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Pressões sobre regras do crédito agrícola derrubaram Marina Silva, diz Greenpeace

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O Greenpeace considera o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, uma sinalização de que o governo federal não está preocupado com as questões ambientais. Segundo Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas da organização não-governamental (ONG), Marina saiu em razão de pressões do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, pela revogação das novas normas que condicionam a concessão de financiamento agrícola ao cumprimento de critérios ambientais.
O Ministério do Meio Ambiente não confirma as razões da demissão. E o governo do Mato Grosso nega a alegação do Greenpeace. "Não há fundamento nesta afirmativa”, disse o secretário de Comunicação, José Carlos Dias. Segundo ele, o governador Blairo Maggi foi surpreendido com a saída da ministra e não se manifestou sobre o assunto.
As regras para crédito agrícola foram aprovadas em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e já valem para a safra 2008/2009, que começa em julho. "Isso começou a impactar quem desmatava, as pressões aumentaram e foram aceitas pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil", afirmou Sérgio Leitão em entrevista.
Blairo Maggi esteve em Brasília na última quinta-feira para o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Segundo Leitão, o governo estaria disposto a revogar as novas regras. O Palácio do Planalto não confirma as informações.
"O Senado ganha uma ótima senadora [Marina Silva, que vai reassumir o cargo no Senado], mas o Brasil perde a última e única voz que falava em nome das questões ambientais", avalia o diretor do Greenpeace. Ele acredita que a saída de Marina Silva terá impacto negativo internacionalmente. “O governo perde sua carta de apresentação internacional nas discussões ambientais. Se o Brasil tinha alguma credibilidade perante o mundo, acabou de perder".
Leitão lembrou que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vem a Brasília amanhã (14) justamente para tratar de questões ambientais – no dia 28 de abril, o ministro de Meio Ambiente do país, Sigmar Gabriel, esteve com Marina Silva, em Brasília, preparando a vinda de Merkel. Além disso, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, tinha audiência marcada com Marina Silva na quinta-feira, em Brasília.

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15 de maio de 2008 at 12:04

Publicado em Meio Ambiente

Marina: fim de uma agonia

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A auto-demissão de um dos maiores ícones da luta ambiental simboliza o fim de uma longa agonia que simbolizou a gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Nesses quatro anos, Marina foi derrotada com a liberação dos transgênicos e a retomada do programa nuclear brasileiro; foi obrigada a engolir a transposição das águas do São Francisco; foi pressionada a liberar obras polêmicas, como as hidrelétricas do rio Madeira; e cometeu erros, como o fracionamento do Ibama, com a criação do Instituto Chico Mendes.
Mas Marina não caiu pelos seus erros. Marina caiu pelos seus acertos. Pela coragem que teve, ainda que fosse demérito para seu governo, de divulgar os índices crescentes de desmatamento na Amazônia e responsabilizar o agronegócio do gado e da soja por esse recrudescimento. Marina caiu porque era insustentável sua permanência em um governo de Maggis, Rodrigues e Romeros que, por fora e por dentro, boicotam as medidas de combate ao desmatamento.
Marina caiu porque em um governo que privilegia o crescimento a qualquer custo, onde a geração de divisas do agronegócio exportador tem mais valor do que a preservação de nossas florestas, sua presença já se configurava como um corpo estranho.
Em última análise, Marina saiu porque, de transversal e integrada, como ela lutava para que fosse a política ambiental do governo, mais uma vez o meio ambiente foi enxergado como um entrave ao desenvolvimento. Ainda que tarde, mostra a seringueira do Acre que se alfabetizou aos 14 anos que sua trajetória não podia mais continuar a ser enxovalhada por um governo rendido aos interesses do grande capital.
João Alfredo Telles Melo é advogado, professor de Direito Ambiental e consultor de políticas públicas do Greenpeace.
 Marina Silva (PT), senadora pelo Acre ex-ministra do Meio Ambiente

