessas empresas. Com certeza, no subconsciente do cidadão a privatização pode soar como dar um fim a corrupção o que não é verdade e de longe não é a solução mais adequada.

Para que fique bem claro o modelo neoliberal tem enorme fé na eficiência econômica dos mercados que sabemos tem donos e não são todos. Qualquer que seja o resultado se bom ou ótimo caberá à sociedade que não é o mercado prestar serviço duro e ajudar a pagar as contas para esse tal mercado. Dependência integral nas relações exteriores será certa, bem como promover a independência do Banco Central que em acontecendo deixará de ser um regulador do Estado e estará a serviço do mercado e seus mercadores.

É diante dessas diferenças esboçadas em linhas gerais que o eleitor comparecerá na urna em segundo turno. Penso que o eleitor deve escolher o mal menor e nesse sentido e para este articulista é dar um sonoro não às armações neoliberais que ainda vem junta com forte retórica de ultradireita. (JMN)

Written by Página Leste

22 de outubro de 2014 at 23:19

Mais um aspecto ruim dessas eleições

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Para votar para a Presidência da República em 2014, aparentemente o eleitor não se interessou em conhecer a vida pregressa de fortes candidatos. Serviu apenas olhar quem estava no governo no período

Olhando com um rigor mediano para o resultado das eleições para presidente no primeiro turno desconfio que a rede social e a velocidade com que as informações circulam de segundo em segundo contribuíram para fazer com que a memória dos brasileiros não fosse muito para trás para lembrar como e o que era sequer esse nosso passado recente. Acho até que esse fenômeno resultante dessa velocidade e descarte de informações possa estar se repetindo em toda parte mundo afora.

Há fortes indicativos de que adultos relativamente jovens, na casa de seus 30, 40 anos não se interessaram em construir cenários comparativos entre a situação atual e as situações e conjunturas em que se encontrava o país no período da redemocratização. Aqui tão perto em termos de tempo, nem tão longe. Coisa da década de 80. Poucos, eventualmente os mais idosos e experimentados, trouxeram esses subsídios do tempo e da história recente para fazer avaliações, comparações e decidir seus votos. Mesmo assim, registre-se, uma minoria.

Se essa maioria de trintões ou quarentões não se atentou para essa necessidade, a ação cidadã de votar acabou se dando, então, basicamente a partir da constatação e da necessidade quase generalizada de que era preciso mudanças, embora não se saiba ainda para onde. Sem ter com o que comparar, ou seja, objetivamente não levando em conta esse passado recente, era óbvio que a resultante seria votar por uma mudança, mesmo que seja para endereço antigo. Até ai compreensível, mas que mudança era essa quando não se compara situações?

Vou exemplificar simplificando. Quando tomamos uma xícara de café, visto que existem disponíveis várias marcas, não podemos afirmar com segurança se ele é muito ou pouco saboroso, uma vez que não temos outra xícara de café, de outra marca, para comparar. Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O cidadão brasileiro informado mesmo que medianamente e principalmente pelos grandes meios de comunicação disponível vê, ouve se espanta e fica indignado, com toda razão, com uma série de desacertos e descalabros na República, notadamente nos casos de corrupção nas barbas do governo central. E fica indignado, principalmente, porque é mais fácil e recorrente divulgar notícias ruins do que as boas. Muita notícia ruim e a tendência é querermos dar o troco nas urnas.

Esse troco ou essa vingança, entretanto, registre-se, é feita difusamente uma vez que também é fato que a maioria dos eleitores seja conivente e tolerante com pequenas e médias lambanças, principalmente se estiverem participando com alguma vantagem. Apesar de fazerem das suas, um pouco de inveja também os fazem ficar contrariados com a destreza e desfaçatez dos grandes larápios. No intimo, com algum grau de entendimento, percebem que quando se lesa o patrimônio e os recursos públicos é um pouco do seu que está sendo tomado. Eles têm razão, de novo.

Acontece que esses grandes meios de comunicação, no sentido de manter o status que desfrutam estão quase em sua totalidade acordados numa prática sutil de esclarecer, mas não muito, de informar sem contextualizar, e o que é mais grave simplificar questões complexas.

