Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Campanha eleitoral é um festival de ofertas

leave a comment »

A campanha em segundo turno para a Prefeitura de São Paulo está chegando a um ponto que faz a cidadania se perguntar: são propostas de governo que estão nos sendo apresentadas ou novas formas de viver e se comportar sob a tutela absoluta do Estado?

A atual campanha, de ambos os candidatos, Marta e Kassab, com apenas diferença de intensidade não deixam espaço algum para o papel ativo da população ou da sociedade organizada. Tudo se dá, tudo se resolve com fórmulas prontas de cima para baixo, sem espaços de manobra e sem conflitos aparentes, eles não são permitidos tudo se resolve com a política certa.

As oferendas dos candidatos são tantas e tão abrangentes que vem colocando toda a sociedade de joelhos, de boca aberta e mãos elevadas para agarrar as migalhas prontas que os candidatos a gerentes da próxima administração dizem que vão dar. Onde está a cidadania nessa posição subalterna? Tem sido constrangedor a população e o eleitor ter que optar por quem dá mais.

A situação, tão exacerbada, está resvalando para o primeiro estágio da barbárie com a renúncia ao enfrentamento pela sociedade da complexidade que a democracia demanda na desejável gestão coletiva nos rumos da cidade.

Sintomas e amostras dos equívocos não faltam e podem ser percebidos em ambas as campanhas, basta anotar todas as promessas de providências que ele dizem que vão tomar. Em quase todas elas restará a sociedade receber, caso elas sejam implementadas que é outra discussão, os frutos sadios ou adoentados de políticas públicas concebidas em gabinetes e laboratórios sem o suor honesto das ruas.

Resultado de marketing onde um sabonete cheiroso é confrontado por outro que se diz mais perfumado. É nulo o papel da cidadania, nem o voto tem valor nisso. É um jogo de mercado onde se escolherá o mais atraente ou perfumado.

Para deixar claro a despolitização e a alienação da atual campanha, basta lembrar que o candidato Kassab, em campanha, está propondo cuidar das crianças desde a gestação. Segundo a proposta: do vente materno, já tutelado pelo prefeito, a criança irá para as creches, atuais centros de educação infantil e deles para a rede pública de ensino que até lá, provavelmente, será em período integral e depois para o CEU e sabe-se lá para onde depois.

A pergunta é qual o papel das famílias nisso tudo? Elas só vão precisar gerar novas crianças que o prefeito vai cuidar com formulas prontas e sem discussão e ingerência?

Somos nós que pagamos as contas com impostos e taxas e cabe ao governo servir a sociedade e não o contrário. Não cabe a gente deliberar sobre isso e outras providências que estão sendo prometidas?

J. de Mendonça Neto, jornalista e editor.

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:51

Publicado em Notícias e política

São Mateus realiza audiência para usar créditos de carbono

leave a comment »

