Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Lideranças destacam a situação e as perspectivas para São Mateus

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A Gazeta São Mateus, como parte das comemorações do 64º aniversário desse imponente bairro na zona leste da cidade de São Paulo, buscou ouvir de algumas lideranças de diversos segmentos que compõe a sociedade de São Mateus suas considerações sobre como estão as coisas e quais são as perspectivas para essa comunidade nos próximos anos.

Até o fechamento da edição, gentilmente responderam as perguntas o escritor Germano Gonçalves, morador no Parque São Rafael há 46 anos; Clóvis Luis Chaves, que como subprefeito de São Mateus atuou nos três distritos; Antonio Carlos de Souza, morador em São Mateus há 12 anos e mantenedor do Colégio São Matheus no distrito de São Mateus e Marcelo Dória, empresário na região de São Mateus desde 1997 que administra a rede de Lojas Depósito da Lingerie.  Acompanhe as perguntas e o resumo das respostas.

GSM- Gostaríamos de saber o seu nome, ocupação e há quanto tempo mora ou trabalha em São Mateus e em qual dos três distritos?

Germano Gonçalves – Sou Germano Gonçalves Arrudas, escritor independente com o pseudônimo O Urbanista Concreto e moro a 46 anos no bairro Parque São Rafael.

Clovis Luiz Chaves: Fui subprefeito de São Mateus trabalhando mais de 5 anos nos 3 distritos.

Antonio Carlos de Souza: Moro em São Mateus há 12 anos e sou mantenedor do Colégio São Matheus.

Marcelo Dória: Sou empresário na região desde 1997. Administro a rede de Lojas Depósito da Lingerie.

GSM- Durante esse tempo em que mora ou trabalha em São Mateus quais tem sido suas maiores alegrias e maiores decepções?

GC – Minhas alegrias vêm da cultura, quando me dediquei mais ao incentivo a leitura fui descobrindo talentos que fazem arte independente e muitas associações culturais pela região que desenvolve trabalhos sociais e culturais, onde pude participar contribuindo com meus conhecimentos literários. Minhas decepções são com o serviço público que poderia olhar mais para o lado social das comunidades, em um todo, saúde, educação, segurança, esporte e lazer. Fazer sua parte. Uma sugestão fazer convênios com a indústria e o comércio da região, para que cada um cuide de uma escola, de um centro cultural, uma creche etc.

CLC – As maiores alegrias foram às obras reclamadas e agora conquistadas. Exemplos: construção de casas ou apartamentos onde eram favelas; regularização de imóveis e loteamentos como o Jardim da Conquista e outros. Canalização de esgoto. Era apenas 12%  hoje são mais de 90% canalizados. Construção e reformas de escolas, creches, AMAS, CEOS. Asfalto e recapeamento de ruas e avenidas; reforma e iluminação de vários campos de várzea como o Primeiro de Maio, Urubuzão e tantos outros. Clubes Esportivos; reforma da Avenida Mateo Bei; canal anti-enchente da Avenida Aricanduva; Riacho dos Machados; reurbanização do Parque das Flores, Jardim São Francisco, Nova Vitória, Vitotoma, entre outras. Ter acabado com a feira do rolo que tanto envergonhava São Mateus e sua gente, graças à valorosa equipe de funcionários da Subprefeitura de São Mateus. Por quatro anos seguidos conquistamos o prêmio “Manequinho Lopes” destinado à sub que mais planta árvores e cuida do meio ambiente em toda a cidade de São Paulo.

Das decepções ficaram registradas algumas obras que gostaria de ter realizado, a regularização da Vila Bela, a conclusão do resto do Riacho dos Machados, a construção do Centro Olímpico, a construção do Centro do Comércio Popular, conclusão das obras do Expresso Tiradentes.

ACS – As maiores alegrias foi a participação nas entidades representativas da nossa comunidade: sociedade amigos do bairro; Lions; Clube Diretores Lojistas; Rotary. A decepção fica por conta das entidades acima citadas, hoje, sem a representação junto à comunidade.

MD – Venho de uma família humilde e cheguei a São Mateus 15 anos atrás. Cheguei ainda adolescente e desde então acompanho o desenvolvimento da região. As muitas alegrias foram proporcionadas pelas amizades que fiz. As maiores decepções são com o descaso do poder público que acompanha a nossa região, “chega de político milionário e bairro miserável”.

GSM- Efetivamente qual o grau de dependência de serviços públicos que existem em sua comunidade, local de residência ou trabalho?

GC – Falando do meu local de residência, aqui só temos o que chamamos de cultura independente, e em um geral escassa. Gostaria de fazer do meu bairro um local conhecido pela leitura, mas para isso realmente dependemos dos serviços públicos. Investir no bairro, conhecimento os artistas que se preocupam como o bairro incentivando-os para o bem da cultura local. Outras áreas públicas também merecem atenção, conforme já mencionei.

CLC – A comunidade depende muito dos serviços públicos, escolas, creches, saúde, transporte, laser, cultura, esportes, quanto mais carente, maior é a dependência dos serviços públicos.

ACS – Pelo crescimento da nossa região a dependência fica por conta dos serviços públicos, tais como, saúde, educação, transporte.

MD- A região é carente de vários serviços públicos. Destaco a Saúde, pois as pessoas não podem ficar doentes após as 18 horas. Não tem médico. Falta de creches, a precariedade do transporte público, além de outras carências.

GSM- No seu entendimento quais são os serviços públicos mais eficientes oferecidos na região como um todo?

GC – Um dos serviços que eu acho que esta dando certo aqui na região é a AMA aqui do Jardim São Francisco. Por enquanto não tem que reclamar e fica a sugestão para ampliar e construir mais AMA’S. Os demais tipos: creche e postos de saúde estão precisando de melhorias. A segurança esta deixando a desejar. Precisamos de uma operação delegada aqui no bairro do Pq. São Rafael. A delegacia daqui, em vez de aumentar os serviços à população esta diminuindo e o atendimento é demorado, mas estamos de olho com o Conseg.

CLC – Água, esgoto, Escolas de Ensino Fundamental.

ACS – Faço uma referencia positiva com relação à segurança publica, em particular com relação a Operação Delegada.

MD – É importante destacar o trabalho dos funcionários públicos da região apesar da falta de investimentos em infraestrutura e condições de trabalho.

GSM- E quais são os serviços públicos mais deficitários e quais sugestões eventualmente o sr(a) daria para ajudar na solução desses problemas?

GC – Como já disse os postos de saúde e creches. Mais profissionais e atendentes. Existem vários estudantes na área que já poderiam estar estagiando em diversas funções. Na Educação, muitas escolas não têm professor de determinada matéria e existem estudantes de faculdade que já podem dar aulas em caráter emergencial. Veja só, na Faculdade aqui da região a Santa Izildinha tem alunos que já estão aptos para lecionar, mas o que impede é a influência e rotina dos funcionários no andamento dos serviços públicos.

CLC – Iluminação e transporte. Iluminação com a criação de equipe descentralizada com base na própria Subprefeitura. No Transporte a implantação rápida do Monotrilho vai facilitar o transporte e desafogar o transito.

ACS – Entendo que em vários locais da nossa região falta uma atenção maior ao saneamento, principalmente os córregos, os quais são esgotos sem tratamento.

MD – Prefiro falar de soluções, mais saúde – AMAS com médicos e funcionando 24hrs. Mais escolas técnicas com a sua grade curricular adequada as necessidades de mão de obra das empresas da região e a  construção de mais creches.

GSM- Determinado candidato a prefeito tem prometido que as escolhas dos subprefeitos na cidade serão feitas pelos moradores do distrito também por eleição em uma lista pré-definida anteriormente. O Sr (a) acha isso importante? Participaria dessa eleição em lista para subprefeito?

GC – Sim, acho importante, pois estamos em um país democrático que até agora a democracia só favorece o rico, seria uma maneira de a comunidade estar mais próxima dos acontecimentos do serviço público prestado e poder cobrar ao colocar uma pessoa da região, mesmo porque esta pessoa vive e convive com os problemas da comunidade. Eu participaria sim da lista, acho que demorou em se fazer algo neste sentido.

CLC – Acho que o subprefeito tem que ser de confiança do governante, gostar de trabalhar, atender pessoas, implantar as diretrizes da administração, saber que as eleições se acabam no dia da votação e que após esse dia todos devem ter um só partido “Partido de São Mateus”, a maneira da escolha do Sub não importa, importante é o desempenho no cargo.

ACS – Acho importante e necessário. O subprefeito tem que ser da região, para poder ter uma afinidade maior com a comunidade.

MD – Acredito que o governante deve estar próximo das necessidades da população, conhecer de perto o que o povo precisa. A função de subprefeito exige uma capacidade de interpretar as necessidades da sociedade e servir e atender as suas expectativas.

GSM – No seu entender o que um subprefeito deveria fazer para ouvir e melhor encaminhar as demandas dos três distritos?