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15 de maio de 2008 at 11:59

Publicado em Meio Ambiente

Entidades discutem ensino superior, mas lembram do ensino de base

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Criado em fevereiro deste ano, o Grupo de Estudos Águia de Haia que congrega centenas de entidades fez mais um encontro no curso Projeto Zona Leste Cidadã, dia 10/05 nas dependências da Fatec – Faculdades de Tecnologia, unidade A E Carvalho para discutir o tema educação superior. Cerca de 50 pessoas representantes de entidades e movimentos mais interessados no tema compareceram.
Os professores Rogério Monteiro (Fatec), Henrique Luiz Monteiro, diretor da Unesp de Bauru e José Renato do Curso de Gestões Públicas da USP Leste expuseram e debateram o assunto com a mediação do professor Valter de Almeida Costa do Grupo de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste.
Falando pela Fatec, o professor Rogério iniciou lembrando a importância da Logística, um dos cursos oferecidos pela unidade para o desejado desenvolvimento sustentado da zona Leste, objeto final de todos esses encontros. Destacou a presença nos cursos de 60% dos alunos moradores e residentes na ZL, com grande parte delas tendo cursado os ensino fundamental e médio nas escolas públicas da região. Durante o debate cobrou-se uma maior divulgação dos cursos em nível médio e superior disponíveis. O professor disse que fazia o que era possível, mas que atendendo a convite de algumas diretoras de escolas públicas poderia aperfeiçoar essa ação. Falou ainda dos planos de expansão com a possível construção de um prédio vertical dentro da unidade para conseguir atender em três períodos e ampliar o número de vagas tomando como critério a empregabilidade desde o ensino médio.
Pela USP, José Renato saudou a iniciativa de ampliar a oferta de unidades de ensino gratuito de terceiro grau na região toda e reconheceu que a USP, enquanto instituição, conhece pouco da zona leste onde agora tem uma unidade. Disse que existe um projeto dentro da USP para a criação de uma unidade de cursos sem departamento fixo, uma norma dentro da USP, para que se relacionem de forma multidisciplinar para oferecer cursos mais ajustados as demandas locais.
Lembrando que como norma a USP é proibida de reproduzir os mesmos cursos dentro da mesma cidade; o que impede que cursos tidos como tradicionais: medicina, engenharia, direito venha para a USP Leste, essa unidade se compensa apresentando outros cursos talvez não tão evidentes, mas de importância. Além do que já oferece, cursos de obstetrícia, têxtil e moda, Lazer e turismo e alguns outros serão ministrados na unidade Leste. “A USP Leste também vai preencher lacunas existentes com esses cursos. O de Gestão Pública é um exemplo”, sustentou, dizendo que existe uma leitura apurada das mutações no mercado de trabalho. Também registrou a pouca ocupação em termos de disponibilidade do espaço, o que acha vai ser intensificado com o passar dos anos e a ainda pouca compreensão por parte dos alunos das escolas públicas médias que a USP é pública e gratuita.
Ressaltou que o ensino, a pesquisa e a extensão que é o tripé de atividades de uma universidade e que: “A participação da USP Leste neste encontro dentro do Projeto Leste de Formação Cidadã é um exemplo da extensão”, disse, registrando que quer ver essas ações se multiplicar dentro da universidade que entende um projeto de longa maturação.
A exposição mais demorada ficou por conta do professor Henrique que apresentou em detalhes o projeto de instalação de uma unidade da Universidade Estadual de São Paulo em Itaquera, chegando a mostrar inclusive um projeto arquitetônico. Henrique faz parte do grupo que estuda essa instalação em moldes de parceria com a Prefeitura e o Governo do Estado. Resumindo: para a Unesp ficará a seleção de professores, a montagem e o oferecimento dos vários cursos; o espaço construído pela Prefeitura e o custeio das despesas seriam do governo do Estado.
Até os moldes da contratação dos profissionais serão diferenciados não se tornando eles necessariamente funcionários do Estado ou da Prefeitura e sim, da Unesp, em relações trabalhistas distintas da de um concurso público. Por parte da Prefeitura e do Estado os interesses se complementam. A Prefeitura também deverá utilizar o espaço; um grande complexo com a universidade, centro de convenções e áreas de artes e lazer. Segundo expôs o professor à área deverá ser um pólo de atração artística.
Henrique citou as restrições orçamentárias da Unesp quando comparadas a USP e ao Centro Paula Souza, todas do Estado e diante delas a comissão vem pensando a unidade com cursos regulares, inclusive um de ensino médio “reforçado”, como disse, e cursos modulares que podem chegar até a reciclagem de trabalhadores de certos setores econômicos. Naturalmente fez uma exposição detalhada, entretanto, ainda sem respostas definitivas. É todo um processo que está sendo estudado e que, de certa forma, vem sendo discutido com os interessados como o que estava ocorrendo naquele instante.
Vale registrar que o arco das possibilidades é tão variado que se prevêem até cursos de formação para professores e outros de extensão universitária para manter aberto o canal de interlocução com as comunidades sejam populares, empresariais ou de outro tipo. De fato, um arco enorme que vem sendo afunilado e amadurecido a cada dia, conforme registrou o representante da Unesp.
 
