Empreiteira atrasa entrega de obra na Vila União
Segundo informa Cristina Maria Araújo, da comissão de moradores da Vila União, no Jardim Santa Bárbara, São Mateus a Construtora Beter S/A contratada pela Secretaria da Habitação da Prefeitura para entregar a obra de urbanização já está atrasada dentro do cronograma previsto. A situação tem deixado as mais de 200 famílias que lá moram apreensivas.
A Vila União é uma entre as diversas favelas cuja possibilidade de urbanização foi decidida desde a gestão municipal anterior, entretanto, só agora ao final de 2007, em outubro que a construtora iniciou os trabalhos de abertura de ruas, colocação de tubulação para posterior ligação de esgoto pela Sabesp. “Depois de iniciada a obra tinha previsão de término em oito meses, entretanto estamos quase completando um ano, em outubro próximo, mas pelo que se observa do ritmo diário é perigoso até da obra parar”, explica Cristina.
Poucos funcionários da empresa estavam na obra até recentemente; agora, apenas um zelador está no local e não tem como informar o que vem acontecendo, segundo a moradora. Até mesmo as assistentes sociais de Habi Leste que tinham uma rotina semanal na comunidade deixaram de aparecer. Ainda segundo a liderança em uma reunião com representantes da secretaria da Habitação ficaram sabendo que havia ocorrido uma eventual reunião entre o secretário municipal e representante da empresa e que de lá veio à informação que a empreiteira estaria com problemas financeiros e dívidas com fornecedores. Na mesma reunião, ainda conforme foi informada a perspectiva era de que a obra terminaria agora em julho. O que preocupa a moradora é a sensação de lentidão e abandono que a obra vem passando a comunidade.
Além dessa indecisão, houve mudanças no projeto inicial apresentado junto com os moradores lá atrás e uma praça até corria o risco de não ser feita durante a urbanização. “A comunidade mediu os espaços e prevíamos uma pequena praça, espaço para uma creche e vamos tentar manter o projeto original”, esclarece. Também uma área havia sido pedida para a instalação de uma associação, mas a possibilidade disso ocorrer é remota. Mesmo a praça, ainda segundo Cristina criou-se um cisma na comunidade com um condomínio próximo ao local não vendo com bons olhos a instalação dela. “O receio deles é que a praça possa ser usada por desocupados, etc.”. Essa é outra situação que terá que ser negociada entre as partes, mesmo porque a urbanização, se ocorrer, precisa reservar espaços públicos e a praça é um deles. Outro aspecto lembrado pela Cristina é que algumas pessoas da Vila União já comentaram que as pessoas do condomínio não querem a praça perto deles e que seja pública porque eles já têm os espaços privados deles dentro do condomínio.
O que é o Programa de Urbanização de Favelas
Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Habitação o Programa tem como foco a urbanização e a regularização fundiária de áreas degradadas, ocupadas desordenadamente e sem infra-estrutura. O objetivo é transformar favelas e loteamentos irregulares em bairros, garantindo a seus moradores o acesso à cidade formal, com ruas asfaltadas, saneamento básico, iluminação e serviços públicos.
Urbanizar é levar infra-estrutura urbana a essas áreas, como abrir e pavimentar ruas, instalar iluminação pública, construir redes de água e de esgoto e criar áreas verdes e de lazer, além de espaço para escola, creche e posto de saúde. A urbanização dessas áreas é estratégica, pois também garante o acesso à saúde e à segurança, na medida em que ambulâncias e policiamento têm acesso a esses locais, antes degradados, sem ruas pavimentadas, calçadas, vielas etc.
A urbanização é indispensável para a regularização fundiária dessas áreas que, por sua vez, é fundamental para promover a inserção dessa população no contexto legal da cidade. Este é o maior Programa de Regularização Urbanística e Fundiária do país e abrange ainda loteamentos irregulares e precários.
Publicado na Gazeta São Mateus – 2a quinzena/junho/08
Meio Ambiente é tema da Escola Estadual Jardim Iguatemi
A situação da Escola Estadual Jardim Iguatemi que apresentou o seu Projeto pedagógico para 2008 pode ficar complicada em função do traçado previsto para a Jacu Pêssego contemplar a instalação de um viaduto ou elevado que praticamente vai passar por sobre a escola, quando poderia estar mais a frente, comentou a diretora Suzi Ribeiro em entrevista a Gazeta de São Mateus.
“Temos 1200 alunos no ensino médio, 600 no ensino fundamental e cerca de 200 nas tele-salas de adultos e se isso ocorrer como está previsto teremos conviver com muito barulho e agitação que prejudica o aprendizado e a condição da escola se manter com a qualidade que tem hoje”, diz na esperança de que o projeto seja revisto senão ficará inviável.