Fazem do senso comum de que políticos são todos bandidos uma espécie de chavão que funciona, mas que não passa de uma espécie econômica de xingamento. Preguiçosos e de rabo muito bem presos não vão ao fundo das questões; não usam da necessária comparação entre situações que poderiam no mínimo elevar a qualidade desse senso comum dando a cada um, xingamentos em doses diferentes. Misturar tudo no mesmo balaio não resolve, apenas joga para a plateia.

O resultado dessa conjuntura contribuiu para o que se viu no primeiro turno. Clamor de mudança nas eleições. Com isso, os eleitores querem e estão em vias de conseguir em segundo turno trocar o comando do governo central por outro; aquele que disputará com a atual presidente sem ao menos conhecer o ficha pregressa do que o oponente da presidenta Dilma, o seu partido e os aliados de sempre representaram nesse passado recente. Os eleitores deixam de pesquisar e se aprofundar porque ainda não acham importante esse aspecto da equação.

Seguindo esse raciocínio a troca de governo é iminente e como o passado não interessa, parece que não interessará também para qual direção e endereço essa mudança está sendo feita. Dias sinistros virão, mas que não se responsabilize apenas a falta de interesse dos eleitores em ver o assunto de maneira inteira e de forma comparativa.

Erros aos borbotões foram cometidos também pela quilométrica coligação que vem atuando no governo federal no último período. Se não fossem tantos erros e se os acertos fossem mais evidentes e compensatórios do ponto de vista do interesse maior da nação, nem tantos eleitores quereriam abrir a outra porta do desconhecido. (JMN)

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16 de outubro de 2014 at 12:39

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São Mateus vota, mas de certa forma perdeu

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E São Mateus com seus milhares de eleitores entraram na festa da democracia para perder seus parlamentares. Explico: deixou de eleger deputados estaduais o vereador Gilson Barreto, do PSDB, o deputado estadual José Zico Prado e também o deputado Adriano Diogo que, por sua vez, se candidatou a deputado federal.

Gilson Barreto, atualmente vereador conseguiu 9361 votos, Zico Prado 6896 e Adriano Diogo 7358. Correndo por fora, e querendo entrar, estava o empresário Pedro Kaká em sua segunda disputa, uma vez que também foi candidato a vereador sem alcançar número suficiente, mas que cresceu agora, através do PTN com 6061 votos.

Não que eles fossem parlamentares exclusivos dessa enorme São Mateus, mas que tinham muito a ver com tanta coisa que acontece e rola por aqui, todo mundo informado sabe. É o caso de Gilson Barreto que tem muito de sua atuação parlamentar vinculada a São Mateus. José Zico vai na mesma toada, visto que em diversas outras disputas fez dobradas com Paulo Fiorilo, atual vereador pela cidade de São Paulo e, durante várias dessas disputas com Devanir Ribeiro que disputando também não conseguiu votos suficientes para se manter no Congresso Nacional.

O caso de Adriano Diogo tem algumas particularidades. Com os mais de 50 mil votos que obteve nessa disputa se reelegeria até com alguma facilidade caso quisesse continuar com deputado estadual na Assembleia Legislativa, mas essa não era a dele. Com vários mandatos como vereador e alguns outros como deputado achava que era hora de estar em Brasília, no Congresso Nacional, menos como desejo ou ambição pessoal e mais como uma tarefa que analistas políticos revelam da maior importância no atual período. Adriano Diogo é um dos mais destacados deputados que atua na Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e tem capitaneado um enorme esforço de recomposição da historia recente desse país.

Atuando na Comissão da Verdade que é parte de um esforço nacional de trazer às claras a atuação das forças de repressão durante o período da ditadura militar de forma a restabelecer a verdade dos fatos, de ambos os lados que foi de certa forma esquecida e relegada a segundo plano por causa da anistia dos envolvidos em batalhas, combates envolvendo abusos, torturas e até mortes no período.

Pois bem, entre esses poucos nomes nem todos são nativos da região. Sequer conduziam em maior ou menor grau suas ações como se despachantes fosses dos interesses da região. O papel deles estava além do distrito, como deveria ser. Mesmo assim um sem número de questões e demandas da região só ganhou ares de demanda pública a prefeitura, ao estado ou até ao governo federal com a participação deles. Dai a razão de entendermos que São Mateus votou, fez a festa da democracia, elegeu parlamentares, governo e estará em vias de ajudar a eleger presidente seja ele quem for, mas perdendo seus parceiros. Uns muito parceiros mesmo, outros menos.