Nos debates melhorar as condições básicas
No debate a seguir quase que instantaneamente as intervenções chamaram a atenção para a precariedade dos ensinos público fundamental e médio que não prepara os jovens para usufruir e seguir os estudos de forma satisfatória nas várias possibilidades até então expostas. Essa quase que completa inversão da pauta não quis dizer, conforme foi registrado por mais de um dos membros da platéia, que o que será oferecido não seja desejável. É e muito, insistem. Entretanto, como a própria mesa de expositores não pode negar o problema da educação para ser resolvido de forma adequada tem que ser muito antes e muito mais embaixo. – J. de Mendonça Neto
 
 

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14 de maio de 2008 at 12:47

Publicado em Educação

Presidente se licencia em viagem a Turquia

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 O presidente do “Instituto Educar para a Paz”, Israel de Santana, 25, estará se licenciando do cargo nos próximos dias em função de uma viagem à Turquia onde irá desenvolver sua arte.
Muitos anos antes, durante uma reunião do Conseg do 64º DP, conselho de segurança em que o então delegado titular, Dr. Marco Antonio Cicone participava, um  jovem fez uma intervenção lembrando da falta de espaços onde crianças e adolescentes pudessem se reunir para a prática da capoeira, por exemplo. Era o Israel.
Foi à partir daí que o Instituto fez todos os esforços para viabilizar espaços e recursos para que a prática orientada da capoeira fosse possível durante todos esses anos chegando a trabalhar com mais de 400 crianças do entorno da Cidade A E Carvalho. De novo: quem dava as aulas era o Israel.
Agora como resultado desse trabalho comunitário e depreendido do presidente o reconhecimento. Embarca brevemente para a Turquia, agenciado por uma empresa brasileira para desenvolver o mesmo trabalho que ainda faz por aqui, ensinar Capoeira e Maculelê, ou seja, o jovem Israel expande seus horizontes e será uma espécie de embaixador da entidade naquela terra distante.
Os membros do “Instituto Educar para a Paz” desejam muito sucesso ao Israel. (JMN)
 
 
 
Israel está à esquerda,acima e ao centro de camisa azul na foto onde estão: Gonzales, não identificado; Lelis, Ivone Luppi, Israel, Luciene e Cicone acima. Agachados: não identificado e Gerry de barba