Se a situação pode ficar ruim, hoje, entretanto, a escola é reconhecida atualmente como uma das melhores da região. Tanto é assim que ela já foi objetivo de reportagem de uma grande revista semanal que tinha como pauta propostas pedagógicas inovadoras e de bons resultados. “Foi a secretaria de Estado da Educação que indicou a nossa escola. O que muito nos orgulha”, registra Suzi.
E as razões disso são até simples. Basicamente envolvimento de professores, operacionais, diretoria da escola motivadas e interessadas e alunos idem que reconhecem o valor da escola enquanto estabelecimento e a relação respeitosa e participativa que ali se pratica.
Com uma postura peculiar a escola apresenta desde 2002 projetos pedagógicos multidisciplinares que envolvem todos os participantes da escola em ações durante todo o ano. O primeiro deles, segundo explica a diretora foi que cada sala adotaria um artista plástico, pintor famoso, no caso e sobre eles o ano todo era trabalhado a biografia, conhecimento das obras, interpretação, etc. Naquele ano o projeto foi finalizado com a pintura externa de 250 metros de muros com 58 obras de arte. A ação teve repercussão grande na comunidade;
Em 2004 foi a vez de trabalhar os escritores nos mesmos padrões com cada sala se envolvendo com um, entretanto, teve visita a bibliotecas e os alunos leram naquele ano, pelo menos um livro cada um. Concursos literários, de cartas e leituras em todos os grupos com interpretação de texto, oficinas e muita investigação aconteceram.
Em 2004, aniversário de São Mateus, a escola foi uma das poucas que desfilaram no evento apresentando o envolvimento da comunidade escolar com o assunto do ano que eram as olimpíadas. De novo, salas, pesquisas sobre vários aspectos dos paises envolvidos, manifestações culturais fizeram parte das atividades daquele ano.
Em 2005, ainda pra mantermos o retrospecto e comemorando o Ano Internacional da Física foram realizados fórum e simpósios científicos com a participação da comunidade acadêmica, professores da USP e da Unifesp. Também este ano o muro da escola foi pintado com o tema das contribuições dos cientistas para a humanidade. As obras eram explicadas pelos seus autores aos interessados. Uma feira de ciências fez parte do cardápio do ano com participação ativa da escola e comunidade.
Mais maduros
“Em 2006 achamos que estavam maduros e abordamos a Filosofia. Alguns alunos entraram em parafuso desde as 5ª até os 3º anos com a questão da Filosofia”, comenta a diretora. De novo ocorreram encontros: um fórum e um simpósio filosófico. “No fórum sentou-se de um lado um filosofo da USP, Gabriel Perissè e de outro uma aluna da 5ª série que falariam sobre o pensamento de um filosofo espanhol chamado Quintas. Primeiro apresentou-se a aluna. Quando o Gabriel pegou o microfone ele disse ‘vou falar o que se a Sara já falou tudo’”, ri. O aluno discutiu com o mestre igualdade de condições evidenciando que o interesse dos alunos e o acerto da proposta davam resultados.
“Em 2007 tendo como pano de fundo o Panamericano trabalhamos os atletas, houve até concurso de logo e slogan e foram premiados alunos que até já tinham saído da escola, formados, mas que voltaram para a premiação. Trouxemos atletas, houve tele-salas. Em uma das salas tínhamos um cadeirante. Essa sala escolheu um nadador cadeirante com necessidades especiais e conhecendo o esforço destes para vencer as limitações. Conhecer a figura do atleta até ajudou a convivência interna entre os alunos”, frisou.
Projeto em 2008 chama atenção para o meio ambiente
Com o tema Amazônia: o mundo novamente verde foi a vez de a escola apresentar no Céu São Mateus no dia 15/05 o projeto para este ano.
Segundo explicou a diretora à escola está praticamente fechando um círculo, pois nos anos anteriores estudaram várias matérias e entende que a questão do meio ambiente contempla todas as demais. “A aceitação entre professores foi unânime e também houve votação para o slogan e imagem que é uma folha do ecossistema com uma gota de orvalho sobre ela, mas que dentro da gota aparece o planeta terra”, explica.
Alguns professores junto com a diretora estiveram na Amazônia rural, numa região conhecida como Castanhal, no Pará como parte de um programa de intercâmbio onde aprenderam e conviveram com os costumes locais das diversas comunidades, assentamentos e agrovilas. Posteriormente professores daquela localidade vieram conhecer a situação na cidade de São Paulo. Do contato, explica a diretora, o compromisso com o meio ambiente se aprofundou entre os participantes. “A Amazônia ficou em nosso coração”, disse.
