Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Sem distribuir terra, não há solução para problema de moradia

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Dando seqüência às entrevistas que tratam dos recentes problemas urbanos na cidade de São Paulo, o Correio da Cidadania conversou com Ermínia Maricato, docente do departamento de Projeto da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), de São Paulo.
 
Para a ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (1989-1992), antes de termos um projeto habitacional que possa dar certo, o país precisa passar por uma profunda revisão no que se refere à distribuição de terras entre a população, para que a partir disso esteja em reais condições de resolver seus problemas na área da moradia.
 
Correio da Cidadania: Primeiramente, a que podem ser atribuídos os recentes problemas na cidade de São Paulo, em relação à moradia?
 
Ermínia Maricato: Nos últimos anos, o que há é um impacto da globalização com o crescimento econômico, desemprego e recuo nos investimentos públicos. É muito evidente, se pegarmos os investimentos nas áreas de habitação e saneamento por etapas, que a partir de 1980 há um profundo colapso dos investimentos e na área de transportes. Junte-se isso ao desemprego, ao recuo nas políticas públicas definido pela agenda neoliberal e…
 
Após esse período, a retomada do investimento é de três anos atrás, porém não inclui uma massa de subsídio muito grande. Retomam-se os investimentos em habitação e saneamento, mas sem um volume que deveria corresponder à população de baixa renda.
 
E vamos nos deter nesse período, no qual esse mercado privado exclui 70, 80 % da população, pois o Estado não investe em políticas públicas voltadas a esse contingente, e tampouco poderia numa sociedade capitalista. Portanto, temos um mercado que fica travado por não atender à maior parte da população.
 
CC: O Ministério das Cidades melhora as perspectivas nessa área?
 
EM: Sem dúvida alguma. A partir de 2005, tivemos uma retomada de investimentos na área de habitação, com uma resolução do Conselho Curador do FGTS. O que há a partir de 2007 é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), cujo investimento pretendido é de 106 bilhões na área de habitação entre 2007 e 2010. Porém, a maior parte de seus recursos não é de subsídio, mas sim de mercado ou de FGTS, ou seja, que precisa obter retorno.
 
Então, apesar de reconhecermos que há um retorno do investimento e da regulação do Estado sobre o mercado, isso não significa que se dê o montante de subsídio que deveria corresponder ao déficit habitacional, que atinge 84% na população entre zero e três salários mínimos.
 
No entanto, o maior problema para fechar essa equação é a terra, que está recebendo um pouco mais de recursos. Ainda assim, para completar essa equação mesmo, precisa-se de terra urbanizada.
 
CC: E o PAC é mesmo uma alternativa ideal?
 
EM: O PAC trabalha com recursos financeiros, mas o que falta para melhorar – melhorar, pois, numa sociedade como a nossa, resolver é impossível – é a questão da terra urbanizada. Isso é competência municipal. Já temos uma base legal, que é o Estatuto da Cidade, aplicado por meio do plano diretor. Porém, não se consegue aplicá-lo por conta de uma sociedade muito patrimonialista e uma elite muito ligada à terra no Brasil. O poder político é muito ligado ao patrimonialista, e a terra é um elemento visceral na formação da sociedade brasileira. Desta forma, não se aplica o Estatuto, pois não se consegue distribuir a terra.
 
Eu diria que o interessante do Estatuto da Cidade é o fato de ser quase inaplicável na sociedade brasileira. Precisamos lutar primeiro para mudá-la e, depois sim, para aplicarmos o Estatuto da Cidade.
 
Também acredito que esses recursos do PAC chegando nas bases fundiárias urbanas de hoje no Brasil tendem a aumentar o preço da terra, o que torna necessária a combinação de recursos financeiros com reforma fundiária, senão não se minimiza o problema da habitação.
 
CC: E você acha possível essa reforma fundiária?
 
EM: Acho que conquistamos uma lei federal e simplesmente não conseguimos aplicá-la por conta da tradição da elite brasileira. Creio que precisamos recrudescer, ampliar e aprofundar a luta social para democratizar o acesso à terra e o direito à cidade. Não tenho a menor dúvida quanto a isso, mas nada acontecerá se não houver uma resposta por parte das lutas sociais.
 
CC: E o que dizer da prefeitura e do governo de São Paulo?
 
EM: Não vejo nenhuma prefeitura do Brasil avançando muito nesse sentido. Existe uma tentativa de setores da Câmara Municipal de voltar atrás no plano diretor, fazer uma reformulação.
 
Também existe uma frente dos movimentos sociais defendendo o plano diretor, porque ele contém alguns instrumentos do Estatuto da Cidade que não foram sequer regulamentados pela prefeitura, que por sua vez já quer mudá-lo. Então, estamos numa queda de braço em várias cidades brasileiras em relação à aplicação do Estatuto, que significa a democratização do acesso à terra e à moradia.
 
CC: E em relação às ocupações recentes de moradias por movimentos sociais, podemos considerá-las como uma luta importante?
 
