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Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Maratonistas de São Mateus querem recuperar o loca de treinos

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Como todo bairro importante, São Mateus também tem seus atletas, alguns são profissionais e outros são amadores. No geral são homens e mulheres que chegaram a um determinado esporte por razões variadas. No entanto, diferentemente de outra atividade humana, a pratica de um determinado esporte é feita por amor, por gosto, por pura opção pessoal e voluntária.
São de alguns destes abnegados e anônimos atletas que não vivem necessariamente disso que estamos tratando. Edwirges Amador Gimenez, Edna Gonçalves Nascimento, José Feline, Nair da Silva eram os componentes de uma pequena comissão que procurou a redação para registrar o descontentamento dos atletas de corrida para com o estado de abandono de uma parte da pista paralela a Avenida Aricanduva onde eles habitualmente treinavam.
Escolhido pelos atletas, em função de suas características e porque não atrapalhavam o trânsito em outros locais, o local já foi adequado um dia, atualmente ele está em estado de abandono, principalmente no que diz respeito à iluminação noturna, momento em que muitos desses atletas anônimos têm para os treinos tão necessários em sua competição.
Em diversas ocasiões eles representam o próprio bairro que não tem oferecido nada em contrapartida. Mais ainda, o pouco que tinham que era a pista em condições de uso, próximo à entrada do Aterro São João parece que foi abandonada pelo poder público. Recentemente a Comgás, concessionária dos serviços de gás, fez obras no local e para tanto removeu árvores que em outras ocasiões foram motivos de orgulhos dos moradores por terem sido plantadas. Em seu lugar ficaram rastros da destruição com buracos abertos ou mal cobertos no trajeto utilizado pelos atletas que com qualquer descuido podem sofrer acidentes graves.
Os membros da comissão fazem parte da Equipe Gás Total que reúne pessoas acima dos trinta anos até cinqüenta que aderiram à corrida como esporte pelas mais variadas razões. Alguns por motivos médicos, um ex-viciado em entorpecentes que largou o vício a partir da prática do esporte e outros por uma opção mais antiga; são os atletas que já atuam há muito tempo. Grande parte dos membros já participou de meias maratonas em São Paulo e no interior do Estado.
Para os participantes, entretanto, a prática saudável da caminhada e da corrida que poderia agregar mais participantes, inclusive com jovens de diferentes idades não pode ser estimulada, nas condições em que se encontram a pista que utilizam. A segurança dos praticantes pode ser ameaçada em função da falta de iluminação, razão pela qual, outros interessados em participar desistiram.
Os atletas procuraram a redação como forma de apelar à subprefeitura de São Mateus para que observem o que está ocorrendo no local e que tomem algum tipo de providência que permita a retomada dos treinos dos atletas em melhores condições. Sem patrocínio fácil, os atletas que em tantas oportunidades representam e bem o bairro, solicitam muito pouco. Se forem atendidas as condições mínimas para o uso do local, os integrantes têm certeza que o número de praticantes poderá ser ampliado o que é bom para a saúde.
Publicado na Gazeta de São Mateus, ed. 242, maio de 2007

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18 de maio de 2007 at 12:39

Publicado em Notícias e política

Iguatemi: 107 anos para comemorar e lamentar

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De acordo com prognósticos do IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2010 o distrito de Iguatemi, em São Mateus deverá ter algo próximo de 173 Mil habitantes, um acréscimo sensível visto que em 1996, portanto apenas dezesseis anos antes da data prevista o distrito tinha 89.835 habitantes. Coisa do dobro de gente. Entre os distritos de São Mateus que engloba São Mateus, São Rafael e Iguatemi é o que mais cresce.
Algumas marcas específicas recentes identificam o bairro. No caso do Iguatemi o funcionamento de um depósito de material de construção em área aberta com suas montanhas de areia e pedra de construção é uma delas. Outra: o traçado da Avenida Ragueb Chohfi, no coração do distrito, toda sinuosa e com o leito carroçável bastante irregular para comprovar o intenso tráfego de todos os tipos de veículos a qualquer dia e horário.
Nem poderia ser diferente é mais um distrito que cresceu acompanhando a dinâmica da periferia da cidade de São Paulo. Apesar de seus mais de 100 anos de existência formal não se pode dizer que seja um distrito planejado, pelo contrário, em comparação com outras regiões de São Mateus torna-se o patinho feio, mas como não é o último da lista em comparação com outras vilas também de São Mateus já não é um patinho tão feio.
Se a conformação arquitetônica é típica de uma periferia sem planejamento o mesmo não se pode dizer da sua inquietação econômica. O distrito de Iguatemi com suas centenas de lojas, comércios, prestadores de serviços regulares e irregulares apresentam uma pujança permanente.
Qualquer observador mais atento poderá constatar que são as suas ruas principais e avenidas que acorrem parte desses milhares de moradores atrás de satisfazer suas necessidades em termos de compras, educação, convívio religioso e social.
Das origens
De acordo com matéria neste mesmo veículo em maio de 2002 a idade real do distrito ou do bairro é assunto a ser apurado. Concretamente nenhum bairro e vila têm um dia de inauguração de fundação. Essa data sempre será algo aleatório se referindo a um determinado período histórico de uma determinada localidade. O que se sabe e qualquer um podem testemunhar é que a ocupação de alguma localidade é sempre algo feito dia-a-dia, ano-a-ano numa expansão quase que permanente até que toda a localidade seja ocupada com residências e construções. Assim foi também com Iguatemi
Na matéria referida uma senhora identificada apenas como Dona Rosinha afirmava que morava no Palanque, uma das vilas do distrito há pelo menos 63 anos. Na ocasião ela afirmava que o bairro teria mais de 100 anos. Dona Rosinha lembrava com algum grau de alegria e outro tanto de melancolia do que passou de dificuldades; ela e seus contemporâneos. Saudosa indicava que o progresso que o bairro verificou tirou a tranqüilidade outrora existente. Outra manifestação muito comum entre os moradores mais antigos das periferias de São Paulo.
“Era só mata virgem. A gente ia a pé daqui para Santo André. Eram apenas carros de boi transportando madeira”, lembra. A atual Ragueb Chohfi com seu intenso e insano trânsito foi lembrada pela personagem com suas cercas de arame que demarcava as propriedades e os buracos nas laterais ocupados pelo gado. As cercas eram usadas para cercar esse gado, muito abundante nas pequenas e grandes fazendas da época.
Dona Rosinha, na ocasião, continuava seu relato citando conhecidos como o “seu Nicolau”, “seu Cipriano”, “seu Ernesto e seu Vitório”, são alguns entre os lembrados de morarem e trabalharem no bairro, conhecido à época como bairro da Estiva. Dona Rosinha lembra de trabalhar quando mocinha entregando leite de casa em casa. Para irem à feira os moradores se locomoviam até Guaianases. Para irem ao cartório de registro civil tinham que ir para o bairro de São Miguel ou para as cidades vizinhas, Rio Grande da Serra, Santo André e Diadema.
Todas essas indicações feitas pela personagem da matéria faziam referência aos anos 30 e 40 o que testemunha a favor da possível antiguidade do bairro.
Uma fazenda transformada em bairro
“Do Palanque até o Jardim Colônia, dois pontos cardeais do distrito do Iguatemi pertenciam a uma única fazenda chamada Iguatemi de propriedade de Saturnino Pereira, personagem que hoje da nome a uma importante rua da zona leste". “O Inácio Monteiro, Cidade Tiradentes, Vila Iolanda era tudo do Saturnino”, diz dona Rosinha indicando a imensidão que era a fazenda. Na Cidade Tiradentes ainda fazia divisa com a Fazenda Santa Etelvina onde à personagem desta história carpir e colheu muito feijão. Com o tempo as duas fazendas foram dando lugar a loteamentos que em constantes transformações chegaram a ponto que hoje se encontram.
 
