Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

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Temer vai se dando bem com fim de ano alienado

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Fique à pampa, presidente interino e golpista. O povo não está nem ai para as suas malvadezas. Num tempo em que o luto faz mais sentido e a disposição para a luta se faz mais do que necessária, às coisas continuam como dantes e o povo, principalmente das periferias, seguem o curso do boi no abate, mas de forma festiva para as cerimonias próprias da passagem de ano.

Não fazem absolutamente nada de diferente do que fazem quando podem; quando suas rendas permitem. Reúnem-se em famílias, amigos, comunidades e destilam toda sua efêmera felicidade através dos exageros, de gosto duvidoso com muita bebedeira, muita música alta vindas de todos os cantos; com muitos motoristas irascíveis e afobados se apropriando de todo e qualquer espaço em detrimento da circulação de pedestres; todos se preparando para um foguetório que logo mais vai deixar qualquer cão mais experiente em pânico.

Bastou circular em distintos lugares do mesmo universo da pobreza paulistana para ver quão óbvio é controle da indústria cultural sobre corações e mentes. Todos, quase que de maneira uniforme exibem as mesmas práticas, escutam as mesmas músicas, reproduzem as mesmas posturas e propostas que resumidamente é demonstrar o quanto o ano novo é aguardado e que a felicidade, mesmo que à custa de muito álcool, gritaria, musica e algazarra, daquelas que providenciam o devido entupimento do cérebro e da capacidade cognitiva de pensar e repensar o que é essa tal felicidade é o que se busca.

Neste exato momento, 16 horas, é possível ver pessoas aflitas fazendo as últimas compras de carnes, embalagens de carvão vegetal, energéticos e uísque de segunda linha, além de baldes de cervejas a serem consumidas desesperadamente logo mais. Quando mais atentos até levam refrigerantes para as crianças. No limite ganham as ressacas e a vida mudada pelo interino golpista não muda

Qual o motivo da festa? Seria pelo encaminhamento final do Sistema Único de Saúde, o fim da previdência pública em benefício da privada; do aumento da carga de trabalho sem geração de novos empregos; o final da democracia com o golpe do parlamentarismo que se constrói meticulosamente para o próximo período, entre outros; ou será ainda porque o País será salvo com a aparição mais constante da primeira dama golpista na mídia, conforme esboço de proposta revelada por revista de grande circulação nacional?

Em tempos obscuros como o tal que estamos passando, um povo esperto estaria se preparando para as escaramuças futuras, não delirando em busca da felicidade fugaz, inconsequente e atrasada. Festejar com parcimônia e educação é bom, mas os motivos precisam estar presentes e 2016 e o que se anuncia para 2017 definitivamente não é motivo de festa, mas de refrega.  (JMN)

Written by Página Leste

31 de dezembro de 2016 at 18:55

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Que o ano de 2017 seja menos 2016

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Então é assim, chegamos vivos ao final de mais um ano deste novo século e isso é algo a comemorar com toda certeza, principalmente por nós brasileiros. Definitivamente um povo sofrido, desrespeitado, massacrado e até certo ponto envergonhado.

Envergonhado por outros tantos, poucos, mas poderosos brasileiros, que durante todos os dias deste ano tiveram seus nomes envolvidos em manchetes, em denúncias, em investigações. Outros poucos, quase nenhum, que faziam coisas nobres e boas ações apareceram e sumiram engolidos pelo mar de lama da política nacional. Você nem bem destacava uma coisa boa para vir logo duas coisas ruins, tipo muito soco na cara e pouco carinho e nada de apaziguar nossos doloridos corações.

Somos eu e você, caro leitor, sobreviventes machucados de uma tormenta que já alguns anos se estabeleceu nos ares do País e que não nos trouxe paz nem reconforto, mas sim muita agonia, muita raiva, muita vontade de proferir palavrões, na maioria das vezes engolidas a seco que, sabemos, faz mal a saúde. A nossa saúde mental com esse tanto de desaforos que temos que aturar vai cada vez mais se deteriorando.

Não bastasse a delicada situação econômica e social do País e uma insegurança cada vez mais assustadora, ainda temos que digerir até o final deste e certamente o começo do próximo ano os malfeitos e a desfaçatez dos nossos políticos; sejam aqueles aninhados em Brasília no Congresso Nacional, Câmara e Senado, seja do outro lado ali no Executivo onde está agora o Temer e uma porção de ministros temporãos, onde com exceção de poucos vários tiveram passagem relâmpago pelo Executivo, a maioria acusados de corrupção, de uso indevido de suas prerrogativas, tráfico de influência etc. Ou seja: uma vergonha!

Mas tivemos também nossas travessas alegrias. Este ano conseguimos demonstrar aquilo que de uma forma geral pensamos: os políticos são uns “tranca rua” e precisamos dar-lhes uma lição, a única possível na atual conjuntura.

A população foi às urnas para dizer um sonoro não ao atual estado de coisas. Com a aritmética não se discute e de uma forma geral os brancos, nulos e ausências foram os grandes vencedores nos principais pleitos. Venceu até certa forma de fazer política que se apresentou como não política o que pode ser também um cavalo de Tróia. Vamos aguardar e conferir.

Independente das dificuldades, sobrevivemos e queremos melhorar. Queremos contar com os bons, os corretos, os que assumem suas responsabilidades, que sabem se comportar de maneira digna e honrada diante das dificuldades, queremos contar com esse tipo de gente; é o que 2017 espera de nós. Que os políticos tome jeito e vergonha na cara e que cumpram a risca sua principal função que é pensar o bem comum.

Da nossa parte queremos dizer que vocês são vencedores, que apesar de feridos, doloridos e magoados sigam no caminho do bem. Para você e apenas para você quero desejar aqui toneladas de esperanças, quilos de felicidade e de harmonia em seus lares e comunidades.

Vamos contar conosco em mais essa travessia. Que a esperança e bondade inundem nossos lares. Boas festas e um ótimo 2017 para nós que merecemos. (JMN)

Written by Página Leste

20 de dezembro de 2016 at 20:17

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No sufoco Morro do Cruzeiro pede socorro

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Já faz tempo que lideranças e este jornal se preocupam com o ingrato destino do Pico São Rafael o Morro do Cruzeiro ou ‘Mutuçununga’, em seu nome indígena original, que vem sendo dilapidado de sua flora e fauna nativa pela ação antrópica ou para ficar mais claro ação humana, irresponsável e criminosa.

E ação criminosa não é o que falta. Nestes dias de outubro pessoas chegavam de carro com pás, enxadas e outras ferramentas para derrubar o que resta de vegetação, tocar fogo ou limpar terreno preparando uma ocupação posterior se apropriando do que é público conforme denúncias e fotos dos moradores enviadas à redação. No dia 25 a redação foi informada que a subprefeitura estaria tomando providências no dia 27 para coibir o que parece ser uma “indústria da invasão”, conforme definição dos vizinhos. (veja box, nesta página).

