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Sem resultados, serão as ruas retomadas?

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 A greve geral do dia 11 de julho não foi mesmo a continuação das mobilizações populares de junho. Com exceção de Porto Alegre onde conseguiu parar o sistema de transporte a greve foi parcial, nas grandes cidades e praticamente inexistentes fora delas. Em São Paulo, no máximo 8 mil pessoas na Avenida Paulista, mesmo com remuneração de manifestantes pelas centrais sindicais como a CUT e a Força Sindical. A CUT chegou a pagar seus “manifestantes” para carregarem bandeiras, confeccionadas industrialmente em apoio ao governo.

Destaco o trabalho da CSP-Conlutas que representa apenas 2% do movimento sindical que realizou atividades combativas em Fortaleza, Porto Alegre, São José dos Campos, Belém, Natal.

A resposta da presidenta, com o passar dos dias ficou reduzida a quase zero. A proposta de consagrar 100% dos royalties do petróleo em alto mar para a Educação foi estraçalhada pelo Congresso. O mesmo aconteceu com a proposta, equivocada, diga-se, de Assembleia Constituinte para a reforma política que se viu reduzida a algumas mudanças no sistema eleitoral.

Do lado de fora do governo, o ex-presidente Lula resolveu falar caracterizando as manifestações como sinal do progresso da última década e tem razão parcial e contraditória, basta ver os carros particulares comprados a perder de vista anarquizando o transporte público. Lula, entretanto não deu um pio sobre os lucros e monopólios do transporte privatizado. Do jeito que as coisas estavam restou a liderança sugerir uma “renovação no PT” que vai se construindo com a disputas internas ainda este ano, com seis candidatos a presidente a legenda. É por onde anda também a esquerda do PT, um segmento praticamente alheio ao movimento popular. Estão lá tentando resgatar do partido a sua moda.

É com parte dessa conjuntura que as mazelas vêm subindo a tona, principalmente as ocupações fisiológicas e oportunistas do estado. Um pouco mais de 5500 municípios do país usam atualmente 510 mil cargos de confiança. Grande parte deles com salários mensais de mais de 10 mil dólares. Enquanto isso médicos e professores, para ficar apenas nessas duas importantes categorias, sobrevivem com salários de fome e com as péssimas estruturas onde tem que atuar muitos deles.

Para os serviços públicos de Estado economia, redução e controle. Para o empresariado e banqueiros a coisa é outra. Apenas para exemplificar a carteira de crédito ao setor privado no BNDES aumentou de R$ 25,7 bilhões em 2001 para R$ 168,4 bilhões em 2010. Esse volume, em geral beneficia uma fila de empresas que registram prejuízos, quando não falência. A mais importante é a EBX, de Eike Baptista, o “capitalista do Lula”, beneficiária de R$ 10,5 bilhões em dinheiro público. A crise capitalista, nesse caso e em outros está iluminando o buraco negro da corrupção brasileira.

Nessa conjuntura vem também o papa Francisco com o catolicismo em queda no Brasil perdendo adeptos para algumas seitas religiosas evangélicas, entre outras sérias que, por sinal, governaram o país ao lado do PT na última década. A sua presença pode por um lado estancar a sangria de fiéis apoiando a juventude que fez parte da ‘voz das ruas’ ou na outra possibilidade afastá-los das movimentações das ruas. É cedo, mas a fala do papa, felizmente, parece indicar uma chamada também as responsabilidades cívicas por parte dos jovens.

Publicado na Gazeta São Mateus, ed 357 de Julho de 2013

Written by Página Leste

12 de agosto de 2013 at 17:03