Igrejinha e tomar licor eram os passatempos
Dona Rosinha conta que entre seus afazeres estava trabalhar com o carregamento do carro de boi e a entrega de lenha nas vilas e nos bairros vizinhos como Sapopemba, por exemplo. Seu pai Guilherme Márquez trabalhava com lenha e era um dos grandes animadores das festas juninas. Naquela época, segue a antiga moradora o divertimento da nossa juventude era se reunir em torno das igrejinhas, trocar idéias e tomar o “rosa só” que era um licor preparado com a combinação de uma erva do mesmo nome, água, canela e cravo. “Enchíamos os garrafões e meus irmãos levavam até a igrejinha. A cada mês uma família diferente fazia o licor. Não havia briga”, rememora.
 
Seu Sinésio orgulha-se do Jardim Iguatemi
Por ocasião desta matéria de 2002 que reproduzimos Sinésio Barbosa, tinha 71 e há 48 era casado com Brasília. Nascido na 3ª Divisão orgulha-se pela região onde mora e afirma com veemência que jamais mudaria para outro lugar. “Seu Sinésio” como é conhecido é mais um anônimo que contribuiu com as próprias mãos para o crescimento do Jardim Iguatemi. Viu muita gente chegar ao bairro, viu outras partirem, viu o progresso bem como vê com tristeza que este mesmo progresso traz problemas como a insegurança.
Ele conta que a 3ª Divisão fazia parte de um povoado que se chamava Carvalho de Araújo que mais tarde se tornaria o bairro de Guaianases. Disse que na época de sua infância as pessoas viviam da plantação de milho, feijão e cana e das olarias, aliás, que muito tempo foi uma das referências da 3ª Divisão e do Iguatemi. Disse que na juventude trabalhava em um alambique da região cortando cana. Outra fonte de renda era a venda de lenha para as cidades e bairros vizinhos.
“O pouco que ganhávamos na época eram mais que suficiente, pois não havia onde gastar. Tínhamos tudo que precisávamos em nossas casas, desde legumes e verduras até frangos, porco e boi”, rememora, citando ainda que as festas juninas e assistir as partidas de futebol de várzea eram os grandes divertimentos de sua época da juventude.
“No meu tempo de moço era bom, eu ia a pé até São Mateus, voltava de madrugada e nada acontecia. Hoje quando escurece ficamos com medo e temos que nos trancar em nossas casas”, lamenta.
Testemunha do crescimento da região, “seu Sinésio” lembra que a luz elétrica chegou em 1971 e com exatidão cita a data em que foi asfaltada a Estrada Aurora Joaquim, hoje Bento Vieira: cinco de novembro de 1973.
 
 
Dados sócio-econômicos para a reflexão
Uma leitura atenta aos dados estatísticos disponíveis a partir do levantamento da própria subprefeitura de São Mateus baseado em dados oficiais coletados em todo o município e do IBGE mostra sinais preocupantes para o distrito que, embora secular, ainda pode reverter tendências e evitar o agravamento dos problemas já existentes.
Território: O distrito do Iguatemi limita-se ao norte com o Parque do Carmo, José Bonifácio e Cidade Tiradentes; a oeste com São Mateus e São Rafael; ao sul e leste com a cidade de Mauá.
Demografia: O distrito conta com uma população jovem de 0 a 19 anos com destaque para crianças até quatro anos que é superior a população a partir dos 40 anos. Este perfil etário da população traz grande desafios ao poder público no sentido de implementar políticas sociais. Com 107 anos de existência o número de creches, unidades básicas de saúde, escolas são poucas.
Perfil sócio-econômico
Comparando-se com todo o distrito e toda a área de atendimento da subprefeitura de São Mateus, Iguatemi concentra uma faixa de moradores com altíssima vulnerabilidade apresentando os piores índices. Com todas as carências que ainda apresenta só o fato de a presença de crianças e adolescentes no Iguatemi ser muito superior comparativamente a toda área da subprefeitura é um agravante.
Os anos médios de estudo estão por volta de 3,87 contra 5,10 do distrito e 5,82 de toda a subprefeitura indicando tempo médio de estudo mais baixo. A renda média do setor Iguatemi tem uma distância para a renda média do distrito em 1,92 vezes menor e de 4,10 vezes menor para toda a área da subprefeitura.
Os moradores do Jardim Iguatemi se deslocam para outras regiões em busca de serviços básicos como postos de saúde e escolas, ou seja, a carência do distrito Iguatemi é evidente.
O distrito de Iguatemi, segundo levantamento da Supervisão de Assistência Social da Subprefeitura de São Mateus que disponibilizou os números acima ainda apresenta em algumas regiões indústrias que oferecem empregos aos moradores locais, entretanto, de forma estacionária, a exemplo do pequeno comércio de vários setores dispostos no distrito não apresentam perspectivas de expansão. Áreas agrícolas significativas não mais são encontradas, entretanto ainda é um bairro que apresenta algumas unidades de hortas domésticas.
O estudo indicou ainda que os principais problemas são o desemprego e o subemprego; a carência alimentar; a baixa presença dos serviços públicos; a precariedade na infra-estrutura urbana provocando riscos à saúde da população e a ausência de serviços de atendimento as crianças.
Indicam ainda que duas áreas estão em processo de regularização fundiária e por sua localização em áreas de proteção e preservação ambiental apresenta associada à problemática social, uma situação de risco ambiental que exige abordagens específicas por parte do poder público.
O adensamento que algumas áreas vêm sofrendo nestes anos deverá ser estudado, pois está implicando no aumento das áreas de altíssima privação e carência.
Diante desses poucos dados apresentados, percebe-se que se os moradores do Iguatemi podem comemorar o seu crescimento e expansão deve, também, observar a expansão vertiginosa de suas carências e mazelas. Diante disso, só uma população organizada e com clareza de objetivos pode interferir e reverter esse processo que aparentemente aponta para o aumento dos problemas.
 Publicado na Gazeta de São Mateus, ed. 242, maio de 2007
 

