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As memórias de Maria




As memórias e histórias de Lúcia Maria Pimentel, carioca e militante na luta contra a ditadura desde após o golpe de 1964 pode ser vista em avant premier pública na Cinemateca Brasileira, na noite do dia 20 de novembro com o auditório lotado com gente de todo canto, equipe de produção, amigos e vizinhos da personagem, alguns famosos e muitos, mas muitos clandestinos mesmo aos moldes do que foi grande parte de sua trajetória no combate a ditadura militar.
Esbanjando energia nos atuais 76 anos aos moldes do que foi sua juventude e vida adulta, Lúcia, então com o codinome Maria foi presa ainda jovem, em 1969, num certo 1º de maio onde estava previsto apenas uma ação de denúncia e panfletagem que, conforme explicado no documentário teve tiroteio e detenção como consequência.
Exilada na Argélia, foi beneficiada por uma conjuntura governamental progressista e convivência com o então político brasileiro Miguel Arraes, de expressão mundial. Posteriormente viveu e casou-se na Suíça onde desenvolveu e aperfeiçoou a importante e delicada tarefa da forjar documentos que permitissem a locomoção de refugiados brasileiros perseguidos pelo regime.
Nesse período desenvolveu cada vez mais suas principais habilidades dando primeiros passos na publicação de panfletos, jornais ou revistas no campo da esquerda, algumas de natureza de reflexão política e outras de ativismo militante.
Nesse período um dos periódicos circulava entre os exilados na Europa e outra parte entrava clandestinamente no Brasil pela rede de apoio que é muito bem explicada no documentário.
Decidida a voltar ao Brasil na semiclandestinidade empregou-se em importante gráfica na cidade de São Paulo e em sua própria casa dava guarida e espaço organizativo para os remanescentes da Dissidência Guanabara já, então como Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização de esquerda que, lembremos, junto Ação Libertadora Nacional (ALN) sequestrou em setembro de 1969, o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick para exigir, em troca, a soltura de 15 militantes de esquerda nas mãos do regime, que forma enviados ao México.
Já de volta ao Brasil, em 1976, em episódio em que ficava exposto certos preconceitos e machismos contra as mulheres, no sindicato dos gráficos do estado de São Paulo, Roque Barbieri, presente no documentário e no lançamento na cinemateca, toma o microfone na assembleia para denunciar e criticar a hostilidade de que era vítima a então militante na porta da entidade, conseguindo superar o incidente que modifica todo o panorama posterior. Já no sindicato Maria comandou uma das maiores greves da categoria em 1978.
É depois disso que Maria arrebenta os grilhões do preconceito e tem presença cada vez mais qualificada e decisiva na direção política do sindicato, sendo eleita em 1980 como diretora da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo. Participou da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – Conclat; depois da fundação da CGT e posteriormente entre outras tantas atividades passou a integrar as delegações brasileiras nas Conferências da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto ainda se faz presente na diretoria executiva da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Ousar Viver! Histórias de Maria
É um longa metragem em formato documentário, com muitas outras informações que evitamos dar spoiler, dirigido por Silvio Tendler, com produção do Instituto Angelim com extensa lista de apoiadores diretos e indiretos. O objetivo de apresentar e difundir para as novas gerações as memórias e histórias da Maria, militante pela democracia desde o período da ditadura miliar no Brasil até os dias atuais com presença marcante e decisiva no papel das mulheres na área sindical e movimento de mulheres. Recupera parte da história das lutas democráticas dessas mulheres, jogando um olhar sobre o presente nas persistentes lutas por igualdade de direitos.
O filme completo pode ser visto a partir de agora pelo canal de you tube do Instituto Angelim. (JMN)
Legendas: Na primeira foto Zé Neto editor da LacrE,, Maria e Roque Barbieri; na segunda Professor Valter Almeida, Zé Neto, Maria, Roque com filha Édria e esposa Dirce, na terceira Maria e Roque, personagens do documentário e a quarta Fátima Shinohara, Zé Neto, Maria, Roque Barbieri e sua filha Édría, a esposa Dirce e uma convidada
Pinga Fogo com Gilson Barreto
O encontro com o vereador Gilson Barreto (PSDB/SP) no Pinga Fogo da Gazeta São Mateus, no dia XX, foi recheado de revelações, algumas delas apontadas aqui sobre um passado nem tão longe e nem tão perto que deixa claro testemunho de sua longa trajetória política na região.
Dezoito pessoas estiveram participando de uma conversa informal que tanto quanto possível extraímos parte delas aqui. Teve mais e muito mais; o ideal era ter presenciado. Acompanhe. (JMN)
Assim que a diretora do jornal Lucy Mendonça deu início ao encontro, o vereador Gilson Barreto observou que quando se vai avaliar o comportamento do político é preciso ter claro que, salvo em outros regimes e em outros períodos da história nacional, o parlamentar só existe porque receberam os votos dos eleitores. Ou seja, que _o que é e o que pode se transformar o eleito_ é responsabilidade também dos eleitores, segmentos de interesses ou comunidades que os elegeram. “Estamos passando por muitas transformações na sociedade atual e não cabem mais candidatos que não se ajustam aos novos tempos. Ou se ajustam ou serão superados”, disse. Respaldado pela anfitriã e outros lembrou que é um erro pensar que participar da política é apenas comparecer em dias de eleição. A política decide os assuntos coletivos e é atividade para o tempo todo, resumamos.
Aberto às perguntas Gilson Barreto foi questionado pela moradora e liderança do Jardim Santo André, professora Fátima Magalhães sobre o projeto de transformar o Morro do Cruzeiro em área preservada e de interesse turístico que não caminha. Perguntou ainda sobre a promessa de entrega do campo de futebol chamado de Cruzeirinho, em referência a um time local e a demora na entrega em funcionamento do monotrilho em São Mateus. Fátima ainda comentou sobre as dificuldades dos estudantes que precisam andar mais de dois quilômetros a pé para acessar uma importante escola pública local e que estão sem peruas que façam o trajeto.
