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É hora de parar de dormir
Uma dúvida cruel e aparentemente ainda sem uma resposta convincente vem crescendo nos corações e mentes. Quais as razões para os protestos, manifestações e greves que estamos vendo e tomando conhecimento nesses dias de maio que correm?
Partiremos do que pode ser entendido como premissas de que: para as greves trata-se de um braço de ferro entre empregados e empregador, em geral por uma participação maior no excedente com uma remuneração mais gentil para a força de trabalho; melhores condições de trabalho e vida ou ainda greves com caráter político mais amplo e menos corporativo. Greves também se dão em categorias de servidores do Estado pelos mesmos motivos.
A dúvida é: são, sempre, justos os motivos ou tudo faz parte de outros objetivos e interesses. O de influir em resultados eleitorais, por exemplo, no modo até certo ponto mais mesquinho de ser ou para causas mais nobres e de interesses legítimos e amplos.
Quanto as manifestações e protestos generalistas com focos mais fluidos, menos objetivos e que em geral dão demonstrações explicitas de certos descontentamento são protestos e manifestações que tem como destinatário e adversário nas escaramuças os governos.
Não particularizemos aqui se federal, estadual ou municipal, apesar de ter uma ligeira compreensão de que protestos de desconfortos tenham o governo federal principalmente como destinatário. À ele são dirigidas as demandas e demonstrações de descontentamentos difusos. Protesta-se contra algo que não achamos correto; que poderia ser diferente ou ainda que poderia ser melhorado.
Então onde estão os problemas? Ou o governo não é aquilo do que dele se espera ou os manifestantes e a sociedade em geral estão com algum mal secular, de tal forma desconfortável que querem demonstrar isso apesar de supostamente não terem tanta razão para isso.
As respostas precisam estar em algum canto. Ou o governo não presta ou os queixosos são injustos. Parece não haver meio termo e terceira via de resposta ao questionamento.
Se o culpado é o governo havemos de lembrar que ele é fruto da escolha popular, infelizmente após campanhas nem tão transparentes e nem em condições justas de disputas entre os participantes. Aqui e ali, e de forma avassaladora, se pode sentir a presença da manipulação midiática e dos efeitos de mecanismos políticos e eleitorais nem sempre probos. Há que se entender que os que legislam tem mais facilidade e entusiasmo para legislar em causa própria, não em causa nossa.
É este governo e seus anteriores, pois não se chega a atual situação sem lembrar de onde, por onde e com quem viemos que é parcialmente responsável pelo atual estado de coisas; afinal de campanha e campanha não se vê outra coisa que não propostas de corrigir os erros, arrumar as coisas e continuar melhorando o que no entendimento deles não está funcionando. Então porque não está bom?
Uma possibilidade pode estar no fato de que independente de partido; se mais sujinho ou mais limpinho, se com cara de democrata ou autoritário, se com cacoetes de direita, centro e esquerda eles nunca saem do lugar comum em apresentar um cabedal de propostas frouxas, tênues, descompromissadas e, principalmente em setores que dizem vão melhorar, mas que pela sua natureza apresentam enformes dificuldades de aferição.
Nunca vimos e talvez nunca veremos um estadista propor e fazer passar, por exemplo redução de salários de todo e qualquer mandato em benefício à saúde. Nem veremos esse mesmo estadista, pois ele não existe, dizendo que acabará com a festa do financiamento da saúde privada com recursos públicos ou ainda que exigirá que pais e responsáveis das famílias que recebem o Bolsa Família também tenham que frequentar escolas ou outros espaços onde possam com certa regularidade aprenderem bons modos, educação, cidadania e noções de ética. Não, não veremos esse estadista. Veremos, sim é candidatos que às vésperas das eleições se dizem opção mais confiável e melhor que seus oponentes, mas que logo a seguir, entretanto estarão compondo governos com eles e se locupletando tanto quanto possível das benesses do Estado.
Feita a queixa aos políticos tão a moda, resta registrar neste parágrafo o que entretanto parece ser o mais importante, ou seja, a irresponsabilidade da sociedade de uma forma geral. O fato é que tirando uma minoria abnegada, ativista e lutadora resta uma massa uniforme de muita gente boa, honesta e uma outra de gente ruim, desonesta que continuam achando que podem continuar dormindo em berço enquanto o gigante acorda, dorme de novo, acorda irritado, queima uns ônibus, pois tá na moda, e volta a dormir embalado com novas _ velhas_ promessas de que governo a ou b vão fazer as coisas melhorar.
Já se foi esse tempo. É hora de abandonar o tchu, o tcha, o conforto ou desconforto de seus lares e conhecer, entender e tomar atitudes que possam corrigir o mal estar desse país. Foi e é assim em todos esses alguns outros países de gente cidadã onde se ainda não está bom, pelo menos não é um país tão de ponta como o nosso quando o assunto é lambança. (JMN)