“Nós cultuamostodas as doçuras”: as religiões de matriz africana e a tradição doceira dePelotas
As tradições de matriz africana cultuadas em Pelotas são intrínsecas à história da cidade, seus costumes e vivências cotidianas. Essas vivências, marcadas pela oralidade, são repassadas de geração a geração, dentro dos terreiros e das casas de umbanda. O doce no batuque pelotense tem um significado ainda mais forte do que em outros contextos, isso se dá porque os braços e mãos negros que proporcionaram a consolidação deste munícipio como a capital do doce são marcados pela vivência do axé. Não são mais nos grandes casarões que se servem uma grande quantidade de quindins. É no terreiro.
Nas periferias de Pelotas, nas ruelas dos bairros em que estão situadas as casas de santo, permanece viva a tradição doceira no dia a dia. A economia gerada nas cooperativas de doces é imbricada na vivência de mulheres, na sua maioria negras, que celebram a fertilidade, a doçura, o sagrado através da produção dos doces que serão ofertados às divindades relacionadas a estes arquétipos. O trabalho desenvolvido pela pesquisadora Marília Floôr Kosby é uma narrativa que há muito precisava ser passada às palavras escritas.
O texto convida a repensar Pelotas, um reencontro dos descendentes daqueles que proporcionaram a pujança econômica vivenciada no período charquedor com os seus ancestrais. Mais do que isso, é a possibilidade de desmistificar um ideário europeizado da “princesa do sul”. Que é doce, mas ao mesmo tempo também carrega na sua história a amargura daqueles que por muito tempo tiveram sua voz silenciada. Assim como o tambor, o doce exerce a possibilidade de comunicação com a massa mítica ancestral. Cozinhar no terreiro é dar significado aos pressupostos civilizatórios de matriz africana, ter doçura no quarto de santo é um diálogo com a orixalidade e, frequentemente, é também a maneira de anestesiar as dores das mazelas que o racismo ainda produz em nós, vivenciadores do axé. Diz um provérbio antigo, do povo ioruba, que chuva fina mas constante faz o rio transbordar. Esse livro é uma chuva fina e constante, assim como é constante a resistência do povo negro pelotense, certamente transbordará o rio de sangue que ainda precisa vir à tona para (re) contar a história de Pelotas.
Que transborde em doçura, daquelas que confundem o paladar.
Winnie de Campos Bueno
Yalorixá do Ilé Ayie Orisha Yemanjá
Graduanda em Direito pela Universidade
Federal de Pelotas
Nº de pág.: 116
ISBN: 978-65-5917-174-3
DOI: 10.22350/9786559171743
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O Mais Belo Suicídio

Evelyn Francis McHale (20 de setembro de 1923 – 1 de maio de 1947) foi uma escriturária americana que cometeu suicídio pulando da plataforma de observação do 86º andar do Empire State Building.
Em 1º de maio de 1947, uma jovem e bela mulher deu um salto do 86º andar do Empire State Building e pousou em uma limusine das Nações Unidas estacionada na rua abaixo. O metal do carro dobrou como lençóis e emoldurou sua cabeça e braços. Tudo sobre a elegância de sua pose – desde a mão enluvada segurando o colar de pérolas até os tornozelos delicadamente cruzados sugere por que sua morte foi considerada “O Mais Belo Suicídio”.
A República das Milícias
O que fazia o policial Fabrício Queiroz antes de se tornar conhecido em todo o país como aliado de primeira hora da família Bolsonaro? E o líder miliciano Adriano da Nóbrega, matador profissional condecorado por Flávio Bolsonaro e morto pela polícia em 2019? E o ex-sargento Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e morador do mesmo condomínio do presidente da República na Barra da Tijuca? Os três foram protagonistas de uma forma violenta de gestão de território que tomou corpo nos últimos vinte anos e ganha neste livro um retrato por inteiro: as milícias. Eles são apresentados ao lado de policiais, traficantes, bicheiros, matadores, justiceiros, torturadores, deputados, vereadores, ativistas, militares, líderes comunitários, jornalistas e sobretudo vítimas de uma cena criminal tão revoltante quanto complexa.