Para a diretora, entretanto, o projeto pedagógico deste ano quer pensar o planeta, pensar a região amazônica, mas quer agir localmente e pretende trabalhar forte na conscientização de alunos, famílias e comunidades sobre o que cada qual pode fazer pela preservação local. “A idéia é que as pessoas adquiram uma visão de responsabilidade para com o meio ambiente”, diz.
“Nosso projeto foi aberto no CEU e já fizemos à pintura do muro da escola O próximo passo é levar essa reflexão para outros lugares. Cada sala tem um nome e um tema. Fauna, flora, economia, demografia, etc. Cada sala colocou no muro a idéia de conhecimento e conscientização. Agora estão estudando realizar um fórum interno de discussão, alunos, professores e depois sair do entorno da escola”, vai explicando Suze que ainda quer conseguir 50 casas para levar essa idéia da pintura com conscientização.
Publicado na Gazeta São Mateus – 2a quinzena/junho/08
Balanço da operação Satura
“O que a gente pode concluir é que quando a polícia sair daqui o Estado não vai virar as costas para a região é inicio de uma virada social”. Tenente Coronel Altair
Completando 13 dias de operações que a Polícia Militar vem realizando na região de São Mateus como parte de um procedimento coordenado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Governo do Estado os números oferecidos pele Tenente Coronel Altair, responsável pela área da Segurança impressionam.
Segundo o tenente coronel foram vistoriados 5600 veículos e 111 mil pessoas abordadas e 40 ocorrências. Nove presos foram recapturados e voltaram para o sistema prisional, houve cinco ocorrências de tráfico com a prisão de 13 adultos e um menor. “Na soma dessas ocorrências aprendemos quase 10 quilos de maconha, 1 quilo de crack, 143 quilos de cocaína, 8 litros da lança perfumes 40 mil ienes (dinheiro japonês), 200 dólares e 200 mil reais”, precisa.
Foram ainda presas 32 pessoas em flagrante delito e 50 pessoas envolvidos em crimes e atos infracionais. Seis armas apreendidas, 140 cartuchos e 67 mil peças para periciamento. Veículos furtados foram apreendidos quatro com cinco pessoas presas e quatro ocorrências de receptação com quatro presos. Esses são os números rigorosos de 13 dias de operação, segundo informa o tenente coronel.
Segundo o coronel, é importante as pessoas saberem que não se trata de uma operação policial isolada. “Depois da nossa saída da região que só o secretário de Segurança pode determinar, tenho certeza que o Estado não vai virar as costas para São Mateus”, quando perguntado pela reportagem até quando ficarão na região. Tanto é assim que pela própria corporação estão sendo prestados atendimentos odontológicos para crianças carentes da região. “Já foram atendidas 82 crianças num universo de 102 crianças com 246 procedimentos de emergência, curativos, aplicação de flúor ou outros”, voltando aos números.
Também nas escolas já foram feitas algumas apresentação do canil da Polícia Militar como estão previstas a participação do Corpo de Bombeiros para palestras sobre alguns cuidados para evitar acidentes. Palestras médicas também serão realizadas pelo corpo médico da PM. A idéia geral que norteia essas ações paralelas e construir formas de cooperação da comunidade com a polícia. “As pessoas de bem não tem que ficar assustadas com esses procedimentos”, explica o coronel, apesar do volume e presença grande da polícia deixar inquieto alguns e confortável outros.
O tenente coronel disse que o que está ocorrendo faz parte do programa Virada Social do o governo do estado que começa com a operação militar, mas que é o ponto de partida para que todas as secretarias enxerguem essa região e cada pasta estabeleça um rol de ações que possa colaborar com a região. “Nesse exato momento estamos numa fase de diagnósticos. Já tive reunião com representantes do governo, coordenada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social e tenho quase certeza que a área da cultura e esporte terão algumas pautas na região a curto, médio e longo prazo” registra.
Por fim, apesar dos números apresentados, o coronel diz que a Polícia Militar precisa contar com o apoio dos cidadãos para que denunciem as eventuais ocorrências de crimes de qualquer natureza para que ela possa averiguar e agir. Com relação a todas as ocorrências que demandam a abertura de inquéritos elas estão sendo feitas nas delegacias do distrito em ação conjunta e afinadas.
Publicado na Gazeta São Mateus 2a quinzena/junho/08
Conseg do 55º DP realiza mais uma reunião
Um número expressivo de pessoas, entre autoridades e lideranças de bairro participou da reunião de junho do Conseg 55oDP do Parque São Rafael realizada na Escola Municipal Cláudio Manoel da Costa dirigida pela sua presidente Fátima Magalhães.
