Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Revisitando o Rock, do Educar para a Paz dá resultado positivo

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 Poderia ainda ter sido ainda melhor o evento promovido pelo Instituto Educar para a Paz no dia 9/05 na Cidade A. E. Carvalho. Bastava o tempo (muito frio) ter colaborado; uma divulgação mais intensiva e esforço na venda dos convites por parte dos voluntários; registre-se que a maioria não tem tempo sobrando. Apesar disso tudo, a festa foi um sucesso e atingiu seus objetivos.
O Instituto Educar para a Paz foi criado em 2002, por um grupo de pessoas junto com o Marco Antonio Cicone, então delegado titular do 64º DP da Avenida Águia de Haia, principal avenida que corta o bairro que está inserido nos bairros da Penha, Itaquera, Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista. Na ocasião se propôs a trabalhar com crianças e jovens, principalmente em atividades lúdicas e de esportes aos finais de semana, além de outras ações comunitárias até ser reconhecida como uma entidade presente e atuante.
Foi também por esse reconhecimento que se garantiu a presença de mais de 150 pessoas no Salão de Festas Liberal, gentilmente cedido para o evento, onde se descontraíram a noite toda. Evento familiar os presentes puderam ouvir, cantar junto e dançar sucessos de rock in roll desde a década de 60. Entre essa mais de uma centena de pessoas estiveram presentes muitos membros da Ordem dos Advogados do Brasil seção Itaquera incluindo o seu presidente Antonio Jorge Marques. Presidentes de sociedade amigos de bairros, como o Sr. Benedito, do Jardim Morgante; o presidente do Rotary Clube São Mateus e Clube de Diretores Lojistas de São Mateus, Carlos Soler e o delegado titular do 54º DP Marcos Luiz Gomes e outros.
Se a festa foi um sucesso; mesmo correndo o risco de cometer alguma injustiça, é preciso destacar a enorme contribuição da diretora da EMEI Vicente Mateus, Luciene Lopes Candeas; da diretora em exercício da EMEF 8 de Maio, Ivone Luppi; da vice-diretora do CEU Lajeado, Edilaine Donabella Britto; do quase anônimo senhor Cruz e sua equipe que segurou o serviço do bar; dos empresários Francisco Ricardo Gonzáles; Lelis Rodrigues de Araújo e Manuel Ribeiro que cuidou da parte da sonorização e do delegado Cicone que se esforçaram para dar conta das tarefas e resolver os problemas de última hora. Naturalmente, houve outras colaborações, entretanto estas são destaques por merecimento.
Nova diretoria toma posse
O evento também foi à oportunidade de apresentar parte da executiva que tomou posse recentemente através de indicações em assembléia interna. Para a presidência foi indicado Israel de Santana, monitor de capoeira; na vice, José Gerry, artista plástico e também membro do Grupo de Estudos Águia de Haia; na secretaria-geral Francisco Ricardo Gonzáles; na tesouraria, Lelis Rodrigues de Araújo e outro diretor Manuel Ribeiro.
“Isto é apenas rock in roll”
Se tem alguma coisa a se lamentar foi à presença aquém do esperado. Tempo, pouca divulgação, poucos convites vendidos fizeram com que apenas umas 150 pessoas pudessem participar de uma ótima festa, num tremendo bom astral ao som do velho e bom rock, animados por uma banda local que a reportagem não conseguiu apurar o nome. O que tinham de sobra era repertório para fazer balançar as cadeiras de muita gente. Como se fosse pouco, quando a banda parava para tomar um fôlego, os presentes continuavam dançando em passos coreografados músicas de sucessos que apareciam no telão. Enfim, diversão familiar de boa qualidade.
Balanço aponta resultado positivo
Apesar das dificuldades, o resultado financeiro ainda foi possível e deve ajudar a manutenção das contas em dia e no pagamento das despesas corriqueiras do instituto durante um breve período, segundo apurou-se em reunião ordinária na sede ocorrida dia 13/05 com a presença de 19 participantes. A reunião também foi pautada por uma avaliação interna do evento. Uma das conclusões foi a de que os convidados que puderam participar gostaram e se divertiram muito, portanto, mais um resultado positivo. (JMN)
 

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14 de maio de 2008 at 12:40

Publicado em Organizações

TV no feriadão é um horror!

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Jamais consegui entender. Por que as nossas TVs ignoram os fins de semana prolongados? Por que não transmitem eventos, produzem programas especiais ou lançam filmes durante estes longos períodos de ócio forçado? Ou será que é o contrário? Talvez, o pior da programação seja reservado exatamente para esses dias. Fica a impressão de que os responsáveis pela programação de nossas TVs fazem questão de colocar o que há de pior exatamente nestes períodos. A audiência cativa não merece nada melhor. Mas o problema talvez esteja na própria idéia de “grade” de programação. Ela aprisiona a programação e o público e se torna indiferente às situações excepcionais como os longos feriados.