O livro se constrói a partir de depoimentos de protagonistas dessa batalha. São entrevistas que chocam pela franqueza e riqueza de detalhes, em que assassinatos se sucedem e as ligações entre policiais, o tráfico, o jogo do bicho e o poder público se mostram de forma inequívoca. Num cenário em que o Estado é ausente e as carências se multiplicam, a violência se propaga de forma endêmica, mas deixa no ar a questão: qual a alternativa?
A resposta está longe de ser simples. Sobretudo num país de urbanização descontrolada e cultura política permeável ao autoritarismo. Dos esquadrões da morte formados nos anos 1960 ao domínio do tráfico nos anos 1980 e 1990, dos porões da ditadura militar às máfias de caça-níquel, da ascensão do modelo de negócios miliciano ao assassinato de Marielle Franco, este livro joga luz sobre uma face sombria da experiência nacional que passou ao centro do palco com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018.
Mistura rara de reportagem de altíssima voltagem com olhar analítico e historiográfico, A república das milícias expõe de forma corajosa e pioneira uma ferida profundamente enraizada na sociedade brasileira.
A História do Século 20 Para Quem Tem Pressa
Livro: A História do Século 20 Para Quem Tem Pressa – Nicola Chalton e Meredith Macardle
Publicado na zine LacrE número 0
A História do Século 20 para Quem Tem Pressa é um guia acessível para 100 anos de história moderna. Enormes avanços na ciência e na tecnologia — estimulados por exigências do comércio internacional e conflitos armados sem precedentes — resultaram no surgimento de aviões, automóveis e antibióticos que salvam vidas. Desde a queda do Império Britânico até a era nuclear, desde os avanços pioneiros nos direitos civis até a internet, o ritmo e o alcance do progresso e das mudanças foram extraordinários.
Nicola Chalton e Meredith MacArdle relatam os impressionantes eventos de um século diferente de todos, identificando as figuras-chave e os momentos decisivos desse notável período da história. Em ordem cronológica, informações básicas sobre duas guerras mundiais, a criação das vacinas, a conquista da Lua, o fenômeno da globalização, a revolução digital, o perigo do aquecimento global… e muito mais em linguagem de fácil entendimento e com mapas ilustrativos para o leitor que deseja conhecer melhor o mundo em que vivemos.
Águas do norte
Águas do norte, Ian McGuire
Uma prosa precisa e ágil sobre a violência humana em suas várias formas

O livro – Patrick Sumner, um médico do exército inglês que viveu os horrores da Guerra dos Sipaios, na Índia, retorna para casa. Traumatizado e sem perspectivas, decide se alistar na tripulação de um navio baleeiro que está zarpando para o Ártico. Seu objetivo é reler Homero e desenhar rascunhos da vida marinha enquanto receita laxantes aos marujos. Mas a bordo do Volunteer também viaja Henry Drax, um arpoador vil e sanguinário com quem Sumner logo entra em rota de colisão. Nas ÁGUAS DO NORTE, à medida que a bestialidade humana e a força esmagadora da natureza ditam as reviravoltas de uma jornada horripilante, Sumner precisará fazer o impensável para sobreviver.
Por que publicamos
Inscrevendo-se numa tradição narrativa que vai do MOBY DICK de Melville ao MERIDIANO DE SANGUE de Cormac McCarthy, ÁGUAS DO NORTE oferece uma visão inesquecível da amoralidade absoluta que reside na natureza e no coração de certos homens.
O autor – Ian McGuire nasceu em Hull, na Inglaterra, em 1964. Ensina escrita criativa na Universidade de Manchester, onde foi um dos fundadores do Centro de Novos Autores. É crítico literário e seus contos apareceram em publicações como Chicago Review e The Paris Review. ÁGUAS DO NORTE é seu segundo romance.