Para compor a mesa, entre outros, Antonia Alice diretora da escola, o chefe de investigadores do 55oDP, Sisino representando o delegado titular que estava em uma diligência em outro local, o GCM Sd. Dias, o Tenente Lirion do COE da PM, Izaltino do Nascimento representando a subprefeitura de São Mateus, representante do Sp Trans, o coordenador geral dos conselhos de segurança Dr. Hioshiro e o Major Adriano, comandante do 38oBPM/M que encerrou a reunião.
Fazendo um rápido balanço da operação policial que vem sendo feita na região, o Tenente Lirion / COE disse que a idéia é coibir a ocorrência de crimes, durante o período ainda indeterminado da operação. Além de citar alguns números de ocorrências (veja detalhes em outra matéria desta edição) falou sobre o flagrante de um esconderijo onde se desmontava carros roubados em que foi encontrada cerca de uma tonelada de peças que foram armazenadas na subprefeitura. A operação toda reúne uma média diária de 400 policias na região.
Aparteado por uma liderança de nome Osvaldo que lembrou que faz trabalhos sociais nas favelas e áreas carentes e que ele próprio junto de outras lideranças foram abordadas por policiais que exigiram que exibissem documentos. Sr. Osvaldo na ocasião apresentou um crachá e mesmo que depois tenha sido esclarecido recomendou que a polícia se aproximasse melhor e não tratasse todos como suspeito. Quase na mesma direção, mas sem ter sido abordado apontou o pastor Edisio da Igreja Batista e diretor do Conseg que observou que ele faz muitas visitas a esses locais carentes, reafirmando que mesmo nesses locais tem gente decente.
Em defesa dos policiais o tenente Lirion explicou que esses procedimentos são normais e amparados por lei. “Claro que não pode haver confusão entre má educação e truculência e rigor na abordagem”, observa explicando que a lei determina que todos os cidadãos podem ser abordados pela polícia se assim ela achar necessária e que essa forma é aprovada por muito mais pessoas do que as que reprovam. Lembrou que a polícia também sabe que apesar dos lugares serem carentes nem todos os moradores são bandidos, para encerrar.
Explicando a virada social
Em sua fala, Bete Valente explicou que a ação em curso em São Mateus chama-se Virada Social; um programa do governo do Estado coordenado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social integrado com as outras secretarias e com a participação das entidades sociais. “Acreditamos que o combate à criminalidade não se faz apenas com a polícia é preciso mais inclusão social e onde tem mais incluídos p crime é raro. A intenção é aglutinar os serviços públicos e de entidades para objetivo comum melhorar a qualidade de vida” resumiu.
Outra participante explicou que em outras regiões da cidade onde ocorreram à mesma operação a situação melhorou. “Quando terminar aqui em São Mateus, temos certeza que o efeito bom vai ficar desde que o Estado esteja presente e a comunidade também participe e nesse sentido o Conseg tem um importante papel”, considerou.
Comunidade se manifesta
Retornando para a 1ª Cia. do 39BPM/M, o Capitão Mauro Rodrigues começou agradecendo o carinho que o Parque São Rafael sempre demonstrou para com ele. “Volto depois de 1,9 ano afastado e estamos estudando a área para atual da maneira correta” Agradeceu a presença da operação, entretanto lembrou que os trabalhos sociais e comunitários desenvolvidos pela PM na região entre 2005 e 2006 proporcionaram a queda dos índices de criminalidade.
Nesse momento a presidente do Conseg, Fátima Magalhães reforçou a fala do capitão e lembrou do delegado Marco Antonio Cicone que também fez ótimas ações comunitárias na região e por conseqüência até o Conseg acabou ganhando prêmios pelo trabalho com o qual contribuiu bastante. Para reforçar que a postura ainda é a mesma lembrou os presente do projeto Caguassu II, com um dia de plantio de árvores ao longo do Caguassu que será no dia 20 de setembro onde vão reunir a comunidade para o plantio das mudas doadas pela subprefeitura.
O investigador de polícia Sisino não soube responder as razões de tanto rodízio de delegados nos distritos da região, quando perguntados. Melhor ainda, considera que de fato isso atrapalha um trabalho mais bem feito, mas que essas remoções são definidas em esferas bem acima de uma delegacia de bairro. Explicou a diferença entre o trabalho da civil e da PM e reconheceu a pouca colaboração da população que poderia denunciar muito mais para ajudar o trabalho da polícia na segurança “Precisamos de informações e a colaboração tem sido pouca”, registra.