Para decidir de que forma poderão ser usados os cerca de R$ 13 milhões proveniente do leilão feito no São João, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente promoveu no dia 30/09 no Céu São Mateus uma audiência pública com participação da sociedade civil. Além do secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge estiveram presentes: Helena Magozo, do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social (CADES); o subprefeito de São Mateus e parlamentares entre os mais de 300 participantes.
Antes do debate, de forma didática o engenheiro Deodoro Vaz, da SVMA, explicou o que significa créditos de carbono e da forma como ele é conseguido. Para tanto voltou no tempo para explicar toda a movimentação em defesa do meio ambiente desde a realização da ECO 92 no Rio de Janeiro seguido do Protocolo de Kioto e do Protocolo de Montreal. Segundo explicou, o aterro São João surgiu em 1992; a secretaria surgiu em 1993 e, desde 1995, já estudava formas de aproveitar a energia saída dos aterros. Disse ainda que apenas em 2005, o Protocolo de Kioto, começou a vingar vinculando o crédito de carbono, uma espécie de compensação feita pelos que mais poluem, chegando à situação atual.
Também de forma didática, Júlio Delbin, da Biogás Ambiental, explicou qual o procedimento para o aproveitamento do gás que se forma a partir da compactação do lixo que se transforma em energia ao mesmo tempo em que destrói grande parte do metano que também provoca o efeito estufa ao ser liberado na atmosfera. Essa exposição também foi reforçada pelo engenheiro químico Antonio Carlos que explicou detalhes. “Do aterro saem o chorume que é mais agressivo e que através de carretas é enviado a Sabesp para tratamento. Temos em operação atualmente 150 pontos de extração que são perfurações feita no lixo compactado que vão liberando o metano que vamos destruindo ao aproveitar o gás. Para cada tonelada de metano que impedimos chegar à atmosfera ganhamos crédito de carbono”, explicou, lembrando que o que antes esses aterros não geravam nenhum tipo de riqueza. Conforme o contrato a receita do biogás é dividida em partes iguais entre a empresa e a Prefeitura.
A terceira apresentação foi de Sueli Rodrigues, vice- presidente do Conselho de Meio Ambiente de São Mateus. Ela mostrou as propostas para a utilização da verba que virá a partir do ano que vem: Parque Linear Aricanduva – trecho da nascente até o piscinão Aricanduva 1; Parque Linear Mar Morto, Canal de Suez; Parque Municipal Jardim da Conquista; Parque Municipal Olímpico; Parque Municipal Nebulosas; Usina de Compostagem de Resíduos de Poda e Corte de Grama; Praça Forte do Leme; Praça Bartolomeu Antunes e Monitoramento Ambiental da bacia do Rio Caguaçu e Centro de Educação Ambiental e Posse Responsável de Animais Domésticos (CEAPRAD).
Comunidade participa dando sugestões e críticas
Ao final da primeira parte o secretário Eduardo Jorge negociou com os presentes como seriam as intervenções da platéia diante do grande número de inscritos.
Acompanhar a distribuição e a aplicação dos recursos exclusivamente para São Mateus esteve na fala de diversos representantes de comunidades e entidades. Outros já lembraram sobre a necessidade de se dar um voto de confiança ao conselho de meio ambiente regional eleito recentemente. “Temos que valorizar o trabalho responsável dos conselheiros que nós mesmos elegemos e participarmos também de forma responsável das reuniões”, registram.
Se Adriano Nogueira lembrou de regiões de São Mateus onde a falta de áreas verdes até provoca problemas respiratórios nas pessoas, outra participante, de nome Alexandra, lembrou da necessidade da educação ambiental, sugestão que esteve presente em diversas intervenções. Sugeriu ainda a criação de um serviço público gratuito de castração de animais domésticos. Uma professora destacou que escolas públicas estaduais locais foram eleitas por trabalhos de conscientização e sugeriu a criação de escola ambiental para conter a degradação do Morro do Cruzeiro.
Por uma associação de moradores, Jerônimo Barreiro da Silva falou do que considera abandono no Jardim Santo André e São Francisco e comentou que o valor creditado é pouco diante das necessidades locais.
O coordenador da Campanha Mais Vida Menos Lixo, José Vicente corrigiu informações feitas durante as exposições e comentou que provavelmente o licenciamento (em curso) do novo aterro São João não será obtido por que afronta leis de proteção ambiental no âmbito federal e o Plano Diretor da cidade de São Paulo. Citando artigos da lei, disse que a área onde se encontra o atual e o projeto do novo aterro é uma zona de preservação ambiental e que por conta disso só é permitido residências. Decidido sugeriu o cercamento da área determinada naquela zepam, praticamente do mesmo tamanho da área do Carmo, com a recuperação das áreas degradadas, o reflorestamento com espécies vegetais e o re-povoamento com animais naturais no que se tornaria um parque para futura visitação. Como praticamente descartou as obras sugeridas anteriormente lembrou que tanto a prefeitura quanto a Eco Urbis tem um passivo ambiental a ser acertado com a região. “O dinheiro dos parques lineares e as outras coisas poderiam vir desse passivo”, explicou.
Pelo Fórum de lideranças do São Francisco houve queixas quanto a Sabesp não tratar esgoto e a sugestão de que os benefícios deveriam ser usados nas áreas mais impactadas, além de campanhas e fiscalização. O Jardim da Conquista com sua carência de áreas verdes também foi lembrado por mais de um participante. Já o presidente do PT de São Mateus, José Marinho, insistiu na descentralização e na utilização exclusiva desses créditos em São Mateus. Pela Terceira Divisão os participantes endossaram a proposta de parque linear naquela comunidade com a lembrança de que essa sugestão já está inscrita no Plano Diretor Regional. Outros participantes chegaram a sugerir que as verbas fossem geridas pelo poder público e pelas entidades representativas locais. A canalização dos diversos córregos também estava entre as sugestões.
Ainda falaram Fátima Magalhães, presidente do Conseg São Rafael sobre as ações ambientais que são desenvolvidas e Delaine Romano do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste que já acompanha as questões de meio ambiente há quase duas décadas e que vem sugerindo pequenas centrais de triagem de material reciclado e ainda uma outra onde poderia haver formação de mão de obra para diversas atividades que podem fazer parte de aproveitamento de materiais.
Já Hamilton Clemente reforçou a necessidade de observar o que foi discutido no Plano Diretor Regional Estratégico e que não dava para ficar sonhando por conta de apenas 13 milhões de Reais. Contestou a informação corrente de que a Prefeitura não tem recursos para as diversas obras que a região necessita, bem como criticou o fato da prefeitura pagar para o município vizinho pelo armazenamento do lixo da cidade valores muito superiores aos créditos de carbono que a região vai receber.
Ainda foi mencionado o acidente no aterro São João durante o ano passado, logo esclarecido pelo representante do aterro São João.
Finalizando o subprefeito Clóvis Luis Chaves, defendeu o secretário Eduardo Jorge, acusado de pouco vir a região, lembrando que ele sempre esteve presente quando solicitado. “Pelo menos oito vezes durante a minha gestão”. Valorizou o empenho do conselho regional e o bom nível da audiência
Secretário finaliza audiência reconhecendo limitações nos valores
Eduardo Jorge disse que as diversas intervenções constariam nas atas que tem o acompanhamento do Ministério Público. Considerou importante a descentralização que a sua secretaria já adotou em trabalhos junto com as subprefeituras desde 2005. “Claro que é pouco dinheiro quando comparado às receitas da área da saúde, educação, etc.”, reconheceu. “Mas pode melhorar nos próximos anos”, completou. Para o secretário as reivindicações dos munícipes devem continuar a ser feitas nas várias frentes: habitação. Transporte, saúde, educação e outras. “Vocês têm que pressionar. Não será com esse crédito extra que se vão resolver outras pendências”, sugeriu.
Por fim indicou que os projetos têm que ser viáveis para poder utilizar as verbas e que eles não precisam se limitar aos valores desse primeiro crédito. “Os primeiros projetos aprovados serão implementados e não precisamos nos limitar. O mais importante é indicar como e onde utilizar. Não usaremos necessariamente uma ordem pré-definida”, explicou para concluir sobre a importância da participação que acabara de ocorrer e do fortalecimento dos conselhos onde as pessoas interessadas podem participar.
 
Box:
Crédito de Carbono:
O comércio de emissões consiste em permitir que países comprem e vendam cotas de emissões de gás carbônico. Assim sendo, países que poluem muito podem comprar créditos não usados daqueles que não realizam grandes emissões.
Atividades que aumentam a capacidade de absorver carbono, envolvendo reflorestamentos (que geram biomassa e podem substituir combustíveis fósseis) assim como a geração de energia com a utilização de biogás, podem ser objeto de comercialização dos créditos de carbono.
O protocolo de Kyoto, visando alcançar reduções de emissão que sejam concretas, duradouras, mensuráveis e economicamente viáveis, introduziu três mecanismos, que são  os projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), Implementação Conjunta (IC) e o Comércio internacional de Emissões (CE).
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, onde além de evitar a queima do metano, que polui 21 vezes mais que o CO2, gera energia elétrica ambientalmente sustentável e atenua a necessidade de investimentos de outros tipos de geração de energia com impacto ambiental significativo. Isso deve resultar em 8 milhões de créditos de carbono (MDL), sendo 50% desses créditos pertencentes à Prefeitura de São Paulo.
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, caracterizado como um projeto MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo), encontra-se validado pela DNV (Det Norske Veritas).
 
