Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

A sociedade ainda não percebeu a gravidade da crise

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Para o economista Fernando Ferrari Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) o aumento do déficit do balanço de pagamento, desaquecimento acelerado do PIB e uma ligeira inflação são os reflexos mais objetivos para a economia brasileira diante do desequilíbrio monetário internacional. O professor, doutor em Economia e atual titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul diz que a sociedade ainda não se deu conta da dramaticidade da crise.

Para ele, resumidamente, a crise financeira foi produzida por um lento processo de erosão das margens de segurança de indivíduos, firmas e bancos, quando tomavam decisão arriscada de gastos de consumo ou de investimentos com empréstimos ou, no caso dos bancos da concessão de empréstimos de riscos. Diante deste quadro, a elevação das taxas de juros do Federal Reserve Bank, em 2005 e 2006 e a inadimplência dos mutuários da casa própria e a quebra de bancos nos EUA, por exemplo, foram fatores que corroboram, mas não podem ser considerados os únicos causadores da crise. Eram, também, as ousadas operações.

Para a economia brasileira, o economista considera que no curto prazo já se percebe a redução das linhas de crédito e no médio e longo prazo, com a recessão dos Estados Unidos, dos países da zona do Euro e do Japão e o desaquecimento econômico da China, principais parceiros comerciais do Brasil, os desequilíbrios de balanço de pagamentos em transações correntes (BPTC) tenderá a ser maiores. Redução de crédito, elevação da taxa de juros, volatilidade cambial e desequilíbrios de BPTC levam, inevitavelmente, para uma situação de desaquecimento econômico e ligeira instabilidade inflacionária.

Se num primeiro momento, não parecia haver preocupação das autoridades econômicas porque em termos fiscais e cambiais a nossa situação era e ainda é relativamente confortável, foi porque não se tinha uma idéia exata do tamanho da crise. Felizmente, a postura do governo brasileiro depois de conhecer a extensão do problema é de prudência e de iniciativas frente à certeza de que o Brasil não passará incólume pela crise mundial.

Se do ponto de vista do governo já existe sensibilidade e noção da crise o mesmo não se pode dizer da sociedade brasileira, considera o economista. “Ainda não nos apercebemos da dramaticidade da crise, porque estamos no último semestre do ano, período sazonalmente sempre próspero para a economia. Todavia, os efeitos sobre os níveis de emprego, massa salarial, inflação, etc., serão observados em 2009 e 2010. Em suma, a sociedade aprenderá com a crise e se posicionará frente a ela em um futuro próximo”, raciocina.

Diante do que esta por vir, ensina o economista, gastar menos com consumo e investimentos é uma regra a ser observada por todos, pelas empresas e também pelo Estado. Por conseguinte, com a redução, o PIB deve ser menor. Entretanto, para não chegar ao fundo do poço, o governo terá de realizar algumas políticas emergenciais: fiscal e monetária para não permitir que o desaquecimento seja muito grande.

Havendo um desaquecimento da economia brasileira nos próximos anos, a conseqüência natural é um aumento das taxas de desemprego. Desemprego maior, menor massa salarial e restrição de crédito resultam em menor nível de consumo. Menor consumo, por sua vez, afeta negativamente o investimento e, por conseguinte, passamos a ter um ciclo vicioso. Com ele os problemas sociais tendem a recrudescer, principalmente se o governo resolver reduzir os gastos públicos, o que reiteradamente ocorre quando há crises externas.

Algum alento                                      

Se tem uma coisa que é verdade absoluta é que, em todas as crises tem quem ganha e quem perde e, nesse sentido, o Brasil até pode se beneficiar da crise e das repercussões dela sobre o lado real da economia quando tem possibilidade de produzir combustíveis menos poluentes. Do ponto de vista ambiental o economista raciocina que ocorrendo um desaquecimento da economia mundial e, principalmente, da economia chinesa nos próximos anos, provavelmente a deterioração do meio ambiente desacelerará. Com certeza, a sustentabilidade ambiental pode ter o Brasil como um personagem importante e que pode assegurar crescimento e desenvolvimento econômicos menos predatórios.