Gilson concorda com a importância turística do Morro do Cruzeiro e as ameaças com as invasões para efeitos de moradia que a região sofre; apesar de disposto no atual Plano Diretor e no zoneamento da cidade onde segue indicada como área de preservação da maior parte sendo que uma porção deste, na parte de baixo, indicada para moradia popular. Sobre o campo informou que já indicou emendas ao orçamento municipal para o campo de futebol cujo local inicial foi cedido para a construção de uma escola pública. Nas três questões indicadas lembrou a importância da pressão popular organizada para o sucesso das reivindicações, mantra que repetiu o tempo todo durante o encontro.
Sobre o monotrilho, o vereador considera que apesar da demora, está tendo avanços e que do itinerário planejado, até a Vila União já esta funcionando mesmo que parcialmente, e que o trecho que o faz chegar a São Mateus está sendo submetido a testes de calibragem do percurso e estações. “São testes pontuais utilizados pela engenharia para ajustar detalhes. A previsão é de funcionamento ainda em agosto”, disse, mesmo diante das observações dos presentes sobre a demora não seria um modal defasado e a lamentação pelo fato da região não receber o metrô tradicional. Gilson contra argumentou que a modalidade monotrilho deve dar conta da demanda e operar com a mesma eficiência do metro tradicional.
O que se sabe é que parte do trajeto que levará o monotrilho em direção a Cidade Tiradentes já passou por fase desapropriação. Ainda no sentido de intervenções viárias, dezenas de sugestões foram expostas, entre elas a do próprio vereador que sugeriu levar o monotrilho utilizando partes das margens do leito do Córrego Aricanduva. Em sendo adotada a sugestão ainda vai reservar espaço para construir moradias para os que estão às margens do mesmo córrego caso sejam remanejados do local.
Ao se estender sobre o assunto, o vereador falou sobre as novas intervenções no viário e mobilidade urbana que vão conduzir passageiros entre Vila Prudente, Carrão, Penha, por exemplo, e outras que vão cortar o Shopping Aricanduva e Jacu Pêssego. Disse ainda sobre a ampliação de importante via no Iguatemi; sobre ônibus ligando São Mateus ao aeroporto de Guarulhos com importantes paradas e outras.
Sobre melhorias desejadas para a região da Terceira Divisão, Luiz Mauro, presidente de uma sociedade amigos local lembra-se de alguma promessa de compensação ambiental que até hoje não aconteceu preocupado com a eventual perda desses recursos ao que o vereador explicou um pouco sobre a lógica da administração que em função da queda de arrecadação no orçamento promove ajustes. Foi o caso, explicou ele, entre 2017 e 2018 onde um déficit de $ 7,5 bilhões de reais implicou na medida tomada pela prefeitura. “Agora, em 2018, estamos com um orçamento mais realista e algumas coisas estão acontecendo melhor”, iniciou. Deu como exemplo a recuperação do antigo aterro que hoje vem se transformando no Parque Sapopemba e que antes sofreu várias tentativas de ocupação. “Hoje temos árvores plantadas e pretende-se trazer mudas prósperas de cerejeiras aos moldes das existentes no parque do Carmo. Estamos tentando transformar também esse espaço em ponto turístico”, emendou.
Sobre o descuido no Parque das Nebulosas lembrado pela diretora do jornal, que registrou o abandono atual daquele espaço único no bairro Satélite, o vereador que desejava que até um mini estádio fosse lá instalado registrou que existe uma administração cuidando mesmo diante das dificuldades de recursos da administração pública. Gilson lembrou que à época conseguiu que parte da verba que estaria sendo usado em melhorias na Marginal Tietê foi remarcada para a edificação do espaço do Parque das Nebulosas. Disse, também, que em tempos recentes houve uma suspensão na contratação dos serviços de zeladorias dos espaços verdes, que vem agora se recompondo paulatinamente. Pareceu ter indicado que a zeladoria vai voltar com mais força ao local atendendo aos reclamos dos vizinhos e usuários daquele espaço.
Sobre o orçamento para a região de São Mateus em resposta ao questionamento do advogado Roberto Torres, Gilson Barreto registrou que a situação se modificou, sendo que a Prefeitura Regional tem, hoje, o segundo maior orçamento por região da cidade, embora ainda sempre insuficiente. “Não há ainda um mecanismo de independência maior das regiões e prefeituras regionais quanto a essa divisão e esse é o motivo de parte dos problemas, mas manter a pressão por parte das comunidades organizadas é sempre benvinda pra que essas divisões sejam mais justas e fazer frente às manipulações que, em geral, o governo central, no caso, a municipalidade faz”.
Há falta de união mesmo entre as diversas comunidades que sofrem problemas comuns foi registrado pelos presentes com exatidão. Gilson vai além e lembra que toda ação nesse sentido é política e que sem ela ou ausentar-se dela é deixar que outros a faça. “Tenho como conduta analisar as demandas e as que forem justas e de acordo com meus princípios e de compromissos com as comunidades as adoto”. “É um mundo cão, mas ninguém coloca do dedo no meu nariz, faço diante das minhas possibilidades. Se for do interesse dos segmentos que represento vamos estudar”, finaliza.
Idosos desamparados
A conselheira municipal do idoso, Deise Achilles registrou que 38% dos moradores nos distritos de São Mateus são de idosos e que esses não tem absolutamente nada para fazer de forma coletiva e organizada na região, além de algumas inciativas pontuais que ela e outros conseguem articular. A demanda por atividades e pontos como um centro de convenções para o idoso é uma demanda que cresce na região.
Outras passagens rápidas
“Nos anos 80 inventamos de iluminar a Avenida Mateo Bei. Eu era administrador regional de Itaquera e São Mateus e colocamos lâmpadas que eram acesas à noite e apagadas pela manhã. A primeira delegacia no bairro foi conquistada através de um pedido que fizemos ao então deputado Erasmo Dias que na ocasião nos perguntou se o apoiaríamos na campanha. Eu era presidente do conselho de sociedade amigos e dissemos que sim. Engolimos o Erasmo (risos) e recebemos a delegacia. O serviço de abastecimento de água, asfalto e outras melhorias eram lutas que estávamos junto com outros desde os anos 60”.
“Perdi o emprego na administração regional por causa do Shopping Aricanduva. Na ocasião a família Mofarrej, proprietária do terreno, era devedora e a área estava sendo planejada pelo poder público para moradias. Entendíamos que era uma área promissora e mobilizamos alguns clubes que usavam o espaço com campos de futebol e resistimos. Onde agora tem um shopping era para ser uma área deteriorada. Como contrariei os interesses de secretários na ocasião perdi o emprego na regional”.