TRECHO DO LIVRO
Eis o homem. Sai aos tropeços do pátio do Clappison’s, chega à Sykes Street e fareja o ar complexo — terebintina, farinha de peixe, mostarda, grafite, o fedor costumeiro e penetrante do mijo matinal que acabam de derramar dos potes. Bufa, esfrega os cabelos desgrenhados e ajeita a virilha. Cheira os dedos e depois os chupa um por um, extraindo os resquícios, tirando um último proveito do dinheiro gasto. No final da Charterhouse Lane, vira na Wincolmlee no sentido norte e passa pela Taverna De La Pole, pela fábrica de velas de espermacete e pela processadora de oleaginosas. Enxerga os mastros grandes e de mezena que balançam acima (…)
GÊNERO Ficção estrangeira
TRADUÇÃO Daniel Galera
CAPA Laurindo Feliciano
FORMATO 13,5 × 20,8 × 1,9 cm PÁGINAS 304 PESO 0,390 kg
ISBN 978-65-5692-115-0
ANO DE LANÇAMENTO 2021 R$ 74,90 em e-book R$ 55,90
O Brasil da nova era ou já era
O ano que vai se iniciar vem com um aspecto de renovação nem sempre vista quando um ano termina para a passagem do próximo. Não é que muda o clima, troca-se a noite pelo dia, anumeração do calendário é em outro tipo de numeração ou idioma ou que o sol e alua venham fatiados de tempos em tempos, não nenhuma transformação gigantesca dessas. É algo mais simples, mas surpreendente; refiro-me ao início do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL/RJ).
A gente tem que ter um consenso mínimo e uma leitura meio que parecida do que era o antes e o depois da eleição em se tratando de nomes. E se assim é temos que lembrar que Jair Bolsonaro enquanto parlamentar e candidato era um personagem mais para exótico do que para político centrado, articulado, capaz. Para ele se transformar disso a presidente do Brasil algumas coisas aconteceram em paralelo, principalmente o rescaldo das manifestações em 2013 que não eram organizadas pela direita ou pela esquerda, mas que foi mais bem aproveitada pela direita que desde a eleição em 2014 da presidente Dilma Rousseff (PT) estava no limite de sua tolerância para com a senzala e queria retomar o governo central para as mãos dos patrimonialistas.
A sociedade brasileira estava farta de tantos escândalos e injustiça por um lado e penúria por outro que resolver reagir, só que o fez sem método, sem objetivo e sem conhecimento profundo das nuances da situação que estávamos vivendo.
Regada diariamente com as manchetes sensacionalistas tanto quanto superficiais e seletivas da mídia que só vê os crimes nos que não são da elite ou da casa grande em conluio com um judiciário suspeito de parcialidade deu no que deu; as pessoas começaram a ter criminosos de estimação, pediam a cabeça de alguns, mas não a de outros que haviam praticado idênticos ou piores crimes.
Se não é isso, apenas para ficarmos num ponto, porque acusaram tantos os filhos do ex-presidente Lula de malfeitos (que agora já foram inocentados), quando agora ainda antes da posso fortes indícios apontam para malfeitos dos filhos do Bolsonaro? Se em outros episódios, o juiz Sergio Moro indicado para ser o novo ministro da Justiça no próximo governo, chegou a suspender férias para influenciar em decisões pontuais de colega no caso de habeas corpus de Lula no ano passado, e que reiteradamente dizia que caixa dois era crime, porque aceita apenas desculpas de crime de caixa 2 de seus colega de ministério, o deputado Ônix Lorenzoni que assumiu ter cometido o crime, mas que se desculpou e que vai acertar conta com Deus e portanto está fora dos autos ou de qualquer cumprimento de pena?
Não tem “mais, nem menos’”.Está ficando claro que o ano de 2019 inicia um período e um novo governo já meio corroído em pés de barro do ponto de vista da regularidade ou da firmeza de propósito, da transparência e do compromisso com as coisas limpas. Isso é fato. O governo que deveria iniciar-se imaculado, limpo e probo já vai começar o expediente manchado de pequenas suspeitas aqui e ali.
Quanto aos acertos dos rumos da política e da economia; das formas de o governo se comportar e operar no seio da sociedade; não vamos expressar nenhum tipo de julgamento antecipado.Temos nossas desconfianças e nossas confianças em aspectos destes e os fatos e as consequências da gestão que se iniciará será objeto de apreciação no seu devido tempo.
Voltando ao ponto de partida teremos pela frente um período diferente, misterioso e incerto exatamente porque o candidato eleito era um azarão como poucas vezes vista na história nacional e porque têm ao redor de si pessoas com posturas polêmicas, diversos auxiliares com pecha de corruptos e explicações insuficientes para casos suspeitos dentro de seu próprio clã.