O problema agora é que diante da emergência de resolver a questão de liquidez e crédito, dificilmente vai se querer discutir com profundidade novas formas de desenvolvimento sustentado que favoreceria o Brasil.Finalizando o economista considera que as medidas anunciadas pelo Banco Central e pelo governo são corretas e necessárias, porém tímidas. A crise afetará nosso balanço de pagamentos brasileiro, o PIB etc. Nesse sentido, medidas fiscais, monetárias e cambiais mais contundentes são fundamentais para que não tenhamos problemas de balanço de pagamentos e possamos dinamizar o mercado interno, diante das restrições do mercado externo. Por outro lado, é provável que o país se beneficie com a retração mundial, visto que podemos expandir a oferta agrícola, produzir combustíveis menos poluentes, prospectar novas reservas de petróleo etc. Se a matriz energética será revisada, é outra questão, considera o professor. (JMN)

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28 de novembro de 2008 at 11:22

Publicado em economia

Projeto Zona Leste Cidadã

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Apresentação geral do projeto:
Calendário:
 
PALESTRAS
A Cidade e Suas Periferias Mônica Virgínia de Souza
Desenvolvimento Urbano da Cidade de São Paulo (1870-1954) – José Renato de Campos AraújoJosé Renato de Campos Araújo
Cidades, Sociedades e Modos de Vida –Mônica Virgínia de Souza
 
Operação Urbana Rio Verde-Jacu – Valter de Almeida Costa e Eduardo Pinheiro Borges

Operação Urbana Rio Verde-Jacu e Propostas para o Desenvolvimento Econômico nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo.

Valter de Almeida Costa – Supervisor Escolar da Diretoria de Educação de Itaquera (PMSP). Formado em História e Pedagogia, é Mestrando da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP. Foi Presidente do FDZL na gestão de 2004 a 2006. É Diretor de Educação do FDZL. Foi membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2004) e Conselheiro Eleito do Conselho Municipal de Política Urbana de São Paulo, representando a Macro Região Leste II (2006 e 2007).

Eduardo Pinheiro Borges – É empresário. Foi Presidente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste (Gestão 2003 a 2004). É Diretor de Urbanismo do Fórum. Bacharel em Ciências Contábeis. Idealizador do Projeto Viário Marginal Tietê-Guaianases (Extensão da Radial Leste). Foi membro do Conselho Gestor da Lei da Operação Urbana Rio Verde-Jacu (em 2004) e membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2005). É presidente da Associação de Lojistas e Moradores de 15 de Novembro.

Conteúdo

A apresentação destaca algumas das Propostas para o Desenvolvimento Econômico da Zona Leste contidas nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo, revendo os conceitos do Plano Diretor, Planejamento Urbano, com dados sobre o perfil sócio-econômico de suas populações. Das propostas de desenvolvimento são analisadas especialmente as contidas nas Leis da Operação Urbana Rio Verde jacu e a da Lei de Incentivos Seletivos para a Área Leste, com a identificação das ações que tiveram prosseguimento e das ações que foram interrompidas nos últimos anos. Também é feita uma análise da qualidade da participação da sociedade local nas discussões para o Planejamento Estratégico.

Objetivos

Propiciar o conhecimento ou a revisão das principais propostas que foram formuladas para o Desenvolvimento do Extremo Leste de São Paulo nos últimos seis anos (desde a aprovação do Plano Diretor Estratégico de S.P., em 2002), de modo que os participantes da Formação possam compreender os projetos, verificar quais foram executados e quais foram suspensos; e estimular a constituição de grupos permanentes de pesquisa sobre os problemas e projetos locais formados por ativistas comunitários e educadores.