O início da ocupação no Jardim da Conquista também tem o dedo do vereador para onde ele levou cerca de 70 famílias para ocupar áreas lindeiras ao córrego. Era no tempo da Erundina, na época do PT, prefeita que, aliás, ele destaca como o governo mais sério que conheceu. Depois dessa ocupação nada mais segurou o adensamento da região.
Perguntado sobre a sempre esperada regularização da Vila Bela o vereador teve diversas ações na região ao longo de todo o período; dizendo que atualmente a família montou uma empresa para efetuar a cobrança de valores dos lotes com descontos e organizando a documentação. Antes, porém, esteve participando, junto com outras lideranças e parlamentares, por melhorias possíveis na situação de irregularidade em que se encontrava a ocupação. Foi assim com a energia elétrica, não sem a contrariedade da família Mikaiel, e o abastecimento de água feito pela Companha de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP – que substituiu o famigerado abastecimento por mangueiras precárias em iniciativa lastreada por determinação do Ministério Público que respaldou a ação da companhia. Nessa movimentação toda teve a articulação do vereador.
Gilson ainda registrou que do ponto de vista de ocupação e regularização de áreas houve várias modificações favoráveis no Plano Diretor atualizado e nas Leis de Zoneamento. “Atualmente, graças à lei que aprovamos, qualquer comunidade pode iniciar o projeto porque em certas circunstâncias deixou de ser crime” registrou aleatoriamente.
Sobre a situação da ciclovia na Avenida Bento Guelfi que, a vizinhança, os transeuntes e parte dos usuários de bicicletas acham inadequada, as conversas continuam com a Companhia de Engenharia de Tráfego e as secretarias responsáveis. O vereador sugere que mudanças mais efetivas no local vão depender da mobilização dos interessados nelas.
Mutirão de operação de Catarata iniciada pelo vereador completa 18 anos ininterruptos de atividades e hoje já tem inúmeras entidades participando. O que começou com 27 operações já alcançou 25 Mil procedimentos. As inscrições para as novas cirurgias estarão abertas do dia 6 de agosto a 16 de setembro.
“Temos que falar de política. Ela faz a diferença na vida da gente. Se não escolher direito seu representante aguente as consequências. Alguém sempre vota em alguém”. Gilson Barreto
“Tem que fazer acontecer, associações, sociedades amigos já não tem o mesmo vigor de antes, agora é quase tudo via político. A população tem que entender que nada se faz sem os políticos e que vai ficar tudo parado se não tiver um politico dando uma força”, Gilson Barreto
“Essa divisão entre nós mesmo existe e atrapalha. Era para ter muita gente nesse encontro e não tem. As pessoas criticam, reclamam, mas não participam e esse aqui é um desses momentos. Falta união. essa divisão precisa ser deixada de lado para beneficiar a região”, Lucy Mendonça.
Pinga Fogo com deputado Pedro Kaká
Pela primeira vez fora do período eleitoral, o jornal promoveu no dia 19, o encontro de lideranças da comunidade com o deputado Pedro Kaká (PTN/Podemos). Mais de 30 pessoas ouviram a exposição e as respostas do convidado as perguntas feitas. Acompanhe um resumo do encontro.
Prata da casa, Pedro Kaká teve quase toda sua vida pessoal e profissional ligado ao bairro de São Mateus, onde tem sido ao longo dessa linha do tempo, empresário de sucesso no ramo imobiliário e no mercado varejista com supermercados espalhado pela Região Metropolitana de São Paulo.
Assumiu como deputado estadual por São Paulo no início do ano e desde então, conforme ele mesmo humildemente assume, ainda está se inteirando do funcionamento daquela casa de representação cuja tarefa é a fiscalização do Governo do Estado e a formulação e aprovação de leis propostas pelos seus pares, outros deputados, dele próprio, mas principalmente das medidas propostas pelo Executivo.
O partido, do qual é o único parlamentar na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ARLESP) está na base de apoio do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e tanto quanto possível mantém o apoio a partir dos princípios e parâmetros do partido que está filiado e seus próprios.
Nadou de braçada durante a conversa, aproveitando-se das perguntas e dos pedidos de apoio para demandas específicas das lideranças, para explicar seu comportamento alinhado a coerência de sua vida privada e cidadã, mesmo antes de assumir o mandato. Com formação superior e muito esforço e dedicação pessoal, apontou claramente que leva para a vida pública esse acumulo e sem senso de ética e justiça.
Momento critico politico
Com relação ao momento político convulsionado, tendo em vista que o encontro se deu um ou dois após as graves revelações feitas em delação premiada por parte dos executivos da JBS envolvido irregularidades até mesmo do atual presidente da República Michel Temer, disse que o seu partido desembarcou do apoio ao governo em nível federal. No Estado nada muda. Continuam com Geraldo Alckmim. “Que todas as denúncias sejam apuradas”, enfatizou.
Sentando ao centro da sala Kaká respondeu as reclamações de todos os convidados, como a falta de segurança na região, dizendo que nos idos de 1982 ou 83 articulou e participou de uma passeata pela Avenida Mateo Bei reivindicando segurança pública. Era o começo de um período recessivo com muito desemprego que aumentavam as dificuldades e os problemas. “Na ocasião o governado era Fleury e o Michel Temer, atual presidente, o secretário de Segurança, que já dizia que eram poucos os policiais militares quando comparado ao tamanho da população. De lá para cá, passamos por momentos melhores, mas atualmente a insegurança volta com vigor agravada pelo desemprego, algo próximo de 21 milhões no país todo. Continuamos com um efetivo pequeno diante dos problemas, principalmente nas grandes cidades”, explica.
“Lutarei muito por São Mateus”, diz
Reconhecida as dificuldades, agora, enquanto deputado vai tentar se valer da representatividade para tentar melhorar esse atendimento, da mesma forma que em outras áreas críticas se adiantou. “O deputado representa o Estado com nossos 45 milhões de paulistas, mas sempre sustento e defendo que sou principalmente um deputado distrital com prioridade para São Mateus de onde tive cerca de 40% dos votos quando disputei. Sempre que estou encaminhando demandas ou falando com o Executivo lembro que prefiro que atendam meus pedidos, principalmente para esta região”, garantiu, deixando escapar que essas ações podem até a ajuda reverter à rejeição do atual governador nessa faixa da cidade.