Não temos acesso a pesquisas específicas. Mas nesses dias por falta de opções, milhões de brasileiros se tornam reféns da telinha. Deve haver um grande aumento de público. Nem todos podem viajar ou sair de casa. Para esse enorme público adicional, a televisão é a única fonte de lazer e entretenimento. A situação é particularmente ruim para o público infantil. Se os adultos são reféns da TV, as crianças são suas prisioneiras. Ainda mais durante as manhãs e tardes dos longos feriados.

Esse acréscimo de público certamente aumenta a audiência e o faturamento das emissoras. Mas seria importante saber se esses telespectadores estão “satisfeitos” com os  programas a que assistem. Ainda mais durante os dias de folga. Afinal, a audiência não pode ser a única referência para medirmos o interesse e a satisfação do público de TV.

Por outro lado, muitas pessoas se tornam indiferentes ao que vêem. Elas utilizam a TV para “matar o tempo”. Não conseguem mais desligar o aparelho e podem ser consideradas audiência cativa ou viciada. Para esses telespectadores, tanto faz. Qualquer coisa é melhor do que a realidade.

Time out

Mas há certamente muitas pessoas que são forçadas a assistir TV durante os longos feriados e que não gostam dos programas exibidos.

Este último feriadão foi um horror. Resolvi conferir a programação matinal e vespertina e mais uma vez fiquei chocado. É um festival de programas ruins e total descaso com o público. Talvez os programadores pensem que o telespectador brasileiro não mereça nada melhor nestes dias de ócio.

Mas nem todas as TVs do mundo são indiferentes ou reservam o pior da programação para os feriados prolongados. Muito pelo contrário. Em países como a Inglaterra, o público de TV é contemplado com programas especialmente produzidos para essa época. A programação das TVs britânicas não é indiferente aos feriados. São tantas opções que fica difícil escolher. A solução é recorrer ao guia de TV  do velho Time Out, uma das melhores e mais populares revistas do Reino Unido. O título da publicação já diz tudo. Além de excelente guia da cidade de Londres, Time Out anuncia os lançamentos de TV. Os programas são previamente vistos e criticados por jornalistas competentes, exigentes e talentosos. Mas suas críticas também podem ser “ferozes”. Time Out é referência de qualidade para milhões de leitores e telespectadores.

Horror

Há uma enorme variedade de programas de TV durante os feriados britânicos. Tem de tudo para todos. Lançamento de filmes de longa metragem, séries, dramas, documentários, musicais e excelentes programas humorísticos. Os britânicos levam o humor muito a sério. Ainda mais no rádio e na TV. Importante destacar os programas especiais de feriados com o  nosso conhecido Mr. Bean e impossível não lembrar os melhores momentos do grupo Monty Python. Quem não conhece não sabe o que está perdendo! 

Ou seja, tem muita coisa boa, mas também tem muita coisa ruim. Mas certamente não há descaso com o público ou indiferença às peculiaridades desses dias de folga por parte dos programadores de TV britânicos.

Mas essa qualidade de programação talvez se explique pela falta de uma “grade” rígida na TV britânica. É claro que há muitos programas com horários fixos como os telejornais, por exemplo. Mas não uma rigidez na programação. Nunca se sabe com certeza o que vai ser exibido. Há muito espaço para boas e más surpresas na programação diária dos principais canais de TV britânicos. No Reino Unido, todas as TVs, públicas e privadas, são monitoradas pela sociedade e por agências reguladoras como o OFCOM. A qualidade da programação de TV é considerada questão estratégica. Mas ser você quiser saber mais a respeito da TV britânica, recomendo o livro sobre a BBC do Prof. Laurindo Lalo Leal Filho, “A Melhor TV do Mundo – O Modelo Britânico de Televisão” pela Editora Summus. Tudo a ver.  

Finais

O pior dos longos feriados na frente da telinha é ter que assistir a programação nossa vespertina. Difícil dizer qual é o pior. Os tais programas para “mulheres” ou desempregados e programas sobre violência abusam das baixarias e ainda mais da “chatura”. São, sem dúvida, os piores programas da nossa TV. E o que mais me surpreende é como os próprios apresentadores ignoram a situação particular de um longo feriadão. Insisto. Merece uma pesquisa mais específica, mas tenho certeza de que a audiência de TV cresce muito nos longos feriados. Nem todos podem ou conseguem se afastar de casa ou da telinha nesses longos períodos de ócio.

A situação deve ser ainda pior para as crianças. Com pais cada vez mais ocupados e endividados e com tanta violência nas ruas, deve ser difícil fazer um programa alternativo de lazer. TV no feriadão, apesar de um horror, ainda deve ser a solução.

Assistir TV aberta, principalmente a programação vespertina, é uma tortura. Todos os canais públicos e privados ignoram os feriadões.

Ainda bem que a transmissão ao vivo das finais dos campeonatos estaduais de futebol salvaram o que teria sido um completo desastre. Show de bola e de televisão. Mais uma vez, o futebol salva a TV e o feriadão.  Antonio Brasil é jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey.