Não dá, portanto para apreciar o resultado. Gilson Barreto volta a Câmara Municipal para cumprir o restante do mandato que ainda tem até final de 2016. Continua na Câmara Municipal outra parceira de São Mateus, mas que não disputou eleições porque apoiava Adriano Diogo, a vereadora Juliana Cardoso. Ela mesma com um caminhão de votos e prestigio em nosso distrito.

Oxalá, ambos façam o melhor possível para que São Mateus não passe uma temporada órfã. Ao eleitor de São Mateus vale a reflexão e o compromisso de fazer o melhor nas próximas eleições à Câmara Municipal em 2016, enquanto aguarda nova disputa para a Assembleia Legislativa, o Congresso Nacional, o governo estadual e novamente a Presidência da República daqui a quatro anos. (LM/JMN)

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16 de outubro de 2014 at 12:32

Entre perguntas Leci explica um pouco de sua trajetória

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A deputada Leci Brandão contou um pouco de sua trajetória, mas principalmente sua relação com São Paulo, tendo em vista ser nascida e criada no Rio de Janeiro. Já como artista, cantora e compositora de sucessos permanentes com temática eminentemente popular; suas vidas, aflições, alegrias e características, Leci a convite de uma grande emissora de TV, veio a São Paulo para comentar o carnaval. Nada menos que uma artista de samba que já havia trabalhado com Cartola, Nelson Cavaquinho e outros grandes.

E começou comentando o carnaval a partir da periferia de São Paulo na Cidade Tiradentes, zona leste. Durante um desses dias ela observou e pode relembrar o comportamento das escolas e das pessoas que iam ver os desfiles que eram muito semelhantes ao que vivenciou no passado.

“Como comentarista, na Cidade Tiradentes, saiu da cabine para a avenida relembrou o passado e se entusiasmou com a Nenê da Vila Matilde

“Sai da cabine da transmissão para conferir uma batucada distante que depois se revelou ser da Nenê da Vila Matilde da qual virei fã, e em contato mais próximo, pude verificar que as pessoas iam aos desfiles munidos de seus pequenos lanches que trocavam entre si. Fazíamos isso no Rio de Janeiro, antes da instalação das arquibancadas. Ficávamos próximos ao desfile, conhecíamos de cor os sambas de nossas escolas preferidas e chamávamos as pessoas pelos nomes. Como éramos pobres cada um levava alguma coisa para comer que trocávamos entre nós num ambiente fraternal, de comunidade mesmo. Vi isso se repetindo aqui e a emoção tomou conta. Uma por ver essa simplicidade outra por conhecer de perto a Nenê de Vila Matilde”, explica.

A deputada ainda explicou que após um afastamento compulsório de cinco anos no início dos anos 80, muito por conta de seus posicionamentos políticos e comprometimento com as causas populares, foi em São Paulo onde praticamente retomou a sua carreira. Citou diversos nomes de gente de rádio e ativistas culturais de samba que contribuíram para essa retomada.

“Para se ter uma ideia de como era o clima na ocasião, a música Zé do Caroço, sucesso em 1985, após a retomada de sua carreira em ares menos congestionados em termos de censura e ditadura foi feita em 1978. “Nessa retomada cantei muito também aqui pela zona leste, mas jamais poderia supor que neste segundo milênio estaria na segunda maior assembleia do país; de volta a zona leste e com gente como a gente por aqui. “A emoção é grande e minha cabeça chega a dar voltas, mas de felicidade”, comentou.

Estou deputada como uma missão, diz Leci

Entre uma explicação e outra Leci ouviu do ativista cultural do samba Tim Maia, de Ibson Pessoa e Luana Pessoa, gente ligada ao Berço do Samba de São Mateus, sendo que Ibson faz parte do Quinteto em Banco e Preto a respeito de algumas preocupações.

Tim Maia, concretamente, disse torcer para que Leci Brandão, enquanto deputada, some-se aos esforços do também deputado Adriano Diogo para ajudar a divulgar e consolidar a produção de cultura local.

Ibson queria saber da origem da sua militância e de quais esforços estariam sendo feitos para barrar essa perseguição difusa na sociedade em relação às religiões de matriz africana. Já Luana Pessoa promotora de diversas e distintas espécies de manifestações culturais na região registrou a carência de espaços e ausência de apoios à rica produção local.