GC – A primeira coisa é a agilidade em despachar documentos arquivados, entrar em acordo com o prefeito da cidade, governo estadual e até mesmo se possível federal, fazer alianças em prol da comunidade e fazer valer o seu cargo de subprefeito. Delegar visitas nos bairros dos distritos e aparecer mais para a comunidade, abrir sessões do tipo mostrar orçamento do distrito junto à população.

CLC – Muito simples, atender diretamente e indistintamente a comunidade, suas lideranças, vereadores, assessores, associações, preferencialmente agendadas com dia e horário para evitar espera demorada em anti-sala, respeito ao cidadão.

ACS – Em primeiro lugar criar um conselho administrativo com as lideranças de cada distrito, para saber das necessidades e relacionar as prioridades da região.

MD – As Subprefeituras foram grandes avanços, porém devemos otimizar os canais de comunicação entre a população e o poder público; temos que trabalhar por mais autonomia das Subprefeituras para atender de fato as necessidades da população. Exigir mais eficiência dos serviços públicos.

GSM- Do ponto de vista do desenvolvimento econômico, como o sr vê São Mateus? Algumas empresas estão indo embora, o que o sr  acha disso?

GC – Eu acho que a única razão que as empresas vão para outra localidade é a cobrança de impostos, portanto, deveria haver a redução nos tributos para quem dá emprego para a população. Incentivo fiscal para os produtos e valorização da empresa que está na região, bem como a produção para que o capital de giro circule na região, para que a mesma tenha uma economia de porte para manter aqui a indústria em evidencia.

CLC – A pujança de São Mateus é visível, a valorização de imóveis e aluguel nos últimos sete anos é enorme, comparáveis aos praticados em regiões nobres da cidade. Evidentemente, tem empresas que procuram regiões mais baratas para se instalarem, entretanto, inúmeras estão tentando vir para São Mateus.

ACS – São Mateus ainda possui áreas que podem atrair mais empresas com incentivos fiscais, e redução de impostos, tais como IPTU; ISS IPI, etc.

MD – Mais incentivos para as empresas se instalarem na periferia, tome-se como exemplo o caso do bairro do Palanque, onde empresas foram incentivadas a se instalarem na região e agora tem dificuldades de obter sua regularização junto ao poder público. A região precisa de representantes que façam mais do que nomes de ruas e praças, precisamos de vereadores preocupados em gerar mais empregos no bairro evitando que pessoas tenham que enfrentar três horas de condução para chegar ao seu local de trabalho.

GSM- E o comércio e a prestação de serviços?O sr. acha que essas atividades ainda podem crescer em São Mateus e gerar empregos para os moradores?

GC – O comércio local deve ser valorizado fazendo com que o consumidor consuma das lojas locais, não precisando se deslocar para outras localidades. Só assim o capital de giro vai circular na região. Para vender  e oferecer produtos de marca e baixos preços na região, tem que ter incentivo dos serviços públicos como melhor acessibilidade, logística para circularção de mercadorias, divulgação do comércio e uma associação dos lojistas atuante.

CLC – Está crescendo e vai crescer muito mais. Fora os incentivos dados as empresas que aqui se instalam, creio que o franco desenvolvimento ainda é maior atrativo para as empresas prestadoras de serviços ou outras.

ACS – Acredito que sim, principalmente no distrito do Iguatemi, entendo que isso vai acontecer naturalmente, principalmente com a chegada do monotrilho que vai até a cidade Tiradentes.

MD – Acredito que sim. A revitalização das avenidas comerciais da região, incentivos para a instalação de empresas de logística e relacionar a grade curricular das escolas técnicas da região com as necessidades de mão de obra das empresas.

GSM – Se coubesse ao Sr (a) uma recomendação para os moradores dos três distritos no sentido de melhorar as condições de vida e o dia-a-dia de São Mateus qual seria essa?

GC – A principal, no meu modo de ver é plantar árvores, cuidar do meio ambiente, conscientizar as pessoas de que o planeta precisa de ajuda. Outra questão é o lixo. Cobrar dos serviços públicos uma coleta seletiva nos distritos e a colaboração da população. O resto vai reivindicando e cobrando dos serviços públicos e fazendo é lógico a nossa parte.

CLC – Que continuassem acreditando que esta é uma região em franco desenvolvimento. Para tanto precisam continuar trabalhando honestamente, estudar, fazer cursos profissionalizantes ou outros, se especializarem em uma profissão, se prepararem pela educação, o solo é fértil, a região promissora, as oportunidades virão, depende de cada um fazer a sua parte

ACS – Convocar todas as lideranças dos três distritos no sentido de se unir e voltar a ter representação junto às autoridades em nossa região.

MD- Acreditar no potencial do bairro, São Mateus é vocacionado para o desenvolvimento, composto por pessoas trabalhadoras e honestas. Por mais que as pessoas estejam desacreditadas na classe política brasileira, avaliem o seu candidato(a); verifiquem se é ficha limpa, analisem seu comprometimento com o bairro, quais são os seus projetos e o seu passado. Exercite o seu direito de escolher o seu representante, pois, com certeza, a sua escolha terá impacto na vida da comunidade nos próximos quatro anos.

 

GSM – Alguma coisa a acrescentar?

GC – Duas coisas: a primeira quanto ao transporte público. O distrito do Parque São Rafael está escasso, só tem uma linha de ônibus para o terminal São Mateus, Metrô e centro da cidade.  A segunda é sobre as calçadas totalmente desiguais, esburacadas, cheia de matos e muitas não são cimentadas. Nas avenidas então até lixo se encontra. Minha sugestão é avisar aos moradores para cuidar da calçada; dar um prazo, caso não cuide a subprefeitura faz o serviço e depois manda a conta. Agradeço a Deus por morar aqui e pela oportunidade da entrevista.

CLC – Além das belezas naturais da região; rios, matas, o Morro do Cruzeiro, a topografia maravilhosa, São Mateus possui uma gente maravilhosa, hospitaleira composta das várias regiões da cidade de São Paulo, do Estado e de todo o Brasil. Aqui não existe forasteiro, são todos amigos.

ACS – Volto a frisar o subprefeito tem que ter a cara, respirar, conhecer e viver São Mateus. Se isto não acontecer vamos continuar a engolir forasteiros sem compromisso com o nosso pedaço de chão.

MD – No dia 7 de Outubro a responsabilidade estará em suas mãos, você poderá contribuir com o desenvolvimento da região. Boa escolha.

Written by Página Leste

5 de outubro de 2012 at 15:41

Publicado em Sem categoria

O pecado não está no funk, mas nos abusos

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Importante reportagem feita por Moriti Neto e Vinicius Souza, com a colaboração de Gabriela Allegrini e Maria Eugênia Sá para um blog paulistano permitiu se observar a partir de outros olhos o fenômeno do funk e os bailes nas periferias de São Paulo que em geral são encerrados pela polícia. Não basta mais olhar apenas para o desconforto de quem não é adepto e apreciador do funk e seus derivados.

A reportagem deu conta de mostrar que em certos pontos da periferia da zona sul de São Paulo e outras periferias outro lance vem acontecendo. Nesses locais, em geral entre quinta e sábado reúnem-se, depois das 21 horas, dezenas de garotas entre 15 e 23 anos, um pouco mais, um pouco menos, devidamente preparadas e turbinadas para serem levadas em ônibus fretados para baladas funk na parte rica e mais central da cidade.

A entrada nessas casas é grátis. Só não inclui o consumo de bebidas e para que as preparadas não cheguem caretas ao espetáculo os organizadores se encarregam do aquecimento das moças dentro dos ônibus. Só ou em duplas os rapazes que promovem a excursão transitam pelos corredores dos ônibus alugados servindo vodka em copos plásticos. Não deixam os copos esvaziarem e a partida é sempre por volta da meia noite.

A reportagem vai explicando que animadas com os drinks, as meninas vão se entusiasmando dentro dos seus modelitos periguetes que atualmente predomina. Vestidos justos e curtos, sandálias de grandes saltos e fortes maquiagens.

Na chegada a uma determinada boate da Vila Olímpia, quase uma hora depois de saírem das periferias em ônibus, elas causam alvoroço no trânsito nas proximidades das casas noturnas onde a frequência é de um público mais maduro. Nem sempre percebem a finalidade dessa etapa: de ficarem expostas durante pelo menos mais de meia hora na rua aos olhares masculinos. Aos poucos são liberadas para os camarotes onde se encontram com outras meninas de outros pontos da cidade.

No dia da reportagem eram cerca de 80 as que entraram de graça para animar a área VIP. No ambiente pouco iluminado, com sofás e mesas de sinuca, a proporção é de três mulheres para cada homem. Eles pagam R$ 60 de entrada ou R$ 120 com consumação e mais a bebida das moças.