Sumário

1 – APRESENTAÇÃO DO PROJETO

2 – AS PROPOSTAS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NOS PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS

3 – O PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DE SÃO PAULO

4 – PLANO PARTICIPATIVO X PLANO TECNOCRÁTICO

5 – OS PLANOS REGIONAIS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E ERMELINO MATARAZZO

6 – DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS DA POPULAÇÃO

7 – A OPERAÇÃO URBANA RIO VERDE-JACU

8 – O PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA ZONA LESTE

9 – O PROGRAMA DE INTERVENÇÕES (EXTENSÃO DA RADIAL LESTE E JACU-PÊSSEGO)

10 – AS PROPOSTAS PARA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL

11 – AS ÁREAS DE PROJETOS ESPECIAIS (PARQUES JACUI, LIMOEIRO, JACUPEVAL, BOAS NOITES, RIO VERDE E RIO ITAQUERA)

12 – O PLANO PLURIANUAL DE 2006 A 2009

13 – A PROPOSTA DO GRUPO DE ESTUDO PERMANENTE

Bibliografia

SÃO PAULO (CIDADE). Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente – Atlas Ambiental do Município de São Paulo –  o Verde , o Território, o Ser Humano: Diagnóstico  e Bases para a Definição de Políticas Públicas   para as Áreas Verdes no Município de São Paulo/ Coordenação de Patrícia Marra Sepe e Harmi Takiya – São Paulo :SVMA, 2004.

GEO Cidade de São Paulo: Panorama do Meio Ambiente Urbano/SVMA, IPT – São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente; Brasília : PNUMA, 2004.

PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2002-2012/Secretaria Municipal do Planejamento Urbano do Município de São Paulo (Sempla) (organização) – São Paulo: Editora Senac São Paulo; Prefeitura Municipal de São Paulo, 2004

SÃO PAULO – PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO – SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL – PLAS – PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DA CIDADE DE SÃO PAULO – Suplemento do Diário Oficial da Cidade de São Paulo – Número 89 – 13 de maio de 2006

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS – PRE – MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – SUBPREFEITURAS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E E. MATARAZZO. PMSP. Organização Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SEMPLA). Colaboração: Secretaria Municipal das Subprefeituras- Série Documentos. São Paulo. 2004

 

Direitos Humanos – Direitos Civis e Políticos IPESG – Instituto de Pesquisas e Estudos do Governo
 
 

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28 de novembro de 2008 at 10:44

Publicado em Organizações

Discriminação nas escolas e nos livros prejudica desempenho de alunos negros

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Humberto Borges, 18 anos, aluno do curso de Letras da Universidade de Brasília (UnB) defende que o sistema de cotas para negros estimula o diálogo sobre a questão racial
 
