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Para alguns Nildo Gregório também deu mancadas

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 Percorrendo a história de São Mateus o nome de Nildo Gregório se destaca em vários momentos. Na maioria deles registraram-se depoimentos que o tomam como a primeira grande liderança do bairro, sendo um dos principais responsáveis pelo seu desenvolvimento inicial e isso literalmente. Foi Nildo Gregório que coordenou a abertura das primeiras ruas no loteamento com burros puxando monstruosos arados que sulcavam as terras.

Nildo também foi o responsável pelas primeiras ações organizativas da população para reivindicar as melhorias. Foi dele também a iniciativa para o primeiro serviço de comunicação na comunidade: um serviço de alto falante.

Mas como nem tudo são flores, José de Brito de 85 anos com 47 anos de São Mateus nos conta que em pelo menos um determinado momento o Nildo Gregório proporcionou uma grande decepção aos moradores que esperavam que ele fosse como prometera, pouco tempo antes ser o candidato a vereador na década de 60. “Esperávamos que o Nildo fosse o candidato a vereador e com o trabalho que ele desenvolvia seria eleitor facilmente com os votos dos moradores de São Mateus e do Aricanduva. Acho que ele ia ganhar estourado”, registra José de Brito.

No início da campanha eleitoral, segundo José de Brito, foi colocado um palanque em um descampado que reuniu praticamente toda a comunidade que esperava ouvir de sua mais significativa liderança que ele seria candidato. “A decepção foi grande, Nildo Gregório apareceu no palanque e falando aos presentes informou que não seria candidato e que estava apoiando certo Capitão Joaquim. Como desculpa, Nildo falou que não tinha conseguido legenda, mas a desconfiança nossa é que já naquele tempo correu grana. A nossa liderança deve ter recebido dinheiro para não concorrer e apoiar o referido capitão”, explica. Para fechar o assunto o capitão, apresentado pelo Nildo não foi eleito, mas ficou como suplente.Passada aquelas eleições as lutas continuaram e anos depois, talvez pegando gosto pela coisa, Nildo Gregório se candidatou, mas não foi eleito e, segundo José de Brito, entrou em depressão. “As coisas tinham mudado muito com São Mateus crescendo. Nildo ia de porta em porta com seu ‘santinho’, mas o seu tempo havia passado e muitos sequer sabiam o quanto ele tinha lutado pelo bairro”, concluiu. – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251

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2 de outubro de 2007 at 9:39

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Breve história da Igreja Católica em São Mateus

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Ao tomar conhecimento que a Gazeta de São Mateus estava reunindo material para contar uma pequena história do bairro, o senhor Vantuir de Melo, mesmo circunstancialmente debilitado em sua saúde numa iniciativa louvável fez questão de fazer chegar à redação algumas anotações organizadas sobre o desenvolvimento da Igreja Católica na região desde a sua fundação até praticamente os nossos dias.

Diante de tanto esforço, a redação já agradece a colaboração e compilou as informações prestadas pelo senhor Vantuir de Melo. Acompanhe um resumo.

Em todo mundo católico o dia 21 de setembro é lembrado como o dia de São Mateus que naturalmente também é considerado o padroeiro do bairro. Para efeito de emancipação política do bairro adotou-se o mesmo dia do padroeiro.

Até ser elevada a condição de paróquia que foi construída com a doação de material das olarias. É bom lembrar que São Mateus tinha muitas olarias na época e com a doação da mão-de-obra o futuro bairro já tinha sua capela, entretanto as celebrações eram feitas por um padre e seminaristas a cada quinze dias que vinham do Seminário Nossa Senhora do Sagrado Coração de Vila Formosa. Na mesma época, um senhor de nome Modesto vinha enviado pela Cúria Metropolitana fazer a catequese das crianças. Existia a capela e existiam os fiéis, entretanto não se tinha recursos para a manutenção de um pároco residente.

A catequese também era aproveitada por adultos e jovens para alguma aprendizagem religiosa. Neste período foram fundados na capela de São Mateus o Apostolado da Oração cuja presidente era Mariana de Souza Milani; a Pia União das Filhas de Maria presidida por Edinéia Milani e a Congregação Mariana cujo presidente era Manoel Nascimento Barros que na época namorava Ednéia Milani. Auxiliavam nos trabalhos ainda Delfim nascimento Barros e Eugênia Nascimento Barros

O próprio Vantuir, conhecido como Fine era o leiloeiro oficial durante as quermesses que eram realizadas com a colaboração do pequeno comércio que então existia, por exemplo, o Depósito Romeu Batalha, Empório Rocha e as olarias. Através de campanhas a Capela de São Mateus ganhou um órgão a pedal e tinha como responsáveis o casal Odilon e Antonia. Com o instrumento um primeiro coral foi formado pelos jovens José do Nascimento (Zé da Chácara); Waldomiro Eleutério da Silva (Miro); Delfim N. Barros; Manoel Barros; Eugênia N. Barros e o próprio Vantuir (Finé). A imagem do padroeiro foi doada pela família Mateo Bei, trazida por Dr. Fábio Bei quando foi celebrada uma missa em 21/09/1955.

Em 6/3/1958 o cardeal de São Paulo deu posse ao primeiro pároco na capela elevando-a a condição de paróquia passando a chamar-s Paróquia de São Matheus Apóstolo sob responsabilidade do padre Felix Jakubauskas, natural da lituânia que encontrou muitas dificuldades para manter-se na região por onde circulava com uma bicicleta enfrentando buracos. Padre Félix para se manter dava aulas de acordeom, entretanto, quem não podia pagar as aulas também participava. Quando o padre tomou posse já havia sido construída pela Cia. Irmãos Bei a casa paroquial, daí existir na igreja propagandas de imobiliária.