O Protocolo de Kyoto:
O protocolo de Kyoto é um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992 e foi assinado por 141 nações, embora somente 30 países industrializados estarão sujeitos ao cumprimento das metas.
O protocolo tem por meta o comprometimento desses países para que reduzam de 2008 até 2012 suas emissões de seis gases em no mínimo 5% sobre as emissões realizadas em 1990. Os seis gases que provocam o efeito estufa são: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hidrofluocarbono, perfluorocarbono e o hexafluorocarbono de enxofre.
As metas estabelecidas em Kyoto é um primeiro passo para se tratar o problema, embora sendo ainda superficial, considerando que é praticamente consenso entre a comunidade científica que estuda as questões do clima, de que seriam necessárias reduções muito mais significativas sobre as emissões atuais.
Se por um lado as metas fixadas pelo protocolo não resolve o problema, por outro, cria as linhas gerais necessárias para que a futuras negociações sejam mais abrangentes, tanto quanto a significância das metas, como a adesão de mais países.
Fonte: Biogás Ambiental.
 
Publicado Gazeta São Mateus – ed 277 setembro de 2008
 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:49

Publicado em Meio Ambiente

A importância de seu voto

leave a comment »

Desta vez vou me ocupar neste espaço sobre um assunto que, embora já tenhamos tratado indiretamente, requer uma abordagem mais incisiva e direta. É sobre a importância do voto que, a cada dia que passa, fico mais convencida. Originária do Latim voluntas = vontade, o voto não tem preço, mas tem conseqüências.

O voto é a única forma legal de nos escolhermos quem vai nos representar politicamente e para exercer o direito de voto temos o alistamento eleitoral que torna o cidadão em eleitor. Obrigatório para quem tem mais de 18 anos e facultativo aos analfabetos e aos maiores de setenta anos também é facultativo aos maiores de dezesseis anos.

Daqui alguns dias vão ocorrer eleições em todas as cidades brasileiras que, portanto, elegerão prefeitos ao Executivo e vereadores para o Legislativo. Dessa forma acho que vale a pena dar algumas pinceladas gerais em quais as principais funções de cada um deles.

O vereador é um representante daqueles que o elegeram e tem a função de: legislar sobre assuntos de interesse local; suplementar a legislação federal e estadual; legislar sobre tributos municipais; apresentar projetos de leis, decretos legislativos, resoluções e emendas; formular requerimento, moções, indicações; emitir pareceres; participar de debates e votações; eleger a Mesa Diretora e das Comissões; conhecer o Regimento Interno da Câmara; comparecer às sessões e votar as proposições submetidas à deliberação da Câmara.

E, ao Executivo Municipal, como principal detentor do poder, o Prefeito, cabe: iniciar o processo legislativo na forma da lei; exercer a direção da Administração Municipal com as Secretarias Municipais e outros órgãos auxiliares; sancionar, promulgar e fazer publicar as leis; expedir decretos e regulamentos; vetar projetos de leis; nomear e exonerar Secretários; subscrever ou adquirir ações; encaminhar ao Tribunal de Contas, sua prestação de contas e apresentar relatório sobre o andamento das obras.

Entendido o básico do que são as responsabilidades de cada um deles é visível que na história recente tem vereador e prefeito fazendo o que não deve, mas não é nesse ponto que vou me ater, tire você mesmo às conclusões.

Gostaria mesmo é de convidar os nossos leitores a refletir sobre o fato de que quando votamos delegamos praticamente nossas funções para outras pessoas. Assim precisamos de alguém que julgamos nos represente muito bem na função e que defenda os nossos direitos.

Só que diante desse quadro não tão recente, onde prevalece a politicagem, não cabe a nós mudar e deixar de votar. Cabe a nos mudar os políticos e votar direito. De preferência votando em quem faz política em favor do povo, o que, afinal, são muito poucos.

Para mudar a nossa forma de votar e votar melhor é preciso observar, conhecer o passado do candidato e ver como ele se comporta diante das coisas e durante a campanha. Para determinar o candidato a ser votado precisamos avaliar seus planos e projetos para melhorias na região. Uma outra boa maneira é durante a campanha eleitoral assistir ao planejamento feito por cada candidato e ainda atentar para os debates feitos em emissoras de TV, pois tais debates revelam um pouco mais sobre cada candidato.

Para mudar para melhor ainda também devemos contribuir para a conscientização da população para o voto justo e incorruptível que é uma boa maneira de diminuir a quantidade de pessoas subornadas e compradas ilegalmente.

Para finalizar é bom ficar atento ao calendário eleitoral dos próximos dias. Após o dia 30 até 48 horas depois do encerramento da eleição, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto. O dia 2 é o último dia para a propaganda política e realização de debates; no dia 3, último dia de divulgação em jornais seguindo padrões da lei. No dia 5, temos um compromisso com as urnas e a nossa consciência e, em havendo segundo turno, começa tudo de novo no dia 7 de outubro.

Muito juízo e que seu voto contribua para a melhoria da maioria.

Publicado Gazeta São Mateus, ed 276 09/2008

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:46

Publicado em Notícias e política

Crise: tentando entender a economia

leave a comment »

Tem sito noticiado com certa insistência a ocorrência de uma crise no sistema bancário dos Estados Unidos provocando quedas generalizadas nas bolsas de todo mundo e muitas dúvidas sobre a economia global. Fui a luta para tentar entender alguma coisa disso. Não que eu tenha economias suficientes para estar preocupada com a bolsa diretamente, mas é a primeira vez que ouço falar em quebra de grandes bancos americanos. Se é que entendi alguma coisa vou compartilhar com vocês.

Crédito menor: com essa crise há menos dinheiro no mercado e bancos de todo mundo ficam mais cautelosos diminuindo os empréstimos e cobrando cada vez mais caro por eles para correrem o risco de não receberem. Com isso falta crédito e é nessa área que se localiza o maior perigo para a economia brasileira a médio e longo prazo. As empresas podem tentar rolar as dívidas e pagar mais caro lá na frente por isso e, dessa forma, também não deverão buscar dinheiro novo que estará muito mais caro. Sem dinheiro, sem desenvolvimento.

Até mesmo empresas que planejavam investir no Brasil vão reduzir esses investimentos. O governo brasileiro já está atento e pode aumentar o crédito interno via o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e outros bancos públicos. Até ai entendi.