Noite adentro se ouve o funk fazendo rolar solta a sensualidade. Por volta das 2h da manhã, algumas meninas estão seminuas nos cantos mais escuros da área VIP, circulando entre cigarros de maconha e comprimidos de ecstasy que também chegam às mãos de quem assim o desejar. Só por volta das 5h30 da manhã, o público começa a dispersar.

É nessa hora que as meninas despertam para o toque de recolher. Pegam o ônibus de volta ao ponto de partida e depois, dependendo do caso, arrumam outra condução que as leve para os distantes bairros e comunidades onde moram, porque não foram lá que os ônibus foram buscá-las. Os agenciadores, na noite anterior, sempre marcam um lugar menos periférico.

Contraditoriamente as moças que voltam para os seus bairros, onde, antes, elas foram proibidas de dançar o funk por conta da repressão policial motivada pelo barulho que incomoda e a presença de drogas e álcool acessível para menores de idade além do saldo de violência que costumava ocorrer nessas festas.

O que a reportagem conseguiu evidenciar vai além da contradição de que abordaremos em seguida. A de que o funk é permitido em ambientes controlados no centro e proibido nos ambientes sem controle da periferia. Segundo o parecer de um advogado consultado, nessas circunstâncias alguns crimes são cometidos. “Além do óbvio, ou seja, oferecer bebidas alcoólicas para menores fazem promoção da prostituição, mesmo que sem a percepção das meninas. Também existe incitação ao crime, o incentivo à prática da própria prostituição. É dever do Estado assegurar que isso não ocorra”, esclarece.

 

Na periferia, funk e droga podem dar cadeia

Desde 2011, em função das insistentes queixas dos munícipes a Polícia Militar montou a Operação Pancadão, batizada em referência à batida do funk e acabou com a sequência de bailes que se pretendia fazer em Campo Limpo, Heliópolis, M´Boi Mirim, Jardim Ângela e em dezenas de outras regiões periféricas na zona leste e no ABC Paulista.

Originalmente os bailes funks eram feitos em locais fechados, mas nunca apropriados o suficiente. Sem espaços foram para as ruas e diante da repressão passaram a ser realizados de surpresa e combinados de última hora sem local fixo, mesmo nos bairros onde a operação ainda não havia chegado. As informações sobre a mão pesada da ação policial que entrava em alguns locais jogando bombas de efeito moral, com tiros de borracha e spray de pimenta correram de boca em boca ou através das comunidades entre os jovens da periferia.

Em muitas dessas ocorrências se flagrou comerciantes das comunidades sendo autuados por venda de bebidas alcoólicas a menores. Nas batidas há casos de aparelhos de som dos carros sendo apreendidos. Tem faltado lugar para esse tipo específico de lazer, mas nem por isso a saída é perturbar o descanso alheio e essa é a encrenca a ser resolvida.

De uns bons tempos para cá sons de carros de alta potência transformaram carros em trios elétricos. Preparados para reproduzir música em volume ensurdecedor tornaram-se mesmo uma saída econômica para os jovens que gostam dos funks de rua. “A meninada se junta pra comprar um som de carro, pra ficar na comunidade e impressionar. Se tiram isso deles, vão pros bairros chiques, descobrem aquele mundo, se sentem o máximo. Têm história pra contar no dia seguinte. Quando a gente sente na pele a diferença de tratamento que a policia dá de um lado e de outro, quer ficar no bairro rico”, comenta na reportagem o promotor de eventos Luciano Roberto Pereira.

Enquanto isso e quando o funk é nos jardins

Tirando proveito da migração feminina construída artificialmente da periferia para os jardins, conforme explicado na primeira parte deste artigo, dezenas de casas promovem bailes para atrair jovens das comunidades. As meninas chegam aos locais em fretados e por causa da dificuldade de condução a partir de certas horas, as baladas começam às 23h para permitir que os mais esforçados cheguem de condução, mas a coisa toda mesmo acontece após as 2horas da manhã.

A reportagem quando visitou outras casas encontrou de tudo um pouco daquilo que é proibido na periferia, mas que no local parecia território liberado. Sem apreensão nem preocupações maiores os frequentadores consomem álcool, sentem cheiro ou usam de maconha a todo instante, comprimidos de ecstasy e frascos de lança-perfume rodam de mão em mão. Aqui a outra contradição: os mesmos jovens proibidos de dançar funk na periferia em bailes de rua com as autoridades qualificando com alguma razão como encontro com apologia ao uso de drogas podem usá-las livremente no bairro nobre.

Nas ruas do centro então, o funk chega, cresce, incomoda e ainda não é reprimido

Nem mesmo a já sabida estória de que os bailes de rua incomodam os vizinhos sensibiliza, por exemplo, alguns lugares no centro. Na Liberdade, por exemplo, nas proximidades de uma grande faculdade particular, acontecem bailes quase todos os dias com um público de classe média. Em geral estudantes da instituição. “Os carros param nos bares, abrem os porta-malas com volume alto e por lá bebidas, drogas e menores se confundem”, registra de forma anônima um dos seguranças da instituição.

Sem viaturas de polícia circulando com maior frequência, quando passam costumam recomendar baixar o volume, mas de novo é aumentado logo que a viatura desaparece. A situação nesta e em outras faculdades, na Barra Funda, na Mooca e na Consolação torna-se incontrolável às sextas-feiras.

Como os jovens das periferias, também buscam diversão. O sexo rola dentro de carros com vidros escuros, mas a caso de drogas consumidas nas ruas. Além de não sofrerem nenhuma sanção policial, as festas em algumas ocasiões, conta até com o apoio informal da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) que fecha os acessos dos carros às ruas para garantir a segurança. (JMN)

Written by Página Leste

3 de outubro de 2012 at 17:09

Recusando a lógica dos grandes, eleitores se voltam para Russomano

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Os números indicam que na campanha eleitoral paulistana, as baterias de parte de setores supostamente progressistas que se empenham a todo volume na empreitada para que o tucanato seja eliminado em São Paulo, volta agora suas preocupações com o candidato Celso Russomano (PRB). Já não está tão sólida a impressão de que num eventual segundo turno do Haddad contra o candidato dos bispos a vitória estaria garantida facilmente. A turma do PSDB também não estava dando muita pelota para o concorrente. Não o tinha sobre a sua mira nesse primeiro tempo, pelo contrário, conta com ele num eventual segundo turno com os petistas.

Com um bispo de cada lado. Celso Russomano com o Edir Macedo e o Haddad com o Lula a peleja estaria em aberto e, agora, sem as certezas de outrora de que Lula e Dilma na campanha em São Paulo seriam imbatíveis. A rigor Lula e/ou o PT elegeram, em outra conjuntura, a Luisa Erundina, antes do Lula se render ao status quo e a senadora Marta Suplicy que disputou outras campanhas para o Executivo sem sucesso e que foi eleita uma vez prefeita com o apoio então do Paulo Maluf um dos candidatos que dividiu os votos.

Enquanto esses setores estavam em sua cruzada para superação do tucanato em São Paulo, notadamente no espaço da internet a mando, sugestão ou soldo dos partidos e aliados, os eleitores não se sensibilizaram com a cantilena e respondem sinalizando que não vão acompanhar essa cruzada. Demonstram isso flertando com Celso Russomano, de quem, os supostos progressistas, queixam-se ser muito equivocado em suas propostas e ser tutelado pelo bispado evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus. A revelação de ambas as coisas parece não estar importando para os eleitores.

As armações, encaminhamentos e as lógicas dos dois grandes partidos que disputam a eleição municipal, PSDB e PT, parecem ter sido percebidas e rejeitadas. Algo como um recado nos seguintes termos “Vocês façam o que quiserem ai, bolem e lancem os seus candidatos, mas o voto é nosso e fazemos dele o que queremos”. Uma afirmação desse tipo só faria enfatizar que a desesperança e desconfiança com os políticos é generalizada, graças, principalmente, ao papel deles próprios.

Equívocos de parte a parte

Por causa do comportamento dos políticos acima, uma fatia expressiva de eleitores paulistanos não está atenta à viabilidade ou não das propostas do Russomano. Apesar de mirabolantes conquista apoios. Algumas entre as várias sandices do queridinho da hora diz respeito a intenção de incorporar os milhares de seguranças e vigias privados a forças regulares de segurança, no caso à Guarda Municipal. Outra é acabar com a progressão continuada no ensino fundamental municipal.

A primeira é uma bobagem, mas esses eleitores não estão nem ai e ainda apoiam o desdobramento em outra proposta do CR de colocar guardas municipais dentro das escolas, atitude que cria calafrios nos especialistas em educação, mas que tem apoio de alguns professores na intimidade e apoio descompromissado de pais e responsáveis. Quanto a acabar com a progressão continuada nas escolas municipais. As pessoas gostam de ouvir que é um absurdo passar de ano sem saber nada. Entretanto, se é para isso acontecer precisa combinar o jogo com as escolas estaduais para onde migraram os potenciais repetentes.