Em face ao bom senso e a legislação ambiental existente a deterioração do morro de sua vegetação nativa constantemente ameaçada tem importante impacto para a saúde da cidade e para a qualidade de vida dos seus cidadãos.

É desastroso o que vem acontecendo no local, segundo ponto mais alto da cidade com 998 metros de altitude e de onde pode ser contemplado muito da cidade de São Paulo e arredores como as diversas elevações da Serra do mar. Apesar de se tratar de parte de uma Área de Proteção Ambiental APA que abriga nascentes dos rios Aricanduva, Limoeiro e Rio Palanque, todos deles, alias, sofrendo severos impactos dessa interferência além de suas próprias devido às proximidades com ocupações humanas irregulares ou não.

A reportagem esteve no local em diversas oportunidades e a cada visita o quadro só tem piorado. Andando pelas trilhas de acesso até o topo do morro registramos a presença de carcaças de carros, inservíveis, pontos viciados, vegetação derrubada, queimadas e alguns pontos viciados de entulho ou restos que as pessoas, infelizmente, não sabem levar aos ecopontos disponíveis ou locais apropriados.

E porque essas coisas ocorrem? Em geral pela ação predatória e irresponsável dos moradores próximos ou medianamente distantes. As pessoas vão reformando e construindo suas casas, muitas vezes avançando em áreas publica, na maioria das vezes de forma irregular e despejando seus entulhos onde for mais próximo desde que não seja na sua porta.

Se a sociedade além das lideranças tem que estar vigilantes com o que vem acontecendo cabe aos moradores mais próximos se conscientizarem da importância daquele patrimônio, mas, também e principalmente o poder público que precisa agir de maneira mais incisiva. Agindo pela parte da segurança vigiando e autuando os depredadores de todas as espécies e pela parte administrativa cuidado de propor e realizar ações que possam, de fato, fazer do local aquilo que é a sua vocação: um ponto turístico e saudável da cidade.

Subprefeitura coíbe ocupação irregular

 

Subprefeitura retira os ocupantes da área em que já haviam arrancado árvores e a vegetação

 

Em operação realizada na manhã do dia 27, a subprefeitura de São Mateus, que já vinha monitorando a movimentação desde uma semana antes, conseguiu com o apoio da Guarda Civil Metropolitana e GCM Ambiental, da Secretaria do Verde e Meio Ambiente e do setor de fiscalização realizou uma ação de desocupação das pessoas que estavam tentando promover a ocupação, retirando 70 barracos e desfazendo cerca de 300 demarcações de lotes. Convidada a Polícia Militar não compareceu. Em números exatos de guardas civis metropolitanos foram 58.

Com o apoio da comunidade local que manteve informada a subprefeitura a ação foi realizada pode ser realizada. No mesmo dia, tanto quanto possível funcionários da subprefeitura iniciaram um replantio em diversos pontos do local onde os invasores já haviam retirado árvores e vegetação.

Um dia após a ação, no dia 28, aconteceu no gabinete do subprefeito Fábio Santos uma reunião preparatória de uma caminhada comemorativa de retomada do Morro do Cruzeiro com lideranças da comunidade e demais interessados para o dia 4 de dezembro.

 

Contrariados, invasores fazem manifestação

Nas proximidades do Parque Sapopemba no Jardim Rodolfo Pirani os ocupantes retirados dos terrenos no morro, contrariados, tentaram promover o fechamento das pistas do Rodoanel na manhã intervenção sem sucesso, apesar dos transtornos que causaram por algum tempo.

Written by Página Leste

1 de novembro de 2016 at 12:25

A criminalidade cresce, o valor da vida diminui

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Estupros, latrocínios, roubos, crimes de toda ordem ganham números cada vez maiores e expressivos no Brasil, principalmente nos grandes centros. Onde foi que todos nós erramos; se é que erramos? Esse artigo não tem a pretensão de responder, mas faz um ensaio.

Com o que estamos vendo já não é mais possível deixar de reconhecer que a violência vem crescendo na sociedade brasileira. Seja aquela institucional, de cima para baixo, com as malvadezas que, em geral, os governos fazem em forma de novas leis com apertos daqui e dali que complicam um pouco mais a sempre difícil vida dos mais pobres. É o caso, agora, da segunda aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional PED 241 que limita os gastos e afeta a disponibilidade dos serviços públicos; seja aquela da violência física mesmo e essa assusta tanto quanto ou mais.

Depende da posição em que a pessoa está vai dar palpite sobre o assunto. Se religiosa é uma; se tem uma compreensão que tem da sociedade atual é outra, se olha para as relações humanas ou para o aspecto sócio econômico das comunidades ainda outra. Cada qual vai ter uma visão. Vou fazer uma tentativa de dar um e outro palpite a partir de uma e outra entre essas posições.

Supondo que eu seja uma pessoa muito religiosa, porque espiritualizada eu sou, cheia de regras de comportamento baseado na fé e prática religiosa eu poderia dizer que esses crimes horrendos que podemos acompanhar no dia a dia, constantemente revelados nos programas televisivos policialescos têm a ver com a falta de Deus no coração, de falta de temor d´ele, de falta de orientação religiosa.

Num outro papel, por exemplo, de pessoa que observa com atenção os comportamentos na sociedade eu poderia dizer que esses crimes, em geral, envolvem gente de pouca ou baixíssima educação, não aquela educação do aprendizado nas escolas, mas aquele dos bons modos, da educação e do respeito aos mais velhos e aos semelhantes.

Poderia também, nesse esforço de cientista social dizer que a pobreza em que as pessoas estão envolvidas determina mais proximidade com a criminalidade, o que seria quase falso, porque todos nós conhecemos, e aos montes. gente pobre, mas honrada, educada, respeitadora.

Poderia eu também analisar que a sociedade de consumo, competitiva até os últimos fios de cabelo, somada ao excesso de gente nos centros urbanos, determina sinais cava vez maiores de inveja entre as pessoas e coisas; de frustração com as dificuldades da vida e a adoção de expedientes nada honrados, buscando levar uma vantagem aqui e ali; não devolvendo troco recebido a mais; surrupiando pertences dos outros e por ai vai.

Poderíamos também ainda ver aqui e ali sob a luz da saúde mental das pessoas cada vez mais combalida; do uso abusivo das drogas lícitas como o álcool e o tabaco ou das ilícitas com suas consequências seja com a impregnação e a inconsciência das pessoas quando em uso e nas relações que se pratica para consegui-las.