Com relação a queda nas bolsas; a brasileira comparada com as estrangeiras tem até poucas empresas: 397 contra 2.365 na Bolsa de Valores de Nova York, por exemplo. Ocorre que há uma grande concentração de ações em poucas grandes empresas como a Petrobras e a Vale. A depender do que essas grandes empresas definirem; se vai se encolher ou se vão continuar se ampliando reduzirá o ganho nas bolsas e o círculo vicioso se estabelecerá. Também entendi até ai.

Após estar em queda, o dólar, voltou a se valorizar a partir de agosto. Quais os impactos? Caso a alta continue ajuda os exportadores a se tornarem mais competitivos, o que é passível de comemoração. Por outro lado a alta atrapalha no combate a inflação. Cada variação de dez pontos percentuais no dólar tende a gerar um ponto percentual de elevação trimestral do índice de inflação IPCA, conforme li em minhas pesquisas. Conclusão: para combater o aumento da inflação que a maioria não quer, o Banco Central tende a subir os juros. Nessa parte entendi menos.

No comércio exterior, nos últimos anos, o Brasil tem tido exportações maiores que as importações, junto com o aumento dos valores vendidos ao exterior, mesmo que ainda distante do ideal, visto que os grandes responsáveis pela melhora nos valores eram as commodities agrícolas e minerais que agora estão com o preço em queda.

Com a crise, existe ainda a expectativa de que o crescimento mundial diminua, especialmente em 2009, o que deve significar menos comércio internacional e o risco de uma redução das exportações brasileiras. Para 2009 é que os economistas estão com dúvidas quanto as contas. Menos compras, menor renda. Entendo.

Mesmo assim a situação não é tão desconfortável. Se as exportações ou o valor das commodities caírem muito, as principais afetados serão as empresas exportadores e o impacto sobre o restante da economia é limitado pelo fato de o país ser relativamente fechado: o setor exportador responde por cerca de 14% do PIB. Além disso, o Brasil vende para muitos países diferentes e tem uma pauta diversificada, com produtos manufaturados representando mais de 50% das vendas.

Outra vantagem é que o mercado interno brasileiro está aquecido e tende a absorver pelo menos parte de uma eventual queda de produtos exportados.

Por outro lado alguns economistas já fazem avaliações pessimistas, apostando que o superávit brasileiro poderia cair abaixo dos US$ 5 bilhões no ano que vem. Isso tornaria a economia mais dependente de investimentos externos para fechar suas contas.

Já para o governo, a expectativa de que os investimentos estrangeiros serão mantidos e reservas internacionais de mais de US$ 200 bilhões garantem que o Brasil não sofra grandes riscos no médio prazo.

Só a certeza de um crescimento menor é um dos consensos entre os economistas e até mesmo eu que não sou do ramo: a economia brasileira, diante da crise, deve diminuir seu crescimento. O motivo da queda é que mesmo que o Brasil não seja muito atingido pela crise externa, as diferentes fontes de contaminação devem contribuir para derrubar a atividade econômica. Além disso, o próprio BC brasileiro está com uma política de aumentos de juros com o objetivo de reduzir o crescimento no ano que vem, como forma de controlar a inflação. Entendeu? Eu me esforcei para explicar.

Publicado na Gazeta São Mateus – ed 275 09/2008

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:44

Publicado em economia

Falhas nos conselhos tutelares pode diminuir com apoio e melhor formação

leave a comment »

Em dez anos de funcionamento, pouco ou quase nada tem se ouvido falar sobre a ação dos conselheiros tutelares no Brasil todo que sabidamente enfrentam enormes dificuldades para exercerem seus mandatos com pouca ou nenhuma estrutura de funcionamento; baixa compreensão até mesmo dos poderes públicos sobre o papel do conselho. Bastou um grave incidente que, após a recomendação de conselheiro para que duas crianças voltassem ao convívio dos pais que, posteriormente foram assassinados tendo como principais suspeitos o pai e madrasta para que se levantem discussões sobre a competência dos conselheiros.

Claro que esse caso está na ponta do iceberg e que outras tantas falhas tem sido cometidas pelos conselhos, entre eles a omissão em alguns casos e a falta de agilidade nos atendimentos, mesmo assim em possíveis dez anos de acerto os erros, se assim podem ser considerados, não pode jogar fumaça aos olhos de quem quer entender a questão.

Uma das principais inovações da Lei 8.069/90 do ECA foi a previsão da criação dos conselhos tutelares. Pela lei eles são órgãos permanentes, autônomos, de caráter não jurisdicional, encarregados pela sociedade para o cumprimento dos direitos de crianças e dos adolescentes definidos na Lei, sem a necessidade de submeter os casos a Justiça da Infância e Juventude.

Dez anos da entrada em vigor do Estatuto e os conselhos tutelares ainda são quase ilustres desconhecidos por grande parte da população e pelos próprios governantes municipais que não têm o exato entendimento de sua finalidade, atribuições e poderes, enfim, sua natureza jurídica.

Diz o artigo 132 da Lei n o 8.069/90 que o Conselho Tutelar será composto de 05 (cinco) membros escolhidos pela população local em voto secreto, direto e facultativo aos eleitores do município. Mesmo que fosse uma outra fórmula é imprescindível que a população tome conhecimento e participe do processo de escolha, momento para a reflexão e a discussão das questões relativas à área da infância e juventude no município, a fim de que sejam escolhidas para a função pessoas realmente cônscias e comprometidas com o respeito à Lei, à Constituição à criança e ao adolescente.

Aqui surge um dos primeiros problemas relacionados à formação e composição do Conselho Tutelar, pois em certos municípios não se garante a mais ampla participação popular, seja através de restrições muitas vezes absurdas aos aspirantes ao cargo, seja através da falta de uma devida divulgação sobre o processo de escolha dos conselheiros tutelares.

Na contra partida das restrições outra anomalia tem sido verificada nas eleições recentes, notadamente na cidade de São Paulo. Não é de agora que muitos dos conselheiros eleitos só o são mais em função de sua ligação com partidos políticos do que pelo seu histórico no trato com a criança. A função de conselheiro tutelar é remunerada e objeto de desejo de diversas lideranças que já eram ou se transformam posteriormente em cabos eleitorais, sem sua maioria de vereadores já com mandatos.