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18 de maio de 2007 at 12:37

Publicado em Notícias e política

Mulheres de São Mateus tem onde se defender

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 As mulheres de São Mateus vítimas de constrangimentos, agressões psicológicas e físicas já não precisam mais continuar esse tipo de sofrimento e encontram no Núcleo de Defesa da Mulher Cidinha Kopkap um completo serviço de apoio, orientação e acompanhamento com uma equipe de profissionais que reúnem assistente social, psicóloga, advogada e pessoa da administração. O serviço, conveniado com a Prefeitura, é inteiramente gratuito.
Em dois anos de funcionamento cerca de 2000 mulheres já passaram pela casa. Com exceção de 100 que foram constrangidas e agredidas por filhos e outros parentes o restante foram vítimas de violência doméstica por ação de maridos, ex-maridos e companheiros. Segundo Ivone de Assis Dias, coordenadora da instituição, a casa acolhe a vítima e faz uma caracterização de que tipo de agressão ela está sofrendo: humilhações, violências psicológicas, privação, ameaças ou espancamentos. “Diante do relato da mulher, mostramos o tipo de violência a que ela vem sendo submetida e que atitude pode ser tomada”, explica. “Mostramos os direitos que ela tem”.
 Segundo Ivone, a mulher chega fragilizada e, dependendo do caso, é a partir dessa acolhida que se iniciam os desdobramentos que podem ser desde mera orientação até a indicação de outros como, por exemplo, queixa em delegacia, procura de serviços de advogados na Procuradoria Pública ou outras medidas. “É importante destacar que diante do que possa estar ocorrendo com o casal, à mulher precisa fazer a denúncia na delegacia registrando um boletim de ocorrência e depois confirma-lo com uma representação para que se instaure um inquérito. Depois da adoção da Lei 11.340 de 7/08/06, também conhecida como Maria da Penha, não se pode simplesmente retirar a queixa como era comum antigamente”. Nesse aspecto, explica: “Trata-se de uma fase muito comum em que à mulher depois de muitas humilhações é agredida e faz a queixa na delegacia. Temeroso, o marido inicia um processo de reconciliação e a mulher agredida recua da queixa. Na maioria esmagadora dos casos esse recuo não resolve e ela voltará a ser agredida mais tarde”.
“Reconhecemos que a mulher precisa ter muita força para sair dessa situação. Vemos mulheres sofrendo há 20, 30 anos e quando chegam aqui estão dando os primeiros passos. Muitos maridos ficam nervosos. Alguns trancam as portas após elas passarem pela acolhida. A partir daí, nos casos sem conciliação e onde envolva infração a Lei, o caminho é a delegacia que pode resultar depois em separação e processos. Antes, mesmo as mulheres decididas à separação, não encontravam amparo legal, pois não existia legislação específica”, esclarece.
Para a psicóloga Lucimar de Deus existe na sociedade uma banalização sutil da violência. Dá como exemplo a situação de mulheres, e viu alguns casos como este, com 48 anos que entram na menopausa e passam a sofrer pressões psicológicas do marido. “Teve um caso onde a relação conjugal estava tão deteriorada que o marido colocou um tapete sujo enrolado no centro da cama de casal para evitar a aproximação da esposa”, explica. “Em outro caso os maridos se cobrem com edredons quentes para evitar a aproximação das mulheres que, nesta fase, sofrem com muito calor”. A psicóloga explica que o mais corriqueiro é a recusa em dar carinho e o desprezo de que são vítimas. Um outro caso relatado é tipificado como privação e abandono material já caracterizado na Lei. O marido, apesar de ser marceneiro de profissão, quebrou a cama ficou com o colchão onde a mulher não podia dormir. Dezenas de casos são dessa natureza. Não envolve agressão física, às vezes, sequer hostilidade verbal, mas muita humilhação e privação de direitos.
Durante o funcionamento da casa centenas de outros casos envolveram outros tipos de agressões, como o marido forçar a mulher a ter relações sexuais mesmo contra a sua vontade o que agora a lei caracteriza como estupro.
A vida da mulher é permeada pelo ciclo da violência. Na infância ela sofre abuso sexual, na adolescência é forçada à prostituição, na gravidez maus tratos, chegam a abortar devido às violências. Na vida adulta a violência doméstica e na terceira idade mais violência também.
 