Ou seja, se todos os presidentes que assumiram antes eram limpinhos e cheirosos não temos certeza,mas pareciam. Este, o senhor Jair Bolsonaro, por sua vez já não usufrui do mesmo crédito, portanto o Brasil da nova era poderá ser mais o Brasil já era.Tomara que não! (JMN)
Conhecer para defender a democracia
Diante do que pode estar sendo ensaiado pela nova gestão da República, é preciso estar alerta e ter em mente a necessidade de promover um grande movimento nacional para reafirmar os direitos consagrados na Constituição de 1988 antes que os novos governantes comecem a mudar a história desde e a partir das escolas.
Para que exista um Estado de Direito será preciso entender que a democracia também só será viável havendo Segurança Jurídica que se sustenta respeitando as leis, a começar e principalmente pela Lei Maior, a Constituição.
Na história da humanidade foram séculos de lutas dos povos até que se chegasse ao lema consagrado pela Revolução Francesa,de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Comecemos pela última e reconheçamos as dificuldades em até mesmo fazer o ser humano entender e aceitar ser livre; um dos principais empecilhos para isso é a pior das servidões: a servidão intelectual.
O início dessa libertação, que parecemos ter,mas não em sua plenitude, se dá através do conhecimento dos direitos que a humanidade vem tentando consolidar através da história. Até para reafirmar essa condição humana, as Nações Unidas aprovaram a Carta Universal dos Direitos Humanos e seus princípios básicos estão inseridos em todas as Constituições,inclusive a nossa, dos países signatários, como o nosso.
Diante disso e do que se avizinha é pertinente que todos os estamentos da sociedade possam formar grupos para ler, estudar,compreender e comentar a Constituição da República Federativa do Brasil, a Constituição Cidadã de 1988, pois ali estão descritos todos os deveres e direitos dos cidadãos residentes no Brasil e que precisam se garantidos e preservados pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ou seja, muito acima da vontade e desejo deste ou aquele mandatário eleito ou não.
É muito pertinente discutir o papel do Estado e seus servidores, dos proprietários de meios de produção industrial, agro, mineiro, florestal, dos trabalhadores e em todos os setores da atividade humana. A ideia aqui é assegurar que o conhecimento ou até uma revolução cultural se dê com o estudo dos direitos fundamentais das pessoas adotadas mundialmente e sagradas na Constituição. É a tal da proposta de reafirmar a democracia. Democracia que se faz em obediência às leis e respeito aos direitos dos outros.
Conhecera Constituição, a carta que nos rege ou deveria reger não tem nada de subversivo ou de contestação ao novo governo e de tal não pode ser acusado. É apenas a afirmação da cidadania e da desejada soberania dos povos. Os mandatários que acham que tudo podem e que, inclusive querem de cima pra baixo determinar o que é melhor, tem que aprender a conviver com a desejada superação da servidão intelectual do povo brasileiro. (JMN)
13 x 17
Acho que depois da redemocratização as eleições para presidente do país nunca foram tão polarizadas, uma espécie de disputa entre o que consideram, a depender do lado que está o bem e o mal. Não que eram apenas esses dois lados que se apresentaram para a disputa, tinha outros tantos 12, 40, 45, respectivamente PDT, PSB e PSDB para ficarmos entre os mais expressivos.
O que mais chamou a atenção no primeiro turno era a insistência com que as campanhas e os candidatos dos principais concorrentes que não eram o PT e o PSL de que o Brasil, os eleitores e o povo queriam um caminho de centro, longe dos extremos que acham que os dois contendores atuais possam representar, mas que não se traduziam em intenção de votos.
Vimos Alckmin, Marina e em menos intensidade o Ciro reiterando que o povo quer o meio termo, o centro, conforme dito acima e os eleitores desmentindo-os o tempo todo. Curioso também como esses três insistiam que o caminho deles, de centro, era o certo, como se não houvesse, numa democracia, espaço e direito de extremos se manifestarem.
A rigor, colocado sobre as luzes científicas e rigorosas a proposta no primeiro e segundo turno do candidato Haddad, diferentemente da de Bolsonaro não dá para ser considerada extremista de esquerda porque mantem alguma distância com as propostas do PSOL e do PSTU, por exemplo. Já Bolsonaro não tem mais nada a sua direita. É tido e havido não pela opinião, mas pelo rigor das luzes científicas e rigorosas o candidato da extrema direita brasileira.
Perceba-se que não estou entrando no mérito de cada um dos lados, isso não me interessa aqui nesse artigo. O que acho é de natureza pessoal, cívica até militante, mas não nesse artigo.
