Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Sem educação, parir filhos vira negócio

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Um dia desses conversei com um amigo colaborador do jornal e não precisou muito para chegar à conclusão de que um dos mais sérios problemas que o Brasil enfrenta e enfrentará no futuro próximo não está na economia, na existência ou não de recursos, na falta de criatividade, nem nas diversas formas possíveis do país continuar existindo e oferecendo condições minimamente dignas de vida aos seus moradores. Está dentro de cada lar. É a tal da falta de educação básica, de berço, familiar.

E não há nada de moralismo tacanho subsidiando essa conclusão. Não estou preocupada e apreensiva com os modernismos que atual sociedade da tecnologia proporciona. Destas, as pessoas estruturadas podem tirar melhor proveito para, de novo, viver melhor ou mais dignamente.

O que me chamou a atenção é o excesso de licenciosidade com que as crianças de hoje, de ontem ou de anteontem estão sendo criadas. De uns trinta anos para cá é visível o mau uso que tem sido feito com a existência de mais informação e mais liberdade. Da liberdade de conhecer o que antes era censurado; da liberdade relativa de conhecer o que se quer e o que se procura. Ou seja, há tanta coisa interessante para se conhecer e se fazer, mas a falta de educação empurra gerações inteiras para caminhos duvidosos.

Dois fatos e duas situações revelam o que preferíamos não ver.

Em uma delas, em apenas uma rua podemos contar cerca de 30 jovens em idades diferentes entre si que poderíamos dividir entre os que têm acima de 20; os que têm de 15 a 20 e os menores que vão dos 10 aos 15 anos. Pois bem, nesse caso em tela, no passar dos últimos dez anos, apenas três desses 25 jovens, na faixa dos 20 anos, estão minimamente preparados para conviver adequadamente na sociedade de agora e do futuro.

Explico. Com exceção desses três, dos quais dois são irmãos em família com melhor condição econômica e outra que está graduando em universidade federal com pais que tem empregos regulares, todos os outros tem um presente e um futuro, no mínimo temerário.

Todos os outros 25, menos de cinco trabalham e os que sobram estão na criminalidade como os mais velhos. Na faixa intermediária dos 15 a 20 anos, todos estão nas escolas, mas com certeza cumprindo tabela e prestes a abandonar os estudos tão logo concluam o ciclo básico e os menores, também nas escolas, passam a maior parte do tempo feito bichos soltos e complemente abandonados de fiscalização dos pais que mal tem ideia do que rola nas ruas. Algumas entre essas crianças são capazes de coisas impossíveis de se descrever. Qual será o fruto disso tudo?

Outra situação que nos chamou a atenção na conversa diz respeito a uma prática ainda mais grave e perniciosa e que ao final alimentará essa roda viva da situação acima.

Cresce o número de adolescentes muito jovens que vem parindo filhos sem que estejam em relacionamentos estáveis. Pessoalmente conheço vários casos de meninas que buscam na Justiça pequenas pensões para o suposto sustento de seu primeiro filho; menos de um ano e meio depois a mesma menina entra na justiça para obter a segunda pensão de outro pai e menos de seis anos depois chegou ao quarta pensão para os quatro filhos, cada um de um pai diferente.

Acontece que em seis anos ela poderia ter se formado em alguma coisa ou poderia estar trabalhando, mas não, está lá na mesma ignorância de antes reproduzindo tudo que sabe _o que é muito pouco ou talvez nem isso para a sua prole. E ainda no mesmo caso citado ela nem se dá ao trabalho de cria-los sozinha ela conta com uma forte entidade que recebe recursos via convênio para cuidar em forma de creche dos seus filhos, ou fonte de receita.

Tanto num caso como em outro é possível perceber que as coisas poderiam ser diferentes e só se reproduzem constantemente não por falta de escolas onde se adquire conhecimento, mas por falta de berço, daquilo que chamamos aqui até de bons modos. Se num tempo muito remoto respondíamos aos nossos pais com educação e respeito, hoje nas famílias desestruturadas essa cerimônia acabou. Se antes, entre os que tinham religião até bênçãos pedíamos aos pais, hoje chamar de você e trocar palavrões virou maneira de se conviver.

O que hoje se vê é também resultado do que se assiste em muitos programas de televisão, com destaque para as novelas cujo poder de dominar corações e mentes de gente despreparada.

E a pergunta do leitor pode ser: o que essas duas situações tem a ver ou tem importância? E é aqui que respondo: essa situação é muito mais comum e corriqueira do que possamos imaginar. Não são apenas 25 jovens em uma determinada rua; são milhares de ruas na mesma situação. E nem é apenas aquela moça que faz do parto de novos filhos um meio de subsistência; são milhares.

Dai a pergunta é minha: vai sair algum futuro bom e promissor desse atual estado de coisas? Não, não vai e passou da hora dessa educação familiar ser preocupação da sociedade organizada e do Estado, por exemplo, vigiando o que é feito com as suas concessões de TV para as emissoras?

Lembro aqui do alerta que ouvi no contexto de uma reportagem que fiz onde o interlocutor me dizia que existem sérios estudos indicando que se o Estado e toda a sociedade se envolver firmemente no propósito de ser um país civilizado, mesmo assim a tarefa deverá levar uns 36 anos. (LM)

Written by Página Leste

21 de julho de 2014 at 13:47

Publicado em Comportamento, Educação

Antiga árvore da Rua Irara tenta novo endereço

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Após inúmeras tentativas, a árvore foi removida, mas apresenta sinais de que não poderá ser reaproveitada

2000-02-10 02.04.02 2000-02-10 02.06.46

 

Após os esforços de remoção para replantio, são poucas as chances dela ser reaproveitada

Após os esforços de remoção para replantio, são poucas as chances dela ser reaproveitada

 

Uma árvore, que segundo moradores de mais de 20 anos já estava no local quando chegaram a Rua Irara, estava sendo removida da calçada na altura do número 400, no dia 15/07 por causa da finalização das obras que estão sendo feitas no local por um colégio particular que, aparentemente construiu ali mais um enorme espaço coberto com aproximadamente 170 m2, dando indícios de que ali funcionará uma quadra.

E não seria a primeira. O colégio em expansão já entra no segundo ou terceiro ano consecutivo de obras na rua de trás, Japurá e reformas quase continuas. O fato é que os moradores e vizinhos desconhecem se foram confeccionadas as exigências mínimas para construção como os tais estudos e relatórios de impacto sonoro, ambiental, de vizinhança, etc. Por outro lado existem poucas chances da construção estar irregular, mesmo porque, a categoria em que a localidade está inserida na Lei de Zoneamento e ocupação do solo, deve permitir a atividade e a construção.

Voltando a árvore que durante o fechamento dessa reportagem enfrentava bravamente o esforço de uma grande equipe da subprefeitura de Itaquera teimando em apresentar suas raízes exuberantes e vigorosas já vem sofrendo alguns anos. Seja com o descaso dos antigos moradores, seja pela ausência de zelo do serviço público durante longo período e, também, por todo esse período de mais de seis meses de construção da quadra entre demolição da antiga construção, terraplenagem e levantamento de longos e altos muros da unidade.

