O pecado não está no funk, mas nos abusos
Importante reportagem feita por Moriti Neto e Vinicius Souza, com a colaboração de Gabriela Allegrini e Maria Eugênia Sá para um blog paulistano permitiu se observar a partir de outros olhos o fenômeno do funk e os bailes nas periferias de São Paulo que em geral são encerrados pela polícia. Não basta mais olhar apenas para o desconforto de quem não é adepto e apreciador do funk e seus derivados.
A reportagem deu conta de mostrar que em certos pontos da periferia da zona sul de São Paulo e outras periferias outro lance vem acontecendo. Nesses locais, em geral entre quinta e sábado reúnem-se, depois das 21 horas, dezenas de garotas entre 15 e 23 anos, um pouco mais, um pouco menos, devidamente preparadas e turbinadas para serem levadas em ônibus fretados para baladas funk na parte rica e mais central da cidade.
A entrada nessas casas é grátis. Só não inclui o consumo de bebidas e para que as preparadas não cheguem caretas ao espetáculo os organizadores se encarregam do aquecimento das moças dentro dos ônibus. Só ou em duplas os rapazes que promovem a excursão transitam pelos corredores dos ônibus alugados servindo vodka em copos plásticos. Não deixam os copos esvaziarem e a partida é sempre por volta da meia noite.
A reportagem vai explicando que animadas com os drinks, as meninas vão se entusiasmando dentro dos seus modelitos periguetes que atualmente predomina. Vestidos justos e curtos, sandálias de grandes saltos e fortes maquiagens.
Na chegada a uma determinada boate da Vila Olímpia, quase uma hora depois de saírem das periferias em ônibus, elas causam alvoroço no trânsito nas proximidades das casas noturnas onde a frequência é de um público mais maduro. Nem sempre percebem a finalidade dessa etapa: de ficarem expostas durante pelo menos mais de meia hora na rua aos olhares masculinos. Aos poucos são liberadas para os camarotes onde se encontram com outras meninas de outros pontos da cidade.
No dia da reportagem eram cerca de 80 as que entraram de graça para animar a área VIP. No ambiente pouco iluminado, com sofás e mesas de sinuca, a proporção é de três mulheres para cada homem. Eles pagam R$ 60 de entrada ou R$ 120 com consumação e mais a bebida das moças.
Noite adentro se ouve o funk fazendo rolar solta a sensualidade. Por volta das 2h da manhã, algumas meninas estão seminuas nos cantos mais escuros da área VIP, circulando entre cigarros de maconha e comprimidos de ecstasy que também chegam às mãos de quem assim o desejar. Só por volta das 5h30 da manhã, o público começa a dispersar.
É nessa hora que as meninas despertam para o toque de recolher. Pegam o ônibus de volta ao ponto de partida e depois, dependendo do caso, arrumam outra condução que as leve para os distantes bairros e comunidades onde moram, porque não foram lá que os ônibus foram buscá-las. Os agenciadores, na noite anterior, sempre marcam um lugar menos periférico.
Contraditoriamente as moças que voltam para os seus bairros, onde, antes, elas foram proibidas de dançar o funk por conta da repressão policial motivada pelo barulho que incomoda e a presença de drogas e álcool acessível para menores de idade além do saldo de violência que costumava ocorrer nessas festas.
O que a reportagem conseguiu evidenciar vai além da contradição de que abordaremos em seguida. A de que o funk é permitido em ambientes controlados no centro e proibido nos ambientes sem controle da periferia. Segundo o parecer de um advogado consultado, nessas circunstâncias alguns crimes são cometidos. “Além do óbvio, ou seja, oferecer bebidas alcoólicas para menores fazem promoção da prostituição, mesmo que sem a percepção das meninas. Também existe incitação ao crime, o incentivo à prática da própria prostituição. É dever do Estado assegurar que isso não ocorra”, esclarece.
Na periferia, funk e droga podem dar cadeia
Desde 2011, em função das insistentes queixas dos munícipes a Polícia Militar montou a Operação Pancadão, batizada em referência à batida do funk e acabou com a sequência de bailes que se pretendia fazer em Campo Limpo, Heliópolis, M´Boi Mirim, Jardim Ângela e em dezenas de outras regiões periféricas na zona leste e no ABC Paulista.
Originalmente os bailes funks eram feitos em locais fechados, mas nunca apropriados o suficiente. Sem espaços foram para as ruas e diante da repressão passaram a ser realizados de surpresa e combinados de última hora sem local fixo, mesmo nos bairros onde a operação ainda não havia chegado. As informações sobre a mão pesada da ação policial que entrava em alguns locais jogando bombas de efeito moral, com tiros de borracha e spray de pimenta correram de boca em boca ou através das comunidades entre os jovens da periferia.
Em muitas dessas ocorrências se flagrou comerciantes das comunidades sendo autuados por venda de bebidas alcoólicas a menores. Nas batidas há casos de aparelhos de som dos carros sendo apreendidos. Tem faltado lugar para esse tipo específico de lazer, mas nem por isso a saída é perturbar o descanso alheio e essa é a encrenca a ser resolvida.
De uns bons tempos para cá sons de carros de alta potência transformaram carros em trios elétricos. Preparados para reproduzir música em volume ensurdecedor tornaram-se mesmo uma saída econômica para os jovens que gostam dos funks de rua. “A meninada se junta pra comprar um som de carro, pra ficar na comunidade e impressionar. Se tiram isso deles, vão pros bairros chiques, descobrem aquele mundo, se sentem o máximo. Têm história pra contar no dia seguinte. Quando a gente sente na pele a diferença de tratamento que a policia dá de um lado e de outro, quer ficar no bairro rico”, comenta na reportagem o promotor de eventos Luciano Roberto Pereira.
Enquanto isso e quando o funk é nos jardins
Tirando proveito da migração feminina construída artificialmente da periferia para os jardins, conforme explicado na primeira parte deste artigo, dezenas de casas promovem bailes para atrair jovens das comunidades. As meninas chegam aos locais em fretados e por causa da dificuldade de condução a partir de certas horas, as baladas começam às 23h para permitir que os mais esforçados cheguem de condução, mas a coisa toda mesmo acontece após as 2horas da manhã.
A reportagem quando visitou outras casas encontrou de tudo um pouco daquilo que é proibido na periferia, mas que no local parecia território liberado. Sem apreensão nem preocupações maiores os frequentadores consomem álcool, sentem cheiro ou usam de maconha a todo instante, comprimidos de ecstasy e frascos de lança-perfume rodam de mão em mão. Aqui a outra contradição: os mesmos jovens proibidos de dançar funk na periferia em bailes de rua com as autoridades qualificando com alguma razão como encontro com apologia ao uso de drogas podem usá-las livremente no bairro nobre.