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14 de maio de 2008 at 12:43

Publicado em Organizações

Revisitando o Rock, do Educar para a Paz dá resultado positivo

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 Poderia ainda ter sido ainda melhor o evento promovido pelo Instituto Educar para a Paz no dia 9/05 na Cidade A. E. Carvalho. Bastava o tempo (muito frio) ter colaborado; uma divulgação mais intensiva e esforço na venda dos convites por parte dos voluntários; registre-se que a maioria não tem tempo sobrando. Apesar disso tudo, a festa foi um sucesso e atingiu seus objetivos.
O Instituto Educar para a Paz foi criado em 2002, por um grupo de pessoas junto com o Marco Antonio Cicone, então delegado titular do 64º DP da Avenida Águia de Haia, principal avenida que corta o bairro que está inserido nos bairros da Penha, Itaquera, Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista. Na ocasião se propôs a trabalhar com crianças e jovens, principalmente em atividades lúdicas e de esportes aos finais de semana, além de outras ações comunitárias até ser reconhecida como uma entidade presente e atuante.
Foi também por esse reconhecimento que se garantiu a presença de mais de 150 pessoas no Salão de Festas Liberal, gentilmente cedido para o evento, onde se descontraíram a noite toda. Evento familiar os presentes puderam ouvir, cantar junto e dançar sucessos de rock in roll desde a década de 60. Entre essa mais de uma centena de pessoas estiveram presentes muitos membros da Ordem dos Advogados do Brasil seção Itaquera incluindo o seu presidente Antonio Jorge Marques. Presidentes de sociedade amigos de bairros, como o Sr. Benedito, do Jardim Morgante; o presidente do Rotary Clube São Mateus e Clube de Diretores Lojistas de São Mateus, Carlos Soler e o delegado titular do 54º DP Marcos Luiz Gomes e outros.
Se a festa foi um sucesso; mesmo correndo o risco de cometer alguma injustiça, é preciso destacar a enorme contribuição da diretora da EMEI Vicente Mateus, Luciene Lopes Candeas; da diretora em exercício da EMEF 8 de Maio, Ivone Luppi; da vice-diretora do CEU Lajeado, Edilaine Donabella Britto; do quase anônimo senhor Cruz e sua equipe que segurou o serviço do bar; dos empresários Francisco Ricardo Gonzáles; Lelis Rodrigues de Araújo e Manuel Ribeiro que cuidou da parte da sonorização e do delegado Cicone que se esforçaram para dar conta das tarefas e resolver os problemas de última hora. Naturalmente, houve outras colaborações, entretanto estas são destaques por merecimento.
Nova diretoria toma posse
O evento também foi à oportunidade de apresentar parte da executiva que tomou posse recentemente através de indicações em assembléia interna. Para a presidência foi indicado Israel de Santana, monitor de capoeira; na vice, José Gerry, artista plástico e também membro do Grupo de Estudos Águia de Haia; na secretaria-geral Francisco Ricardo Gonzáles; na tesouraria, Lelis Rodrigues de Araújo e outro diretor Manuel Ribeiro.
“Isto é apenas rock in roll”
Se tem alguma coisa a se lamentar foi à presença aquém do esperado. Tempo, pouca divulgação, poucos convites vendidos fizeram com que apenas umas 150 pessoas pudessem participar de uma ótima festa, num tremendo bom astral ao som do velho e bom rock, animados por uma banda local que a reportagem não conseguiu apurar o nome. O que tinham de sobra era repertório para fazer balançar as cadeiras de muita gente. Como se fosse pouco, quando a banda parava para tomar um fôlego, os presentes continuavam dançando em passos coreografados músicas de sucessos que apareciam no telão. Enfim, diversão familiar de boa qualidade.
Balanço aponta resultado positivo
Apesar das dificuldades, o resultado financeiro ainda foi possível e deve ajudar a manutenção das contas em dia e no pagamento das despesas corriqueiras do instituto durante um breve período, segundo apurou-se em reunião ordinária na sede ocorrida dia 13/05 com a presença de 19 participantes. A reunião também foi pautada por uma avaliação interna do evento. Uma das conclusões foi a de que os convidados que puderam participar gostaram e se divertiram muito, portanto, mais um resultado positivo. (JMN)
 

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14 de maio de 2008 at 12:40

Publicado em Organizações

TV no feriadão é um horror!

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Jamais consegui entender. Por que as nossas TVs ignoram os fins de semana prolongados? Por que não transmitem eventos, produzem programas especiais ou lançam filmes durante estes longos períodos de ócio forçado? Ou será que é o contrário? Talvez, o pior da programação seja reservado exatamente para esses dias. Fica a impressão de que os responsáveis pela programação de nossas TVs fazem questão de colocar o que há de pior exatamente nestes períodos. A audiência cativa não merece nada melhor. Mas o problema talvez esteja na própria idéia de “grade” de programação. Ela aprisiona a programação e o público e se torna indiferente às situações excepcionais como os longos feriados.

Não temos acesso a pesquisas específicas. Mas nesses dias por falta de opções, milhões de brasileiros se tornam reféns da telinha. Deve haver um grande aumento de público. Nem todos podem viajar ou sair de casa. Para esse enorme público adicional, a televisão é a única fonte de lazer e entretenimento. A situação é particularmente ruim para o público infantil. Se os adultos são reféns da TV, as crianças são suas prisioneiras. Ainda mais durante as manhãs e tardes dos longos feriados.

Esse acréscimo de público certamente aumenta a audiência e o faturamento das emissoras. Mas seria importante saber se esses telespectadores estão “satisfeitos” com os  programas a que assistem. Ainda mais durante os dias de folga. Afinal, a audiência não pode ser a única referência para medirmos o interesse e a satisfação do público de TV.