O que gostaria de chamar a atenção é de que as responsabilidades dos candidatos, dos apoiadores e de eleitores de lado a lado tem que ser assumidas. Não haverá tempo e espaço para mais a frente omitir, mentir ou fingir não se lembrar de que lado esteve; se é que esteve, porque haverá ainda aqueles que escalarão o muro mais próximo deixando em branco ou anulando o voto.
Anular o voto está sendo considerado um erro grave para ambos os contendores. Para a campanha do Bolsonaro, votar no adversário é permitir a volta do PT e, muita gente considera isso muito grave e na corrupção. Já para a campanha do Haddad votar no adversário é fortalecer o autoritarismo, o desrespeito às minorias, a violência e enganar a sociedade com propostas desastrosas. Claro, as queixas de um contra o outro não são apenas estas e você pode apreciá-las aos quilos nos meios de comunicação e na rede social, que a essa altura da disputa é um verdadeiro hospício de verdades e mentiras.
Se eles estão certos nas suas formas de olhar ou não até pouco importa, mas é assim que eles, grosso modo, pintam o adversário. Foi o que sobrou da campanha com muitos partidos e de múltiplas escolhas. Quem quis caminhar pelo centro caminhou; quem quis caminhar pelo centro-esquerda, esquerda, centro direita e direita também caminhou. Uns chegaram outros ficaram pelo caminho com o dilema do que fazer agora com os dois aparentes extremos que estão em disputa.
Faça o melhor que possa, segundo os seus critérios, mas quero lhe ajudar informando que o congresso nacional onde estão deputados federais e senadores também já está definido e assim que estiver definido quem ganha para presidência aquilo lá vai ficar meio congestionado com os nobres migrando de um canto pro outro atrás de mais poder. (JMN)
Mais do mesmo para o governo de São Paulo
Se para a disputa a presidência da República os dois candidatos são diametralmente opostos; um a direita e o outro na centro-esquerda do espectro partidário e que contou com a preferência do eleitorado que tinha outras tantas alternativas, no estado de São Paulo a coisa é bem diferente e repete a mesmice de pelo menos os últimos 20 anos.
Dória pelo PSDB e Márcio França pelo PSB são muito, mas muito semelhantes. Mais do mesmo do que foram essas duas décadas de governos tucano no maior e mais vigoroso estado da União. O PSDB reina absoluto no coração, mentes e principalmente interesses do eleitorado paulista com mais ênfase no interior de Estado e as explicações podem ser as mais diversas que vão desde a suposta bom desempenho tucana até o receio de quem a situação é, ao contrário ruim, mas com a mudança pode piorar.
O PSB de Márcio França apesar de um posicionamento mais independente em nível nacional, em São Paulo sempre tem feito companhia e cumplicidade aos governos do PSDB que agora tem João Dória como candidato, apesar da notória contrariedade dos tucanos históricos, e até mesmo do candidato à presidência derrotado, o ex-governador Geral Alckmin. Agora o PSB tenta se apartar da imagem de linha auxiliar do tucanato, mas com pouca ou quase nenhuma margem de manobra e capacidade de convencer o eleitor.
Mas se os dois tão semelhantes estão em lados opostos agora na disputa, isso tem menos a ver com a diferença dos dois partidos no Estado e mais sobre um desconforto com o polêmico, mas aparentemente muito querido por muitos, João Dória.
João Dória, empreendedor, posa de liberal convicto que pretende enxugar o Estado, mas ao longo de sua vida profissional teve relações de negócios e, portanto, muitos benefícios desse mesmo Estado que pretende enxugar. Dória tem aparecido; a depender dos olhos de quem o vê, como o cara adequado para por ordem na coisa pelo viés do durão que vai entre outras coisas e entre elas que não é sua tarefa ‘acabar com o PT e o Lula’. Podemos perguntar em que isso interessa ao governo do Estado paulista. O que isso tem a ver com a orientação, desenvolvimento sustentável e melhores condições de vida para todos os paulistas e não apenas para setores dele?
Por parte de outros olhares, a eleição de Dória é desastrosa, e muito por isso pessoas apostam e fazem campanha de voto útil no Márcio França. São simpatizantes do PSB, mas são, também, aqueles que acham equivocado, enganoso e truculento o que Doria promete como gestão governamental. Márcio França (PSB), então, aparece nesse quadro como um político menos rançoso e truculento e com uma proposta mais flexível de governo.