Durante todo esse tempo, a árvore como moradora das mais antigas da rua, resistiu bravamente. Segundo Luiz Felipe, funcionário da subprefeitura alocado no Parque do Carmo a equipe estava fazendo todo o esforço possível para tentar reaproveitá-la fazendo o replantio em outra praça nas proximidades do mesmo Parque do Carmo. Ao final, ainda depende de avaliação de especialistas, mas dá sinais de que não adiantará ser replantada.

Alguns moradores ouvidos pela reportagem consideram que o certo seria que, com a retirada da imensa árvore, fossem replantadas outras de menor porte no mesmo local que ajudaria a diminuir o impacto de toda a área que foi impermeabilizada pela construção. Até onde a reportagem pode verificar isso seria viável, uma vez que não existe naquela calçada, nada além de um imenso muro da quadra sem nenhuma indicação de entrada de garagem ou de pedestres.

Procurado por telefone pela reportagem por volta das 11 horas do dia 15, uma atendente do colégio, de nome Vera, informou que o colégio estava em período de férias e que tentaria agendar um contato com a reportagem de um de seus diretores por telefone no mesmo dia. Por enquanto, nada.

 

Written by Página Leste

15 de julho de 2014 at 14:34

Publicado em Educação, Meio Ambiente

Craques no futebol, mas pernas de pau em educação

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Bom seria se aquele belo exemplo mostrado pelos torcedores japoneses nos estádios da copa recolhendo o lixo do local onde estiveram torcendo para o seu time fosse um vírus que contagiasse a todos; brasileiros e estrangeiros. Deu gosto de ver jovens e adultos saírem de suas cadeiras portando sacos plásticos onde colocavam o que viam espalhado pelo chão.

Nem bem deu 23 horas do dia 23, horas depois do final do jogo entre Brasil x Camarões para que algumas ruas da badalada Vila Madalena ficasse abarrotada de foliões. Muitos brasileiros e gringos das várias nacionalidades se embebedavam, se drogavam servidos que eram pelos traficantes de cocaína e lança-perfume sempre ao alcance dos interessados. Se ficassem bêbados e não dirigissem nem fizessem algazarras problema deles. Se chapassem o globo e não dessem uma de nóias pelo pedaço, de novo, problema deles.

O drama é que eles levaram os ‘seus’ problemas para os outros; vizinhos que não tinham nada a ver com aquilo e que, durante horas, foram privados dos seus sossegos por causa de garrafas quebradas no chão, som alto de funk, sertanejo e outras pérolas que animavam toda aquela nação universal de sem noções. Um dos vizinhos prejudicado é Osvaldo Santos, morador da Vila Madalena que sofre com os festejos desmedidos no bairro. Com sua bengala, ele luta contra mijões.

Com menos de 20 metros de residências, um posto de gasolina serviu como ponto de venda de drogas. Apesar das diversas denúncias à polícia, os moradores eram questionados a informar a identificação dos eventuais traficantes. “Isso é um absurdo, como eu vou saber o nome e os documentos de quem está vendendo drogas”, reclamou um senhor que não quis se identificar. Na ocasião uma reportagem confirmou ter visto a policia militar revistando um rapaz que ficou sob custódia.

Muito diferente do exemplo dado pelos japoneses que, segundo me informei em conversas com gente que conhece bem aquela cultura, o ato de limpar os locais por onde passam mesmo em comemorações é coisa que se aprende e se pratica desde cedo na educação que recebem em casa. Dizem ser muito comum o fato de que, até nos velórios das pessoas no Japão, em recinto público, esses locais serem completamente limpos pelos familiares e convidados após a cerimônia. Ninguém precisa ordenar ou pedir; eles simplesmente o fazem em profundo respeito ao próximo e a convivência em sociedade.

Voltando a Vila Madalena houve casos de moradores que até se retiraram de suas casas e estão hospedadas em casa de parentes até que se conclua essa grande festa nacional com tanta zoeira dia e noite.

Vila Madalena é Pinheiros, enquanto São Mateus é periferia onde está a maioria do povo pobre ou remediado. Nessas periferias a pegada é outra. As pessoas não tem para onde correr e são obrigados a conviver com ‘festa’ de gente sem noção. Isso é corriqueiro, é o dia a dia.

Aqui na nossa área o costume japonês passa longe. O funk, o arrocha e os sertanejos não escolhem hora, nem local, nem ocasião para acontecer. Basta, na maior parte das vezes ter um carro ponto zero com som possante e zero de educação. Pronto. Está armada a festa para desespero de quem embora não sendo japonês do Japão sabe que é preciso respeitar o direito do ouvido alheio a não ouvir tanta lambança.

O mais comum dos dias e nesse período da copa, tanto faz o Brasil ganhar, empatar ou perder o jogo. Basta completar os 90 minutos de partida para a televisão ser deixada de lado e o som potente de músicas toscas virarem o objeto de adoração, desejo, muitas tentativas de conversas na base dos gritos e pouco assunto. A regra é curtir. Como só assim, dessa forma deseducada, isso fosse possível.

Belo exemplo dos japoneses que poderia se tornar um vírus, repito. Infelizmente estamos longe disso.

Aqui e acolá, mas diferente da Vila Madalena que, por enquanto, a farra só chegou mais intensa nesse período, temos que conviver até mesmo com a compreensão equivocada de trabalhadores que muitas vezes abrem o porta mala de seus carros, colocam o som no último volume e entre goles de cerveja barata costumam argumentar mais ou menos dessa forma. “Aqui é tudo trabaiadô, tamu tomando uns gorós e escutando uma musiquinha”. Como é isso de musiquinha se o seu som entra até o mais profundo cômodo da distante casa do vizinho?

Pode até ser campeão na Copa, mas em educação ainda somos perna de pau. (JMN)

Written by Página Leste

30 de junho de 2014 at 14:21

Escritores se reúnem em Itaquera e discutem dificuldades e possibilidades

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Sem uma pauta definida escritores residentes ou com alguma relação de ativismo, interlocução ou obras com a região de Itaquera reuniram-se no Centro Cultural Casa da Memória na noite do dia 25 para uma mesa redonda sobre literatura que acabou resultando muito mais focada no aspecto da produção, distribuição e abrangência do que no conteúdo das crias desses autores.

O encontro que reuniu ainda vinte e tantas outras pessoas na plateia, entre estes, alguns outros autores, deu sequência a um encontro anterior que perpassou pela mesma temática uma semana antes promovida por ativistas culturais com fortes vínculos com a região e foi aberta pelo diretor regional de Ensino de Itaquera da Prefeitura de São Paulo, professor Valter de Almeida Costa, ele mesmo, autor de livro recentemente lançado.

A mesa foi composta pelos escritores Zé Carlos Batalhafam, Erorci Santana, Marcio Costa, Ronaldo José, Allan Regis e o jornalista José de Mendonça Neto, entre estes, apenas dois não residentes, mas que já residiram ou ainda com interseção com o bairro de Itaquera. Sem pauta prévia buscaram afinar a viola ao vivo com o respaldo dos presentes.