Nas ruas do centro então, o funk chega, cresce, incomoda e ainda não é reprimido
Nem mesmo a já sabida estória de que os bailes de rua incomodam os vizinhos sensibiliza, por exemplo, alguns lugares no centro. Na Liberdade, por exemplo, nas proximidades de uma grande faculdade particular, acontecem bailes quase todos os dias com um público de classe média. Em geral estudantes da instituição. “Os carros param nos bares, abrem os porta-malas com volume alto e por lá bebidas, drogas e menores se confundem”, registra de forma anônima um dos seguranças da instituição.
Sem viaturas de polícia circulando com maior frequência, quando passam costumam recomendar baixar o volume, mas de novo é aumentado logo que a viatura desaparece. A situação nesta e em outras faculdades, na Barra Funda, na Mooca e na Consolação torna-se incontrolável às sextas-feiras.
Como os jovens das periferias, também buscam diversão. O sexo rola dentro de carros com vidros escuros, mas a caso de drogas consumidas nas ruas. Além de não sofrerem nenhuma sanção policial, as festas em algumas ocasiões, conta até com o apoio informal da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) que fecha os acessos dos carros às ruas para garantir a segurança. (JMN)
Recusando a lógica dos grandes, eleitores se voltam para Russomano
Os números indicam que na campanha eleitoral paulistana, as baterias de parte de setores supostamente progressistas que se empenham a todo volume na empreitada para que o tucanato seja eliminado em São Paulo, volta agora suas preocupações com o candidato Celso Russomano (PRB). Já não está tão sólida a impressão de que num eventual segundo turno do Haddad contra o candidato dos bispos a vitória estaria garantida facilmente. A turma do PSDB também não estava dando muita pelota para o concorrente. Não o tinha sobre a sua mira nesse primeiro tempo, pelo contrário, conta com ele num eventual segundo turno com os petistas.
Com um bispo de cada lado. Celso Russomano com o Edir Macedo e o Haddad com o Lula a peleja estaria em aberto e, agora, sem as certezas de outrora de que Lula e Dilma na campanha em São Paulo seriam imbatíveis. A rigor Lula e/ou o PT elegeram, em outra conjuntura, a Luisa Erundina, antes do Lula se render ao status quo e a senadora Marta Suplicy que disputou outras campanhas para o Executivo sem sucesso e que foi eleita uma vez prefeita com o apoio então do Paulo Maluf um dos candidatos que dividiu os votos.
Enquanto esses setores estavam em sua cruzada para superação do tucanato em São Paulo, notadamente no espaço da internet a mando, sugestão ou soldo dos partidos e aliados, os eleitores não se sensibilizaram com a cantilena e respondem sinalizando que não vão acompanhar essa cruzada. Demonstram isso flertando com Celso Russomano, de quem, os supostos progressistas, queixam-se ser muito equivocado em suas propostas e ser tutelado pelo bispado evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus. A revelação de ambas as coisas parece não estar importando para os eleitores.
As armações, encaminhamentos e as lógicas dos dois grandes partidos que disputam a eleição municipal, PSDB e PT, parecem ter sido percebidas e rejeitadas. Algo como um recado nos seguintes termos “Vocês façam o que quiserem ai, bolem e lancem os seus candidatos, mas o voto é nosso e fazemos dele o que queremos”. Uma afirmação desse tipo só faria enfatizar que a desesperança e desconfiança com os políticos é generalizada, graças, principalmente, ao papel deles próprios.
Equívocos de parte a parte
Por causa do comportamento dos políticos acima, uma fatia expressiva de eleitores paulistanos não está atenta à viabilidade ou não das propostas do Russomano. Apesar de mirabolantes conquista apoios. Algumas entre as várias sandices do queridinho da hora diz respeito a intenção de incorporar os milhares de seguranças e vigias privados a forças regulares de segurança, no caso à Guarda Municipal. Outra é acabar com a progressão continuada no ensino fundamental municipal.
A primeira é uma bobagem, mas esses eleitores não estão nem ai e ainda apoiam o desdobramento em outra proposta do CR de colocar guardas municipais dentro das escolas, atitude que cria calafrios nos especialistas em educação, mas que tem apoio de alguns professores na intimidade e apoio descompromissado de pais e responsáveis. Quanto a acabar com a progressão continuada nas escolas municipais. As pessoas gostam de ouvir que é um absurdo passar de ano sem saber nada. Entretanto, se é para isso acontecer precisa combinar o jogo com as escolas estaduais para onde migraram os potenciais repetentes.
No olho clinico e rigoroso de uma análise, diversas dessas medidas e indicações de soluções são simplórias e equivocadas. Russomano costuma esgrimir ideias erradas e simples para problemas complexos. Outra que parece razoável, mas é bastante discutível é a proposta de verticalizar as creches para atender as demandas. É prudente crianças de menos de cinco anos subindo lances de escada?
No cravo e na ferradura; voltando a Serra e Haddad
Todas as entrevistas com números deveriam ser mais cuidadosas, certo? Pois bem, nem sempre é assim Ao perguntarem sobre dados seria prudente que os jornalistas tivessem estes em mãos. O candidato que vai responder, também. Em entrevista recente ao SPTV, Haddad disse que em 2009 as creches atendiam a 9% da demanda. Passou a ser atendida em 23% na sua saída do governo, ou seja, final de 2011, início de 2012. O que ele sugeria é que, enquanto ministro da Educação, fez elevar em 14 pontos percentuais o número de vagas? Os fatos, entretanto, dizem outra coisa. O programa federal de creches, chamado Pró-Ínfância prometeu 6 mil creches, mas entregou, no máximo, 200. Com um pouco de esforço podemos estimar que foram abertas 20 mil vagas. Se for para comparar, o mandato do Serra e do Kassab, em oito anos, criaram 148 mil vagas, sendo que quando o primeiro assumiu as ofertas era de apenas 60 mil vagas.
Vale contextualizar que Haddad admitiu na mesma entrevista, que a cobertura de creches no Brasil todo é de 23% e na cidade de São Paulo 48%. Ou seja, para quem entende que a cobertura de creches tem que ser de 100%, nem no Brasil nem em São Paulo isso ocorre. Diante dos dados, não brigando com os números e não tendo interesse em um candidato ou outro, um dos lados fez mais, ou não?