Ao comparar a trajetória escolar de negros e brancos, as disparidades não se concentram apenas no aceso à universidade, mas em todas as etapas do ensino.
Os negros são maioria  no contingente de analfabetos do país – somando 9 milhões do total de 14 milhões – e estão mais atrasados nos estudos do que o restante da população.
Para o coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio, a diferença no rendimento reflete uma escola e um sistema de ensino que não acolhe a população negra.
“A escola diz que o grupo do outro [dos brancos] é a grande referência para a humanidade. Foi o grupo do outro que construiu, ele representa a civilização. E o meu grupo [negros] não representa nada. Isso é colocado de forma persistente nos livros, nas lições, e o aluno vai obter reações muito negativas em relação ao processo. Ele se pergunta: na medida em que a escola não me reconhece, que sentido faz eu estar na escola?”, aponta.
Em 2007, cerca de 85,2% dos brancos na faixa de 15 a 17 anos de idade, estavam estudando, sendo que 58,7% freqüentavam o nível médio, adequado a esse grupo etário. Já entre os pretos e pardos dessa faixa etária, 79,8% freqüentavam a escola, mas apenas 39,4% estavam na série correta.
A mesma conclusão está no Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordenado pelo professor Marcelo Paixão, o estudo compara, entre outros pontos, o desempenho de estudantes brancos e negros no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Em 2003, as notas em matemática e português dos alunos brancos eram, em média, 7,5% maiores do que a dos pretos e pardos.
“Isso sugere que para as crianças e adolescente pretos e pardos incidem obstáculos adicionais ao desenvolvimento dos estudos, representados pela discriminação racial presente nos espaços escolares”, diz a pesquisa. Segundo o pesquisador, esse preconceito se manifesta de diferentes formas, desde atitude discriminatórias dos professores e colegas até livros didáticos que reforçam a invisibilidade dos negros, passando pelo conteúdo "antropocêntrico e pouco receptivo à perspectiva da diversidade".
Luiana Maia, de 19 anos, aluna do curso de História da Universidade de Brasília (UnB) admitida pelo sistema de  cotas, diz que o tratamento dos professores aos alunos negros é diferente daquele dispensado aos brancos. “Ele já tem aquela concepção, ainda que inconsciente, do que é o negro. O cabelo da menina negra, por exemplo, é visto de forma diferente quando ela chega na escola com ele solto, mais arrepiado. A professora já pede para prender, fala para ter cuidado com piolho. Com a menina branca não é assim”, lembra.
Para ela, o material didático também não é adequado. “Os alunos negros não se sentem representados pelos próprios livros que usam. Ele se vê apenas no tronco, no açoite. O aluno só se vê na posição inferior, chega em casa abatido, aquilo impacta no desempenho”, compara.
Humberto Borges, 18 anos, aluno do curso de Letras que também ingressou na UnB pelo regime de cotas, conta que quando era adolescente sempre representava o Lobo Mau na peça de fim de ano da escola.
“Até que no último ano entrou um outro aluno negro na minha turma e quando a gente foi montar a peça o professor questionou: e agora, quem vai ser o Lobo Mau? O Humberto ou o fulano? Só então que eu fui perceber a sutileza”, conta.
Para o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação, André Lázaro, a escola pública reproduz formas de exclusão que afetam diretamente a auto-estima do estudante e seu desempenho.
“O desafio da escola hoje é formar todos, seja qual for a condição de chegada. A escola pública hoje, ainda que de maneira inconsciente ou mecânica, produz formas de exclusão muito dolorosas. Para aprender você tem que confiar que você consegue aprender”, analisa.

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19 de novembro de 2008 at 12:48

Publicado em Comportamento

Desigualdade extrema condena o capitalismo

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Na contramão dos economistas e escribas a soldo do sistema e dos tolos que acreditam nesses fariseus e saem repetindo sua retórica falaciosa como papagaios, eu sempre afirmei que as contradições intrínsecas do capitalismo são insolúveis dentro do próprio capitalismo, projetando um futuro de crises econômicas cíclicas, de gravíssimos danos ecológicos (como as alterações climáticas) e de dilapidação dos recursos naturais de que a humanidade carece para a sua sobrevivência (a água em primeiro lugar).
Vai chegar o momento em que os homens terão de decidir se preferem morrer abraçados ao capitalismo ou se salvar adotando outra prioridade: a colaboração de todos para o bem comum ao invés da competição insana inspirada pela ganância.
A coluna de 14/11/2008 do Clovis Rossi na Folha de S. Paulo, "Números que falam", trouxe dados estarrecedores:
* a renda dos 1.125 bilionários do planeta (US$ 4,4 trilhões) supera a renda somada de metade da população adulta do planeta e equivale a quatro vezes tudo o que 180 milhões de brasileiros produzem de bens e serviços;
* em 1997, os gerentes dos 50 fundos de Hedge e de "private equity" receberam cada um US$ 588 milhões, mais do que 19 mil vezes o salário-tipo do estadunidense;
* os rendimentos do Wal-Mart batiam, em 2007, o produto nacional bruto da Grécia, enquanto os da Toyota superavam o da Venezuela;
* o rendimento do trabalho no Brasil era de 45,4% em 1990, veio caindo até 2004 e só começou a ter uma ligeira recuperação a partir de 2005. Nem sequer se vislumbra no horizonte econômico o dia em que a participação do trabalho no bolo da riqueza nacional pelo menos igualará a participação do capital.
Realmente, os números falam por si: essa brutal, absurda e repulsiva desigualdade econômica é a raiz dos principais problemas que a humanidade enfrenta.
Repousa sobre o sofrimento e privações extremas a que são submetidos vastos contingentes humanos (os que vegetam abaixo da linha da pobreza) e sobre os sacrifícios inúteis impostos aos demais, que poderiam viver bem melhor e trabalhar muito menos caso cuidassem de produzir apenas o suficiente para suprir as necessidades humanas, em vez de sustentar os 1.125 grandes ociosos e todos os médios e pequenos ociosos.
Celso Lungaretti é jornalista e escritor
 