Entre os 100 casos verificados estão aqueles em que as mulheres após conseguem se livrar dos maridos ou companheiros agressores, passam a sofrer nas mãos dos filhos que querem assumir o papel desses mesmos maridos e companheiros. Uma demonstração de maus exemplos que são vistos nas casas. Nesse momento cabe a mulher, novamente tomar a decisão de interromper esse perverso ciclo.
Lei Maria da Penha em defesa da mulher agredida
Com a Lei Maria da Penha criou-se um instrumento legal de defesa. Não apenas protege, mas pune os agressores. Hoje acabou o pagamento de cestas básicas e trabalho voluntário para delitos graves. Também aumentou o período de detenção de um a três anos em flagrante. O juiz ainda pode decretar a prisão do agressor caso esteja ameaçando a mulher. Ela também pode conseguir medidas de proteção. “Antes ela tinha que ir para um abrigo e o marido ficava em casa. Hoje, ao contrário ela pode pedir o afastamento dele do lar ou até impor uma medida de distanciamento onde o marido fica impedido de se aproximar dela em 500 m, por exemplo,”, informam as técnicas.
O que se sabe é que após a lei houve mudanças que estão inibindo os homens. Houve relatos de marido dizendo não ia para cima da esposa para espancá-la por causa da lei. ´”É um elemento inibidor. Agora pode ter conseqüência”, afirmam.
Em contrapartida, muitas mulheres, apesar das agressões, ainda se preocupam em não querem prejudicar o marido, por isso recuam e não fazem à denúncia. “Elas precisam saber que a Lei não prevê apenas prisão, apenas em último caso. Pode ter o afastamento, tem inquérito, e o juiz é que vai julgar”, alertam. Se antes era lavrado apenas um termo circunstanciado agora tem um processo. “Que pode ser instaurado inquérito em qualquer delegacia”, explicam, sem deixar de emendar que poderia haver um esforço maior para aplicação da lei. “Às vezes os flagrantes são relaxados, numa falha da polícia. É preciso formar os policiais. Vários juízes também diziam que a Lei Maria da Penha era inconstitucional. Por sorte, temos no Ministério Público um movimento em apoio a Lei, até criaram um fórum pró-Lei Maria da penha. São alguns promotores da Cidadania que estão defendendo a Lei” concluem.
Indagadas a respeito dos índices de violência dessa natureza, as técnicas disseram que não dispõem de dados para afirma. “É preciso investigar isso. Como agora não se pode simplesmente retirar a queixa é possível que as mulheres não estejam fazendo as denúncias, mas pode ser também que, de fato, a lei esteja ajudando a diminuir a intensidade dessa violência”, refletem.
Além desse pronto atendimento, a casa ainda oferece formação, incentivam a volta aos estudos, discutem questões próprias do gênero e incentivam a cidadania, discutindo a luta para a adoção de novas políticas públicas para responder as necessidades específicas das mulheres e da sua posição em sociedade.
Publicado na Gazeta de São Mateus, ed. 242 maio 2007
 

Written by Página Leste

18 de maio de 2007 at 12:35

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Liberdade de gastos para os vereadores

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O projeto aprovado no dia 10/04 na Câmara Municipal de São Paulo que permite aos vereadores gastarem com relativa liberdade cerca de R$ 12.400, ao mês, para as despesas do seu mandato foi objeto de muita crítica e campanhas contra, principalmente, em programas jornalísticos de rádio, algumas emissoras de televisão e jornais.
A crítica é sempre bem vinda quando consubstanciada com um arsenal de informação, fatos inequívocos e uma amplidão no olhar para perceber as nuances que envolvem determinados assuntos e esse é um deles. Não ajuda trata o assunto apenas  como um “trem da alegria”.
Longe de defendermos aqui os vereadores não temos nenhuma procuração para isso e nenhum motivo para fazê-lo, ao contrário, diante da qualidade dos atuais vereadores que compõe a atual legislatura, muito parecida com a anterior é preciso reconhecer que sobram motivos para as críticas; desde o fisiologismo de muitos, o corporvatismo de outros e os métodos escusos de fazer e manter-se na política de quase todos eles.
Se eles podem ser criticados cabe, entretanto, conforme alertado acima um pouco mais de aprofundamento no assunto. Uma primeira lembrança é a de que esses vereadores para o mal ou para o bem foram eleitos pelo voto dos eleitores seja praticando acintoso clientelismo seja convencendo os eleitores com a sua plataforma.
A partir dessa primeira consideração, vamos reconhecer: não é para qualquer um recebem uma carreta com mais de 30.000 votos em média. Essa consideração tem sua conseqüência. Reflitamos com o seguinte fato: uma campanha eleitoral é também e principalmente um arco amplo de relações entre o candidato ou seus assessores e o eleitorado em geral; ou seja, dá-se quase que diretamente entre o candidato e político e sua clientela. Se assim é, porque se estranha que a partir de eleito ele possa continuar a desenvolver essa relação com a comunidade? Ao contrário é uma obrigação dele fazê-lo, daí ter uma estrutura e recursos a serviço do seu mandato é legítimo.
Se antes da aprovação dessa polêmica lei os vereadores tinham cotas para gastar como 400 litros de combustíveis, 5 mil postagens e 3 mil impressões, agora um valor quase equivalente pode ser gasto como quiserem, desde que apresentem notas. Daí a reclamação: “Eles vão gastar com mordomias”, exclamam. Cada um cuida do seu. Eles não foram eleitos com nossos votos? Se eles não se comportarem não votem mais e façam campanha contra. O que não é admissível é essa moralidade pequena burguesa.
Como o assunto é de alta temperatura, o primeiro secretário da Câmara de São Paulo, vereador José Américo (PT), disse que os vereadores serão orientados por um manual sobre onde gastar os R$ 12,4 mil “livres” a que terão direito. A cartilha sugere parâmetros de um determinado controle, entretanto, para ter validade legal depende ainda da sanção da lei pelo prefeito Gilberto Kassab e de sua regulamentação pelos vereadores. "Nós não regulamentamos agora porque queremos calcular exatamente quanto será o valor (que os vereadores deverão ter como teto de gastos). Em segundo lugar vamos criar um comitê de funcionários que vai fazer o controle", disse José Américo. Mesmo sem conhecer a cartilha é pouco provável que ali esteja escrito gastos com mordomias.
Concretamente, se houver a fiscalização do uso dos recursos pelo vereador é possível que a nova forma de gerenciamento de recursos seja até mais eficiente. Apenas um desdobramento apontado por especialistas já no dia 11 preocupa: a reforma administrativa aprovada pela Câmara pode gerar um efeito cascata que é imoral num aspecto e ilegal em outro. No primeiro caso, o pacote é considerado um mau exemplo. “Isso pode ser replicado num futuro não muito distante nas demais municipalidades”, disse o coordenador das Promotorias de Justiça e Cidadania do Estado, João Francisco Moreira Viegas. No segundo caso, abre brechas para que servidores ganhem mais que o teto do funcionalismo, que é o salário do prefeito Gilberto Kassab, de R$ 9.636.
Consciente de todos os riscos o que não dá é para compactuar com a hipocrisia de importantes setores da sociedade para os quais político não deveria ganhar nada ou no máximo ter um cabresto muito bem apertado.
Agora, dos políticos, espera-se que saibam o que vão fazer a partir de agora, mesmo porque se espera que um dia a cassação e punição de políticos corruptos seja prática freqüente no país.

