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Águas do norte
Águas do norte, Ian McGuire
Uma prosa precisa e ágil sobre a violência humana em suas várias formas

O livro – Patrick Sumner, um médico do exército inglês que viveu os horrores da Guerra dos Sipaios, na Índia, retorna para casa. Traumatizado e sem perspectivas, decide se alistar na tripulação de um navio baleeiro que está zarpando para o Ártico. Seu objetivo é reler Homero e desenhar rascunhos da vida marinha enquanto receita laxantes aos marujos. Mas a bordo do Volunteer também viaja Henry Drax, um arpoador vil e sanguinário com quem Sumner logo entra em rota de colisão. Nas ÁGUAS DO NORTE, à medida que a bestialidade humana e a força esmagadora da natureza ditam as reviravoltas de uma jornada horripilante, Sumner precisará fazer o impensável para sobreviver.
Por que publicamos
Inscrevendo-se numa tradição narrativa que vai do MOBY DICK de Melville ao MERIDIANO DE SANGUE de Cormac McCarthy, ÁGUAS DO NORTE oferece uma visão inesquecível da amoralidade absoluta que reside na natureza e no coração de certos homens.
O autor – Ian McGuire nasceu em Hull, na Inglaterra, em 1964. Ensina escrita criativa na Universidade de Manchester, onde foi um dos fundadores do Centro de Novos Autores. É crítico literário e seus contos apareceram em publicações como Chicago Review e The Paris Review. ÁGUAS DO NORTE é seu segundo romance.
TRECHO DO LIVRO
Eis o homem. Sai aos tropeços do pátio do Clappison’s, chega à Sykes Street e fareja o ar complexo — terebintina, farinha de peixe, mostarda, grafite, o fedor costumeiro e penetrante do mijo matinal que acabam de derramar dos potes. Bufa, esfrega os cabelos desgrenhados e ajeita a virilha. Cheira os dedos e depois os chupa um por um, extraindo os resquícios, tirando um último proveito do dinheiro gasto. No final da Charterhouse Lane, vira na Wincolmlee no sentido norte e passa pela Taverna De La Pole, pela fábrica de velas de espermacete e pela processadora de oleaginosas. Enxerga os mastros grandes e de mezena que balançam acima (…)
GÊNERO Ficção estrangeira
TRADUÇÃO Daniel Galera
CAPA Laurindo Feliciano
FORMATO 13,5 × 20,8 × 1,9 cm PÁGINAS 304 PESO 0,390 kg
ISBN 978-65-5692-115-0
ANO DE LANÇAMENTO 2021 R$ 74,90 em e-book R$ 55,90
Conhecer para defender a democracia
Diante do que pode estar sendo ensaiado pela nova gestão da República, é preciso estar alerta e ter em mente a necessidade de promover um grande movimento nacional para reafirmar os direitos consagrados na Constituição de 1988 antes que os novos governantes comecem a mudar a história desde e a partir das escolas.
Para que exista um Estado de Direito será preciso entender que a democracia também só será viável havendo Segurança Jurídica que se sustenta respeitando as leis, a começar e principalmente pela Lei Maior, a Constituição.
Na história da humanidade foram séculos de lutas dos povos até que se chegasse ao lema consagrado pela Revolução Francesa,de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Comecemos pela última e reconheçamos as dificuldades em até mesmo fazer o ser humano entender e aceitar ser livre; um dos principais empecilhos para isso é a pior das servidões: a servidão intelectual.
O início dessa libertação, que parecemos ter,mas não em sua plenitude, se dá através do conhecimento dos direitos que a humanidade vem tentando consolidar através da história. Até para reafirmar essa condição humana, as Nações Unidas aprovaram a Carta Universal dos Direitos Humanos e seus princípios básicos estão inseridos em todas as Constituições,inclusive a nossa, dos países signatários, como o nosso.
Diante disso e do que se avizinha é pertinente que todos os estamentos da sociedade possam formar grupos para ler, estudar,compreender e comentar a Constituição da República Federativa do Brasil, a Constituição Cidadã de 1988, pois ali estão descritos todos os deveres e direitos dos cidadãos residentes no Brasil e que precisam se garantidos e preservados pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ou seja, muito acima da vontade e desejo deste ou aquele mandatário eleito ou não.
É muito pertinente discutir o papel do Estado e seus servidores, dos proprietários de meios de produção industrial, agro, mineiro, florestal, dos trabalhadores e em todos os setores da atividade humana. A ideia aqui é assegurar que o conhecimento ou até uma revolução cultural se dê com o estudo dos direitos fundamentais das pessoas adotadas mundialmente e sagradas na Constituição. É a tal da proposta de reafirmar a democracia. Democracia que se faz em obediência às leis e respeito aos direitos dos outros.
Conhecera Constituição, a carta que nos rege ou deveria reger não tem nada de subversivo ou de contestação ao novo governo e de tal não pode ser acusado. É apenas a afirmação da cidadania e da desejada soberania dos povos. Os mandatários que acham que tudo podem e que, inclusive querem de cima pra baixo determinar o que é melhor, tem que aprender a conviver com a desejada superação da servidão intelectual do povo brasileiro. (JMN)
13 x 17
Acho que depois da redemocratização as eleições para presidente do país nunca foram tão polarizadas, uma espécie de disputa entre o que consideram, a depender do lado que está o bem e o mal. Não que eram apenas esses dois lados que se apresentaram para a disputa, tinha outros tantos 12, 40, 45, respectivamente PDT, PSB e PSDB para ficarmos entre os mais expressivos.
O que mais chamou a atenção no primeiro turno era a insistência com que as campanhas e os candidatos dos principais concorrentes que não eram o PT e o PSL de que o Brasil, os eleitores e o povo queriam um caminho de centro, longe dos extremos que acham que os dois contendores atuais possam representar, mas que não se traduziam em intenção de votos.
