Você está preparado para votar?
Você ainda se lembra em quem votou para vereador em 2004? Se respondeu sim, parabéns! Pois as pesquisas mostram que a maioria dos eleitores não consegue responder a essa pergunta.
Ao votar em uma pessoa, transferimos para ela um poder que pertence a cada cidadão e cidadã. É como se passássemos uma procuração para que outra pessoa decida em nosso nome, por um período de quatro anos. Essa procuração é o mandato dado pela Justiça Eleitoral, em nome da população. Por isso, todo cidadão tem o direito de cobrar dos eleitos que cumpram os compromissos assumidos na campanha e que trabalhem de maneira ética e responsável. O problema é que muita gente não tem consciência do seu próprio poder político e acredita que o mandato é uma conquista dos candidatos vitoriosos, um prêmio que recebem para usarem à vontade.
Vejamos as raízes históricas dessa alienação do poder cidadão.
Nos tempos do império, somente os homens livres, proprietários ou que provavam ter certa renda anual, podiam votar. A República ampliou o número de eleitores, mas até 1930 eles não chegavam a 5% da população total. Só em 1933 o direito de voto foi estendido às mulheres. Mas as pessoas analfabetas, soldados, cabos, índios e os jovens entre 16 e 18 anos só em 1988 conquistaram o direito de voto.
Felizmente, hoje o Brasil já tem mais de 100 milhões de pessoas legalmente aptas a votarem. É um grande avanço para a democracia, mas seria ingenuidade pensar que todas essas pessoas conhecem as regras jurídicas do processo eleitoral.
Neste texto vamos refletir sobre um grave problema: a corrupção.
A corrupção é um dos maiores inimigos do povo e da democracia. Infelizmente, ela existe por toda parte. Em nosso país suas formas mais freqüentes são o clientelismo e a corrupção eleitoral. É preciso saber como funcionam, para que sejam denunciadas e eliminadas.
Os cargos políticos trazem muitas vantagens pessoais para quem os conquista. Além das vantagens legítimas, previstas por lei (como a boa remuneração, a imunidade parlamentar e a contratação de assessores) eles abrem possibilidade também para vantagens ilegítimas, decorrentes do uso do poder público para alcançar benefícios privados. Isso se dá, por exemplo, quando o Executivo contrata empreiteiras que praticam o superfaturamento ou que fazem obras com material de qualidade inferior ao previsto e embolsam a diferença. Depois dividem o lucro ilegal, seja como financiamento para a campanha eleitoral, seja como depósito fora do Brasil.
No caso de parlamentares, a forma mais usual de corrupção está na venda do voto para certos projetos de lei. Um exemplo: num bairro onde só são permitidas residências até quatro andares, uma empresa imobiliária quer construir grandes edifícios e tem grande interesse em ver aprovada uma lei que mude o plano diretor municipal. Alegando que o projeto favorecerá o desenvolvimento urbano, a maioria dos vereadores o aprovará, recebendo depois um apartamento cada um… Esta é uma forma de corrupção tão difícil de ser provada, que alguns parlamentares chegam a dizer, cinicamente, que "é dando que se recebe"…
Políticos corruptos, que buscam vantagens ilegítimas nos cargos públicos, só conseguem alcançar seus propósitos encobrindo-os com falsas promessas ou comprando votos de pessoas que desconhecem o valor do seu voto. São como lobos cobertos por peles de ovelhas, que se aproveitam da necessidade econômica de muitos cidadãos honestos, para oferecerem benefícios de ordem material na certeza de que quem recebe tais benefícios só poderá retribuir com o voto nas eleições.
COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL – LEI 9840
Foi para combater eficazmente essa forma perversa de compra de votos, que em 1997 a Comissão Brasileira Justiça e Paz (organismo vinculado com a CNBB) lançou a proposta de "Combate à Corrupção Eleitoral". Ela obteve a adesão de muitos grupos e organizações e conseguiu reunir mais de um milhão de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional e passou a vigorar como a Lei 9840, que pune a compra de votos com a perda do mandato.
Esta foi uma vitória importante na luta contra a corrupção e os resultados são animadores: uma pesquisa divulgada em outubro de 2007 revelou que desde o ano 2000, ano da primeira eleição em que foi aplicada a Lei 9840, a Justiça Eleitoral cassou o mandato de 623 políticos acusados de compra de votos.
VAMOS PARTICIPAR!
É claro que ainda há muitos passos a dar para eliminar a corrupção da cena política brasileira, pois ainda existe candidato que compra e eleitor que vende voto. O primeiro passo é a formação da consciência de que "voto não tem preço, tem conseqüência". Cada voto é precioso, porque é a procuração que damos a alguém para nos representar no exercício do Poder Público e todos queremos ter dignos representantes. Outro passo importante é fazer que as denúncias de corrupção eleitoral cheguem ao Ministério Público. Para isso, o melhor instrumento de ação são os Comitês de Combate à Corrupção de Eleitoral. Se houver pelo menos um comitê por município (nos municípios maiores é recomendável pelo menos um por zona eleitoral), só o medo de ser denunciado inibirá os políticos mal-intencionados.