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8 de maio de 2008 at 10:50

Publicado em Entretenimento

Brasil – Agricultura e especulação

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Um calafrio percorre o mundo. Está faltando alimentos. E os que existem estão se tornando muito caros. Só num ano o trigo subiu 130%. E na Ásia o arroz duplicou de preço em três meses.
Segundo cálculos da FAO, esta subida de preços aumentou o número dos famintos em cem milhões, que se acrescentam aos 845 milhões já existentes antes da crise atual.
O que está acontecendo?
A pergunta é pertinente. Analisando melhor alguns dados, salta aos olhos que na origem desta  crise existem distorções que precisam ser identificadas, denunciadas e corrigidas.
Em 2007 a produção mundial de grãos foi de 2 bilhões e 300 milhões de toneladas. Um aumento de quatro por cento sobre o ano anterior. Portanto, a crise não vem da diminuição da safra.
De 1961 a 2007 a produção de grãos no mundo triplicou, enquanto a população somente duplicou. São dados que precisam estar presentes numa análise atenta para compreender o que se passa.
O Brasil se orgulha de ser um país exportador de grãos. Calcula-se que a safra de grãos neste ano chegará a 139 milhões de toneladas. Parece muito. Mas é pouco. Os Estados Unidos, só de trigo produzem 150 milhões de toneladas. No Brasil existem terras ociosas, em toda parte. Por que não são cultivadas?
A crise atual denuncia o desvirtuamento da agricultura, em todo o seu processo produtivo. É preciso voltar ao bom senso, e recuperar a finalidade primordial da agricultura, que é a de produzir alimentos para saciar a fome da humanidade. E não fazer dela um mercado lucrativo para os que especulam com a fome das pessoas.
Introduziu-se na agricultura a especulação financeira. De acordo com Paul Waldie, no ano dois mil havia perto de cinco bilhões de dólares apostando na variação dos preços agrícolas. Dinheiro que não se destinava a comprar nenhuma tonelada física, mas só especulava em cima da variação de preços. Em 2007 este número saltou para 175 bilhões de dólares, aplicados na especulação que produz lucros às custas das manobras para aumento dos preços agrícolas.
Esta a primeira perversão da agricultura. A agricultura se tornou um negócio especulativo. No Brasil esta especulação se materializa na concentração em quatro ou cinco grandes companhias transnacionais que dominam o mercado exportador de grãos. A agricultura virou negócio especulativo.
Outra perversão está no sistema produtivo. Quem mais produz alimentos, está provado, é a agricultura familiar. A produção de alimentos supõe um relacionamento efetivo e afetivo do agricultor com a terra. Este relacionamento torna viável a permanência do agricultor em sua propriedade, para nela cuidar da plantação com a dedicação e competência que ela requer. Mas o governo prefere se encantar com as grandes empresas, que fazer da agricultura o "agro negócio", cujos parâmetros de eficiência são o lucro, não o atendimento das necessidades de alimentos da população.
Mas, em cima da agricultura caem outras especulações, sobretudo através do preço dos insumos. A desculpa para o seu constante aumento era o preço do dólar, dado que muitos dos seus ingredientes precisam ser importados. Agora o dólar baixou. Mas os insumos continuam subindo. De tal modo que o agricultor continua apertado. Diante desta situação, o governo permanece na inércia, reverenciando submisso as "leis do mercado", que não podem ser alteradas pelo Estado.
A crise é sinal de alerta para, se repensar por inteiro a agricultura. De vez em quando a própria realidade se encarrega de sacudir as consciências e convocar para o bom senso. Na Campanha da Fraternidade deste ano constatamos a urgência de escolher a vida. Agora, a crise de alimentos nos ensina que é a realidade que nos escolhe, nos adverte, se em tempo queremos entender os apelos que ela nos faz.
Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, São Paulo.

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8 de maio de 2008 at 10:48

Publicado em Abastecimento

Ciência tem opções que dispensam uso de células-tronco embrionárias, diz pesquisadora

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Avanços científicos recentes indicam que é desnecessário usar embriões congelados para obter resultados com células-tronco. A avaliação é de Alice Teixeira Ferreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ela, em 2005, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança no país, autorizando as pesquisas com células-tronco embrionárias, já se sabia de suas limitações, como a ocorrência de rejeição e tumores. No entanto, resultados obtidos por cientistas a partir do ano passado vêm mostrando que o material pode ser ser substituído com vantagens pelas células-tronco adultas, obtidas a partir do líquido amniótico que envolve bebê numa gestação, do cordão umbilical e da medula óssea.
Ao participar dia 5/5, em Brasília, da divulgação da Declaração de Brasília, documento contra o uso das células embrionárias, a pesquisadora destacou que dois estudos concluídos em 2007 (um nos Estudos Unidos e outro no Japão) mostraram que células-tronco adultas podem ser reprogramadas e adquirirem potencial idêntico ao das embrionárias: o de assumir um tipo desejado de função (óssea, muscular, nervosa, por exemplo) e, reproduzindo-se, substituir células doentes no organismo.
“Para que vou precisar agora de células embrionárias humanas?“, questionou Alice Ferreira. Segundo ela, as células-tronco adultas já estão sendo usadas experimentalmente em cerca de 20 mil pacientes no mundo para o tratamento de 73 doenças degenerativas.
De acordo com o material divulgado na apresentação da Declaração de Brasília, pesquisadores conseguiram transformar células de cordão umbilical em células nervosas, o que antes parecia ser uma possibilidade apenas das células embrionárias.
Outro dado citado é que, no Brasil, o pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fundação Osvaldo Cruz na Bahia, transplantou células de medula óssea em dois gatos paraplégicos que estão voltando a andar.
Alice Ferreira salientou que muitos cientistas brasileiros defendem o uso embriões para pesquisa básica, ou seja, para estudar o desenvolvimento de células embrionárias, e não para buscar o tratamento de doenças. Segundo ela, esse tipo de pesquisa pode ser realizado facilmente com células do líquido amniótico, que podem ser retiradas das gestantes quando elas são submetidas a parto por cesáreas, sem implicar na utilização de embriões.