EM: Acho importantíssimo. Mas deve-se desligar isso da luta eleitoral e partidária. Acho que os movimentos têm de saber o que reivindicam e para quem, se querem ter sucesso. E, evidentemente, todo movimento de massa depende de algum sucesso imediato, mesmo que seja por um objetivo mais profundo, como a transformação da sociedade.
 
Por exemplo, permitir terra urbana do governo federal, desde que seja da União, é um descompasso, pois a gestão fundiária urbana é de competência constitucional do município.
 
CC: Você vê alguém empenhado seriamente em políticas de habitação?
 
EM: Existe um avanço, como no processo de urbanização de favelas, em várias partes do país, agora existe o Fundo Nacional de Habitação e Interesse Social, que recebeu um dinheiro pequeno, mas que já abre algumas possibilidades. No entanto, o fato é que temos a política habitacional atrasada e eu atribuiria este fato às políticas fundiárias urbanas.
 
CC: Há maneiras de se associar a falta de política habitacional e urbana ao trânsito cada vez mais caótico da capital paulista?
 
EM: Vamos deixar clara uma coisa: as cidades brasileiras não estão desse jeito por falta de planos e leis. Estão assim porque, quando a lei e/ou plano não interessam aos governantes de plantão, não são aplicados. É difícil aplicar alguma coisa que contrarie o poder local, a Câmara Municipal e até o Judiciário, no que se refere à propriedade da terra.
 
O transporte, que aliás é muito pouco público, porque se paga , e caro, também foi abandonado nesses últimos 28 anos. O que a ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos) está mostrando? O aumento de viagens da TAM, uma diminuição relativa do número de usuários dos transportes públicos, caros e de má qualidade, e o aumento do parcelamento para compra de automóveis.
 
Portanto, o que temos é uma situação de tragédia nos transportes coletivos do Brasil todo. Tragédia mesmo. Quem mora na periferia não sai de lá, vive em uma espécie de exílio, pois não há transporte e o que há é caro e ruim. Desta forma, eu diria que a maior tragédia que vivemos é essa, a da mobilidade na cidade, e isso se deve à falta de investimento.
Por: Escrito por Gabriel Brito – Correio Da Cidadania

Written by Página Leste

24 de abril de 2008 at 9:26

Publicado em Notícias e política

Ameaça à soberania é argumento de ‘má fé’ contra demarcação contínua de Raposa Serra do Sol

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Em face das recentes disputas entre índios e arrozeiros invasores pelas terras de Raposa Serra do Sol, em Roraima, o Correio da Cidadania entrevistou Egon Heck, coordenador do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) no Mato Grosso do Sul, para tentar esclarecer alguns fatores que cercam a questão.
 
Para Egon, que desqualifica os argumentos de que a soberania nacional estaria ameaçada, os índios têm total e histórico direito à terra reivindicada, e sua luta serve de exemplo para todo o povo brasileiro. Além disso, também faz alertas em relação à violência praticada por empresas donas de grandes propriedades contra os povos indígenas, destacando que os arrozeiros não estão preocupados em colaborar com a economia da região, e sim com interesses econômicos privados.
 
Correio da Cidadania: Qual sua opinião sobre a demarcação contínua?
 
Egon Heck: Com relação à Raposa Serra do Sol, tenho um sentimento claro de que é um direito dos povos brasileiros que foram invadidos, tiveram suas terras tomadas. Temos respaldo na Convenção 169 da OIT, na declaração dos direitos dos povos indígenas, E na própria Constituição.
 
Com todos esses fatores, não restam dúvidas de que as terras pertencem aos povos Makuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepang, Patamona, enfim, todos os povos que lá habitam.
 
CC: O que você pensa dos argumentos, essencialmente defendidos pelo Exército, de que a soberania do país estaria ameaçada com a demarcação contínua, especialmente em uma área de fronteira?
 
EH: Eu creio serem de má fé, ou algum tipo de informação tendenciosa. É absurdo, sob o aspecto sociológico e político, que a demarcação da terra indígena possa ser uma ameaça à soberania do país. Tanto é absurdo que, por se tratarem de terras indígenas, são propriedade da União. Isso significa que são áreas duplamente protegidas, que trazem mais segurança ao país.
 
Aliás, propriedades privadas de grandes multinacionais deixam que se estabeleçam nessas terras grupos de fachada que tentam defender essa situação, como os próprios arrozeiros, que são pontas de lança dessas argumentações falaciosas de que a terra indígena colocaria em risco nossa soberania e prejudicaria a economia.
 
A soberania do país há muito tem estado em risco, mas não por causa dos índios, pelo contrário. Na luta pela soberania do país, os próprios Makuxi têm ajudado, com argumentação jurídica de que aquela terra, enquanto terra do Brasil, é de direito pleno dos índios. Toda essa questão desmonta de maneira cabal qualquer tipo de argumentação, que foi colocada de má fé no meu ponto de vista.
 