Outra curiosidade, se cobra o passado recente de um e não de outro
Tem sido recorrente e correto o Serra ser cobrado nas entrevistas sobre a desistência de mandato, da herança deixada ao Kassab e agora pelo Kassab. O mesmo critério ou comportamento, entretanto, não tem sido registrado nas entrevistas com o Haddad. Ele tem sido poupado de questionamentos sobre a sua passagem pelo Ministério da Educação. De novo, a implicância não é nossa. São os fatos e haveria questionamentos a se fazer.
Recentemente as universidades federais completaram quase quatro meses em greve. Em 2011 outros tantos meses. Entre as reivindicações questões salariais de professores que vem desde antes, passando pela época em que o Haddad lá estava. O ex-ministro, portanto, tem alguma contribuição na situação.
A expansão das universidades federais Brasil afora, foi feita a despeito da qualidade e da possibilidade de seu bom funcionamento. Boa parte dos campi avançados não tem prédios construídos para os alunos, em outros prédios falta energia elétrica e num outro campus até o esgoto corre a céu aberto. Em alguns faltam laboratórios e os hospitais universitários vivem uma crise mais intensa que outros períodos.
Culpa só do Haddad? Claro que não, mas e ai? Alguma responsabilidade colateral ele pode ter e não tem que ter receio em fazer as perguntas. Se o critério da avaliação vale para tucanos que se valha também para petistas.
Diante de parte do quadro surreal pode ficar “russo” mano
Nesse início de setembro a situação indica poucas alternativas de mudanças e inversão das intenções de votos dos eleitores para Serra ou Haddad. Uma parte expressiva do eleitorado, que nos laboratórios das direções partidárias, se considerava como progressista, tem se cansado de promessas não cumpridas e abraça as manifestas soluções simples e objetivas, sem dimensionar os complicadores. Para a candidatura de Celso Russomano migrou também parte do que se convencionou chamar de eleitorado conservador, antipetista. Parte desse público é o mesmo que pode achar a gestão Kassab e Serra razoáveis, mas mesmo assim irá com o Russomano.
Se nenhum sobressalto acontecer, Russomano estará no segundo turno. Contra Serra poderá demonizar a gestão Kassab atingindo o oponente. Se for contra Haddad poderá querer repassar seu passado no Ministério da Educação, arrolará o imbróglio do julgamento do mensalão e ainda fará com que salte para a linha de frente da campanha obreiros evangélicos que lembrarão que o escolhido de Lula é o pai do kit gay. (JMN)
Aceitamos críticas, não ofensas e xingamentos
Em abril /maio de 2012 a diretora do jornal Gazeta São Mateus teve o desprazer de receber uma cópia de um videozinho onde uma suposta liderança da região passava e muito dos limites da educação, do direito em determinada reclamação.
Para dar conta de responder publicamente expusemos em forma de opinião na edição342 do referido jornal.
Recentemente tive o desprazer de receber um videozinho feito por um cidadão morador das proximidades do Córrego Riacho dos Machados que, de forma acintosa e desrespeitosa, soltou uma série de impropérios de natureza pessoal a ponto de diante do descalabro e do exagero eu ter que apelar para a minha assessoria jurídica se devemos deixar para a Justiça se pronunciar sobre as eventuais ofensas.
Um dos principais questionamentos feito no vídeo dava conta de que eventualmente em reportagem recente, onde entrevistamos uma liderança da comunidade do Riacho dos Machados enfocando alguns, eu disse, alguns aspectos das prometidas obras prometidas em seu leito que ainda estão pendentes de serem feitas, faltaram outras abordagens. Vale já adiantar que isso é comum em qualquer reportagem. A edição decide por apenas alguns aspectos entre as questões.
O que exalou da matéria da Gazeta por ter dado vez, voz para uma liderança devidamente identificada não pretendia e nem conseguiria dar conta de todos os detalhes que envolvem a questão. Coube ao entrevistado falar o que ele assim o desejou na ocasião e não podemos nós ser responsabilizados por isso.
Como resultado o que se viu com a ira do produtor do vídeo foi o incômodo quanto ao fato de determinado trecho do córrego não ter sido objeto da reportagem nessa e eventualmente em outras ocasiões. Essa decisão, sobre o que quer enfocar cabe, exclusivamente, a redação do jornal e não seremos pautados por quem quer que seja, mesmo que se imagine falando grosso.
Ademais, o jornal com as limitações que tem e, vale lembrar que até a grande mídia, em um determinado ponto, também tem suas limitações, nunca pretendeu e nem nunca se declarou o grande big brother que pudesse ou quisesse acompanhar a tudo e a todos o tempo todo.
Se o queixoso mostrou-se inconformado com a nossa possível ausência na comunidade e no acompanhamento das possíveis problemáticas que esta enfrenta, ele teria que ter claro, e assim manda os bons modos, os limites e as formas de evidenciar as suas queixas e elas, seguramente, como mostra o vídeo passou e muito dos limites.
Nunca nos arvoramos e dissemos a quem quer que seja que cobríamos jornalisticamente todos os cantos, rincões e mocós de São Mateus. Sequer teríamos uma perna para isso. Também nunca nos arvoramos a dizer que todas as questões de natureza comunitária ou social seriam reportadas em nossas páginas. Sequer teríamos a segunda perna para isso.
Por outro lado, nesse difícil ofício de fazer um jornal, com essa abrangência modesta, sabemos, não chegaria a completar 18 anos de existência ininterrupta se fosse tocada com vagabundagem, ou por uma vagabunda conforme foi insinuado.
Existem outras insinuações graves que não vale a pena aborrecer os leitores com elas, porque delas poderá se ocupar o Judiciário, caso nossa assessoria jurídica resolva acioná-lo.
Vale mesmo é lembrar que no ofício da imprensa e, da regional, principalmente, são demais os perigos dessa vida. E entre eles, o principal é que repórter, os editores e o próprio veículo estão constantemente sujeitos as tentativas de manipulação por parte de suas fontes, dos entrevistados, dos não entrevistados, dos políticos e não políticos com seus interesses não confessados sejam eles legítimos ou não.
Não é a primeira vez e não será a última que pessoas com seus interesses – afinal, em geral, no mínimo moram nas áreas envolvidas se queixam de nós _e de todas as outras mídias, que não prestam atenção a eles e seus assuntos. Vale ressaltar que nem sempre é porque preferimos limão ao invés de laranja. É que às vezes não temos nem a primeira nem a segunda perna para saber, acompanhar e reportar tudo de todos.
Alguns, quando não contemplados reclamam, outros passam dos limites. A estes últimos, bons modos, educação e respeito só podem fazer bem as partes.
Obra ficcional mergulha nos porões secretos do Judiciário
Decisão judicial se cumpre, não se discute. Fato. O que também não se discute _mas se deveria, seja por medo, seja por costume são as decisões e os caminhos, nem sempre probos que juízes têm licença para percorrer. Principalmente, se as questões em tela forem de natureza privada que, em princípio, enganosamente, se acredita dizer respeito apenas aos envolvidos.
