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A delação do fim do mundo

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Neste fim de ano com as delações dos empresários da Odebrecht aparecendo cada vez mais, que logo em seguida vem sendo contestada por parte do governo com o argumento de que as regras não foram cumpridas, a situação política continua incerta, A contestação dos acusados é do tipo de que a delação não poderia se tornar pública, antes de ser homologada pela justiça, mas isso não interessa nem é tão importante na linha desse artigo.

Ainda como uma espécie de extração profunda do chamado petróleo, a sangria parece não ter fim e está muito longe de ser estancada, a delação premiada que o ex-diretor de Relações Internacionais da Odebrecht, Claudio Mello Filho entregou a Procuradoria-Geral da República está fazendo a terra tremer. Tremerá ainda mais, pois está é apenas uma entre outras possíveis 70 outras micro ou mega delações de pessoas ligadas à empresa.

Legalmente falta a delação ser homologada pelo relator, ministro do STF, Teori Zavascki que ainda não foi feita, mas que em forma de vazamento chegaram ao conhecimento público. Como dito esse detalhe está dando munição ao governo tampão, com personagens importantes envolvidos até o pescoço na bandalheira, inclusive o presidente Michel Temer para que a delação não tenha validade.

O então vice-presidente é acusado de ele próprio ter pedido a Marcelo Odebrecht a quantia de R$ 10 milhões como ajuda ao PMDB. Temer e o Planalto dizem que a doação está certa e contabilizada. Essa é a versão da defesa.

A delação de Mello diz outra coisa. Diz que foi em dinheiro vivo distribuídos da seguinte forma: R$ 6 milhões para o Paulo Skaf, o homem do pato inflável da Avenida Paulista que concorreu a Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, e R$ 4 milhões para três destinatários diferentes. Uma parcela do que sobrou foi para o escritório de advocacia do atual chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, uma segunda para o Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, atualmente preso, e a outra para o amigo de Temer, José Yunes, com o qual Temer tem negócios há muito tempo.

Que situação! Vazamentos em delação premiada já chegaram a nomes como Lula, por um lado e a Aécio Neves e José Serra inúmeras vezes por outro e até ao “santo” Geraldo Alckmin, governador de São Paulo evidenciando uma lama que atinge os principais partidos PMDB, PSDB e PT junto com outros de segunda linha. Dai sobrar pouca coisa a se considerar, que dirá confiar.

Diante do quadro estarrecedor de fim de ano, e aqui nem vou voltar à tecla da aprovação acelerada no dia 11 corrente da PEC 241/55 do teto dos gastos públicos, sacana na sua origem, e da perspectiva de tramitação da reforma da previdência, essa completamente insana que propõe que trabalhemos 49 anos para usufruir sabe-se lá o quê com o tempo que não vai sobrar, o que se pensar e propor como saída?

Temos desde a possível caminhada para a forca do Temer, que se justiça houver deverá renunciar ou ser cassado, seguido de uma possível solução congressual, partindo deles, deste congresso altamente suspeito, a indicação e eleição indireta do novo presidente entre os indicados por eles mesmos e com a gente fora do jogo até um turbilhão de ações, protestos e manifestações que dado o grau de desorganização entre os oprimidos, entre os explorados, poucas perspectivas de uma saída positiva são esperadas.

Dai que, reformas poderão ser adotadas, mas de que tipo? Com qual grau de coesão e aprovação? Nada de muito animador está colocado. Será que em função disso a saída será uma espécie de acordão fora-da-lei proposto e adotado pelas elites? Tomara que não!

Agora para o bem do Brasil, nem importa muito o tempo em que essa agonia vai se prolongar. A situação não está boa, há poucas perspectivas que melhore rápido, mas a lei e a justiça tem que ser observada.

Todas as delações deverão ser acolhidas e estudadas na Procuradoria-Geral da República (PGR), e entre as que forem em frente que sejam submetidas às investigações com a lisura desejada. Nenhuma dessas deverá ser abortada agora com a desculpa de que a situação política e também a econômica estão insustentáveis. Se isso ocorrer o País não completará seu esforço de se passar a limpo.

Nós, do andar de baixo, já estamos acostumados com as agruras que essas políticas nos proporcionam. Prefiro o remédio amargo que combata a doença do que o placebo que nos engana. O Brasil nunca conseguirá superar isso se uma enorme pizza for servida.

Fiquemos, portanto, em alerta. Que o caminho seja esse, independente da contrariedade que a elite já vem manifestando com a possível recuperação parcial da imagem do PT e das esquerdas, que até então, estavam submetidas sozinhas à execração pública. Agora, percebe-se cada vez melhor, que em grande parte, que as mesmas desconfianças e acusações cabem a todos os partidos e lideranças citadas aqui e ali.

Objetivamente, como falar mal do Lula e da ex-presidente Dilma, principalmente esta que ainda não aparece de forma consistente nas delações, se todos os do outro campo, antes acusadores e agora no poder e aliados, são os principais beneficiários das propinas das empreiteiras? (JMN)

Written by Página Leste

20 de dezembro de 2016 at 20:19