Por outro lado, muitas pessoas se tornam indiferentes ao que vêem. Elas utilizam a TV para “matar o tempo”. Não conseguem mais desligar o aparelho e podem ser consideradas audiência cativa ou viciada. Para esses telespectadores, tanto faz. Qualquer coisa é melhor do que a realidade.

Time out

Mas há certamente muitas pessoas que são forçadas a assistir TV durante os longos feriados e que não gostam dos programas exibidos.

Este último feriadão foi um horror. Resolvi conferir a programação matinal e vespertina e mais uma vez fiquei chocado. É um festival de programas ruins e total descaso com o público. Talvez os programadores pensem que o telespectador brasileiro não mereça nada melhor nestes dias de ócio.

Mas nem todas as TVs do mundo são indiferentes ou reservam o pior da programação para os feriados prolongados. Muito pelo contrário. Em países como a Inglaterra, o público de TV é contemplado com programas especialmente produzidos para essa época. A programação das TVs britânicas não é indiferente aos feriados. São tantas opções que fica difícil escolher. A solução é recorrer ao guia de TV  do velho Time Out, uma das melhores e mais populares revistas do Reino Unido. O título da publicação já diz tudo. Além de excelente guia da cidade de Londres, Time Out anuncia os lançamentos de TV. Os programas são previamente vistos e criticados por jornalistas competentes, exigentes e talentosos. Mas suas críticas também podem ser “ferozes”. Time Out é referência de qualidade para milhões de leitores e telespectadores.

Horror

Há uma enorme variedade de programas de TV durante os feriados britânicos. Tem de tudo para todos. Lançamento de filmes de longa metragem, séries, dramas, documentários, musicais e excelentes programas humorísticos. Os britânicos levam o humor muito a sério. Ainda mais no rádio e na TV. Importante destacar os programas especiais de feriados com o  nosso conhecido Mr. Bean e impossível não lembrar os melhores momentos do grupo Monty Python. Quem não conhece não sabe o que está perdendo! 

Ou seja, tem muita coisa boa, mas também tem muita coisa ruim. Mas certamente não há descaso com o público ou indiferença às peculiaridades desses dias de folga por parte dos programadores de TV britânicos.

Mas essa qualidade de programação talvez se explique pela falta de uma “grade” rígida na TV britânica. É claro que há muitos programas com horários fixos como os telejornais, por exemplo. Mas não uma rigidez na programação. Nunca se sabe com certeza o que vai ser exibido. Há muito espaço para boas e más surpresas na programação diária dos principais canais de TV britânicos. No Reino Unido, todas as TVs, públicas e privadas, são monitoradas pela sociedade e por agências reguladoras como o OFCOM. A qualidade da programação de TV é considerada questão estratégica. Mas ser você quiser saber mais a respeito da TV britânica, recomendo o livro sobre a BBC do Prof. Laurindo Lalo Leal Filho, “A Melhor TV do Mundo – O Modelo Britânico de Televisão” pela Editora Summus. Tudo a ver.  

Finais

O pior dos longos feriados na frente da telinha é ter que assistir a programação nossa vespertina. Difícil dizer qual é o pior. Os tais programas para “mulheres” ou desempregados e programas sobre violência abusam das baixarias e ainda mais da “chatura”. São, sem dúvida, os piores programas da nossa TV. E o que mais me surpreende é como os próprios apresentadores ignoram a situação particular de um longo feriadão. Insisto. Merece uma pesquisa mais específica, mas tenho certeza de que a audiência de TV cresce muito nos longos feriados. Nem todos podem ou conseguem se afastar de casa ou da telinha nesses longos períodos de ócio.

A situação deve ser ainda pior para as crianças. Com pais cada vez mais ocupados e endividados e com tanta violência nas ruas, deve ser difícil fazer um programa alternativo de lazer. TV no feriadão, apesar de um horror, ainda deve ser a solução.

Assistir TV aberta, principalmente a programação vespertina, é uma tortura. Todos os canais públicos e privados ignoram os feriadões.