Na mesma época um altar de mármore foi doado a paróquia por Eugênia N. Barros num período em que apenas a Avenida Mateo Bei tinha nome oficial as demais ruas, por exemplo, a atual Antonio Previato era a rua 14; a Ângelo de Candia era a rua 15; a Luiz Botta era a 16; a Marechal Renato Paquet era a 18 e por assim em diante. Os posteamentos, segundo Vantuir eram todos de eucaliptos e apenas algumas ruas eram servidas de eletricidade pela então Cia. Light de Serviços de Eletricidade. Havia casas com energia elétricas emprestadas, mas não acintosos “gatos”, como vemos agora em alguns lugares.

A partir de então as missas todos os domingos encontrava o bairro ainda sem padaria própria e as poucas propagandas de então davam conta da existência de algumas poucas atividades. Tinha a farmácia do Moura ao lado do escritório da Cia. Irmãos Bei e ao lado de uma garagem administrada pelo Osvaldo Névola com caminhões e tratores que ainda trabalhavam na urbanização do bairro. Em 1960 ainda com a colaboração do incipiente comércio e das olarias foi construído mais um lance da paróquia ligando-a a igreja. A construção continuou dessa forma até 1992 já na gestão do Pe. Fernando Altimeyer Junior, atualmente professor universitário e casado. Foi na sua gestão que se iniciou uma nova construção para substituir a antiga igreja. Quando deixou à igreja as obras já estavam em fase de acabamento.

Após esse período novas paróquias foram fundadas na região: São Paulo Apóstolo no Jardim IV Centenário e J. Imperador; São Marcos Evangelista no Parque São Rafael; Santíssimo Sacramento na Cidade Satélite Santa Bárbara e Sagrada Face no Jardim Aricanduva entre outras espalhadas pelas comunidades.

Segundo Vantuir, foi o Nildo Gregório que fundou a primeira associaçãrio que fundou a primeira associaçespalhadas pelas comunidades.as algumas ruas eram servidas de eletricidade pela enta luta se o no bairro a União dos Moradores que tinha serviços de auto falantes onde os comerciantes faziam suas propagandas e onde todos os dias às 18h00 rezavam a hora da Ave Maria pela paróquia e a UMB. Com o tempo NIldo passou a União dos Moradores para a Associação Divulgadora A Voz da Colina, primeira experiência parcial de imprensa local e que posteriormente com o auxílio do Tenente Oscar outro ativista do bairro deu origem a Sociedade Amigos do Bairro que tinha como primeiro secretário o próprio Vantuir.

Vantuir ainda registra que em 1965 veio do Canadá o professor Jocelin Grenier Royer que com a ajuda do Padre Ary Joly, então pároco à época, que adquiriu dois terrenos na atual Rua Joaquim Gouveia Franco para a construção da sede própria da Sociedade Amigos da Cidade São Mateus onde se realizavam bailes, aulas de datilografia etc. O Padre Joly, hoje desligado da igreja e casado era muito amado pela comunidade e lutou incansavelmente pelo progresso do bairro tendo criado um serviço de atendimento médico com ambulância para o atendimento dos moradores independente dos credos religiosos. O Padre Ary também lecionou na EE Prof. Alfredo Machado Pedrosa. Ao lado da escola funcionava uma sub-delegacia de Polícia, mas não havia nenhum delegado e um sargento de nome Ferreira mais dois soldados faziam às vezes de autoridade e conciliadores em demandas familiares. Segundo Vantuir as ocorrências naquele período se resumiam as bebedeiras, brigas ou roubos de bombas de poço. NO mesmo período não havia os serviços da Sabesp e todas as residências que podiam eram servidas por poços individuais e fossas sépticas.

Por conta de escândalos com roubos de descargas em banheiros e de bombas e motores um salão próximo à igreja que era utilizado pelo Clube Atlético São Mateus foi fechado por causa de um abaixo-assinado por parte da maioria dos moradores católicos do local. Em 1965, após muita luta, iniciou-se a pavimentação da Avenida Mateo Bei e a colocação de luminárias de mercúrio e o desenvolvimento acelerou-se.

Em termos de cultura coube aos jovens ligados aos Congregados Marianos reunir as pessoas para assistirem filme no salão paroquial o que era praticamente a única diversão dominical existente no bairro, além dos jogos de várzea. Para o cinema eram trazidos os bancos da igreja para acomodar os presentes.

Seqüência dos párocos em São Mateus

Padre Félix Jakubauskas; Pe. Antonio Manoel de Castro; Pe. Ary Joly; Pe. José Moreira; Padres Luigi Valentini e Antony Sammult; Pe. Valeriano dos Santos Costa e Pe. Franco Torresi, este posteriormente administrador regional de São Mateus na gestão da prefeita Luiza Erundina; Pe. Pedro Luis Stringuini, atual bispo auxiliar de São Paulo; Pe. Fernando Altimeyer Júnior, desligado do ministério e professor universitário e o atual padre Lauro.