O fato é que as explicações para esse estado de coisas possa ser a soma dessas e outras visões. O que se tem claro é que não mais se dá valor à vida humana como se deu um dia. Se num passado não muito distante crianças precisavam ser advertidas apenas com o olhar de censura dos pais, hoje, por vezes, nem castigo e palmadas resolvem, aliás, a depender em que contexto essas palmadas são dadas, ainda pode ser pior.

Resumindo, mas agora com certeza, o valor da vida humana, principalmente em sociedades de baixa educação como é o caso do Brasil, onde estamos entre os países mais ignorantes do planeta é quase nada. (JMN)

Written by Página Leste

1 de novembro de 2016 at 12:21

Violência no Brasil cresce e se expande

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Segundo o Mapa da Violência 2014, divulgado no começo do mês de julho, em 2012, último ano com informações consolidadas, 112.709 pessoas morreram situação de violência no país. Isso é o mesmo que 58,1 habitantes para cada grupo de 100 mil pessoas e é a maior da série histórica do estudo, divulgado de dois em dois anos.

Nessa conta foram 56.337 vítimas de homicídios, 46.051 de acidentes de transporte que incluem acidentes de trânsito urbano e rural além de mortes aéreas e marinhas. De suicídios 10.321. Números que podem parecer modestos quando comparados com o tamanho da população brasileira, mas que, de fato, são significativos.

Os jovens, em geral, os que arriscam mais ou tem a cabeça mais quente, na faixa entre 15 e 29 anos constituíram 53,4%. Também nessa faixa as taxas de homicídio passaram de 19,6 em 1980, para 57,6% em 2012, a cada 100 mil jovens.

Segundo os responsáveis pela análise dos dados, ainda não é possível saber se 2012 foi um surto ou se realmente estamos inaugurando um novo ciclo ou nova tendência: de mais violência. Entre as causas as greves de agentes das forças de segurança em alguns estados ou o ataque de grupos organizados podem estar entre as razões. Eu direi mais a frente que tem outras.

E não foi apenas no Sudeste que cresceu; as regiões Norte e Nordeste também explodiram em violência. Sul e Centro Oeste tiveram aumentos percentuais de 41,2% e 49,8% respectivamente. No Sudeste, a situação foi mais variada, com diminuição significativa em estados importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo.  Já em Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002 e 2012. Vale registrar que Maceió, a mais violenta, passou dos 200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.

Bem deixando a interpretação dos números para os especialistas, quero considerar que a situação para além dos números, de casos que conhecemos e tomamos conhecimento, são de alarmar mesmo. Se políticas públicas, mesmo que raras em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro podem ter diminuído um pouco a ocorrência de homicídios acrescento que alguns membros da segurança dizem que esses números baixaram por interferência do próprio crime organizado que fez uma espécie e pacto com o seu time para não matar a esmo, pois atrapalham os negócios. Se assassinatos estão ou não sobre controle, as barbeiragens no trânsito cada vez mais intenso e caótico não. E juntando com as confusões e desentendimentos comuns dão sua contribuição para manter os números altos.

No trânsito, as principais vítimas são os motociclistas. Só para ilustrar, se em 1996 foram 1.421 óbitos, em 2012 foram 16.223. Cerca de 1.041% de crescimento.  E isso é mais fácil da gente conferir. Quantas motocicletas com um condutor e, às vezes, com um ‘garupa’ você é capaz de ver por dia? Quantos desses são de adolescentes, quando não crianças que, com certeza, sequer habilitação tem?

Nas cenas de violências e de homicídios, quantas são que você e eu conhecemos que acontecem entre famílias desestruturadas? E nas confusões de ruas com adolescentes e jovens sem limites e de educação beirando a zero você tem conhecimento? E quantas dessas vítimas têm algum envolvimento no crime, sejam os mais suaves até os hediondos? Como parte das respostas a essas questões há uma certeza de que a situação caminha por um caminho de volta complicado. Existe muita aposta na impunidade, na malandragem, e nos recursos que a própria lei disponibiliza para safar os infratores.

Os números não mentem, mas não explicam. Você e eu podemos ter nossas opiniões a respeito, mas se tem uma coisa comum que todos podemos ver é que, a cada dia que passa, não conseguimos perceber que as pessoas estão mais gentis, educadas e dispostas a perdoar. Menos dispostas ainda a fazer o bem ao seu semelhante. É um querendo engolir o outro, levar uma vantagem aqui, outra acolá. Preocupados tão somente consigo próprio e de tabela um pouco com seus parentes próximos.

A regra geral é se virar; se dar bem mesmo que para isso se cometa injustiças com o outro. Isso é tendência. Isso é o caminho que a sociedade, cada vez mais barbárica, mas pensando que está melhorando está trilhando.

Não sabemos ao certo como fazer para reverter esse quadro que se apresenta; cada vez mais feio e desagradável. Eu, da minha parte, vou me fiscalizando para tentar ser cada vez mais justa e boa e sei que é isso que tenho que fazer. É uma gota no oceano, mas com uma gota de cada um criaremos um mar cada vez mais calmo para nossa curta passagem por essa terra. Dá para você fazer a sua parte? (JMN)

Written by Página Leste

15 de agosto de 2014 at 12:16

Publicado em Comportamento, segurança

Sem educação, parir filhos vira negócio

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Um dia desses conversei com um amigo colaborador do jornal e não precisou muito para chegar à conclusão de que um dos mais sérios problemas que o Brasil enfrenta e enfrentará no futuro próximo não está na economia, na existência ou não de recursos, na falta de criatividade, nem nas diversas formas possíveis do país continuar existindo e oferecendo condições minimamente dignas de vida aos seus moradores. Está dentro de cada lar. É a tal da falta de educação básica, de berço, familiar.

E não há nada de moralismo tacanho subsidiando essa conclusão. Não estou preocupada e apreensiva com os modernismos que atual sociedade da tecnologia proporciona. Destas, as pessoas estruturadas podem tirar melhor proveito para, de novo, viver melhor ou mais dignamente.

O que me chamou a atenção é o excesso de licenciosidade com que as crianças de hoje, de ontem ou de anteontem estão sendo criadas. De uns trinta anos para cá é visível o mau uso que tem sido feito com a existência de mais informação e mais liberdade. Da liberdade de conhecer o que antes era censurado; da liberdade relativa de conhecer o que se quer e o que se procura. Ou seja, há tanta coisa interessante para se conhecer e se fazer, mas a falta de educação empurra gerações inteiras para caminhos duvidosos.

Dois fatos e duas situações revelam o que preferíamos não ver.

Em uma delas, em apenas uma rua podemos contar cerca de 30 jovens em idades diferentes entre si que poderíamos dividir entre os que têm acima de 20; os que têm de 15 a 20 e os menores que vão dos 10 aos 15 anos. Pois bem, nesse caso em tela, no passar dos últimos dez anos, apenas três desses 25 jovens, na faixa dos 20 anos, estão minimamente preparados para conviver adequadamente na sociedade de agora e do futuro.