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19 de novembro de 2008 at 12:45

Publicado em economia

FDLZ celebra parceria com a Unicastelo para ampliar a participação cidadã

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 A convite do curso de Filosofia da Unicastelo, parte da diretoria do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste realizou reunião na sede da universidade para tratar de detalhes de uma parceria que deve contribuir para a capacitação cidadã de lideranças da zona Leste. O encontro foi no dia 8/11 e contou com a presença de José Gerry, J. de Mendonça Neto, José Carlos Carvalho de Lima, Ângelo Iervolino, Eduardo Pinheiro Borges, Valter de Almeida Costa, Márcio Almeida Costa e Antonio Gomes pelo FDZL e pelos professores Mauro Araújo de Souza e Nilton Damasceno Ferreira, também diretor do FDZL, na ocasião, representando a Unicastelo.
A idéia central do projeto é a faculdade de Filosofia, em parceria com o Fórum, promover diversos encontros filosóficos destinados a lideranças comunitárias, professores de nível médio e demais interessados com enfoque na Formação Humana: Existencial e Social. O conteúdo que comporá a grade dos encontros será discutido por uma comissão do FDZL e o curso de Filosofia.
Após expor o objetivo do curso o professor Mauro Araújo de Souza antecipou a possibilidade de ofertas de bolsas parciais para a formação acadêmica de lideranças comunitárias a ser discutida com o reitor em encontro previsto para o dia 29/11, pela manhã na universidade para formalizar a parceria.
Não é a primeira vez que o Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste estabelece parceria com universidades, conforme recordou o professor Valter de Almeida. “Quando foi fundado, cerca de 9 anos atrás, foi com a Universidade São Judas, anos depois outra parceria foi feita com a Unicsul com a promoção de debates sobre habitação e desenvolvimento econômico. Mais recentemente, ao final de 2007 e primeiro semestre de 2008, a parceria foi com o curso de Gestão Pública da Universidade de São Paulo que se desdobrou na preparação de lideranças para intervir politicamente durante o período eleitoral e no próximo período que se avizinha. Agora a parceria é com a Unicastelo com enfoque filosófico e o seu viés social para capacitar cada vez mais a participação cidadão das lideranças de diversas comunidades”, considerou. (JMN)

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13 de novembro de 2008 at 18:41

Publicado em Organizações

Crise externa evidencia que Brasil não soube aproveitar fase de ‘bonança’

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Liberação de compulsórios, venda de dólares no mercado, possibilidade de compra de instituições financeiras pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal – duas instituições outrora demonizadas pelo mercado, que escaparam à sanha privatista fernandina e que agora são elevados à condição de salvadoras do capitalismo verde-amarelo – são algumas das medidas que formam parte do arcabouço reativo dos nossos mandatários econômicos. Para analisá-las, assim como contextualizar os novos desdobramentos da crise no Brasil, conversamos com a economista da Usp Leda Paulani. Por: Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania. Colaborou o jornalista Gabriel Brito.

http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2517/9/

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3 de novembro de 2008 at 9:55