Ainda bem que a transmissão ao vivo das finais dos campeonatos estaduais de futebol salvaram o que teria sido um completo desastre. Show de bola e de televisão. Mais uma vez, o futebol salva a TV e o feriadão.  Antonio Brasil é jornalista, professor de jornalismo da UERJ e professor visitante da Rutgers, The State University of New Jersey.

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8 de maio de 2008 at 10:50

Publicado em Entretenimento

Brasil – Agricultura e especulação

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Um calafrio percorre o mundo. Está faltando alimentos. E os que existem estão se tornando muito caros. Só num ano o trigo subiu 130%. E na Ásia o arroz duplicou de preço em três meses.
Segundo cálculos da FAO, esta subida de preços aumentou o número dos famintos em cem milhões, que se acrescentam aos 845 milhões já existentes antes da crise atual.
O que está acontecendo?
A pergunta é pertinente. Analisando melhor alguns dados, salta aos olhos que na origem desta  crise existem distorções que precisam ser identificadas, denunciadas e corrigidas.
Em 2007 a produção mundial de grãos foi de 2 bilhões e 300 milhões de toneladas. Um aumento de quatro por cento sobre o ano anterior. Portanto, a crise não vem da diminuição da safra.
De 1961 a 2007 a produção de grãos no mundo triplicou, enquanto a população somente duplicou. São dados que precisam estar presentes numa análise atenta para compreender o que se passa.
O Brasil se orgulha de ser um país exportador de grãos. Calcula-se que a safra de grãos neste ano chegará a 139 milhões de toneladas. Parece muito. Mas é pouco. Os Estados Unidos, só de trigo produzem 150 milhões de toneladas. No Brasil existem terras ociosas, em toda parte. Por que não são cultivadas?
A crise atual denuncia o desvirtuamento da agricultura, em todo o seu processo produtivo. É preciso voltar ao bom senso, e recuperar a finalidade primordial da agricultura, que é a de produzir alimentos para saciar a fome da humanidade. E não fazer dela um mercado lucrativo para os que especulam com a fome das pessoas.
Introduziu-se na agricultura a especulação financeira. De acordo com Paul Waldie, no ano dois mil havia perto de cinco bilhões de dólares apostando na variação dos preços agrícolas. Dinheiro que não se destinava a comprar nenhuma tonelada física, mas só especulava em cima da variação de preços. Em 2007 este número saltou para 175 bilhões de dólares, aplicados na especulação que produz lucros às custas das manobras para aumento dos preços agrícolas.
Esta a primeira perversão da agricultura. A agricultura se tornou um negócio especulativo. No Brasil esta especulação se materializa na concentração em quatro ou cinco grandes companhias transnacionais que dominam o mercado exportador de grãos. A agricultura virou negócio especulativo.
Outra perversão está no sistema produtivo. Quem mais produz alimentos, está provado, é a agricultura familiar. A produção de alimentos supõe um relacionamento efetivo e afetivo do agricultor com a terra. Este relacionamento torna viável a permanência do agricultor em sua propriedade, para nela cuidar da plantação com a dedicação e competência que ela requer. Mas o governo prefere se encantar com as grandes empresas, que fazer da agricultura o "agro negócio", cujos parâmetros de eficiência são o lucro, não o atendimento das necessidades de alimentos da população.
Mas, em cima da agricultura caem outras especulações, sobretudo através do preço dos insumos. A desculpa para o seu constante aumento era o preço do dólar, dado que muitos dos seus ingredientes precisam ser importados. Agora o dólar baixou. Mas os insumos continuam subindo. De tal modo que o agricultor continua apertado. Diante desta situação, o governo permanece na inércia, reverenciando submisso as "leis do mercado", que não podem ser alteradas pelo Estado.
A crise é sinal de alerta para, se repensar por inteiro a agricultura. De vez em quando a própria realidade se encarrega de sacudir as consciências e convocar para o bom senso. Na Campanha da Fraternidade deste ano constatamos a urgência de escolher a vida. Agora, a crise de alimentos nos ensina que é a realidade que nos escolhe, nos adverte, se em tempo queremos entender os apelos que ela nos faz.
Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales, São Paulo.