Explico. Com exceção desses três, dos quais dois são irmãos em família com melhor condição econômica e outra que está graduando em universidade federal com pais que tem empregos regulares, todos os outros tem um presente e um futuro, no mínimo temerário.

Todos os outros 25, menos de cinco trabalham e os que sobram estão na criminalidade como os mais velhos. Na faixa intermediária dos 15 a 20 anos, todos estão nas escolas, mas com certeza cumprindo tabela e prestes a abandonar os estudos tão logo concluam o ciclo básico e os menores, também nas escolas, passam a maior parte do tempo feito bichos soltos e complemente abandonados de fiscalização dos pais que mal tem ideia do que rola nas ruas. Algumas entre essas crianças são capazes de coisas impossíveis de se descrever. Qual será o fruto disso tudo?

Outra situação que nos chamou a atenção na conversa diz respeito a uma prática ainda mais grave e perniciosa e que ao final alimentará essa roda viva da situação acima.

Cresce o número de adolescentes muito jovens que vem parindo filhos sem que estejam em relacionamentos estáveis. Pessoalmente conheço vários casos de meninas que buscam na Justiça pequenas pensões para o suposto sustento de seu primeiro filho; menos de um ano e meio depois a mesma menina entra na justiça para obter a segunda pensão de outro pai e menos de seis anos depois chegou ao quarta pensão para os quatro filhos, cada um de um pai diferente.

Acontece que em seis anos ela poderia ter se formado em alguma coisa ou poderia estar trabalhando, mas não, está lá na mesma ignorância de antes reproduzindo tudo que sabe _o que é muito pouco ou talvez nem isso para a sua prole. E ainda no mesmo caso citado ela nem se dá ao trabalho de cria-los sozinha ela conta com uma forte entidade que recebe recursos via convênio para cuidar em forma de creche dos seus filhos, ou fonte de receita.

Tanto num caso como em outro é possível perceber que as coisas poderiam ser diferentes e só se reproduzem constantemente não por falta de escolas onde se adquire conhecimento, mas por falta de berço, daquilo que chamamos aqui até de bons modos. Se num tempo muito remoto respondíamos aos nossos pais com educação e respeito, hoje nas famílias desestruturadas essa cerimônia acabou. Se antes, entre os que tinham religião até bênçãos pedíamos aos pais, hoje chamar de você e trocar palavrões virou maneira de se conviver.

O que hoje se vê é também resultado do que se assiste em muitos programas de televisão, com destaque para as novelas cujo poder de dominar corações e mentes de gente despreparada.

E a pergunta do leitor pode ser: o que essas duas situações tem a ver ou tem importância? E é aqui que respondo: essa situação é muito mais comum e corriqueira do que possamos imaginar. Não são apenas 25 jovens em uma determinada rua; são milhares de ruas na mesma situação. E nem é apenas aquela moça que faz do parto de novos filhos um meio de subsistência; são milhares.

Dai a pergunta é minha: vai sair algum futuro bom e promissor desse atual estado de coisas? Não, não vai e passou da hora dessa educação familiar ser preocupação da sociedade organizada e do Estado, por exemplo, vigiando o que é feito com as suas concessões de TV para as emissoras?

Lembro aqui do alerta que ouvi no contexto de uma reportagem que fiz onde o interlocutor me dizia que existem sérios estudos indicando que se o Estado e toda a sociedade se envolver firmemente no propósito de ser um país civilizado, mesmo assim a tarefa deverá levar uns 36 anos. (LM)

Written by Página Leste

21 de julho de 2014 at 13:47

Publicado em Comportamento, Educação

Reunião revela estado de calamidade, mas segurança não estava presente para escutar

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Marcada pela ausência dos representantes da Segurança, reunião do Conseg revela um quadro temerário em certas regiões de São Mateus

A última reunião do Conseg São Mateus no dia 15 de abri foi marcada pela ausência de representantes da Policia Militar e da Polícia Civil, nenhum comandante nem delegado titular do 49º Distrito Policial compareceram para ouvir as graves queixas, mas, também pela presença de mais de meia centena de munícipes que compareceram para fazer e apoiar diversas denúncias. Além do presidente do Conseg, José Moreira compôs a mesa o subprefeito de São Mateus, Fernando Melo e o Inspetor Osmar da Guarda Civil Metropolitana baseada em São Mateus que representava o inspetor geral que não pode comparecer em razão de outros compromissos.

Como de praxe após aberta a palavra uma representante do conselho de saúde do Jardim da Conquista III, retomou as mesmas denúncias que foram objeto de nossa edição anterior (372) a respeito a crescente insegurança nas proximidades e nas unidades de saúde públicas da região. Em sua fala destacou as unidades do Jardim da Conquista que foi palco recente de inúmeras ocorrências criminosas e até alguns confrontos com a Polícia Militar e onde tem sido difícil convencer qualquer médico ou profissional do mesmo porte a trabalhar nos locais. “Os médicos tem sido roubados, agredidos e vítimas de tentativas de sequestros. As agressões ocorrem quase todos os dias, a ponto de alguns desses profissionais se afastarem imediatamente”, diz.

A liderança explica que um abaixo assinado que estava sendo apresentado naquela ocasião, o que foi feito a seguir só não reuniu ainda um maior número por causa das intimações promovidas pelos próprios “manos”. A liderança tentou até estabelecer sem muito sucesso um diálogo com estes para tentar demonstrar que a ausência de médicos e o mau funcionamento dos postos de saúde e do AMA podem ser prejudiciais a eles próprios e suas respectivas famílias. Sem sucesso. “Não temos outra saída a não se chamar a polícia, entretanto, tem ocorrências como as da realização dos bailes funks, que sequer eles consideram emergência”.

A indignação da comunidade; das pessoas que residem, trabalham ou se ocupam na região é crescente, na mesma proporção do nível cada vez mais insano dos problemas.

Segundo relato dos presentes uma base comunitária que existia na entra do Carraozinho era o suficiente para inibir o crescimento desses problemas. Pedem de forma quase desesperada que na impossibilidade de se aumentar o efetivo ou a presença física da polícia pelo bairro que se reinstale uma base comunitária. “Estamos quase em pânico e nas unidades, por vezes, ainda temos que receber gente de outros bairros que procuram atendimento. Ou seja, aumentam a procura nos postos e também as ocorrências de violência”. Uma hora alguns tiros que andam acertando carros e paredes vão acertar alguém, mesmo porque já pode ser visto nas ‘quebradas’ do lugar gente do crime armada até com metralhadora.