É nessa esfera, pouco iluminada que eventuais juízes, inescrupulosos, dão de ombro à jurisprudência, a correção, a lisura e fazem suas mutretas para chegar a diversos caminhos: operar contra a justiça, promover favores e receber (in)justas prendas, normalmente pecuniárias pelo despacho final.
Acima do bem e do mal, o Judiciário reina absoluto, sempre refratário a questionamentos e vigilância da sociedade. Ungidos a deuses, posam de ofendidos quando qualquer forma de vigilância sobre o seu trabalho é colocado na pauta da sociedade.
É no sentido dessa revelação e denúncia que é muito bem vindo o livro Nas Sombras da Justiça, de Daniel Carajelescov, pela RG Editores que acabou de sair. Não tem como não ser leitura obrigatória para todos nós, simples mortais, que não temos pedigree suficiente para digerir as informações pelo lado de dentro, mas, preferencialmente, para os operadores de direito.
Com mestrado em Direito Penal, vinte e cinco anos de serviços prestados como Procurador no Estado de São Paulo, Carajelescov organiza testemunhalmente em sua obra ficcional um roteiro romanceado de como as coisas podem fugir do controle na esfera que deveria ser a tão nobre e desejável competência no Judiciário.
Carajelescov revela no livro um pouco dos desvios desse poder refratário ao controle social. Se não reproduz exatamente ocorrências que testemunhou ou tomou conhecimento ao longo de tantos anos de Procuradoria e outros tantos advogando, apenas o faz para evitar gasturas indesejáveis ao leitor. Ao contrário, entrega para o deleite e, principalmente à reflexão, o que podemos chamar de muitas observações ligeiramente ficcionadas, mas bastante pertinentes.
O livro indica claramente situações que exigem a necessidade de mudança, apesar da resistência que o corporativismo da categoria vai empreender. Que o façam! Entretanto, seria desejável que não o fizessem. Que a magistratura, durante o exercício de suas funções, busque, tanto quanto possível, ser fiel aos preceitos e a jurisprudência disponível e que juízes não abusem do tão recorrente argumento do “seu livre convencimento” para arrepiar o que diz a Lei.
Dessa maneira, o livro pode significar um libelo contra a falta de lisura, precisão, celeridade e síntese emanadas de muitas sentenças que, acreditem, estão sendo proferidas ainda agora. O que a sociedade exige e espera desse tão importante poder moderador é exatamente o seu contrário. Tem que estar a serviço da comunidade em suas várias vertentes e promover a garantia da justiça e da Lei.
Como resultante literária, o livro evidenciará durante o transcorrer de suas páginas a trama, os diversos papéis e indicações claras das eventuais margens de manobra ao arrepio da Lei. A sua leitura e principalmente ação a partir dele é desejável para que se desconstrua a sacralidade que envolve esse poder.
Que a leitura de Nas Sombras da Justiça sirva principalmente para que os operadores do direito façam uma reflexão e ações no sentido de reconduzir esse poder para onde a sociedade espera. São apenas 310 páginas de uma leitura agradável que ao final conduzirá o leitor a ver com outros olhos esse imponente e mais paroquiano entre os poderes. (JMN)
Serviço: O livro poderá ser adquirido na RG Editores, (11)3105-1743, e-mail: rgeditores@yahoo.com.br
Universidade federal na Zona Leste: antes que um aventureiro lance mão
Após anos de luta e mobilizações quase anônimas a universidade federal na zona leste está mais perto de se tornar uma realidade. Nesse sentido se faz crucial algum resgate sobre parte dos passos que foram dados nessa direção antes que aventureiros, com pretensões eleitoreiras, se comportem desastradamente como supostos pais de criança.
Agora, no dia 18 de agosto, a partir das 9 horas da manhã está previsto uma concentração em frente ao antigo prédio da Gazarra, na Avenida Jacu Pêssego, 2630, Itaquera para uma espécie de celebração da tão aguardada etapa do depósito feito pela Prefeitura de São Paulo referente a aquisição do terreno que se transformará na universidade e que terá, a posse, que ser repassada ao Ministério da Educação, do governo federal. Aguarda-se a presença da presidenta Dilma Roussef, do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de parlamentares, dos principais ativistas da luta pela universidade e da população.
Antecipando-se a possíveis comportamentos equivocados de parlamentares ou eventuais candidatos nas próximas eleições municipais ainda este ano, vale fazer algumas considerações.
A primeira delas diz respeito a afirmar em alto e bom som que cabe retroagir pelo menos uns 25 anos atrás para encontrar uma forte movimentação popular na zona leste pleiteando uma universidade pública na região. Alguns parlamentares estiveram, sim, envolvidos e citar apenas um nome pode melindrar outros. Lideranças como o Padre Ticão e outros agregados daqueles tempos de Teologia da Libertação poderiam ser citados. Militantes organizados no Partido dos Trabalhadores, então incipiente também. Posso afirmar: eu estava lá.
Saltando no tempo e no espaço. A chegada da Universidade de São Paulo, na versão Leste tem a ver com esse processo e essas lutas. A Fatec na Avenida Águia de Haia, onde estava previsto pelo então governador Mário Covas um Centro de Detenção Provisória foi outra entre as ações por ensino público de qualidade para a região. No mesmo período, registre-se, o governo estadual implantou outras unidades na Zona Leste.
Saltando ainda mais no tempo e no espaço houve um tempo em que um balde de água fria estava sobre nossas cabeças. Em março de 2010, o Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste – FDZL realizou importante seminário nas dependências da Fatec – Águia de Haia para discutir a relação entre o ensino superior e o desenvolvimento econômico na região com algumas preocupações entre as lideranças. Na ocasião quem tinha as chaves do cofre sustentava a impossibilidade da universidade federal vir para a zona leste.
Foi nesse dia que o professor Paulo Augusto de Lima Pontes, um dos membros do conselho de entidades da Unifesp, que decide sobre se; como e quando uma universidade federal seria criada, lembrou de certa resistência em instalar uma unidade na Zona Leste. Nem mesmo o apoio do então ministro de Educação, Fernando Haddad e da possível disposição do prefeito Gilberto Kassab na instalação da unidade era garantia e não estavam comovendo o conselho, insinuava o representante.
Essa impressão foi o suficiente para acirrar os brios das lideranças presentes
As lideranças então se colocaram pela manutenção do diálogo com o conselho da Unifesp e coube ao Padre Ticão, lembrar que apesar da reivindicação aglutinar milhares de pessoas que não aceitariam passivamente uma negativa, as negociações se dariam sempre no plano das ideias e dos diálogos.