Vimos Alckmin, Marina e em menos intensidade o Ciro reiterando que o povo quer o meio termo, o centro, conforme dito acima e os eleitores desmentindo-os o tempo todo. Curioso também como esses três insistiam que o caminho deles, de centro, era o certo, como se não houvesse, numa democracia, espaço e direito de extremos se manifestarem.
A rigor, colocado sobre as luzes científicas e rigorosas a proposta no primeiro e segundo turno do candidato Haddad, diferentemente da de Bolsonaro não dá para ser considerada extremista de esquerda porque mantem alguma distância com as propostas do PSOL e do PSTU, por exemplo. Já Bolsonaro não tem mais nada a sua direita. É tido e havido não pela opinião, mas pelo rigor das luzes científicas e rigorosas o candidato da extrema direita brasileira.
Perceba-se que não estou entrando no mérito de cada um dos lados, isso não me interessa aqui nesse artigo. O que acho é de natureza pessoal, cívica até militante, mas não nesse artigo.
O que gostaria de chamar a atenção é de que as responsabilidades dos candidatos, dos apoiadores e de eleitores de lado a lado tem que ser assumidas. Não haverá tempo e espaço para mais a frente omitir, mentir ou fingir não se lembrar de que lado esteve; se é que esteve, porque haverá ainda aqueles que escalarão o muro mais próximo deixando em branco ou anulando o voto.
Anular o voto está sendo considerado um erro grave para ambos os contendores. Para a campanha do Bolsonaro, votar no adversário é permitir a volta do PT e, muita gente considera isso muito grave e na corrupção. Já para a campanha do Haddad votar no adversário é fortalecer o autoritarismo, o desrespeito às minorias, a violência e enganar a sociedade com propostas desastrosas. Claro, as queixas de um contra o outro não são apenas estas e você pode apreciá-las aos quilos nos meios de comunicação e na rede social, que a essa altura da disputa é um verdadeiro hospício de verdades e mentiras.
Se eles estão certos nas suas formas de olhar ou não até pouco importa, mas é assim que eles, grosso modo, pintam o adversário. Foi o que sobrou da campanha com muitos partidos e de múltiplas escolhas. Quem quis caminhar pelo centro caminhou; quem quis caminhar pelo centro-esquerda, esquerda, centro direita e direita também caminhou. Uns chegaram outros ficaram pelo caminho com o dilema do que fazer agora com os dois aparentes extremos que estão em disputa.
Faça o melhor que possa, segundo os seus critérios, mas quero lhe ajudar informando que o congresso nacional onde estão deputados federais e senadores também já está definido e assim que estiver definido quem ganha para presidência aquilo lá vai ficar meio congestionado com os nobres migrando de um canto pro outro atrás de mais poder. (JMN)
Adriano Diogo no Pinga Fogo da Gazeta

No terceiro encontro da série Pinga Fogo na Gazeta recebemos o geólogo e ex-deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP), que vai concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo este ano. De uma longa e descontraída conversa tentamos levar ao leitor um resumo de alguns momentos com a liderança que tem longa e histórica relação com São Mateus.
Para variar, o melhor era ter estado presente. Acompanhe aqui parte da conversa.
Além de expor parte de sua histórica participação no desenvolvimento do bairro, o convidado respondeu alguns questionamentos feitos pelos presentes. Iniciou traçando um breve paralelo sobre o que era esse bairro quando tinha apenas a Avenida Mateo Bei e alguma coisa no Riacho dos Machados e que hoje parece uma cidade. Mesmo por isso que já se referiram ao bairro como Cidade São Mateus.
Fazendo divisa com os municípios de Mauá, Santo André até os ‘Planos Diretor da cidade’, mais recentes, era mais acentuada as características rurais com amplas áreas de interesse ambiental composta de chácaras, muitas nascentes e vegetação nativa. “Praticamente até 2004, São Mateus tinha características de local aonde as famílias vinham passar os finais de semana”, considerou. “Eram áreas remanescentes de grandes propriedades de famílias tradicionais e ricas como Setúbal, do avô da ex-senadora Marta Suplicy e outros tantos que com o tempo foram sendo loteadas e se adensando de forma tão intensa que até antigos aterros foram ocupados por moradias, muitas delas, ainda sem regularização fundiária, como, aliás, grande parte de toda São Mateus”, vai explicando.
Adriano comenta que as ocupações irregulares de áreas públicas e privadas têm contribuído muito para o adensamento e a desorganização dos distritos de São Mateus. Se um dia, num passado recente as ocupações tinham um caráter de forçar a justiça social e os preceitos constitucionais, agora, entretanto, as ocupações estão recheadas de interesses não tão nobres que tem feito recrudescer as ocupações nos espaços não ocupados. O fato é que muitos dos presentes registraram a presença de muitos estelionatários por trás das insistentes tentativas de ocupações na região.
Adriano comenta que a intensificação das ocupações irregulares e mesmo os bairros mais consolidados que estão sem a regularização fundiária tem contribuído para o crescimento desorganizado de grande parte das periferias nos distritos de São Mateus. Corredores importantes que ligam o bairro aos municípios do ABC expõem grandes contrastes. A situação é tão intensa que disse: “Se pudesse atuaria a maior parte do tempo em São Mateus”, ciente das infindáveis demandas das comunidades do distrito. “São Mateus tem muitos contrates, o Riacho dos Machados com sua superpopulação de ratos; o hospital geral de funcionamento sempre precário, as fronteiras com Santo André; o polo industrial que um dia já foi pungente; morro com potencial de atração turística, aterros e usinas de compostagem em frente ao Sesc em Itaquera, ou seja contrastes não faltam”, explica.
Com a crise aumentando mais penúria nas periferias
Adriano considera que quando há crise econômica ela sempre bate com mais força na periferia. Com a crise, mesmo os serviços públicos essenciais sofrem uma retração e qualquer retração em serviços sempre muito aquém da demanda torna a vida do povo ainda mais angustiante.
