A sociedade ainda não percebeu a gravidade da crise
Para o economista Fernando Ferrari Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o aumento do déficit do balanço de pagamento, desaquecimento acelerado do PIB e uma ligeira inflação são os reflexos mais objetivos para a economia brasileira diante do desequilíbrio monetário internacional. O professor, doutor em Economia e atual titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul diz que a sociedade ainda não se deu conta da dramaticidade da crise.
Para ele, resumidamente, a crise financeira foi produzida por um lento processo de erosão das margens de segurança de indivíduos, firmas e bancos, quando tomavam decisão arriscada de gastos de consumo ou de investimentos com empréstimos ou, no caso dos bancos da concessão de empréstimos de riscos. Diante deste quadro, a elevação das taxas de juros do Federal Reserve Bank, em 2005 e 2006 e a inadimplência dos mutuários da casa própria e a quebra de bancos nos EUA, por exemplo, foram fatores que corroboram, mas não podem ser considerados os únicos causadores da crise. Eram, também, as ousadas operações.
Para a economia brasileira, o economista considera que no curto prazo já se percebe a redução das linhas de crédito e no médio e longo prazo, com a recessão dos Estados Unidos, dos países da zona do Euro e do Japão e o desaquecimento econômico da China, principais parceiros comerciais do Brasil, os desequilíbrios de balanço de pagamentos em transações correntes (BPTC) tenderá a ser maiores. Redução de crédito, elevação da taxa de juros, volatilidade cambial e desequilíbrios de BPTC levam, inevitavelmente, para uma situação de desaquecimento econômico e ligeira instabilidade inflacionária.
Se num primeiro momento, não parecia haver preocupação das autoridades econômicas porque em termos fiscais e cambiais a nossa situação era e ainda é relativamente confortável, foi porque não se tinha uma idéia exata do tamanho da crise. Felizmente, a postura do governo brasileiro depois de conhecer a extensão do problema é de prudência e de iniciativas frente à certeza de que o Brasil não passará incólume pela crise mundial.
Se do ponto de vista do governo já existe sensibilidade e noção da crise o mesmo não se pode dizer da sociedade brasileira, considera o economista. “Ainda não nos apercebemos da dramaticidade da crise, porque estamos no último semestre do ano, período sazonalmente sempre próspero para a economia. Todavia, os efeitos sobre os níveis de emprego, massa salarial, inflação, etc., serão observados em 2009 e 2010. Em suma, a sociedade aprenderá com a crise e se posicionará frente a ela em um futuro próximo”, raciocina.
Diante do que esta por vir, ensina o economista, gastar menos com consumo e investimentos é uma regra a ser observada por todos, pelas empresas e também pelo Estado. Por conseguinte, com a redução, o PIB deve ser menor. Entretanto, para não chegar ao fundo do poço, o governo terá de realizar algumas políticas emergenciais: fiscal e monetária para não permitir que o desaquecimento seja muito grande.
Havendo um desaquecimento da economia brasileira nos próximos anos, a conseqüência natural é um aumento das taxas de desemprego. Desemprego maior, menor massa salarial e restrição de crédito resultam em menor nível de consumo. Menor consumo, por sua vez, afeta negativamente o investimento e, por conseguinte, passamos a ter um ciclo vicioso. Com ele os problemas sociais tendem a recrudescer, principalmente se o governo resolver reduzir os gastos públicos, o que reiteradamente ocorre quando há crises externas.
Algum alento
Se tem uma coisa que é verdade absoluta é que, em todas as crises tem quem ganha e quem perde e, nesse sentido, o Brasil até pode se beneficiar da crise e das repercussões dela sobre o lado real da economia quando tem possibilidade de produzir combustíveis menos poluentes. Do ponto de vista ambiental o economista raciocina que ocorrendo um desaquecimento da economia mundial e, principalmente, da economia chinesa nos próximos anos, provavelmente a deterioração do meio ambiente desacelerará. Com certeza, a sustentabilidade ambiental pode ter o Brasil como um personagem importante e que pode assegurar crescimento e desenvolvimento econômicos menos predatórios.
O problema agora é que diante da emergência de resolver a questão de liquidez e crédito, dificilmente vai se querer discutir com profundidade novas formas de desenvolvimento sustentado que favoreceria o Brasil.Finalizando o economista considera que as medidas anunciadas pelo Banco Central e pelo governo são corretas e necessárias, porém tímidas. A crise afetará nosso balanço de pagamentos brasileiro, o PIB etc. Nesse sentido, medidas fiscais, monetárias e cambiais mais contundentes são fundamentais para que não tenhamos problemas de balanço de pagamentos e possamos dinamizar o mercado interno, diante das restrições do mercado externo. Por outro lado, é provável que o país se beneficie com a retração mundial, visto que podemos expandir a oferta agrícola, produzir combustíveis menos poluentes, prospectar novas reservas de petróleo etc. Se a matriz energética será revisada, é outra questão, considera o professor. (JMN)
Projeto Zona Leste Cidadã
Operação Urbana Rio Verde-Jacu e Propostas para o Desenvolvimento Econômico nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo.