A partir da mesa o inspetor da GCM considerou que o efetivo ainda pequeno tenta acompanhar as demandas crescentes. Eles próprios têm sido solicitados até a acompanhar pacientes com maiores dificuldades e temor em alguns agendamentos nas unidades. Reconhecem a situação e contribuem como podem.

A liderança retoma comentando que quando da construção do Ceu São Mateus havia um espaço destinado para uma base comunitária de segurança originalmente. Foi desocupado e posteriormente para acomodar a segurança própria do equipamento. A volta de uma base ali poderia contribuir para diminuir a ocorrência de crimes no local. “Temo muitas biqueiras no Jardim da Conquista e há muitas reclamações com assaltos e violências contra trabalhadores. Mulheres são agredidas apenas para entregar bilhetes únicos que são usados no transporte. A missão do trabalho do Conselho Tutelar também agrava a situação. Existem muita droga e meninas adolescentes grávidas e até com filhas recém-nascidas no colo podem ser vistas convivendo com tudo isso”, completa.

Conseg reconhece a gravidade da situação

O presidente do Conseg exibe cartas e e-mails recebidos reclamando da falta de ronda escola, falta de policiamento. “Temos relatado essas reclamações e situações as instâncias superiores do Conseg, mas as respostas e as providências são raras”, diz. “Da nossa parte, também sofremos ameaças e temos nossas limitações no envolvimento com esses assuntos por conta dos riscos, mas, todos, compreendemos que precisamos mudar esse estado de coisas”, emenda.

Ausência das polícias na reunião é criticada

Pensei que chegaria a essa reunião aqui com essa comunidade, com os trabalhadores da saúde e da educação e que encontraria aqui com representantes da PM e da PC, mas, lamentável, nenhum deles aqui”, disse outra liderança que denuncia que não se trata apenas de falta de efetivo, mas da forma que ele esta distribuído pelas regiões da cidade. “Estou há quase 25 anos aqui e nunca vi uma situação tão grave e alarmante. Nunca havia visto alguém armado, agora no Jardim da Conquista vi um jovem andando com metralhadora a tiracolo”, se indigna. Desde a ocorrência dos confrontos recentes com a polícia militar não se vê mais polícia passando pelas ruas. “Os responsáveis pela Segurança, seus comandantes e o governo precisam conhecer a situação. De vez em quando a GCM, mas isso não basta”.

Houve quem se reconhece a beira de um ataque de nervos, tendo de conviver a contragosto com os ‘pancadões’ de rua que insistem em ser em volume ensurdecedor, fora de hora, com uso e abuso de bebidas, drogas e prostituição envolvendo desde crianças até famílias inteiras e onde o tráfico e os problemas correm soltos. “E não adianta chamar, mesmo que várias vezes ao dia, a polícia através do telefone 190″. Será uma gravação informando que aquilo não se trata de emergência. Que mais eles querem que aconteça? Que haja tiroteio, mortes e arrastões durante a festa? “Pois isso, às vezes, acontece”, dizem.

Outro morador, surpreendentemente jovem fez um organizado relato assumindo várias ligações, fotos e filmagens que fez de forma disfarçada para mostra o alto grau de perturbação que os ‘pancadões’ promovem. Fez mais; entregou fotos, filmagens a algumas estações de tevê que chegou a exibi-las e percorreu várias delegacias e companhias da PM, enfim onde alguém que pudesse ouvir e eventualmente tomar providências com relação às comprovadas denúncias. “Gostaria de ter a esperança que esse Conseg encaminha alguma coisa”, emendou mesmo lamentando a ausência dos representantes da segurança na reunião.

Entre as denúncias – o jovem revelou que em um dos locais de maior ocorrência dos ‘pancadões’ é, por ironia, um funcionário público _não disse onde ele estaria lotado, um dos promotores da zoeira. “Ele tem um bar no local e é ele que guarda e recolhe os equipamentos de som quando está chovendo ou quando encerra o tormento da vizinhança”.

Nesse instante houve quem se lembrou de comentar que o prefeito Fernando Haddad havia se pronunciado que reconhecia o funk como uma manifestação de cultura. “Já que ele acha isso, poderíamos pedir para que os pancadões fossem à frente da casa dele”, arrancando aplausos entusiasmados.

Escolas também sofrem com o abandona da segurança

Representantes das escolas locais e solidários as dificuldades do trabalhadores da saúde e da comunidade vitimada, também relataram parte de suas dificuldades e entre elas o enfrentamento quase que diário com crianças, jovens e adolescentes, às vezes alunos e às vezes, o que é mais grave, não estudantes com constrangimentos, ameaças, furtos, agressões e até roubos em plena luz do dia.

Em um dos casos relatados, uma professora que mesmo estando a pouco tempo da aposentadoria por tempo de serviço está afastada por problemas psicológicos oriundos de agressão. “Nossa colega está afastada há 120 dias e terá que repor parte desses dias às vésperas de se aposentar. Tudo isso por causa de agressões de bandidos locais”, expõe um dos educadores.

O educador reflete que vem crescendo certo clima de ignorância, beligerância, falta de gentilezas e disciplina nas escolas de uma forma geral. Se, antes os alunos guardavam certo respeito com os educadores, hoje os conflitos e confrontos são cada vez mais intensos e graves. Entre xingamentos e empurrões tem sido mais comum a presença da polícia requisitada para tentar atuar depois dos problemas acontecidos. “É preciso que o governo, as áreas de segurança, as famílias e as comunidades não comprometidas com o crime e as contravenções tomem posição e tentem mudar o quadro. A continuar dessa forma vai chegar o dia em que não haverá nem professores, nem escola e isso seria o fundo do poço”, comentam.

Encaminhamentos, nenhum; desejos, muitos

Ao final da reunião que ainda escutou o depoimento sobre até mesmo às dificuldades da imprensa televisiva de trabalhar o assunto localmente, tendo suas equipes sendo ameaçadas e uma delas até seu veículo de trabalho roubado, restou ao Conseg escrever mais uma ata e seguir o seu fluxo de informação.

Para a reportagem, entretanto, se fosse para resumir a ópera, diríamos que melhorar e intensificar a ronda escolar; aumentar o efetivo e a presença da polícia militar no trabalho preventivo; aumentar da produtividade da polícia investigativa para dar sequência às centenas de denúncias anônimas registradas, ou não, no sistema; fazer o conselho tutelar funcionar; ter a guarida das varas da infância; responsabilizar pais e responsáveis para que primeiro eduquem seus filhos e segundo respondam colateralmente pelos atos dos seus; instalar câmaras de segurança e seguranças públicas ou privadas nos equipamentos de saúde e escolas públicas poderia ajudar a minorar os problemas.

