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Em disputa na sucessão a política econômica e social

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Apostando na apatia e desinteresse do eleitor, pouco ou quase nada se falou em campanha sobre o que se fez e o que se quererá para a política econômica e social, com certeza pontos dos mais importantes que em linhas gerais tento abordar neste artigo.

O pouco que se viu de debate sobre a política econômica e social durante a sucessão presidencial em quase nada ajuda o eleitor a entender e distinguir as duas estratégias dos concorrentes. Chamemos de “nacional desenvolvimentismo” ou “social desenvolvimentismo” o que a presidente Dilma defende e representa e o projeto neoliberal cuja boa expressão é o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga até agora indicado como ministro da Fazenda pelo candidato Aécio Neves.

Os debates eleitorais formais também não esclarecem, mesmo porque os meios de comunicação não estão imunes ideologicamente e pouco ajuda a demonstrar os interesses em disputa.

O que interessa aqui é o foco na questão econômica e ai vale dizer que os projetos atuais de Lula e Dilma experimenta neste mandato certo viés de estagnação que tem como consequência bloquear a estratégia distributiva de renda advinda dos benefícios monetários ou não da política social. Voltam também as pressões inflacionárias e o desequilíbrio externo se acentuando com a diminuição das exportações industriais.

Como se vai resolver essa estagnação, conflito distributivo, pressões inflacionárias e aumento da dependência externa fará objetivamente grande diferença para os brasileiros, mas não se fala sobre isso no debate. Para que possamos voltar a crescer e distribuir a economia e manter e ampliar a política social reformas são necessárias, com ênfase no sistema tributário com mais justiça e equidade tributária, entretanto essa exigência dos fatos é um assunto desagradável para a base de sustentação do atual governo e sequer passa perto da turma dos que disputam com Dilma o governo central. De qualquer forma sem essas reformas a economia não cresce e se crescer será apropriado não pelo social desenvolvimento, mas para um subdesenvolvimento puro, ganhando os que sempre ganharam.

O outro projeto neoliberal não tem nada a ver com a igualdade, nem considera redistribuir a renda ou desconcentrar a riqueza. Simples assim. Consideram que o mercado distribui o excedente, além de alijar o Estado com essa concepção que nada faria nem como protagonista, nem como indutor da distribuição ou fomentador da economia de forma mais justa. Ficará reservado a ele, apenas se virar para garantir as metas da inflação, superávit primário para pagar os serviços da divida aos rentistas e o câmbio flutuante. Ou seja, operando a favor do interesse das minorias. Claro que essas medidas seriam ‘maldosas’, e o assunto é evitado nas propostas, embora o Armínio Fraga já tenha deixado escapar cortes profundos nos gastos públicos e principalmente no gasto social para fazer os ajustes que interessa a esse grupo e tipo de pensamento.

Nesse modelo neoliberal bancos públicos e empresas estatais não se harmonizam, mas a campanha não tem coragem de dizer que vão privatizar porque a resistência pode aumentar proporcionalmente É para facilitar essa medida, inclusive que se faz intensa campanha com as denúncias de corrupção nessas empresas. Com certeza, no subconsciente do cidadão a privatização pode soar como dar um fim a corrupção o que não é verdade e de longe não é a solução mais adequada.

Para que fique bem claro o modelo neoliberal tem enorme fé na eficiência econômica dos mercados que sabemos tem donos e não são todos. Qualquer que seja o resultado se bom ou ótimo caberá à sociedade que não é o mercado prestar serviço duro e ajudar a pagar as contas para esse tal mercado. Dependência integral nas relações exteriores será certa, bem como promover a independência do Banco Central que em acontecendo deixará de ser um regulador do Estado e estará a serviço do mercado e seus mercadores.

É diante dessas diferenças esboçadas em linhas gerais que o eleitor comparecerá na urna em segundo turno. Penso que o eleitor deve escolher o mal menor e nesse sentido e para este articulista é dar um sonoro não às armações neoliberais que ainda vem junta com forte retórica de ultradireita. (JMN)

Written by Página Leste

22 de outubro de 2014 at 23:19

Mais um aspecto ruim dessas eleições

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Para votar para a Presidência da República em 2014, aparentemente o eleitor não se interessou em conhecer a vida pregressa de fortes candidatos. Serviu apenas olhar quem estava no governo no período

Olhando com um rigor mediano para o resultado das eleições para presidente no primeiro turno desconfio que a rede social e a velocidade com que as informações circulam de segundo em segundo contribuíram para fazer com que a memória dos brasileiros não fosse muito para trás para lembrar como e o que era sequer esse nosso passado recente. Acho até que esse fenômeno resultante dessa velocidade e descarte de informações possa estar se repetindo em toda parte mundo afora.