“Tô deputada por conta de uma missão”, iniciou contando sua história. Disse que sua entrada no PCdoB tem certas peculariedades, uma vez que seria o mais natural ela estar no PT, tantas às vezes as quais ela emprestou sua fala, talento e competência para causas que em geral o PT de então estava envolvido. “Conheço e ajudei o PT e o Lula, desde quando ele tinha cabelos e barba escuros. Participei do MST, ajudei a eleger Erundina a Marta, participei das Diretas Já, tudo porque aquelas temáticas de cunho popular eram e são as minhas realidades”.

Com a carreira em dificuldades, fora das gravadoras por conta do boicote da indústria cultural, Leci, batizada na igreja católica tinha desde então sua relação e amparo espiritual em religiões de matriz africana disse. Falou sobre isso primeiro avisando que respeita todas as crenças e religiões. Nessa sua relação espiritual, disse que foi orientada por seu guia espiritual que sua vida estaria mudando e que em 1984 ela também sairia do país, o que lhe parecia bastante improvável à época. Resumindo a opera: ela se apresentou em Angola, na África e a sua volta ao Brasil ainda assinou contrato com uma grande gravadora podendo trabalhar inclusive parte do repertório que, digamos assim estava censurado.

Chegou também à assembleia legislativa como missão

De novo, Leci explicou que diante dos convites para ingressar na política partidária e até como candidata, a decisão teve a participação do seu guia espiritual. Repetindo a fala da entrevistada “É mais uma missão que o seu anjo da guarda está lhe dando, é mais um desafio. Aceite-o e cumpra-o”. Foi o que fez.

Uma vez na assembleia é esse perfil e atuação que qualquer interessado pode ver e conhecer. Abraça as boas causas; as causas da população mais sofrida; atua contra os preconceitos dos vários matizes _racial, homofobia; na luta pela defesa das mulheres, dos despossuídos.

Nessas tarefas e missões, uma vez que insiste em ‘estar e não ser deputada’, Leci participa de algumas comissões; entre elas a de Direitos Humanos presidida pelo Adriano Diogo, de que também ‘se diz fã’ e outras CPI. No dia a dia ainda é uma digna representante da voz e anseios do povo, com ênfase na área cultural onde ainda continua atuando.

Ver fotos em: https://drive.google.com/folderview?id=0B2bhCIh1J_OUa1Q0OV9HZ3pfMUE&usp=sharing

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2 de outubro de 2014 at 16:54

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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento

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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento para a Gazeta São Mateus

O deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP) que este ano concorre a uma vaga na Câmara em Brasília e que também é geólogo por formação, atribuiu principalmente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp, a responsabilidade sobre a desastrada situação do saneamento básico no estado.

Para ele a criação de empresas estaduais, como é o caso da Sabesp, durante o regime militar tirou da responsabilidade dos municípios o fornecimento de água e, eventualmente, da coleta de esgotos. Segundo ele a Sabesp, em se tratando de uma empresa com interesses na bolsa de valores e com acionistas, entre os quais, o próprio governo, e todos ávidos pelo lucro já não tem como premissa principal a prestação de serviço e, sim, o retorno aos associados. Nem mesmo a parte dos lucros que cabe ao governo é utilizada para investimentos nos serviços de saneamento. Pode e, em geral, é usado para equilibrar as contas do Estado.

Essa situação explica parte dos problemas que vem comprometendo praticamente quase todos os córregos, pequenos rios e até mesmo as nascentes de água, algumas delas remanescentes em São Mateus, esclarece o deputado.

O fato de não haver investimentos nem iniciativa das companhias de saneamento em, por exemplo, prover os diversos córregos com encanamentos e troncos principais por onde pudesse transitar a matéria orgânica proveniente dos esgotos domésticos fazem com que atualmente esses mesmo córregos, em situação de estiagem, sejam uma espécie de apenas corredor de resíduos.

Se as companhias de saneamento, no caso da Sabesp, em São Paulo tivessem feito investimentos e cuidado para que todo os resíduos de esgotos fossem passíveis de serem encaminhados às estações de tratamento, nem o Aricanduva, nem o Rio Tietê, que corta toda a cidade, não estariam na situação em que se encontram.