O que se vê, entretanto é que enquanto Doria apimenta a campanha, França a suaviza. É a única coisa que podem fazer, afinal conforme argumentado acima eles são muito próximos, andaram de mãos dadas durante muito tempo. Só que desta vez a intenção de uma parte dos eleitores do Márcio França tem mais a ver com as promessas não cumpridas do candidato Doria que, por exemplo, prometeu cumprir todo o mandato de prefeito quando foi eleito o que não o fez e com as manobras que impôs contra o seu padrinho político Geraldo Alckmin que, com razão, não diz, mas se sente traído.
Ou seja, nada muito diferente e mais do mesmo para o Estado de São Paulo. (JMN)
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Acho que depois da redemocratização as eleições para presidente do país nunca foram tão polarizadas, uma espécie de disputa entre o que consideram, a depender do lado que está o bem e o mal. Não que eram apenas esses dois lados que se apresentaram para a disputa, tinha outros tantos 12, 40, 45, respectivamente PDT, PSB e PSDB para ficarmos entre os mais expressivos.
O que mais chamou a atenção no primeiro turno era a insistência com que as campanhas e os candidatos dos principais concorrentes que não eram o PT e o PSL de que o Brasil, os eleitores e o povo queriam um caminho de centro, longe dos extremos que acham que os dois contendores atuais possam representar, mas que não se traduziam em intenção de votos.
Vimos Alckmin, Marina e em menos intensidade o Ciro reiterando que o povo quer o meio termo, o centro, conforme dito acima e os eleitores desmentindo-os o tempo todo. Curioso também como esses três insistiam que o caminho deles, de centro, era o certo, como se não houvesse, numa democracia, espaço e direito de extremos se manifestarem.
A rigor, colocado sobre as luzes científicas e rigorosas a proposta no primeiro e segundo turno do candidato Haddad, diferentemente da de Bolsonaro não dá para ser considerada extremista de esquerda porque mantem alguma distância com as propostas do PSOL e do PSTU, por exemplo. Já Bolsonaro não tem mais nada a sua direita. É tido e havido não pela opinião, mas pelo rigor das luzes científicas e rigorosas o candidato da extrema direita brasileira.
Perceba-se que não estou entrando no mérito de cada um dos lados, isso não me interessa aqui nesse artigo. O que acho é de natureza pessoal, cívica até militante, mas não nesse artigo.
O que gostaria de chamar a atenção é de que as responsabilidades dos candidatos, dos apoiadores e de eleitores de lado a lado tem que ser assumidas. Não haverá tempo e espaço para mais a frente omitir, mentir ou fingir não se lembrar de que lado esteve; se é que esteve, porque haverá ainda aqueles que escalarão o muro mais próximo deixando em branco ou anulando o voto.
Anular o voto está sendo considerado um erro grave para ambos os contendores. Para a campanha do Bolsonaro, votar no adversário é permitir a volta do PT e, muita gente considera isso muito grave e na corrupção. Já para a campanha do Haddad votar no adversário é fortalecer o autoritarismo, o desrespeito às minorias, a violência e enganar a sociedade com propostas desastrosas. Claro, as queixas de um contra o outro não são apenas estas e você pode apreciá-las aos quilos nos meios de comunicação e na rede social, que a essa altura da disputa é um verdadeiro hospício de verdades e mentiras.
Se eles estão certos nas suas formas de olhar ou não até pouco importa, mas é assim que eles, grosso modo, pintam o adversário. Foi o que sobrou da campanha com muitos partidos e de múltiplas escolhas. Quem quis caminhar pelo centro caminhou; quem quis caminhar pelo centro-esquerda, esquerda, centro direita e direita também caminhou. Uns chegaram outros ficaram pelo caminho com o dilema do que fazer agora com os dois aparentes extremos que estão em disputa.
Faça o melhor que possa, segundo os seus critérios, mas quero lhe ajudar informando que o congresso nacional onde estão deputados federais e senadores também já está definido e assim que estiver definido quem ganha para presidência aquilo lá vai ficar meio congestionado com os nobres migrando de um canto pro outro atrás de mais poder. (JMN)