Ainda durante as apresentações
Representando a subprefeitura Izaltino do Nascimento disse que ia aguardar as demandas que seriam apresentadas mais à frente. Também uma conselheira tutelar de nome Edna eleita recentemente explicou rapidamente o trabalho dos conselheiros e se comprometeu a estreitar a relação com o conselho de segurança.
O major Adriano subcomandante do 38o BPM, último a falar na primeira parte reconheceu as transformações para melhor na região e agradeceu a colaboração dos órgãos públicos com a PM. “Com 28 anos de polícia, nunca vi tanto congraçamento e o caminho de vocês e suas reivindicações é o Conseg”, exaltou. Comentou rapidamente a presença da PM em outras ações que não de polícia necessariamente, citando o Proerd nas escolas como forma de ajudar a prevenir o uso de drogas por crianças e adolescentes.
Comunidade faz reivindicações
A intervenção da CET na Praça Delgado com a Rua Joana Gomes foi solicitada por conta do estacionamento e circulação irregular que vem sendo verificado no local. Sinalização horizontal já diminuiria o problema registra Oscar.
Outro cidadão de nome Luciano fez observações sobre mudança de itinerários de ônibus que explicaria pessoalmente ao representante da SP Trans. A instalação de um semáforo no encontro da Avenida dos Sertanistas com a Avenida Sapopemba era consenso a sua necessidade.
Vice-presidente do Conseg, o pastor Milton praticamente protestou contra a postura de alguns com relação à operação satura quando os que a comandavam se colocam a disposição para serem cobrados. Para o pastor a comunidade organizada e o Conseg não precisam reivindicar subalternamente para a operação algumas providências e lembrou do eficiente trabalho que o comando local, não o da operação, do Conseg e do delegado Cicone entre outros. “Queremos quem venha aqui para somar. Precisamos de parceiros para fazer juntos e não para desrespeitar os comandos distritais”, disse.
Um outro morador lembrou de uma lixeira pública em uma praça que vem causando problemas ao que o representante da subprefeitura ficou de verificar.
Uma intervenção próxima à adutora com a poda do mato e a construção de um passeio para facilitar a vida dos transeuntes foi pedida para próximo ao Parque das Flores. Outro presente relatou um caso de um traficante supostamente preso e que três dias depois já estava solto. Perguntado pelo policial presente sobre detalhes, a pessoa não soube informar. O parque das Flores também aguarda a instalação de uma base comunitária visto que o bairro não conta com nenhuma agência bancária ou casa lotérica. Crêem os presentes que a base comunitária daria mais segurança e poderia propiciar a entrada de novos serviços no bairro.
Respondendo as questões
Compelido a responder algumas intervenções o assessor de gabinete Izaltino Nascimento considerou temerário sair da reunião com essa impressão de que muita coisa se tem a fazer e nada tem sido feito. “Fica essa impressão que não fazemos nada, mas existe atendimento de saúde no Jd. Santo André tem obras no Jd. São Francisco, no Recanto Vale do Sol, etc., também lembrando que os recursos por maior que sejam sempre são escassos diante das reivindicações".
O Major Adriano ao final fez uma longa reflexão sobre a questão de a segurança ser responsabilidade de todos e sobre a necessidade das pessoas, mesmo as que tiverem suas reivindicações atendidas, continuarem organizadas no Conseg em busca do bem de toda a comunidade.
Finalizando o encontro a presidente do Conseg convidou todos para as comemorações da festa de aniversário do distrito que comemora 46 anos no dia 21/08 e passou as datas e locais das próximas reuniões: na Avenida Sapopemba, 16600 onde a operação satura está com uma base móvel e as duas seguintes em escolas da região.
Publicado na Gazeta São Mateus 2a quinzena junho 08
Bolsa família vai para quem precisa
A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) divulgada só agora e com pouca cobertura da grande imprensa trouxe informações que para mim, particularmente, me deixaram mais feliz e menos apreensiva.
A primeira delas é que os titulares do cartão Bolsa Família entre os que responderam a pesquisa, cerca de 95% não deixaram de fazer algum trabalho depois que passaram a receber a ajuda. A segunda é a revelação de que um em cada cinco atendidos pelo Bolsa Família passa fome, ou seja parcela significativa das famílias assistidas pelo programa Bolsa Família encontra-se ainda em situação de insegurança alimentar grave. Sendo clara: adultos ou crianças dessas famílias ainda passam fome. A terceira informação é a comprovação de que o programa chega às famílias mais pobres.
Sorte nossa a demonstração de que o programa está atendendo quem precisa atender. Seria mais um desaforo usarem os recursos provenientes do pagamento dos nossos impostos para bandalheiras.