Outro entre os presentes, Júlio Rosa lembrou que a Saúde, há tempos, foi deixada de lado nas gestões do atual governador. Perguntou se Kaká teria conhecimento de bons projetos na ARLESP que possa mudar a situação. Humilde, o deputado disse que ainda está se informando, buscando subsídios com seus pares, administradores egressos da Fundação Getúlio Vargas e outros segmento para ter munição para falar, defender e pleitear demandas junto ao governo estadual. “São apenas 110 dias de mandato em um universo com o qual não tenho grande familiaridade. Tenho que ter humildade para ouvir, aprender ter e responsabilidade com as proposições”.
Perda de arrecadação torna as coisas mais difíceis
Percebendo por onde iria caminhar a conversa e as demandas, Pedro Kaká registrou que há uma previsão de perda de arrecadação do governo do Estado por volta de 21 bilhões no ICMs. Quando isso acontece é natural que o governado feche todas as torneiras possíveis. Mesmo assim, conforme matéria publicada pela assessoria na edição anterior, o mandato protocolou vários pedidos ao governo do Estado para viabilizar novas construções e reformas pela Prefeitura em unidades básicas de saúde nos três distritos de São Mateus.
Punição para usuário de drogas
Ao centro da sala o deputado foi perguntado pelo missionário Alfredo se concordaria com a adoção de punições e criminalização também dos usuários de drogas como medida para diminuir essa chaga social, de saúde e de segurança proposta por um dos presentes. Respondeu que a princípio não, mas não se furtou a deixar a cargo de seu gabinete estudar adequadamente o tema.
Para lastrear sua resposta expôs as dificuldades das próprias polícias norte-americanas em lidar com o problema desde décadas antes, nos anos 70 quando então não se havia chegado às drogas pesadas da atualidade até os dias atuais. Aproveitou para ressaltar a diferença do conceito que as respectivas populações; a norte-americana e a brasileira têm de suas polícias, dando pontos de largada para os americanos.
Novamente a saúde
Pela Zeladoria Ambiental falou Agnaldo França, pediu empenho do deputado para viabilizar a instalação de uma Unidade de Pronto Atendimento UPA no Jardim São Francisco que já tem terreno aprovado nas pré-conferências específicas do distrito. Informou que se depender apenas dos recursos da Prefeitura Municipal de São Paulo a unidade não sai. “É preciso o envolvimento do governo do Estado, pois a região tem uma população enorme e sempre crescente. Nenhum, entre os poucos equipamentos de saúde e de educação, por exemplo, dão conta de atender tanta demanda, ainda mais com qualidade duvidosa”, desabafou. Agnaldo ainda ressaltou que a região tem perdido muitos jovens para o crime por ausência de oportunidades de estudos, de convênios e de alternativas sadias de lazer.
Kaká retomou as respostas anteriores dizendo que já pleiteou reformas e ampliação dos atendimentos, enquanto dissertou sobre a educação que deve ter início nos lares, na família e que na atualidade se encontram mais desagregadas seja por causa dos novos costumes que promover o isolamento, as tais redes sociais, como também e principalmente pela necessidade de mais pessoas na família trabalharem fora. Some-se a isso o aumento do fluxo migratório que ao longo do tempo para dificultar o controle social, que vai ter reflexo negativo nas famílias.
Pedro Kaká lembrou que tem quase 1500 famílias ligadas as suas atividades empresariais, razão pela qual reconhece a complexidade dessa situação.
Companhia do Largo de São Mateus
O comandante do 38º BPM/M, Major Rogério Carbonari Calderari, pediu apoio para sua demanda para instalar a companhia do Largo de São Mateus em espaço de múltiplos usos para a comunidade e que esta construção poderia ser viabilizado por contrapartida pela construção do Monotrilho e através de parcerias público privadas PPPs. O assunto foi tratado na edição 436 deste jornal.
Kaká registrou que, em geral, quando essas parcerias ocorrem, elas tem que dar um ganho a iniciativa privada e que, portanto, há dificuldades reais. Claro que se dispõe a apoiar, mas que vai reforçar a demanda com outros dois deputados oriundos da Polícia Militar de São Paulo, Major Olímpio e Coronel Camilo. “Não quero fazer sombra a quem dá luz”, disse demonstrando que não faz questão de atrapalhar ou se beneficiar do esforço de outros. (JMN)
Demandas e mais demandas
Praticamente o restante dos interlocutores foi na direção de lembrar e pedir apoio para a solução de inúmeros problemas de suas comunidades dentro de São Mateus.
Murilo Reis do bairro Palanque lembrou que seis meses da administração municipal de João Dória a periferia está esquecida.
A professora Fátima Magalhães pediu empenho do parlamentar para criar alternativas de geração de emprego. “Alunos recém-saídos do ensino médio não encontram vagas de emprego. Não seria o caso de estimular o desenvolvimento do Polo São Lourenço?”
Deise Achilles que representa o Conselho Municipal do Idoso e luta pelo Programa de Acompanhamento do Idoso pediu apoio. “Precisamos de ajuda, a prefeitura cedeu terreno próximo ao Ceu – qual perspectiva de se atender isso e ter um melhor olhar para os idosos? Não temos nada no São Raphael e Iguatemi”, sentenciou.
A construção da UBS do Jardim da Conquista, que já tem um terreno demarcado, não sai do papel. Existe uma demanda enorme e o receio da comunidade é que o espaço seja ocupado para moradias; tentativas já foram feitas, e que fique inviável a construção. “Precisamos da revitalização do Morro do Cruzeiro, refrear as ocupações irregulares, preservar o meio ambiente”, disse outra liderança. Também pediram o apoio para a regularização fundiária da região. (JMN)
Deputado explica restrições e propõe organização
“A minoria domina a maioria desorganizada. Sempre foi assim. Sem organização não se consegue o sucesso das demandas. Sem organização vota-se em quem não tem nada a ver com a necessidade dos eleitores”. ensinou o deputado.