CC: Há alguma legitimidade nos interesses defendidos pelos arrozeiros?
 
EH: Eles, a rigor, são umas seis pessoas da área, representando talvez 60 políticos e grupos econômicos, que por sua vez representariam uns 600 tipos de interesses econômicos nacionais e internacionais. Todos esses, juntos, fecham o cerco em relação aos índios, afrontando até a Constituição do país. Na verdade, os arrozeiros encarnam esse pequeno grupo de interesses econômicos e políticos.
 
CC: Existem ainda as argumentações de que Raposa Serra do Sol estaria inviabilizando a economia do estado.
 
EH: Fala-se isso também. É outra mentira deslavada, pois ela representa 7% do território do estado apenas e, mais do que nunca, os próprios Makuxi têm demonstrado capacidade de se colocar a serviço da própria economia regional. E tanto é mentirosa essa argumentação que os próprios arrozeiros não cumprem a Constituição e tampouco produzem para o país.
 
Portanto, é totalmente mascarada a argumentação de que querem permanecer ali para fortalecer a economia do estado. Poderiam fazer isso em várias outras áreas, que inclusive foram colocadas à disposição deles.
 
CC: E qual a sua avaliação sobre a posição do governo, do Cimi e da Funai em toda a questão?
 
EH: Tenho a impressão de que há uma convergência nas posições do ministro da Justiça, Tarso Genro, do presidente Lula e do presidente da Funai, no sentido de desmascarar as argumentações que tentam criar um clima de banditismo na região, afrontando as próprias leis do país. Isso, evidentemente, é colocado com muita maestria e fundamentação pelas mais distintas posições que vejo em vários órgãos e claro que essa argumentação é sólida, baseada nas leis e na Constituição do país.
Tenho acompanhado toda essa trajetória dura, na qual algumas organizações lutam há mais de 30 anos, sofrendo atentados, assassinatos, e tenho acompanhado principalmente o processo organizativo desse povo nas grandes assembléias que realizam. É um processo muito sério na defesa e luta por seus direitos, o que é uma demonstração – não só em Roraima, mas em todo o país – da importância que têm todos aqueles cujos direitos originários e constitucionais devem ser respeitados. E só o serão na medida em que a população tiver consciência e também lutar por isso.
 
Pode-se dizer que se trata de um exemplo heróico para o nosso país, de um povo que durante 30 anos lutou, teve diversas lideranças assassinadas, casas queimadas, prisões, mas que ainda está aí, de cabeça erguida e altivo, exigindo seus direitos.
 
CC: Pensando na Funai mais especificamente, como você avalia o papel que ela tem desempenhado nos últimos dois, três anos?
 
EH: Acho que a última presidência da Funai tem demonstrado uma disposição que não se via anteriormente. Uma clareza política na luta pelos direitos indígenas, que significa também que, dentro do estado, há interesse na questão. Apenas lamentamos que seu sucateamento histórico nos últimos anos não lhe dê força política suficiente para fazer o enfrentamento que deveria.
 
Acredito que, do ponto de vista do discurso político, sem dúvida tem demonstrado uma clareza e coerência muito grandes. Porém, nos resultados, sua eficácia tem sido muito tímida.
 
CC: Você acha que a situação pode acabar enveredando para confrontos graves?
 
EH: Existem vários cenários possíveis. Espero que a irracionalidade não prevaleça nesse grupo que tenta tumultuar um processo tão claramente construtivo, conduzido em todos os níveis na legalidade, e que agressões tão vãs contra esse povo não ocorram, incluindo a tentativa de se criar um clima de terrorismo na região.
 
Que isso não permaneça, porque creio que todas as apelações praticadas por eles, de arregimentar forças, pagar mercenários para brigar com os índios e incentivar um derramamento de sangue, são de uma covardia enorme. Isso tudo só mostra a falta de caráter e, efetivamente, de coerência e boas intenções dos arrozeiros.
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader _ Correio Da Cidadania   

23-Abr-2008

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24 de abril de 2008 at 9:23

Publicado em Notícias e política

lançamento de revista Ética & Arte

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Segue convite para o Lançamento da Revista Ética e Arte que ocorrerá neste dia 26 de abril (sábado), às 14:30, no SESC Itaquera. Nesta atividade, entre outras coisas, teremos a satisfação de contar com a presença do escritor Fernando bonassi (roteirista de filmes como Carandiru, Cazuza, Castelo Ra tim bum) que falará de sua experiência como escritor e roteirista de
cinema. Aguardamos sua presença.
Prof. Valter de Almeida Costa e J. de Mendonça Neto

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23 de abril de 2008 at 18:54

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Educar para a paz vai promover a noite do rock