Enfim, também na política vale a sabedoria do Evangelho: "pelos frutos, reconhecereis a árvore": político que tem muito dinheiro para gastar na campanha, ou que distribui favores, certamente não é árvore boa porque, se for eleito, ele fará de tudo para recuperar tudo que tiver gastado na campanha…
Convém estar atento aos candidatos que fazem doações para festas e eventos comunitários, oferecem faixas para festas religiosas, patrocinam torneios esportivos, facilitam consultas médicas e tratamento de dentes…
Após refletir sobre tudo isso, vai aqui um desafio: – o que você fará este ano para combater a corrupção eleitoral? (JMN)
“Zona Leste Cidadã” realiza mais dois encontros
Mais dois encontros do Projeto Zona Leste foram realizados em maio, o primeiro na Escola Estadual Milton Cruzeiro onde se discutiu a questão da Saúde com um grupo que, reproduzindo uma hipotética entrevista para a televisão, ofereceu a mais de uma centena de pessoas presentes um dinâmico histórico dos movimentos por saúde e uma indicação convincente de como está à questão atualmente com as diversas modificações introduzidas pelas sucessivas gestões municipais. O resultado não é bom e a necessidade de organização da população em movimentos ou através dos conselhos ficou evidente.
Antes, porém, Alessandro Soares da Silva, professor doutor de Psicologia Social da USP Leste ofereceu uma aula de história do ponto de vista dos movimentos populares mostrando seu comportamento em diversos momentos de nossa história diante das conjunturas colocadas. Serviu como testemunho de que numa sociedade desigual como é a brasileira continua premente a necessidade de a população continuar articulada e em movimento pelos seus interesses.
Já no outro encontro, dia 24, foi o professor Maurício Piragero da Escola de Governo, apresentar como está organizada a representação política atual, através da democracia representativa; suas limitações e as indicações da necessidade de que o sistema seja aprofundado através da adoção plena da democracia direta que trás novidades como o direito ao recall de políticos eleitos; instalação de referendos ou plebiscitos para assuntos importantes, entre outros, e as restrições que o atual sistema apresenta para esse aprofundamento. Como norma as informações constantes das aulas e reuniões que estão sendo feitas estão parcialmente disponíveis no site mantido pela USP Leste http://www.uspleste.usp.br/gpp/ no setor agenda. Segundo informação do professor José Renato ao final de todo curso, todo o material estará disponível.
Assunto apaixonante, o sistema político e eleitoral brasileiro ofereceu aos presentes um embasamento que não deixou dúvidas quanto às restrições da democracia representativa. Uma nova constituinte com representantes especialmente eleitos para essa finalidade está entre diversas propostas das entidades que se organizam para tentar implantar a democracia representativa. Desde o dia 24, após a exposição e debate, alguns representantes de entidades presentes se prontificaram a participar dessa luta.
Em seguida foi à vez do meio ambiente ser debatido com a geógrafa Patrícia Marra Sepe. Como ponto de partida foi apresentado um amplo leque de demandas em prol do meio ambiente na região, muitos deles objetivados nos planos regionais estratégicos por subprefeituras. De novo, a sensação é de que a preservação nos atuais níveis de degradação da região é imperiosa e que o seu sucesso depende da conscientização da sociedade e a pressão que ela possa exercer para reverter determinados quadros que já se apresentam alarmantes. Itaquera, por exemplo, é considerado o distrito com menor índice de arborização de toda a cidade a despeito de estar próxima a algumas áreas, em tese, de preservação ambiental. Nesse aspecto, é público e notório a importância que ganha São Mateus como área que deve ser preservada para o bem de toda região leste e da cidade.
Novamente, do encontro em que se disseminou a necessidade da sociedade civil se envolver na luta ambiental foram tiradas algumas articulações.
A Habitação e um apanhado dos planos regionais estratégicos da região serão objetos de estudo e debate no próximo sábado, dia 31/05 no Sesi CAT Mário Amato, na Cidade A E Carvalho a partir das 9h00.
Conforme proposta inicial do Grupo de Estudos Estratégicos Águia de Haia, grupos temáticos estão sendo constituídos a cada encontro com alguns deles realizando seus encontros de e aprofundamento e de adequação as necessidades locais. Como previsto toda essa preparação cidadã terá efeito imediato nos encontros com os candidatos ao executivo e ao legislativo municipal assim que tiver início à campanha eleitoral deste ano.