Valter de Almeida Costa – Supervisor Escolar da Diretoria de Educação de Itaquera (PMSP). Formado em História e Pedagogia, é Mestrando da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP. Foi Presidente do FDZL na gestão de 2004 a 2006. É Diretor de Educação do FDZL. Foi membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2004) e Conselheiro Eleito do Conselho Municipal de Política Urbana de São Paulo, representando a Macro Região Leste II (2006 e 2007).
Eduardo Pinheiro Borges – É empresário. Foi Presidente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste (Gestão 2003 a 2004). É Diretor de Urbanismo do Fórum. Bacharel em Ciências Contábeis. Idealizador do Projeto Viário Marginal Tietê-Guaianases (Extensão da Radial Leste). Foi membro do Conselho Gestor da Lei da Operação Urbana Rio Verde-Jacu (em 2004) e membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2005). É presidente da Associação de Lojistas e Moradores de 15 de Novembro.
Conteúdo
A apresentação destaca algumas das Propostas para o Desenvolvimento Econômico da Zona Leste contidas nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo, revendo os conceitos do Plano Diretor, Planejamento Urbano, com dados sobre o perfil sócio-econômico de suas populações. Das propostas de desenvolvimento são analisadas especialmente as contidas nas Leis da Operação Urbana Rio Verde jacu e a da Lei de Incentivos Seletivos para a Área Leste, com a identificação das ações que tiveram prosseguimento e das ações que foram interrompidas nos últimos anos. Também é feita uma análise da qualidade da participação da sociedade local nas discussões para o Planejamento Estratégico.
Objetivos
Propiciar o conhecimento ou a revisão das principais propostas que foram formuladas para o Desenvolvimento do Extremo Leste de São Paulo nos últimos seis anos (desde a aprovação do Plano Diretor Estratégico de S.P., em 2002), de modo que os participantes da Formação possam compreender os projetos, verificar quais foram executados e quais foram suspensos; e estimular a constituição de grupos permanentes de pesquisa sobre os problemas e projetos locais formados por ativistas comunitários e educadores.
Sumário
1 – APRESENTAÇÃO DO PROJETO
2 – AS PROPOSTAS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NOS PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS
3 – O PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DE SÃO PAULO
4 – PLANO PARTICIPATIVO X PLANO TECNOCRÁTICO
5 – OS PLANOS REGIONAIS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E ERMELINO MATARAZZO
6 – DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS DA POPULAÇÃO
7 – A OPERAÇÃO URBANA RIO VERDE-JACU
8 – O PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA ZONA LESTE
9 – O PROGRAMA DE INTERVENÇÕES (EXTENSÃO DA RADIAL LESTE E JACU-PÊSSEGO)
10 – AS PROPOSTAS PARA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL
11 – AS ÁREAS DE PROJETOS ESPECIAIS (PARQUES JACUI, LIMOEIRO, JACUPEVAL, BOAS NOITES, RIO VERDE E RIO ITAQUERA)
12 – O PLANO PLURIANUAL DE 2006 A 2009
13 – A PROPOSTA DO GRUPO DE ESTUDO PERMANENTE
Bibliografia
SÃO PAULO (CIDADE). Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente – Atlas Ambiental do Município de São Paulo – o Verde , o Território, o Ser Humano: Diagnóstico e Bases para a Definição de Políticas Públicas para as Áreas Verdes no Município de São Paulo/ Coordenação de Patrícia Marra Sepe e Harmi Takiya – São Paulo :SVMA, 2004.
GEO Cidade de São Paulo: Panorama do Meio Ambiente Urbano/SVMA, IPT – São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente; Brasília : PNUMA, 2004.
PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2002-2012/Secretaria Municipal do Planejamento Urbano do Município de São Paulo (Sempla) (organização) – São Paulo: Editora Senac São Paulo; Prefeitura Municipal de São Paulo, 2004
SÃO PAULO – PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO – SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL – PLAS – PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DA CIDADE DE SÃO PAULO – Suplemento do Diário Oficial da Cidade de São Paulo – Número 89 – 13 de maio de 2006
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS – PRE – MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – SUBPREFEITURAS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E E. MATARAZZO. PMSP. Organização Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SEMPLA). Colaboração: Secretaria Municipal das Subprefeituras- Série Documentos. São Paulo. 2004
Discriminação nas escolas e nos livros prejudica desempenho de alunos negros
Desigualdade extrema condena o capitalismo
FDLZ celebra parceria com a Unicastelo para ampliar a participação cidadã
Crise externa evidencia que Brasil não soube aproveitar fase de ‘bonança’
Liberação de compulsórios, venda de dólares no mercado, possibilidade de compra de instituições financeiras pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – duas instituições outrora demonizadas pelo mercado, que escaparam à sanha privatista fernandina e que agora são elevados à condição de salvadoras do capitalismo verde-amarelo – são algumas das medidas que formam parte do arcabouço reativo dos nossos mandatários econômicos. Para analisá-las, assim como contextualizar os novos desdobramentos da crise no Brasil, conversamos com a economista da Usp Leda Paulani. Por: Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania. Colaborou o jornalista Gabriel Brito.