Secundados por diversas lideranças que se manifestaram no dia, Ticão lembrava que eram as condições objetivas da região, conforme revelado os diversos índices oficiais a respeito da qualidade de vida e das enormes carências da região mais populosa da cidade os principais argumentos a favor da legitimidade da reivindicação pela universidade.
“Com 4 milhões de pessoas e uma região da cidade onde é possível formas de desenvolvimento sustentável, não é possível não compreender a importância da região. Basta comparar com qualquer outra região do país”, alegaram alguns que argumentaram dessa forma não por desmerecimento de outras localidades, mas, sim, por uma questão de justiça e estratégia. Houve ainda quem lembrasse de que os recursos são sempre por obra e graça dos impostos que toda a população paga, incluindo ai os milhares de moradores da zona Leste.
Durante aquele debate foi confirmado que o Padre Ticão – havia sido convidado pelo conselho para uma reunião nos próximos dias. Segundo Ticão ele lá estaria para de forma negociada argumentar com os conselheiros por uma decisão favorável a essa demanda que dificilmente sairá da pauta da zona leste daqui para frente.
Não só compareceu como, em conjunto com outras entidades como o FDZL e de alguns parlamentares, manteve a chama acesa com diálogos e mobilizações durante todo esse período até esse desdobramento quase final.
É disso que se trata. A luta pela implantação da universidade federal na zona Leste tem muitos pais e mães, mas um exame detalhado vai revelar que foi a mobilização popular e o esforço de lideranças sem mandato parlamentar que deu vida ao rebento.
J. de Mendonça Neto, jornalista e membro do FDZL
A questão das cotas e o possível tiro no pé
A decisão do Supremo Tribunal Federal a favor da aplicação das cotas raciais nas universidades federais e nos cursos vinculados ao ProUni, que até a sua decisão passou por uma discussão rasa e insuficiente, abriu caminho para que ativistas da causa dessem um primeiro passo, superado uma etapa inicial que encaminha naturalmente para outras.
É certo que a decisão original do STF é de que as cotas não são inconstitucionais e isso não obriga as instituições de ensino superior a aplicá-las.
Este é basicamente um artigo de dúvidas e de impossibilidade, por agora, de fechamento de questão. As dúvidas que o debate ainda não deu conta de esclarecer ainda permanecem. A questão de estabelecer cotas raciais foi o melhor caminho? Ela não estabelece por si um apartamento na sociedade? Confesso que para este escriba os esclarecimentos e a reflexão ainda são insuficientes.
Mas, o que importa no eixo dessas laudas é a dúvida que se desprendem das primeiras; se as propostas que estão sendo discutidas agora pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e que configura a segunda etapa não pode ser um erro. Esta secretaria está tentando construir ações em três frentes: “educação”, “trabalho” e “comunicação e cultura”. Agora, segundo o cerne das propostas gestadas na secretaria para a primeira frente indicam que também os cursos de pós-graduação – mestrado e doutorado – teriam de aplicar o programa.
Ai a coisa se complica fermentando ainda mais as dúvidas iniciais. O argumento utilizado pelos ativistas das cotas era o de superar a discriminação a que estariam sendo submetidos os negros quando do acesso a graduação, por conseqüência das condições históricas que explicitavam que os negros não teriam as mesmas condições dos brancos nas oportunidades do ensino do terceiro grau.
Sempre observei que as condicionantes de falta de oportunidades alcançam mais as condicionantes sociais e econômicas do que a condicionante da cor da pele. A separação, ao final e ao fundo é de natureza de classe não de etnia, mas pesa pouco esse olhar e nem estava autorizado e capacitado a fazer essa discussão onde a coisa toda se decidiu.
Voltando a angústia e dúvida. Suponhamos que um negro, por conta da cota ou não, tenha concluído o ensino universitário ele não superou, então, a alegada condicionante inicial equiparando-se, se assim o desejarmos, ao branco que também concluiu o mesmo curso? E o seu aperfeiçoamento acadêmico na universidade não deveria depender apenas de sua bagagem e estofo intelectual, de sua vontade e aptidão para os estudos? A resposta, para este escriba: é sim.
Mas aqui pode estar à armadilha. Superado as condicionantes iniciais e colocando-se todos em condições de igualdade, a alegação de discriminação deveria cair por terra e o mestrado e doutorado deveriam ser definidos tão somente e apenas por competência. Afinal se estará num patamar em que a exigência é a capacidade de investigação científica e a sua qualidade. Não tem que haver outro critério. Não há espaço nesse nível para se reservar cotas a quem, em realidade, já se galgou a condição de semelhante e igual ao outro pesquisador.
Corre-se o risco, em se adotando cotas nesse nível de aperfeiçoamento dos estudos, de rejeitar propostas pertinentes e de maior importância de estudos feitas por um branco ou amarelo em benefício de outra proposta, eventualmente menos significativa, porque de um negro? E se alguém colocar palavras que não foram aqui escritas insinuando um suposto entendimento deste escriba de que a proposta de um negro é inferior estará sendo leviano. O questionamento é outro. Exatamente o que está no início do parágrafo. É a essa reflexão que o artigo convoca, não a tomar partido antecipado deste ou daquele lado ou cor.
Se ainda observarmos os parâmetros gerais da possível legitimidade das cotas, no Brasil, o percentual de pessoas com essa cor de pele negra alcança menos de 10% do total. Seria correto observar essa porcentagem em todas as possíveis instâncias públicas para além das universidades? Não sei. Mas, se assim fosse e se esse fosse um critério tão bom que pudesse ser estendido universalmente, o presidente Barack Obama, por exemplo, nunca teria sido eleito em razão dos negros nos EUA e ai incluindo os pardos são apenas 13% da população.
Antes que se diga que conforme a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (PNAD) a indicação de que é 50,3% a população negra no Brasil, vale detalhar que não é que 50% da população seja negra, aí se incluem 44,2% de mestiços (misturas várias, com ou sem negros (branco e negro, índio e negro, branco e índio, japonês e branco, caboclo e chinês, branco e caboclo, e as mil outras misturas possíveis no país). Negros autodeclarados no Brasil são 5,9%, dados de 2009 do IBGE. Pardo não é branco, nem negro, nem índio… pardo é mistura com ou sem negros, brancos e índios.
Na arena do trabalho
Seguindo na mesma lógica, a secretaria referida acima também pretende construir uma proposta onde os concursos públicos teriam o mesmo critério de cotas. Ainda antes da disputa pelas vagas, os declaradamente negros já sairiam na frente com pontos, independentemente de sua história pregressa, origem e condições sócio-econômicas. Ou não temos e ótimo que assim seja, negros mais ricos que muitos brancos? E os brancos eventualmente tão ou mais pobres que esse negro já estaria lesado de partida.