Adriano analisa que o golpe de 2016 que tirou a presidente Dilma Roussef do governo e as lambanças que o seu vice Michel Temer (MDB) vem promovendo no governo trouxe reflexos nas instâncias locais, como é o caso das prefeituras. Na prefeitura de São Paulo, por exemplo, além das creches que não ampliam a capacidade de atendimento até o transporte escolar foi suspenso aqui e ali deixando crianças em idade escolar sem condução. A merenda distribuída nas escolas também foi mexida e para pior. Há que se lembrar de que o ex-prefeito João Dória, atual candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, queria colocar ração no cardápio das crianças.
“Como uma prefeitura, bilionária como a de São Paulo, congela a construção de centros unificados, os CEU’s”, pergunta o convidado. Como continua devendo vagas em creches; como não amplia as conveniadas para atender, por exemplo, as famílias da Vila Bela onde quase nenhum espaço regularizado sobrou para instalação de uma unidade, continuou perguntando, insinuando, com a concordância dos presentes, o descaso da municipalidade com a periferia.
Perguntado sobre quando o monotrilho de fato chegaria a São Mateus funcionando em capacidade plena, Adriano lembra que o movimento popular era contra a instalação dessa modalidade. O movimento queria mesmo era o metrô tradicional, tal como a cidade de São Paulo conhece. Diogo estava entre estes. O desejo dos moradores não foi observado por razões diversas, divulgadas em diversas oportunidades nas páginas da GSM, e o monotrilho, como obra, vem se arrastando ao longo do tempo.
A possibilidade de ele chegar a São Mateus ainda é mais palpável que a chegada do monotrilho a Cidade Tiradentes conforme consta no projeto original. Atualmente, Adriano aposta nos avanços na tecnologia que envolve o funcionamento do monotrilho para que o sistema atenda melhor as demandas que já são grandes. Até agora, entretanto, a liderança lamenta não ter dado certo, mas torce para que dê, uma vez que pesados recursos já foram colocados nas obras e nos equipamentos que envolvem o funcionamento do monotrilho. Enquanto isso não ocorre, Adriano reconheceu que até os ônibus biarticulados tem mais capacidade e comparativamente funcionam melhor que o monotrilho.
Morro do Cruzeiro como ponto turístico que não sai
Perguntado sobre a dificuldade de implantação do Morro do Cruzeiro como ponto ecológico de interesse turístico e que ajudaria a retomar a proteção do local, constantemente ameaçado por ocupação e uso irregular, Adriano lembrou que a modalidade dos créditos de carbono como moeda internacional de troca já não mais existe. Esses créditos foram utilizados na região por ocasião da extração de gás em aterro sanitário, portanto, não se pode mais contar com isso.
Adriano lamenta que em função dessa demora em ‘tombar’ o morro, as áreas verdes próximas e do entorno vem sendo alvo de seguidas tentativas de ocupação. Algumas criam raízes, outras, no mínimo, impactam de forma negativa a vegetação nativa normalmente com a derrubada de árvores e a vegetação rasteira.
A regularização fundiária é a principal prioridade assegura o ex-deputado, entretanto o esforço de regularização tem muito a ver com o caráter do governo de plantão. Diferentes concepções de governo têm diferentes entendimentos e envolvimentos nessa monstruosa tarefa, uma vez que é público e notório que a maior parte das aglomerações nos três distritos de São Mateus é irregular.
Segundo Adriano, a atual gestão da prefeitura de São Paulo terceirizou para uma empresa os serviços de regularização de lotes ocupados, como são muitos os casos na região. Em linhas gerais, Adriano é categórico em afirmar que tal empresa emite carnês e cobra por lotes que até já foram pagos em outras ocasiões a atravessadores ou grileiros ou ainda aos legítimos proprietários. “Praticamente o cara vai ter que recomprar o que já comprou”. Para efeitos de comparação, em outros governos essa regularização era iniciativa da gestão que assumia os custos via tesouro ou linhas de financiamentos ou fundos perdidos internacionais. “Lembro-me que desde muito tempo tenho insistido com lideranças e moradores sobre a importância da luta pela aquisição e conquista dos documentos de propriedade e posse de seus imóveis. Nem sempre é prioridade dos moradores”, esclareceu. Resumindo Adriano diz que é preciso enfrentar e superar a clandestinidade. “A principal coisa a se fazer em São Mateus é a regularização da posse da terra”, sentencia.
Tentando voltar à assembleia
Adriano Diogo é candidato a deputado estadual em São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores nas próximas eleições. Conforme ele mesmo diz, quer voltar porque ainda tem a contribuir com a política e a melhoria da qualidade dos parlamentares paulistas. Adriano é reconhecido como bom parlamentar, pelos que já o conheceu em outros mandatos “Quando passo na Arlesp, onde antes eu aprontava tanto, as pessoas saem pelos corredores para me cumprimentar e perguntar quanto volto. É gratificante. Considero-me um cara preparado para esse tipo de trabalho, tanto pelos mandatos que já fiz como pelo que pretendo retomar, caso eleito”, explica. Pelo sim, pelo não, dada a qualidade da atual legislatura, Adriano eleito nas próximas eleições é positivo.
União e mobilização como receita
Em face às inúmeras demandas elencadas pelos participantes, notadamente da regularização de ocupações antigas, preservação do meio ambiente, saúde, reforma trabalhista prejudicando os trabalhadores, governo decente até normatização do funcionamento do polo petroquímico que tem reflexos na saúde da população do Parque São Rafael, Adriano destacou a necessidade da sociedade e dos moradores ter conhecimento de causa, reunir forças, mobilizar e o especial cuidado em eleger parlamentares mais afinados com os interesses dos de baixo, da população e muita atenção ao que vai acontecer nos próximos meses rejeitando todo aquele parlamentar que tem apoiado reformas prejudiciais aos trabalhadores e a população não os reelegendo.