Para Zé Carlos Batalhafam, com longo histórico de ativismo cultural e de imprensa na região do ponto de produção de literatura as dificuldades que são muitas não devem esmorecer os esforços do escritor. Ele explicou que produzir livros atualmente é estar muito refém dos humores e interesses das editoras que abrem pouco ou quase nenhum espaço para novos autores ou autores ainda não consagrados pela mídia ou optar pelo investimento pessoal de recursos para custeio da obra impressa.

Consenso absoluto. O livro produzido e impresso, porém é apenas parte do processo que se torna ainda mais difícil de distribuição de forma remunerada. Batalhafam ainda destacou fortemente que no seu entendimento os produtores culturais que moram ou produzem a partir das periferias como é o caso tem que assumir o protagonismo rejeitando os rótulos de resistentes ou da resistência. “Somos participes da produção, somos protagonistas das nossas centralidades”, indicou.

Para Erorci Santana que é membro da diretoria da União Brasileira dos Escritores, tendo sido durante um bom período o editor do jornal da UBE e com diversas obras publicadas é isso mesmo. Cidadão do mundo, contemporâneo não lhe pesa o fato de morar e residir na periferia. Em nenhum momento isso foi restrição para determinar inclusive a sua temática que flerta entre a poesia e prosa. Autor visceral brindou os presentes mais a frente com um longo e envolvente poema de cores sombrias, mas muito bem articulado.

Já o jornalista José de Mendonça cuidou de se afastar da redundância dos apontamentos feito pelo Batalhafam sobre as dificuldades da produção editorial e da distribuição dos livros, optou por observar a natureza intrínseca do autor que é escrever para ser lido, nem sempre para ser comprado. “Toda essa dificuldade é de enorme pertinência. É legítimo ser remunerado pelo valor de mercado da sua obra, mas entendo que o eixo principal é ser lido, mesmo que para isso utilizemos todos os novos mecanismos que se reciclam constantemente e que criam possibilidades de difusão, como é o caso da internet”.

O escritor entende que existem possibilidades de se pensar positivamente e criativamente para superar os bloqueios, mesmo que minimamente, que a indústria cultural impõe aos novos e não tão consagrados autores. Defende o foco do autor naquilo que quer e deseja escrever desviando dos humores e exigências do mercado. No que diz respeito a um dos produtos de sua lavra explicou que produziu um livro recente com peças de realismo urbano totalmente focado no que viu, viveu e friccionou dentro do território de Itaquera e da periferia.

Registrou ainda a sua resistência pessoal em produzir literatura. “Trabalho também como assessoria jornalística para novos autores e novos livros. Sei como se dá essa relação quase que de pai para filho e o entusiasmo que a criação gera no criador. Essa realidade me vacinou quanto às expectativas, da mesma forma que me faz reconhecer o meu lugar nessa encantadora seara. Com tantos bons autores, tão bons livros acho um atrevimento quase indevido escrever livros, mas modestamente tenho um espaço na segunda classe”, brincou.

Novo autor saboreia o parto

Marcio Costa, um dos promotores do encontro acabou de lançar um livro de causos; próprios em sua maioria e alguns que podem ser ficção, o autor não revela. Registrou no encontro que as dificuldades são as mesmas já relatadas, mas que o prazer pela escrita e pela produção do seu primeiro livro o levará a outros.

Já para o professor Ronaldo José que, antes de tudo continua demonstrando entusiasmo com a sala de aula escrever dois livros foi apenas consequência de seus nove anos como editor do Jornal do Estudante que focado no segmento informava, esclarecia, noticiava, mas buscava leitor. Seu primeiro livro foi dirigido a esse público entre pré-adolescentes e adolescentes e, segundo testemunhou, teve ótima aceitação.

Ronaldo não precisou repetir as mesmas dificuldades que já haviam sido expostas, optou por deixar o clima mais otimista. Comprometido com a educação mostrou seu segundo livro ainda em fase de tirar as fraldas, foi lançado ainda este ano com a temática da escola pública, aparentemente indicando ser um estudo e ensaio sobre o assunto.

Último da mesa a se apresentar o jovem Allan Regis mora hoje na divisa entre Itaquera e Guaianazes é autor de diversos livros entre eles um registro da história do bairro onde mora do ponto de vista do morador não da elite local, como forma de exercício da cidadania e da boa produção literária. Em sua fala e autorizado pelos presentes leu um de seus ensaios que resumem pictoricamente a história de um escritor na pele de um agricultor com todas as dificuldades e a falta de incentivo para produzir o que mais gosta. Entendido o recado foi aplaudido.

Na plateia ainda foi possível ouvir explicações pontuais sobre as obras e histórico de vida e ação cidadã de dois autores na mesma direção do conjunto dos consensos criados.

Próximos passos

Reconhecendo seus iguais, as propostas de trabalho conjunto de fortalecimento da produção e da circulação literária alguns indicadores foram rascunhados para um futuro encontro. A ideia é discutir e viabilizar formas alternativas de diminuir as dificuldades tendo em vista que do ponto de vista da indústria cultural livros para serem custeados e promovidos pela editora só mesmo dentro de parâmetros já definidos com temáticas que tenham apelo mercadológico mesmo que de gosto discutível. Não é nada disso que querem aqueles autores e leitores reunidos no encontro. (JMN)

Mesa - 6 pequena

Vista parcial da mesa e dos presentes, entre os quais outros autores

Da esquerda para a direita Ronaldo José, Allan Regis, J. de Mendonça Neto, Erorci Santana, Marcio Costa e José Carlos Silva Batalhafam

Da esquerda para a direita Ronaldo José, Allan Regis, J. de Mendonça Neto, Erorci Santana, Marcio Costa e José Carlos Silva Batalhafam

Written by Página Leste

26 de junho de 2014 at 16:28

Publicado em Cultura, Educação

Ser contra a copa e assistir aos jogos

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Dia desses a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik se reuniu com jovens no auditório lotado da Fundação Rosa de Luxemburgo em São Paulo para falar e palestrar sobre o livro Resistências no país do futebol, que estava sendo lançado, quando uma das intervenções de um dos jovens presentes tirou risadas da plateia. A pergunta “Eu sou contra essa copa, eu vou para a rua nas manifestações, como posso então justificar assistir os jogos pela TV apesar desse posicionamento?”. Risos na plateia.

A pergunta, entretanto é muito pertinente ao que Raquel respondeu que a questão não é, e talvez nunca tenha sido, impedir a copa e sim mudar o país o que é muito mais importante e complexo. Acordo pleno deste escriba.

A urbanista tem muita bagagem para tocar no assunto sobre a suposta contradição. De 2008 a 2014 ela foi relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada, e foi referência internacional no tema da violação de populações afetadas por megaprojetos esportivos. Já havia produzido estudos para os casos da Copa na África do Sul, das Olimpíadas na China e os jogos da comunidade Britânica na Índia.