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8 de maio de 2008 at 10:48

Publicado em Abastecimento

Ciência tem opções que dispensam uso de células-tronco embrionárias, diz pesquisadora

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Avanços científicos recentes indicam que é desnecessário usar embriões congelados para obter resultados com células-tronco. A avaliação é de Alice Teixeira Ferreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ela, em 2005, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança no país, autorizando as pesquisas com células-tronco embrionárias, já se sabia de suas limitações, como a ocorrência de rejeição e tumores. No entanto, resultados obtidos por cientistas a partir do ano passado vêm mostrando que o material pode ser ser substituído com vantagens pelas células-tronco adultas, obtidas a partir do líquido amniótico que envolve bebê numa gestação, do cordão umbilical e da medula óssea.
Ao participar dia 5/5, em Brasília, da divulgação da Declaração de Brasília, documento contra o uso das células embrionárias, a pesquisadora destacou que dois estudos concluídos em 2007 (um nos Estudos Unidos e outro no Japão) mostraram que células-tronco adultas podem ser reprogramadas e adquirirem potencial idêntico ao das embrionárias: o de assumir um tipo desejado de função (óssea, muscular, nervosa, por exemplo) e, reproduzindo-se, substituir células doentes no organismo.
“Para que vou precisar agora de células embrionárias humanas?“, questionou Alice Ferreira. Segundo ela, as células-tronco adultas já estão sendo usadas experimentalmente em cerca de 20 mil pacientes no mundo para o tratamento de 73 doenças degenerativas.
De acordo com o material divulgado na apresentação da Declaração de Brasília, pesquisadores conseguiram transformar células de cordão umbilical em células nervosas, o que antes parecia ser uma possibilidade apenas das células embrionárias.
Outro dado citado é que, no Brasil, o pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fundação Osvaldo Cruz na Bahia, transplantou células de medula óssea em dois gatos paraplégicos que estão voltando a andar.
Alice Ferreira salientou que muitos cientistas brasileiros defendem o uso embriões para pesquisa básica, ou seja, para estudar o desenvolvimento de células embrionárias, e não para buscar o tratamento de doenças. Segundo ela, esse tipo de pesquisa pode ser realizado facilmente com células do líquido amniótico, que podem ser retiradas das gestantes quando elas são submetidas a parto por cesáreas, sem implicar na utilização de embriões.

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6 de maio de 2008 at 9:47

Publicado em Notícias e política

Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável

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A 25 quilômetros de Brasília, uma área de cerrado quase intacta abriga construções de barro com telhados gramados, aproveitamento de água da chuva e produção de alimentos sem agroquímicos, numa paisagem que nem de longe lembra a capital de concreto do Plano Piloto e da Esplanada dos Ministérios.
Erguida com técnicas de “bioconstrução”, a Chácara Asa Branca é uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente e “uso ético” dos recursos naturais e dos bens de consumo, de acordo com o administrador Leandro Jacinto, um dos proprietários da área.
“A idéia não era chegar e ‘limpar o terreno’. É o contrário, as mudanças que fazemos têm a intenção de preservar o ambiente, e até melhorá-lo. O impacto passa a ser positivo”, relata.
“Temos três éticas na permacultura: cuidado com as pessoas, cuidado com a Terra e distribuição dos excedentes”, destaca Leandro Jacinto. Segundo ele, pensar a “arquitetura humana” com sustentabilidade é uma maneira de contribuir para "atenuar problemas mundiais, como a escassez de água, as restrições à produção de alimentos e até mesmo o aquecimento do planeta".
A sustentabilidade das construções também é aplicada nas soluções de saneamento básico. A água da chuva é armazenada em três grandes reservatórios, construídos com técnicas da permacultura. “É água suficiente para seis meses, sem precisar de outras fontes de abastecimento”, aponta Jacinto.
Nos banheiros, a descarga tradicional – que utiliza água potável – foi substituída por um sistema de compostagem: os resíduos são misturados à serragem e depois de passar por um processo químico natural, são transformados em adubo orgânico para hortas e jardins. A irrigação com água da chuva e a adubação natural garantem a produção de hortaliças, leguminosas e frutas, para consumo da chácara. A meta dos moradores – três famílias atualmente – é ter 60% da sua alimentação produzida no local.
“A gente busca solução para vários problemas, de forma simples e reaplicável. Acreditamos que é possível ser responsável pela nossa própria existência”, sugere Jacinto.
LEGENDA: Leandro Jacinto, administrador da Chácara Asa Branca, uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente

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6 de maio de 2008 at 9:43

Publicado em Meio Ambiente

Vila Bela e o risco iminente da ocorrência de casos de dengue

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A Vila Bela no distrito de São Mateus, conforme lembrada em várias reportagens nesta Gazeta é uma ocupação que já completa mais de uma dezena de anos e para onde acorreram milhares de famílias sem moradia até então. Também é sabido que se trata de uma área de propriedade privada da família de Antonio Mikail e que ainda não tem uma solução final para as partes envolvidas. Nem a família de Mikail tem ressarcido os valores da terra, nem os moradores têm a propriedade legal de suas casas.
Dezenas de iniciativas já foram tentadas durante diversas gestões de governos municipais sem, contudo apresentarem soluções definitivas e duradouras para os envolvidos. Resumidamente, os proprietários querem que a Prefeitura ou Governo do Estado compre a área a preços de mercado e venda subsidiadamente aos atuais ocupantes da área de forma facilitada. Os moradores querem pagar pouquinho ou não pagar nada e os governos, por sua vez, não concordam com o pagamento a preços de mercado para resumir por aqui.
Essa questão, entretanto, não é o foco dessa matéria, mesmo porque nesse aspecto têm diversas vertentes que precisariam se observadas como, por exemplo, a indisposição de algumas lideranças da comunidade na maior parte das vezes incitadas por interesses políticos contra a Prefeitura ou a subprefeitura local cobrando intervenção e iniciativas de manutenção no local que, por lei, eles não poderiam fazer por tratar-se de terreno de particular em litígio. Na mesma linha, mas em sentido contrário, tem alguns políticos da própria situação que diante da fragilidade situacional daquela comunidade prometem tomar providências que não lhes cabe competência para tal. Uns vão enganando alguns que vão enganando outros.
É fato e de direito que existem leis, federais principalmente, que tem como objeto soluções para conflitos urbanos como esse e que eles podem ser encaminhados num acordo entre as diversas instâncias de governos federal, estadual e municipal que pela configuração partidária atual nem sempre é tão simples de se equacionar. Isso, entretanto, não é o suficiente para que a população ali residente transfira a culpa para os governos pura e simplesmente. Na essência da questão está à ocupação irregular de terras de particulares, por isso é bom, cada parte, aceitar suas responsabilidades no imbróglio.
Mas, e agora?
Apesar das considerações gerais acima, a Vila Bela se encontra diante de uma situação que desconhece os limites da lei e das vontades dos envolvidos sejam políticos ou não. Aquela população se encontra hoje diante de um eminente risco de transforma-se num micro Rio de Janeiro com sua epidemia de dengue.
É publico e notório para quem conhece a Vila Bela que a maior parte do abastecimento de água para as moradias é feita através de quilômetros de improvisadas mangueiras que ficam à vista de todos sob a flor do terreno, na maioria das vezes com pequenos furos que são tampados de maneira totalmente improvisada. Próximas às mangueiras furadas se formam dezenas de poças de água ainda não pútrida que servem de criadouro para a larva do Aedes Egypty.
Não basta a precariedade das moradias, o criadouro de moscas, ratos e outras pragas que brotam do excesso de lixo orgânico despejados em diversos pontos sem o devido reconhecimento e a invasão de dejetos e objetos inservíveis nos pequenos e sufocados córregos que ainda insistem em continuar correndo pela área, agora a Vila Bela não saneada e abandonada pode tornar-se o ponto de partida de uma epidemia que pode atingir para além de suas fronteiras. Como fica a saúde pública diante da possibilidade de isso ocorrer?
Naturalmente a periferia paulistana apresenta um cem número de áreas onde possa ser eminente à mesma possibilidade, entretanto, para os são-mateuenses responsáveis essa é mais uma preocupação que passa a fazer parte do seu dia-a-dia. Tanto pela situação daquela própria comunidade quanto o restante desse pedaço da zona leste.
Apesar de termos certeza de a maioria dos moradores da Vila Bela está fazendo sua parte no combate a dengue, a pergunta que não que calar é: O Estado vai se omitir desse enfrentamento por conta de restrições legais?
 

Written by Página Leste

27 de abril de 2008 at 19:00

Publicado em Saúde e bem-estar