Apesar da situação de crise o convidado se mantem otimista em que, as pessoas conscientes, juntem os cidadãos de bem para conseguir consensos mínimos para atravessar o rio revolto dos tempos atuais. “Precisamos conversar com os diferentes e construir consensos para melhorar as vidas das pessoas em sociedade. Temos que repactuar essa quase anarquia e trilhar um caminho de justiça e zelo com as coisas púbicas”, emendou ao finalizar o encontro. (JMN)
Doenças atingem vizinhos do Polo Petroquímico
Os efeitos da poluição proveniente da operação das indústrias do Polo Petroquímico de Capuava, na Região Metropolitana de São Paulo já vêm fazendo vitimas silenciosas ao longo de mais de 50 anos entre os moradores de Capuava, em Santo André, Silvia Maria e Sônia Maria, em Mauá e na capital no distrito do Parque São Rafael, em São Mateus.
Após anos de estudos, principalmente da médica endocrinologista e professora Maria Ângela Zaccarelli Marino, da Faculdade de Medicina do ABC, ficou comprovado a ocorrência de enfermidades diversas, com destaque pra a tireoidite de Hashimoto que é uma disfunção da glândula tireoide que para de funcionar oferecendo as pessoas acometidas sintomas que são sentidos pelo resto de suas vidas, mesmo depois de detectado a doença e com medicações diárias. Entre os mais corriqueiros a depressão, o cansaço, a queda do cabelo, doenças respiratórias e alteração de peso.
O alerta sobre a ocorrência foi em junho de 2002 após 12 anos de levantamentos, pesquisas e estudos feitos por profissionais distintos e a médica endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli-Marino.
Conforme ela conta diretamente no encontro que teve com as comunidades na região de São Mateus (veja reportagem nesta edição) o aparecimento de casos atípicos de tireoidite crônica autoimune no consultório dela em Santo André, fez a especialista desconfiar que a incidência da doença era mais alta na região próxima ao Polo Petroquímico de Capuava. Depois de dezenas de anos investigando o tema, a professora concluiu que moradores da área tinham incidência cinco vezes maior da doença.
A origem de todo esse transtorno provou-se estar ligado à fumaça que sai continuamente das chaminés das 14 empresas do polo. Um dos principais levantamentos feitos pela médica, ainda entre 2003 e 2005, quando também se baseou em pesquisas anteriores, reafirmou o aumento da incidência de doenças ligadas à tireoide. A médica realizou exames em moradores das áreas apontadas na região metropolitana confirmando o que já se sabia.
Tempos atrás porta voz das indústrias se manifestou
A então Associação das Indústrias do Polo Petroquímico do Grande ABC – Apolo disse certa época que os exames realizados até então não eram conclusivos e que não havia elementos suficientes para ligar as doenças dos moradores à poluição emitida pelas indústrias e acrescentava que nenhuma indústria produz sem criar resíduo o que é um fato.
Os estudos seguiram e há, conforme expõe o resultado dos estudos feitos pela endocrinologista, elementos comprobatórios de que a poluição é sim responsável pela ocorrência das doenças.
Em mais de uma ocasião o Ministério Público e a própria Secretaria de Estado da Saúde foram chamados a avaliar a situação sem uma posição final sobre o assunto, entretanto em função da inalterada situação e maior e melhores elementos comprobatórios da poluição, o MP está novamente com o assunto para avaliar, se posicionar e eventualmente estabelecer um Termo de Ajustamento de Conduta se é que será capaz disso. (JMN)
Pinga Fogo com Gilson Barreto
O encontro com o vereador Gilson Barreto (PSDB/SP) no Pinga Fogo da Gazeta São Mateus, no dia XX, foi recheado de revelações, algumas delas apontadas aqui sobre um passado nem tão longe e nem tão perto que deixa claro testemunho de sua longa trajetória política na região.
Dezoito pessoas estiveram participando de uma conversa informal que tanto quanto possível extraímos parte delas aqui. Teve mais e muito mais; o ideal era ter presenciado. Acompanhe. (JMN)
Assim que a diretora do jornal Lucy Mendonça deu início ao encontro, o vereador Gilson Barreto observou que quando se vai avaliar o comportamento do político é preciso ter claro que, salvo em outros regimes e em outros períodos da história nacional, o parlamentar só existe porque receberam os votos dos eleitores. Ou seja, que _o que é e o que pode se transformar o eleito_ é responsabilidade também dos eleitores, segmentos de interesses ou comunidades que os elegeram. “Estamos passando por muitas transformações na sociedade atual e não cabem mais candidatos que não se ajustam aos novos tempos. Ou se ajustam ou serão superados”, disse. Respaldado pela anfitriã e outros lembrou que é um erro pensar que participar da política é apenas comparecer em dias de eleição. A política decide os assuntos coletivos e é atividade para o tempo todo, resumamos.
Aberto às perguntas Gilson Barreto foi questionado pela moradora e liderança do Jardim Santo André, professora Fátima Magalhães sobre o projeto de transformar o Morro do Cruzeiro em área preservada e de interesse turístico que não caminha. Perguntou ainda sobre a promessa de entrega do campo de futebol chamado de Cruzeirinho, em referência a um time local e a demora na entrega em funcionamento do monotrilho em São Mateus. Fátima ainda comentou sobre as dificuldades dos estudantes que precisam andar mais de dois quilômetros a pé para acessar uma importante escola pública local e que estão sem peruas que façam o trajeto.