Naturalmente que as responsabilidades não são apenas da empresa. Tem muito a ver com a falta de consciência dos ocupantes da cidade, principalmente os em moradias improvisadas e em localidades deficitárias do serviço e também por negligência da fiscalização do poder público que permite a instalação e fixação nesses locais.

Mal acomodadas, seguem crescentes as aglomerações urbanas em áreas de vegetação ainda nativa. Estas vão se impermeabilizando, com córregos sendo assoreados e com a vegetação completamente removida. Num sistema harmônico, sem vegetação, as nascentes secam e o resultado é que a água de qualidade que antes percorriam os córregos somem ficando no seu lugar uma esteira de esgoto com água muito suja.

O deputado que tem muito interesse na questão de saneamento compara a precariedade do atendimento feito no Brasil a iniciativas que já estão sendo adotadas em outros locais mais desenvolvidos. Foi mais longe e deu como exemplo partes muito adensadas e empobrecidas da Índia, onde a coleta de fezes e urinas sofrem por um processo de compactação que serve depois para ser usado como gerador de energia. Já se conhece e existe disponível outros tantos procedimentos que deveriam ser considerados.

O que não é mais tolerável, segundo o deputado, é o uso de água tratada e potável que deveria servir apenas para se beber, se alimentar e até banhar-se como condutor de descarga de privadas. O custo desse procedimento em tempos de escassez é potencializado.

Deputado faz conta e demonstra como que para o consumidor o produto é caro

O raciocínio básico demonstrado pelo deputado foi o fato de haver cobrança de água e esgoto onde, em muitos casos, o esgoto sequer ser recolhido e tratado como deveria. Apenas desviado para deteriorar o que ainda resta de córregos, rios pequenos e maiores da cidade. Adriano demonstrou também que comparando a quantidade necessária de água para o consumo humano com o que se paga e também com o que se recebe em termos de produto ou serviço o custo é alto e penaliza ainda mais os mais necessitados e os mais pobres.

Como uma roda do infortúnio uma coisa alimenta outra. Sem recursos adequados, sem esgoto, sem regularização das comunidades, notadamente nas periferias e na região metropolitana, uma coisa alimenta a outra e o saneamento básico que deveria ser essencial à vida humana com qualidade fica cada vez mais ausente.

O desmatamento, a impermeabilização e a procura por locais por moradia só agrava a situação

Se nascentes, córregos e rios saudáveis vão desaparecendo, se agrava a situação do saneamento como um todo. Para se fixar com moradia em ocupações ou loteamentos irregulares as pessoas precisam remover as vegetações nativas que se encontram nesses locais. Sem vegetação, os recursos hídricos também desaparecem. Some-se a isso a falta de infraestrutura adequada de fornecimento de água e serviço de esgoto. Está montado o quadro que para ser revertido levará uma eternidade e ainda tão somente se a sociedade, as empresas de saneamento e os governos tomarem a decisão e empenho em reverter esse estado de coisas. (JMN)

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17 de setembro de 2014 at 14:03

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Programa vago de Marina pode implicar em retração na indústria automobilística

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Numa coisa pelo menos a Dilma candidata está certa e diz respeito à apreensão que tem com relação ao comportamento da Marina Silva caso eleita terá com parte importante da indústria, a automobilística. Claro que do ponto de visto ecológico e ambiental manter em nível alto a produção, entrega e circulação de veículos só faz congestionar ruas e avenidas, o ar, o pulmão e complicar eventuais soluções de transporte público.

O problema é que há uma enorme pedra no meio do caminho. Como pode e deverá ser tratado o segmento que emprega mais de 130 mil pessoas e, por tabela mais 330 mil no setor de autopeças e 26 mil no setor de pneus que estendidos em toda sua rede poderá alcançar fácil alguns milhões de empregos.

A candidata Dilma fez essa reflexão no início de setembro quando criticava o conteúdo do programa de Marina Silva para a indústria brasileira. Marina estava então aparecendo em primeiro lugar num eventual segundo turno.

Se alguma coisa é digna de se atentar por qualquer dirigente que seja é a questão do que se considera de média para alta carga tributária brasileira que durante o governo em curso como o anterior, do Lula, concedeu desoneração a este ou àqueles setores e a indústria automobilística foi uma das mais contempladas. Claro que não se trata de um assunto com equacionamento e respostas simples, mas uma carga média menor mais baixa que atinja todos os setores poderia ajudar a evitar que se escolhesse esse ou aquele segmento para conceder um substancioso prêmio.