Tudo bem que a função de conselheiro tutelar não é técnica, e embora sejam recomendáveis: o domínio do vernáculo, de conhecimentos teóricos mínimos acerca da Lei nº. 8.069/90, Constituição Federal e da legislação esparsa correlata à área infanto-juvenil, bem como alguma experiência no trato com crianças e adolescentes, exigências tais quais o diploma em curso de nível superior, vários anos na lida diária com crianças e adolescentes, porte de habilitação para conduzir veículo ou outras que estabeleçam restrições exageradas aos candidatos são totalmente inadequadas, pois apenas "elitizam" o Conselho e, segundo a prática tem demonstrado, pouco ou nenhum benefício acarretam ao funcionamento do órgão.

De qualquer forma o mais importante que mil pré-requisitos é a capacitação permanente do Conselho Tutelar, até mesmo para que os eleitos não tão habituados com o assunto possam se formar adequadamente. Para completar também deve ser promovida a articulação com os demais órgãos e autoridades existentes no município que prestam atendimento à criança e ao adolescente.

Tendo legitimidade do voto e preparo básico para lidar com as questões da criança e do adolescente diante das Leis, o Conselho Tutelar também deve ter em sua "retaguarda", uma equipe interprofissional, composta de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que lhe irá proporcionar o suporte técnico necessário, seja através do fornecimento de subsídios para que o órgão possa deliberar acerca da(s) medida(s) mais adequada(s) à criança, adolescente e/ou família atendida, seja para a própria execução e acompanhamento da(s) medida(s) aplicada(s), com avaliações periódicas acerca da necessidade de seu incremento, modificação ou extinção.

Por parte do governo é imprescindível que o município mantenha uma estrutura adequada para o conselheiro tutelar, normalmente mal acomodados em salas até então ociosas nas subprefeituras ou outros lugares e no plano das políticas públicas uma estrutura mínima de atendimento à criança, ao adolescente e a suas respectivas famílias, com a criação e manutenção de programas de atendimento tais quais os previstos nos arts. 90, 101 e 129 da Lei nº. 8.069/90, para onde poderá o Conselho Tutelar encaminhar os casos atendidos.

Publicado no Gazeta São Mateus de 275 setembro de 2008

 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:42

Publicado em Notícias e política

Brasil – Por uma lei para a educação

leave a comment »

Na educação, mesmo as melhores sementes não dão frutos da noite para o dia, muitas vezes é necessária toda uma geração para que um bom projeto educacional se converta em resultados concretos e perenes. Continuidade, portanto, é a palavra-chave nessa área. Infelizmente, essa é uma lição fundamental que o Brasil está aprendendo a duras penas, assistindo, por décadas, à sua educação pública sofrer os males da descontinuidade gerada por interesses políticos ou, muitas vezes, meramente eleitorais.
A cada quatro anos, dirigentes municipais de educação, secretários estaduais e até mesmo ministros se acostumaram a começar seu trabalho do zero, seja porque o antecessor não se preocupou em deixar estruturadas as bases de um trabalho de longo prazo, seja porque eles próprios, interessados apenas em deixar a sua marca, pretendiam "reinventar a roda".
Recentemente, no entanto, essa realidade começou a mudar. A partir da década de 1990, o País passou a experimentar uma política consistente de avaliação de resultados educacionais, que teve continuidade na atual gestão do ministro da Educação, Fernando Haddad. Talvez por isso mesmo, o ministro tem procurado pautar as suas ações pela preocupação de garantir que o Brasil passe a ter uma política de Estado, não apenas de governo, para a educação. E isso exige, necessariamente, continuidade.
Nesse sentido, Estados e municípios têm firmado com o Ministério da Educação (MEC) um plano de metas que, se por um lado traz objetivos de curto prazo, também fica como herança para o próximo gestor público. Em 2009 tomarão posse os prefeitos eleitos em outubro próximo e, então, a continuidade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) passará por um teste importantíssimo.
Diante dessa nova realidade, uma pergunta obrigatória se coloca: se há metas a serem cumpridas pela União, pelos Estados e pelos municípios, baseadas na busca constante da melhoria da qualidade de nossas escolas públicas, e a partir de resultados concretos e mensuráveis, que conseqüências advêm para os gestores que não as cumprirem? Felizmente, acreditamos, o Brasil já está maduro o suficiente para dar uma resposta a essa pergunta, por meio da discussão e aprovação de uma Lei de Responsabilidade Educacional.
Um passo importante para que esse debate ocupe seu lugar nas prioridades do País foi dado no início de julho, quando ocorreu, em Brasília, o Seminário Internacional Ética e Responsabilidade na Educação: Compromisso e Resultados, realizado em parceria pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, a Unesco e o movimento Todos Pela Educação, com o apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e do Conselho Nacional de Educação (CNE). No Congresso Nacional já se discutem propostas para uma Lei de Responsabilidade Educacional e, recentemente, o MEC anunciou que até o final do ano apresentará o seu projeto, estabelecendo metas de conduta para os gestores de escolas públicas. Temos, portanto, uma grande oportunidade de avançar na direção correta, envolvendo no debate, é claro, um amplo espectro de segmentos sociais e políticos.
Em linhas gerais, uma Lei de Responsabilidade Educacional estabelecerá a exigência do tratamento ético dos recursos da educação e da busca constante da melhoria da qualidade no ensino público, baseada em metas mensuráveis. Ao mesmo tempo, deve vincular a aplicação de recursos financeiros à conquista desses resultados.
Para tanto a União, os Estados e os municípios devem estabelecer um regime de colaboração norteado pela divisão equilibrada de atribuições, avançando-se rumo a um sistema nacional de educação estável e cooperativo.
Essa discussão, entretanto, vai mais além da fixação dessas regras, como mostrou o seminário realizado em Brasília. É preciso que os conceitos de ética, qualidade e responsabilidade representem os pilares sobre os quais se apóie toda e qualquer ação que compõe o universo educacional em todas as instâncias de gestão. Como bem frisa o documento assinado pelos participantes do seminário, todo o processo de aprendizagem deve ser marcado pela ética e pela responsabilidade. Assim, não é possível que se permita, por exemplo, que os estudantes venham a ser promovidos sem que tenham o domínio dos conteúdos previstos para cada etapa da trajetória escolar. Também é crucial garantir que nenhuma criança, nenhum jovem ou adulto seja vítima de discriminação em função de etnia, origem social, ideologia, religião ou qualquer outra característica.
Por fim, vale ressaltar que, se o País vai cobrar mais objetivamente resultados concretos dos gestores públicos de educação, é essencial que a eles sejam fornecidas as ferramentas necessárias para perseguir os melhores resultados. O apoio técnico, por meio da consultoria do MEC, é um passo que vai nessa direção. Mas não conseguiremos dar o salto de qualidade que precisamos sem ampliar o montante de recursos destinados anualmente à educação. Hoje investimos cerca de nove vezes menos que os Estados Unidos, sete vezes menos que a União Européia e a metade do que investem vizinhos como a Argentina.
O predomínio absoluto da ética é condição imprescindível para que o Brasil garanta a seus cidadãos a educação de qualidade a que eles têm direito, alcance as metas qualitativas que estão sendo estabelecidas e possa chegar ao bicentenário da Independência, em 2022, comemorando a verdadeira independência de todos os brasileiros, aquela que é assegurada pelo acesso universal e irrestrito às ferramentas que permitam o pleno desenvolvimento do potencial humano.