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6 de maio de 2008 at 9:47

Publicado em Notícias e política

Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável

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A 25 quilômetros de Brasília, uma área de cerrado quase intacta abriga construções de barro com telhados gramados, aproveitamento de água da chuva e produção de alimentos sem agroquímicos, numa paisagem que nem de longe lembra a capital de concreto do Plano Piloto e da Esplanada dos Ministérios.
Erguida com técnicas de “bioconstrução”, a Chácara Asa Branca é uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente e “uso ético” dos recursos naturais e dos bens de consumo, de acordo com o administrador Leandro Jacinto, um dos proprietários da área.
“A idéia não era chegar e ‘limpar o terreno’. É o contrário, as mudanças que fazemos têm a intenção de preservar o ambiente, e até melhorá-lo. O impacto passa a ser positivo”, relata.
“Temos três éticas na permacultura: cuidado com as pessoas, cuidado com a Terra e distribuição dos excedentes”, destaca Leandro Jacinto. Segundo ele, pensar a “arquitetura humana” com sustentabilidade é uma maneira de contribuir para "atenuar problemas mundiais, como a escassez de água, as restrições à produção de alimentos e até mesmo o aquecimento do planeta".
A sustentabilidade das construções também é aplicada nas soluções de saneamento básico. A água da chuva é armazenada em três grandes reservatórios, construídos com técnicas da permacultura. “É água suficiente para seis meses, sem precisar de outras fontes de abastecimento”, aponta Jacinto.
Nos banheiros, a descarga tradicional – que utiliza água potável – foi substituída por um sistema de compostagem: os resíduos são misturados à serragem e depois de passar por um processo químico natural, são transformados em adubo orgânico para hortas e jardins. A irrigação com água da chuva e a adubação natural garantem a produção de hortaliças, leguminosas e frutas, para consumo da chácara. A meta dos moradores – três famílias atualmente – é ter 60% da sua alimentação produzida no local.
“A gente busca solução para vários problemas, de forma simples e reaplicável. Acreditamos que é possível ser responsável pela nossa própria existência”, sugere Jacinto.
LEGENDA: Leandro Jacinto, administrador da Chácara Asa Branca, uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente

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6 de maio de 2008 at 9:43

Publicado em Meio Ambiente

Vila Bela e o risco iminente da ocorrência de casos de dengue

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A Vila Bela no distrito de São Mateus, conforme lembrada em várias reportagens nesta Gazeta é uma ocupação que já completa mais de uma dezena de anos e para onde acorreram milhares de famílias sem moradia até então. Também é sabido que se trata de uma área de propriedade privada da família de Antonio Mikail e que ainda não tem uma solução final para as partes envolvidas. Nem a família de Mikail tem ressarcido os valores da terra, nem os moradores têm a propriedade legal de suas casas.
Dezenas de iniciativas já foram tentadas durante diversas gestões de governos municipais sem, contudo apresentarem soluções definitivas e duradouras para os envolvidos. Resumidamente, os proprietários querem que a Prefeitura ou Governo do Estado compre a área a preços de mercado e venda subsidiadamente aos atuais ocupantes da área de forma facilitada. Os moradores querem pagar pouquinho ou não pagar nada e os governos, por sua vez, não concordam com o pagamento a preços de mercado para resumir por aqui.
Essa questão, entretanto, não é o foco dessa matéria, mesmo porque nesse aspecto têm diversas vertentes que precisariam se observadas como, por exemplo, a indisposição de algumas lideranças da comunidade na maior parte das vezes incitadas por interesses políticos contra a Prefeitura ou a subprefeitura local cobrando intervenção e iniciativas de manutenção no local que, por lei, eles não poderiam fazer por tratar-se de terreno de particular em litígio. Na mesma linha, mas em sentido contrário, tem alguns políticos da própria situação que diante da fragilidade situacional daquela comunidade prometem tomar providências que não lhes cabe competência para tal. Uns vão enganando alguns que vão enganando outros.
É fato e de direito que existem leis, federais principalmente, que tem como objeto soluções para conflitos urbanos como esse e que eles podem ser encaminhados num acordo entre as diversas instâncias de governos federal, estadual e municipal que pela configuração partidária atual nem sempre é tão simples de se equacionar. Isso, entretanto, não é o suficiente para que a população ali residente transfira a culpa para os governos pura e simplesmente. Na essência da questão está à ocupação irregular de terras de particulares, por isso é bom, cada parte, aceitar suas responsabilidades no imbróglio.
Mas, e agora?
Apesar das considerações gerais acima, a Vila Bela se encontra diante de uma situação que desconhece os limites da lei e das vontades dos envolvidos sejam políticos ou não. Aquela população se encontra hoje diante de um eminente risco de transforma-se num micro Rio de Janeiro com sua epidemia de dengue.
É publico e notório para quem conhece a Vila Bela que a maior parte do abastecimento de água para as moradias é feita através de quilômetros de improvisadas mangueiras que ficam à vista de todos sob a flor do terreno, na maioria das vezes com pequenos furos que são tampados de maneira totalmente improvisada. Próximas às mangueiras furadas se formam dezenas de poças de água ainda não pútrida que servem de criadouro para a larva do Aedes Egypty.
Não basta a precariedade das moradias, o criadouro de moscas, ratos e outras pragas que brotam do excesso de lixo orgânico despejados em diversos pontos sem o devido reconhecimento e a invasão de dejetos e objetos inservíveis nos pequenos e sufocados córregos que ainda insistem em continuar correndo pela área, agora a Vila Bela não saneada e abandonada pode tornar-se o ponto de partida de uma epidemia que pode atingir para além de suas fronteiras. Como fica a saúde pública diante da possibilidade de isso ocorrer?
Naturalmente a periferia paulistana apresenta um cem número de áreas onde possa ser eminente à mesma possibilidade, entretanto, para os são-mateuenses responsáveis essa é mais uma preocupação que passa a fazer parte do seu dia-a-dia. Tanto pela situação daquela própria comunidade quanto o restante desse pedaço da zona leste.
Apesar de termos certeza de a maioria dos moradores da Vila Bela está fazendo sua parte no combate a dengue, a pergunta que não que calar é: O Estado vai se omitir desse enfrentamento por conta de restrições legais?
 

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27 de abril de 2008 at 19:00

Publicado em Saúde e bem-estar

É preciso discutir o desconforto com os pequenos depósitos de reciclagem

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 Uma das atitudes mais louváveis e entre as mais sensatas, a reciclagem ganha destaque mundial como uma necessidade premente para dar um pouco mais de fôlego a humanidade que vê cada vez mais acelerado o uso intensivo e insano de seus recursos materiais. No atual ritmo e modo de desenvolvimento que a maioria dos países adota como correto, vai chegar o tempo em que à escassez será tão grande que poderemos ter por toda parte situações de calamidade hoje só encontradas nas realidades de diversos países da África ou do Haiti, por exemplo, no continente americano, conforme vemos com alguma freqüência em telejornais sérios e documentários.
Claro está que esse modelo de desenvolvimento está fadado ao fracasso e só para ter como exemplo de ameaça evidente; a água de qualidade que pode ser usado pelos humanos, tem data para terminar se não houver um basta na insanidade desenvolvimentista.
É dentro dessas preocupações que deveriam ser universais que se insere o importante papel da reciclagem de materiais inservíveis com seus exércitos de recicladores que vemos cotidianamente com a sua lida, adversa, por sinal, porque a separação do que pode ser aproveitado e do que não pode ainda não é rotina dos brasileiros e os paulistanos incluídos.
Se a reciclagem é tão importante e necessária deveria ser estimulada pela grande mídia, pela escola, pelos governos, por todos, enfim, não é motivo para fecharmos os olhos para alguns desvios perigosos que vem ocorrendo.
Por conta da necessidade sempre crescente de gerar renda, muita gente, por vezes famílias inteiras, buscam na reciclagem, separação e venda de materiais que podem ser reciclados o seu sustento, entretanto, sem infra-estrutura, esclarecimentos suficientes e, às vezes, por falta de um pouco de boa vontade, esses catadores acabam gerando situações indesejáveis. Sabem coletar, sabem separar, mas não sabem armazenar corretamente o fruto de sua garimpagem diária e ai começam a se formar pequenos depósitos que sem fiscalização e orientação estão gerando desconforto para os vizinhos e o entorno.
Não é prerrogativa de São Mateus, naturalmente, mas quanto mais locais como esses são criados mais trazem consigo o aumento da sujeira pelas calçadas e ruas, mau cheiro, baratas, ratos e focos de dengue em poças que às vezes mal se consegue localizar diante de tanta bagunça que esses locais acabam se transformando.
Uma atitude louvável e necessária acaba, por conta da instalação de pequenos depósitos, se transformando em fonte de aborrecimentos e preocupações. Ratos, baratas, sujeiras e focos de dengue ninguém quer próximo às suas portas e é natural que assim seja. Como, então, conviver com a ação louvável da reciclagem e com os aborrecimentos que nesses casos trazem? É para se fechar os olhos para a situação que se está criando, ou é preciso discutir: vizinhos, reciclador, donos de depósitos e poder público como ter os benefícios da reciclagem sem os dissabores que a ação trás?
Está em aberta a questão. A reportagem da Gazeta de São Mateus que tem constatado o crescimento de ocorrências como esta quer junto com a comunidade e os atores envolvidos discutir essa situação. Tampar o sol com a peneira não resolve.