A organização dos encontros é do Grupo de Trabalho de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste; USP Leste/EACH; Escola de Governo e Grupo de Estudos “Águia de Haia”. (JMN)
Legendas:
Lideranças e participantes encenam hipotética entrevista sobre saúde; Professor da USP em aula sobre política e movimentos sociais e Professor Zé Renato (USP); José Gerry (Grupo de Estudos Águia de Haia); o jornalista J.de Mendonça Neto (FDZL) e Seu Geraldo, presidente do Conseg 64º DP
Brasil – Dedo na ferida
Estudo recente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) do governo federal lança novas luzes sobre o tema. A partir de dados de rendimento de 2002/03, revelou-se que os 10% mais ricos no Brasil detêm 75,4% da riqueza. Ou seja, num bolo de 100 fatias a ser distribuído para 100 pessoas, 75 fatias ficam para 10 pessoas, sobrando apenas 25 fatias para 75 pessoas. E estamos em pleno terceiro milênio e século XXI, num país que é a décima economia do mundo!
Candidatos: quem deve, pode ficar de fora
Exemplo chinês
Marina, um caso raro
Marina diz que saída foi motivada por “estagnação” após cinco anos e meio no cargo
“Ainda não falei com o presidente Lula, só entreguei a carta. Mas a carta diz tudo”, afirmou.
Marina negou que a gota d´água para sua saída tenha sido a entrega da coordenação do Plano Amazônia Sustentável ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e não ao Ministério do Meio Ambiente; apesar de admitir que não foi avisada da decisão antes da cerimônia de lançamento do programa.
"Não posso dizer que o meu gesto é em função do doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa, mas é que você vai vendo um processo e percebe quando começa a ter estagnação.”
Marina disse que “ficou feliz” com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política ambiental não mudará e elogiou a escolha do novo ministro da pasta, Carlos Minc, que, segundo ela, “qualifica o processo” e poderá dar continuidade às conquistas de sua gestão.
“É melhor ter um filho vivo no colo de outro do que ter o filho jazindo no seu próprio colo”, comparou. Ela disse que não pode haver retrocessos na política ambiental e acredita que Minc manterá “o filho” vivo e o fará crescer.
Questionada sobre o que não pôde ou não teve espaço para fazer no governo, Marina disse que sua saída não pode ser considerada uma derrota e citou a trajetória eleitoral do presidente Lula e a luta do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, como exemplos de que “não é correto falar em derrota sem considerar o tempo” e que só “com a história é que se descobre o que foi derrota e o que foi vitória”.
A ex-ministra disse que passou por “momentos difíceis” ao longo de cinco anos e meio no governo, entre eles pressão pelo licenciamento ambiental das obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (RO).
“Poderia sair naquele momento como uma heroína, com a versão de que saí porque passaram por cima da minha opinião, do que eu defendia. Mas, em nenhum momento, o presidente Lula disse que queria o licenciamento a qualquer custo, mudando a legislação."
A ex-ministra também citou embates com o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, com quem teve “discussões muito acaloradas” por mudanças no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Marina afirmou que a redução de 146 para 26 metros cúbicos por segundo da vazão de água que será desviada do rio pode ser considerada uma grande vitória.
Marina Silva disse que não tem intenção de se candidatar ao governo do Acre e afirmou que deve voltar ao Senado Federal daqui a duas semanas. Questionada se sua atuação do Congresso será mais parecida com a de Ideli Salvalti (PT-SC) ou a de Eduardo Suplicy (PT-SP), respondeu que "vai ser mais para Marina Silva".
Pressões sobre regras do crédito agrícola derrubaram Marina Silva, diz Greenpeace
O Ministério do Meio Ambiente não confirma as razões da demissão. E o governo do Mato Grosso nega a alegação do Greenpeace. "Não há fundamento nesta afirmativa”, disse o secretário de Comunicação, José Carlos Dias. Segundo ele, o governador Blairo Maggi foi surpreendido com a saída da ministra e não se manifestou sobre o assunto.
As regras para crédito agrícola foram aprovadas em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e já valem para a safra 2008/2009, que começa em julho. "Isso começou a impactar quem desmatava, as pressões aumentaram e foram aceitas pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil", afirmou Sérgio Leitão em entrevista.
Blairo Maggi esteve em Brasília na última quinta-feira para o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Segundo Leitão, o governo estaria disposto a revogar as novas regras. O Palácio do Planalto não confirma as informações.
"O Senado ganha uma ótima senadora [Marina Silva, que vai reassumir o cargo no Senado], mas o Brasil perde a última e única voz que falava em nome das questões ambientais", avalia o diretor do Greenpeace. Ele acredita que a saída de Marina Silva terá impacto negativo internacionalmente. “O governo perde sua carta de apresentação internacional nas discussões ambientais. Se o Brasil tinha alguma credibilidade perante o mundo, acabou de perder".
Leitão lembrou que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vem a Brasília amanhã (14) justamente para tratar de questões ambientais – no dia 28 de abril, o ministro de Meio Ambiente do país, Sigmar Gabriel, esteve com Marina Silva, em Brasília, preparando a vinda de Merkel. Além disso, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, tinha audiência marcada com Marina Silva na quinta-feira, em Brasília.