Written by Página Leste

16 de abril de 2007 at 18:36

Publicado em Notícias e política

Ainda o meio ambiente

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Assunto recorrente que tem muito a ver com nossas vidas, vira e mexe vamos tocar no assunto a partir das observações que fazemos no dia-a-dia.
Chamou-nos a atenção uma notícia na manhã do dia 28/03. A Prefeitura da cidade americana de San Francisco, aquela que é palco de inúmeros filmes norte americanos, aprovou um projeto que proibirá as bolsas de plástico fabricadas com derivados de petróleo nos grandes supermercados, num esforço para proteger o meio ambiente.
O prefeito Gavin Newsom deve sancionar a lei, que fará de San Francisco a primeira cidade dos Estados Unidos a adotar uma medida desse tipo.
Segundo a legislação, os grandes supermercados não poderão distribuir bolsas de plástico fabricadas com derivados do petróleo dentro de seis meses. As grandes farmácias teriam um ano para se adaptar à medida.
As novas regras permitiriam apenas a distribuição de bolsas de plástico recicláveis feitas com produtos derivados do milho. Seu uso é pouco freqüente hoje. Papel reciclado e tela são outros materiais admitidos.
"Muitas cidades estrangeiras e outros países já adotaram legislações semelhantes", disse Ross Mirkarimi, o legislador que propôs a medida. Ele disse esperar que outras cidades americanas sigam o exemplo.
Que maravilha! Primeiro mundo é outra coisa e tomará que a lei que está sendo proposta ganhe corpo e mentes dos americanos no país que está entre os que mais poluem. Pode ser até uma forma de imprimir a si próprios uma pequena penitência pelos pecados cometidos contra o meio ambiente que é propriedade de todos sem ser de ninguém. Veneno à parte, torcemos para que essa possa ser uma lei daquelas que pegam e que seja copiada e imitada em outros países do primeiro mundo seja no continente americano, no europeu e asiático.
Mas como a notícia nos faz refletir parei por um instante para imaginar uma iniciativa igual a esta em nossa metrópole. Deu o que pensar. Será que os moradores desta grande e caótica cidade se dariam a esse trabalho que mudar hábitos tão arraigados e substituir os saquinhos de mercado, hoje fiéis depositários dos nossos refugos?
Depois de pensar, deu para assustar. Essa prática e inofensiva embalagem de nossos grandes mercados; aquelas que recolhemos até um pouco a mais do que o necessário para acomodarmos o nosso lixo do dia-a-dia é o mais plástico entre os plásticos. Aquele mesmo que no solo da natureza leva mais de centenas de anos para se transformar em outra coisa ou desaparecer, será que abriríamos mão de usá-los? Tenho certeza que não.
É indiscutível a praticidade dos saquinhos plásticos para acomodar o lixo. Os mais antigos talvez ainda se lembrem de que o lixo doméstico era colocado em latas de 20 litros, entre as mais comuns as de óleo, que eram recolhidas pelos lixeiros que depositavam o conteúdo sobre os caminhões de lixo, largando a lata metros à frente de onde foram colocadas. Na eminência da passagem do caminhão de lixo, era comum as pessoas se postarem no portão de suas casas para recuperarem as latas que voltariam a armazenar o lixo do dia seguinte.
Como não tem a menor viabilidade voltar a esses tempos bucólicos, a indústria, a mesma que para ampliar ganhos estimulou o hábito no uso dos sacos plásticos, cabe buscar alternativas. Para tanto pode buscar ajuda nas universidades e prestar muita atenção ao que os americanos estão propondo.
Para nos resta reduzirmos a produção de lixo, portanto, a utilização dos práticos saquinhos. A mudança de hábitos será uma travessia enorme uma vez que ainda temos vizinhos perto ou longe que além de usarem e abusarem dos sacos plásticos ainda os joga em córregos, terrenos e ruas isoladas, ao invés de armazenarem adequadamente para o lixeiro pegar.
Publicado na Gazeta de São Mateus -ed 239 -2aquinzenamarço2007

Written by Página Leste

2 de abril de 2007 at 13:24

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O lenga-lenga contra os Direitos Humanos

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Esta semana recebi no meu e-mail o entusiasmado texto (tudo em maiúscula) abaixo acompanhado de  um pequeno vídeo onde um determinado delegado de polícia, que não me dou ao trabalho de identificá-lo aqui, ao arrepio da Lei, repete a confusa e simplista cantilena de que bandido bom é bandido morto. O delegado tem o direito de defender suas idéias e a sociedade tem o direito de discutir esse assunto à exaustão.
O texto do e-mail, porém, merece alguns mínimos retoques de tão primário que é. Começa no segundo parágrafo onde mistura coisas diferentes; no terceiro, crítica de forma antecipada a possibilidade de um documentário sobre atrocidades ou violação dos DH dos criminosos em tutela do Estado. No quarto, calcula que o ministro da Justiça a quem chama de escroto pode vir a indenizar as famílias de bandidos.
No mesmo parágrafo, distila uma ira quanto ao fato dos presos políticos (e não bandidos), mesmo os que tiveram em armas contra a ditadura que prendia e arrebentava de terem indenização do Estado, onde deveriam estar tutelados. Acusam de serem simplesmente ex-exilados ou perseguidos políticos cientistas, padres, estudantes, poetas, engenheiros, médicos etc.
Por fim, no último parágrafo mostra o quão reacionário continua uma vez que aceita as atrocidades cometidas pela ditadura militar (uma pena, que não fizeram o serviço direito) e agora querem dar carta branca a delegados dessa estirpe.
Para não ir longe, entretanto, estou divulgando no final uma matéria que publiquei logo após os ataques do PCC em São Paulo em maio de 2006 e lembro a todos que mesmo com todo o esforço do Governo do Estado para esconder os fatos, foram mais de 50 mortos em discutível confronto com a polícia logo após os atentados. Os mais de 50 a que me refiro são os que comprovadamente não tinham passagem pela polícia.
Continuemos a reflexão! 23/03/07
PARABÉNS PARA ESSE DELEGADO QUE TEVE A CORAGEM DE DIZER REALMENTE O QUE DEVE SER FEITO COM OS BANDIDOS.
COM CERTEZA OS DEMAGOGOS, A IMPRENSA, A CORJA DOS DIREITOS HUMANOS E A CAMBADA DE POLÍTICOS DESTE PAÍSZINHO DEVERA PENALIZAR OU AFASTAR ESTE DELEGADO AO INVÉS DE DAR-LHE O APOIO…
DO JEITO QUE A COISA ESTA INDO NESTE PAÍS DAS MARAVILHAS, LOGO LOGO DEVERÁ TER UM FILME CONTANDO A HISTÓRIA DE PERSEGUIÇÃO E SOFRIMENTO DE FERNADINHO BEIRA-MAR OU UM DOCUMENTÁRIO DOS DIREITOS HUMANOS, DIZENDO SOBRE AS ATROCIDADES E MORTES COMETIDAS PELA POLÍCIA AOS COITADOS DOS ESTRUPADORES, SEQÜESTRADORES E HOMICIDAS.
PROVAVELMENTE AQUELE ESCROTO DO NOSSO MINISTRO DA JUSTIÇA, DEVERÁ EDITAR UMA MP, INDENIZANDO A FAMÍLIA DOS BANDIDOS MORTOS PELA POLÍCIA, A EXEMPLO DO QUE FOI FEITO COM OS "PRESOS POLÍTICOS" – PRESOS ESSES, QUE AGORA SÃO GOVERNO E  QUE TEM COMO CURRÍCULO APENAS TEREM "SIDO EXILADOS E PERSEGUIDOS POLITICAMENTE"  E QUE NADA FAZEM PELO POVO,  A EXCEÇÃO DE CONSEGUIREM UMA BELA INDENIZAÇÃO E UMA PENSÃO VITALÍCIA.
UMA PENA, QUE OS MILITARES NAQUELA ÉPOCA, NÃO FIZERAM O SERVIÇO DIREITO……..
 