Sobre Vantuir de Mello (Filé):Iniciou os estudos no Colégio Arquiodicesano e foi um dos secretários do ex-cardeal de São Paulo, Dom Agnello Rossi e como estudante era atendente na Cúria Metropolitana e participou da campanha e ajuda do governo do Estado para o término das torres da Catedral da Sé, sempre ligado na fé e fiel a Igreja católica. Hoje se encontra enfermo, mas se desdobrou em nos ajudar a contar um pouco da história de São Mateus. – Publicado na Gazeta de São Mateus – ed251

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2 de outubro de 2007 at 9:38

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O Movimento Popular de Saúde – São Mateus

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O Movimento Popular de Saúde da Região de São Mateus teve início em 1979 e o mesmo ocorria em várias outras regiões da Zona Leste e a estratégia era a mesma. Em geral, iniciava-se com o estímulo dos padres progressistas da Igreja Católica, embalados pela Teologia da Libertação, que foi fruto de uma profunda reflexão da Igreja nos Encontros de Puebla, México e Medellín, Colômbia, diante das iniqüidades e injustiças sociais que perpassavam todo o continente americano e, em geral os paises do Terceiro Mundo.

No final dos anos 70 a ditadura militar agonizava e um novo alento era dado aos movimentos sociais populares. Forças de esquerda até então engessadas por tanta perseguição, tortura e mortes se reagrupava. Desta vez com menos vanguardismo queriam construir e emancipar a população mobilizando-as para que travassem suas próprias lutas. Era mais ou menos esse o pano de fundo onde atuaram valorosos militantes, principalmente médicos sanitaristas na Zona Leste.

A comunidade em geral era convidada pelos padres atuantes a participar em reuniões com os médicos sanitaristas onde se falava da saúde da mulher, de vacinação, nutrição, epidemias e naturalmente das péssimas condições do serviço de saúde do bairro e das desigualdades sociais. Em São Mateus, um dos médicos que fez esse percurso é o atual secretário do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Jorge que antes havia sido deputado federal por diversos mandatos pelo PT. Na época as mulheres de São Mateus tinham que recorrer ao Centro de Saúde de Itaquera, o Centro de Saúde de São Miguel Paulista, Vila Prudente e da Penha. Também havia alguns serviços de saúde em casas alugadas no Jardim Colonial.

O grupo que ser formou em São Mateus, a exemplo dos outros foi reivindicar junto a Secretaria Estadual de Saúde mais postos de saúde. O preparativo para a ida até a Secretaria demandava muita organização, arrecadação de recursos para as despesas com faixas e cartazes e aluguel de ônibus. Na época o secretário era o Adib Jatene que diante da força do movimento foi posteriormente até o bairro onde foi recebido por uma multidão aglomerada em frente à Capela de São Mateus. Uma carroceria de caminhão serviu de palco para a encenação do que era a vida dos moradores da Zona Leste quando precisavam de serviços de saúde. O mesmo expediente era utilizado em outros focos do movimento na Zona Leste. Para São Mateus ficou de a população localizar casas que pudessem ser alugadas para receber os postos de saúde. NO início da década de 80, enquanto não se construíam postos próprios algumas unidades foram alugadas.

Depois de conquistados os postos parcialmente o movimento em geral refluía um pouco, mas os que ficaram criaram os primeiros conselhos populares, em São Mateus, por exemplo, um deles era do Jardim Iguatemi. Os militantes iam de porta em porta pedindo para que a população exercesse seu direito de voto. Com a persistência muitos aprenderam a exercer um pouco de sua cidadania. As principais conquistas do movimento foram os cerca de 18 postos conseguidos no período. O intercâmbio com os outros movimentos de saúde espalhados pela zona leste resultou em um fortalecimento do movimento que hoje está mais envolvido em melhorar e manter a qualidade do atendimento dos postos de saúde e na criação de alguns movimentos e espaços mais amplos de organização popular.

O Conselho Popular de Saúde continua tanto quanto possível organizando a participação popular e promovendo o diálogo com as autoridades. Hoje são aproximadamente 100 militantes na Zona Leste, compondo 10 regiões. Desse grupo 80% se compõem de mulheres, que têm uma dedicação quase que diária ao MPS. “É difícil. Já houve dia de querer largar tudo, mas a Teologia da Libertação me ensinou que, quando se trata de igualdade e justiça, de grão em grão a galinha enche o papo. Tem valido a pena. Vai valer sempre”, testemunha uma das conselheiras de nome Luzinette.

“Eu topo”

Num fim de tarde do início de 1980, Luzinete dava os últimos retoques na casa para que o marido encontrasse tudo a seu gosto no retorno do trabalho — não lhe rendendo nenhuma reclamação ou suspeita sobre suas atividades clandestinas — quando aquele médico sanitarista que participava das reuniões das mulheres sobre saúde bateu no seu portão com um convite simultaneamente incompreensível e atraente. “Naquela época a gente não sabia de ditadura, democracia, eleição, partido. Era tudo meio nebuloso, mas, ao mesmo tempo, interessante. Então ele me contou que tinha um pessoal montando um partido com o nome de Partido dos Trabalhadores. Era gente interessada na luta, e para abrir o PT eles precisavam de filiados e explicou que, como eu estava envolvida com Movimento Popular de Saúde talvez, eu quisesse participar. E me fez o convite. Eu topei na hora e fui uma das primeiras filiadas do PT”, diz Luzinette. O médico sanitarista era o atual secretário da Saúde do Município de São Paulo, Eduardo Jorge.  – Publicado na Gazeta de São Mateus, ed251

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2 de outubro de 2007 at 9:36

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E tem quem ainda sonha com a emancipação do bairro

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Sabe-se que desde o inicio dos anos 80 vários grupos de moradores sonham com emancipação do bairro imaginando com isso um desenvolvimento maior e mais intenso, entre estes, Benedito Carlos Ângelo da Silva que era presidente do que ficou denominado como Conselho de Emancipação. O conselho até criou uma bandeira para o eventual futuro município.