No olho clinico e rigoroso de uma análise, diversas dessas medidas e indicações de soluções são simplórias e equivocadas. Russomano costuma esgrimir ideias erradas e simples para problemas complexos. Outra que parece razoável, mas é bastante discutível é a proposta de verticalizar as creches para atender as demandas. É prudente crianças de menos de cinco anos subindo lances de escada?

No cravo e na ferradura; voltando a Serra e Haddad

Todas as entrevistas com números deveriam ser mais cuidadosas, certo? Pois bem, nem sempre é assim Ao perguntarem sobre dados seria prudente que os jornalistas tivessem estes em mãos. O candidato que vai responder, também. Em entrevista recente ao SPTV, Haddad disse que em 2009 as creches atendiam a 9% da demanda. Passou a ser atendida em 23% na sua saída do governo, ou seja, final de 2011, início de 2012. O que ele sugeria é que, enquanto ministro da Educação, fez elevar em 14 pontos percentuais o número de vagas? Os fatos, entretanto, dizem outra coisa. O programa federal de creches, chamado Pró-Ínfância prometeu 6 mil creches, mas entregou, no máximo, 200. Com um pouco de esforço podemos estimar que foram abertas 20 mil vagas. Se for para comparar, o mandato do Serra e do Kassab, em oito anos, criaram 148 mil vagas, sendo que quando o primeiro assumiu as ofertas era de apenas 60 mil vagas.

Vale contextualizar que Haddad admitiu na mesma entrevista, que a cobertura de creches no Brasil todo é de 23% e na cidade de São Paulo 48%. Ou seja, para quem entende que a cobertura de creches tem que ser de 100%, nem no Brasil nem em São Paulo isso ocorre. Diante dos dados, não brigando com os números e não tendo interesse em um candidato ou outro, um dos lados fez mais, ou não?

Outra curiosidade, se cobra o passado recente de um e não de outro

Tem sido recorrente e correto o Serra ser cobrado nas entrevistas sobre a desistência de mandato, da herança deixada ao Kassab e agora pelo Kassab. O mesmo critério ou comportamento, entretanto, não tem sido registrado nas entrevistas com o Haddad. Ele tem sido poupado de questionamentos sobre a sua passagem pelo Ministério da Educação. De novo, a implicância não é nossa. São os fatos e haveria questionamentos a se fazer.

Recentemente as universidades federais completaram quase quatro meses em greve. Em 2011 outros tantos meses. Entre as reivindicações questões salariais de professores que vem desde antes, passando pela época em que o Haddad lá estava. O ex-ministro, portanto, tem alguma contribuição na situação.

A expansão das universidades federais Brasil afora, foi feita a despeito da qualidade e da possibilidade de seu bom funcionamento. Boa parte dos campi avançados não tem prédios construídos para os alunos, em outros prédios falta energia elétrica e num outro campus até o esgoto corre a céu aberto. Em alguns faltam laboratórios e os hospitais universitários vivem uma crise mais intensa que outros períodos.

Culpa só do Haddad? Claro que não, mas e ai? Alguma responsabilidade colateral ele pode ter e não tem que ter receio em fazer as perguntas. Se o critério da avaliação vale para tucanos que se valha também para petistas.

Diante de parte do quadro surreal pode ficar “russo” mano

Nesse início de setembro a situação indica poucas alternativas de mudanças e inversão das intenções de votos dos eleitores para Serra ou Haddad. Uma parte expressiva do eleitorado, que nos laboratórios das direções partidárias, se considerava como progressista, tem se cansado de promessas não cumpridas e abraça as manifestas soluções simples e objetivas, sem dimensionar os complicadores. Para a candidatura de Celso Russomano migrou também parte do que se convencionou chamar de eleitorado conservador, antipetista. Parte desse público é o mesmo que pode achar a gestão Kassab e Serra razoáveis, mas mesmo assim irá com o Russomano.

Se nenhum sobressalto acontecer, Russomano estará no segundo turno. Contra Serra poderá demonizar a gestão Kassab atingindo o oponente. Se for contra Haddad poderá querer repassar seu passado no Ministério da Educação, arrolará o imbróglio do julgamento do mensalão e ainda fará com que salte para a linha de frente da campanha obreiros evangélicos que lembrarão que o escolhido de Lula é o pai do kit gay. (JMN)

Written by Página Leste

12 de setembro de 2012 at 22:46

Aceitamos críticas, não ofensas e xingamentos

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Em abril /maio de 2012 a diretora do jornal Gazeta São Mateus teve o desprazer de receber uma cópia de um videozinho onde uma suposta liderança da região passava e muito dos limites da educação, do direito em determinada reclamação.
Para dar conta de responder publicamente expusemos em forma de opinião na edição342 do referido jornal.

Recentemente tive o desprazer de receber um videozinho feito por um cidadão morador das proximidades do Córrego Riacho dos Machados que, de forma acintosa e desrespeitosa, soltou uma série de impropérios de natureza pessoal a ponto de diante do descalabro e do exagero eu ter que apelar para a minha assessoria jurídica se devemos deixar para a Justiça se pronunciar sobre as eventuais ofensas.
Um dos principais questionamentos feito no vídeo dava conta de que eventualmente em reportagem recente, onde entrevistamos uma liderança da comunidade do Riacho dos Machados enfocando alguns, eu disse, alguns aspectos das prometidas obras prometidas em seu leito que ainda estão pendentes de serem feitas, faltaram outras abordagens. Vale já adiantar que isso é comum em qualquer reportagem. A edição decide por apenas alguns aspectos entre as questões.
O que exalou da matéria da Gazeta por ter dado vez, voz para uma liderança devidamente identificada não pretendia e nem conseguiria dar conta de todos os detalhes que envolvem a questão. Coube ao entrevistado falar o que ele assim o desejou na ocasião e não podemos nós ser responsabilizados por isso.
Como resultado o que se viu com a ira do produtor do vídeo foi o incômodo quanto ao fato de determinado trecho do córrego não ter sido objeto da reportagem nessa e eventualmente em outras ocasiões. Essa decisão, sobre o que quer enfocar cabe, exclusivamente, a redação do jornal e não seremos pautados por quem quer que seja, mesmo que se imagine falando grosso.
Ademais, o jornal com as limitações que tem e, vale lembrar que até a grande mídia, em um determinado ponto, também tem suas limitações, nunca pretendeu e nem nunca se declarou o grande big brother que pudesse ou quisesse acompanhar a tudo e a todos o tempo todo.
Se o queixoso mostrou-se inconformado com a nossa possível ausência na comunidade e no acompanhamento das possíveis problemáticas que esta enfrenta, ele teria que ter claro, e assim manda os bons modos, os limites e as formas de evidenciar as suas queixas e elas, seguramente, como mostra o vídeo passou e muito dos limites.
Nunca nos arvoramos e dissemos a quem quer que seja que cobríamos jornalisticamente todos os cantos, rincões e mocós de São Mateus. Sequer teríamos uma perna para isso. Também nunca nos arvoramos a dizer que todas as questões de natureza comunitária ou social seriam reportadas em nossas páginas. Sequer teríamos a segunda perna para isso.
Por outro lado, nesse difícil ofício de fazer um jornal, com essa abrangência modesta, sabemos, não chegaria a completar 18 anos de existência ininterrupta se fosse tocada com vagabundagem, ou por uma vagabunda conforme foi insinuado.
Existem outras insinuações graves que não vale a pena aborrecer os leitores com elas, porque delas poderá se ocupar o Judiciário, caso nossa assessoria jurídica resolva acioná-lo.
Vale mesmo é lembrar que no ofício da imprensa e, da regional, principalmente, são demais os perigos dessa vida. E entre eles, o principal é que repórter, os editores e o próprio veículo estão constantemente sujeitos as tentativas de manipulação por parte de suas fontes, dos entrevistados, dos não entrevistados, dos políticos e não políticos com seus interesses não confessados sejam eles legítimos ou não.
Não é a primeira vez e não será a última que pessoas com seus interesses – afinal, em geral, no mínimo moram nas áreas envolvidas se queixam de nós _e de todas as outras mídias, que não prestam atenção a eles e seus assuntos. Vale ressaltar que nem sempre é porque preferimos limão ao invés de laranja. É que às vezes não temos nem a primeira nem a segunda perna para saber, acompanhar e reportar tudo de todos.
Alguns, quando não contemplados reclamam, outros passam dos limites. A estes últimos, bons modos, educação e respeito só podem fazer bem as partes.