Gilson concorda com a importância turística do Morro do Cruzeiro e as ameaças com as invasões para efeitos de moradia que a região sofre; apesar de disposto no atual Plano Diretor e no zoneamento da cidade onde segue indicada como área de preservação da maior parte sendo que uma porção deste, na parte de baixo, indicada para moradia popular. Sobre o campo informou que já indicou emendas ao orçamento municipal para o campo de futebol cujo local inicial foi cedido para a construção de uma escola pública. Nas três questões indicadas lembrou a importância da pressão popular organizada para o sucesso das reivindicações, mantra que repetiu o tempo todo durante o encontro.
Sobre o monotrilho, o vereador considera que apesar da demora, está tendo avanços e que do itinerário planejado, até a Vila União já esta funcionando mesmo que parcialmente, e que o trecho que o faz chegar a São Mateus está sendo submetido a testes de calibragem do percurso e estações. “São testes pontuais utilizados pela engenharia para ajustar detalhes. A previsão é de funcionamento ainda em agosto”, disse, mesmo diante das observações dos presentes sobre a demora não seria um modal defasado e a lamentação pelo fato da região não receber o metrô tradicional. Gilson contra argumentou que a modalidade monotrilho deve dar conta da demanda e operar com a mesma eficiência do metro tradicional.
O que se sabe é que parte do trajeto que levará o monotrilho em direção a Cidade Tiradentes já passou por fase desapropriação. Ainda no sentido de intervenções viárias, dezenas de sugestões foram expostas, entre elas a do próprio vereador que sugeriu levar o monotrilho utilizando partes das margens do leito do Córrego Aricanduva. Em sendo adotada a sugestão ainda vai reservar espaço para construir moradias para os que estão às margens do mesmo córrego caso sejam remanejados do local.
Ao se estender sobre o assunto, o vereador falou sobre as novas intervenções no viário e mobilidade urbana que vão conduzir passageiros entre Vila Prudente, Carrão, Penha, por exemplo, e outras que vão cortar o Shopping Aricanduva e Jacu Pêssego. Disse ainda sobre a ampliação de importante via no Iguatemi; sobre ônibus ligando São Mateus ao aeroporto de Guarulhos com importantes paradas e outras.
Sobre melhorias desejadas para a região da Terceira Divisão, Luiz Mauro, presidente de uma sociedade amigos local lembra-se de alguma promessa de compensação ambiental que até hoje não aconteceu preocupado com a eventual perda desses recursos ao que o vereador explicou um pouco sobre a lógica da administração que em função da queda de arrecadação no orçamento promove ajustes. Foi o caso, explicou ele, entre 2017 e 2018 onde um déficit de $ 7,5 bilhões de reais implicou na medida tomada pela prefeitura. “Agora, em 2018, estamos com um orçamento mais realista e algumas coisas estão acontecendo melhor”, iniciou. Deu como exemplo a recuperação do antigo aterro que hoje vem se transformando no Parque Sapopemba e que antes sofreu várias tentativas de ocupação. “Hoje temos árvores plantadas e pretende-se trazer mudas prósperas de cerejeiras aos moldes das existentes no parque do Carmo. Estamos tentando transformar também esse espaço em ponto turístico”, emendou.
Sobre o descuido no Parque das Nebulosas lembrado pela diretora do jornal, que registrou o abandono atual daquele espaço único no bairro Satélite, o vereador que desejava que até um mini estádio fosse lá instalado registrou que existe uma administração cuidando mesmo diante das dificuldades de recursos da administração pública. Gilson lembrou que à época conseguiu que parte da verba que estaria sendo usado em melhorias na Marginal Tietê foi remarcada para a edificação do espaço do Parque das Nebulosas. Disse, também, que em tempos recentes houve uma suspensão na contratação dos serviços de zeladorias dos espaços verdes, que vem agora se recompondo paulatinamente. Pareceu ter indicado que a zeladoria vai voltar com mais força ao local atendendo aos reclamos dos vizinhos e usuários daquele espaço.
Sobre o orçamento para a região de São Mateus em resposta ao questionamento do advogado Roberto Torres, Gilson Barreto registrou que a situação se modificou, sendo que a Prefeitura Regional tem, hoje, o segundo maior orçamento por região da cidade, embora ainda sempre insuficiente. “Não há ainda um mecanismo de independência maior das regiões e prefeituras regionais quanto a essa divisão e esse é o motivo de parte dos problemas, mas manter a pressão por parte das comunidades organizadas é sempre benvinda pra que essas divisões sejam mais justas e fazer frente às manipulações que, em geral, o governo central, no caso, a municipalidade faz”.
Há falta de união mesmo entre as diversas comunidades que sofrem problemas comuns foi registrado pelos presentes com exatidão. Gilson vai além e lembra que toda ação nesse sentido é política e que sem ela ou ausentar-se dela é deixar que outros a faça. “Tenho como conduta analisar as demandas e as que forem justas e de acordo com meus princípios e de compromissos com as comunidades as adoto”. “É um mundo cão, mas ninguém coloca do dedo no meu nariz, faço diante das minhas possibilidades. Se for do interesse dos segmentos que represento vamos estudar”, finaliza.
Idosos desamparados
A conselheira municipal do idoso, Deise Achilles registrou que 38% dos moradores nos distritos de São Mateus são de idosos e que esses não tem absolutamente nada para fazer de forma coletiva e organizada na região, além de algumas inciativas pontuais que ela e outros conseguem articular. A demanda por atividades e pontos como um centro de convenções para o idoso é uma demanda que cresce na região.
Outras passagens rápidas
“Nos anos 80 inventamos de iluminar a Avenida Mateo Bei. Eu era administrador regional de Itaquera e São Mateus e colocamos lâmpadas que eram acesas à noite e apagadas pela manhã. A primeira delegacia no bairro foi conquistada através de um pedido que fizemos ao então deputado Erasmo Dias que na ocasião nos perguntou se o apoiaríamos na campanha. Eu era presidente do conselho de sociedade amigos e dissemos que sim. Engolimos o Erasmo (risos) e recebemos a delegacia. O serviço de abastecimento de água, asfalto e outras melhorias eram lutas que estávamos junto com outros desde os anos 60”.