Coerente com o que estudou e produziu ela é mais uma crítica da apropriação corporativa dos espaços urbanos, aqueles mesmo usados para a instalação das arenas e que para tal graves violações de direitos e leis em nome da Copa do Brasil 2014 foram cometidos. “Quando apresentei o relatório [da ONU], descobri a perversa relação entre as políticas neoliberais urbanas e a organização de megaeventos esportivos, e a ligação entre estes dois elementos e a massiva espoliação dos direitos dos setores mais vulneráveis na cidade. Não por acaso os jogos, ao longo de sua história, foram, a partir de Los Angeles, tomados por operações de marketing, organizadas não pelos Estados, mas por patrocinadores privados. Tem a ver com a globalização dos mercados imobiliários e financeiros, e a financeirização da produção nas cidades e o quanto essas plataformas dos megaeventos são uma vitrine de tudo e da própria cidade, como objeto de venda”, resume a urbanista.

Ainda como consequência é plausível que a organização da copa no Brasil permitiu violações, que em ocasiões normais, não seriam ousadas se cometer. Só foi e é possível em função do nacionalismo estar sendo usado para justificar o que os mais atentos estão chamando de Estado de Exceção. O fato é que o gerenciamento geral dessa copa há muito deixou de estar nas mãos dos Estados e do poder público. São os grandes grupos que definem a macroeconomia que comandam as operações sob a fachada e responsabilidade da Fifa.

Se provas são necessárias podemos exibir o caso da Cidade da Copa no Recife, que foi viabilizada por Parcerias Público-Privadas. A tal cidade foi construída em área do governo do Estado e as tais parcerias decidiram que um consórcio de empreiteiras liderado pela Odebrechet, a mesma que é sócia proprietária da Arena Corinthians, a pegar recursos do BNDES para construir um estádio na tal cidade junto com uma contrapartida generosa de outro enorme terreno para construir imóveis privados tais como moradias de alto padrão, shopping, escritórios. Ou seja, uma série de produtos nada acessíveis ao grosso da população com o beneplácito do estado que ainda ajudou e ajudará financiar o empreendimento. Detalhe: dinheiro público.

Mas para não deixar sem resposta – A urbanista lembrou que as manifestações nas ruas têm alterado muito pouco esse quadro, mas que os efeitos vão transcender a esses aparentes poucos resultados. “Estamos vivendo um novo ciclo que se iniciou com as lutas pela democratização nos anos 80, passou pelos movimentos sindicais e sociais que foram gerando novas institucionalidades, novos partidos e proposições a atual conjuntura”, teria dito. Tem razão, apesar do fato de ainda não se conseguir responder melhor e mais a todas as demandas que apareceram a partir das manifestações de junho de 2013 a situação tende a mudar.

A contrapartida dessa nova situação, que ainda não se acentuou minimamente, por causa mesmo da falta de canais representativos e institucionais no campo democrático são os arroubos de totalitarismo, de militarização e das proposições simplistas e descompromissadas que vira e mexe se ouve das bocas mais dispersas quando, por exemplo, as pessoas dão com as portas na cara quando procuram a saúde pública ou quando tem dificuldades de transporte público. O mais corriqueiro e se queixarem e dizerem que acham “um absurdo esse governo, gastando monte de dinheiro com estádio, devia gastar em hospital. É tudo por causa da corrupção, etc”.

Não dá apenas para dar vazão a esses argumentos falhos e fracos. Eles não ajudam, não esclarecem e não explicam tudo. No mais das vezes repetem as cantilenas simplistas de grande animadores televisivos que se fazem passar por âncoras de notícias. O fato com o qual temos que nos subsidiar para elevar o patamar da crítica é que o que se gastou com a copa não é nada perto dos juros pagos aos banqueiros; do que a gente transfere todo dia pras empreiteiras, pros grandes grupos privados na área de saúde. Isso é muito mais grave. Corrupção de 10% do contrato é grava, mas de menos nessa situação. “Os descontentamentos acabam se misturando”, pondera a urbanista. Muita concordância, de novo. (JMN)

Written by Página Leste

25 de junho de 2014 at 16:02

Futuro candidato do PT ao governo visita zona leste

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Alexandre Padilha passa por diretório petista de São Mateus em dia de visita a Zona Leste

                                           

O pré-candidato a governador do Estado de São Paulo que aparece com 3% ou 4% de intenção de votos a depender do cenário em recente pesquisa do Datafolha passou um dia todo na zona leste da cidade de São Paulo e, ainda pela manhã, compareceu ao Diretório Zonal do Partido dos Trabalhadores de São Mateus onde foi recepcionado por filiados e simpatizantes. Teve ainda extensa agenda até finalizar em plenária nas Obras Sociais Dom Bosco, em Itaquera na noite da mesma sexta-feira, dia 06.

Deverá crescer nas pesquisas e a sua imagem pública de médico e homem moderado, como o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), também candidato, deverá deixar ambos, e as campanhas, em tons ligeiramente parecidos.

Antes de falar aos presentes que incluíam parlamentares como Adriano Diogo, deputado estadual e Juliana Cardoso e Paulo Fiorillo, vereadores petistas, além de pré-candidatos a Câmara como Andrés Sanches, tido e havido como bom puxador de votos para a legenda, Padilha ouviu diversas considerações sobre as necessidades da região, notadamente para suprir as carências da área da cultura.

Os militantes do partido ou da área cultural buscaram evidenciar essas carências desfilando reclamações e demonstrando o quanto essa área tem sido preterida através dos tempos. Coube a Claudete representando o presidente do DZ que não estava presente no inicio do encontro e ao vereador Fiorillo a abertura da reunião. Um dos primeiros a falar, o deputado estadual Adriano Diogo, satirizou o fato do acesso da caravana a São Mateus não poder ter sido feito pelo Monotrilho, do qual duvida sobre a sua implementação e extensão até a periferia.

Padilha pode ouvir dos presentes que nos três imensos distritos de São Mateus, mal funciona e existe casa de cultura. Apenas uma, até então instalada em uma casa que era de educação infantil. Existe a previsão de um novo espaço de mais de 1300 m2 no distrito São Rafael, mas que depende de iniciativas da Prefeitura lembrou um dos ativistas. Outros ainda lembraram que a periferia de São Mateus tem certa efervescência cultural com distintas produções que vão de música a teatro e que outro programa que poderia ser adotado pelo governo do Estado aos moldes do programa VAI de valorização das iniciativas culturais da Secretária Municipal da Cultura seria interessante. Outros lembraram ainda da importância de ampliação dos pontos de cultura, programa do Ministério da Cultura.

O completo abandono dos telecentros, espaços para iniciação digital e em informática foi registrado, bem como os espaços ociosos dos centros desportivos municipais, os CDMs, de responsabilidade da prefeitura. Não faltou também quem registrasse a insustentável situação da saúde pública e gratuita na região, assunto que tem sido exaustivamente tratado por este jornal.