Por outro lado a exemplo de todos os países é obrigação rotineira criar-se mecanismos que dão incentivos as suas respectivas indústrias. Deixar de fazê-lo na atual conjuntura de disputa internacional por recursos e melhor desempenho no comércio é pedir para continuar subalterno. Mais que isso, da forma que está à economia brasileira uma politica industrial apurada e zelosa é necessária porque é o setor que ainda gera os melhores empregos e os mais bem remunerados além de manter um constante desenvolvimento da tecnologia. Sempre serão de extrema gravidade o encolhimento e a eventual perda de competitividade da indústria que se traduzirá em queda na participação do PIB. Se alguma dúvida há sobre essa exigência atual basta observar o que ocorre na China.

É nesse aspecto que Dilma, corretamente detecta coisas incongruentes nos planos de Marina Silva. Em um deles; Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida, há uma severa critica a redução de IPI para a compra de carros. Não compra carros, na atual conjuntura é comprometer parte daqueles milhares de empregos. Em outro ponto do programa da Marina há uma critica mais incisiva sobre a política de proteção a determinados setores da indústria com ênfase na produção nacional. Tem a crítica, mas não tem a alternativa que pode implicar em ‘desproteger’ a produção nacional, no caso. Temerário.

Será que a Marina Silva quer mesmo ser eleita para em busca de outras saídas reduzirem a importância desse setor na indústria? Correr-se-á, então o risco de diminuir essa participação e além de desempregar deixar de acompanhar e se apropriar do desenvolvimento tecnológico que esse setor engendra? Não seria mais prudente a Marina, caso eleita, operar na direção de buscar baixar a média da carga tributária ao invés de privilegiar às avessas o setor sem uma alternativa consistente para colocar no lugar?

Até podemos entender as preocupações da Marina com relação à preservação planetária, as melhoras das condições ambientais de vidas, entretanto é preciso operar nessa direção com cuidado e método. O novo governo eleito que buscar agir nessa direção precisará se preparar para oferecer condições para um funcionamento adequado e eficiente do transporte público e melhora da mobilidade. Deverá também criar políticas públicas que criem alternativas para migração de trabalhadores caso a indústria automobilística e seus agregados tenham uma retração substancial.

Entendo aqui, entretanto, que dois caminhos são possíveis: baixar a média da carga tributária para privilegiar menos alguns setores e não abortar o desenvolvimento da indústria automobilística sobre risco de estancamento. Como alternativa pode se melhorar as demais condições que Marina acha importante simplesmente recolhendo das ruas e dos estacionamentos carros muito velhos com base em lógica reversa onde os fabricantes, a indústria automobilística e agregada na linha da logística assumam receber de volta para reciclar ou reaproveitar o que possa ser possível, uma das formas que o meio ambiente agradece. (JMN)

Written by Página Leste

17 de setembro de 2014 at 13:50

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Craques no futebol, mas pernas de pau em educação

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Bom seria se aquele belo exemplo mostrado pelos torcedores japoneses nos estádios da copa recolhendo o lixo do local onde estiveram torcendo para o seu time fosse um vírus que contagiasse a todos; brasileiros e estrangeiros. Deu gosto de ver jovens e adultos saírem de suas cadeiras portando sacos plásticos onde colocavam o que viam espalhado pelo chão.

Nem bem deu 23 horas do dia 23, horas depois do final do jogo entre Brasil x Camarões para que algumas ruas da badalada Vila Madalena ficasse abarrotada de foliões. Muitos brasileiros e gringos das várias nacionalidades se embebedavam, se drogavam servidos que eram pelos traficantes de cocaína e lança-perfume sempre ao alcance dos interessados. Se ficassem bêbados e não dirigissem nem fizessem algazarras problema deles. Se chapassem o globo e não dessem uma de nóias pelo pedaço, de novo, problema deles.

O drama é que eles levaram os ‘seus’ problemas para os outros; vizinhos que não tinham nada a ver com aquilo e que, durante horas, foram privados dos seus sossegos por causa de garrafas quebradas no chão, som alto de funk, sertanejo e outras pérolas que animavam toda aquela nação universal de sem noções. Um dos vizinhos prejudicado é Osvaldo Santos, morador da Vila Madalena que sofre com os festejos desmedidos no bairro. Com sua bengala, ele luta contra mijões.