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Buscando alternativas para arrecadar recursos para os trabalhos sócio-educativos desenvolvidos pelo Instituto Educar para a Paz, parte da direção executiva discutiu na manhã do dia 29 em sua sede localizada na Avenida Campanellas, Cidade A E Carvalho o próximo evento.
Desta feita está sendo proposto à realização de um baile com a temática do rock and roll dos anos 60 e 70 e que deverá ocorrer nas dependências do Salão de Festas Liberal, também na Cidade A E Carvalho no próximo dia 9 de maio. Aprovada a idéia foram detalhados os passos necessários e as tarefas que precisarão ser assumidas para a realização do evento. Antes, entretanto, definiu-se que a finalidade principal é gerar recursos para continuar desenvolvendo os trabalhos.
Diante dos desafios obteve-se um consenso mínimo entre os participantes que decidiram, tanto quanto possível, não terceirizar nenhuma das tarefas para otimizar os ganhos. Nesse sentido a confecção do convite, o projeto e execução da decoração, a segurança, o funcionamento do bar e a venda de pequenas porções serão assumidas pelos membros do instituto que já colocou mãos a obra.
Naturalmente outras contribuições estão sendo aguardadas por parte dos interessados que se espera sejam muitos. Entre as contribuições mais simples; uma ampla divulgação e venda dos convites que foram decididos ao valor de R$ 10,00 individual já fariam grande diferença.
Maiores informações com Luciene 6743-9527 ou José Gerry 6147-3743.

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22 de abril de 2008 at 10:58

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Lideranças da Zona Leste fazem formação cidadã

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Mais de 170 lideranças estiveram reunidas na manhã do dia 05/04 nas dependências da Escola Municipal 8 de Maio para o início das atividades do Zona Leste Cidadã; projeto de formação de lideranças definido pelo Grupo de Estudos Águia de Haia. Na ocasião tiveram uma visão geral do como está organizado o Estado, um breve histórico do desenvolvimento da cidade e da zona leste.
O grupo de Estudos Águia de Haia foi criado por quase trinta entidades que se reuniram inicialmente nas dependências do Sesi – Cat Mário Amaro entre fevereiro e março deste ano. O objetivo do grupo de estudos é capacitar os participantes das entidades para dominarem as exigências e os projetos existentes no Plano Diretor Municipal para a região e que, ainda durante o período eleitoral, estará se reunindo com os eventuais candidatos para que tomem conhecimento dos anseios da comunidade organizado pelo grupo.
O curso de Formação Cidadã foi decidido pela comissão de Estudos Estratégicos do grupo formado basicamente pelo professor Valter de Almeida, diretor de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, pelo diretor da associação de comerciantes da C. A. E. Carvalho e do Instituto Educar para a Paz, José Gerry, pelo diretor de escola municipal, professor José Carlos C. de Lima. O jornalista e diretor do FDZL e do Instituto Educar para a Paz, J. de Mendonça Neto, colaborou a distância.
Durante o primeiro encontro os presentes ouviram a exposição de Vitor e Maurício, da Escola de Governo sobre como se organiza o Estado e as exposições do professor José Renato, coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da USP Leste que explicou o desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos dois séculos e da pesquisadora da mesma instituição Mônica Virgínia de Souza com a exposição do seu trabalho A Cidade e suas Periferias que falou brevemente sobre bairros da Zona Leste.

No dia 12, às 9 horas na mesma escola o curso de Formação Cidadão tem continuidade e, segundo o professor Valter de Almeida, mesmo os que não puderam comparecer na aula inaugural poderão participar. Ele apenas pede a confirmação antecipada do interessado pelo e-mail forumdesenvolvimentozonaleste@yahoo.com.br, para que os organizadores possam preparar uma infra-estrutura adequada.
 

 
 

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:56

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Frente parlamentar discute prolongamento da Jacú Pêssego