“Perdi o emprego na administração regional por causa do Shopping Aricanduva. Na ocasião a família Mofarrej, proprietária do terreno, era devedora e a área estava sendo planejada pelo poder público para moradias. Entendíamos que era uma área promissora e mobilizamos alguns clubes que usavam o espaço com campos de futebol e resistimos. Onde agora tem um shopping era para ser uma área deteriorada. Como contrariei os interesses de secretários na ocasião perdi o emprego na regional”.
O início da ocupação no Jardim da Conquista também tem o dedo do vereador para onde ele levou cerca de 70 famílias para ocupar áreas lindeiras ao córrego. Era no tempo da Erundina, na época do PT, prefeita que, aliás, ele destaca como o governo mais sério que conheceu. Depois dessa ocupação nada mais segurou o adensamento da região.
Perguntado sobre a sempre esperada regularização da Vila Bela o vereador teve diversas ações na região ao longo de todo o período; dizendo que atualmente a família montou uma empresa para efetuar a cobrança de valores dos lotes com descontos e organizando a documentação. Antes, porém, esteve participando, junto com outras lideranças e parlamentares, por melhorias possíveis na situação de irregularidade em que se encontrava a ocupação. Foi assim com a energia elétrica, não sem a contrariedade da família Mikaiel, e o abastecimento de água feito pela Companha de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP – que substituiu o famigerado abastecimento por mangueiras precárias em iniciativa lastreada por determinação do Ministério Público que respaldou a ação da companhia. Nessa movimentação toda teve a articulação do vereador.
Gilson ainda registrou que do ponto de vista de ocupação e regularização de áreas houve várias modificações favoráveis no Plano Diretor atualizado e nas Leis de Zoneamento. “Atualmente, graças à lei que aprovamos, qualquer comunidade pode iniciar o projeto porque em certas circunstâncias deixou de ser crime” registrou aleatoriamente.
Sobre a situação da ciclovia na Avenida Bento Guelfi que, a vizinhança, os transeuntes e parte dos usuários de bicicletas acham inadequada, as conversas continuam com a Companhia de Engenharia de Tráfego e as secretarias responsáveis. O vereador sugere que mudanças mais efetivas no local vão depender da mobilização dos interessados nelas.
Mutirão de operação de Catarata iniciada pelo vereador completa 18 anos ininterruptos de atividades e hoje já tem inúmeras entidades participando. O que começou com 27 operações já alcançou 25 Mil procedimentos. As inscrições para as novas cirurgias estarão abertas do dia 6 de agosto a 16 de setembro.
“Temos que falar de política. Ela faz a diferença na vida da gente. Se não escolher direito seu representante aguente as consequências. Alguém sempre vota em alguém”. Gilson Barreto
“Tem que fazer acontecer, associações, sociedades amigos já não tem o mesmo vigor de antes, agora é quase tudo via político. A população tem que entender que nada se faz sem os políticos e que vai ficar tudo parado se não tiver um politico dando uma força”, Gilson Barreto
“Essa divisão entre nós mesmo existe e atrapalha. Era para ter muita gente nesse encontro e não tem. As pessoas criticam, reclamam, mas não participam e esse aqui é um desses momentos. Falta união. essa divisão precisa ser deixada de lado para beneficiar a região”, Lucy Mendonça.
Pedro Kaká ouve e fala no Pinga Fogo
Como já é tradição em anos de eleições, a Gazeta São Mateus promove com pré-candidatos diversos, encontros informais em sua sede onde reúne o pretendente com lideranças distintas para uma conversa. Nesta edição extraímos um resumo dos principais pontos do Pinga Fogo com o deputado estadual Pedro Kaká (Podemos/SP) no dia 22, acompanhe.
Convidado a uma primeira consideração o deputado agradeceu a iniciativa da GSM, na pessoa de sua diretora Lucy Mendonça destacando que aquele encontro faz parte do exercício da cidadania já deixando explicito que em termos políticos e de realizações das demandas e da organização da sociedade ainda não temos nada acabado.
“Estamos na busca constante e eterna em busca de melhoramentos e perfeição. Quando buscamos o bem comum o respeito à sociedade e a natureza é travar uma luta e exercício político de paciência, bem senso e justiça constante. Tentamos ser o mais imparcial possível, apesar das nossas imperfeições”, esboçou.
Uma das primeiras observações entre os presentes dava conta da diferença entre as classes e o poder aquisitivo entre os futuros profissionais no ensino superior e futuros profissionais, muitos deles para as áreas de atendimento ao coletivo. Kaká descatou que passou por essa situação tendo vindo do ensino fundamental e secundário público e tendo que cursar em destacada faculdade privada. “Lembro-me de não poder acompanhar os colegas que gastavam em um ou outro happy hour aquilo que eu ganhava durante o mês trabalhando”, testemunhou essa diferença.
Lembrou essa dinâmica perversa de que a classe média, classe média alta e os ricos estudam nas melhores escolas particulares para ingressar nas vagas do ensino superior gratuito e onde, em geral estão as melhores formadoras. Da lembrança a constatação; o ensino público fundamental ainda precisa de muitas melhoras e de apoio e metodologias que façam a reciclagem e a preparação constante dos professores dessas séries. “Em condições normais de alimentação de vida e de saúde, os pobres não são menos inteligentes que as outras pessoas em situação melhor, portanto a diferença se estabelece a partir das condições sócio econômicas de certa forma”, insinuou.
