Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Posts Tagged ‘eleições em São Paulo

São Mateus vota, mas de certa forma perdeu

leave a comment »

E São Mateus com seus milhares de eleitores entraram na festa da democracia para perder seus parlamentares. Explico: deixou de eleger deputados estaduais o vereador Gilson Barreto, do PSDB, o deputado estadual José Zico Prado e também o deputado Adriano Diogo que, por sua vez, se candidatou a deputado federal.

Gilson Barreto, atualmente vereador conseguiu 9361 votos, Zico Prado 6896 e Adriano Diogo 7358. Correndo por fora, e querendo entrar, estava o empresário Pedro Kaká em sua segunda disputa, uma vez que também foi candidato a vereador sem alcançar número suficiente, mas que cresceu agora, através do PTN com 6061 votos.

Não que eles fossem parlamentares exclusivos dessa enorme São Mateus, mas que tinham muito a ver com tanta coisa que acontece e rola por aqui, todo mundo informado sabe. É o caso de Gilson Barreto que tem muito de sua atuação parlamentar vinculada a São Mateus. José Zico vai na mesma toada, visto que em diversas outras disputas fez dobradas com Paulo Fiorilo, atual vereador pela cidade de São Paulo e, durante várias dessas disputas com Devanir Ribeiro que disputando também não conseguiu votos suficientes para se manter no Congresso Nacional.

O caso de Adriano Diogo tem algumas particularidades. Com os mais de 50 mil votos que obteve nessa disputa se reelegeria até com alguma facilidade caso quisesse continuar com deputado estadual na Assembleia Legislativa, mas essa não era a dele. Com vários mandatos como vereador e alguns outros como deputado achava que era hora de estar em Brasília, no Congresso Nacional, menos como desejo ou ambição pessoal e mais como uma tarefa que analistas políticos revelam da maior importância no atual período. Adriano Diogo é um dos mais destacados deputados que atua na Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e tem capitaneado um enorme esforço de recomposição da historia recente desse país.

Atuando na Comissão da Verdade que é parte de um esforço nacional de trazer às claras a atuação das forças de repressão durante o período da ditadura militar de forma a restabelecer a verdade dos fatos, de ambos os lados que foi de certa forma esquecida e relegada a segundo plano por causa da anistia dos envolvidos em batalhas, combates envolvendo abusos, torturas e até mortes no período.

Pois bem, entre esses poucos nomes nem todos são nativos da região. Sequer conduziam em maior ou menor grau suas ações como se despachantes fosses dos interesses da região. O papel deles estava além do distrito, como deveria ser. Mesmo assim um sem número de questões e demandas da região só ganhou ares de demanda pública a prefeitura, ao estado ou até ao governo federal com a participação deles. Dai a razão de entendermos que São Mateus votou, fez a festa da democracia, elegeu parlamentares, governo e estará em vias de ajudar a eleger presidente seja ele quem for, mas perdendo seus parceiros. Uns muito parceiros mesmo, outros menos.

Não dá, portanto para apreciar o resultado. Gilson Barreto volta a Câmara Municipal para cumprir o restante do mandato que ainda tem até final de 2016. Continua na Câmara Municipal outra parceira de São Mateus, mas que não disputou eleições porque apoiava Adriano Diogo, a vereadora Juliana Cardoso. Ela mesma com um caminhão de votos e prestigio em nosso distrito.

Oxalá, ambos façam o melhor possível para que São Mateus não passe uma temporada órfã. Ao eleitor de São Mateus vale a reflexão e o compromisso de fazer o melhor nas próximas eleições à Câmara Municipal em 2016, enquanto aguarda nova disputa para a Assembleia Legislativa, o Congresso Nacional, o governo estadual e novamente a Presidência da República daqui a quatro anos. (LM/JMN)

Written by Página Leste

16 de outubro de 2014 at 12:32

Recusando a lógica dos grandes, eleitores se voltam para Russomano

leave a comment »

Os números indicam que na campanha eleitoral paulistana, as baterias de parte de setores supostamente progressistas que se empenham a todo volume na empreitada para que o tucanato seja eliminado em São Paulo, volta agora suas preocupações com o candidato Celso Russomano (PRB). Já não está tão sólida a impressão de que num eventual segundo turno do Haddad contra o candidato dos bispos a vitória estaria garantida facilmente. A turma do PSDB também não estava dando muita pelota para o concorrente. Não o tinha sobre a sua mira nesse primeiro tempo, pelo contrário, conta com ele num eventual segundo turno com os petistas.

Com um bispo de cada lado. Celso Russomano com o Edir Macedo e o Haddad com o Lula a peleja estaria em aberto e, agora, sem as certezas de outrora de que Lula e Dilma na campanha em São Paulo seriam imbatíveis. A rigor Lula e/ou o PT elegeram, em outra conjuntura, a Luisa Erundina, antes do Lula se render ao status quo e a senadora Marta Suplicy que disputou outras campanhas para o Executivo sem sucesso e que foi eleita uma vez prefeita com o apoio então do Paulo Maluf um dos candidatos que dividiu os votos.

Enquanto esses setores estavam em sua cruzada para superação do tucanato em São Paulo, notadamente no espaço da internet a mando, sugestão ou soldo dos partidos e aliados, os eleitores não se sensibilizaram com a cantilena e respondem sinalizando que não vão acompanhar essa cruzada. Demonstram isso flertando com Celso Russomano, de quem, os supostos progressistas, queixam-se ser muito equivocado em suas propostas e ser tutelado pelo bispado evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus. A revelação de ambas as coisas parece não estar importando para os eleitores.