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Ainda atrás de maiores esclarecimentos sobre os impactos que serão causados pela extensão dos 9 quilômetros da Avenida Jacu Pêssego em direção à cidade de Mauá, dentro do projeto que visa ligar o aeroporto de Cumbica em Guarulhos ao porto de Santos no litoral Sul, dezenas de pessoas participaram de mais um debate promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Zona Leste que reúne vereadores da cidade. O evento ocorreu dia 08/04 na Câmara Municipal.
Para dar explicações, estiveram presentes, além de alguns técnicos de órgãos dos governos estadual e municipal, o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Obras da Prefeitura de São Paulo, Marcos Penido e Paulo Vieira de Souza, diretor de Engenharia da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A. Penido fez uma exposição genérica sobre o significado da obra através de exposição audiovisual e o representante da Dersa detalhou o projeto e respondeu as perguntas dos presentes, principalmente no que diz respeito aos critérios de desapropriação de casas e estabelecimentos comerciais que serão afetadas pelo prolongamento da via.
Não sem antes lembrar que a operação Jacu Pêssego visa o desenvolvimento local, por isso estão previstas outras intervenções dos governos na região como, por exemplo, na área da educação, a exposição em audiovisual da Dersa deu uma idéia mais aproximada onde efetivamente está proposto desapropriações. A presença de lideranças locais que indagavam sobre locais específicos à medida que eles iam sendo apresentados no telão fez com que o representante da Dersa fosse incitado a dar detalhes que foram retomados logo depois no debate. Antes da exposição específica sobre o prolongamento da Jacú Pêssego um pequeno filme indicava a pretensão da Dersa em uma série de importantes intervenções na cidade de São Paulo; obras previstas para os próximos anos, a exemplo do próprio prolongamento da Jacú Pêssego que, apesar de já iniciada, deixa para a partir do próximo ano, segundo o seu cronograma, as ações mais impactantes, talvez pela necessidade de se aguardar os resultados eleitorais deste ano que decide quem dirigirá a cidade no próximo período.
Entre as exposições e debates, os vereadores presentes: Paulo Fiorilo que coordenou a mesa, Beto Custódio e Francisco Macena, todos do PT e Gilson Barreto (PSDB) teceram comentários e deixaram perguntas em aberto para as respostas dos representantes dos governos. Macena, por exemplo, questionou os valores de indenização para as famílias desapropriadas que ainda não estão totalmente definidos, no que foi apoiado por grande parte dos presentes; pessoas que moram ou tem atuação comunitária nos locais onde estão previstas desapropriações. O vereador Beto Custódio alertou para os riscos e os prejuízos ambientais do projeto, entre outras indagações.
Durante as respostas Paulo Vieira, da Dersa, que além de chamar para a empresa que representa a responsabilidade pelas negociações e eventuais indenizações, disse que os valores ainda estão em abertos, mas que a experiência com as desapropriações para a construção do rodoanel tem indicado que as famílias removidas têm ficado satisfeitas com as negociações. Quanto ao impacto ambiental foi mais incisivo, e para demonstrar os cuidados com esse aspecto da questão, deu como exemplo o compromisso de que para cada árvore removida seriam replantadas ou repostas no mínimo o dobro da quantidade. Falou também do Pólo Cultural e Ambiental que está proposto para a Vila Jacuí dando garantia da sua entrega.
Aberta a participação dos presentes; dúvidas quanto aos diferentes critérios para as indenizações foram mencionadas. A necessidade de manter canais abertos de negociação e acompanhamento das obras também foi sugerida por lideranças locais: Hamilton Clemente do Jardim da Conquista e Luiz Barbosa, ex-administrador regional da Penha. Para outras lideranças as dúvidas ainda sobre as desapropriações eram como seriam tratadas as áreas ocupadas por comércios. Segundo o representante da Dersa “da mesma forma que as residências e com valores iguais”, sentenciou.
A possibilidade de toda a obra parar por conta da eleição de novo prefeito ainda este ano foi lembrada por este repórter que indagou como ficaria o papel do Estado com a possibilidade de uma situação adversa. “Naturalmente a eleição de um prefeito é uma ação soberana e de fato só o prefeito legitimamente eleito é que define a continuidade ou não das obras”, registrou.
Ao final o representante da Dersa colocou-se a disposição dos presentes para maiores esclarecimentos e outras oportunidades. A primeira já está agendada. Uma conversa com os membros da Comissão de Política Urbana. Metropolitana e Meio Ambiente, segundo informou o vereador Francisco Macena (PT), um deles. (JMN)

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:52

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Sustentabilidade e negócios

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Um dos maiores problemas da atualidade bateu recorde na cidade de São Paulo no dia 13/03. Trata-se do congestionamento nas ruas e avenidas da metrópole com incríveis 221 quilômetros de vias paradas, depois de uma semana infernal. Logo depois, naturalmente, as opiniões de especialistas propondo soluções começaram a aparecer nos meios de comunicação. Pedágios urbanos, melhoria da rede de transporte público e até mesmo a ampliação do rodízio foram algumas das idéias mais palatáveis.

Claro está que são soluções paliativas, apesar de necessárias em curto prazo, mas basta observar que onde as propostas acima foram adotadas, nas cidades européias, continuou o crescimento do número de carros em circulação apenas tornando mais lenta o engarrafamento tempos depois.

Uma análise realística de longo prazo mostra que o problema está basicamente no excesso de carros em circulação; somente na capital paulista, a cada dia são emplacados quase mil novos carros, não dá para disfarçar o aumento de carros em circulação é o problema apesar do que pode depreender da mais recente edição da revista Exame que se propunha a fazer uma “edição verde”. Prometendo ir ao cerne da questão as dez matérias da revista desvia do tema nevrálgico que é a questão ambiental.

Só para se ter uma idéia de como se desviou da questão uma das matérias priorizava a iniciativa governamental que estuda incentivar a população de baixa renda a descartar dez milhões de geladeiras antigas, comprando novas com subsídios governamentais. É isso mesmo! Dez milhões no lixo e dez milhões de novas geladeiras consumindo os recursos naturais que são precisos para fabricá-las. Naturalmente, essas novas geladeiras serão "mais eficientes energeticamente". Com isso reforça-se a tese de que podemos ajudar a resolver o problema ambiental consumindo "mais e melhor" e não reduzindo o consumo.