Publicado em economia

Potências imperialistas mostram sua impotência diante da escalada da crise

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A crise financeira que eclodiu com a intensidade de um furacão tropical nas últimas semanas gerou um estado de absoluta incerteza em relação ao futuro da ordem global. A desconfiança na solidez das instituições financeiras, provocada pela quebra em cadeia de bancos que até há pouco pareciam inabaláveis, desencadeou um colapso generalizado do crédito que tende a desorganizar o sistema capitalista mundial. Ao expor a extraordinária fragilidade do sistema monetário internacional e os precários fundamentos que sustentam a globalização dos negócios, a crise pôs por terra os parâmetros que balizavam os cálculos capitalistas, deixando o mundo sob a ameaça de uma depressão sem precedentes.
Plínio de Arruda Sampaio Jr.., economista, é professor do Instituto de Economia da UNICAMP.


http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2510/9/

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3 de novembro de 2008 at 9:52

Publicado em economia

Mais maduro o eleitor escolhe entre as melhores ofertas

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Para além de entrar no mérito se foram eleitos os melhores prefeitos em cada cidade, principalmente nas capitais, o que se viu nas últimas eleições em primeiro e segundo turno é que o eleitor, de uma maneira geral, está mais maduro e definindo com objetividade o seu voto.
De fato, quase nada do que se fez em termos de campanha de rua com panfletagem e visibilidade em bandeiraços e outros expedientes similares demoveram os eleitores de suas intenções de votos. No caso de São Paulo o que se viu nas campanhas de TV que foi por onde os eleitores fizeram suas escolhas entre o primeiro e o segundo colocados foi um festival de ofertas.
Não houve um espaço para a cidadania como ação coletiva de baixo para cima e as campanhas passaram ao longe do cheiro das ruas. Todas as campanhas foram geradas e concebidas por marqueteiros, gente especializada em vender produtos, e, vender bem. A propaganda brasileira está entre as mais criativas.
Foi nesse cenário que o eleitor, sem querermos entrar no mérito disso, definiu o seu posicionamento e voto. Recebia diariamente promessas e mais promessas de realizações e, se um candidato oferecia o céu o outro oferecia o céu com anjinho dentro. Se uma campanha prometia cortar imposto era possível esperar que a outra além de cortar imposto talvez prometesse alguma devolução.
Isso foi a campanha em São Paulo. Sem espaço para discussão de conteúdos ideológicos. Tudo ficou resumido a escolher em quem prometesse dar mais. As campanhas foram montadas com esses objetivos e o eleitor entendeu o recado vendo que a disputa seria apenas essa e não teve dúvidas em fazer suas opções, enfim, entrou no clima de observar quem tinha melhores ofertas aliadas a capacidade de cumpri-las. Se a campanha desse ano resumiu-se a esse mercado a culpa é dos candidatos, suas direções ou falta de direções políticas e seus marqueteiros. O povo, sabiamente e mais maduro fez a sua escolha nesse cenário estreito. (JMN)
 
Publicado na Gazeta São Mateus, ed 278 – 2a quinzena de 2008

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30 de outubro de 2008 at 17:55

Publicado em Notícias e política

Foi dada a partida para 2010

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Mal acabou a apuração do segundo turno de 2008 e já foi possível detectar que a grande mídia já deu partida a campanha presidencial de 2010 e, sem muitas firulas já mostrou quem é o seu candidato: o tucano José Serra, segundo a leitura dessa mídia o grande vencedor.

Os donos da mídia dominante apoiaram-se principalmente no resultado da capital paulista com a eleição de Gilberto Kassab, a rigor, o único grande trunfo da aliança PSDB_DEM. O fato é que totalizado os resultados a oposição saiu enfraquecida das eleições municipais. No segundo turno, com 30 cidades em disputa a base aliada (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB, PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN) sai com 20 prefeitos entre as 26 capitais brasileiras ode a oposição se saiu com apenas meia dúzia.

Vale lembrar o que se passou em 2004, quatro anos atrás, quando Serra foi eleito com a mídia garantindo que por isso a oposição entrava forte na sucessão presidencial. Não foi bem assim, a indicação de Serra, em 2006, tropeçou com o surgimento de outro postulante tucano, o então governador Geraldo Alckmin que se impôs e, apesar de toda conjuntura na época com a divulgação intensa sobre o ‘mensalão’ desde 2005, Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu com mais de 60% dos votos tornando-se até agora o presidente da República mais bem avaliado desde que se começou a fazer pesquisas de opinião pública no país.