A bandeira de São Mateus, criada por Carlos Ângelo com arte e desenho de Edson Sebastião Pereira, é cheia de significados. Tem oito listras azuis, em homenagem ao ano nacional da mulher; oito listras brancas, simbolizando a paz; um triângulo, que com seus lados iguais e reflete a união entre instituições e população; verde da esperança; ouro da riqueza e uma corrente. A idéia da corrente foi inspirada no profeta Kalil Gibran, que escreveu: “a corrente não é mais forte que seu elo mais fraco”. Na adaptação de Carlos Ângelo, “a família não é mais forte que seu membro mais fraco”, ou seja, a luta é também para que São Mateus seja um lugar menos desigual. “É preciso criar condições para que todos cresçam”, defende. “Nós temos população e estabelecimentos comerciais em número suficiente”, garante Benedito. A Avenida Mateo Bei é o principal pólo de comércio e serviços.A esse respeito foi apresentando um projeto de emancipação na Assembléia Legislativa, entretanto não aprovado. Atualmente, segundo Carlos Ângelo, o Conselho tem se dedicado a estudos e aguarda o momento oportuno de fazer uma nova tentativa. – Publicado na Gazeta de São Mateus – ed251

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2 de outubro de 2007 at 9:34

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Breve história de São Mateus

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O bairro de São Mateus às vésperas de completar 59 anos de fundação ainda tem muita luta pela frente para alcançar a plenitude de seu desenvolvimento e, aparentemente, se considerarmos os avanços recentes e os planos previstos principalmente para as alterações urbanísticas previstas o tal do desenvolvimento poderá acontecer. Assim esperam as lideranças e a comunidade local.

Para se chegar até aqui, essa história toda começou lá pelos idos de 1840 quando toda a região era de fazendas de propriedade de João Francisco da Rocha que posteriormente foi vendida para Antônio Cardoso de Siqueira que posteriormente dividiu-a em cinco glebas já indicando as severas transformações porque vinha passando a economia que já não comportava grandes fazendas.

Até a década de 40 ainda era a Fazenda Rio das Pedras até que em 1946 uma gleba de 50 alqueires foi vendida à família Bei (Mateo e Salvador Bei) que vieram da Itália em pleno período da II Guerra Mundial e quando o Brasil definitivamente era o destino de muita migração européia dando origem a que foi chamado de fazenda São Mateus.

Os imigrantes aparentemente não tinham a intenção de tocar fazendas na periferia da cidade de Santo André e de São Paulo de então e em 1948, o seu patriarca Mateo Bei decide lotear a área vendendo os primeiro lotes já de olho no que se iniciava como área de desenvolvimento industrial do ABC nos anos seguintes. O patriarca provavelmente percebeu que São Paulo e o ABC durante o período já era o destino de milhares de migrantes que vinha para a região para tentar trabalhar na nascente indústria.

Entretanto as dificuldades para fazer o loteamento intenso do local em função das distâncias dos locais mais desenvolvidos como, por exemplo, a Penha e São Miguel Paulista que já na época eram locais mais consolidados fez com que a empreitada fosse feita na base de promoções. Os loteadores então para incentivar os possíveis compradores ofereciam material de construção: telhas e tijolos das mais diversas olarias próximas que eram puxadas através dos caminhos por carros de bois. Funcionou e as casas, em geral, eram feitas em sistema de mutirão.

O patriarca da família Mateo Bei que tinha interesse no crescimento do local também foi um incansável batalhador pela formação cultural e sócio-econômica de São Mateus e fez escola. Os seus descendentes filhos e genros adquiriram mais de um milhão de metros quadrados do que era conhecido à época como Fazenda do Oratório e também a lotearam aumentando ainda mais a região que tinha dimensões de cidade; por isso chamar-se inicialmente Cidade de São Mateus.

Coube a Nildo Gregório da Silva a missão de coordenar os primeiros trabalhos de abertura de ruas no final de 1946, como funcionário da empresa responsável pela terraplanagem da avenida que posteriormente ficou conhecida como Mateo Bei, em homenagem ao homem que iniciou o loteamento exatamente em seu ponto zero na Avenida Caguaçú, mais tarde conhecida como Avenida Rio das Pedras. A tração para sulcar a terra e estabelecer ruas era feita por burros.

Nildo residia na época em São Miguel e tinha que sair de casa por volta das 3 horas da manhã para chegar a São Mateus as 8h00. Tomava três conduções e ainda andava a pé por cerca de três quilômetros até o Largo do Carrão para pegar outro ônibus. Essa via sacra levou três anos quando então apareceu na pré-história das lotações o pau-de-arara, muito comum na época. A abertura das ruas levou anos para ser realizada e Nildo além de se mudar posteriormente para São Mateus assumiu o papel de defensor do bairro sendo uma de suas primeiras lideranças.

À exemplo de como foi o crescimento na periferia desordenada de São Paulo injusto e concentrador, o desenvolvimento ficava reservada para onde estavam as fortunas paulistanas de então; os ex-barões do café e agora capitães da incipiente indústria e do comércio estavam concentrados no eixo que hoje é compreendido como centro expandido Praça da Sé até a Mooca; até a Avenida Paulista; até as bandas da Barra Funda e Sumaré e outros lugares para onde o poder público reservava seus melhoramentos como iluminação pública, saneamento, serviços de saúde pública, boas escolas e todo o aparato público que pudesse ser instalado.