Voltemos ao engarrafamento do trânsito. Nesse quesito a conclusão da revista é que a culpa não é do crescimento nem das montadoras e sim uma amostra da ineficiência do país que não se preparou para o progresso.

“Vale lembrar que a tal da revista Exame é a que melhor representa no país o pensamento da turma dos suicidas inveterados, aqueles capaz de defender o atual sistema e ritmo de produção e consumos mesmo se estiverem naufragando num mar de saquinhos plásticos”, observa astutamente o jornalista especializado em meio ambiente Danilo Pretti Di Giorgi que investigou detalhadamente a edição a que nos referimos. Vão mais longe: todo o texto da matéria dedica-se a desconstruir com ferocidade qualquer possibilidade de raciocínio que, ainda que remotamente, considere a venda recorde de veículos na metrópole como uma das culpadas pelos problemas no trânsito.

Este tipo de preocupação em uma publicação como a Exame é na verdade um sinal de avanço na discussão ambiental, que vem ganhando espaço de forma crescente desde a segunda década do século passado e que tem multiplicado sua força nos primeiros anos deste milênio. Apesar do viés absolutamente equivocado da "edição verde", que traz como foco apenas as formas pelas quais as empresas podem obter maiores lucros com a "onda ambientalista", o fato é que a revista está se dedicando cada vez mais ao tema meio ambiente considera o jornalista.

Em condições normais de temperatura e pressão, os editores desta publicação não dariam a mínima bola para um tipo de raciocínio "tão retrógrado", com "ranço socialista", como a hipótese de que a produção e venda de carros podem ser as culpadas pelo caos do trânsito. A preocupação explícita e até mesmo desesperada – como se pode perceber em termos fortes como "abraçar o fracasso" – contra este tipo de pensamento pode mostrar que está crescendo entre as pessoas mais conscientes ambientalmente a percepção de que o nó está exatamente na produção e consumo sem limites e na perigosa idéia de crescimento econômico infinito. Tanto que, para quem aposta na continuidade do funcionamento da máquina da morte que se tornou o sistema no qual vivemos, essa consciência precisa ser atacada, uma vez que começaria a tomar forma e representar real perigo.

Não há outro caminho para a civilização a não ser uma drástica redução da produção e do consumo. Essa verdade pode ser verificada em um sem-número de problemas que enfrentamos nos dias de hoje: as milhões de toneladas de sacos plásticos emporcalhando os oceanos e matando animais aquáticos por sufocamento, a poluição do ar e dos rios, a falta de saída para o drama da superlotação dos aterros sanitários, a crise da água potável e o aumento da temperatura da Terra são apenas alguns exemplos. Para não falar do crescimento da devastação da Amazônia para atividades comerciais, nossa grande vergonha nacional. Todos estes problemas têm na sua raiz a impulsividade humana pela produção e pelo consumo ilimitado, o que vai contra a incontestável limitação de recursos naturais disponíveis no planeta Terra.

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22 de abril de 2008 at 10:48

Publicado em Meio Ambiente

Brasileiro gastam cinco vezes mais água que o indicado pela OMS

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No dia 22 de março comemora-se o Dia Internacional da Água, uma ótima oportunidade para mudarmos a forma de pensar a questão da água no Brasil. Pesquisas indicam que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o ideal: 40 litros diários por pessoa. No Brasil são 200 litros dia/pessoa, em média.
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.

Faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, e não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias; isto é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.

Segundo o especialista “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades no exterior”. A Prefeitura de Nova York  implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água por outros, racionalizadores.  Com o programa os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. Além disso, constataram que conservar/economizar 100 milhões de litros de água, por exemplo, sai até um quarto do custo exigido para captar, tratar e distribuir igual volume de água, ou seja, é muito mais barato racionalizar do que aumentar a produção.

Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é apenas do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.

Distribuição da água
É preciso lembrar também que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provocam desmatamento  e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.


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22 de abril de 2008 at 10:46

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Felicidade a qualquer custo pode ser uma das razões da violência

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São muitos os casos envolvendo a violência contra crianças. O que será que está acontecendo com as famílias, tendo em vista que uma grande parte dessas agressões vem dos próprios pais ou parentes? É uma sociedade doente, com valores doentes, com a elevação em primeiro lugar de importância o ter, o possuir em contraposição ao ser, ao repartir.

A competição desenfreada da sociedade moderna, notadamente as que se encontra em países em processo de desenvolvimento, mas com valores culturais e históricos de valor, faz criar e crescer adultos impiedosos, gananciosos que raciocinam e operam sempre a partir de seus umbigos e interesses.

Outro dia conversando com um rapaz que passou mais de seis anos nos Estados Unidos onde entregava pizzas me fez refletir sobre uma informação que talvez seja procedente e ajude a explicar essa índole nacional. Ele me dizia filosoficamente “No Brasil somos empurrados a achar que devemos ser felizes o tempo todo: futebol, praia, piadas, etc. Nos Estados Unidos não se tem essa mentalidade. Lá ninguém acha que está fora do mundo porque é sério, preocupado e até deprimido”, dizia ele. E não é que parece fazer muito sentido.

