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Soldados da PM “adotam” criança com necessidades especiais

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O casal Verônica de Almeida e Fillinto da 3ª Cia. do 28o BPM/M da Cidade Tiradentes praticamente se tornaram os pais indiretos da jovem Carla Brenda que com seis anos de idade tem sérios problemas desde os 10 meses de idade. Um ato que testemunha a favor da existência intrínseca da bondade humana, basta a deixarmos aflorar. Desde esse período, como conta a soldada Verônica, que tem quatro filhos, eles vêm auxiliando a pequena família: Carla Brenda e sua mãe Mônica da Silva Passos, 38 anos, a atravessar um calvário sem fim. Os soldados contam com apoio do Capitão Mauro Rodrigues e do Comandante da 28a Companhia, o Coronel Antonio Carlos Artêncio.
Tudo começou a partir de uma ocorrência dois anos atrás que ficaram sensibilizados diante das enormes dificuldades que Mônica da Silva passava com sua filha Carla Brenda. Segundo a soldada Verônica ela foi convidada a conhecer a casa, onde, ambas moravam e a forma como viviam à época. “Foi de cortar o coração, a casa muito humilde, mas limpa e a dificuldade porque passavam aquela família”, comenta lembrando que não conseguia esquecer o que vira. Como seres humanos sensíveis se envolveram e desde então fazem de tudo para ajudar a família.
Verônica conta que tomou conhecimento das dificuldades, inclusive de se alimentarem com a parca pensão de um salário-mínimo que Carla Brenda, tutelada pela mãe, recebe através do Loas – Lei Orgânica da Assistência Social que reserva um salário mínimo às famílias que comprovadamente tem problemas de doenças crônicas e cuja renda não ultrapasse meio salário mínimo por membro da casa.
Carla Brenda foi diagnosticada com um câncer no aparelho reprodutivo aos dez meses de idade. De lá para cá a menina que urina através de dois orifícios às costas na altura dos rins também ficou cega e os membros do seu corpo estão tão frágeis que se decolam do tronco. A alimentação é feita por um tubo externo ligado diretamente ao estômago e os alimentos; que não podem ser qualquer um, tem que ser triturados num liquidificador e em forma de líquido chegar ao estômago através do tubo.com uma seringa.
Carla Brenda precisa de tudo que se possa imaginar. Fraldas descartáveis, um colchão d`água especial  ou  de outro tipo hospitalar que possa evitar as escaras no corpo fragilizado e que possa ser de fácil limpeza e manutenção. Precisa também de um carrinho  especial, pois aos 6 anos de idade apesar da magreza evidente ela tem que se deslocar muito aos serviços de saúde e sua mãe Mônica têm muita dificuldade para carregá-la. Faltam ainda alimentos adequados, uma geladeira para conservar os alimentos que recebe quase sempre da doação fruto da insistência dos soldados  da 3º CIA  que muito colaboram. Só não falta amor.
É imenso o amor e o zelo que a mãe cuida da Carla Brenda apesar de todas as dificuldades que nem os parentes próximos contribuem para diminuir. Uma primeira dificuldade e básica é a impossibilidade quase que total da dona Mônica trabalhar, mesmo como diarista em casas de família o que faz de vez em quando. Para onde vai ela tem que levar a Carla Brenda que não tem condição alguma de ficar só.
Segundo explica a soldada Verônica, considerada pela mãe um anjo na terra, junto com seu parceiro, a alimentação talvez seja a coisa mais importante. Destaca também a necessidade de uma casa para ela morar. Verônica explica que quando conheceu a família ela morava num local tão inóspito e inadequado que com o tempo até se conseguiu que dona Mônica alugasse uma casa melhor, entretanto os mais de 250 Reais pagos pelo aluguel mais as despesas com água e luz não consegue deixar recursos suficientes para a alimentação. “O que dirá das fraldas que são trocadas em até 30 vezes por dia”, reflete a soldada. Diante a situação os soldados arrecadam doações junto ao comércio local, sempre explicando detalhadamente, inclusive com ajuda de fotos, para que serviriam aquelas doações. O envolvimento do comando da companhia também foi crescendo.
Segundo o Capitão Mauro Rodrigues, com a ajuda decidida do Comandante da 28a Companhia, coronel Antonio Carlos Artêncio, que assinou todos os ofícios necessários, Dona Mônica conseguiu um apartamento no piso térreo no conjunto do CDHU Jardim Palanque. Para isso, explica, o capitão, além dos vários ofícios assinados pelo coronel Artêncio, foram feitas diversas reuniões e visitas a diretoria do CDHU que também visitou a casa alugada da Dona Mônica e da Carla para conhecer a situação. Ainda segundo o capitão, o contrato do apartamento deverá ser assinado no dia 13/11. Ele próprio estará acompanhando dona Mônica neste dia e a mudança para um novo local tornará a vida de ambas menos sofrida. Mesmo pagando um valor pelo apartamento, certamente ele será bem menor do que o aluguel que dona Mônica hoje paga. Com a economia ela poderá ainda fazer melhor pela filha.
Carlos Soler a pedido do capitão Mauro visitou a menina, acompanhou a reportagem em visita à casa da Dona Mônica,  O medico Soler sempre muito humano  se prontificou a partir do que viu a ajudar no que for possível. Deve fazer brevemente um exame na criança para ver o que pode ser feito em termos ortopédicos. Falando a reportagem, Soler acostumado a cuidar de doentes não conseguiu esconder como ficou impressionado com o tratamento amoroso, zeloso e responsável da mãe para com aquela filha que tem necessidades para lá de especiais. Vale registrar que a reportagem teve idêntica impressão e ficou difícil reter às lágrimas diante da situação.
Dona Mônica agradece e segue cuidando da filha
“Não cuido mais de mim. Cuido dela. Enquanto tiver vida e forças, corro pela minha filha”, diz dona Mônica que está sendo orientada, novamente pelos policiais militares, a tentar conseguir localizar o pai da criança para conseguir uma eventual ajuda; coisa que ela não consegue nem da família próxima. Ao contrário, Mônica conta que seus parentes até pediam que ela desligasse os aparelhos que mantinham a filha vida durante determinados períodos nos quase dois anos em que a menina ficou internada em diversos hospitais. “A minha família me abandonou; marido também, se não fosse à ajuda dos soldados e do comando da PM aqui não sei como estaríamos suportando tantas dificuldades”, explica a zelosa mãe que ainda demonstrou preocupação com o bem estar da filha a ponto de comentar que se os eventuais exames ortopédicos que ela possa fazer forem lhe causar maiores dores que preferia que eles não fossem feitos.
Testemunho inquestionável de como o amor de uma mãe pode dar tanta força e tanto zelo mesmo diante de tantas dificuldades. E também de fé. Ela acredita que um dia sua filha ainda ficará boa e estará correndo atrás dos soldados que tanto a tem ajudado.

 
 
 
 

Written by Página Leste

17 de novembro de 2007 às 13:06

Publicado em Notícias e política

Uma resposta

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  1. INFELISMENTE A CARLINHA SE FOI, FALECEU NO DIA 13/04 2013, ESTAMOS TODOS INCONSOLAVEIS COM A PERDA DESSE ANJO, O QUE SERÁ DA MONICA, DEUS, ESSA MÃE QUE CUIDOU COM TANTO AMOR E DEDICAÇÃO A ESSA FILHA, EU CONVIVI COM A MONICA ,MAE DA CARLINHA E VI COMO ELA CUIDAVA DA FILHA!!!! ESTAMOS TODOS MUITO TRISTES…

    Avatar de KARINA

    KARINA

    14 de abril de 2013 at 15:41


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