Disse que o mandato está tentando atender as demandas legitimas como eram aquelas que ele ouvia dos presentes, entretanto, esse apoio não pode ser feito sem estudos, planos, sem conhecimento de causa para que o mandato possa tomar as medidas certas ao seu alcance. Também reconheceu a limitação do trabalho de um deputado, principalmente quando de um partido com pequena representação na ARLESP.
São muitas as dificuldades, várias delas com interface com a Prefeitura. “Tive oportunidade de conversar com o Prefeito Regional, Fernando Elias de Melo sobre a importância de se prestigiar o pequeno e médio empreendedor, pois é este que gera empregos na região. Concordância plena e isso é um esforço para diminuir parte dos problemas”, explicou. “Vamos tentar ir conversando sobre as outras demandas também”, se prontificou.
Colocou o mandato a disposição para estudar detalhadamente cada uma dessas demandas para em seguida tentar agir da maneira mais adequada e produtiva, não sem antes, entretanto, enfatizar que é a organização forte, persistente das pessoas em reivindicações legítimas e viáveis a principal ferramenta para a diminuição ou solução dos problemas. (JMN)
Agrupamento que ajuda dependentes de álcool e drogas realiza atividade
Convidada, a reportagem da Gazeta São Mateus visitou a Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas, entidade sem fins lucrativos fundada em 06/08/1995 que vem desenvolvendo importante serviço de acolhida e apoio semi terapêutico às pessoas com problemas de alcoolismo e drogadição, durante uma manhã de domingo, dia 03, quando frequentadores da casa, familiares e colaboradores fazem um almoço comunitário que acontecem a cada dois meses para aprimorar o processo de ressocialização de ex e atuais dependentes.
Sem qualquer apoio governamental nem de empresas ou particulares, a entidade subsiste pelo esforço de Hamilton Clemente, mentor do projeto e principal gestor da casa e de alguns outros abnegados e com apoios pontuais entre os que podemos chamar aqui de clientela.
Hamilton sustenta que o trabalho de recuperação feito na casa é baseado totalmente em terapia de grupo feito pelos próprios protagonistas de suas situações. O próprio Hamilton revela, sem nenhum constrangimento, que durante um período da sua vida usou e abusou do álcool e a exemplo de tantos outros colocou sua vida e de familiares próximos em risco e palco de inúmeros constrangimentos e aborrecimentos.
“Nosso foco é no cidadão doente e naquele que por conta própria quer tentar sair de uma situação de dependência de álcool ou drogas para uma vida melhor. O nosso principal apoio é o acolhimento e a compreensão do que seja a situação pelas quais o doente está passando. Afinal, quase todos nós, envolvidos nesse esforço, tivemos no mesmo lugar que ele; a procura de ajuda”.
Em termos de números, a despeito de não discutirmos com a estatística ou com a matemática, consideramos o resultado bom e promissor. O entendimento da redação é que qualquer pessoa que seja recuperada de uma situação de alcoolismo ou dependência e abuso de drogas é muito importante. Vamos a eles. Hamilton diz que com o álcool a cada 100 dependentes, 10 se recuperam; com as drogas, a cada 100, cerca de 5 se recuperam e com relação ao crack, essa devastadora droga, de cada 100, 2 ou 3 se recuperam definitivamente. Insistimos, parece pouco, mas é muito significativo seja para o próprio doente, seja para a família e sociedade.
Libertos de vícios, frequentados da casa dão depoimentos
Pouco antes do almoço comunitário com as pessoas trazendo, cada uma delas, um prato, sobremesa, doces ou frutas que seriam servida a todos, alguns frequentadores da entidade fizeram questão de registrar seus depoimentos que foram resumidos pela reportagem.
Alguns deles, com mais de 19 anos livres dos problemas são queles que iniciaram seu esforços de recuperação em outros locais, tais como a Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo, ARA (Associação dos Alcoólatras de São André, Grupo de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Fraternidade de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Curados Para Amar Antialcoólica e Drogas entre outras. Continuam agora prestando sua colaboração na entidade. Outros, entretanto foram recuperados já na atual entidade.
Ex-funcionário do Banespa durante 10 anos, Pedro Aguiar foi demitido quando esse passou para as mãos de outros donos. Pedro já registrava pelo menos três internações em clínicas e sanatórios por conta de seus vícios em álcool e drogas. Entre 94 e 96 foi uma a cada ano e a última, nessa modalidade, em 1997. Auto suficiente, pelo menos enquanto trabalhava, não tinha na família o amparo necessário. Dai para ser morador em situação de rua foi apenas questão de tempo. Pedro resume que no período mais grave de sua situação, segundo ele durante uma gestão da ex-prefeita Marta Suplicy na cidade de São Paulo, havia um esforço para acolher e tentar reverter à situação de degradação dos moradores. Ele participou disso.
Mas foi através do conhecimento com Hamilton Clemente e do apoio que recebeu que ele conseguiu iniciar o seu processo de recuperação em 2001 e hoje plena. “Procurei o apoio com chinelos de dedo gastos, roupa e corpo sujo de muitos dias sem tomar banho e através do contato com o Hamilton fui, mesmo naquelas condições deploráveis, tratado com respeito e como gente e isso foi muito impactante para mim”, comenta. “Assim que ele me encaminhou a entidade e vendo aqueles depoimentos fraternos, feitos por pessoas que tinham problemas muito semelhantes aquilo me ajudou a recuperar a minha vida”. Muito provavelmente é por isso que agora ele ajuda a entidade.
Com 63 anos de idade, Antônio Ferreira é outro que chegou a entidades de recuperação cerca de anos atrás onde, com o mesmo tipo de apoio, pode se safar dos vícios em drogas e álcool. O ex-sargento do Exército, antes de achar o caminho de volta, passou sem sucesso por cinco internações em sanatórios. Agora o pouco que pode, ajuda a outros na caminhada pelo abandono dos vícios.
O jovem adulto Adeilson José, de 38 anos disse que começou a beber adolescente, quando, também já trabalhava. Pouca ou nenhuma orientação havia em casa. Das bebidas para as drogas foi um longo percurso rumo ao inferno, mas foi através da acolhida, das reuniões e das terapias de grupo na entidade que ele está limpo há alguns anos.