A exigência de que sejamos felizes e que aproveitemos o que tem de bom o tempo todo nos faz perder a noção de determinados limites; e espancar os filhos é um deles. Se é possível numa sociedade como a nossa que espanquemos nossos filhos e em alguns casos algumas pessoas vão tão longe que até os matam, o que esperar de outras pessoas desta mesma sociedade sem grau de parentesco com as vítimas inocentes? Lembremos de diversos casos que não conseguimos esquecer: do menino preso ao carro arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro por bandidos em fuga. Dos casos onde pessoas próximas seqüestram e matam crianças indefesas em troca de bens materiais e dos casos absurdos em que a própria existência da criança atrapalha a vida dos adultos.

Voltando ao desatino que é buscar a felicidade e o aproveitamento a qualquer custo da para perceber que nessa situação está uma das raízes do desamor e do desrespeito com o próximo e, às vezes, próximos demais: filhos, por exemplo. Esse estar sempre aproveitando é que nos faz tolerar as pequenas e sutis violências do dia-a-dia, diferente daquelas que consiste na agressão física propriamente dita, mas que é silenciosa, perpetrada às vezes a luz do dia, debaixo dos olhos da sociedade e das autoridades, portanto até mais difíceis de combater.

Uma das facetas dessa violência que se lança contra a infância e juventude brasileira são as despejadas diariamente pela mídia através das programações obscenas, impróprias, desqualificadas e infames que chegam a ofender os valores morais, espirituais, a pureza e a inocência que seria desejável num ser em desenvolvimento. Fico pasma com mães ou parentes de crianças novinhas que se deliciam às gargalhadas com a dança do “creu” e outras similares fazendo disso motivo de orgulho. Pobres crianças que pouco entendem o significado de certas coisas e tem a sua sexualidade estimulada cada vez mais precocemente. Quem começa não respeitando as etapas de crescimento do ser humano do qual deveria ser um dos responsáveis pode-se esperar muito mais, até mesmo o espancamento, assunto que iniciamos lá trás.

A própria internet que é um ótimo instrumento também tem sido utilizada para fomentar a globalização da violência infanto juvenil, quando promove o intercâmbio da hedionda exploração sexual de crianças e adolescentes entre os pedófilos.

Livrar nossas crianças e adolescentes dos diversos tipos de violência não é tarefa simples. Talvez comece pelo brasileiro entender que não precisa levar vantagem em tudo e nem ser feliz a qualquer custo e mudar seu comportamento. Pessoal especializado, vontade política dos governantes, dos deputados que, em tese fazem as leis e do judiciário que deveria fazê-las serem cumpridas se espera muito mais. Quem tem poder como os detentores da mídia, por exemplo, tem um papel de vital importância nisso tudo.

Semear bons costumes, respeito à vida humana e a promoção de valores humanitários no lugar de estimular a competição cega e sem ética, a visão de que é preciso estar feliz e realizado com muitos bens materiais o tempo todo já ajuda. Cada um de nós pode contribuir de algum modo orientando tanto quanto possível nossos filhos e netos com valores humanistas; cobrando sempre das autoridades providências nas várias frentes cultural e educativa principalmente e denunciando as agressões e os agressores quando for necessário; sejam eles programas de televisão nocivos ao crescimento das crianças mentalmente sadias ou aos pais, mães, madrastas e padastros ensandecidos que acham que podem decidir ao seu bel prazer sobre a vida humana em formação que eles deveriam ajudar a cuidar. (JMN)