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24 de agosto de 2012 at 12:46

Obra ficcional mergulha nos porões secretos do Judiciário

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Imagem da capa do livro

Decisão judicial se cumpre, não se discute. Fato. O que também não se discute _mas se deveria, seja por medo, seja por costume são as decisões e os caminhos, nem sempre probos que juízes têm licença para percorrer. Principalmente, se as questões em tela forem de natureza privada que, em princípio, enganosamente, se acredita dizer respeito apenas aos envolvidos.
É nessa esfera, pouco iluminada que eventuais juízes, inescrupulosos, dão de ombro à jurisprudência, a correção, a lisura e fazem suas mutretas para chegar a diversos caminhos: operar contra a justiça, promover favores e receber (in)justas prendas, normalmente pecuniárias pelo despacho final.
Acima do bem e do mal, o Judiciário reina absoluto, sempre refratário a questionamentos e vigilância da sociedade. Ungidos a deuses, posam de ofendidos quando qualquer forma de vigilância sobre o seu trabalho é colocado na pauta da sociedade.
É no sentido dessa revelação e denúncia que é muito bem vindo o livro Nas Sombras da Justiça, de Daniel Carajelescov, pela RG Editores que acabou de sair. Não tem como não ser leitura obrigatória para todos nós, simples mortais, que não temos pedigree suficiente para digerir as informações pelo lado de dentro, mas, preferencialmente, para os operadores de direito.
Com mestrado em Direito Penal, vinte e cinco anos de serviços prestados como Procurador no Estado de São Paulo, Carajelescov organiza testemunhalmente em sua obra ficcional um roteiro romanceado de como as coisas podem fugir do controle na esfera que deveria ser a tão nobre e desejável competência no Judiciário.
Carajelescov revela no livro um pouco dos desvios desse poder refratário ao controle social. Se não reproduz exatamente ocorrências que testemunhou ou tomou conhecimento ao longo de tantos anos de Procuradoria e outros tantos advogando, apenas o faz para evitar gasturas indesejáveis ao leitor. Ao contrário, entrega para o deleite e, principalmente à reflexão, o que podemos chamar de muitas observações ligeiramente ficcionadas, mas bastante pertinentes.
O livro indica claramente situações que exigem a necessidade de mudança, apesar da resistência que o corporativismo da categoria vai empreender. Que o façam! Entretanto, seria desejável que não o fizessem. Que a magistratura, durante o exercício de suas funções, busque, tanto quanto possível, ser fiel aos preceitos e a jurisprudência disponível e que juízes não abusem do tão recorrente argumento do “seu livre convencimento” para arrepiar o que diz a Lei.
Dessa maneira, o livro pode significar um libelo contra a falta de lisura, precisão, celeridade e síntese emanadas de muitas sentenças que, acreditem, estão sendo proferidas ainda agora. O que a sociedade exige e espera desse tão importante poder moderador é exatamente o seu contrário. Tem que estar a serviço da comunidade em suas várias vertentes e promover a garantia da justiça e da Lei.
Como resultante literária, o livro evidenciará durante o transcorrer de suas páginas a trama, os diversos papéis e indicações claras das eventuais margens de manobra ao arrepio da Lei. A sua leitura e principalmente ação a partir dele é desejável para que se desconstrua a sacralidade que envolve esse poder.
Que a leitura de Nas Sombras da Justiça sirva principalmente para que os operadores do direito façam uma reflexão e ações no sentido de reconduzir esse poder para onde a sociedade espera. São apenas 310 páginas de uma leitura agradável que ao final conduzirá o leitor a ver com outros olhos esse imponente e mais paroquiano entre os poderes. (JMN)
Serviço: O livro poderá ser adquirido na RG Editores, (11)3105-1743, e-mail: rgeditores@yahoo.com.br

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6 de agosto de 2012 at 16:16

Universidade federal na Zona Leste: antes que um aventureiro lance mão

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Após anos de luta e mobilizações quase anônimas a universidade federal na zona leste está mais perto de se tornar uma realidade. Nesse sentido se faz crucial algum resgate sobre parte dos passos que foram dados nessa direção antes que aventureiros, com pretensões eleitoreiras, se comportem desastradamente como supostos pais de criança.

Agora, no dia 18 de agosto, a partir das 9 horas da manhã está previsto uma concentração em frente ao antigo prédio da Gazarra, na Avenida Jacu Pêssego, 2630, Itaquera para uma espécie de celebração da tão aguardada etapa do depósito feito pela Prefeitura de São Paulo referente a aquisição do terreno que se transformará na universidade e que terá, a posse, que ser repassada ao Ministério da Educação, do governo federal. Aguarda-se a presença da presidenta Dilma Roussef, do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de parlamentares, dos principais ativistas da luta pela universidade e da população.

Antecipando-se a possíveis comportamentos equivocados de parlamentares ou eventuais candidatos nas próximas eleições municipais ainda este ano, vale fazer algumas considerações.

A primeira delas diz respeito a afirmar em alto e bom som que cabe retroagir pelo menos uns 25 anos atrás para encontrar uma forte movimentação popular na zona leste pleiteando uma universidade pública na região. Alguns parlamentares estiveram, sim, envolvidos e citar apenas um nome pode melindrar outros. Lideranças como o Padre Ticão e outros agregados daqueles tempos de Teologia da Libertação poderiam ser citados. Militantes organizados no Partido dos Trabalhadores, então incipiente também. Posso afirmar: eu estava lá.

Saltando no tempo e no espaço. A chegada da Universidade de São Paulo, na versão Leste tem a ver com esse processo e essas lutas. A Fatec na Avenida Águia de Haia, onde estava previsto pelo então governador Mário Covas um Centro de Detenção Provisória foi outra entre as ações por ensino público de qualidade para a região. No mesmo período, registre-se, o governo estadual implantou outras unidades na Zona Leste.

Saltando ainda mais no tempo e no espaço houve um tempo em que um balde de água fria estava sobre nossas cabeças. Em março de 2010, o Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste – FDZL realizou importante seminário nas dependências da Fatec – Águia de Haia para discutir a relação entre o ensino superior e o desenvolvimento econômico na região com algumas preocupações entre as lideranças. Na ocasião quem tinha as chaves do cofre sustentava a impossibilidade da universidade federal vir para a zona leste.

Foi nesse dia que o professor Paulo Augusto de Lima Pontes, um dos membros do conselho de entidades da Unifesp, que decide sobre se; como e quando uma universidade federal seria criada, lembrou de certa resistência em instalar uma unidade na Zona Leste. Nem mesmo o apoio do então ministro de Educação, Fernando Haddad e da possível disposição do prefeito Gilberto Kassab na instalação da unidade era garantia e não estavam comovendo o conselho, insinuava o representante.

Essa impressão foi o suficiente para acirrar os brios das lideranças presentes

As lideranças então se colocaram pela manutenção do diálogo com o conselho da Unifesp e coube ao Padre Ticão, lembrar que apesar da reivindicação aglutinar milhares de pessoas que não aceitariam passivamente uma negativa, as negociações se dariam sempre no plano das ideias e dos diálogos.

Secundados por diversas lideranças que se manifestaram no dia, Ticão lembrava que eram as condições objetivas da região, conforme revelado os diversos índices oficiais a respeito da qualidade de vida e das enormes carências da região mais populosa da cidade os principais argumentos a favor da legitimidade da reivindicação pela universidade.

“Com 4 milhões de pessoas e uma região da cidade onde é possível formas de desenvolvimento sustentável, não é possível não compreender a importância da região. Basta comparar com qualquer outra região do país”, alegaram alguns que argumentaram dessa forma não por desmerecimento de outras localidades, mas, sim, por uma questão de justiça e estratégia. Houve ainda quem lembrasse de que os recursos são sempre por obra e graça dos impostos que toda a população paga, incluindo ai os milhares de moradores da zona Leste.

Durante aquele debate foi confirmado que o Padre Ticão – havia sido convidado pelo conselho para uma reunião nos próximos dias. Segundo Ticão ele lá estaria para de forma negociada argumentar com os conselheiros por uma decisão favorável a essa demanda que dificilmente sairá da pauta da zona leste daqui para frente.

Não só compareceu como, em conjunto com outras entidades como o FDZL e de alguns parlamentares, manteve a chama acesa com diálogos e mobilizações durante todo esse período até esse desdobramento quase final.

É disso que se trata. A luta pela implantação da universidade federal na zona Leste tem muitos pais e mães, mas um exame detalhado vai revelar que foi a mobilização popular e o esforço de lideranças sem mandato parlamentar que deu vida ao rebento.

J. de Mendonça Neto, jornalista e membro do FDZL

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13 de julho de 2012 at 16:41

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A questão das cotas e o possível tiro no pé

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A decisão do Supremo Tribunal Federal a favor da aplicação das cotas raciais nas universidades federais e nos cursos vinculados ao ProUni, que até a sua decisão passou por uma discussão rasa e insuficiente, abriu caminho para que ativistas da causa dessem um primeiro passo, superado uma etapa inicial que encaminha naturalmente para outras.

É certo que a decisão original do STF é de que as cotas não são inconstitucionais e isso não obriga as instituições de ensino superior a aplicá-las.

Este é basicamente um artigo de dúvidas e de impossibilidade, por agora, de fechamento de questão. As dúvidas que o debate ainda não deu conta de esclarecer ainda permanecem. A questão de estabelecer cotas raciais foi o melhor caminho? Ela não estabelece por si um apartamento na sociedade? Confesso que para este escriba os esclarecimentos e a reflexão ainda são insuficientes.