Natalino Oliveira de 68 anos considera ter renascido em 1985 quando conheceu a Associação Antialcoólica de São Paulo, o famoso AA. Era então um bêbado clássico e levado ao encontro ficou admirado com os testemunhos que ouviu e ouvia nas reuniões seguintes. Fervoroso credita também a Deus a sua recuperação e desde há muito entende que o álcool o estava matando progressivamente. Ficou quinze anos bebendo muito; ainda quando trabalhava em uma montadora de veículos. Ganhava, no período, dez salários mínimos em média. Até espancar a esposa espancou. Durante esse período de recuperação adquiriu a exata compreensão de que ninguém vive feliz com um bêbado na família. Hoje, completamente recuperado tem certeza que nasceu de novo.
Outro jovem adulto que preferiu não se identificar já está limpo, agora aos 39 anos, após usar crack durante 14 anos seguidos. Pai de duas filhas esteve em situações muito delicadas quando aos 33 anos conheceu e começou a frequentar as reuniões e as atividades da entidade. Com as orientações e o apoio percebeu que seria possível se recuperar. Abstêmio já há oito anos, recuperou a si e a sua família.
Outros depoimentos
Com 76 anos, Gilberto começou a beber com 10 anos. Queria fugir quando alguns parentes queriam trazê-lo para conhecer a entidade. “Foi a melhor coisa que me aconteceu. Faz 23 anos que parei com o álcool e minha vida ficou muito melhor agora, após alguns casamentos que eu mesmo estraguei”. Já Djalma bebia e fumava desde os seis anos de idade. O exemplo vinha da casa com o pai alcoólatra. Durante a reportagem registrou que estava parado há 10 anos, 9 meses e 20 dias.
Por fim, com o almoço quase começando Newton César diz que chegou a São Paulo com 38 anos vindo do Maranhão e já bebia. Brigava em casa, faltava dinheiro que ficava no bar e também lembra que parou de beber dia 21 de outubro há oito anos. “Foi um colega que me trouxe aqui e também fui impactado pelo que ouvia de gente muito parecida comigo que estava ou tinha se recuperado. Hoje, vivo bem com minha família e comigo mesmo”, finalizou.
Hamilton convida a visitarem a casa
O almoço teve início e Hamilton ainda teve tempo de explicar a reportagem que a atividade, como a de excursões, bailes e outras fazem parte do que ele entende ser um processo terapêutico com as próprias pessoas se apoiando e ajudando. “Fica claro para eles e suas famílias que não são necessárias o uso de bebidas alcoólicas e drogas para se divertir. A vida deles e de suas famílias melhoram a cada dia”.
A Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas realiza duas reuniões semanais com os dependentes e familiares. As quartas-feiras das 20 às 22 horas e aos domingos das 19 às 21 horas em sua sede na Avenida Rodolfo Pirani, 616. “Qualquer pessoa pode participar Essas reuniões são boas não só para as pessoas que estão diretas com os problemas, mas também para familiares que aprendem outras formas de lidar com os envolvidos. Em nossos encontros ajudamos a se estruturarem e se reerguerem”, finaliza.
Reunião revela estado de calamidade, mas segurança não estava presente para escutar
Marcada pela ausência dos representantes da Segurança, reunião do Conseg revela um quadro temerário em certas regiões de São Mateus
A última reunião do Conseg São Mateus no dia 15 de abri foi marcada pela ausência de representantes da Policia Militar e da Polícia Civil, nenhum comandante nem delegado titular do 49º Distrito Policial compareceram para ouvir as graves queixas, mas, também pela presença de mais de meia centena de munícipes que compareceram para fazer e apoiar diversas denúncias. Além do presidente do Conseg, José Moreira compôs a mesa o subprefeito de São Mateus, Fernando Melo e o Inspetor Osmar da Guarda Civil Metropolitana baseada em São Mateus que representava o inspetor geral que não pode comparecer em razão de outros compromissos.
Como de praxe após aberta a palavra uma representante do conselho de saúde do Jardim da Conquista III, retomou as mesmas denúncias que foram objeto de nossa edição anterior (372) a respeito a crescente insegurança nas proximidades e nas unidades de saúde públicas da região. Em sua fala destacou as unidades do Jardim da Conquista que foi palco recente de inúmeras ocorrências criminosas e até alguns confrontos com a Polícia Militar e onde tem sido difícil convencer qualquer médico ou profissional do mesmo porte a trabalhar nos locais. “Os médicos tem sido roubados, agredidos e vítimas de tentativas de sequestros. As agressões ocorrem quase todos os dias, a ponto de alguns desses profissionais se afastarem imediatamente”, diz.
A liderança explica que um abaixo assinado que estava sendo apresentado naquela ocasião, o que foi feito a seguir só não reuniu ainda um maior número por causa das intimações promovidas pelos próprios “manos”. A liderança tentou até estabelecer sem muito sucesso um diálogo com estes para tentar demonstrar que a ausência de médicos e o mau funcionamento dos postos de saúde e do AMA podem ser prejudiciais a eles próprios e suas respectivas famílias. Sem sucesso. “Não temos outra saída a não se chamar a polícia, entretanto, tem ocorrências como as da realização dos bailes funks, que sequer eles consideram emergência”.
A indignação da comunidade; das pessoas que residem, trabalham ou se ocupam na região é crescente, na mesma proporção do nível cada vez mais insano dos problemas.
Segundo relato dos presentes uma base comunitária que existia na entra do Carraozinho era o suficiente para inibir o crescimento desses problemas. Pedem de forma quase desesperada que na impossibilidade de se aumentar o efetivo ou a presença física da polícia pelo bairro que se reinstale uma base comunitária. “Estamos quase em pânico e nas unidades, por vezes, ainda temos que receber gente de outros bairros que procuram atendimento. Ou seja, aumentam a procura nos postos e também as ocorrências de violência”. Uma hora alguns tiros que andam acertando carros e paredes vão acertar alguém, mesmo porque já pode ser visto nas ‘quebradas’ do lugar gente do crime armada até com metralhadora.
A partir da mesa o inspetor da GCM considerou que o efetivo ainda pequeno tenta acompanhar as demandas crescentes. Eles próprios têm sido solicitados até a acompanhar pacientes com maiores dificuldades e temor em alguns agendamentos nas unidades. Reconhecem a situação e contribuem como podem.