A estratégia dos loteadores eram abrir novos loteamentos em lugares distantes desprovidos de benfeitorias públicas que através do seu adensamento acabava constrangendo a prefeitura e o Estado a levar, mesmo que a contragosto alguns serviços públicos até o local. Em geral a primeira demanda era por transportes daí os primeiros ônibus começarem a circular de forma mais intensa no início dos anos 50.

Muito provavelmente Nildo Gregório que havia se estabelecido no local para agregar mais valor de uso ao loteamento que se iniciava e que atendia os interesses envolvidos a época e o interesse dos moradores deram início à luta pelo desenvolvimento regional inaugurando uma longa tradição de São Mateus que perdura praticamente até nossos dias. Em 1952 ele fundou a associação "A Voz da Colina", com um inovador serviço de alto-falantes puxados por carroça por meio do qual a população apresentava suas reivindicações nas áreas de transportes, saúde e educação. O slogan da associação – "Entra no ar a nossa divulgadora A Voz da Colina, uma voz amiga que cruza os céus de Piratininga”, ficou na memória dos são-mateuenses.

Muitas demandas; muitas lutas e foi graças ao empenho dos moradores e de suas lideranças que São Mateus ganhou sua primeira escola, um galpão de madeira improvisado, em 1951 e uma escola estadual em 1953. Para se ter uma idéia o asfaltamento de sua principal via a Avenida Mateo Bei foi feito em 1962 e a rede de água só chegou em 1976.

Eram as lutas populares que impulsionavam o desenvolvimento local para transformar o local ermo em um bairro de fato e era chegada a hora do comércio fazer sua parte. O primeiro ponto comercial que se tem notícia era o Empório do Eustáquio instalado em 1949 seguido no ano seguinte pelo Empório do Maninho. A partir de então, os moradores também tinham onde comprar mercadorias de primeira necessidade.

Enquanto o entorno da Avenida Mateo Bei crescia lentamente e não havia empregos no local os trabalhadores se desdobravam em longas e penosas jornadas. Utilizava-se de jardineiras _espécie de ônibus sem horários fixos_ ou pau-de-arara para chegarem até o Largo do Carrão de onde saiam algumas conduções para os locais mais desenvolvidos até que em 1950 dois ônibus começaram a fazer o itinerário do local até a Avenida João XXIII em percurso com muito buraco e poeira onde tinham que dividir espaços com galinhas, mercadorias que eram transportadas pelos usuários. Nem é preciso lembrar que em épocas de chuvas as coisas se complicavam e era comum ver os passageiros tentando desatolar os veículos.

Foi somente em 1952 que a primeira linha passou a funcionar com alguma regularidade da Empresa Cometa que ia até a Avenida Sapopemba. Muito posteriormente é que se instalou a Empresa de ônibus Vila Carrão.

Na década de 50 e início dos anos 60 tinha tudo por se fazer na região e foi uma época de muita luta dos moradores por implantação de asfalto, redes de água e esgoto, iluminação pública e outros serviços como delegacias e agências dos Correios. Dizem até que uma das principais lutas foi pela construção de escolas, visto que a mais próxima distava sete quilômetros entre a Vila Nova Iorque e Vila Antonieta e para onde a maioria das crianças ia a pé. Entretanto, segundo os historiadores foi diante de uma fatalidade envolvendo o estupro de uma criança de dez anos que a luta se intensificou até que em 1955 a Secretaria da Educação construísse um primeiro galpão de madeira para servir de escola.

Vale registrar que a fundação da primeira paróquia da Igreja Católica data de 1958.Naturalmente as lutas e as reivindicações _que tiveram um longo período de refluxo durante a vigência da ditadura militar até por volta de 1976_ continuaram e no final dos anos 70 e inicio dos anos 80 a região estava envolvida nos movimentos de saúde, contra o custo de vida e nos diversos movimentos populares, principalmente estimulados pela Teologia da Libertação da Igreja Católica no período. – Publicado na Gazeta de São Mateus – ed251

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2 de outubro de 2007 at 9:32

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São Mateus envia toneladas de alimentos para o sertão