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2517/9/Potências imperialistas mostram sua impotência diante da escalada da crise
A crise financeira que eclodiu com a intensidade de um furacão tropical nas últimas semanas gerou um estado de absoluta incerteza em relação ao futuro da ordem global. A desconfiança na solidez das instituições financeiras, provocada pela quebra em cadeia de bancos que até há pouco pareciam inabaláveis, desencadeou um colapso generalizado do crédito que tende a desorganizar o sistema capitalista mundial. Ao expor a extraordinária fragilidade do sistema monetário internacional e os precários fundamentos que sustentam a globalização dos negócios, a crise pôs por terra os parâmetros que balizavam os cálculos capitalistas, deixando o mundo sob a ameaça de uma depressão sem precedentes.
Plínio de Arruda Sampaio Jr.., economista, é professor do Instituto de Economia da UNICAMP.
Mais maduro o eleitor escolhe entre as melhores ofertas
Foi dada a partida para 2010
Mal acabou a apuração do segundo turno de 2008 e já foi possível detectar que a grande mídia já deu partida a campanha presidencial de 2010 e, sem muitas firulas já mostrou quem é o seu candidato: o tucano José Serra, segundo a leitura dessa mídia o grande vencedor.
Os donos da mídia dominante apoiaram-se principalmente no resultado da capital paulista com a eleição de Gilberto Kassab, a rigor, o único grande trunfo da aliança PSDB_DEM. O fato é que totalizado os resultados a oposição saiu enfraquecida das eleições municipais. No segundo turno, com 30 cidades em disputa a base aliada (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB, PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN) sai com 20 prefeitos entre as 26 capitais brasileiras ode a oposição se saiu com apenas meia dúzia.
Vale lembrar o que se passou em 2004, quatro anos atrás, quando Serra foi eleito com a mídia garantindo que por isso a oposição entrava forte na sucessão presidencial. Não foi bem assim, a indicação de Serra, em 2006, tropeçou com o surgimento de outro postulante tucano, o então governador Geraldo Alckmin que se impôs e, apesar de toda conjuntura na época com a divulgação intensa sobre o ‘mensalão’ desde 2005, Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu com mais de 60% dos votos tornando-se até agora o presidente da República mais bem avaliado desde que se começou a fazer pesquisas de opinião pública no país.
O fator Minas
A vontade da mídia não será o suficiente para colocar o governador Serra no patamar de preferência nacional até 2010. É público e notório a existência de outro tucano de bico blindado no páreo: o governador mineiro Aécio Neves, que trabalhou e muito para colocar na Prefeitura de Belo Horizonte um eu tutelado, Márcio Lacerda (PSB). Vai criar obstáculos a intenção paulista. Basta registrar que Aécio tem na ponta da língua um discurso muito bem calcado para disputar a indicação com Serra. “Chega de paulistas disputando a Presidência pelo PSDB; depois de Mário Covas (1989), Fernando Henrique (1994 e 1998), Serra (2002) e Alckmin (2006), é hora de mudar o disco”. “Essa vitória é a vitória de um projeto, mais que de um candidato. É um projeto de Minas”, insistia o governado mineiro ao comentar o segundo turno. “Essa não é apenas a vitória do governador e do novo prefeito (de Belo Horizonte). Sinaliza para algo novo no Brasil”. Dá para ter dúvidas sobre o que ele que dizer?
Fator surpresa
Uma outra coisa não que a mídia não registrou direito e não fez questão de divulgar é que com a economia crescendo e o presidente bem avaliado, os ocupantes das prefeituras tiveram um enorme trunfo nas disputas, pois usufruíram desse crescimento nacional. Nas capitais, dos 20 prefeitos que tentaram a reeleição, dezenove se elegeram e Kassab foi um deles.
Em 2010 não se tem nenhuma garantia que o ambiente propício vai se repetir. O cenário pode também ser bem diferente, a depender principalmente dos encaminhamentos para a crise que sopram dos Estados Unidos. Não que o tufão que vem vindo de lá possa derrubar por si só o Lula e o seu campo político, pelo menos até agora isso não tem ocorrido, mas é possível que chegue mais fortemente ao Brasil e para o mal ou para o bem, as opções econômicas que poderão ser adotadas internamente podem delimitar diferenças mais explícita com a oposição conservadora e neoliberal e com a própria ortodoxia ainda predominante em áreas do governo, como a equipe do Banco do Brasil. Na crise a eleição presidência tenderia a ser mais politizada com mais explicitação de opções.
Serra vai tentar se impor
Apesar dessas nuances que podem dificultar sua vida enquanto postulante a candidato a Presidência em 2010, Serra se fortaleceu com a vitória do Kassab sobre Marta Suplicy (PT), principalmente porque demonstra até onde ele pode ir quando atrás de seus objetivos. Em 2002, foi à vez de Roseana Sarney que se colocou como obstáculo e foi atropelada. Em 2008, agora, foi Alckmin o traído pelos serristas de seu próprio partido.