A importância do representante
Já um assessor do vereador Milton Ferreira destacou a importância de um representante de São Mateus e sobre os projetos que o deputado teria para a região. Kaká respondeu que não há nenhuma dificuldade de saber as demandas, porque a região tem quase todas. “O trabalho de qualquer representante é minorar o sofrimento do povo e no caso requer que o mesmo tenha poder de barganha política, infelizmente assim é. Temos sempre as eleições pela frente e vêm candidatos de todos os lados, mas nem sempre com compromissos claros. Particularmente torço para que se apresentem e sejam eleitos alguns candidatos bons com raízes aqui”. Disse ainda que atualmente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, ARLESP, onde é o único representante de um pequeno partido, tem trabalhado com a lógica e a tentativa de sensibilização dos seus pares e do governo para conquistar coisas para a região e para o estado de São Paulo.
Kaká ainda lembrou que infelizmente o que dá votos é a visibilidade das grandes obras e que melhorar a infraestrutura das cidades e das regiões, por exemplo, não trazem os votos com o imediatismo com que operam os representantes legislativos e os executivos, sempre de olho nos votos para as próximas eleições. Mesmo a reeleição de forma continua e seguida, destaca o deputado, não é saudável, pois cria castas e perpetua os vícios, o status quo e as carreiras políticas.
A saúde em pauta
Sobre a saúde tanto a representante da Associação Rosa Mulher, Beatriz, como o médico e professor do Hospital da Uniesp (SP), Dr. Marcos Souza Lima dialogaram com Pedro Kaká. Beatriz considerando as dificuldades no primeiro atendimento clínico de mamografia nas unidades de saúde pública que chega a demorar meses. Quando se consegue nas UBS existe a dificuldade em vagas e atendimento em tempo hábil nas unidades de referência.
Já Dr. Marcos, com a concordância do deputado, emenda que já existem metodologias para prevenir e se antecipar ao aparecimento do câncer de mama, através do autoexame. Kaká reforça esse aspecto de prevenção e acrescenta que como outros tipos de doenças o câncer de mama está associado à qualidade de vida da população que tem se deteriorado. Registra como era a vida cotidiana das pessoas em tempos de outrora com menos facilidades, menos ofertas de alimentos processados e com o exercício físico quase que natural e cotidiano que as pessoas faziam. “Comíamos menos por ausência de fartura. Mas a dinâmica da produção de alimentos é outra; os alimentos são cheios de hormônios, antibióticos, ganhamos de presente problemas. É sim um longo processo educação”.
O deputado teve oportunidade de considerar sua experiência ao início do projeto de extração de álcool da cana de açúcar para uso como combustível e o alerta que lhe fazia à época o professor Plínio de Arruda Sampaio, já falecido, que dizia que daquele projeto restaria um deserto verde causando desiquilíbrio ecológico. Dito e feito com as diversas monoculturas existentes no país que para atender demandas em forma de commoditiess comprometem a saúde ambiental e por consequência a saúde das pessoas por conta de sua alimentação.
Além disso, destacou que essa lógica produtiva cria desiquilibro nas receitas de impostos agravada pela concentração na esfera federal. “Muitos municípios vivem na penúria, dependendo da atenção do governo federal, por causa também da injusta distribuição das receitas”, insinuou.
Ao fim ainda ressaltou que essas são considerações de fundo e que no dia a dia a saúde bem como os médicos e pacientes precisam de saídas imediatas e onde o imediato falta e o médio e longo prazo inexiste as dificuldades são prementes. Como receita possível melhorar a escolha dos representantes também é importante.
A segurança também foi abordada
Entre os presentes, o Coronel Ricardo Bortoleto destacou que são de difícil aprovação certas demandas da área da segurança. Mesmo considerando que segurança pública é política de governo algumas medidas e melhorias deveriam ser adotadas. Para começar Kaká considera que a remuneração dos policiais militares, pelo risco que correm é insuficiente. Destacou também que os 90 mil policiais em exercício para todo o Estado de São Paulo é um número baixo diante das necessidades. Além de melhorias nas relações humanas no exercício das suas funções o caráter remuneratório é muito importante.
Faz o que pode. Sempre que precisa recorre aos dois outros deputados da casa, coronéis Telhada e Camilo, vindos da corporação da Polícia Militar e que mesmo dominando a questão têm enormes dificuldades de conseguir os objetivos de melhoria para a área da segurança.
Kaká ainda ouviu do comerciante Júlio Rosa a sugestão de criar mecanismos de comprometer os deputados federais, muitos que passam pela região atrás de votos, com as demandas locais e não apenas com o dia a dia de Brasília. Kaká não tem resposta pronta para a questão, apenas observa que os melhores representantes são aqueles que viveram da mesma forma e as dificuldades daquelas comunidades ou segmento social que pretendem representar e que se mantenham fiéis a essa origem, mas alerta que não há mecanismos para além do “voto, mas não reelejo” que está nas mãos dos eleitores que devem acompanhar o que faz o seu representante na Câmara.
Ainda sobrou muita conversa e muita reflexão entre as falas do convidado do Pinga Fogo. Diante das dificuldades de gravação e o modo em que a conversa fluiu tentamos registrar o mais importante. (JM)
Próxima atração: as eleições ou não
Findo a Copa do Mundo, para o povo brasileiro se manterá como atração principal a expectativa das eleições para presidente da República este ano, onde absolutamente nada está seguro. Tudo estará numa caixa de surpresa chamada conjuntura volátil.
Num exercício meio atrevido vamos esboçar alguns cenários possíveis que está na cabeça de muita gente que lida e reflete com a politica nos últimos tempos.
O primeiro seria as eleições com Lula candidato “sub-judice”, ou seja, como o processo não está terminado nem ‘transitado em julgado’ a lei não pode proibi-lo de se candidatar. Poderá até caso eleito ser impedido de tomar posse, mas ai o judiciário teria que ter a coragem e o atrevimento para decidir diferente dos votos da população, mas lembremo-nos que já o fizeram, retirando o poder de um candidato eleito, como foi o caso da ex-presidente Dilma Roussef no processo iniciado no Congresso com desfecho em 2016. Se ao contrário o judiciário não impedir o exercício o do mandato de Lula eleito será uma derrota fragorosa para os patrimonialistas tupiniquins.