O fator Minas

A vontade da mídia não será o suficiente para colocar o governador Serra no patamar de preferência nacional até 2010. É público e notório a existência de outro tucano de bico blindado no páreo: o governador mineiro Aécio Neves, que trabalhou e muito para colocar na Prefeitura de Belo Horizonte um eu tutelado, Márcio Lacerda (PSB). Vai criar obstáculos a intenção paulista. Basta registrar que Aécio tem na ponta da língua um discurso muito bem calcado para disputar a indicação com Serra. “Chega de paulistas disputando a Presidência pelo PSDB; depois de Mário Covas (1989), Fernando Henrique (1994 e 1998), Serra (2002) e Alckmin (2006), é hora de mudar o disco”. “Essa vitória é a vitória de um projeto, mais que de um candidato. É um projeto de Minas”, insistia o governado mineiro ao comentar o segundo turno. “Essa não é apenas a vitória do governador e do novo prefeito (de Belo Horizonte). Sinaliza para algo novo no Brasil”. Dá para ter dúvidas sobre o que ele que dizer?

Fator surpresa

Uma outra coisa não que a mídia não registrou direito e não fez questão de divulgar é que com a economia crescendo e o presidente bem avaliado, os ocupantes das prefeituras tiveram um enorme trunfo nas disputas, pois usufruíram desse crescimento nacional. Nas capitais, dos 20 prefeitos que tentaram a reeleição, dezenove se elegeram e Kassab foi um deles.

Em 2010 não se tem nenhuma garantia que o ambiente propício vai se repetir. O cenário pode também ser bem diferente, a depender principalmente dos encaminhamentos para a crise que sopram dos Estados Unidos. Não que o tufão que vem vindo de lá possa derrubar por si só o Lula e o seu campo político, pelo menos até agora isso não tem ocorrido, mas é possível que chegue mais fortemente ao Brasil e para o mal ou para o bem, as opções econômicas que poderão ser adotadas internamente podem delimitar diferenças mais explícita com a oposição conservadora e neoliberal e com a própria ortodoxia ainda predominante em áreas do governo, como a equipe do Banco do Brasil. Na crise a eleição presidência tenderia a ser mais politizada com mais explicitação de opções.

Serra vai tentar se impor

Apesar dessas nuances que podem dificultar sua vida enquanto postulante a candidato a Presidência em 2010, Serra se fortaleceu com a vitória do Kassab sobre Marta Suplicy (PT), principalmente porque demonstra até onde ele pode ir quando atrás de seus objetivos. Em 2002, foi à vez de Roseana Sarney que se colocou como obstáculo e foi atropelada. Em 2008, agora, foi Alckmin o traído pelos serristas de seu próprio partido.

Serra se diz não arrogante, mas não pensa pequeno e opera: deu certo atropelando Alckmin e o governador de Minas Aécio Neves deve saber avaliar esse comportamento e deve estar tomando suas precauções e, talvez até tome a dianteira de forma mais agressiva uma vez que o governador mineiro é melhor de voto que o governado de São Paulo. A rigor, concorrendo a cargos executivos Serra ganhou apenas para prefeito em 2004 e para governador em 2006 e perdeu em três outras ocasiões, para prefeito (1988 e 1996) e presidente (2002). A mídia que já colocou Serra como o favorito está arriscando sobre um fato que ainda está longe de ser consumado. (JMN)
 
Publicado no jornal Primeiro Lance de 31/10/08 e Gazeta São Mateus, ed 278 2a quinzena de outubro/2008

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30 de outubro de 2008 at 17:53