Mozart Neves Ramos, presidente-executivo do movimento Todos Pela Educação

Written by Página Leste

9 de setembro de 2008 at 10:13

Publicado em Educação

Brasil – O exercício da cidadania em período eleitoral

leave a comment »

 "Escolha e consciência são uma só e mesma coisa" (Sartre – L’Etre et le Néant)
Em período de eleições municipais os políticos se lembram dos seus concidadãos e pedem votos, coisa normal para os candidatos. Todavia, é normal também que o eleitor ou eleitora se informe e se prepare para escolher os candidatos. Saber, por exemplo, que tipo de mandato exerceu o vereador ou prefeito, verificando que atividades e projetos foram realizados em beneficio do município. Inclusive se informar se houve relação de transparência na aplicação dos recursos públicos, afinal ele é contribuinte do município, tendo em vista que enquanto cidadão ele paga os impostos e algumas taxas que irão se constituir em receitas municipais. O cidadão não é um consumidor dos serviços prestados pela municipalidade ou governo estadual, ou federal. Ele é um cidadão com direitos e deveres. Como concidadãos devem pagar os impostos corretamente e exigir que o orçamento público oriundo dos impostos possa ser aplicado com critérios e honestidade. Os governantes devem ser cobrados se as metas programadas nos planos não sejam cumpridas tendo em vista as verbas alocadas.
A vida política local foi sempre marcada por certos escândalos de desvios de dinheiro publico. Um dos exemplos corriqueiros é a falta de transparências nas licitações para execução de projetos de infra-estruturas urbanas e de certos serviços. Obras sem licitações ou certas "maracutaias" entre o poder econômico e político são fatos banalizados por muitos concidadãos. Sabe-se que no passado os maiores atos de corrupção se davam nesse domínio. Sabe-se também que existem vereadores e fiscais públicos que por vezes fecham os olhos ou são cúmplices de corrupção. A corrupção é a enfermidade de maior contágio na esfera publica e seu tratamento é recente, faz poucos anos apenas que ela vem sendo cuidada com mais atenção, todavia, sua cura depende muito do comportamento de cada cidadão. Enquanto cidadão, você tem o direito a exercer o controle social e saber a destinação dos gastos públicos. A constituição brasileira assegura, por exemplo, ao contribuinte cidadão o direito de exigir transparência dos gastos públicos no plano municipal. "As contas dos municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade nos termos da lei".
Lamentavelmente são poucos os que participam no fortalecimento da democracia do poder local. Eleger alguém quer dizer exercer um poder de escolher os ocupantes temporários do governo. A democracia é fundada na noção dos direitos entre governados e governantes. Daí a exigência de vigilância do poder político. As desigualdades sociais se expressam também desigualdades de poder. A participação dos cidadãos organizados nos conselhos municipais pode, por exemplo, ser sano para o combate à corrupção e qualquer abuso de poder.
O ideal seria em período pré-eleitoral de poder contar com a imparcialidade da mídia local e nacional, existem analistas políticos exercendo a profissão de jornalista, que poderiam contribuir na formação política dos cidadãos. Existem questões elementares que poderiam alimentar vários debates nas rádios e televisões, além de publicações de entrevistas com os candidatos. Mas o cidadão ou cidadã pode e deve também saber que projetos de lei foram elaborados pelos vereadores e executados pelo prefeito para melhorar a qualidade de vida na cidade. Que propostas alternativas, inovadoras apresentam os novos candidatos. Qual a trajetória profissional e política dos candidatos que estão solicitando um mandato eletivo para assumir o governo local?
As eleições para os governos municipais representam uma das mais importantes do país, onde os cidadãos se sentem mais concernidos. Trata-se evidentemente da gestão do quotidiano de milhares de eleitores(as) que vivem em cidades pequenas, médias, grandes e cidades metropolitanas. Será nesse chamado espaço urbano que a cidadania é exercida, onde os direitos e obrigações formam a base comum para uma vida civilizada. É localmente que se buscam as soluções para assegurar um desenvolvimento territorial integrado com sustentabilidade. Daí o papel fundamental da mídia comprometida com a verdadeira política, seria de alertar e contribuir para o fortalecimento da educação cívica nesse período. Ainda é tempo de se exercer a cidadania política que vai além do direito de votar. O cidadão e cidadã podem se informar melhor antes de escolher o prefeito e vereadores. Sobretudo se o prefeito e vereadores se apresentam para um segundo mandato.
Ao longo de quatro anos de mandato, por exemplo, que atividades e projetos foram realizados na área de saneamento básico, a rede de distribuição de água foi expandida? A qualidade no tratamento da água melhorou? Os esgotos de águas usadas e pluviais correspondem ao crescimento hoje da cidade? Que projetos de drenagem de igarapés, despoluição de rios (entre outros) foram implementados? Que exigência foram feitas junto às construtoras imobiliárias na preservação dos espaços verdes? Que investimentos foram feitos na área de habitação com finalidade social destinados as famílias de baixa renda? Quantas praças arborizadas foram instaladas ou recuperadas? A pavimentação das ruas obedeceu a critérios de qualidades prevendo duração "de longa vida" com manutenção prevista todos os anos antes dos períodos de chuvas?  As calçadas foram recuperadas? Os espaços destinados aos pedestres são suficientes para passeios com crianças e para pessoas idosas?
Como funciona hoje o serviço de assistência social municipal? Que tipos de serviços? Que investimentos foram feitos na área cultural? Quantas bibliotecas foram instaladas nos bairros? Quantos cursos de pintura, artesanato, de musica e outros são financiados pela prefeitura para populações de baixa renda ou classe média?
Quanto à preservação e melhoria dos ecossistemas urbanos o que foi feito? Existem campanhas nas rádios e televisão para educar o cidadão (ã) sobre esta questão? Nas escolas da rede municipal os professores foram formados para educar os alunos sobre o meio ambiente? A rede educação municipal contribuiu para melhorar a qualidade do ensino? Quantos professores municipais receberam formação pedagógica para desenvolver melhor o programa escolar? Que estímulos foram dados para a criação de trabalho e renda nas periferias da cidade? Sem contar outras prioridades básicas ligadas à saúde publica e ao bem-estar dos concidadãos.
Finalmente governar uma cidade, significa ter uma visão global para por em pratica um desenvolvimento territorial integrado e sustentável. Os vereadores e o prefeito devem pensar a cidade como um todo e devem agir de modo mais articulado com os organismos estaduais e federais objetivando a criação de cidades mais humanas, mais fraternas, combatendo de fato todas as formas de violência e exclusão.
O bom político quando eleito deve ter o balanço das ações negativas e positivas do prefeito anterior e dentro do espírito de homem público, ele deve dar continuidade aos projetos e atividades considerados benéficas para a população evitando assim o desperdício do dinheiro publico investido. Quanto ao vereador ele é reconhecido em suas responsabilidades de co-gestão e de controle face ao poder executivo. Com o Prefeito, a Câmara elabora decisões aplicáveis localmente. A Lei Orgânica de toda municipalidade deve precisar os objetos de sua competência legislativa e seu papel de adotar os programas gerais e o Orçamento Municipal. O poder legislativo é competente para votar as resoluções referendarias, para aprovar, autorizar ou elaborar pareceres independentes daqueles preparados pelo executivo municipal. A Constituição também atribui competências para o poder legislativo exercer o controle das finanças municipais com o auxilio do Tribunal de Contas dos Estados ou dos municípios se houver. Vários mecanismos são previstos: solicitação de informações ao Prefeito, convocação de assessores diretos deste, instalação de comissões de inquérito, requerimento de exame de contas da municipalidade… Enfim, o poder Legislativo Municipal tem a tarefa de julgar a política do Prefeito em casos de infrações político-administrativas.
Marilza de Melo Foucher, Consultora Internacional na área do desenvolvimento territorial integrado e sustentável