A irresponsabilidade dos grandes meios de comunicação
  Padre Júlio Lancelotti, conhecido ativista dos direitos dos mais humildes, do povo de rua, dos encarcerados e de outras minorias na cidade de São Paulo foi desafiado na manhã de domingo, em frente a sua paróquia, por populares que criticaram-no abertamente como protetor de bandidos por sua luta pelos direitos humanos.
Precipitadas, essas pessoas não tinham como saber que durante as outras noites o Padre Júlio Lancelotti e outros ativistas estiveram em vigília com policiais militares, correndo os mesmos riscos que eles.
Essas pessoas não sabiam e nem sabem que os ativistas de direitos humanos estiveram reunidos no mesmo fim de semana que acontecia os ataques em um ato ecumênico e com lideranças de várias correntes e entidades criticando o ataque aos policiais e aos civis, soltando notas para a imprensa e, novamente, com o Padre Júlio ligando para bispos de outras regiões para que se solidarizassem com a causa.
Essas pessoas não sabiam e nem sabem que ainda esta semana, o Padre Júlio e o pessoal dos direitos humanos estiveram em visita a Secretaria de Justiça do Estado para mostrar o equivoco do inquérito que está se instalando com acusações infundadas contra Conceição Paganele, de novo, outra ativista dos direitos humanos.
Não sabem também que vigilantes como sempre os direitos humanos entendem que as autoridades devem agir com o máximo rigor admitido pelas leis, para a identificação e punição dos autores intelectuais e materiais dessa barbaridade, e que reiteram, uma vez mais, que a defesa dos Direitos Humanos nunca foi e não será agora um obstáculo às ações rigorosas e eficientes em defesa da sociedade, entretanto considerando indispensável uma reflexão sobre os motivos e as condições que contribuíram para essa barbaridade.
Essas pessoas não sabiam, não sabem e nem podem saber dessas informações enquanto a grande imprensa oligapolizada, com vistas ao lucro e se isentando de sua responsabilidade de divulgar as várias nuances do assunto, não forem democratizadas.Finalmente as pessoas podem saber que estão solidários com todas as famílias das vítimas dos atentados desses últimos dias, algumas autoridades, tais como: Antonio Carlos Malheiros, Antonio Carlos Fester, Frei Betto, Dalmo Dallari, Denis Mizne, Fabio K. Comparato, Gofredo da Silva Telles, Hélio Bicudo, João Baptista Breda, José Carlos Dias, José Gregori, Luiz Eduardo Greenhalgh, Marco Antonio Barbosa, Margarida Genevois, Maria Eugênia da Silva Telles, Maria Victória Benevides, Oscar Vilhena, Paulo Mesquita, Paulo Sérgio Pinheiro.  J. de Mendonça Neto

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24 de março de 2007 at 16:43

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Quem é a Irmã Célia Bastiana Cadorin

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É de Célia Bastiana Cadorin, irmãzinha da Imaculada Conceição, catarinense com mais de 20 anos morando na Itália a responsabilidade pela santificação do Frei Galvão, nosso primeiro santo brasileiro que deve ocorrer durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil.

Como postuladora, desde 1991, da causa do frade diante do Vaticano é a porta-voz natural de todo o processo. Para isso irmã Célia reuniu depoimentos, pesquisou informações e constatou a possível ocorrência de alguns milagres como o caso da menina Daniela Cristina da Silva, em 1986 que com 4 anos teve hapatite A, várias complicações, duas infecções hospitalares, uma parada cardiorespiratória e que se recuperou. A tia, devota de Frei Galvão levou pílulas para a mãe e água benta para a criança. Resultado: recuperação instantânea, perfeita e sem seqüela. Daniela é uma moça de 21 anos.

Frei Galvão não era pobre, era filho de capitão, mas largou essa vida para se dedicar aos pobres, principalmente os escravos que o ajudaram a levantar o Mosteiro da Luz, em São Paulo. Apesar de ser um intelectual trabalhou na construção do Mosteiro de São Bento. Irmã Célia já sabia dessa ternura ao assumir a causa em 1991, incumbida pelo também catarinense dom Paulo Evaristo Arns e quis saber por que cargas d’água o processo de Frei Galvão estava empacado desde 1938.

De lá para cá muito trabalho, mas a tarefa não era novidade, a favor de sua competência a religiosa tinha a causa de Madre Paulina, parada por 12 anos.

No processo de santificação, não basta apenas a biografia do candidato, mas o ambiente em que viveu.  Depois de pesquisas no arquivo do Vaticano, na cúria de São Paulo, em Florianópolis e em Curitiba onde conseguiu informações que precisava para o processo. A Irmã pegou registros no Rio onde o frei foi ordenado, foi para Guaratinguetá, local do nascimento do frei. Pesquisou em Aparecida e na cúria dos fransiscanos onde o frei morou por 60 anos.

Além disso a fama do Frei Galvão continuou após a sua morte com visitas frequentes dos devotos a sua sepultura. A prova da santidade tem que ser dada à partir da ocorrência de um milagre como foi o citado acima.

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22 de março de 2007 at 8:22

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Instituto propõe criação de escola para trabalhadores da construção civil

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O Instituto Santa Suzana com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado de São Paulo, realizaram no domingo, dia 18, no bairro Cidade Boa Vista, da cidade de Suzano, um evento buscando reunir a comunidade organizada em torno do instituto, trabalhadores da construção civil, sindicalistas e lideranças em geral.

O mau tempo durante a manhã afastou parte dos 500 convidados. Segundo o assessor sindical Francisco Aparecido Coelho, que também atua na comunidade, os organizadores estavam preparados com churrasco à vontade, música ao vivo e amplo espaço para as pessoas se divertirem.