Programas para jovens e prevenção contra os abusos de álcool e drogas

Lideranças presentes como Jerônimo, do Jardim São Francisco cobrou a necessidade de se criar áreas de lazer naquela localidade. Já Hamilton Clemente lembrou ao pré-candidato sobre a necessidade de se olhar mais atentamente para a questão do abuso de álcool e drogas e a necessidade de programas para as regiões periféricas. Clemente recomendou que os governos levassem em conta a contribuição que certas entidades podem dar. Para ele os governos deveriam estabelecer convênios com algumas destas para somar esforços nessa importante batalha.

Padilha convoca militância a ir aquecendo os motores

Ciente de que a legislação eleitoral restringe a mobilidade e a exposição dos pré-candidatos, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha tem participado de caravanas pelo interior do estado e na capital sempre em locais fechados e dirigidas especialmente a filiados ao próprio partido e simpatizantes diversos. Demonstrou, também, estar bastante animado e feliz com as acolhidas, conforme resumiu ao final do dia, de novo, em Itaquera.

Enquanto em São Mateus, entretanto, registrou que esse momento é de ouvir, debater e eventualmente agregar proposições que possam compor seu plano de governo que deverá começar a ser definido após as convenções oficiais logo após a Copa do Mundo. A ideia dele é entre julho e agosto já correr trecho, nas ruas, condomínios, no comércio e nas comunidades debatendo e tentando melhorar as expectativas de voto. Não deixou de convocar a militância para essa árdua tarefa. Apesar de considerar que nunca estiveram tão boas as chances do PT vir a disputar o governo do Estado, alertou para as dificuldades e a necessidade do empenho de todos. “Vamos nos reunir e conversar. Estaremos preparados para essa campanha, mas com certeza ela será muito dura, em função da enorme preocupação de nossos adversários que temem tanto pela nossa chegada como pela reeleição da presidenta Dilma”.

“Teremos que ter capacidade para mostrar como de fato a vida mudou e esse debate terá que ser feito de modo especial com os mais jovens, alguns deles muito distante de todas as lutas e até mesmo da primeira eleição do PT ao governo federal. Devermos valorizar nossas conquistas e mantê-los temerosos sim da reeleição da Dilma, das boas condições de saúde do Lula e das nossas reais chances de governar o estado”.

Padilha fez também considerações gerais sobre a forma com que o atual governo atua no transporte coletivo, priorizando com melhores “produtos” as áreas centrais e mais ricas da cidade. Para tanto comparou a qualidade do metrô entre esse centro da cidade e as periferias.

Falou ainda do programa Mais Médico, ressalvando que a proposta não era uma solução definitiva e completa para a precariedade da saúde pública, mas, sim, uma iniciativa importante que já produz frutos reconhecidos pela população Brasil afora. “Essa é outra das diferenças. Conseguimos fazer em três anos o que eles não fizeram em 20”. Padilha voltou a se referir ao temor dos adversários de que essas proposições sejam implementadas no Estado de São Paulo.

Falou ainda sobre ações possíveis e tratamentos diferentes nas áreas da educação e cultura. ”O PT governa apoiado na força do povo. Damos apoio a quem faz e for criativo. Faremos questão de que essas coisas apareçam. Vamos apostar na força da cultura. Vamos valorizar os jovens e transformar a escola em espaço vivo de cultura, esporte e inclusão”. “A periferia de São Paulo vive um momento rico de cultura com saraus literários, músicas artesanato, teatro e etc. Vamos valorizar tudo isso. Eles (os adversários) temem tudo isso; nosso vigor. Vamos dar chances para os jovens irem para as universidades, cotas para negros, cotas para estudantes da escola pública, escolas técnicas”.

Não faltou ainda crítica ao governo do Estado com relação ao abastecimento de água na cidade. “Os técnicos vem nos últimos dez anos apontando a necessidade de obras para reduzir a dependência da capital do sistema Cantareira. Nada dessas recomendações saíram do papel por responsabilidade do governo. Agora estamos nessa situação”.

Padilha ainda seguiu para um almoço onde cada um pagou sua despesa

Saindo de São Mateus, Padilha partiu animado para o restante da agenda do dia que incluiu um almoço com correligionários, conversas no mesmo tom em outros bairros e no começo da noite com o mesmo tom nas Obras Sociais Dom Bosco, onde reuniu centenas de simpatizantes, parlamentares e lideranças locais. Saiu entusiasmado da maratona. (JMN)

 

Written by Página Leste

12 de junho de 2014 at 12:28

É hora de parar de dormir

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Uma dúvida cruel e aparentemente ainda sem uma resposta convincente vem crescendo nos corações e mentes. Quais as razões para os protestos, manifestações e greves que estamos vendo e tomando conhecimento nesses dias de maio que correm?

Partiremos do que pode ser entendido como premissas de que: para as greves trata-se de um braço de ferro entre empregados e empregador, em geral por uma participação maior no excedente com uma remuneração mais gentil para a força de trabalho; melhores condições de trabalho e vida ou ainda greves com caráter político mais amplo e menos corporativo. Greves também se dão em categorias de servidores do Estado pelos mesmos motivos.

A dúvida é: são, sempre, justos os motivos ou tudo faz parte de outros objetivos e interesses. O de influir em resultados eleitorais, por exemplo, no modo até certo ponto mais mesquinho de ser ou para causas mais nobres e de interesses legítimos e amplos.

Quanto as manifestações e protestos generalistas com focos mais fluidos, menos objetivos e que em geral dão demonstrações explicitas de certos descontentamento são protestos e manifestações que tem como destinatário e adversário nas escaramuças os governos.

Não particularizemos aqui se federal, estadual ou municipal, apesar de ter uma ligeira compreensão de que protestos de desconfortos tenham o governo federal principalmente como destinatário. À ele são dirigidas as demandas e demonstrações de descontentamentos difusos. Protesta-se contra algo que não achamos correto; que poderia ser diferente ou ainda que poderia ser melhorado.

Então onde estão os problemas? Ou o governo não é aquilo do que dele se espera ou os manifestantes e a sociedade em geral estão com algum mal secular, de tal forma desconfortável que querem demonstrar isso apesar de supostamente não terem tanta razão para isso.

As respostas precisam estar em algum canto. Ou o governo não presta ou os queixosos são injustos. Parece não haver meio termo e terceira via de resposta ao questionamento.

Se o culpado é o governo havemos de lembrar que ele é fruto da escolha popular, infelizmente após campanhas nem tão transparentes e nem em condições justas de disputas entre os participantes. Aqui e ali, e de forma avassaladora, se pode sentir a presença da manipulação midiática e dos efeitos de mecanismos políticos e eleitorais nem sempre probos. Há que se entender que os que legislam tem mais facilidade e entusiasmo para legislar em causa própria, não em causa nossa.

É este governo e seus anteriores, pois não se chega a atual situação sem lembrar de onde, por onde e com quem viemos que é parcialmente responsável pelo atual estado de coisas; afinal de campanha e campanha não se vê outra coisa que não propostas de corrigir os erros, arrumar as coisas e continuar melhorando o que no entendimento deles não está funcionando. Então porque não está bom?