Written by Página Leste

9 de setembro de 2008 at 10:10

Publicado em Notícias e política

São Paulo tem patrimônio artístico na internet

leave a comment »

Agência FAPESP – O governo do Estado de São Paulo tem um tesouro escondido em secretarias, órgãos, fundações, autarquias e empresas com participação do Estado. São obras de arte, algumas de artistas famosos ou importantes, todas de inestimável valor histórico, que ficam dentro de gabinetes, escolas, saguões de prédios, enfim, espaços normalmente não destinados à visitação pública.

Written by Página Leste

9 de setembro de 2008 at 10:02

Publicado em Educação

Frente parlamentar realiza mais uma reunião pelo desenvolvimento da zona leste

leave a comment »

Na noite do dia 04/09, a sala Tiradentes da Câmara Municipal foi palco de mais uma reunião da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento da Zona Leste. Dos vereadores mesmo só apareceu Paulo Fiorillo (PT) que coordenou os trabalhos.
O representante do prefeito Kassab (DEM) e coordenador geral do Comitê de Desenvolvimento José Alexandre Sanches fez, mais uma vez, uma exposição do projeto de Lei 14654/2007 que tramita na Câmara onde aguarda aprovação. Segundo Fiorillo, a idéia é que a Câmara realize audiências públicas para ouvir todos os interessados e que queiram participar como o fizeram, mais uma vez o Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste que participou com quatro de seus diretores: Antonio Gomes da Silva (presidente); Miguel Sanches Jr. (diretor de projetos); J. de Mendonça Neto (diretor administrativo) e Valter de Almeida Costa (diretor do GT de Educação). Ainda participaram pela PMSP, Nivaldo Pinto do Camargo Bósio que auxiliou José Alexandre junto com Marcelo Vital e Rafaela Cordeiro Antoniazzi. Pela Nossa São Paulo Nossa Ermelino Matarazzo, Luiz França e pela Associação das Indústrias da Região de Itaquera – AIRI, Luis Flávio. O assessor parlamentar e também membro do FDZL, Alair Molina também presente. Por fim o jornalista Francisco Campos.
A exposição do representante da prefeitura indicou que o projeto é um conjunto de medidas que se inter-relacionam para dar sustentabilidade à iniciativa de atrair investimentos que gerem empregos na Zona Leste. No início, durante o ano passado o projeto original foi objeto de críticas dos próprios vereadores da frente em função da área de abrangência que durante a discussão deu origem a uma emenda ao projeto original ampliando de 15.425.53 m2 para 24.289.317 m2. Dessa forma foram agregadas áreas passíveis de desenvolvimento através do projeto como Ermelino Matarazzo, São Miguel, Itaim Paulista, São Mateus, Guaianases e Cidade Tiradentes.
Um complexo de intervenções no entorno do Metrô Itaquera estão propostas e vão desde a instalação de Fórum, escolas técnicas e Fatec, além de Senai, área de convenção e cultura até incubadoras de empresas. Parte desse aparato pretendido pelo conjunto do projeto, mas sem data para implantação serão formatadas com o auxílio da USP no aspecto de ensino e apoio as pesquisas das empresas em processo de implantação.
Não fica claro e José Alexandre não conseguiu responder se a abertura em forma de edital para a seleção das empresas interessadas no incentivo com redução de IPTU e ISS e em troca de certificados que serão corrigidos anualmente está condicionada a aprovação dessa intervenção ao lado do Metrô. Fica claro sim é que um projeto dessa magnitude que quer viabilizar o desenvolvimento local vai precisar de ações correlatas como às propostas para ocorrer naquele espaço.
Segundo Alexandre, setores de transporte, tecnologia de informação com call centers, telemarketing e até de indústrias para o ramo petrolífero estão interessados em investir. A região também deverá ser estimulada como entreposto de mercadorias observando a logística de melhor acesso ao porto de Santos e aeroporto de Guarulhos como forma de escoamento de produtos. Por fim citou um pólo de moda que incluirá os setores têxtil, couro, moda, perfumes e bijuterias.
Na opinião do expositor a partir o funcionamento das empresas e da infra-estrutura prevista algo em torno de 7 milhões de pessoas serão de alguma forma afetada. Esse número corresponde a 40% da população da Região metropolitana de São Paulo e não é nada desprezível.
Aberta aos questionamentos, o vereador Fiorillo entre outras intervenções inquiriu quantas empresas tinham sido aprovadas durante a vigência da Lei criada na gestão da prefeita Marta Suplicy. Cinco, num universo de quase quinze foi à resposta de Nivaldo Bósio. Fiorillo ainda pediu esclarecimentos sobre o funcionamento dos certificados se seriam negociados em bolsa, ao que Alexandre respondeu ser improvável diante do volume. Perguntou ainda se é possível considerar a presença de entidades como o FDZL no comitê de aprovação dos projetos, conforme era à época da ex-prefeita. Para Alexandre, isso só é possível se a Câmara propuser e aprovar emendas ao projeto que tramitará na Câmara.
Esse repórter, também diretor do FDZL quis saber que tipo de garantia era possível obter dos investidores com a manutenção dos empregos prometidos ao longo do usufruto dos incentivos. Alexandre disse que o comitê terá mecanismos para monitorar esse aspecto e ressaltou que quanto mais empregos efetivamente gerarem e manter maior será a pontuação do empreendedor que obterá maior incentivo.
Mas, como nem tudo foram flores, o diretor do FDZL, Valter de Almeida Costa reclamou de que a entidade que luta e acumula informações anos a fio sobre essa questão tem sido pouco consultada no debate sobre esse projeto. O representante do comitê se propôs a corrigir essa eventual falha, mesmo não a reconhecendo. O presidente do FDZL, Antonio Gomes reforçou a queixa anterior, mas achou salutar a possibilidade da abertura do diálogo e, como o restante dos presentes, torce para que o projeto saia do palco das idéias.
Publicado originalmente no jornal Gazeta São Mateus, ed. 273 – Setembro de 2008
 