Mas, o que importa no eixo dessas laudas é a dúvida que se desprendem das primeiras; se as propostas que estão sendo discutidas agora pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e que configura a segunda etapa não pode ser um erro. Esta secretaria está tentando construir ações em três frentes: “educação”, “trabalho” e “comunicação e cultura”. Agora, segundo o cerne das propostas gestadas na secretaria para a primeira frente indicam que também os cursos de pós-graduação – mestrado e doutorado – teriam de aplicar o programa.

Ai a coisa se complica fermentando ainda mais as dúvidas iniciais. O argumento utilizado pelos ativistas das cotas era o de superar a discriminação a que estariam sendo submetidos os negros quando do acesso a graduação, por conseqüência das condições históricas que explicitavam que os negros não teriam as mesmas condições dos brancos nas oportunidades do ensino do terceiro grau.

Sempre observei que as condicionantes de falta de oportunidades alcançam mais as condicionantes sociais e econômicas do que a condicionante da cor da pele. A separação, ao final e ao fundo é de natureza de classe não de etnia, mas pesa pouco esse olhar e nem estava autorizado e capacitado a fazer essa discussão onde a coisa toda se decidiu.

Voltando a angústia e dúvida. Suponhamos que um negro, por conta da cota ou não, tenha concluído o ensino universitário ele não superou, então, a alegada condicionante inicial equiparando-se, se assim o desejarmos, ao branco que também concluiu o mesmo curso? E o seu aperfeiçoamento acadêmico na universidade não deveria depender apenas de sua bagagem e estofo intelectual, de sua vontade e aptidão para os estudos? A resposta, para este escriba: é sim.

Mas aqui pode estar à armadilha. Superado as condicionantes iniciais e colocando-se todos em condições de igualdade, a alegação de discriminação deveria cair por terra e o mestrado e doutorado deveriam ser definidos tão somente e apenas por competência. Afinal se estará num patamar em que a exigência é a capacidade de investigação científica e a sua qualidade. Não tem que haver outro critério. Não há espaço nesse nível para se reservar cotas a quem, em realidade, já se galgou a condição de semelhante e igual ao outro pesquisador.

Corre-se o risco, em se adotando cotas nesse nível de aperfeiçoamento dos estudos, de rejeitar propostas pertinentes e de maior importância de estudos feitas por um branco ou amarelo em benefício de outra proposta, eventualmente menos significativa, porque de um negro? E se alguém colocar palavras que não foram aqui escritas insinuando um suposto entendimento deste escriba de que a proposta de um negro é inferior estará sendo leviano. O questionamento é outro. Exatamente o que está no início do parágrafo. É a essa reflexão que o artigo convoca, não a tomar partido antecipado deste ou daquele lado ou cor.

Se ainda observarmos os parâmetros gerais da possível legitimidade das cotas, no Brasil, o percentual de pessoas com essa cor de pele negra alcança menos de 10% do total. Seria correto observar essa porcentagem em todas as possíveis instâncias públicas para além das universidades? Não sei. Mas, se assim fosse e se esse fosse um critério tão bom que pudesse ser estendido universalmente, o presidente Barack Obama, por exemplo, nunca teria sido eleito em razão dos negros nos EUA e ai incluindo os pardos são apenas 13% da população.

Antes que se diga que conforme a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD) a indicação de que é 50,3% a população negra no Brasil, vale detalhar que não é que 50% da população seja negra, aí se incluem 44,2% de mestiços (misturas várias, com ou sem negros (branco e negro, índio e negro, branco e índio, japonês e branco, caboclo e chinês, branco e caboclo, e as mil outras misturas possíveis no país). Negros autodeclarados no Brasil são 5,9%, dados de 2009 do IBGE. Pardo não é branco, nem negro, nem índio… pardo é mistura com ou sem negros, brancos e índios.

Na arena do trabalho

Seguindo na mesma lógica, a secretaria referida acima também pretende construir uma proposta onde os concursos públicos teriam o mesmo critério de cotas. Ainda antes da disputa pelas vagas, os declaradamente negros já sairiam na frente com pontos, independentemente de sua história pregressa, origem e condições sócio-econômicas. Ou não temos e ótimo que assim seja, negros mais ricos que muitos brancos? E os brancos eventualmente tão ou mais pobres que esse negro já estaria lesado de partida.

A proposta em gestação, entretanto, ainda vai mais longe. Quer determinar que o acesso a cargos comissionados e, em tese, cargos de confiança também adotem cotas para os negros, como que manietando o direito daqueles que detêm a possibilidade de nomeação ficando condicionado a observar também o critério de cor de pele.

Na cultura

Na terceira frente de construção de proposta, desconfia-se que estará sendo pleiteada reserva de cotas e recursos para filmes que tratem da temática racial. Aqui fica a dúvida. Determinado roteiro de filme bem elaborado, oportuno e pertinente, pode não ser contemplado com recursos públicos, porque pretende tentar apontar ou demonstrar que o Brasil caminha para uma diminuição da segregação racial, com esse eventual recurso sendo dirigido a outro, por conta da cor de pele e da temática defendida pelos ativistas das cotas. Isso seria correto? Dúvida, apenas dúvida que o leitor poderá ajudar a esclarecer.

Tentando concluir

As dúvidas que semeiam mais dúvidas são se, a seguir nessa direção, será que se reivindicarão futuramente cotas segundo as religiões, o biótipo, as preferências alimentares, a identidade sexual ou gênero. Imaginemos cotas aplicadas nos times de futebol, nas novelas, na música, nos parlamentos, nos ministérios, nos executivos com a ocupação de cargos segundo a cor da pele.

Exageros a parte. A dúvida pertinente é se a sociedade brasileira onde, é claro, segundo o meu entendimento tem uma separação de corte sócio-econômico não ficará ainda pior com a divisão meio oficial em tribos. (JMN)

Publicado como editorial Gazeta São Mateus- Ed.342- primeira quinzena junho/2012

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4 de junho de 2012 at 19:38

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Algumas matérias da assessoria da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos

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http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/248-saude-pacientes-tuberculose

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/243-vigilancia-epidemiologica-busca-tracoma

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/262-em-ritmo-acelerado-o-centro-de-convencoes-e-a-pra%C3%A7a-dos-trabalhadores

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/254-reformas-novas-ceis

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/253-um-olhar-sobre-a-atua%C3%A7ao-social

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/275-governador-anuncia-recursos-para-ferraz-e-regiao

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/274-zoonoses-promove-semana-de-mobiliza%C3%A7%C3%A3o-contra-a-dengue

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/272-vigil%C3%A2ncia-epidemiol%C3%B3gica-examina-e-medica-portadores-de-tracoma

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/271-educa%C3%A7%C3%A3o-promove-encontros-para-o-pme

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/267-mais-uma-ind%C3%BAstria-inaugurada-em-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/265-%C3%B3pera-na-escola-chega-a-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/264-unitfa-oferece-diversas-vagas-de-curso

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/287-lan%C3%A7ada-pedra-fundamental-de-unidade-de-corpo-de-bombeiros

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/286-secretaria-de-seguran%C3%A7a-e-mobilidade-urbana-tem-novo-titular

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/282-prefeitura-de-ferraz-inaugura-mais-uma-cei/emef-em-antigo-pr%C3%A9dio-do-sesi

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/301-em-a-possibilidade-de-chuva-espanta-p%C3%BAblico-na-festa-da-uva

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/299-na-39o-festa-da-uva-h%C3%A1-espa%C3%A7o-para-estudantes-de-m%C3%BAsica

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/302-festa-da-uva-prossegue-em-seu-terceiro-dia-com-show-gospel

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/298-na-abertura-da-festa-da-uva-40-mil-pessoas-comparecem

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/294-prefeitura-inaugura-centro-de-aten%C3%A7%C3%A3o-psicossocial-caps_ii

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/293-as-melhores-frases-foram-escolhidas-os-autores-estar%C3%A3o-nos-camarins

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/290-tr%C3%AAs-novos-secret%C3%A1rios-tomam-posse-em-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/289-regularizao-moradias-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/306-show-restart-festa-da-uva

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/307-popula%C3%A7%C3%A3o-opina-favoravelmente-sobre-a-39%C2%BA-festa-da-uva

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/309-claudia-leitte-fecha-a-39%C2%BA-festa-da-uva-fina-e-evento-tem-saldo-positivo

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/308-guarda-civil-municipal-realiza-parto-de-emerg%C3%AAncia

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/311-com-o-show-de-bruno-e-marrone-mais-50-mil-pessoas-na-festa

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/312-governo-municipal-e-popula%C3%A7%C3%A3o-reconhecem-trabalho-da-pm

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/313-atrav%C3%A9s-de-monitoramento-por-c%C3%A2meras-gcim-evita-furto