Uma possibilidade pode estar no fato de que independente de partido; se mais sujinho ou mais limpinho, se com cara de democrata ou autoritário, se com cacoetes de direita, centro e esquerda eles nunca saem do lugar comum em apresentar um cabedal de propostas frouxas, tênues, descompromissadas e, principalmente em setores que dizem vão melhorar, mas que pela sua natureza apresentam enformes dificuldades de aferição.

Nunca vimos e talvez nunca veremos um estadista propor e fazer passar, por exemplo redução de salários de todo e qualquer mandato em benefício à saúde. Nem veremos esse mesmo estadista, pois ele não existe, dizendo que acabará com a festa do financiamento da saúde privada com recursos públicos ou ainda que exigirá que pais e responsáveis das famílias que recebem o Bolsa Família também tenham que frequentar escolas ou outros espaços onde possam com certa regularidade aprenderem bons modos, educação, cidadania e noções de ética. Não, não veremos esse estadista. Veremos, sim é candidatos que às vésperas das eleições se dizem opção mais confiável e melhor que seus oponentes, mas que logo a seguir, entretanto estarão compondo governos com eles e se locupletando tanto quanto possível das benesses do Estado.

Feita a queixa aos políticos tão a moda, resta registrar neste parágrafo o que entretanto parece ser o mais importante, ou seja, a irresponsabilidade da sociedade de uma forma geral. O fato é que tirando uma minoria abnegada, ativista e lutadora resta uma massa uniforme de muita gente boa, honesta e uma outra de gente ruim, desonesta que continuam achando que podem continuar dormindo em berço enquanto o gigante acorda, dorme de novo, acorda irritado, queima uns ônibus, pois tá na moda, e volta a dormir embalado com novas _ velhas_ promessas de que governo a ou b vão fazer as coisas melhorar.

Já se foi esse tempo. É hora de abandonar o tchu, o tcha, o conforto ou desconforto de seus lares e conhecer, entender e tomar atitudes que possam corrigir o mal estar desse país. Foi e é assim em todos esses alguns outros países de gente cidadã onde se ainda não está bom, pelo menos não é um país tão de ponta como o nosso quando o assunto é lambança. (JMN)

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29 de maio de 2014 at 18:04

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Aliados da Dilma começam a abandonar o barco

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Ainda que a presidenta Dilma Roussef (PT) ainda possa contar com grande tempo de exposição no horário eleitoral ele tende a diminuir na medida em que antigos parceiros de governos abandonam o barco para formar fileiras na oposição ou em oposição própria para aumentar o cacife e o valor de suas legendas numa futura nova composição governamental.

Como tem sido denunciada sistematicamente em editoriais neste jornal, essa prática deletéria e nociva de fazer oposição tentando a sorte nas eleições, qualquer coisa de não mais que seis meses, virá apenas jogo de cena para logo depois estar disponível para compor o governo de forma chantagista do tipo “sem meu partido ou minha corrente, vai ficar difícil governar esse país”. Trata-se de um jogo onde os partidos com essa pratica a esmagadora maioria nunca perdem nada, nem perdendo nas eleições. Já para o povo é um teatrinho que custa caro.

Embora o seu partido faça parte da base aliada da Dilma, a senadora Ana Amélia (PP) do Rio Grande do Sul contou com a presença do tucano Aécio Neves no pré-lançamento de sua candidatura. Agora o bloco lá reúne PP, PSDB e Solidariedade (SDD) que estarão juntos na disputa local e na nacional. Para se ter ideia das consequências, o PP, que é um partido forte no RS, tinha pouco mais de um minuto de tempo na TV, com o acordo terá quase quatro minutos a mais.

Se for ter mais tempo, tira de alguém. Da Dilma, com certeza, mas não para ai. No Rio de Janeiro, em breve será lançado o “Movimento Aezão” com fatias generosas do PMDB e da base aliada própria do governo do Rio que aderiram à campanha de Aécio Neves à Presidência. Somem-se representantes do PP, do PSD que já havia anunciado que iriam apoiar a Dilma e do PPS que não esteve na base do atual governo e que já se dispôs a acompanhar Eduardo Campos do PSB, ou seja, outro naco de tempo perdido pela atual presidenta Dilma.

Com tantas defecções oportunistas, lembremo-nos, o Planalto já está com uma dor de cabeça que não cessa mesmo porque é também difícil de responder a esse movimento. Se cortar cargos que esses ocupam no governo corre-se o risco de ver a legenda toda do partido de quem se tira a boquinha se bandear para o campo adversário. Para evitar isso que é quase automático, não se tem muito que fazer e o governo têm que conviver com essas infecções por dentro de seu próprio corpo. Ou seja, não tem cura fácil pela frente.

O que é importante é notarmos que até as três últimas eleições presidenciais o que se via era o PSDB perdendo aliados que se bandeavam para o adversário de então, o PT, que recebia adesões quase sempre de caráter fisiológico, mas que garantia mais tempo de TV e uma sensação de melhor governabilidade. Hoje a situação é exatamente o contrário até o apoio do PR à reeleição da Dilma não esta garantido.

Diante desse quadro sempre presente nas eleições; do toma lá, da cá, o povo vai se iludindo com propostas mirabolantes dos partidos coligados e candidatos, que depois de eleitos, botam no gelo tudo que prometiam lindamente na TV. É também por essas que a reforma política deixou de ser um desejo de luxo; agora se trata de uma imperiosa necessidade. (JMN)

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29 de maio de 2014 at 18:02

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Nenhum avanço em nova reunião do Conseg 49 DP

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Em nova reunião do Conselho de Segurança – Conseg do 49º DP, dia20/5, o Capitão Tirsso da 5ª Cia PM/SP fez um desabafo que mais parecia ser uma resposta ao descontentamento geral da comunidade presente a reunião anterior a essa e registrada pela reportagem. Procurou demonstrar que a Polícia Militar atua, mas não faz alarde e propaganda disso.

A mesa composta por José Ramirez, presidente do Conseg, pelo delegado titular do 49o DP, Luiz Carlos Uzelin, pelo Tenente Moisés, da 2ª Cia PM/SP, pelo Inspetor Figueiredo, da GCM e por José Carlos, representando o subprefeito de São Mateus que estava em outro compromisso abriu os trabalhos recolhendo algumas queixas que se repetiram, alguns encaminhamentos e, no restante do encontro, a fala do capitão.

 

  Aberta reunião a comunidade se manifesta

Antes da fala do capitão, representante dos trabalhadores da saúde pública respaldado com representantes das nove unidades básicas de saúde na região reiterou as queixas do encontro anterior sobre o que consideram um estado de grande insegurança, revelando que naquele mesmo dia haviam sido registradas saídas de profissionais das unidades em mudança para locais mais seguros. Segundo o interlocutor os problemas seguiam da mesma forma e com a mesma gravidade. “Vamos chegar a um ponto tão critico que daqui a pouco as comunidades não iram apenas reclamar da falta de médicos e sim de todos os outros profissionais que fazem um posto funcionar. Nessas condições poucos vão continuar trabalhando. E, sem funcionários não existirá a unidade básica”, finalizou.

