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Por onde o golpe pode se completar
Interessante raciocínio desenvolvido por um dos participantes da reunião ordinária da Frente Anti-Golpe Zona Leste que reúne filiados do Partido dos Trabalhadores, não filiados, simpatizantes e lideranças que buscam resistir ao golpe em curso, aponta que uma possível saída para concluir o golpe que foi dado com a deposição de Dilma Roussef (PT) da presidência poderá ser o estabelecimento do parlamentarismo definido pelo Congresso Nacional antes de 2018 para quando esta prevista novas eleições gerais para o cargo mais importante do país.
A saída leva em conta a atual situação de descrédito dos congressistas e de praticamente todos os principais partidos hoje existentes. Todos os partidos, dado o desgaste absurdo e falta de credibilidade junto à opinião pública e a sociedade em geral terão enormes dificuldades em se apresentar como aspirantes ao cargo máximo da nação. O sinal claro dado nas recentes eleições municipais de que o eleitor está descontente com o quadro deverá ser potencializado nas próximas em virtude mesmo do saco de maldades que essa transição está revelando.
Sem condições de saírem ilesos do escrutínio público, o PSDB passa a ser o maior interessado nessa possibilidade de mudar o regime de presidencialista para parlamentarista que não é nada mais do que o governo e governantes serem decididos pelos deputados federais e senadores eleitos.
Se esse raciocínio se tornar um fato próspero teremos que engolir, e não tem outra definição para isso, que esses congressistas, em sua maioria, envolvidos em suspeitas, alguns investigados, decidam entre si o regime e, claro, indicar entre seus pares ou figuras de proa nomes para primeiro ministro. E ai, nós, apenas eleitores fictícios não teremos muito a ver com o que se estabeleça dai pra frente.
Claro, que em algum momento, possivelmente em 2018 seremos chamados a votar em deputados e senadores que como candidatos, com certeza, serão muito dos mesmos; aqueles que decidiram antes qual o regime a ser adotado. Caberá investigar o que diz a legislação, e haverá tempo para isso, porque pode ocorrer da proposta de mudança de regime, se aprovada no congresso, tenha que se submeter à aprovação via plebiscito dos eleitores e será no entender daqueles que tiverem a intenção de andar por esse caminho a oportunidade de convencer a população do acerto de sua iniciativa.
Até lá, se o presidente interino Michel Temer (PMDB/SP) for apeado do seu mandato tampão, haja vista que pesa sobre ele suspeitas de conduta irregular na eleição que participou na condição de vice-presidente, o PSDB continuará ileso poderá ainda se poupar ainda mais de desgastes desnecessários não colocando como ‘tampa do Temer’ nomes de suas fileiras e sim alguma celebridade com algum consenso positivo na atualidade.
Resumindo um pouco dessa ópera, o PSDB anda bem na fita. Poderá entre esse possível impedimento do Temer e o final de 2018, assumir ele próprio o final do mandato tampão para jogar para a torcida seduzindo o povo. Poderá o PSDB se recompor como anjo bom caso ele reverta algumas das dezenas de maldades levadas a cabo pelo Michel Temer. O problema ai, entretanto é mais complexo; terá que combinar o jogo com o poder real, qual seja com os interesses financeiros internacionais; a verdadeira elite que ainda conta com o Brasil como parceiro secundário.
Do outro lado, na resistência fica cada vez mais necessário se construir um consenso e acordos com os progressistas, democratas e com a esquerda para operar certo e de forma eficiente nesse cenário de jogo de xadrez. (JMN)