As armações, encaminhamentos e as lógicas dos dois grandes partidos que disputam a eleição municipal, PSDB e PT, parecem ter sido percebidas e rejeitadas. Algo como um recado nos seguintes termos “Vocês façam o que quiserem ai, bolem e lancem os seus candidatos, mas o voto é nosso e fazemos dele o que queremos”. Uma afirmação desse tipo só faria enfatizar que a desesperança e desconfiança com os políticos é generalizada, graças, principalmente, ao papel deles próprios.

Equívocos de parte a parte

Por causa do comportamento dos políticos acima, uma fatia expressiva de eleitores paulistanos não está atenta à viabilidade ou não das propostas do Russomano. Apesar de mirabolantes conquista apoios. Algumas entre as várias sandices do queridinho da hora diz respeito a intenção de incorporar os milhares de seguranças e vigias privados a forças regulares de segurança, no caso à Guarda Municipal. Outra é acabar com a progressão continuada no ensino fundamental municipal.

A primeira é uma bobagem, mas esses eleitores não estão nem ai e ainda apoiam o desdobramento em outra proposta do CR de colocar guardas municipais dentro das escolas, atitude que cria calafrios nos especialistas em educação, mas que tem apoio de alguns professores na intimidade e apoio descompromissado de pais e responsáveis. Quanto a acabar com a progressão continuada nas escolas municipais. As pessoas gostam de ouvir que é um absurdo passar de ano sem saber nada. Entretanto, se é para isso acontecer precisa combinar o jogo com as escolas estaduais para onde migraram os potenciais repetentes.

No olho clinico e rigoroso de uma análise, diversas dessas medidas e indicações de soluções são simplórias e equivocadas. Russomano costuma esgrimir ideias erradas e simples para problemas complexos. Outra que parece razoável, mas é bastante discutível é a proposta de verticalizar as creches para atender as demandas. É prudente crianças de menos de cinco anos subindo lances de escada?

No cravo e na ferradura; voltando a Serra e Haddad

Todas as entrevistas com números deveriam ser mais cuidadosas, certo? Pois bem, nem sempre é assim Ao perguntarem sobre dados seria prudente que os jornalistas tivessem estes em mãos. O candidato que vai responder, também. Em entrevista recente ao SPTV, Haddad disse que em 2009 as creches atendiam a 9% da demanda. Passou a ser atendida em 23% na sua saída do governo, ou seja, final de 2011, início de 2012. O que ele sugeria é que, enquanto ministro da Educação, fez elevar em 14 pontos percentuais o número de vagas? Os fatos, entretanto, dizem outra coisa. O programa federal de creches, chamado Pró-Ínfância prometeu 6 mil creches, mas entregou, no máximo, 200. Com um pouco de esforço podemos estimar que foram abertas 20 mil vagas. Se for para comparar, o mandato do Serra e do Kassab, em oito anos, criaram 148 mil vagas, sendo que quando o primeiro assumiu as ofertas era de apenas 60 mil vagas.

Vale contextualizar que Haddad admitiu na mesma entrevista, que a cobertura de creches no Brasil todo é de 23% e na cidade de São Paulo 48%. Ou seja, para quem entende que a cobertura de creches tem que ser de 100%, nem no Brasil nem em São Paulo isso ocorre. Diante dos dados, não brigando com os números e não tendo interesse em um candidato ou outro, um dos lados fez mais, ou não?

Outra curiosidade, se cobra o passado recente de um e não de outro

Tem sido recorrente e correto o Serra ser cobrado nas entrevistas sobre a desistência de mandato, da herança deixada ao Kassab e agora pelo Kassab. O mesmo critério ou comportamento, entretanto, não tem sido registrado nas entrevistas com o Haddad. Ele tem sido poupado de questionamentos sobre a sua passagem pelo Ministério da Educação. De novo, a implicância não é nossa. São os fatos e haveria questionamentos a se fazer.

Recentemente as universidades federais completaram quase quatro meses em greve. Em 2011 outros tantos meses. Entre as reivindicações questões salariais de professores que vem desde antes, passando pela época em que o Haddad lá estava. O ex-ministro, portanto, tem alguma contribuição na situação.

A expansão das universidades federais Brasil afora, foi feita a despeito da qualidade e da possibilidade de seu bom funcionamento. Boa parte dos campi avançados não tem prédios construídos para os alunos, em outros prédios falta energia elétrica e num outro campus até o esgoto corre a céu aberto. Em alguns faltam laboratórios e os hospitais universitários vivem uma crise mais intensa que outros períodos.

Culpa só do Haddad? Claro que não, mas e ai? Alguma responsabilidade colateral ele pode ter e não tem que ter receio em fazer as perguntas. Se o critério da avaliação vale para tucanos que se valha também para petistas.

Diante de parte do quadro surreal pode ficar “russo” mano

Nesse início de setembro a situação indica poucas alternativas de mudanças e inversão das intenções de votos dos eleitores para Serra ou Haddad. Uma parte expressiva do eleitorado, que nos laboratórios das direções partidárias, se considerava como progressista, tem se cansado de promessas não cumpridas e abraça as manifestas soluções simples e objetivas, sem dimensionar os complicadores. Para a candidatura de Celso Russomano migrou também parte do que se convencionou chamar de eleitorado conservador, antipetista. Parte desse público é o mesmo que pode achar a gestão Kassab e Serra razoáveis, mas mesmo assim irá com o Russomano.

Se nenhum sobressalto acontecer, Russomano estará no segundo turno. Contra Serra poderá demonizar a gestão Kassab atingindo o oponente. Se for contra Haddad poderá querer repassar seu passado no Ministério da Educação, arrolará o imbróglio do julgamento do mensalão e ainda fará com que salte para a linha de frente da campanha obreiros evangélicos que lembrarão que o escolhido de Lula é o pai do kit gay. (JMN)

Written by Página Leste

12 de setembro de 2012 at 22:46