Outros participantes relataram comportamentos negligentes de alguns policiais e de demora exagerada no atendimento de certas denúncias a ponto de inviabilizá-las. A insistente ocorrência de bailes funks aos finais de semanas também foi objeto de reclamações.

Ainda com a palavra entre os presentes houve reclamações quanto ao atendimento administrativo de demandas por iluminação, limpeza e manutenção de espaços públicos que antes permitiam até caminhadas e que hoje são locais com ocorrência de assaltos e ainda sobre o abandono das escolas públicas sem segurança aos finais de semana.

Em desabafo, Capitão Tirssocobra participação e responsabilidade da sociedade

O Capitão Tirsso, da 5ª Cia da PM/SP aproveitou o gancho com relação às seguidas queixas e informou que a 5ª companhia e a PM da região de uma forma geral vem tentando combater o abuso e as ocorrências de bailes funks em vias públicas há mais de anos e revela as dificuldades. “Na Rua Sonho por Sonho, por exemplo, coloco uma viatura as sextas, sábados e domingos ou em dias alternados antes mesmo do começo da aglomeração de pessoas, como forma de evitar que o baile se instale. Pois saibam vocês que as pessoas que queriam que o baile ocorresse ficam na rua de trás e de forma furtiva e a distância jogam pedras nas viaturas”.

Disse ainda que a PM faz um serviço de inteligência monitorando tanto quanto possível as redes sociais e é percebe-se que eles se articulam migrando de lugar conforme a polícia vai atuando. “São 15 bailes simultâneos aos finais de semana e nem sempre nos mesmos lugares”, que dá um indicador das dificuldades.

Mas não é só. O capitão tem razão quando chama vigorosamente às falas a falta de responsabilidade da própria comunidade na educação primária de filhos; crianças e jovens. Lembrou inclusive da fala recorrente do delegado seccional Dr. Antônio Mestre que em certa ocasião ouviu a queixa de um pai por ter sido incomodado pela polícia para que fosse a um determinado baile se responsabilizar pela filha de 13 anos. Algo tão absurdo e próximo disto, mas com outras palavras: “Estava assistindo jogo e a polícia foi me incomodar”. O capitão ainda ilustrou seus argumentos com a situação vivida na França nos anos 70 com o aumento da criminalidade. “Eles chegaram a triplicar a força policial, mas o crime não regrediu. Regrediu, apenas, quando outro ministro enfatizou a educação de pais e responsáveis para que assumissem corretamente seus papeis na educação de filhos”.

O capitão tem razão e este jornal já vem falando nisso há algum tempo. Sem envolvimento e comprometimento e até preparo das famílias focado nos pais ou responsáveis às medidas repressivas só não vão resolver. É inadmissível que pais continuem se omitindo de se educarem e de educarem seus filhos.

Após enfatizar a necessidade desse comprometimento _uma espécie de chamada às responsabilidades da própria sociedade que não pode continuar achando que é obrigação da segurança resolver tudo, falou do rigor com que dirige a sua companhia e o empenho entre os seus comandados. “Claro que tivemos e possamos ter policiais que não cumprem suas obrigações, até casos que nos mesmos afastamos maus policiais. Já afastei 20, entre os quais três que eram bandidos e que estão cumprindo penas, mas a maioria sabe de suas responsabilidades de policial, assumem e agem”. O capitão indicava que para, além disso, o envolvimento responsável das pessoas de bem é essencial no trabalho da segurança. “Continuem denunciando de forma responsável”. Poderia ter dito também não compactuem com pequenos, médios e grandes crimes que, em geral, todos temos conhecimentos.

Parecendo procurar dar uma resposta ao ocorrido no encontro anterior com a queixa dos presentes quanto à ausência das polícias, disse que não é político e não faz propagando do trabalho que faz ou que a sua companha faz. Revelou até que a construção de parte da sede, por exemplo, foi feita com a força d mão de obra dos policiais e que nenhum pedreiro externo, por exemplo, esteve envolvido. Disse ainda que até o conserto das viaturas são pagas com seu cheque em algumas ocasiões.

A reunião foi encaminhada ao seu final muito próxima de como começou. Sem respostas objetivas as suas demandas os profissionais da saúde foram embora, considerando que sequer foram ouvidos. Ou seja, a comunidade, sem resposta e encaminhamentos imediatos deixa transparecer que a questão da insegurança em São Mateus vai continuar na pauta do dia, o que, como lembrado, vai exigir o envolvimento responsável de todos.

 

 

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29 de maio de 2014 at 18:01

Adriano Diogo participa de Pinga Fogo na Gazeta

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Diversas lideranças de São Mateus e região participaram da nova edição do Pinga Fogo na sede da Gazeta São Mateus, dia 23/05, com o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) que tem longa e intensa presença na região. O encontro foi coordenado pela diretora do jornal, Lucy Mendonça. Acompanhe o resumo de gravações do encontro.

 

Respondendo a primeira pergunta chave feita pela diretora do jornal, Lucy Mendonça, do porque deveríamos dar a ele o voto, Adriano Diogo respondeu que só se deve votar naqueles em que se tiver confiança e certeza de comprometimento em resposta à primeira pergunta. “Acho que não se deve votar apenas no que se fala e se promete fazer, mas também pelo que a pessoa foi e é. Particularmente tenho dificuldade com relação a essa coisa de pedir voto. Entendo ainda que nem deveríamos pedir esse voto e sim ser lembrado; ter um reconhecimento automático”, explica e critica o fato inegável de que o voto se insere num processo de alto financiamento, de interesses escusos, de troca de favores desde os mais simples e particularizados até o de altas finanças e interesses empresarias nem sempre legítimos. “Vejo essa relação com a política de forma a ser afetiva e de sinceridade, mas de maneira plena, não no varejo. As pessoas podem votar ou casar pensando na prenda ou no dote que vai receber, mas isso não é garantia alguma que a relação vá dar certo, Pode ser um grande desastre”, raciocina.

Perguntado sobre uma questão emblemática para a região do ponto de vista ambiental que é a preservação do Morro do Cruzeiro, o segundo ponto mais alto da cidade, Adriano explicou que como deputado estadual e com as tarefas que desempenha na assembleia e no mandato tem pouco contato e interferência nas questões da prefeitura, mas que tem certo entusiasmo com o novo subprefeito Fábio Santos Silvaque assumiu na região. Já o conhecia e em conversas com o novo representante da prefeitura que o procurou para se inteirar melhor disse que vale a pena ele buscar as questões que estavam previstas na revisão do Plano Diretor Regional esboçado anos atrás.

Adriano destacou que três áreas de São Mateus; Vila Bela, Jardim das Flores, Parque Palanque e mais o Morro do Cruzeiro deveriam ser de sua máxima atenção e que especialmente para o morro deverá ter um olhar atento e criativo para manter e resgatar o local que tem como ser patrimônio importante para a cidade. “Mexer acertadamente com o Morro do Cruzeiro e das outras áreas vai contribuir muito com a elevação da autoestima dos moradores de São Mateus”, considerou o deputado que acha que São Mateus tem sido maltratado ao longo dos anos.