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/314-por-determina%C3%A7%C3%A3o-da-justi%C3%A7a-4500pessoas-saem-dos-im%C3%B3veis-invadidos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/315-kit-escolar-chega-%C3%A0s-escolas-p%C3%BAblicas-de-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/316-secretaria-da-educa%C3%A7%C3%A3o-capacita-educadores-sobre-obesidade

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/318-prefeito-inaugura-centro-de-aten%C3%A7%C3%A3o-psicossocial-capsii

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/319-centrais-sindicais-com-apoio-da-prefeitura-realizam-1%C2%BA-de-maio-em-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/320-perimetral-da-copa-passa-por-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/321-prefeito-critica-mais-uma-vez-empresa-que-trabalha-na-nova-esta%C3%A7%C3%A3o

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/322-secretaria-da-dduca%C3%A7%C3%A3o-e-sabesp-explicam-boas-pr%C3%A1ticas-no-uso-da-%C3%A1gua

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/323-obras-da-avenida-marginal-s%C3%A3o-retomadas

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/324-equipes-da-3%C2%AA-idade-de-ferraz-disputam-jogos-regionais

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/325-mini-jornada-da-cidadania-em-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/326-dia-5-de-maio-tem-in%C3%ADcio-em-ferraz-a-vacina%C3%A7%C3%A3o-contra-a-gripe

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/328-dj-industria-iniciam-atividades

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/330-centrais-sindicais-com-apoio-da-prefeitura-realizam-1%C2%BA-de-maio-dia-06-em-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/331-iii-f%C3%B3rum-em-sa%C3%BAde-do-trabalhador-de-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/333-festa-do-trabalhador-re%C3%BAne-mais-de-5mil-pessoas

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/334-pra%C3%A7a-do-jardim-castelo-branco-ser%C3%A1-entregue-antes-de-aggosto

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/329-dia-5-de-maio-tem-in%C3%ADcio-em-ferraz-a-preven%C3%A7%C3%A3o-de-c%C3%A2ncer-bucal

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/335-morar-em-ii-tem-obras-retomadas-ap%C3%B3s-a-reintegra%C3%A7%C3%A3o-de-posse

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/336-abrigados-do-marc%C3%ADlio-guerra-dificultam-trabalho-dos-t%C3%A9cnicos-da-prefeitura

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/332-caism-j%C3%A1-realizou-mais-de-50-mil-atendimentos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/337-departamento-de-medicina-do-trabalho-distribui-orienta%C3%A7%C3%B5es

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/338-prefeitura-abre-licita%C3%A7%C3%A3o-para-constru%C3%A7%C3%A3o-de-120-moradias

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/339-campeonato-de-skate-em-ferraz-de-vasconcelos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/340-apae-ferraz-completa-8-anos-de-bons-servi%C3%A7os

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/341-sede-dos-bombeiros-ficar%C3%A1-para-novembro

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/342-obras-do-novo-shopping-em-fase-de-demoli%C3%A7%C3%A3o

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/343-hospital-regional-de-ferraz-ter%C3%A1-refor%C3%A7o-de-estudantes-de-medicina-em-2013

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/344-governo-federal-anuncia-constru%C3%A7%C3%A3o-de-duas-escolas-infantis-em-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/345-com-atraso-nas-obras-da-esta%C3%A7%C3%A3o-prefeito-dr-jorge-pede-interven%C3%A7%C3%A3o-do-estado

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/346-fam%C3%ADlias-abrigadas-no-marc%C3%ADlio-guerra-deixaram-o-local

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/347-demoli%C3%A7%C3%A3o-do-pr%C3%A9dio-da-c%C3%A2mara-de-ferraz-come%C3%A7a-esta-semana

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/348-lei-de-diretrizes-or%C3%A7ament%C3%A1rias-est%C3%A1-em-an%C3%A1lise-na-c%C3%A2mara

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/349-ferraz-disponibiliza-teste-r%C3%A1pido-de-s%C3%ADfilis-pelo-sus

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/350-gcm-de-ferraz-cria-hierarquia-e-responde-a-anseio-da-categoria

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/351-der-conhece-o-pr%C3%A9-projeto-da-perimetral-de-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/352-em-duas-ocorr%C3%AAncias-gcm-de-ferraz-recupera-ve%C3%ADculo-roubado-e-autua-suspeito-de-roubo

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/353-ferraz-tem-a-melhor-cobertura-com-saneamento-b%C3%A1sico-do-alto-tiet%C3%AA

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/354-prefeitura-abre-licita%C3%A7%C3%A3o-para-canaliza%C3%A7%C3%A3o-de-c%C3%B3rregos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/355-secretaria-de-ind%C3%BAstria-e-com%C3%A9rcio-de-ferraz-tem-novo-titular

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/356-estado-e-cptm-se-comprometem-com-a-acelera%C3%A7%C3%A3o-da-constru%C3%A7%C3%A3o-da-nova-esta%C3%A7%C3%A3o-de-ferraz

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/357-servidores-de-ferraz-poder%C3%A3o-trabalhar-na-delegacia-de-pol%C3%ADcia

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/359-ferraz-promove-baile-beneficente-do-dia-dos-namorados

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/360-ferraz-melhora-condi%C3%A7%C3%B5es-de-acessibilidade

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/361-farm%C3%A1cia-popular-de-ferraz-ter%C3%A1-rem%C3%A9dio-de-gra%C3%A7a-para-asma

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/363-secretaria-de-vma-de-ferraz-promove-semana-do-meio-ambiente

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/364-secretaria-de-planejamento-de-ferraz-tem-novo-titular

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/365-caps-de-ferraz-para-usu%C3%A1rios-de-%C3%A1lcool-e-drogas-ser%C3%A1-inaugurado-em-julho

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/367-centro-de-conven%C3%A7%C3%B5es-e-pra%C3%A7a-dos-trabalhadores-ser%C3%A3o-entregues-at%C3%A9-julho

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/368-fiscaliza%C3%A7%C3%A3o-de-posturas-de-ferraz-promove-opera%C3%A7%C3%A3o-fecha-bar

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/369-ferraz-ter%C3%A1-upa-entre-jardim-s%C3%A3o-jo%C3%A3o-e-vila-margarida

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/370-vila-margarida-ganhar%C3%A1-em-breve-mais-uma-empresa-com-mil-novos-empregos-na-cidade

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http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/372-fundo-social-de-solidariedade-de-ferraz-entrega-agasalhos

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/373-unitaf-de-ferraz-capacita-mais-35-costureiras-com-empregos-j%C3%A1-acertados

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/374-osesp-confirma-presen%C3%A7a-na-inaugura%C3%A7%C3%A3o-do-centro-de-conven%C3%A7%C3%B5es

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/375-campanha-antirr%C3%A1bica-em-ferraz-ser%C3%A1-feita-ap%C3%B3s-chegada-da-nova-vacina

http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/377-fundo-social-distribui-cobertores-no-centro-de-conviv%C3%AAncia-do-idoso-de-ferraz

 

Written by Página Leste

30 de maio de 2012 at 16:49

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Visita superficial aos defeitos do mestre Dylan

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O Dylan faz 71anos, 50 de carreira e acompanhei de perto, lado a lado uns 30 anos dessa trajetória. Teria acompanhado mais, mas não tinha idade para isso. Dylan me faz companhia esse tempo todo e decidido, desde há tempos a não ter senhores nem reis me esforço para não cair na vala comum de súdito. Tento, mas nem sempre consigo.

Por conta disso sempre que possível, busco enfoques ou detalhes desse mestre que possam me incomodar e dar conta que trata-se apenas de um rapaz americano com muito dinheiro no bolso e não um deus, mesmo porque tanto quanto consigo sou agnóstico. Vendo para crer.

Nessa direção, vira e mexe, anoto na memória, essa traidora, pequenos , médios e grandes deslizes do mestre _ olha eu de novo, reverenciando para me certificar de que é um ser humano, não igual a mim, com um forte elenco de defeitos, mas, ele, também, passível de pecados.

E sem a profundidade dos vários enciclopedistas dylanescos que conheço e com um texto aberto a revisão, aprofundamento e até negação busco elencar da velha traidora algumas passagens que envolveram o homem e o artista nesta longa e profícua trajetória.

Mas, até antes dessas observações bastante superficiais, gostaria de considerar que foi exatamente essa resistência a seguir reis e senhores que me colocaram em reserva quando da recente passagem dele pela América do Sul que incluiu apresentações em três capitais e o distrito federal no Brasil.

Lembro de ter conversado com meus botões: Já vi o Dylan algumas vezes. Vê-lo novamente não é pagar pau para um sujeito, quase único, é claro, mas apenas um artista com o qual tenho afinidades? Resolvido, não sei se dá melhor maneira. Dei ré, não fui e não me incomodei.