O que a pesquisa aponta é que o programa está chegando às famílias que tradicionalmente estiveram à margem das políticas públicas. Melhor, assim. Se com a ajuda, mesmo que não seja muita coisa, que o Bolsa Família oferece às famílias carentes ainda existe muita situação difícil de sobrevivência, imagine sem essa ajuda então.
Em mais de uma oportunidade escutei as pessoas dizendo: “Agora que eles estão recebendo essa ajuda do governo não vão querer mais trabalhar”, ou então “O dinheiro que esse pessoal folgado está recebendo vem do nosso imposto” e outras frases até mais críticas e até preconceituosas. Confesso que sem as informações que agora a pesquisa disponibilizou, ficava difícil para qualquer um contra argumentar ou responder de maneira científica a opinião das pessoas.
Oras! se não havia provas, mesmo que a gente não gostasse até poderia, mesmo que remotamente, algumas dessas frases ser verdadeiras, felizmente não é bem assim. Pode até ter famílias de gente safada recebendo e até fazendo uso pouco exemplar da ajuda que o governo dá com nosso imposto, mas parece que na maioria esmagadora dos casos o auxílio está indo para quem precisa. E o que é ainda melhor; mesmo aqueles que precisam dessa ajudar não desistiram de sobreviver pelo seu próprio esforço. Nesse sentido era bom que houvesse emprego, trabalho ou renda para todo mundo teríamos menos assistência social.
Pena que não é assim e a pesquisa; de novo, esclarece. Menos da metade dos entrevistados (44%) tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa e o grau de informalidade, de acordo com o Ibase, é alto. Apenas 16% têm carteira assinada. Dentre os que não trabalharam no mês anterior à pesquisa, 68% estão desempregados há mais de um ano e apenas 23% buscaram trabalho neste mesmo mês. As entrevistas foram realizadas em setembro e outubro de 2007.
Outro dado preocupante e que acaba mais uma vez justificando a existência dessa ajuda, mesmo que provisoriamente, é que, de acordo com a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), há fome entre adultos e crianças em 21% das famílias assistidas, o que representa cerca de 2,3 milhões de famílias (11,5 milhões de pessoas). Outros 34%, ou seja, 3,8 milhões de famílias (o que significa um total de 18,9 milhões de pessoas) estão em situação de insegurança alimentar moderada. Isso significa que sofrem restrição na quantidade de alimentos na família.
Depois desses dados temos que concordar com o diretor do Ibase e coordenador do trabalho Francisco Menezes que disse que a pesquisa mostra que o programa trouxe benefícios, mas precisa ser aperfeiçoado associando-o a outras políticas públicas capazes de atacar problemas como a falta de saneamento básico e de acesso ao mercado formal de trabalho, fatores que interferem na insegurança alimentar.
Os malditos powerpoints que recebemos
Como costumam dizer os vendedores de balas ao adentrar os ônibus daqui do Rio, ‘desculpe interromper sua viagem’, mas o assunto hoje é rasteiro de dar dó.
Da mesma forma que o discurso dos vendedores de balas faz escorrer pelo ralo a paciência dos passageiros, as apresentações em PowerPoint que nossos amigos cismam em enviar por e-mail já concorrem à eleição de mal virtual da década. Haja saco.
Normalmente, são lindas paisagens acopladas a frases de efeito, que vão do Dalai Lama a Paulo Coelho, do best-seller ‘O Segredo’ a quem mais você puder imaginar. Ah, sim, e normalmente há música como acompanhamento! Quando é música clássica, eu sempre agradeço ao bom Deus; pelo menos nossos ouvidos são poupados.
Qual o problema em receber estes arquivos? Vários. Eles são terrivelmente constantes – diários, até – e extremamente pesados, chegando a vários megas que travam nossos computadores. E, por vezes (muitas, para ser sincero), você não entende o porquê de ser um ‘escolhido’. O que acontece, é claro, até o momento em que você percebe que os malditos PowerPoints são enviados a atacado, ou seja, simultaneamente para um mar de e-mails.
Há má intenção em quem os envia? Não, não é por aí. É gente de bem, sem dúvida; nossos amigos, ué! Por isso mesmo, imbuído de uma intenção muito além do ‘zen’, vou aqui em busca da Razão pela Qual Recebemos PowerPoints. Será que minha busca geraria uma… bem… apresentação em ppt?
MOTIVO 1 – ELES QUEREM MUDAR O MUNDO
Como abelhinhas polinizando o jardim, nossos amigos multiplicam a mensagem do Bem distribuindo PowerPoints. É uma versão online das velhinhas que, perto da minha casa, distribuem entre 6h e 7h da manhã o jornalzinho da igreja da qual fazem parte, e das quais eu e meu filho desviamos como ninjas quando o levo ao colégio. A diferença é que ainda não inventaram defesa pessoal para e-mails.