A liderança retoma comentando que quando da construção do Ceu São Mateus havia um espaço destinado para uma base comunitária de segurança originalmente. Foi desocupado e posteriormente para acomodar a segurança própria do equipamento. A volta de uma base ali poderia contribuir para diminuir a ocorrência de crimes no local. “Temo muitas biqueiras no Jardim da Conquista e há muitas reclamações com assaltos e violências contra trabalhadores. Mulheres são agredidas apenas para entregar bilhetes únicos que são usados no transporte. A missão do trabalho do Conselho Tutelar também agrava a situação. Existem muita droga e meninas adolescentes grávidas e até com filhas recém-nascidas no colo podem ser vistas convivendo com tudo isso”, completa.
Conseg reconhece a gravidade da situação
O presidente do Conseg exibe cartas e e-mails recebidos reclamando da falta de ronda escola, falta de policiamento. “Temos relatado essas reclamações e situações as instâncias superiores do Conseg, mas as respostas e as providências são raras”, diz. “Da nossa parte, também sofremos ameaças e temos nossas limitações no envolvimento com esses assuntos por conta dos riscos, mas, todos, compreendemos que precisamos mudar esse estado de coisas”, emenda.
Ausência das polícias na reunião é criticada
“Pensei que chegaria a essa reunião aqui com essa comunidade, com os trabalhadores da saúde e da educação e que encontraria aqui com representantes da PM e da PC, mas, lamentável, nenhum deles aqui”, disse outra liderança que denuncia que não se trata apenas de falta de efetivo, mas da forma que ele esta distribuído pelas regiões da cidade. “Estou há quase 25 anos aqui e nunca vi uma situação tão grave e alarmante. Nunca havia visto alguém armado, agora no Jardim da Conquista vi um jovem andando com metralhadora a tiracolo”, se indigna. Desde a ocorrência dos confrontos recentes com a polícia militar não se vê mais polícia passando pelas ruas. “Os responsáveis pela Segurança, seus comandantes e o governo precisam conhecer a situação. De vez em quando a GCM, mas isso não basta”.
Houve quem se reconhece a beira de um ataque de nervos, tendo de conviver a contragosto com os ‘pancadões’ de rua que insistem em ser em volume ensurdecedor, fora de hora, com uso e abuso de bebidas, drogas e prostituição envolvendo desde crianças até famílias inteiras e onde o tráfico e os problemas correm soltos. “E não adianta chamar, mesmo que várias vezes ao dia, a polícia através do telefone 190″. Será uma gravação informando que aquilo não se trata de emergência. Que mais eles querem que aconteça? Que haja tiroteio, mortes e arrastões durante a festa? “Pois isso, às vezes, acontece”, dizem.
Outro morador, surpreendentemente jovem fez um organizado relato assumindo várias ligações, fotos e filmagens que fez de forma disfarçada para mostra o alto grau de perturbação que os ‘pancadões’ promovem. Fez mais; entregou fotos, filmagens a algumas estações de tevê que chegou a exibi-las e percorreu várias delegacias e companhias da PM, enfim onde alguém que pudesse ouvir e eventualmente tomar providências com relação às comprovadas denúncias. “Gostaria de ter a esperança que esse Conseg encaminha alguma coisa”, emendou mesmo lamentando a ausência dos representantes da segurança na reunião.
Entre as denúncias – o jovem revelou que em um dos locais de maior ocorrência dos ‘pancadões’ é, por ironia, um funcionário público _não disse onde ele estaria lotado, um dos promotores da zoeira. “Ele tem um bar no local e é ele que guarda e recolhe os equipamentos de som quando está chovendo ou quando encerra o tormento da vizinhança”.
Nesse instante houve quem se lembrou de comentar que o prefeito Fernando Haddad havia se pronunciado que reconhecia o funk como uma manifestação de cultura. “Já que ele acha isso, poderíamos pedir para que os pancadões fossem à frente da casa dele”, arrancando aplausos entusiasmados.
Escolas também sofrem com o abandona da segurança
Representantes das escolas locais e solidários as dificuldades do trabalhadores da saúde e da comunidade vitimada, também relataram parte de suas dificuldades e entre elas o enfrentamento quase que diário com crianças, jovens e adolescentes, às vezes alunos e às vezes, o que é mais grave, não estudantes com constrangimentos, ameaças, furtos, agressões e até roubos em plena luz do dia.
Em um dos casos relatados, uma professora que mesmo estando a pouco tempo da aposentadoria por tempo de serviço está afastada por problemas psicológicos oriundos de agressão. “Nossa colega está afastada há 120 dias e terá que repor parte desses dias às vésperas de se aposentar. Tudo isso por causa de agressões de bandidos locais”, expõe um dos educadores.
O educador reflete que vem crescendo certo clima de ignorância, beligerância, falta de gentilezas e disciplina nas escolas de uma forma geral. Se, antes os alunos guardavam certo respeito com os educadores, hoje os conflitos e confrontos são cada vez mais intensos e graves. Entre xingamentos e empurrões tem sido mais comum a presença da polícia requisitada para tentar atuar depois dos problemas acontecidos. “É preciso que o governo, as áreas de segurança, as famílias e as comunidades não comprometidas com o crime e as contravenções tomem posição e tentem mudar o quadro. A continuar dessa forma vai chegar o dia em que não haverá nem professores, nem escola e isso seria o fundo do poço”, comentam.
Encaminhamentos, nenhum; desejos, muitos
Ao final da reunião que ainda escutou o depoimento sobre até mesmo às dificuldades da imprensa televisiva de trabalhar o assunto localmente, tendo suas equipes sendo ameaçadas e uma delas até seu veículo de trabalho roubado, restou ao Conseg escrever mais uma ata e seguir o seu fluxo de informação.
Para a reportagem, entretanto, se fosse para resumir a ópera, diríamos que melhorar e intensificar a ronda escolar; aumentar o efetivo e a presença da polícia militar no trabalho preventivo; aumentar da produtividade da polícia investigativa para dar sequência às centenas de denúncias anônimas registradas, ou não, no sistema; fazer o conselho tutelar funcionar; ter a guarida das varas da infância; responsabilizar pais e responsáveis para que primeiro eduquem seus filhos e segundo respondam colateralmente pelos atos dos seus; instalar câmaras de segurança e seguranças públicas ou privadas nos equipamentos de saúde e escolas públicas poderia ajudar a minorar os problemas.