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:43

Publicado em Música

Zulaê Cobra diz que pode sair candidata a prefeita

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A ex-deputada federal Zulaê Cobra visitou a redação da Gazeta de São Mateus, na tarde do dia 00/00, agora na condição de presidente municipal do Partido Humanista da Solidariedade – PHS, partido com sete anos de existência no país e apenas 4 ou 5 anos na cidade de São Paulo. “É pequeno, mas me recebeu de braços abertos. Quero um partido que me ame”, foi explicando as razões porque cansou de partidos onde as divergências internas não têm espaços e onde as lideranças não deixam as novas aparecerem.
Por isso saiu do PSDB. No entender de Zulaê o partido deveria se comportar como oposição no governo do presidente Lula. “Passei quatro anos em Brasília, praticamente sozinha fazendo oposição e todos os líderes do meu partido se comportavam de forma diferente. A maioria deles apóia o Lula”, reclama a dirigente que gostaria que o PSDB ouvisse, segundo ela, o clamor das ruas. “Não éramos governo e temos que ser oposição vigilante, fiscalizadora, o que não vinha ocorrendo”, conclui.
Zulaê também se decepcionou com o tratamento recebido em São Paulo. Queria ser a candidata ao senado, mas por conta da articulação do atual governador Serra, foi preterida em nome do Guilherme Afif Domingues que também não foi eleito, derrotado pelo senador Eduardo Suplicy (PT). “Meu desejo era e é tirar o Suplicy do Senado. Nada pessoal contra ele, mas como político para São Paulo é uma decepção”, frisa Zulaê. Como já antevia a questão da fidelidade partidária e com cada vez mais dificuldades de permanecer no PSDB, Zulaê não se candidatou; até agora, pelo menos.
A visita feita à redação; o primeiro jornal que ela visita; e ela mesma reconhece é a forma de apresentar sua pré-candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo minúsculo partido. Antes de enveredar por essa questão, a entrevistada não poupou críticas ao PT, a qual chamou de partido da boquinha; criticou a tolerância com inclusive o ex-governador do mato Grosso, Zeca do PT, “um homem que roubou assustadoramente”, além de relacionar alguns escândalos que sumiram da mídia, mas para ser fiel aos fatos são objetos de inquéritos no judiciário; o caso do suposto mensalão é um exemplo.
Enfática considera que atualmente não existe uma oposição forte e capacitada ao governo d o presidente Lula. “Aécio Neves e o Serra, são amigos do Lula até porque eles têm medo de ser podado na hora dos orçamentos. Não existe oposição atualmente”, sustenta.
Eleições municipais
Confiando que é possível reverter esse quadro a partir da disputa na cidade de São Paulo, Zulaê lembra que entre os nomes lembrados para candidatos à Prefeitura de São Paulo deste ano, apenas o dela é o que não esteve no Executivo. “Marta, Maluf, Erundina, Alckmin e mesmo o Kassab, todos já foram do executivo e pouco mudou. Se vier a ser candidata a coisa vai ser diferente”, alerta, lembrando que seria bom para a cidade ser dirigida por uma mulher: “mas uma mulher diferente não a Marta que é dondoca e a Erundina que é boa na oposição”, registra.
Indagada pela reportagem sobre os principais problemas da cidade, destacou a questão do trânsito e de forma genérica apontou para a necessidade de reciclagem dos funcionários da CET e da prefeitura para atender e orientar, antes de multar. Também apontou a necessidade de mais gente trabalhando no gerenciamento e operacional de trânsito. Criticou ainda a atual gestão com seu projeto de embelezar o centro de São Paulo e citou o desperdício dando como exemplo a Praça da Sé: “agora só se encontra traficantes, usuários de drogas e gente desocupada, nos diversos horários. A cidade está ficando bonita, mas para quê? Deveria haver estímulo para as pessoas morarem naquela região”, explicou.
Tida como uma mulher brava e dura seguiu nas críticas: contra os pedágios no centro; contra as palmeiras que foram plantadas na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy; contra o número de taxistas da cidade, segundo ela 35 mil quando deveriam ser em quantidade maior. Ninguém estava ileso da língua afiada de Zulaê Cobra. “O prefeito tem que estar é nas comunidades, passar pouco tempo em gabinetes e fazer visitas surpresas”. Ainda criticou a saúde “um direito do cidadão que não está sendo garantido pelo Estado” e, principalmente a velha fórmula de entregar obras no ano eleitoral, apesar das restrições da legislação.
Perguntada sobre o que faria na saúde, educação foi evasiva e apontou a necessidade de valorização e a reciclagem dos profissionais das duas áreas. Voltando as críticas falou sobre dados que indicam uma alta média de falta dos professores em sala de aula e que isso precisaria mudar.
"Quero discutir e ampliar a participação das mulheres", enfatiza
Falou ainda sobre os direitos das mulheres, como a Lei Maria da Penha que, entretanto, segundo ela ainda não é do conhecimento de todas “A mulher não lê o código, ela ainda não sabe da Lei e não têm informação nesta sociedade machista”, declarou. “Quero discutir a participação das mulheres que já é uma realidade e fazê-la avançar ainda mais”, declara.
Deu exemplo de tipos de mulheres dirigentes. De comportamento criticável: a governadora do Pará Ana Júlia de Vasconcelos Carepa e a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins ambas do PT e como mulher “ponta firme e que hoje domina a política naquele estado” a governadora do Rio Grande do Norte Wilma Maria de Faria (PSB). Zulaê, entretanto entende que a mulher cresceu, se valorizou, buscou seus ideais e que vão ter um futuro político brilhante “junto com os homens, não contra eles”, ressalva.
Finalizando disse que São Mateus, no caso de eleita se vier a ser candidata, vai ser muito valorizada. “Vamos trabalhar com a população e a comunidade; de forma humana e solidária como está escrito no nosso partido”. E avançou com a idéia de chamar umas 500 mil mulheres para ajudá-la na Prefeitura, embora não detalhasse como. Falou ainda que além de vontade política, reciclagem e preparo é preciso ter ânimo para trabalhar no serviço público.

Written by Página Leste

17 de março de 2008 at 10:27

Publicado em Notícias e política