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27 de abril de 2008 at 18:58

Publicado em Meio Ambiente

Comunidades e entidades se juntam para exercer a cidadania

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A partir da idéia de estabelecer debates com os futuros candidatos a prefeito e vereadores da Cidade de São Paulo nas próximas eleições de outubro, um grupo significativo de entidades constituiu no início de fevereiro deste ano o Grupo de Estudos Águia de Haia fazendo alusão ao eixo que compreendia a maior parte das entidades participantes na Cidade A E Carvalho que é considerado um quase Triângulo das Bermudas, pois faz parte de quatro subprefeituras simultaneamente: Penha, Itaquera, Ermelino Matarazzo e São Miguel. Triângulo das Bermudas é uma denominação que satiriza a situação das comunidades ali inseridas. Por se relacionarem com diversas subprefeituras ao mesmo tempo o jogo de empurra e as dificuldades para fazer fluir as informações e demandas é sempre quadruplicada, digamos assim.

A reunião de fundação nas dependências do SESI CAT Mário Amato, também conhecido como Sesi A E Carvalho, aglutinou representantes de diversas entidades que constituíram o grupo com caráter supra-partidário, mas que, futuramente convidaria para conversas os candidatos com algum vínculo com o conjunto da região. O grupo também seria subsidiado por palestras temáticas que estão em curso nas dependências de uma escola municipal participante. Também criou um grupo de estudos estratégicos para fazer levantamento sobre os projetos já existentes no Plano Diretor Municipal para toda essa região.

Como desdobramentos práticos das palestras temáticas estão sendo criados comissões e grupos de estudos que aprofundarão alguns dos temas estudados preparando relatórios que servirão, simultaneamente, como trabalho de conclusão de um curso em andamento e de parâmetros na discussão com os eventuais candidatos.

Assuntos como democracia, direitos humanos, desenvolvimento sustentado, revisão dos planos diretores regionais, educação, saúde, transporte, habitação, sistema viário, urbanismo, cidadania e outros assuntos mais estão sendo discutidos dentro de uma programação que vai praticamente durante todo esse primeiro semestre e que se inter-relacionarão com outros importantes movimentos que atuam no município como, por exemplo, o Movimento Nossa São Paulo.

Nos três primeiros encontros do curso montado em comum acordo entre a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste, Instituto de Pesquisa e Estudos de Governo, o Grupo de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste e o próprio Grupo de Estudos Estratégicos Águia de Haia e que dará certificados aos participantes assíduos já foram abordados: conceitos de cidadania; história da urbanização de São Paulo e da Zona Leste; a operação urbana Rio Verde-Jacú e Propostas para o Desenvolvimento Econômico nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, Penha, São Mateus e Ermelino Matarazzo. No último dia 26, os Direitos Humanos Individuais e Sócio-Econômicos; os projetos para o Desenvolvimento Sustentável na Zona Leste e uma conversa com o presidente do movimento Nossa São Paulo, Oded Grajew foi o cardápio.

Oded Grajew deu mais entusiasmo as lideranças ali mobilizadas quando expôs a emenda número 30 à Lei Orgânica do Município de São Paulo, aprovada em 19/02/08, que determina a obrigatoriedade do próximo prefeito eleito a apresentar nos primeiros noventa dias do seu governo o plano de metas detalhados para cada distrito da cidade e submete-lo em plenárias públicas. Trata-se, visivelmente de um enorme avanço no sentido de comprometer o pretendente ao cargo de prefeito a assumir compromissos que se não forem cumpridos podem ensejat até processos de impeachment. Grajew acha que nos contados das comunidades com os candidatos a vereador e prefeito eles devem ser cobrados a expor suas metas para a cidade e para as regiões. “Fora disso é se comportar como um tolo diante dos candidatos”. Por parte das lideranças, cerca de 100 no encontro do dia 26, a proposta foi unanimidade.

Cinco novos outros encontros estão previstos e que poderão disponibilizar poderosos subsídios para as entidades participantes que da sua parte devem atuar conjuntamente na defesa dos interesses e do desenvolvimento sustentado da Zona Leste. Os projetos de educação, a saúde na região, a democracia participativa e direta nas organizações da sociedade civil e do Estado e as propostas de habitação e os projetos e de interesse sociais na região leste serão objetos de estudos e aprofundamentos.

Quanto à representatividade do grupo a sua configuração testemunha positivamente. Entre outras quase uma centena de entidades, movimentos e cidadãos exercendo suas cidadanias estão entidades como o Sesi, associações de comerciantes de algumas regiões, Conselho de Segurança de A E Carvalho, OAB – Itaquera, Sociedade Amigos da C A E Carvalho, Instituto Educar para a Paz; Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, Simpeem – Sindicato dos Professores em Educação em Ensino nas Escolas Municipais de São Paulo; diversas associações de moradores, ong´s, Rotary Guaianases, Escolas particulares e públicas, Faculdade de Tecnologia – Fatec; Ciesp-Leste; Associação Movimenta Itaquera; Movimento Popular para o Desenvolvimento da Zona Leste; igrejas evangélicas; conselhos de saúde e dezenas de outras que constroem uma composição heterodoxa e supra-partidária.