Há fortes indicativos de que adultos relativamente jovens, na casa de seus 30, 40 anos não se interessaram em construir cenários comparativos entre a situação atual e as situações e conjunturas em que se encontrava o país no período da redemocratização. Aqui tão perto em termos de tempo, nem tão longe. Coisa da década de 80. Poucos, eventualmente os mais idosos e experimentados, trouxeram esses subsídios do tempo e da história recente para fazer avaliações, comparações e decidir seus votos. Mesmo assim, registre-se, uma minoria.

Se essa maioria de trintões ou quarentões não se atentou para essa necessidade, a ação cidadã de votar acabou se dando, então, basicamente a partir da constatação e da necessidade quase generalizada de que era preciso mudanças, embora não se saiba ainda para onde. Sem ter com o que comparar, ou seja, objetivamente não levando em conta esse passado recente, era óbvio que a resultante seria votar por uma mudança, mesmo que seja para endereço antigo. Até ai compreensível, mas que mudança era essa quando não se compara situações?

Vou exemplificar simplificando. Quando tomamos uma xícara de café, visto que existem disponíveis várias marcas, não podemos afirmar com segurança se ele é muito ou pouco saboroso, uma vez que não temos outra xícara de café, de outra marca, para comparar. Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O cidadão brasileiro informado mesmo que medianamente e principalmente pelos grandes meios de comunicação disponível vê, ouve se espanta e fica indignado, com toda razão, com uma série de desacertos e descalabros na República, notadamente nos casos de corrupção nas barbas do governo central. E fica indignado, principalmente, porque é mais fácil e recorrente divulgar notícias ruins do que as boas. Muita notícia ruim e a tendência é querermos dar o troco nas urnas.

Esse troco ou essa vingança, entretanto, registre-se, é feita difusamente uma vez que também é fato que a maioria dos eleitores seja conivente e tolerante com pequenas e médias lambanças, principalmente se estiverem participando com alguma vantagem. Apesar de fazerem das suas, um pouco de inveja também os fazem ficar contrariados com a destreza e desfaçatez dos grandes larápios. No intimo, com algum grau de entendimento, percebem que quando se lesa o patrimônio e os recursos públicos é um pouco do seu que está sendo tomado. Eles têm razão, de novo.

Acontece que esses grandes meios de comunicação, no sentido de manter o status que desfrutam estão quase em sua totalidade acordados numa prática sutil de esclarecer, mas não muito, de informar sem contextualizar, e o que é mais grave simplificar questões complexas.

Fazem do senso comum de que políticos são todos bandidos uma espécie de chavão que funciona, mas que não passa de uma espécie econômica de xingamento. Preguiçosos e de rabo muito bem presos não vão ao fundo das questões; não usam da necessária comparação entre situações que poderiam no mínimo elevar a qualidade desse senso comum dando a cada um, xingamentos em doses diferentes. Misturar tudo no mesmo balaio não resolve, apenas joga para a plateia.

O resultado dessa conjuntura contribuiu para o que se viu no primeiro turno. Clamor de mudança nas eleições. Com isso, os eleitores querem e estão em vias de conseguir em segundo turno trocar o comando do governo central por outro; aquele que disputará com a atual presidente sem ao menos conhecer o ficha pregressa do que o oponente da presidenta Dilma, o seu partido e os aliados de sempre representaram nesse passado recente. Os eleitores deixam de pesquisar e se aprofundar porque ainda não acham importante esse aspecto da equação.

Seguindo esse raciocínio a troca de governo é iminente e como o passado não interessa, parece que não interessará também para qual direção e endereço essa mudança está sendo feita. Dias sinistros virão, mas que não se responsabilize apenas a falta de interesse dos eleitores em ver o assunto de maneira inteira e de forma comparativa.

Erros aos borbotões foram cometidos também pela quilométrica coligação que vem atuando no governo federal no último período. Se não fossem tantos erros e se os acertos fossem mais evidentes e compensatórios do ponto de vista do interesse maior da nação, nem tantos eleitores quereriam abrir a outra porta do desconhecido. (JMN)

Written by Página Leste

16 de outubro de 2014 at 12:39

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