Vamos além. Vale educar os responsáveis; vale criticar e cobrar maior responsabilidade e contribuição educativa de televisões e dos programas de grande audiência; vale também melhorar as atuais leis recentemente aprovadas com respeito ao barulho dando poderes às polícias para atuar nos flagrantes sem necessidade de denunciantes.

Por fim uma dica gratuita desse jornalista. Pode se desenvolver um trabalho de infiltração e de inteligência. Colocando algum agente policial para que localize o endereço ou os carros com suas respectivas placas dos que fazem barulho, citando-os, por escrito, em outro dia em delegacia próxima para ser orientado ou autuado na forma da lei. Simples né? Não precisa se confrontar durante a bagunça, mas chamando às falas por intimação. Se gerar multas então, muita gente aprende. (JMN)

Written by Página Leste

28 de maio de 2014 at 12:28

O pecado não está no funk, mas nos abusos

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Importante reportagem feita por Moriti Neto e Vinicius Souza, com a colaboração de Gabriela Allegrini e Maria Eugênia Sá para um blog paulistano permitiu se observar a partir de outros olhos o fenômeno do funk e os bailes nas periferias de São Paulo que em geral são encerrados pela polícia. Não basta mais olhar apenas para o desconforto de quem não é adepto e apreciador do funk e seus derivados.

A reportagem deu conta de mostrar que em certos pontos da periferia da zona sul de São Paulo e outras periferias outro lance vem acontecendo. Nesses locais, em geral entre quinta e sábado reúnem-se, depois das 21 horas, dezenas de garotas entre 15 e 23 anos, um pouco mais, um pouco menos, devidamente preparadas e turbinadas para serem levadas em ônibus fretados para baladas funk na parte rica e mais central da cidade.

A entrada nessas casas é grátis. Só não inclui o consumo de bebidas e para que as preparadas não cheguem caretas ao espetáculo os organizadores se encarregam do aquecimento das moças dentro dos ônibus. Só ou em duplas os rapazes que promovem a excursão transitam pelos corredores dos ônibus alugados servindo vodka em copos plásticos. Não deixam os copos esvaziarem e a partida é sempre por volta da meia noite.

A reportagem vai explicando que animadas com os drinks, as meninas vão se entusiasmando dentro dos seus modelitos periguetes que atualmente predomina. Vestidos justos e curtos, sandálias de grandes saltos e fortes maquiagens.

Na chegada a uma determinada boate da Vila Olímpia, quase uma hora depois de saírem das periferias em ônibus, elas causam alvoroço no trânsito nas proximidades das casas noturnas onde a frequência é de um público mais maduro. Nem sempre percebem a finalidade dessa etapa: de ficarem expostas durante pelo menos mais de meia hora na rua aos olhares masculinos. Aos poucos são liberadas para os camarotes onde se encontram com outras meninas de outros pontos da cidade.

No dia da reportagem eram cerca de 80 as que entraram de graça para animar a área VIP. No ambiente pouco iluminado, com sofás e mesas de sinuca, a proporção é de três mulheres para cada homem. Eles pagam R$ 60 de entrada ou R$ 120 com consumação e mais a bebida das moças.

Noite adentro se ouve o funk fazendo rolar solta a sensualidade. Por volta das 2h da manhã, algumas meninas estão seminuas nos cantos mais escuros da área VIP, circulando entre cigarros de maconha e comprimidos de ecstasy que também chegam às mãos de quem assim o desejar. Só por volta das 5h30 da manhã, o público começa a dispersar.

É nessa hora que as meninas despertam para o toque de recolher. Pegam o ônibus de volta ao ponto de partida e depois, dependendo do caso, arrumam outra condução que as leve para os distantes bairros e comunidades onde moram, porque não foram lá que os ônibus foram buscá-las. Os agenciadores, na noite anterior, sempre marcam um lugar menos periférico.

Contraditoriamente as moças que voltam para os seus bairros, onde, antes, elas foram proibidas de dançar o funk por conta da repressão policial motivada pelo barulho que incomoda e a presença de drogas e álcool acessível para menores de idade além do saldo de violência que costumava ocorrer nessas festas.

O que a reportagem conseguiu evidenciar vai além da contradição de que abordaremos em seguida. A de que o funk é permitido em ambientes controlados no centro e proibido nos ambientes sem controle da periferia. Segundo o parecer de um advogado consultado, nessas circunstâncias alguns crimes são cometidos. “Além do óbvio, ou seja, oferecer bebidas alcoólicas para menores fazem promoção da prostituição, mesmo que sem a percepção das meninas. Também existe incitação ao crime, o incentivo à prática da própria prostituição. É dever do Estado assegurar que isso não ocorra”, esclarece.

 

Na periferia, funk e droga podem dar cadeia

Desde 2011, em função das insistentes queixas dos munícipes a Polícia Militar montou a Operação Pancadão, batizada em referência à batida do funk e acabou com a sequência de bailes que se pretendia fazer em Campo Limpo, Heliópolis, M´Boi Mirim, Jardim Ângela e em dezenas de outras regiões periféricas na zona leste e no ABC Paulista.

Originalmente os bailes funks eram feitos em locais fechados, mas nunca apropriados o suficiente. Sem espaços foram para as ruas e diante da repressão passaram a ser realizados de surpresa e combinados de última hora sem local fixo, mesmo nos bairros onde a operação ainda não havia chegado. As informações sobre a mão pesada da ação policial que entrava em alguns locais jogando bombas de efeito moral, com tiros de borracha e spray de pimenta correram de boca em boca ou através das comunidades entre os jovens da periferia.

Em muitas dessas ocorrências se flagrou comerciantes das comunidades sendo autuados por venda de bebidas alcoólicas a menores. Nas batidas há casos de aparelhos de som dos carros sendo apreendidos. Tem faltado lugar para esse tipo específico de lazer, mas nem por isso a saída é perturbar o descanso alheio e essa é a encrenca a ser resolvida.

De uns bons tempos para cá sons de carros de alta potência transformaram carros em trios elétricos. Preparados para reproduzir música em volume ensurdecedor tornaram-se mesmo uma saída econômica para os jovens que gostam dos funks de rua. “A meninada se junta pra comprar um som de carro, pra ficar na comunidade e impressionar. Se tiram isso deles, vão pros bairros chiques, descobrem aquele mundo, se sentem o máximo. Têm história pra contar no dia seguinte. Quando a gente sente na pele a diferença de tratamento que a policia dá de um lado e de outro, quer ficar no bairro rico”, comenta na reportagem o promotor de eventos Luciano Roberto Pereira.

Enquanto isso e quando o funk é nos jardins

Tirando proveito da migração feminina construída artificialmente da periferia para os jardins, conforme explicado na primeira parte deste artigo, dezenas de casas promovem bailes para atrair jovens das comunidades. As meninas chegam aos locais em fretados e por causa da dificuldade de condução a partir de certas horas, as baladas começam às 23h para permitir que os mais esforçados cheguem de condução, mas a coisa toda mesmo acontece após as 2horas da manhã.