 

 

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26 de abril de 2008 at 21:51

Publicado em Organizações

A morte de Isabella e a necessária reflexão

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Muito pouco tempo depois de a polícia afirmar que o assassinato da menina Isabella Nardoni, 5, estava 70% esclarecido, o pai e a madrasta foram libertados da prisão preventiva por ordem judicial e o povo ficou sem entender. O casal que passou nove dias na cadeia foi solto e protegido por escolta policial. Existe lei que garante a soltura.

Mais de 200 pessoas assistiram à saída de Alexandre Nardoni e gritavam “assassino” e “lincha”. Ana Carolina que estava em outro DP, também foi hostilizada por curiosos na porta da delegacia: “pena de morte”, “assassina” e “cadeira elétrica” eram os mais comuns entre os gritos. Com as TVs e rádios informando em todo tempo o trajeto de ambos, da delegacia ao Instituto Médico Legal para exame de corpo delito; outro procedimento legal nesses casos, uma multidão foi se formando em frente ao Instituto.

O bárbaro assassinato da pequena Isabella desencadeou um forte e compreensível desejo social de punição. Alguns policiais, armados de precipitação e sede de notoriedade, acabaram pautando a opinião pública e a própria mídia. Quando o pai de Isabella, um dia após o crime, saía do distrito policial onde prestara depoimento, uma delegada presente no local dirigiu-lhes os gritos de “assassino”. A encarregada do inquérito, num procedimento surpreendente, informou à imprensa a respeito dos níveis percentuais já atingidos no esclarecimento do caso. A loquacidade inicial do promotor, intensa e diária, mereceu reparos do Judiciário. As autoridades, de fato, armaram o espetáculo e alguns setores da mídia, sobretudo certos telejornais, entraram em cheio no crime do ano. A repetição exaustiva de cenas garantiu, certamente, uma boa audiência. Não sei se garantirá a credibilidade. Os jornais têm sido razoavelmente sóbrios, mas a televisão tem forçado a mão.

Quando escrevo este artigo, ainda não conhecemos o desfecho do caso. As suspeitas contra o pai e a madrasta, fortes e perturbadoras, mesmo assim o casal não pode ser transformado em peças de uma irreparável execração pública. É preciso esperar a decisão da Justiça, tenhamos nós desconfiança ou não quanto à eficiência dela. A sociedade, entretanto, precisará entender, explicar e barrar a crescente falta de limites incluindo os da própria natureza humana na busca desenfreada pelo prazer e felicidade mesmo que signifique sacrificar filhos.

É preciso também agir e fazer alguma coisa que estaque os efeitos destruidores da ação dos criminosos e tantas outras ocorrências que temos assistido. A segurança também requer medidas específicas e urgentes.

A limitação de horários de funcionamento de bares; a diminuição dos benefícios de presos como a redução do cumprimento da pena em regime fechado por meio de progressão; a suspensão dos indultos para criminosos reincidentes ou condenados por crimes violentos; a suspensão do limite para internação de adolescentes infratores em centros de ressocialização onde, hoje, só podem ficar até os 18 anos; a criação de uma rede multidisciplinar de assistência para jovens que começam a se envolver com a criminalidade para orientar ao jovem nessa etapa; priorizar o policiamento comunitário; a criação de varas especiais para julgar mais rapidamente policiais acusados de corrupção e outros crimes, enfim, fazer o que tiver que ser feito para conter a hemorragia social provocada pelo crime, têm sido indicações de especialistas para frear a espiral da insegurança.

No processo penal então é preciso, sem cercear o direito de defesa de quem quer que seja, controlar e estreitar as inúmeras possibilidades de recursos e mais recursos disponíveis nos meandros da Justiça a quem tem dinheiro, poder e uma boa dupla de advogados para isso. Mais do que qualquer coisa, a sensação de impunidade também ajuda a brotar na boca do povo os gritos insanos.

Entretanto é preciso ainda discutir a onipresença de uma TV pouco responsável que pode estar na origem de inúmeros comportamentos doentios e que tem nos crimes e na violência um de seus carros-chefes com programas que fazem da transgressão o espetáculo mais rotineiro crescendo à sombra da exploração das paixões humanas. Para a Psicologia a exposição da violência como ficção não produz a diminuição da agressividade porque o espectador entende que aquilo é ficcional. Representa, sim, um forte incitamento a comportamentos anti-sociais. A morte, agressão e violência, realidades banalizadas e transformadas em espetáculos por certos telejornais, também acabam sendo incorporadas pelos criminosos potenciais que começam a achar os crimes expostos corriqueiros.