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Cerca de quatro toneladas de alimentos, das quais 3, 5 tons destinados ao sertão nordestino foram arrecadadas em gincana promovida pela Escola All Net Núcleo de Formação Profissional de São Mateus. A iniciativa que envolveu as 13 unidades que compõe a instituição de ensino foi promovida em seis semanas. Cada uma das unidades decidiu o destino do alimento arrecadado. Em São Mateus, segundo o coordenador pedagógico da unidade, Roberto Cuba Junior, uma entidade que atende o sertão nordestino foi indicado pelo Capitão Heleno Sobral Santos da 2ª Cia do 38º BPM/M. Tem plantações que estimulamos para que eles sejam auto-sustentáveis, padarias escolas, casas, núcleos. Estimulamos este tipo de atividade.
“Na primeira semana foram arrecadados arroz, na segunda: feijão. Macarrão, açúcar, óleo, sal e farinha foram arrecadados durante as outras quatro semanas e nossa unidade ficou em segundo lugar entre as 13”, explica o coordenador que optou por procurar o capitão Sobral em função das boas referências quanto ao trabalho desenvolvido pela entidade da qual ele participa a Amigos do Bem.
A Casa do Cristo Redentor, localizada próxima a Jacu Pêssego, será a outra entidade para onde, parte dos alimentos será destinada. “A opção pela Amigos do Bem se deu em função das explicações do capitão Sobral, que é kardecista e pela literatura e documentação sobre o importante trabalho da entidade”, registra Roberto que ainda explicou que as arrecadações feitas pelos alunos, em muitas ocasiões eram através dos mais de 100 ofícios que a escola fez para explicar a ação solidária.
Acompanhando a reportagem, durante a entrega simbólica dos alimentos, o Capitão Sobral explicou que além da literatura deixou um dvd onde podem ser conferidos os trabalhos da entidade. O capitão falou sobre as vilas agrícolas que são criadas pela entidade que visa organizar e minorar a penúria dos sertanejos. Nas agrovilas tem plantações, padarias. Escolas, casas no sentido de torná-las auto-sustentáveis. O dvd, segundo o coordenador da escola, foi exibido em sala de aula e na recepção e foi um importante instrumento de sensibilização dos alunos. “Temos 800 alunos ativos em diversos cursos que a escola promove e acho que a maioria se envolveu na campanha”, opina.
Com a experiência que já acumulou nessa ação de solidariedade, o capitão Sobral, que inclusive já fez parte das equipes que distribuem os alimentos no sertão, registrou que é comum durante a campanha de arrecadação de alimentos serem mais bem recebidos em locais de carentes ou de pouco poder aquisitivo quando comparado com outras regiões da classe média baixa e alta. “Mesmo dentro de São Mateus somos mais bem recebidos nos locais onde mora, de fato, o povo pobre”, enfatiza fazendo transparecer uma compreensão que os pobres são mais solidários.
Os alimentos vão ser entregues nos próximos dias em Pernambuco, Alagoas e Ceará diretamente pelos envolvidos sem nenhum envolvimento de prefeituras e políticos. “As pessoas que distribuem os alimentos são quase os mesmo que arrecadaram”, explica Sobral. “Anualmente, fazemos por nossa conta e despesas a distribuição que começou com 1,5 tonelada e agora são mais de 100 mil quilos e temos mais de 6 mil pessoas cadastradas. No final do ano atingimos mais de 40 mil famílias”, resume.
Sobral também fez questão de enfatizar que os locais são sempre os mais carentes do sertão nordestino. “Estive no carnaval passado num local que é conhecido como uma maravilha da natureza: Chapada dos Araripes. Entretanto, lá perto atrás das encostas existem dezenas de pequenos vilarejos onde a miséria e as necessidades são gritantes”, enfatiza. Sobral ainda explicou que os alimentos arrecadados são distribuídos ao longo dos anos para as famílias cadastradas.
 
 
 
 
 
“A escola All Net tem uma turma da Pastoral da Criança que estudam de graça, com os mesmo privilégios. Achamos que devemos ter esse trabalho para fazer o bem. Precisamos ajudar. Se pudermos dar alguma oportunidade vão se tornar pessoas melhores e que podem indicar nosso trabalho”, Roberto Cuba.
 
 
 
                                
Conheça um pouco da Amigos do Bem
 
A Amigos do Bem é uma instituição não-governamental, sem fins lucrativos, cujos principais objetivos são contribuir para a erradicação da fome e da miséria, por meio de ações educacionais e projetos auto-sustentáveis, e favorecer o desenvolvimento social da população carente do Sertão Nordestino.
Atua desde 1993, por meio de campanhas realizadas no período do Natal e do Ano Novo, um grupo de amigos liderados por Alcione de Albanesi passou a arrecadar e distribuir, no Sertão Nordestino, alimentos, roupas, colchões, brinquedos e cadeiras de rodas. Levou ainda atendimento médico e odontológico aos povoados carentes daquela região.
Dez anos depois, com base na experiência adquirida, os Amigos do Bem, Instituição Nacional Contra a Fome e a Miséria no Sertão Nordestino, além das ações emergenciais, passam a promover ações contínuas de Desenvolvimento Auto-Sustentável, a fim de amenizar o sofrimento da região.
 
Por que o Sertão Nordestino?
No Sertão Nordestino, existem povoados inteiros que passam fome e vivem em absoluta miséria, sem condições de reverter tal situação apenas com recursos próprios.
 
Má distribuição de renda, pobreza e fome existem em todo o Brasil, inclusive nos centros urbanos. Porém, verificamos, a partir de estudos e pesquisas, que no Sertão Nordestino – semi-árido mais populoso do mundo – a situação é agravada pelos grandes períodos de estiagem.
Assim, apesar de conhecer a pobreza em várias cidades de nosso país, a entidade escolheu focar seus projetos naquela região. Consideram que em outras regiões existem, ainda que precários, alguns recursos na área da saúde, educação e alimentação, ou mesmo instituições, organizadas pela própria sociedade civil, que promovem o auxílio à comunidade mais carente.
A área atingida pela seca equivale a três vezes o Estado de São Paulo. Lá vivem milhões de pessoas que dependem da agricultura e que, portanto, precisa de sementes, terra e da chuva, que raramente ocorre.
A seca é uma tragédia cíclica. A fome e o abandono do povo nordestino são permanentes. No Sertão Nordestino, ainda hoje, milhares de pessoas vivem em casas de taipa ou palha, sem água, luz ou qualquer outro recurso.
É importante notar que segundo a Síntese dos Indicadores Sociais 2005, do IBGE, baseado no Censo Demográfico 2000 e na Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios 2005 os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) foram encontrados na Região NE.