Vamos além. Vale educar os responsáveis; vale criticar e cobrar maior responsabilidade e contribuição educativa de televisões e dos programas de grande audiência; vale também melhorar as atuais leis recentemente aprovadas com respeito ao barulho dando poderes às polícias para atuar nos flagrantes sem necessidade de denunciantes.
Por fim uma dica gratuita desse jornalista. Pode se desenvolver um trabalho de infiltração e de inteligência. Colocando algum agente policial para que localize o endereço ou os carros com suas respectivas placas dos que fazem barulho, citando-os, por escrito, em outro dia em delegacia próxima para ser orientado ou autuado na forma da lei. Simples né? Não precisa se confrontar durante a bagunça, mas chamando às falas por intimação. Se gerar multas então, muita gente aprende. (JMN)
SAVRE – FESTA DE ANIVERSÁRIO DA VILA RÉ: 89 ANOS DE VILA RÉ
Para ampliar a cidadania, FDZL firma convênio com a Unicastelo
Projeto Zona Leste Cidadã
Operação Urbana Rio Verde-Jacu e Propostas para o Desenvolvimento Econômico nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo.
Valter de Almeida Costa – Supervisor Escolar da Diretoria de Educação de Itaquera (PMSP). Formado em História e Pedagogia, é Mestrando da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP. Foi Presidente do FDZL na gestão de 2004 a 2006. É Diretor de Educação do FDZL. Foi membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2004) e Conselheiro Eleito do Conselho Municipal de Política Urbana de São Paulo, representando a Macro Região Leste II (2006 e 2007).
Eduardo Pinheiro Borges – É empresário. Foi Presidente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste (Gestão 2003 a 2004). É Diretor de Urbanismo do Fórum. Bacharel em Ciências Contábeis. Idealizador do Projeto Viário Marginal Tietê-Guaianases (Extensão da Radial Leste). Foi membro do Conselho Gestor da Lei da Operação Urbana Rio Verde-Jacu (em 2004) e membro do Conselho Gestor da Lei de Incentivos Fiscais Seletivos para a Área Leste (em 2005). É presidente da Associação de Lojistas e Moradores de 15 de Novembro.
Conteúdo
A apresentação destaca algumas das Propostas para o Desenvolvimento Econômico da Zona Leste contidas nos Planos Regionais Estratégicos de Itaquera, São Miguel, São Mateus e Ermelino Matarazzo, revendo os conceitos do Plano Diretor, Planejamento Urbano, com dados sobre o perfil sócio-econômico de suas populações. Das propostas de desenvolvimento são analisadas especialmente as contidas nas Leis da Operação Urbana Rio Verde jacu e a da Lei de Incentivos Seletivos para a Área Leste, com a identificação das ações que tiveram prosseguimento e das ações que foram interrompidas nos últimos anos. Também é feita uma análise da qualidade da participação da sociedade local nas discussões para o Planejamento Estratégico.
Objetivos
Propiciar o conhecimento ou a revisão das principais propostas que foram formuladas para o Desenvolvimento do Extremo Leste de São Paulo nos últimos seis anos (desde a aprovação do Plano Diretor Estratégico de S.P., em 2002), de modo que os participantes da Formação possam compreender os projetos, verificar quais foram executados e quais foram suspensos; e estimular a constituição de grupos permanentes de pesquisa sobre os problemas e projetos locais formados por ativistas comunitários e educadores.
Sumário
1 – APRESENTAÇÃO DO PROJETO
2 – AS PROPOSTAS PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO NOS PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS
3 – O PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DE SÃO PAULO
4 – PLANO PARTICIPATIVO X PLANO TECNOCRÁTICO
5 – OS PLANOS REGIONAIS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E ERMELINO MATARAZZO
6 – DADOS SÓCIO-ECONÔMICOS DA POPULAÇÃO
7 – A OPERAÇÃO URBANA RIO VERDE-JACU
8 – O PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA ZONA LESTE
9 – O PROGRAMA DE INTERVENÇÕES (EXTENSÃO DA RADIAL LESTE E JACU-PÊSSEGO)
10 – AS PROPOSTAS PARA A HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL
11 – AS ÁREAS DE PROJETOS ESPECIAIS (PARQUES JACUI, LIMOEIRO, JACUPEVAL, BOAS NOITES, RIO VERDE E RIO ITAQUERA)
12 – O PLANO PLURIANUAL DE 2006 A 2009
13 – A PROPOSTA DO GRUPO DE ESTUDO PERMANENTE
Bibliografia
SÃO PAULO (CIDADE). Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente – Atlas Ambiental do Município de São Paulo – o Verde , o Território, o Ser Humano: Diagnóstico e Bases para a Definição de Políticas Públicas para as Áreas Verdes no Município de São Paulo/ Coordenação de Patrícia Marra Sepe e Harmi Takiya – São Paulo :SVMA, 2004.
GEO Cidade de São Paulo: Panorama do Meio Ambiente Urbano/SVMA, IPT – São Paulo: Prefeitura do Município de São Paulo. Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente; Brasília : PNUMA, 2004.
PLANO DIRETOR ESTRATÉGICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2002-2012/Secretaria Municipal do Planejamento Urbano do Município de São Paulo (Sempla) (organização) – São Paulo: Editora Senac São Paulo; Prefeitura Municipal de São Paulo, 2004
SÃO PAULO – PREFEITURA DA CIDADE DE SÃO PAULO – SECRETARIA DE ASSISTÊNCIA E DESENVOLVIMENTO SOCIAL – PLAS – PLANO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL DA CIDADE DE SÃO PAULO – Suplemento do Diário Oficial da Cidade de São Paulo – Número 89 – 13 de maio de 2006
PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – PLANOS REGIONAIS ESTRATÉGICOS – PRE – MUNICÍPIO DE SÃO PAULO – SUBPREFEITURAS DE ITAQUERA, SÃO MIGUEL, SÃO MATEUS E E. MATARAZZO. PMSP. Organização Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SEMPLA). Colaboração: Secretaria Municipal das Subprefeituras- Série Documentos. São Paulo. 2004


