É muito perigoso confundir informação com espetáculo. Quando isso acontece, e infelizmente tem ocorrido em algumas coberturas policiais, a notícia se transforma num show co-produzido por repórteres, delegados e promotores. Corre-se o risco de condenar inocentes, destruir patrimônios morais e, a médio e longo prazo, comprometer gravemente a própria credibilidade da informação. O esforço para conquistar audiências, legítimo e necessário, não pode ser feito de costas para a ética (JMN).

 

Written by Página Leste

25 de abril de 2008 at 17:35

Publicado em Comunicação

Para entender a aliança DEM e PMDB em São Paulo

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Para fazer uma honesta análise política do que significa essa recém aliança DEM e PMDB em São Paulo temos que lembrar de alguns pressupostos fundamentais..

Desde a posse do presidente Lula para o segundo mandado, os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) disputam a indicação do PSDB para disputar a sucessão presidencial em 2010. Cacifado por 40 milhões de votos, o ex-governador Geraldo Alckmin (SP) também está no jogo, em desvantagem, há que se reconhecer, por não estar ocupando nenhum cargo relevante. No campo governista sem nenhum candidato natural só Lula seria o nome mais forte para suceder a si próprio, entretanto, a atual legislação o impede de concorrer.

Até o estabelecimento da aliança entre o DEM e o PMSDB em São Paulo, em dificuldades, estava o governador José Serra para continuar atrás do seu objetivo de ser o presidente do Brasil. Há de se lembrar que Serra tem feito um governo inexpressivo em São Paulo. Na somatória de suas notícias na imprensa; muita notícia ruim e quase nada positiva.

Enquanto Serra patinava o rival Aécio Neves fazia charme ao PMDB: dava palpites na eleição municipal de São Paulo dando força a pretensão de Alckmin e costurava uma aliança ecumênica em Belo Horizonte que deverá unir todos os partidos com exceção do DEM e alguns nanicos de Minas Gerais. Charmoso, pois, além disso, tudo ainda namora a miss Brasil Natália Guimarães. Está no gosto popular.

Voltando a São Paulo, com Alckimin colocando-se na passarela com sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo piorou a situação de Serra que sempre defendeu uma aliança para eleger Gilberto Kassab (DEM). Desafiador, o ex-governador Alckimin comentou que “nunca viu o primeiro colocado nas pesquisas”, que é o seu caso entre os adversários da eventual candidata Marta Suplicy pelo PT, “abrir mão para o terceiro colocado”, caso o Kassab. Como, entretanto, o mundo gira, Serra trabalhou em silêncio e quando todo mundo dava como certa a aliança entre o PT e o PMDB, eis que o ex-governador Orestes Quércia anuncia publicamente o seu apoio à reeleição de Kassab. De tabela falou que Serra é um bom nome à sucessão de Lula e para apaziguar os ânimos prometeu apoiar Alckmin para o governo do Estado em 2010, se ele abandonar a disputa a prefeitura, claro.

Gol de Serra, pois foi ele quem deu o aval à negociação do DEM com o Quércia e foi o próprio Serra que garantiu a vaga de senador para Orestes Quércia em 2010. Kassab faria à mesma negociação, mas não tinha cacife para tanto. Serra comandou a negociação dos espaços que serão reservados ao PMDB na administração do Estado e da capital, caso a chapa DEM-PMDB vença as eleições deste ano. A jogada de Serra, se aproximando do PMDB paulista, tem dois objetivos de seu interesse. Primeiro isolar Alckmin e Aécio que flertavam com o PMDB que também queriam minar o Serra e para Serra o mais importante: mostrar ao presidente Lula que o PT não está tão forte como se imagina para 2010.

Claro que não foi o PMDB todo que foi conquistado existe tantas as divisões nesse partido, mas a seção paulista, forte dentro do PMDB nacional, vai levar consigo outros estados e diretórios importantes. Serra reequilibrou o jogo, mas ainda não conseguiu algo que está fora do seu alcance: controlar a vontade de Alckimin. Toda a pressão agora será nessa direção: fazer com que Alckmin desista da disputa o que ele já registrou não o fará; mesmo porque segue bem nas pesquisas e hoje disputaria o segundo turno com Marta Suplicy, tudo que o Serra não quer.

Se Alckimin disputar a eleição e perder já era. Mas na hipótese de ele se tornar o prefeito de São Paulo sairia fortalecido e por tabela também o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Alckmin poderia pleitear tanto a disputa do governo de São Paulo quanto da presidência, caso Aécio queira ficar fora desta. Nesse caso, Serra teria de abrir a sua caixa de bondades aos inimigos íntimos ou ir para a disputa de uma reeleição em São Paulo dependendo do que Alckimin e Aécio resolverem.

Como se vê Alckmin se coloca como pedra no sapato de Serra e parece evidente que o cenário político caminha uma vez mais para um clima de acirramento. Da nossa parte ficamos atentos e voltaremos em breve para explicar o que é esse PMDB um partido profissional que sobrevive nas mais diversas circunstâncias. (JMN)

Written by Página Leste

25 de abril de 2008 at 17:33

Publicado em Notícias e política