No segundo cenário de Lula ser impedido de concorrer, além da revolta popular e a grande parte dos eleitores despejando seus votos em branco ou anular aquele que assumir estará sempre fadado a entender que só foi escolhido porque Lula foi impedido de concorrer.
Outra possibilidade é que alguém do PT, ou alguém aliado do PT, concorra no lugar de Lula. Contando que Lula ainda é capaz de transferir entre 30 a 47% do seu eleitorado para quem indicar, as chances desse concorrente melhoram consideravelmente.
Mas ainda há outros quadros menos ortodoxos. O primeiro seria deposição do suspeitíssimo, Michel Temer (MDB/SP), da presidência da Republica, sendo substituído pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara que levaria a prorrogação do mandato de todos ou a realização de uma eleição indireta, onde o eleitor comum, não participa no Congresso, uma espécie de parlamentarismo, saída bem viável do ponto de vista do interesse dos políticos que sem a guarda do mandato poderão responder judicialmente a inúmeras acusações e suspeitas que tem contra si.
Por fim não está descartada embora cada vez mais distante a intervenção militar. Pedida por parte da população que sequer tem ideia ou informação histórica do que isso já significou e possa significar a intervenção perdeu a força por causa da falta de unanimidade dentro do Exército. Mesmo porque eles mesmos não tem ideia clara do que fazer com o país caótico que se transformou o Brasil. Em algumas falas dizem que eles preferem participar com a mão delicada do gato e deixar o trabalho sujo com o judiciário.
Resta acompanharmos com o mesmo afinco que o fizemos com os jogos da seleção e investir pesado e seriamente na renovação do Congresso com deputados e senadores de melhor qualidade do que os atuais, caso haja eleição. O certo é se garantir em não dar seu voto a nenhum golpista e é muito fácil em saber quem são eles.
Fora isso manter a democracia direta, pelas ruas, pelas organizações pelas pressões populares e uso das redes sociais para não deixar em paz os golpistas e ter protagonismo no quem vem por agora e pela frente. (JMN)
Dez anos do programa de prevenção ao tabaco em Ferraz
Para registrar os dez anos do Programa de Prevenção ao Tabaco em Ferraz de Vasconcelos, reuniram-se no auditório do Hospital Regional Dr. Osires Florindo Coelho, no dia primeiro de setembro cerca de 80 pessoas participando da 1a Conferência do Programa do Tabaco na cidade. O encontro foi aberto pelo secretário municipal da Saúde, Dr. Marco Aurélio Alves Feitosa que saudou os presentes e os resultados obtidos ao longo desse período.
Ainda compuseram a mesa, Vanderlei Almeida Rosa, diretor do hospital, a coordenadora da Saúde Mental Gabriela Kulscar, Maisa Maila Marta de Souza, fisioterapeuta e a coordenadora municipal do programa de Fisioterapia, a assistente social Marcia Eleodorio Gouveia, lotada no Caps AD e Paulo Vitor Costa, cirurgião dentista no programa de Saúde Bucal.
Principal responsável pelo programa, Marcia Eleodorio, através de slides, expos objetivamente como este teve inicio, com a decisão dela e de outras pessoas em trazer para o município o programa proposto pelo Sistema Único de Saúde através da secretaria estadual de Saúde e como foram nesses dez anos a execução no município. Não faltou e ainda não faltam dificuldades, disse, entretanto através de números e registros indicou que a decisão por incorporar o programa de prevenção ao tabaco na cidade foi acertada tendo seus resultados crescendo todo ano.
Considerando que o programa completo é executado em médio e até longo prazo; considera-se o programa é concluído em um ano, se considerarmos mais de 3000 inscritos nos dez anos a média está ajustada a quantidade de vagas que o programa oferecia ao ano, entre dois e três, ou seja 300 por ano.
Conforme os indicadores há um número proporcionalmente crescente entre os que abandonam o hábito ou vício do tabagismo quando participam do programa. Tanto é assim que se antes a oferta estava praticamente concentrada numa unidade, no CAPS-AD, agora oferece atender mais no Hospital Regional e a partir deste ano no Centro de Especialidades Médicas, na Avenida Brasil. Cresce a demanda, mas cresce também a capacidade de atendimento.
Coube à psicóloga Lourdes Marques explicar em linhas gerais a abordagem cognitiva e comportamental adotada no programa; ao enfermeiro do trabalho que faz parte da equipe do Hospital Regional, Felipe Rocha uma breve exposição dos procedimentos gerais de acolhida e do fornecimento de medicamentos com prescrição médica para os tabagistas inseridos no programa e os cuidados na administração.
Já, Dra. Lígia Alda que participa como médica clínica do programa coube explicitar a gravidade dos impactos no uso de cigarros nos procedimentos que ela, enquanto cirurgiã tem que aplicar. Anos a fio convivendo com isso a fez constatar que o principal personagem no processo de parar de fumar é o próprio paciente. Dessa forma reforça a compreensão de que o programa de prevenção ao tabaco passa seguramente e principalmente pelo aspecto psicoterapêutico. A médica enfatizou que a importância das intervenções medicamentosas é sempre complementar e não destaque principal.
Convidadas ao evento a coordenadora estadual da Vigilância Sanitária, Dra. Maria Cristina Megid explicou aspectos da legislação e a importância da Lei Anti-Fumo e seu rebatimento na questão do tabagismo passivo. Já a Dra. Sandra Silva Marques, coordenadora Estadual do Programa de Controle do Tabaco/Cratod, destacou as formas e a abrangência do programa no Estado de São Paulo, tendo na sua fala se comprometido a continuar apoiando o trabalho feito no município. (JMN)