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14 de julho de 2007 at 17:29

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Comunidade jucaica vai amplia atuação em São Mateus

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Marcos Moreira ou Mordechi Moré Ben Yhuda, em hebraico é um rabino morador de São Mateus que chama a atenção por seus trajes típicos de um judeu religioso. Nascido no Brasil com pai judeu de origem etíope e mãe de origem portuguesa iniciou nossa conversa explicando que judeus são aqueles que adotaram a religião judia não necessariamente todos os nascidos em Israel como costumeiramente é confundido.
Marcos esteve na redação para falar sobre a inauguração oficial da sua entidade instalada no Jardim da Conquista, a Comunidade Judaica Sefarad Beith Israel prevista para agosto próximo e sobre os trabalhos que já desenvolve e os que pretende desenvolver. Antes avisa que os judeus, em geral, têm consciência de contribuir para mudar para melhor o ambiente. Por essa razão a entidade fará palestras contra as drogas, por exemplo, encontros de incentivo empreendedor, neurolinguistica, desenvolvimento do raciocínio lógico. Cursos profissionalizantes como cabeleireiro e manicure serão oferecidos. Também darão atendimento e acompanhamento psicológico, dentro da medida do possível. Falarão sobre cultura, passaram filmes gratuitos com temática semita. Mesmo com essas ações, o rabino ressalta que não é o seu objetivo fazer proselitismo religioso. "Não estou buscando as pessoas para que se tornem judeus. Claro, que se alguma procura e interesse tiver nessa direção podemos ajudar. Nossa posição é contribuir para que as pessoas tenham boa educação, bons comportamentos dentro dos parâmetros do que é correto e do que não é". registra.
A partir do ano que vem segundo Marcos, a entidade pretende viabilizar a existência de uma escola com professores que através do sistema Objetivo possam estar lecionando para crianças o hebraico, inglês, espanhol e outras matérias, financiada pela ajuda de empresários que possam indiretamente estar adotando como padrinho as crianças e alunos carentes. Nessa direção o rabino informa que já está procurando locais para instalá-la. Uma outra idéia para ser executada bem no coração do Jardim da Conquista é criar um espaço onde crianças possam ser adotadas. Enquanto isso está atendendo na Rua Águia Dourada, 39 a comunidade e fazendo triagem sócio-econômica para identificar as famílias realmente necessitadas para continuar a distribuição de cestas básicas. Critico, o rabino mostrou-se contrário aos programas assistenciais dos diversos governos que distribuem ajudas de forma indiscriminada.
Outra ação pretendida é ter uma casa onde quem tiver fome possa chegar e comer. Para isso deve contar com a ajuda de diversas feiras livres que ocorrem no entorno e que já auxiliam outras entidades, entre elas, um asilo com os quais ele já coopera e que espera futuramente poder assumir aquela entidade em parceria com a atual dona, uma senhora, segundo ele bastante esforçada e correta e que com a formalização através da entidade pode melhorar ainda mais o atendimento. "Estamos tentando assumir esse trabalho dessa senhora, ela tem muita boa vontade, queremos ajudar", informa. Outros dois projetos do rabino chamam a atenção: a possibilidade de desenvolver cadeiras de rodas a um custo muito menor do que os preços de mercado. "Conheço um artesão que consegue fazer de bicicletas usadas cadeiras de rodas e ele mora aqui na região", explica. O aproveitamento das embalagens de PET está entre os planos do religioso com vistas a estimular a reciclagem e eventual geração de renda para os catadores.
O rabino também quer criar um fórum inter-religioso com quem quiser participar de outras religiões e nele serão tratados assuntos e projetos em comum não religiosos. Marcos acredita que é possível trabalhar também com a mendicância local, tentar reinserí-los na sociedade de forma produtiva através de uma casa onde possam morar e trabalhar, nos moldes de um kibutz urbano. "Podemos ensiná-los a gerar rendas, como por exemplo, reciclar o óleo utilizado para virar sabão. Com a venda parte fica para a manutenção da casa, parte para o albergado". O rabino ainda informa que os que estiverem conseguindo se reinserir terão todo apoio possível da entidade inclusive para montarem ou retomarem suas famílias.
Com a inauguração da nova sinagoga Beith Israel no dia 11/08/07 na Rua Águia Dourada, no Jardim da Conquista o rabino pretende ampliar as suas relações e os trabalhos desenvolvido com a comunidade e outras entidades. A associação está aberta a toda e qualquer colaboração de pessoas idôneas. NO aspecto cultural mais amplo o rabino avisa que "aos domingos serão exibidos gratuitamente na sede filmes judaicos inclusive um documentário sobre a Origem judaica dos nordestinos". Os interessados podem ligar para os telefones: 11 6848 7041  6848 1779  9398 9716.