Legenda: José Alexandre Sanches explica mudanças na Lei de Incentivos Fiscais para investidores na Zona Leste; Presente à reunião, jornalista José de Mendonça Neto (Gazeta São Mateus) indagou quando o projeto finalmente começará. Fotos de Francisco de Souza

Written by Página Leste

5 de setembro de 2008 at 19:23

Publicado em Organizações

Lei que protege mulheres só sairá do papel com Pacto Nacional

leave a comment »

Dois anos após entrar em vigor a Lei Maria da Penha feita para conter a violência de gênero ainda tem um longo caminho a percorrer para de fato ser aplicada. “A Lei ainda está só no papel”, observa Sônia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres.

Concebida para ser um instrumento com garantias de defesa para as mulheres nos casos de violência doméstica, ela só vai se efetivar se a sociedade civil, os órgãos governamentais e não-governamentais se comprometerem com a sua aplicação. Para reforçar esse processo tem importância o Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra a Mulher, elaborado no início de 2007 que ainda não foi ratificado por todos Estados brasileiros, entre eles São Paulo, explica Sônia Coelho que há muito tenta marcar uma audiência com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sem sucesso. De acordo com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, até agora só 12 Estados assinaram o Pacto.

A previsão é que com o tempo o Pacto deverá ser assinado por todos os Estados, entretanto isso só não resolve e será necessário criar mecanismos que garantam a implantação e a avaliação contínua dos projetos até se transformar em política de Estado e não de governo e um compromisso contínuo para obter resultados mais concretos para que, por exemplo, São Paulo a cidade mais rica da nação não continue sendo a cidade com o maior número de denúncias tendo como contrapartida um serviço público muito pequeno diante das necessidades.

Segundo as militantes pela adoção do Pacto e pela existência plena do funcionamento da Lei Maria da Penha, diversas medidas serão tomadas para pressionar a atual gestão, desde abaixo-assinado até denúncia formal ao Ministério Público Estadual, se o governo paulista não ratificar o acordo, .

Rede de serviços – Diversas frentes de atuação que vão desde medidas preventivas, delegacias, formação de profissionais, atendimentos médico e psicológico e casas-abrigos para mulheres agredidas compõem o Pacto. Somente com ações de Estado se resolve o problema da violência contra as mulheres. “A questão da violência doméstica é de direitos humanos, de saúde pública e, portanto, só pode ser resolvida com políticas públicas”, opina Cláudia Luna, da ONG Elas por Elas.

Naturalmente, a concretização do acordo, como toda política de Estado, dependerá muito de recursos. O governo federal faz a sua parte e até 2011 irá destinar R$ 1 bilhão, que serão distribuídos pelos Estados que assinarem o acordo. Os Estados e municípios também devem oferecer contrapartidas orçamentárias e, em assinando o acordo, cada unidade da federação precisará ter uma destinação orçamentária, uma série de deveres e prazos para executá-los. Pode estar ai a relutância em assinar o Pacto por parte de alguns Estados.

Na onda, tão em moda de sucateamento dos serviços públicos, ajudar a mulher a não ser espancada, pode, aos olhos de muitos governantes, ser uma providência supérflua. Basta constatar que nos últimos 16 anos em que o PSDB governa o Estado de São Paulo nenhum centavo foi dado para as políticas públicas voltadas às mulheres.

Números da violência contra a mulher – No Brasil, cerca de 43% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual, a cada 15 segundos uma é espancada (2,1 milhões ao ano, no mínimo) e ainda há aquelas que são vítimas de abusos por mais de 10 anos, ou mesmo por toda a vida . A Central Nacional de Atendimento à Mulher (número 180) recebe 20 mil denúncias válidas ao mês, sendo 60% casos de violência doméstica.

Written by Página Leste

5 de setembro de 2008 at 19:18

Publicado em Notícias e política