Pela hora do almoço já eram mais de 200 as pessoas presentes. Antes, a comunidade pode participar de uma missa celebrada pelo padre Dimas de Paula Inácio que também colocou a disposição dos interessados um livro de sua autoria que trata da vida do Frei Galvão, o mesmo que está às vésperas de ser canonizado santo na visita do papa Bento XVI ao Brasil. A renda com a venda dos exemplares é utilizado nas ações da entidade.

Durante a missa celebrada num salão local totalmente tomada pelos fiéis foi apresentada a planta baixa da futura escola para os trabalhadores da construção civil que está sendo proposta para o local. Durante a missa, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de São Paulo e também vice-presidente nacional da Força Sindical, Antônio de Souza Ramalho, demonstrou entusiasmo com a idéia do padre Dimas.

O presidente do sindicato fez melhor. Em entrevista, Antonio de Souza Ramalho disse que a escola vai poder contar com a experiência acumulada do sindicato no aspecto educacional. “Podemos transferir todo o know-how para a escola que o padre Dimas pretende construir. Temos trabalhado a questão da requalificação profissional e mantido um grade curricular bastante apropriada a atual realidade da construção civil”, enfatizou.

Aparentemente, a colaboração do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo junto ao Instituto Santa Suzana parece apontar para a ampliação. É possível, inclusive, que a própria construção da unidade seja viabilizada parcial ou completamente pela articulação do sindicato. Uma saída que agrada muito ao padre Dimas que conhece bem as dificuldades de viabilizar projetos desta natureza junto às várias esferas de governo.

A importância da proposta do Instituto Santa Suzana de Promoção Humana, Educação e Cultura e sua aproximação com a categoria da construção civil são reconhecidas pelo assessor sindical Coelho que acredita no crescimento da sindicalização a partir das ações que já estão sendo desenvolvidas.

Principal representante do sindicato durante o evento, Coelho foi responsável pelo bom andamento do evento que entre outras lideranças locais recebeu Margarida de Souza, da Associação Caminho de Luz que compareceu com o marido vindo diretamente de uma viagem.Também estava entre os presentes a irmã Célia Bastiana Cadorin, a responsável oficial do Vaticano por todo o processo de santificação da Madre Paulina e atualmente do Frei Galvão.

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22 de março de 2007 at 8:15

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Direitos Humanos da Câmara Municipal faz ato contra redução da maioridade penal

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Contra as articulações que visam à redução da idade penal mais de 350 pessoas lotaram as dependências do salão nobre da Câmara Municipal no dia 19/03, durante o debate promovido pela Comissão Extraordinária Permanente de Direitos Humanos e Cidadania da Câmara e do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humana.

Logo após a composição da mesa, o debate mediado pelo presidente da Comissão, vereador Beto Custódio (PT), teve início com o padre Júlio Lancelotti que se posicionou contrário à redução da idade penal “Se isso ocorrer os direitos escritos na Constituição Federal de 1988 vão ruir e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) será colocado de cabeça para baixo tornando mais intensa a violação dos direitos”. Para o padre Júlio é hora de pressionar no sentido contrário no sentido de garantir o cumprimento do Estatuto.

 Foi a primeira manifestação no evento contra um projeto de lei em tramitação no Congresso que visa diminui a idade penal dos atuais 18 anos para 16 e que sugere mudanças nas medidas punitivas atualmente em vigor, por exemplo, aumentando o período de encarceramento.

Presente ao debate, o senador Aloísio Mercadante deu voto contrário ao projeto na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Explicando que diferente do que parece; o fato de não concordar com a redução da idade penal não significa que vai haver impunidade para delitos de jovens e adolescentes em conflito com a lei, ao contrário. “Atualmente o jovem infrator já pode ficar até nove anos sob a tutela do Estado. Até três anos de internação, três em regime semi-aberto e outros três em regime de liberdade assistida. Reduzir a maioridade é trazer para os adolescentes a barbárie dos presídios e essa não é a solução para os adolescentes”, enfatizou.

Da mesma fora que o padre Júlio Lancelotti que o precedeu: repudiar a redução da maioridade penal não significa ser a favor do bandido e da impunidade. “Queremos o jovem com educação e trabalho, com limite e responsabilidade, mas com seus direitos observados”, sustentavam.

O senador Aloizio Mercadante, lembrou ainda que a proposição é inconstitucional e o Brasil é signatário de convenções internacionais que prezam a maioridade penal aos 18 anos.

Opiniões distintas

Expressando o que uma parte minoritária da platéia pensava, segundo apurou a reportagem, o vereador Agnaldo Timóteo (PR) discordou da defesa que o evento fazia em favor da manutenção da atual idade penal. Mesmo que parcialmente hostilizado, o vereador conseguiu assegurar o seu direito a opinião. Segundo ele, é preciso debater mais. "Temos de olhar a questão com cautela. Precisamos diferenciar o jovem trabalhador do jovem que é barra pesada", lembrou.

Falando quase a seguir, o ex-deputado federal e militante dos Direitos Humanos Luiz Eduardo Greenhalgh registrou a pertinência da opinião expressada pelo vereador Agnaldo Timóteo: “Ela é a expressão do que pensa o grosso da população”, registrou. Apesar de declarar, da mesma forma que o senador Mercadante um pouco depois, o direito pleno ao contraditório, Grenhalgh lembrou que por trás de um adolescente em conflito com a lei, em geral, pode se vista uma família desestruturada, demonstrando que de fato a questão é mais profunda.

Greenhalgh arrancou aplausos da platéia majoritariamente composta de conselheiros tutelares quando evocou as dificuldades desses representantes na sua luta pelo cumprimento do ECA. “Sabemos que muitos promotores e juízes torcem os narizes quando diante dos conselheiros e suas demandas. Essa á uma situação que precisa se modificar”, indicou. Fez coro com a necessidade dessa iniciativa, durante a sua fala, o desembargador de Justiça e presidente da Comissão de Justiça e Paz, Antônio Carlos Malheiros. “Tenho sobre a minha responsabilidade tentar desarmar o espíritos e sensibilizar promotores e juízes no trato de um assunto tão delicado quando o da adolescência numa situação como a nossa. Espero poder fazer alguma coisa por isso”, desabafou.