MOTIVO 2 – ELES TÊM UM RECADO PARA VOCÊ
Assim como os círculos de pedra de Stonehenge e a os estranhos desenhos feitos nas plantações de trigo do Reino Unido, os amigos que nos enviam PowerPoints querem dizer alguma coisa. É provável que eles estejam achando que estamos tristes ou distantes. Ou acham que ainda não somos pessoas de elevação espiritual compatível com nosso próprio potencial, e vão nos mostrar o caminho – e dá-lhe telas com pôr-do-sol e mensagens new age. Neste caso, contra-ataque a presunção de seu amigo com um daqueles vídeos escatológicos e engraçadíssimos que circulam pela Rede. Em nome da alegria, vale tudo, não é, Gafanhoto?
MOTIVO 3 – ELES NÃO ACHAM NADA DE MAIS
Credo, como você é exagerado. É apenas um arquivo de PowerPoint bonitinho que seu amigo repassou. Não há como entender tanto stress… Você lembra muito o vizinho de baixo do seu amigo, que anda reclamando da obra que seu ‘brother’ está fazendo há meses na cozinha de casa e que só é feita aos sábados… Nossa, como as pessoas andam nervosas, não é? Talvez aquela apresentação em PowerPoint novinha em folha – e com ‘apenas’ 2 mega – que ele acabou de descobrir dê jeito em você…
MOTIVO 4 – ELES SÃO SEUS PAIS
Se seus pais têm mais de 60 anos, aí você esquece cada linha do que eu escrevi e passa a achar tudo lindo. Afinal, no sentido sociológico da coisa, eles não sabem o que estão fazendo. Não dá para cobrar muito de uma geração que cresceu sem computador, quanto mais internet. Eles terem aprendido a lidar com o mundo online já foi um progresso e tanto, vamos admitir. No fundo, eles nos mandam PowerPoints como enviam cartões-postais das viagens ao Nordeste. Ou seja, desista de sua luta de vez e abrace o lado ‘fofo’ da vida.
E você, coleciona PowerPoints ‘bacanas’? Sente vontade de fazer bonequinhos voodoo de seus amigos que distribuem os famigerados arquivos? Ou usa camisetas com os dizeres ‘Eu envio PowerPoints, sim, e daí?’?
Bruno Rodrigues é autor do primeiro livro em português e terceiro no mundo sobre conteúdo online, "Webwriting – Pensando o texto para mídia digital", e de sua continuação, "Webwriting – Redação e Informação para a web". Ministra treinamentos em Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. Em sete anos, seus cursos formaram 1.300 alunos. É Consultor de Informação para a Mídia Digital do website Petrobras, um dos maiores da internet brasileira, e é citado no verbete ‘Webwriting’ do ‘Dicionário de Comunicação’, há três décadas uma das principais referências na área de Comunicação Social no Brasil.
Um balanço do Fórum de Mídia Livre
O 1º Fórum de Mídia Livre, realizado neste final de semana no campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, superou as expectativas mais otimistas. Apesar da frágil divulgação e da débil estrutura, reuniu cerca de 500 ativistas de vários estados, o que confirma a crescente rejeição à ditadura midiática e a existência de inúmeras e ricas experiências independentes e alternativas por todo o país. Lançado em março, num encontro em São Paulo com 42 jornalistas, docentes e comunicadores sociais, o fórum já mostrou a sua força e tem tudo para ser um ator importante na luta pela democratização dos meios de comunicação e pelo fortalecimento da mídia livre.
Além do aspecto quantitativo, que garantiu a sua representatividade, o fórum teve uma qualidade que deve ser preservada e valorizada: a sua pluralidade. Durante os dois dias do evento na UFRJ, houve a convivência madura e franca entre distintas concepções e variadas experiências. Desde os que priorizam as iniciativas atomizadas e autonomistas, até os que encaram esta batalha como eminentemente política, na qual a pressão sobre o Estado é decisiva. O fórum teve a presença de jornalistas da "mídia grande" – embora poucos – e de ativistas que realizam, de forma heróica e criativa, experiências em rádios e TVs comunitárias, sites, blogs, revistas e jornais.
Nesta unidade na diversidade, surgiram várias propostas para o fortalecimento da mídia livre no país, como a da construção de uma rede colaborativa, um tipo de portal, que crie maior sinergia entre as várias experiências; a campanha pela democratização das verbas publicitárias; a luta pela realização da Conferência Nacional de Comunicação com critérios democráticos de participação; a exigência de que os Correios distribuam impressos alternativos, superando o atual monopólio do setor; a campanha pela inclusão digital e pela difusão do software livre; construção de pontos de mídia livre, seguindo a rica experiência dos pontos de cultura, entre outras idéias.