A proposta em gestação, entretanto, ainda vai mais longe. Quer determinar que o acesso a cargos comissionados e, em tese, cargos de confiança também adotem cotas para os negros, como que manietando o direito daqueles que detêm a possibilidade de nomeação ficando condicionado a observar também o critério de cor de pele.
Na cultura
Na terceira frente de construção de proposta, desconfia-se que estará sendo pleiteada reserva de cotas e recursos para filmes que tratem da temática racial. Aqui fica a dúvida. Determinado roteiro de filme bem elaborado, oportuno e pertinente, pode não ser contemplado com recursos públicos, porque pretende tentar apontar ou demonstrar que o Brasil caminha para uma diminuição da segregação racial, com esse eventual recurso sendo dirigido a outro, por conta da cor de pele e da temática defendida pelos ativistas das cotas. Isso seria correto? Dúvida, apenas dúvida que o leitor poderá ajudar a esclarecer.
Tentando concluir
As dúvidas que semeiam mais dúvidas são se, a seguir nessa direção, será que se reivindicarão futuramente cotas segundo as religiões, o biótipo, as preferências alimentares, a identidade sexual ou gênero. Imaginemos cotas aplicadas nos times de futebol, nas novelas, na música, nos parlamentos, nos ministérios, nos executivos com a ocupação de cargos segundo a cor da pele.
Exageros a parte. A dúvida pertinente é se a sociedade brasileira onde, é claro, segundo o meu entendimento tem uma separação de corte sócio-econômico não ficará ainda pior com a divisão meio oficial em tribos. (JMN)
Publicado como editorial Gazeta São Mateus- Ed.342- primeira quinzena junho/2012
Algumas matérias da assessoria da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/248-saude-pacientes-tuberculose
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/243-vigilancia-epidemiologica-busca-tracoma
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/254-reformas-novas-ceis
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/253-um-olhar-sobre-a-atua%C3%A7ao-social
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/264-unitfa-oferece-diversas-vagas-de-curso
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/289-regularizao-moradias-ferraz
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/306-show-restart-festa-da-uva
http://www.ferrazdevasconcelos.sp.gov.br/noticias/item/328-dj-industria-iniciam-atividades
Visita superficial aos defeitos do mestre Dylan
O Dylan faz 71anos, 50 de carreira e acompanhei de perto, lado a lado uns 30 anos dessa trajetória. Teria acompanhado mais, mas não tinha idade para isso. Dylan me faz companhia esse tempo todo e decidido, desde há tempos a não ter senhores nem reis me esforço para não cair na vala comum de súdito. Tento, mas nem sempre consigo.
Por conta disso sempre que possível, busco enfoques ou detalhes desse mestre que possam me incomodar e dar conta que trata-se apenas de um rapaz americano com muito dinheiro no bolso e não um deus, mesmo porque tanto quanto consigo sou agnóstico. Vendo para crer.
Nessa direção, vira e mexe, anoto na memória, essa traidora, pequenos , médios e grandes deslizes do mestre _ olha eu de novo, reverenciando para me certificar de que é um ser humano, não igual a mim, com um forte elenco de defeitos, mas, ele, também, passível de pecados.
E sem a profundidade dos vários enciclopedistas dylanescos que conheço e com um texto aberto a revisão, aprofundamento e até negação busco elencar da velha traidora algumas passagens que envolveram o homem e o artista nesta longa e profícua trajetória.
Mas, até antes dessas observações bastante superficiais, gostaria de considerar que foi exatamente essa resistência a seguir reis e senhores que me colocaram em reserva quando da recente passagem dele pela América do Sul que incluiu apresentações em três capitais e o distrito federal no Brasil.
Lembro de ter conversado com meus botões: Já vi o Dylan algumas vezes. Vê-lo novamente não é pagar pau para um sujeito, quase único, é claro, mas apenas um artista com o qual tenho afinidades? Resolvido, não sei se dá melhor maneira. Dei ré, não fui e não me incomodei.
Não me incomodei porque de perto, mas não presente acompanhei como foi essa passagem e desde elas já pontuei alguns incômodos que me fortaleceram na perspectiva de reafirmar agora: Nem rei, nem senhores e nem deuses, acrescentei. Ele continua com aqueles terninhos de circo e aquele indefectível chapéu. Somos minoria, os incomodados com a vestimenta do cara, mas já se trata de um defeitinho.
Para mim, sob minha responsabilidade e risco, Dylan deu umas mancadas, mas não exijam desse escriba contextualização completa do que vou elencar. A velha traidora não dá conta disso e o Dylan não é tão importante assim que mereça da minha parte grandes prospecções.
Aos pontos e nem são muitos. Dylan não se comportou bem durante a sua transição de abandono da cena militante do folk à época. Tenho pra mim, que o seu salto em direção a outras cenas e amplidão de possibilidades não foi feita de forma elegante e grata a cena folk que tão bem o acolheu, deu força e prestigio inicial.
Aos saltos dos fatos, também considero que a maneira com que ele tratou a relação com a Joan Baez que tinha outras expectativas quanto ao então jovem Dylan, não foi a de um cara respeitoso e sim de quase um oportunista sem escrúpulos.
Ainda saltando. Quando virava uma celebridade anfetaminada em sua passagem pela Inglaterra o desdém continuou com relação à parceira que tanto o apoiou. As diversas entrevistas das quais ele participava pouco tinha de novo com relação ao comportamento eminentemente comum da época, entre as estrelas da cena rock. A sua irreverência, em determinadas ocasiões visavam alimentar o astro, não os esforços da contracultura. Considero, e esse é um julgamento de juízo, que era um momento de responsabilidades comunitárias da qual ele se furtou.
Saltando mais. A forma com que tratou um esforçado Donavan _que o apreciava sem moderação, também não foi a de alguém que se garantisse em sua complexidade e capacidade. O documentário Dont Look Back dá alguns outros sinais claros que se Dylan estava num momento muito inspirado de sua carreira em transição para a cena do rock, pessoalmente algumas posturas beiravam a infantilidade e cafajestice quando numa relação conflituosa entre as mulheres do seu arco.
Outra passagem que a velha traidora trás superficialmente diz respeito a sua participação num Live Aid qualquer, onde não tenho certeza que sua alusão a situação dos fazendeiros americanos sugerindo uma ajuda advinda da ação binacional, EUA e Inglaterra, fosse a mais pertinente. Claro que Dylan não falou no vazio e apenas baseado num “baseado”. Tinha lastro. A situação dos fazendeiros mereceu depois shows especiais com aquela finalidade.