Com menos de 20 metros de residências, um posto de gasolina serviu como ponto de venda de drogas. Apesar das diversas denúncias à polícia, os moradores eram questionados a informar a identificação dos eventuais traficantes. “Isso é um absurdo, como eu vou saber o nome e os documentos de quem está vendendo drogas”, reclamou um senhor que não quis se identificar. Na ocasião uma reportagem confirmou ter visto a policia militar revistando um rapaz que ficou sob custódia.

Muito diferente do exemplo dado pelos japoneses que, segundo me informei em conversas com gente que conhece bem aquela cultura, o ato de limpar os locais por onde passam mesmo em comemorações é coisa que se aprende e se pratica desde cedo na educação que recebem em casa. Dizem ser muito comum o fato de que, até nos velórios das pessoas no Japão, em recinto público, esses locais serem completamente limpos pelos familiares e convidados após a cerimônia. Ninguém precisa ordenar ou pedir; eles simplesmente o fazem em profundo respeito ao próximo e a convivência em sociedade.

Voltando a Vila Madalena houve casos de moradores que até se retiraram de suas casas e estão hospedadas em casa de parentes até que se conclua essa grande festa nacional com tanta zoeira dia e noite.

Vila Madalena é Pinheiros, enquanto São Mateus é periferia onde está a maioria do povo pobre ou remediado. Nessas periferias a pegada é outra. As pessoas não tem para onde correr e são obrigados a conviver com ‘festa’ de gente sem noção. Isso é corriqueiro, é o dia a dia.

Aqui na nossa área o costume japonês passa longe. O funk, o arrocha e os sertanejos não escolhem hora, nem local, nem ocasião para acontecer. Basta, na maior parte das vezes ter um carro ponto zero com som possante e zero de educação. Pronto. Está armada a festa para desespero de quem embora não sendo japonês do Japão sabe que é preciso respeitar o direito do ouvido alheio a não ouvir tanta lambança.

O mais comum dos dias e nesse período da copa, tanto faz o Brasil ganhar, empatar ou perder o jogo. Basta completar os 90 minutos de partida para a televisão ser deixada de lado e o som potente de músicas toscas virarem o objeto de adoração, desejo, muitas tentativas de conversas na base dos gritos e pouco assunto. A regra é curtir. Como só assim, dessa forma deseducada, isso fosse possível.

Belo exemplo dos japoneses que poderia se tornar um vírus, repito. Infelizmente estamos longe disso.

Aqui e acolá, mas diferente da Vila Madalena que, por enquanto, a farra só chegou mais intensa nesse período, temos que conviver até mesmo com a compreensão equivocada de trabalhadores que muitas vezes abrem o porta mala de seus carros, colocam o som no último volume e entre goles de cerveja barata costumam argumentar mais ou menos dessa forma. “Aqui é tudo trabaiadô, tamu tomando uns gorós e escutando uma musiquinha”. Como é isso de musiquinha se o seu som entra até o mais profundo cômodo da distante casa do vizinho?

Pode até ser campeão na Copa, mas em educação ainda somos perna de pau. (JMN)

Written by Página Leste

30 de junho de 2014 at 14:21

Ser contra a copa e assistir aos jogos

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Dia desses a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik se reuniu com jovens no auditório lotado da Fundação Rosa de Luxemburgo em São Paulo para falar e palestrar sobre o livro Resistências no país do futebol, que estava sendo lançado, quando uma das intervenções de um dos jovens presentes tirou risadas da plateia. A pergunta “Eu sou contra essa copa, eu vou para a rua nas manifestações, como posso então justificar assistir os jogos pela TV apesar desse posicionamento?”. Risos na plateia.

A pergunta, entretanto é muito pertinente ao que Raquel respondeu que a questão não é, e talvez nunca tenha sido, impedir a copa e sim mudar o país o que é muito mais importante e complexo. Acordo pleno deste escriba.