Não me incomodei porque de perto, mas não presente acompanhei como foi essa passagem e desde elas já pontuei alguns incômodos que me fortaleceram na perspectiva de reafirmar agora: Nem rei, nem senhores e nem deuses, acrescentei. Ele continua com aqueles terninhos de circo e aquele indefectível chapéu. Somos minoria, os incomodados com a vestimenta do cara, mas já se trata de um defeitinho.

Para mim, sob minha responsabilidade e risco, Dylan deu umas mancadas, mas não exijam desse escriba contextualização completa do que vou elencar. A velha traidora não dá conta disso e o Dylan não é tão importante assim que mereça da minha parte grandes prospecções.

Aos pontos e nem são muitos. Dylan não se comportou bem durante a sua transição de abandono da cena militante do folk à época. Tenho pra mim, que o seu salto em direção a outras cenas e amplidão de possibilidades não foi feita de forma elegante e grata a cena folk que tão bem o acolheu, deu força e prestigio inicial.

Aos saltos dos fatos, também considero que a maneira com que ele tratou a relação com a Joan Baez que tinha outras expectativas quanto ao então jovem Dylan, não foi a de um cara respeitoso e sim de quase um oportunista sem escrúpulos.

Ainda saltando. Quando virava uma celebridade anfetaminada em sua passagem pela Inglaterra o desdém continuou com relação à parceira que tanto o apoiou. As diversas entrevistas das quais ele participava pouco tinha de novo com relação ao comportamento eminentemente comum da época, entre as estrelas da cena rock. A sua irreverência, em determinadas ocasiões visavam alimentar o astro, não os esforços da contracultura. Considero, e esse é um julgamento de juízo, que era um momento de responsabilidades comunitárias da qual ele se furtou.

Saltando mais. A forma com que tratou um esforçado Donavan _que o apreciava sem moderação, também não foi a de alguém que se garantisse em sua complexidade e capacidade. O documentário Dont Look Back dá alguns outros sinais claros que se Dylan estava num momento muito inspirado de sua carreira em transição para a cena do rock, pessoalmente algumas posturas beiravam a infantilidade e cafajestice quando numa relação conflituosa entre as mulheres do seu arco.

Outra passagem que a velha traidora trás superficialmente diz respeito a sua participação num Live Aid qualquer, onde não tenho certeza que sua alusão a situação dos fazendeiros americanos sugerindo uma ajuda advinda da ação binacional, EUA e Inglaterra, fosse a mais pertinente. Claro que Dylan não falou no vazio e apenas baseado num “baseado”. Tinha lastro. A situação dos fazendeiros mereceu depois shows especiais com aquela finalidade.

Aos saltos ainda. Dylan, conforme narra, Sounes, na biografia que fez do mestre e ele próprio no primeiro volume de Crônicas, desfila alguns exemplos de comportamento duvidoso. Roubo de discos, suave, é claro; roubo de arranjos como fez com Dave Van Ronk em seu primeiro álbum e a megalomania afrescalhada quando gastou fortunas para construir uma mansão onde moraria apenas o pequeno Bob e sua família que nem tão grande era.

Acho que fico, por enquanto, por aqui. Outros exemplos poderiam brotar da velha traidora. Haverá controvérsias, explicações e algumas fazem parte até mesmo das minhas reflexões sobre o ocorrido, mas, como alertei os eventuais leitores se trata de um esforço pessoal de não ver Dylan como rei, senhor ou deus.

O infortúnio de um texto destes seria a infelicidade de ele chegar aos olhos do mestre. Ele leria então essas mal construídas linhas e não as dezenas de textos que escrevi sobre ele meio indefeso com relação a minha premissa de não ter reis, senhores ou deuses.

Dylan é Dylan. Meu parceiro de longa data e o maior compositor de todos os tempos. E lá sigo eu tentando não reverenciar.

Visconde de SábioGoza 

Written by Página Leste

25 de maio de 2012 at 15:14

Aparentemente não há, nos autos, provas da existência do mensalão

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A pressão sobre o Supremo Tribunal Federal é imensa por parte da grande mídia conservadora. Se depender dos ânimos dela pode desrespeitar os autos e indicar para julgamento outros delitos supostamente praticados no chamado mensalão. Claro que não fica bem para essa imprensa, ela própria tendo julgado de forma antecipada e a revelia do que consta nos autos, que aconteçam absolvições.

O diabo, entretanto, está nos detalhes e esses indicam que existiu certa tendência a aceitar como acertadas as denúncias do Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Por ampla maioria, os juízes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de fazer parte da trama.

Apesar da pressa e pressão da grande imprensa, felizmente, o Brasil ainda tem regras e o julgamento não será feito pela mídia, mas, preferencialmente, nos termos da lei, numa sessão plenária do STF. Depois de aceita a denúncia, foi aberta a Ação Penal de número 470. É onde estão as acusações e as defesas dos réus e das suas testemunhas. No final do semestre passado, todos _acusação, defesa e o relator – fizeram suas considerações finais.

Como os julgamentos são feitos com base nos autos, ou no que está nas peças do processo, ainda existe o processo legal e, não a execração pública e essa precipitadamente vem sendo feita. Pelo devido processo legal que obriga a provar as acusações com depoimentos, fatos e laudos periciais a coisa não é tão simples.

Para entender melhor

Para entendermos melhor a história toda precisamos atentar para o fato de que se trata de dois delitos diferentes. O primeiro entre eles teve sua investigação e foi concluída basicamente pelo Congresso e pela Polícia Federal. Neste vários réus confessaram práticas ilegais no esquema de quem deu dinheiro e os 18 deputados e outras 20 pessoas ligadas a estes que receberam recursos via Delúbio Soares/Marcos Valério. Este é um caso pronto, maduro para ir a julgamento e refere-se ao chamado “caixa dois” praticado pelo Partido dos Trabalhadores a partir da vitória de Lula no primeiro turno das eleições de 2002.

Em 2002, grandes empresários prestaram a atenção e começaram como de seu hábito a irrigar a campanha com contribuições clandestinas com vistas a receber, depois de sua posse, favores pela ajuda na campanha.

Esse primeiro crime é público, notório e assumido. Marcos Valério e Delúbio Soares depuseram sobre a operação e foram confirmados por cerca de duas dúzias de políticos e seus auxiliares. Receberam dinheiro do esquema do caixa dois. Pronto. Assumido, basta sentenciar se for o caso.

Agora o suposto mensalão

De acordo com o procurador geral o mensalão seria o grande e histórico crime do PT que formou uma organização criminosa com o apoio da mais alta cúpula partidária e do governo federal para violar as mais diversas leis e corromper o processo legislativo com o suborno de deputados e senadores para que votassem com o governo.

Só que essa proposição é uma criação política e não se tem nos autos prova alguma de que no final de 2002 José Dirceu tenha sido ungido a chefe e comando de um bando composto por outras 15 pessoas, entre elas Delúbio, José Genoíno, Silvio Pereira e outros. O fato é que existem fortes indícios que os bancos emprestavam dinheiro a Delúbio e as empresas de Marcos Valério, entretanto não há, nos autos, qualquer prova de que esses recursos tenham sido usados para outra finalidade que não a do financiamento de campanhas políticas. Se assim é insere-se no delito confesso e reconhecido, não outra coisa como quer a mídia e os apressados.

Nenhum dos 79 parlamentares da base de apoio do governo citados e ouvidos formalmente no processo, inclusive os 18 que assumiram ter recebido dinheiro no primeiro caso, admitiram a prática de compra de votos. E a essência da acusação do mensalão é a compra de votos dos parlamentares para votar com o governo. Portanto, sem provas.

Existe uma contradição insolvível entre o que se acusa e o que faz sentido. Primeiro: porque se pagaria para deputados governistas e da base de apoio para votar a favor do governo? Segundo: um levantamento feito por comissão de sindicância da Câmara dos Deputados com base nos registros do Congresso mostra uma desvinculação entre os períodos de saques dos valores e o comportamento dos membros da base aliada nas votações. O levantamento indicou que cerca de 80% de cada partido votava com o governo, independentemente da ocorrência de saques.

Entre fevereiro de 2003 e dezembro de 2004 o apoio do PL ao governo, por exemplo, oscilou entre 85 e 95% e, em que pese o expressivo repasse entre janeiro e junho de 2004, por exemplo, a percentagem de votos alinhados com o governo registrou níveis inferiores a 10%. Compare-se, então com os baixíssimos repasses em parte do ano de 2003, mas que indicaram o apoio entre 90 e 100% às propostas do governo. Como seria isso, então? Seriam pagos pelos votos que não vinham? Não faz sentido.

Para finalizar, diz um adágio popular de que de bunda de nenê e cabeça de juiz ninguém sabe por antecipação o que pode sair. Que o STF então julgue com o que se encontra comprovado nos autos e não com a navalha na carótida patrocinada pela grande imprensa conservadora que já fez seu julgamento faz tempo e que quer, agora, a concordância de quem sim, em tese, tem a prerrogativa e a competência para julgar. (JMN) 

Written by Página Leste

14 de maio de 2012 at 14:36

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