Aos saltos ainda. Dylan, conforme narra, Sounes, na biografia que fez do mestre e ele próprio no primeiro volume de Crônicas, desfila alguns exemplos de comportamento duvidoso. Roubo de discos, suave, é claro; roubo de arranjos como fez com Dave Van Ronk em seu primeiro álbum e a megalomania afrescalhada quando gastou fortunas para construir uma mansão onde moraria apenas o pequeno Bob e sua família que nem tão grande era.
Acho que fico, por enquanto, por aqui. Outros exemplos poderiam brotar da velha traidora. Haverá controvérsias, explicações e algumas fazem parte até mesmo das minhas reflexões sobre o ocorrido, mas, como alertei os eventuais leitores se trata de um esforço pessoal de não ver Dylan como rei, senhor ou deus.
O infortúnio de um texto destes seria a infelicidade de ele chegar aos olhos do mestre. Ele leria então essas mal construídas linhas e não as dezenas de textos que escrevi sobre ele meio indefeso com relação a minha premissa de não ter reis, senhores ou deuses.
Dylan é Dylan. Meu parceiro de longa data e o maior compositor de todos os tempos. E lá sigo eu tentando não reverenciar.
Visconde de SábioGoza
Aparentemente não há, nos autos, provas da existência do mensalão
A pressão sobre o Supremo Tribunal Federal é imensa por parte da grande mídia conservadora. Se depender dos ânimos dela pode desrespeitar os autos e indicar para julgamento outros delitos supostamente praticados no chamado mensalão. Claro que não fica bem para essa imprensa, ela própria tendo julgado de forma antecipada e a revelia do que consta nos autos, que aconteçam absolvições.
O diabo, entretanto, está nos detalhes e esses indicam que existiu certa tendência a aceitar como acertadas as denúncias do Procurador Geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre o escândalo do mensalão. Por ampla maioria, os juízes endossaram o parecer do relator Joaquim Barbosa e decidiram processar os 40 acusados de fazer parte da trama.
Apesar da pressa e pressão da grande imprensa, felizmente, o Brasil ainda tem regras e o julgamento não será feito pela mídia, mas, preferencialmente, nos termos da lei, numa sessão plenária do STF. Depois de aceita a denúncia, foi aberta a Ação Penal de número 470. É onde estão as acusações e as defesas dos réus e das suas testemunhas. No final do semestre passado, todos _acusação, defesa e o relator – fizeram suas considerações finais.
Como os julgamentos são feitos com base nos autos, ou no que está nas peças do processo, ainda existe o processo legal e, não a execração pública e essa precipitadamente vem sendo feita. Pelo devido processo legal que obriga a provar as acusações com depoimentos, fatos e laudos periciais a coisa não é tão simples.
Para entender melhor
Para entendermos melhor a história toda precisamos atentar para o fato de que se trata de dois delitos diferentes. O primeiro entre eles teve sua investigação e foi concluída basicamente pelo Congresso e pela Polícia Federal. Neste vários réus confessaram práticas ilegais no esquema de quem deu dinheiro e os 18 deputados e outras 20 pessoas ligadas a estes que receberam recursos via Delúbio Soares/Marcos Valério. Este é um caso pronto, maduro para ir a julgamento e refere-se ao chamado “caixa dois” praticado pelo Partido dos Trabalhadores a partir da vitória de Lula no primeiro turno das eleições de 2002.
Em 2002, grandes empresários prestaram a atenção e começaram como de seu hábito a irrigar a campanha com contribuições clandestinas com vistas a receber, depois de sua posse, favores pela ajuda na campanha.
Esse primeiro crime é público, notório e assumido. Marcos Valério e Delúbio Soares depuseram sobre a operação e foram confirmados por cerca de duas dúzias de políticos e seus auxiliares. Receberam dinheiro do esquema do caixa dois. Pronto. Assumido, basta sentenciar se for o caso.
Agora o suposto mensalão
De acordo com o procurador geral o mensalão seria o grande e histórico crime do PT que formou uma organização criminosa com o apoio da mais alta cúpula partidária e do governo federal para violar as mais diversas leis e corromper o processo legislativo com o suborno de deputados e senadores para que votassem com o governo.
Só que essa proposição é uma criação política e não se tem nos autos prova alguma de que no final de 2002 José Dirceu tenha sido ungido a chefe e comando de um bando composto por outras 15 pessoas, entre elas Delúbio, José Genoíno, Silvio Pereira e outros. O fato é que existem fortes indícios que os bancos emprestavam dinheiro a Delúbio e as empresas de Marcos Valério, entretanto não há, nos autos, qualquer prova de que esses recursos tenham sido usados para outra finalidade que não a do financiamento de campanhas políticas. Se assim é insere-se no delito confesso e reconhecido, não outra coisa como quer a mídia e os apressados.
Nenhum dos 79 parlamentares da base de apoio do governo citados e ouvidos formalmente no processo, inclusive os 18 que assumiram ter recebido dinheiro no primeiro caso, admitiram a prática de compra de votos. E a essência da acusação do mensalão é a compra de votos dos parlamentares para votar com o governo. Portanto, sem provas.
Existe uma contradição insolvível entre o que se acusa e o que faz sentido. Primeiro: porque se pagaria para deputados governistas e da base de apoio para votar a favor do governo? Segundo: um levantamento feito por comissão de sindicância da Câmara dos Deputados com base nos registros do Congresso mostra uma desvinculação entre os períodos de saques dos valores e o comportamento dos membros da base aliada nas votações. O levantamento indicou que cerca de 80% de cada partido votava com o governo, independentemente da ocorrência de saques.
Entre fevereiro de 2003 e dezembro de 2004 o apoio do PL ao governo, por exemplo, oscilou entre 85 e 95% e, em que pese o expressivo repasse entre janeiro e junho de 2004, por exemplo, a percentagem de votos alinhados com o governo registrou níveis inferiores a 10%. Compare-se, então com os baixíssimos repasses em parte do ano de 2003, mas que indicaram o apoio entre 90 e 100% às propostas do governo. Como seria isso, então? Seriam pagos pelos votos que não vinham? Não faz sentido.