A urbanista tem muita bagagem para tocar no assunto sobre a suposta contradição. De 2008 a 2014 ela foi relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada, e foi referência internacional no tema da violação de populações afetadas por megaprojetos esportivos. Já havia produzido estudos para os casos da Copa na África do Sul, das Olimpíadas na China e os jogos da comunidade Britânica na Índia.

Coerente com o que estudou e produziu ela é mais uma crítica da apropriação corporativa dos espaços urbanos, aqueles mesmo usados para a instalação das arenas e que para tal graves violações de direitos e leis em nome da Copa do Brasil 2014 foram cometidos. “Quando apresentei o relatório [da ONU], descobri a perversa relação entre as políticas neoliberais urbanas e a organização de megaeventos esportivos, e a ligação entre estes dois elementos e a massiva espoliação dos direitos dos setores mais vulneráveis na cidade. Não por acaso os jogos, ao longo de sua história, foram, a partir de Los Angeles, tomados por operações de marketing, organizadas não pelos Estados, mas por patrocinadores privados. Tem a ver com a globalização dos mercados imobiliários e financeiros, e a financeirização da produção nas cidades e o quanto essas plataformas dos megaeventos são uma vitrine de tudo e da própria cidade, como objeto de venda”, resume a urbanista.

Ainda como consequência é plausível que a organização da copa no Brasil permitiu violações, que em ocasiões normais, não seriam ousadas se cometer. Só foi e é possível em função do nacionalismo estar sendo usado para justificar o que os mais atentos estão chamando de Estado de Exceção. O fato é que o gerenciamento geral dessa copa há muito deixou de estar nas mãos dos Estados e do poder público. São os grandes grupos que definem a macroeconomia que comandam as operações sob a fachada e responsabilidade da Fifa.

Se provas são necessárias podemos exibir o caso da Cidade da Copa no Recife, que foi viabilizada por Parcerias Público-Privadas. A tal cidade foi construída em área do governo do Estado e as tais parcerias decidiram que um consórcio de empreiteiras liderado pela Odebrechet, a mesma que é sócia proprietária da Arena Corinthians, a pegar recursos do BNDES para construir um estádio na tal cidade junto com uma contrapartida generosa de outro enorme terreno para construir imóveis privados tais como moradias de alto padrão, shopping, escritórios. Ou seja, uma série de produtos nada acessíveis ao grosso da população com o beneplácito do estado que ainda ajudou e ajudará financiar o empreendimento. Detalhe: dinheiro público.

Mas para não deixar sem resposta – A urbanista lembrou que as manifestações nas ruas têm alterado muito pouco esse quadro, mas que os efeitos vão transcender a esses aparentes poucos resultados. “Estamos vivendo um novo ciclo que se iniciou com as lutas pela democratização nos anos 80, passou pelos movimentos sindicais e sociais que foram gerando novas institucionalidades, novos partidos e proposições a atual conjuntura”, teria dito. Tem razão, apesar do fato de ainda não se conseguir responder melhor e mais a todas as demandas que apareceram a partir das manifestações de junho de 2013 a situação tende a mudar.

A contrapartida dessa nova situação, que ainda não se acentuou minimamente, por causa mesmo da falta de canais representativos e institucionais no campo democrático são os arroubos de totalitarismo, de militarização e das proposições simplistas e descompromissadas que vira e mexe se ouve das bocas mais dispersas quando, por exemplo, as pessoas dão com as portas na cara quando procuram a saúde pública ou quando tem dificuldades de transporte público. O mais corriqueiro e se queixarem e dizerem que acham “um absurdo esse governo, gastando monte de dinheiro com estádio, devia gastar em hospital. É tudo por causa da corrupção, etc”.

Não dá apenas para dar vazão a esses argumentos falhos e fracos. Eles não ajudam, não esclarecem e não explicam tudo. No mais das vezes repetem as cantilenas simplistas de grande animadores televisivos que se fazem passar por âncoras de notícias. O fato com o qual temos que nos subsidiar para elevar o patamar da crítica é que o que se gastou com a copa não é nada perto dos juros pagos aos banqueiros; do que a gente transfere todo dia pras empreiteiras, pros grandes grupos privados na área de saúde. Isso é muito mais grave. Corrupção de 10% do contrato é grava, mas de menos nessa situação. “Os descontentamentos acabam se misturando”, pondera a urbanista. Muita concordância, de novo. (JMN)

Written by Página Leste

25 de junho de 2014 at 16:02