Voltando a se referir à ocupação Vila Bela, lembrou que o problema quase teve uma solução urbanística adequada ao final do governo da ex-prefeita Marta Suplicy. Na ocasião, lembrou, o suposto dono da área propunha entregar a terra a custo zero. “A Vila Bela precisa de ações aos moldes de porteira fechada, por completo, a exemplo do que foi o Jardim Conquista na ocasião”.

Arguido sobre a questão da violência, além das considerações gerais de amplo conhecimento como educação dentro de casa, espaços de socialização e educação, cultura, segurança preventiva e eficiência policial, Adriano levantou a importância do viés social da questão que envolve o uso e ocupação urbana, diferenças de renda e oportunidades, entre outros. Indicou que não existem saídas isoladas para a violência. “Acho também que os governos não deviam apenas administrar locais; a tarefa é, também, administrar as relações entre as pessoas”. Mais ainda, considera que a administração municipal, no caso, tem que cuidar das áreas centrais, notadamente nos casos de ociosidade de moradias onde existem mais de 50 mil apartamentos ociosos, mas, também, das periferias.

Com relação a essas questões também sente falta de criatividade e de um pouco de utopia nas demandas das populações onde existe uma grande energia dispersa e desperdiçada. “Sentimos falta de projetos e ideias arrojadas para além de se buscar apenas as questões do dia-a-dia. Temos que ter projetos para mobilizar e construir a cidadania”, raciocina. “Do jeito que as coisas estão às pessoas foram transformadas em simples eleitores. Três meses de calor máximo as vésperas da eleição e quatro anos de ar condicionado”, satiriza.

Com relação à representação parlamentar Adriano reconhece que a maior parte das pessoas não se sente representada, seja no congresso, na assembleia ou nas câmaras de vereadores. “Chega a ser caricata essa relação”. Mesmo assim, Adriano tem esperança que para São Mateus, retomar propostas da revisão do plano diretor anos atrás e ajudar a consolidação do plano diretor em curso possa melhorar a situação.

Muitas reservas com relação ao monotrilho

Por considerar que a atividade política infelizmente deixou de ser uma atividade criativa para ser uma coisa burocrática e repetitiva não se está enfrentando adequadamente a discussão do monotrilho, por exemplo, da forma como se deveria. Adriano diz que a proposta do transporte foi de um governo, mas que teve que ser enfrentada pelo seguinte, ainda do PSDB, que percebeu, então, o tamanho das dificuldades dessa tarefa. Adriano aposta que este ano se resolve apenas o trecho já consolidado que chega até o parque São Lucas, passando pela Vila Prudente. “O restante ainda é uma miragem, tal o grau de dificuldades de se resolver assuntos como desapropriação, por exemplo”. “Vale lembrar”, continuou “que o transporte leve tal como proposto não é exatamente o mais adequado para transporte de grandes quantidades de pessoas”.

Insinuou ainda que a extensão até a Cidade Tiradentes não estava prevista e, eventualmente, foi incluído em função das demandas históricas daquela comunidade por transportes mais eficientes. Adriano ainda acha que eles resolvem parcialmente o trecho consolidado, mas não terão coragem de colocar em funcionamento pleno por causa dos riscos dos problemas aparecerem ainda no período eleitoral. “Imagina se não funcionar direito? A operação do monotrilho é uma enorme vitrine no país inteiro, não querem correr o risco”. Tanto é assim, diz Adriano, que o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, em acordo com o governador preferiu rever completamente o projeto inicial, imagino pela precária confiança que tinham no que estava sendo proposto.

Buscar um mandato no Congresso Nacional

Indagado sobre suas prioridades caso seja eleito como deputado federal, Adriano lembrou inicialmente das enormes dificuldades das campanhas nos moldes que vinham ocorrendo, principalmente na questão do financiamento. “Devemos ter em mente que apenas 160 empresas conseguem decidir quem serão o presidente, os governadores e até os vereadores, Brasil afora. É muito poder, exatamente nas mãos de quem detém o capital”.

Adriano tem sérias críticas a essa relação promíscua que se estabelece entre o eleito e seus financiadores e pelo fato da relação de campanha também junto ao eleitor ser balizada pela questão das trocas que em geral envolvem pagamentos em espécie ou favores presentes e futuros. É nesse sentido que é um entusiasta do financiamento público de campanha que, se não resolve totalmente as desigualdades de recursos em campanhas, pelo menos as diminuem. Adriano ainda registrou que é contra a perpetuação de mandatos com parlamentares se reelegendo aos mesmos cargos por eleições seguidas.

Se sua presença tem importância em Brasília responde afirmativamente e tem razão. O que temos de despachantes de luxo e lobistas no congresso não se conta as dezenas. É muito mais. Adriano é daqueles que tem a política como prioridade e acha que pode dar boa contribuição em questões como direitos humanos, defesa de direitos, combate e denúncias de genocídios, violência arbitrária policial e cidadania. De fato, os que se batem por esses temas no congresso nacional ou são equivocados ou estão em minoria que precisa de reforço.

Perguntado sobre o que achava das movimentações por uma nova assembleia constituinte através da decisão via plebiscito, disse que apoia em função principalmente da necessidade de uma reforma política que de conta de resolver alguns vícios antigos, mas principalmente da influência do capital nas eleições. “Acho justo e necessário, tem que haver reforma política, sem isso teremos cada vez mais votos nulos e em branco e quando não se acredita nas instituições é o caos. Não dá para continuar também com 90% da representação política eleita baseada na capacidade de arrecadar dinheiro”. “Acho a ideia do plebiscito uma coisa boa que deve ser maturada e que, a meu ver, deveria ser capitaneada até pela presidenta Dilma”.

Mais reflexivo, mais prudente, mas ainda político

Com 65 anos de idade e alguns mandatos cumpridos, Adriano Diogo ainda entende que não existem saídas fora da política, entretanto ela tem que ser vista e praticada de forma séria e com dignidade. “Sou um parlamentar de esquerda com ligações com a igreja católica e com comunidades em toda São Paulo, principalmente Zona Leste e pelo interior do estado e quero continuar não tento vergonha nem envergonhando nenhum eleitor ou apoiador do meu mandato”.

Adriano ainda questionou a legitimidade e a eficiência das recorrentes alianças políticas extensas e amplas em buscas das supostas governabilidades. Entende que também essa prática precisa ser discutida e revista, principalmente em se tratando de partidos com enraizamento nas maiorias, nos trabalhadores e nas comunidades.

Ao final, Adriano voltou a lembrar das dificuldades de se eleger. Sem recursos abundantes de campanha à moda do que muitos concorrentes terão; seu passado, seu presente e sua postura terão que reunir muitos apoios militantes em busca de aproximadamente 150 mil votos. (JMN)

 

Written by Página Leste

29 de maio de 2014 at 17:59

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