Para finalizar, diz um adágio popular de que de bunda de nenê e cabeça de juiz ninguém sabe por antecipação o que pode sair. Que o STF então julgue com o que se encontra comprovado nos autos e não com a navalha na carótida patrocinada pela grande imprensa conservadora que já fez seu julgamento faz tempo e que quer, agora, a concordância de quem sim, em tese, tem a prerrogativa e a competência para julgar. (JMN)
Usuários e trabalhadores da categoria protestam contra a situação de saúde
Na manhã do dia 04/05 lideranças dos trabalhadores, representantes de conselhos de saúde realizaram protesto em frente à UBS Jardim Laranjeiras, em São Mateus contra a precária situação das unidades
Sindicatos ligados a categoria de servidores municipais de saúde da cidade e do Estado de São Paulo, movimentos e pastorais sociais e ainda moradores promoveram no dia 04/05 um protesto contra as condições de trabalho e atendimento em frente à UBS do Jardim Laranjeiras no bairro de São Mateus. A iniciativa faz parte de um esforço desses setores em sensibilizar a sociedade e principalmente a prefeitura, governo do estado e os legislativos sobre a difícil situação em que se encontram para dar conta da política do sistema único de Saúde – SUS.
A vereadora Juliana Cardoso (PT/SP) compareceu e apoio o ato. Lá estiveram também assessores de parlamentares e pré-candidatos à Câmara Municipal de São Paulo.
Falando pelo Sindisaúde, uma médica identificada apenas como Dra. Vânia fez extenso relato sobre a situação em que se encontra a saúde pública indicando que “A consciência nos obriga a fazer algo para ter melhorias no setor. Temos um Produto Interno Bruto – PIB que está em 6ª melhor colocação no mundo, entretanto estamos muito mal de saúde. Estamos a nada, minguando e precisamos chamar a atenção das autoridades”. Com mais de 20 anos de serviço público, a médica denunciou parte das deficiências do sistema que vão desde a falta de material de consumo diário até a exploração do trabalhador e baixos salários. “Há muita coisa para ser corrigida e melhorada e não dá para ficar parado”, concluiu.
A exploração da mão de obra, de médicos, por exemplo, também foi lembrada por um orador. “Em função dos baixos salários, temos colegas médicos que são obrigados a fazer, dupla, tripla jornada para poder ganhar o suficiente e que justifique tanto esforço de estudo. Em função disso, com pouca gente atendendo a tanta procura a qualidade nem sempre é a melhor”.
Como grande arrecadador de impostos era esperado que a cidade de São Paulo pudesse reverter melhores serviços na área da saúde, entretanto, segundo os manifestantes não é isso o que ocorre. “Somos contra a terceirização da Saúde e precisamos além de correção salarial que o SUS seja implantado em sua totalidade”.
Durante o ato, outra dirigente sindical, a psicóloga Aracy conclamou os servidores da UBS a aderirem à manifestação, entretanto, o resultado não foi o esperado. Possível receio de represálias e um número elevado de usuários naquele momento dentro do posto. A dirigente não desanimou e reforçou os apelos para que as mobilizações na cidade continuem no sentido de pressionar o poder público para melhorar o sistema. Lembrou, ainda, de denunciar que as atuais administrações; da cidade pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) e do governo estadual, pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem se recusado a assumir convênios com o Ministério da Educação, por exemplo. ”Foi por conta dessa omissão que as anunciadas 142 novas creches na cidade de São Paulo é obra de ficção”, sentenciou.
Vereadora diz que SUS ainda é novo e precisa de apoio
Convidada a se manifestar a vereadora Juliana Cardoso (PT/SP) explicou que o orçamento da cidade de São Paulo está em R$ 38 bilhões e que destes 6 bilhões para a área da Saúde. “É uma arrecadação fantástica, portanto, a alegação de falta de recursos é falsa. O que falta é até fácil de ver: número insuficiente de médicos; falta de materiais básicos, como sabonetes nos lavabos dos consultórios para higiene e até mesmo aparelho de Raio-X”.
Os transtornos da unidade, a exemplo de outros na região não é novidade. Segundo a vereadora o conselho gestor da unidade, a comunidade organizada e as pastorais têm levado os problemas ao conhecimento da supervisão de Saúde e “em geral eles respondem que é falta de dinheiro. Como falta de dinheiro”, indaga-se . O problema dos agendamentos para um período distante muito distante também foi lembrado como problema. “A supervisão também alega que as pessoas deixam de comparecer. Pode até ser, mas às vezes tem outros motivos”. Concretamente as pessoas podem desistir, sarar, esquecer e até mesmo não ter condições de se locomover no dia marcado.
No fundo da questão mesmo, conforme a vereadora retratou, foram os percalços na implantação do SUS. Para tanto lembrou das administrações Maluf e Pitta e, posteriormente com Serra e Kassab que não se empenharam na implantação do programa. Nesse meio tempo, segundo ela, a ex-prefeita Luiza Erundina e Marta Suplicy tentaram retomar o programa que haviam sido interrompidos.
Conselheiro de saúde diz que governo municipal não quer reconhecer a constituição
Raimundo é um dos conselheiros municipais de saúde eleito em processo aberto, mas que até agora o conselho não foi reconhecido pelo Executivo. “Cumprimos toda a legislação. A constituição federal, outras leis e a essência do Sistema Único de Saúde – SUS é a participação popular e organizada através de conselhos eleitos. Mesmo assim, em São Paulo, temos essa dificuldade de não sermos reconhecidos, com o Executivo entrando com recursos e mais recursos contra”. O conselheiro disse que estão recorrendo ao Ministério Público para que a participação, definida em Lei, seja respeitada, mas considera que isso não se dará sem luta.
“Com maior controle social, os desmandos podem ser evitados. Não conseguimos ainda a indicação dos representantes da sociedade na Supervisão Técnica da região, conforme determina a lei. A Prefeitura sempre coloca obstáculos”. Sem essa participação, considera a liderança, é difícil ter uma informação clara e precisa sobre todos os problemas, sobre toda a demanda e os possíveis encaminhamentos que pudesse resolver parte dos problemas. Foi em função disso, da insatisfação dos usuários, trabalhadores das unidades e da própria saúde da política de saúde, que a comunidade e as organizações têm protestado.
O que se deseja são transparência e condições mínimas
Ficou claro durante o ato do dia 04 que: melhores salários, maior número de profissionais com equipe mínima de três clínicos gerais, três pediatras, três ginecologistas e dentistas, transparência e participação são o caminho para retomar o que a saúde poderia ter de melhor que é o sistema único de saúde – SUS para todos.
“O que se sabe é que uma das melhores propostas de atendimento a saúde pública feita no mundo, o SUS, ainda é vítima de problemas sérios, entre eles, o equívoco de fazer repasses a atendimentos não universais e renúncia na arrecadação de impostos com despesas médicas que, ao final, por não ser de graça sai do dinheiro dos impostos que todos pagam, mas que beneficiam setores empresariais”. Nota da redação