A reportagem quando visitou outras casas encontrou de tudo um pouco daquilo que é proibido na periferia, mas que no local parecia território liberado. Sem apreensão nem preocupações maiores os frequentadores consomem álcool, sentem cheiro ou usam de maconha a todo instante, comprimidos de ecstasy e frascos de lança-perfume rodam de mão em mão. Aqui a outra contradição: os mesmos jovens proibidos de dançar funk na periferia em bailes de rua com as autoridades qualificando com alguma razão como encontro com apologia ao uso de drogas podem usá-las livremente no bairro nobre.

Nas ruas do centro então, o funk chega, cresce, incomoda e ainda não é reprimido

Nem mesmo a já sabida estória de que os bailes de rua incomodam os vizinhos sensibiliza, por exemplo, alguns lugares no centro. Na Liberdade, por exemplo, nas proximidades de uma grande faculdade particular, acontecem bailes quase todos os dias com um público de classe média. Em geral estudantes da instituição. “Os carros param nos bares, abrem os porta-malas com volume alto e por lá bebidas, drogas e menores se confundem”, registra de forma anônima um dos seguranças da instituição.

Sem viaturas de polícia circulando com maior frequência, quando passam costumam recomendar baixar o volume, mas de novo é aumentado logo que a viatura desaparece. A situação nesta e em outras faculdades, na Barra Funda, na Mooca e na Consolação torna-se incontrolável às sextas-feiras.

Como os jovens das periferias, também buscam diversão. O sexo rola dentro de carros com vidros escuros, mas a caso de drogas consumidas nas ruas. Além de não sofrerem nenhuma sanção policial, as festas em algumas ocasiões, conta até com o apoio informal da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET) que fecha os acessos dos carros às ruas para garantir a segurança. (JMN)

Written by Página Leste

3 de outubro de 2012 at 17:09

Guia da Horta Doméstica

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Written by Página Leste

12 de março de 2010 at 16:54

Publicado em Comportamento

Qual é o seu padrão de normalidade?

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Nós estamos de certa forma, cientes a respeito de nossa origem
inicial como almas primitivas; embora comecem a surgir dúvidas a
respeito da nossa origem igualitária como criaturas cósmicas.

Aqui em Gaia tentam nos padronizar á milênios para que nos
transformemos num rebanho de “normais” – mas, para que atinjamos nossa
condição de deuses co-criadores é preciso reestudar nossas origens á
luz de novos conhecimentos livres dos dogmas da ciência e da religião.

O que é padronizar?
Na realidade quando queremos controlar algo ou alguém seja através do
conhecimento (ciência); política; religião; vida social; vivência
familiar; nós criamos padrões que atendam nossas expectativas, desejos
e interesses; escusos ou não; visíveis ou não; muitas vezes camuflados
como busca de eficiência.

A tentativa de domínio através da padronização é uma rede que atinge
todas as áreas da convivência humana; isso está tão infiltrado no nosso
DNA; que até na vida em família impomos uns aos outros padrões nada
inteligentes e até cruéis – como veremos no caso da instituição das
dietas.

Exemplo:
Segundo a ciência, é necessário organizar e padronizar segundo
protocolos a serem seguidos para que as comprovações sejam aceitas e
aplicadas. Sistematizações e padronização são formas científicas de
interpretar fatos; nem sempre honestas e verdadeiras.

Mas, segundo as leis da vida, somos únicos na diversidade; e tentar
à força enquadrar todos no mesmo molde pode levar à desajustes,
perseguições, revoluções, morte.

O que é ser normal?
Os detentores do poder de padronizar criam o conceito de normalidade como forma de domínio.

Segundo a ciência a serviço dos padronizadores: a média estatística
é o parâmetro adequado para definir o que está dentro ou fora dos
padrões pré – estabelecidos.

Embora a ciência da vida os contradiga: nós somos uma unidade na
diversidade; partimos do mesmo ponto, mas usando o livre – arbítrio
cada um de nós diferenciou-se dos demais. Na prática observa-se que ao
tentamos enquadrar na média estatística criaturas diferenciadas na
estrutura psíquica e emocional, é possível que algumas desenvolvam
ansiedade capaz de levá-las sentirem-se doentes; caso não se enquadre.
Exemplo prático: a normalidade da pressão arterial nos leva a almejar
uma de 120/80 – parte dos hipertensos sofre de hipertensão com origem
na instabilidade emocional, às vezes tão acentuada; que em minutos as
medidas são bem diferentes; depende do local; de quem está medindo; e
das sensações do momento; em ambiente hospitalar a situação costuma
agravar-se.

Sistematizações também podem angustiar. Exemplo: Muitos pais quando
os filhos mesmo saudáveis não estão dentro da média estatística de peso
e altura; são induzidos a pensar que podem fazê-los crescer. O caminho
preconizado é remédio e comida dentro da filosofia do quanto mais se
come melhor; e como conseqüência de uma super e precoce alimentação;
pode sobrevir mais tarde a angústia do quase insolúvel problema da
obesidade infantil que hoje se perpetua. Muitos obesos de hoje; além
das próprias escolhas na forma de viver, agir e reagir; podem
creditá-la a pessoas despreparadas para lidar com a diversidade: pais,
sociedade e médicos.

A padronização também prejudica a cura definitiva?
A cada dia isso fica mais evidente; pois a formação médica assentada em
conceitos de normalidade; sistematização; tecnologia; marketing;
lucratividade; representa perigo:

Nos EUA, um cara chamado “Rockfeller” idealizou o atual sistema de
medicina; usando os princípios que “Ford” usou na indústria
automobilística e que foram brilhantemente, segundo conceitos
financeiros, aplicados ao sistema doença/cura que domina hoje o mundo.
A indústria da doença é uma das potências do planeta em arrecadação;
segundo esse sistema, quando se vai ao médico é necessário sair de lá
com uma receita, caso contrário busca-se outro profissional – “Como,
levou o filho ao médico e ele não passou nenhum remédio?

Outro exemplo de como funciona a cultura da normalidade na própria medicina:
As pressões culturais também são muito fortes e os pais de filhos
considerados abaixo da média de peso e altura angustiam-se, mudam
constantemente de pediatra e cedem também à pressão das gerações
anteriores. – “Como essa criança é magrinha! Olha só o tamanho dela!
Vocês não a estão alimentando direito!” – Claro que os pais normais
sintam-se infelizes e temerosos, e a angústia faz com que a genética da
família seja esquecida.