Entidades defendem maioridade penal aos 18

A maioria dos presentes foi contrária à redução da maioridade penal. Para a advogada Valdênia Aparecida Paulino, do Conselho Nacional de Direitos Humanos, a defesa da tese revela a "hipocrisia da elite brasileira", que só se preocupa com crianças e adolescentes quando jovens das classes média e alta são vítimas de crimes. Ela enfatizou que Estado e município devem garantir direitos básicos às crianças e adolescentes.

Para a professora Eunice Prudente representando a seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP): "A redução da maioridade é uma decisão imatura em um País que, lamentavelmente, chegou ao século XXI sem resolver questões como índices de miserabilidade, latifúndio e não-distribuição de renda."

Participaram ainda do debate representantes da Promotoria da Infância e da Juventude do Ministério Público Estadual, da Ouvidoria da Polícia Civil e da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Justiça e de Defesa da Cidadania. Também compareceram representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, da Pastoral do Menor, dos conselhos de Defesa dos Direitos Humanos e de Defesa dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes também estavam presentes, assim como o desembargador de Justiça e presidente da Comissão de Justiça e Paz, Antônio Carlos Malheiros. Integraram o debate, ainda, representantes da ONG Aldeias Infantis e dos projetos Amar e Travessia, entre outras entidades.

Diante das manifestações contrárias a redução da maioridade penal, o mediador do debate, vereador Beto Custódio, propôs que se instalasse um fórum permanente das entidades e autoridades envolvidas para expandir e ampliar o debate na sociedade, visto que, para alguns a mídia tem focado o assunto de forma distorcida e leviana. (JMN)

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20 de março de 2007 at 17:11

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É Vila Bela, mas poderia ser Vila Calamidade

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Quem chegar à Vila Bela, no distrito de São Mateus, entrando pelo acesso principal a Avenida Pedro de Medeiros durante as chuvas torrenciais ou logo após ela cair vai se deparar com todas as dificuldades possíveis para transitar. De carro, nem pensar. É ter a certeza d encalhar mais a frente. Pode até se manter na avenida, mas não consegue acesso em uma de suas transversais.

A Rua Edmilson de Oliveira, onde a moradora Patrícia Araújo já mora há três anos é um exemplo. Só mesmo à pé e com cuidado redobrado para não torce-lo diante de tantos buracos. Os moradores até que colocam cascalhos neles, mas a força das águas de chuva os faz escorrerem até os córregos próximos que vivem assoreados por outros tantos dejetos lançados pelos próprios moradores.

Na Rua Clara Nunes, Rua Oscarito, Rua Francisco Alves, Ataulfo Alves a situação em que se encontram deve estar fazendo esses artistas se revirarem em sua tumba tamanha à precariedade em que se encontram. Na Rua Oscarito, por exemplo, o acesso de carro já não é possível porque o assoreamento verificado no córrego que atravessa a rua estreitou a largura da rua, deixando a mostra uma tubulação inoperante.

Na Rua Clara Nunes, por exemplo, os moradores inadvertidamente dão sua conta de contribuição para as dificuldades do lugar. A beira do córrego que passa logo no início, paralela a avenida está se formando um ponto viciado de entulhos, ou seja, um local onde estão jogando entulho que certamente escorrerá para dentro do córrego durante as próximas chuvas.

Durante essa pequena inspeção, a reportagem constatou que o rigor das chuvas que tem caído em São Paulo já mudou a rotina de muitos moradores. Ruas por onde transitavam carros dos moradores, hoje mal servem aos pedestres.

Mas não é somente o resultado das chuvas que assustam os moradores. A falta de saneamento básico e o fornecimento de água para as casas que circulam por quilômetros de estreitas e improvisadas mangueiras tem propiciado o aparecimento de um número crescente de pessoas com doenças e infecções próprias da insalubridade do local.

Em diversos pontos as mangueiras por aonde a água chega às casas estão no mesmo local por onde correm os esgotos à céu aberto. A água não tratada e que já tem origem duvidosa vindo de diversas fontes que ainda existem na região ainda pode ser contaminada através das várias emendas e furos no encanamento.

A persistência de ratos que convivem com famílias com várias crianças também dá uma dimensão do problema. Como as diversas ruas ou ruelas não podem ser alcançadas pelos caminhões que recolhem o lixo, várias caçambas estão espalhadas por pontos estratégicos, entretanto, a periodicidade com que é esvaziada, uma vez por semana, sendo que às vezes demora ainda mais e o uso inapropriado pelos próprios moradores faz desses pontos os lugares preferidos das centenas de ratazanas que circulam pela Vila Bela aterrorizando a todos.

 Vila Bela: sem solução aparente à vista

A Vila Bela ou Calamidade fica no distrito de São Mateus, zona leste da cidade de São Paulo e é uma área de 1 milhão e 125 mil metros quadrados ocupada pelos atuais moradores nos últimos 14 anos. De lá para cá as várias pendências indicaram que o local tem como proprietário Antonio Mikail que em diversas ocasiões, segundo lideranças locais se predispôs a negociar.

Para William José da Silva, que está na área desde o início o desinteresse é do governo municipal e do governo do Estado. “Já travamos várias lutas para manter nossas casas e tentar a regularização. Até no palácio do Governo do Estado estivemos em passeata e até agora nada se resolveu”, reclama.

O mais próximo que o local esteve de uma possível saída que contemplasse todas as partes envolvidas foi em 2005, quando da gestão do deputado Adriano Diogo (PT), na Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Segundo ele, na ocasião surgiu uma proposta interessante, mas que, entretanto, não foi aceita pela prefeitura. Antonio Mikail que representa suas tias, as reais proprietárias queria ceder a área da Vila Bela a custo zero desde que a prefeitura comprasse à preço de mercado uma outra área de mata nativa de tamanho considerável e passível de conservação. “Na época, a prefeitura não aceitou, embora a Secretaria do Verde e Meio Ambiente tivesse interesse”, esclareceu o atual deputado.

Segundo William José durante todo esse tempo algumas ordens de despejo foram barradas e a última tentativa de despejo está em suspenso, por enquanto. “A prefeitura alega que não pode entrar em área particular; o governo do Estado também, enquanto isso vamos enfrentando todos esses problemas que parecem nunca acabar”, indica.

Para a liderança os governos devem tomar alguma providência, até mesmo acertar a situação com os proprietários caso haja mais de um, através de algum tipo de programa de interesse social. “Vai chegar uma hora que os governos vão ter que assumir alguma responsabilidade com essas quase 100 mil pessoas que moram por aqui. Da nossa parte vamos continuar na luta pela regularização e seria bom contar com a ajuda da comunidade que, às vezes está desanimada ou acomodada”, indica. (JMN)

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20 de março de 2007 at 17:05