Os participantes também aprovaram os próximos passos organizativos e políticos do Fórum de Mídia Livre, o que consolida o movimento e indica que ele veio para jogar papel na sociedade. A próxima fase, no segundo semestre deste ano, será a da constituição dos núcleos nos estados, que terão autonomia para organizar fóruns estaduais representativos; em janeiro próximo, durante o Fórum Social Mundial em Belém, ocorrerá um encontro de caráter mundial ou latino-americano dos "midialivristas" e o segundo fórum brasileiro foi marcado para 2009. Também foi composto um novo grupo de trabalho executivo nacional (GTE) para encaminhar as decisões da UFRJ.
No que se refere à ação política, ficou acertada a ampla difusão do manifesto do movimento, que será alvo de debates com os movimentos sociais e as forças políticas. Já os núcleos municipais e estaduais agendarão encontros com representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário, assim como serão marcadas audiências com os presidentes da República, do Congresso e do STF. A idéia é promover nesta data um ato político em Brasília. A partir do belo evento da UFRJ, o Fórum de Mídia Livre (FML) agora adquire nova dinâmica, e seu êxito dependerá do engajamento de todos os que encaram esta luta como indispensável à ampliação da democracia no Brasil.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PC do B e autor do livro recém-lançado "Sindicalismo, resistência e alternativas" (Editora Anita Garibaldi).
Movimentos Sociais: a causa e o método
Um breve comentário sobre a pesquisa encomendada pela Vale do Rio Doce para auferir a visão da população brasileira sobre os Movimentos Sociais.
Há erros primários nos quesitos da pesquisa, demonstrando que os próprios pesquisadores desconhecem o que pesquisam. Por exemplo, a Pastoral da Terra nunca foi movimento social. É apenas uma pastoral que presta serviços ao povo do campo. A pastoral não tem base popular própria. Portanto, não faz nenhum sentido estatístico colocá-la ao lado dos reais movimentos.
Mas a pesquisa é muito interessante. Regra geral, a população concorda com a causa dos movimentos do campo, particularmente a reforma agrária. Discordam do método. Daí duas conclusões simples: apesar de a mídia bater todos os dias que a causa é anacrônica, não conseguiu modificar a opinião pública. Portanto, a causa dos movimentos, aos olhos do povo brasileiro, é justa e atual.
Segundo, a pesquisa mostra que a grande mídia conseguiu transferir a imagem de violentos exatamente para aqueles que são as vítimas da violência. A Pastoral da Terra, em seu Caderno de Conflitos, já registrou o assassinato de mais de 1500 lideranças rurais por conflitos de terra desde 1985. Que alguém aponte alguma lista de fazendeiros mortos. Portanto, se a grande mídia quiser ir às raízes da violência no campo, ela sabe muito bem onde elas estão.
Seria interessantíssima uma pesquisa sobre o agronegócio. O que será que pensa o povo brasileiro a respeito da concentração da terra, do trabalho escravo, do trabalho degradante nos canaviais, do desmatamento da Amazônia, da violência sobre as comunidades tradicionais, sobre os indígenas, dos assassinatos dos trabalhadores rurais?
Para nós que defendemos a causa dos movimentos não deixa de ser uma ótima notícia. Vamos continuar as lutas por nossas justas causas. Duvido que outros métodos sejam aceitos. Na verdade, quando a grande mídia ataca o método, na verdade está atacando a causa. Qualquer método será válido, desde que não interfira realmente na iníqua estrutura agrária brasileira.
Conclusão: os movimentos, agora respaldados por pesquisas encomendadas por seus adversários, têm até a obrigação de continuar com sua luta justa e apoiada pelo povo brasileiro. Talvez seja hora de serem mais inteligentes nas manifestações, não perante a mídia, mas perante o povo que os apóia.
Por fim, não há o que temer da grande mídia. Essa pesquisa é a prova dos nove de que, falem o que quiserem, o que é justo tem sua força própria.
Roberto Malvezzi (Gogó) é coordenador da CPT. originalmente no http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1964/47/
Consumo consciente
Aqui está um trabalho que reputo da maior importância e que sugiro seja de conhecimento de que até aqui chegou, J.deMendonça
Terra dividida
Cobertura da agência Brasil sobre a demarcação das terras indiígenas na Raposa Serra do Sol em Roraima. Segue a disputa pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol, depois que a operação de retirada dos não-índios foi suspensa. Discussão agora está no STF .