Publicado em Notícias e política

O risco de esquecer o holocausto em tempos de crise

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Para que não se perca na lembrança, o holocausto, cuja palavra de origem grega significa queimado e que desde o século XIX passou a designar grandes catástrofes e massacres tem como marca recente o extermínio de judeus e outros grupos indesejados pelo regime nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Pois bem, não faz muito tempo, o Reino Unido suprimiu dos seus currículos escolares o assunto porque ofendia a população muçulmana, visto que, parte dela, afirma que ele nunca teria ocorrido. Medo? Política de boa vizinhança com o regime do Irã que, entre outros, vem sustentando que o holocausto não teria ocorrido? Quais outros países podem, também pelos mesmos motivos, tentar mandar para o limbo do esquecimento esse assunto?
Tinha razão o general Dwight D. Einsenhower quando, ao final da guerra. ordenou que fossem feitos filmes e fotos. Na ocasião ele previa: “Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque há-de vir um dia em que  algum idiota se vai erguer e dizer que isto nunca aconteceu” Ao encontrar algumas centenas de vítimas dos campos de concentração, como vencedor da guerra, o general ordenou que fosse feito as fotos e filmes. Ao mesmo tempo os alemães da cidades vizinhas foram guiadas até os campos e até mesmo ajudaram a enterrar os mortos para comprovar o que hoje alguns tentam esquecer e outros negar.
E não se trata aqui de uma posição religiosa ou racial. De fato a  maior parte dos exterminados era judia, mas também havia militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos,  Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum.
Ocorre que fanatismos e xenofobias sempre prosperam quando em conjunturas de crises sócio-econômicas quando, com maior ou menor intensidade, surgem grupos organizados interessados na destruição da ordem ou desordem existente na perspectiva de substituí-la por outra. Quando de sua existência, o nazismo queria resolver os problemas sócio-econômicos da Alemanha de então, mas queriam também mudar o curso da história. Foi no centro desse pensamento que aflorou a teoria da conspiração judia. Mesmo em contradições flagrantes, eles entendiam a humanidade como uma guerra de raças em contraposição aos marxistas que alegavam que os problemas diziam respeito a luta de classes.
Para os nazistas, os judeus, ao ocuparem importantes funções dentro da economia, artes, meios de comunicação e literatura, atrapalhavam o seu objetivo de conquista de poder através do liberalismo e da democracia em alguns países e, em outros, sob a máscara do socialismo e do comunismo. Para o historiador Erich Goldhagen, do Russiam Research Center, da Universidade de Harvard, "esses apelos contraditórios serviriam para atrair as várias classes ao movimento nazista, mesmo não podendo resolver os antagonismos que as dividiam”. O problema da luta de classes, como corretamente lembrada pelos marxistas, era em parte resolvida pela imaginária ameaça judia. Em face do perigo judeu o trabalhador alemão resolveu suas diferenças com os inimigos de classe, chegando a um consenso que contemplava os interesses comunitários. Também a idéia da inferioridade judia, e conseqüentemente superioridade alemã, teve implicações pseudo-igualitárias que representaram outro fator para a coesão nacional.
Goldhagen destaca que desta maneira, o anti-semitismo serviu aos nazistas "não somente como uma bandeira de união em sua ascensão ao poder, mas exercendo funções essenciais ao regime". "Ao contrário dos comunistas, que se dirigiam apenas ao proletariado, Hitler apelava para toda sociedade alemã. Para os trabalhadores, os nazistas se apresentavam com a máscara socialista e se declaravam inimigos da ‘plutocracia capitalista’. Para os industriais, prometiam reprimir os poderosos sindicatos alemães e a esquerda. A classe média, mais duramente atingida pela crise econômica, era assediada com promessas de segurança econômica, proteção contra o avanço comunista e restauração do status perdido".
Na atualidade é prudente lembrar que deixando de lado a obsoleta tese da inferioridade judia e demais segmentos minoritários, a luta de classes, embora colocada em termos muito mais sofisticados ainda persiste e um aprofundamento da crise com o aumento da presença muçulmana que prega a inexistência do holocausto pode prosperar no caldo de cultura a idéia de que a luta de classes não existe e sim raças e religiões que estão acima das outras.
Publicado no Jornal Primeiro Lance edição de 31/10/08

Written by Página Leste

30 de outubro de 2008 at 17:51

Publicado em Notícias e política