A padronização na política leva ás ditaduras; guerras civis – depois
que um grupo se encastela no poder tenta padronizar á força os normais
para atender ás suas necessidades – nas padronizações políticas mais
arcaicas o domínio é feito na cara dura e na truculência; nas modernas
ditaduras tentam se criar “milícias disfarçadas de legalidade com
tecnologia” com poder para manter privilégios e ficarem acima das leis
naturais. Os cientistas políticos usam a ditadura da maioria dos
normais para mantê-los sob seu jugo; alguns chamam isso de democracia…

Nosso assunto de hoje refere-se á ditadura das dietas familiares
subjugando as coitadas das almas que caíram sob seu jugo – elas vão ter
que se normalizar mesmo que sob pena de doença e morte.

A DIETA ADEQUADA – CADA UM NA SUA

Cada bicho come concordante com a espécie, conforme a cadeia
alimentar que predomina em seu hábitat; segundo seus instintos. Animal
selvagem em condições naturais não adoece; já o domesticado que sofre a
ingerência do homem; sim – e, o que ocorre com eles espelha o
desrespeito com as mais simples e primárias leis biológicas – pois, o
que nós fazemos com eles; nós fazemos pior conosco.

A capacidade de adaptação do nosso corpo impressionava, conseguíamos
habitar o planeta nas condições ambientais mais desfavoráveis. Hoje
tudo está mudado; nada mais será como antes; atualmente ela
estrutura-se no uso do raciocínio; e a recusa em pensar é que pode
esgotar essa capacidade e levar á doença e morte cada vez mais precoce
(veja artigos anteriores sobre o tema).

Quebrar antigos paradigmas; destruir paradoxos é urgente – Mudar é preciso.

As influências culturais na alimentação tornam-se um fator negativo
quando há lentidão nas mudanças inteligentes. Exemplo, nossa dieta é
baseada em carboidratos: o popular arroz com feijão, mais pão, batata,
mandioca, massas; por isso, somos campeões em estatística de diabetes;
na nossa cultura o imigrante desempenhou importante papel; mas
trabalhador braçal do hemisfério norte necessita de dieta rica em
calorias e aportando nos trópicos deveria tê-la modificado, ajustando-a
à da população nativa com as devidas ressalvas; porém isso não
aconteceu, ao contrário, antes disciplinados pelo rigoroso inverno
conduziam-se por condições de contenção; aqui ficaram deslumbrados com
a fartura e abusaram, aumentando a propensão para obesidade e moléstias
decorrentes de dieta inadequada para suas atuais condições.

As migrações internas e novas condições culturais também tiveram seu
papel; a dieta baseada em carboidratos formou-se na sociedade rural
escravocrata do início da colonização; depois devido à migração nas
últimas décadas para as cidades, muitas pessoas passaram a ter
ampliadas as possibilidades de adoecer, quando trocaram atividade
braçal por outra relativamente sedentária mantendo a dieta anterior.

Uma das maiores dificuldades das almas em adquirir a maioridade é livrar-se das padronizações para deixar de ser normal.

A mudança de hábitos de geração a geração é lenta; mas diz o bom
senso que a dieta deve acompanhar o ritmo das mudanças e deve ser
individual e adaptada ao habitat, clima, e balanceada de acordo com a
atividade física cotidiana de cada um.

O envelhecer pede menos comida e, por não se respeitar essa lógica,
na terceira idade o problema da obesidade torna-se crítico, pois a
atividade física diminui e a quantidade de alimento permanece a mesma
ou até aumenta; em parte devido à ansiedade gerada pelas crises da
maturidade dando origem à preocupação em emagrecer; mas o regime é
forçado pelas circunstâncias, daí pobre em resultados.

A padronização da dieta é responsável pela maioria das doenças infantis?

Nada é totalmente bom nem totalmente mau para pessoas diferentes.

Desde o nascimento somos obrigados a comer o que aquela família está
habituada e na quantidade que estão “acostumados – adaptados” sob pena
de sofrermos castigos; suborno; chantagem – nossos guias familiares na
iniciação da existência tentam nos enquadrar nos seus padrões; mesmo
que ás custas de serem rotulados de doentes e tentarem comprar a saúde
feito cobaias.

Os paradigmas alimentares proporcionam a “agressão” ao organismo; e
determinam comportamentos futuros ao “contaminarem” o centro da fome
com vitaminas e estimulantes de apetite; é comum a repetição do erro de
forma mais danosa com o idoso pois, decorrente da cultura a família
angustia-se com a quantidade de alimento ingerida pelo velho; forçam-no
a comer e até lesam-lhe as funções renais suplementando-lhe a dieta com
proteínas em excesso ao abusar das “rações vitaminadas”, tão a gosto da
ciência do consumo. Nessa mesma linha de raciocínio – outro exemplo de
descuido em refletir; é a do atleta superalimentado, que ao parar as
atividades intensas torna-se obeso e raramente tem longevidade; pois ao
“forçar” os órgãos do metabolismo diminui sua vida produzindo lesões
orgânicas pela intoxicação decorrente do excesso.

Resumindo:
Boa parte das doenças infantis é causada pela dieta padronizada – e não
contentes com esse desatino; os familiares normais ainda intoxicam o
organismo das crianças com remédios do tipo: antibióticos,
antitérmicos; antiinflamatórios, corticóides e outros; repetidamente; e
se negam a aprender.
Sair dessa enrascada é fácil: basta pensar para fugir dos padrões.
Claro que há um custo; pois a maioria, hoje, se assemelha a uma boiada
(quem for normal e quiser se ofender com a comparação que o faça) sendo
conduzida em direção a um precipício – quem acordar a tempo; vai ter o
trabalho (coisa que os normais detestam) de sair prás beiradas e andar
na contramão da normalidade. Qual o custo? – Hoje é leve e de jugo
suave; ser considerado um ser esquisito; anormal; ET – antigamente o
custo de deixar de ser normal era alto: prisão; morte; desterro, etc.

Para atender ás crianças de hoje: DEIXAR DE SER NORMAL é um ato de amor.

A própria OMS – ONU avisa que as crianças e jovens de hoje não
viverão tanto quanto seus pais e antepassados; embora o digam de forma
ainda padronizada.

Traduzindo a mensagem de muitos Avatares: OS NORMAIS NÃO HERDARÃO A TERRA.

Américo Canhoto:
Clínico Geral, médico de famílias há 30 anos. Pesquisador de saúde
holística. Uso a Homeopatia e os florais de Bach. Escritor de assuntos
temáticos: saúde – educação – espiritualidade. Palestrante e condutor
de workshops. Coordenador do grupo ecumênico “Mãos estendidas” de SBC.
Projeto voltado para o atendimento de pessoas vítimas do estresse
crônico portadoras de ansiedade e medo que conduz a: depressão,
angústia crônica e pânico.

Written by Página Leste

12 de março de 2010 at 16:53

Publicado em Comportamento