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14 de julho de 2007 at 17:28

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Centro da cidade: pancadas e orações

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O prejuízo com os gastos para reembolsar os comerciantes que tiveram as dependências de seus estabelecimentos danificados na manhã do dia 6, durante os conflitos entre a Polícia Militar e parte do público presente a Praça da Sé no show de rap do grupo Racionais MC vai sair dos nossos bolsos.
Se não diretamente, indiretamente com certeza, visto que a Prefeitura, segundo declarações do atual prefeito, Gilberto Kassab, vai arcar com os gastos eventualmente apurados. São bancas de jornal, lojas, lanchonetes, restaurantes que foram alvo da ação de vândalos em debandada durante os conflitos na praça e em seu entorno.
As cenas passadas nas TV´s não deixam dúvida de onde começou a confusão. Animados com o rap combativo e de protesto dos Racionais MC´s e, eventualmente embalados pelo estado de ânimo típico de adolescentes e jovens em grupo, estes se colocaram desafiadoramente diante de uma guarnição da PM que, até o momento em que foi obrigada a intervir, postou-se adequadamente zelando pela segurança da população que participava da iniciativa da prefeitura durante os shows da Virada Cultural.
Para alguns comentaristas de rádio e de televisão, o tipo de música incentivou a rebeldia. Para estes os ânimos se agravaram diante da possibilidade bastante palpável do abuso de álcool e drogas antes e durante o evento.
O fato é que até onde se pode verificar o confronto começou diante da insistência de alguns jovens subirem em cima de bancas de jornal e invadirem sacadas da praça no intuito de ver melhor o que acontecia no palco. Invasão de propriedade, nos dois casos. Diante do pedido dos policiais militares, não atendidos por esse grupo, o que se viu foi à polícia tentar tira-los gerando a confusão e agressões de parte a parte a ponto de inviabilizar a continuidade do show. As escaramuças disseminaram a violência para o restante da praça.
Como uma onda a sucessão de violência foi chegando até àqueles que comportadamente prestigiavam o show e contribuíam para abrilhantar o evento que diante desse incidente mais grave não pode ser condenado como um todo.
O que se viu nas cenas reprisadas à exaustão pelos canais de televisão foi um bando de vândalos e deseducados pela própria vida, eventualmente alcoolizados e drogados e em êxtase com as letras ácidas e ferinas dos Racionais MC´s depredando bens públicos e particulares, saqueando lojas e lanchonetes e infringindo o terror nas pessoas por onde passavam; pessoas essas que atenderam ao apelo da Virada Cultural e participaram das várias iniciativas que ocorriam na cidade.
Uma semana depois foi à vez do papa entre nós que reuniu pessoas aos milhares sem que se registrem grandes incidentes como a da praça da Sé. O que muda? Não são milhares aglomerados no mesmo local? Muda a índole das multidões. A primeira da Sé em euforia, com muita gente embebedada e drogada, soltando as frustrações no vizinho e no patrimônio regados a uma mensagem musical que evidencia a posição de subalternidade que o grosso do povo ocupa.
Na segunda atividade outra multidão, a que acompanhau as andanças do papa, numa outra sintonia. Talvez em transe, talvez eufórica, na mesma posição de subalternidade, mas envolvidas numa religiosidade, numa busca de outras ondas que não permitem a disseminação da violência.
Mas não nos enganemos. Enquanto o papa abençoava, os deputados aumentaram seus vencimentos, os cambistas vendiam entradas que eram gratuitas, os batedores de carteira surrupiavam míseras economias, enquanto os fiéis buscavam a redenção. Não tem por ai, também alguma dose de violência, mesmo que sutil? (JMN)
Publicado na Gazeta de São Mateus, 242, maio de 2007

Written by Página Leste

18 de maio de 2007 at 12:44

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O Lula e Eu (parodiando o título da música: A Lua e eu…

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Lula ainda como sindicalista e presidente do PT com J. de Mendonça Neto ainda como repórter.
Muitos anos depois, Lula virou presidente e ainda foi reeleito e este repórter continua na mesma.
"andando na istrada dos disingano / andando de noite e de dia
inludido percurando / aprendê o qui num sabia"
(rsrsrsrs).

Written by Página Leste

30 de novembro de 2006 at 10:55

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Deputados, magistrados e procuradores querem super-aumentos, enquanto o salário mínimo só pode subir R$ 17

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Deputados, juízes e procuradores da República, que já não ganham pouco, estão em campanha por aumento de salários. Enquanto querem mais, os trabalhadores devem se conformar com menos. Para isso o governo recuou da proposta no Orçamento de 2007 de aumento do salário mínimo para R$ 375. Com a justificativa de que houve revisão nos índices o Ministério do Planejamento concorda com um reajuste de apenas R$ 17 reais, passando o mínimo para R$ 367.

            Já no Congresso, deputados e senadores, com raras exceções querm um aumento de 91,4%, passando o valor médio atual de R$ 12 mil e 800 para R$ 24 mil e 500 mensais para deputados. A proposta tem um freio que é acabar com a verba de R$ 15 mil que cada parlamentar tem direito para gastos com combustível, aluguel e alimentação, mediante apresentação de nota fiscal.

            Como é provável, como já está ocorrendo que a proposta beire a ofensa, parte dos deputados já tem no colete uma proposta alternativa que viria do governo: os petistas defenderão um aumento da ordem de 30% a partir de 2007 que reporia mais que a inflação dos últimos quatro anos. Bonzinhos? Não, necessariamente. O PT está de olho na presidência da Câmara.

            A Câmara que quer aumentar o salário dos seus, rejeitou emenda da oposição que previa reajuste de 16,67 por cento aos aposentados que ganham acima de 1 salário mínimo, algo em torno de 8 milhões e 200 mil aposentados. Vitória do governo que concede 5,01 por cento para essas aposentadorias. A questão agora vai ao Senado. A previsão do governo é de gastos de R$ 1 bilhão e 900 milhões de reais na Previdência entre agosto e dezembro com o reajuste de 5,1%. (JMN)

Written by Página Leste

30 de novembro de 2006 at 8:59

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