Brasil grande precisa melhorar serviços públicos
Presidente do IPEA lança estudo que revela: economia pode ultrapassar França e Alemanha em breve — mas faltam políticas para assegurar vida digna para a maioria.
Durante exposição do estudo “A presença do Estado no Brasil, dia 10, na capital paulista, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Porchmann disse “O Estado brasileiro não tem um padrão de funcionamento, devemos dar destaque à sua insuficiência e, de certa maneira, à ineficiência de políticas públicas em determinados aspectos”. Ele não estava criticando a presença e a intervenção do Estado, mas indicando que o estudo sugere ações mais efetivas no combate a desigualdades e ao subdesenvolvimento que persiste no país, mesmo diante do avanço econômico.
Desde novembro do ano passado distintos institutos privados internacionais vêm divulgando estudos apontando que o Brasil já passou o Reino Unido como sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) que é a soma das riquezas produzidas durante um ano por um determinado país. Claro que esse resultado contou com a ajuda da crise no país europeu.
Segundo projeções do Ipea até 2020 o Brasil deverá passar também a França, atualmente na quinta posição, e a Alemanha, atualmente na quarta.O mais impactante, entretanto, é que esse crescimento não significa que os problemas sociais brasileiros foram superados.
Pelo contrário, cresce as perspectivas de participação na economia mundial, mas se mantém arredio a corrigir as distorções sociais. A caminho da quarta economia, o Brasil convive com situações de subdesenvolvimento com uma parcela ainda grande da população em situação de miséria. Se olharmos os dados do Censo 2010 do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), encontraremos 16,2 milhões de brasileiros ainda vivendo em famílias com renda mensal média menor de R$ 70,00 por pessoa.
Essa contradição não quer dizer que devemos desconsiderar a trajetória ascendente do Brasil dentro desse aspecto e onde o Estado, com certeza, continuará sendo muito importante não apenas no contexto internacional de uma economia global e de uma sociedade do conhecimento, bem como ao enfrentamento das mazelas que nos acompanha, indicava corretamente o raciocínio do presidente do Ipea.
Desigualdades regionais
Para Pochmann, já existem políticas voltadas a compensar desigualdades regionais, favorecendo áreas mais carentes ou desprovidas de recursos adequados e estas precisariam se mais e melhor aplicadas. Entretanto, existem outras políticas que apontam na direção contrária com os locais mais ricos recebendo mais verbas. “Não estou defendendo um Estado só para pobres. O que destaco é aquele padrão de Estado em que se oferece para determinadas regiões que são mais ricas, porque isso não pode ser universalizado e homogeneizado”, pontua o presidente do Ipea.
No sentido de enfrentar as desigualdades o destaque ficou para as políticas de assistência social, como a Bolsa Família. Do total do que se repassa ao programa, 51,1% vão para o Nordeste, mesmo com a população representando apenas 28% do total de habitantes do país.
Em contrapartida, o Sudeste, que tem 42,2% de todos os brasileiros, recebe 24,7% do orçamento anual do projeto.
É claro, aqui, uma política de compensação diante das desigualdades sociais.
Um mecanismo muito semelhante é encontrado nos benefícios previdenciários que ajuda a contribuir com a redução das desigualdades, mas não de maneira suficiente a substituir os investimentos necessários em áreas como saúde e educação nas áreas menos assistidas.
A educação por sua vez é onde as disparidades entre os estados da federação mais aparece. Segundo dados do estudo e do Censo 2010, o Distrito Federal, por exemplo, tem 68% dos jovens matriculados no ensino médio da rede pública. Um alto índice quando comparado com o mais baixo índice de matrículas que está em Rondônia, onde encontramos apenas 31,6% da população de 15 a 17 anos de idade freqüentando a escola durante todo o ano letivo. Não justifica essa situação, mas explica um pouco a qualificação dos professores também é distribuída de forma bastante desigual. Segundo Pochmann, enquanto no Norte do país apenas 51% dos professores de ensino fundamental tem formação superior, esse percentual sobre para 82% no Sul.
Na saúde, os resultados sinalizam uma distância representativa entre o número de médicos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil. Enquanto nas regiões Sul e Sudeste há 3,7 médicos por mil habitantes, na região Norte o número cai para 1,9 médico por mil habitantes.
A questão do financiamento
Feita as constatações fica a questão do financiamento dos programas sociais. Este depende da arrecadação tributária que é fortemente regressiva, isto é, incide mais sobre os mais pobres do que sobre os mais ricos.
Como sempre tem aquele que fala mal do programa Bolsa Família e nem sempre é pelo motivo certo: o de que as contrapartidas são poucas para quem recebe; vale lembrar que o que é proporcionado às camadas mais necessitadas da população é, em grande parte, financiado por elas mesmas, graças à regressividade tributária.
Para entender o raciocínio consideremos uma família de 4 pessoas com renda per capita de 1 salário mínimo. Praticamente toda a renda seria para compra de alimentos e gêneros de primeira necessidade. Dificilmente sobra.
Se, no entanto, uma família de 4 pessoas tivesse renda per capita de 5 SM, a possibilidade de poupança aumentaria, mesmo que grande parte ficasse nas despesas iguais a da família acima.
Agora se a renda fosse de 25 SM, a poupança seria ainda maior.Certo? Dos exemplos para a conclusão. Quanto mais alta a renda, maior o nível de poupança, mesmo que varie a qualidade dos produtos consumidos pelas diferentes classes. Entretanto, e aqui está o pulo do gato, a quantidade de alimentos assim como outros bens que uma pessoa pode consumir diariamente é limitada. Apesar da diferença de qualidade, a renda empregada no consumo é sempre limitada.
No Brasil o sistema tributário está baseado nos impostos indiretos que tem no consumo sua principal fonte de arrecadação. Em função disso, levando-se em consideração as diferenças de consumo em cada uma dessas famílias, são as mais pobres que acabam penalizadas. Os pobres que gastam até 95% no consumo são relativamente muito mais atingidos pela tributação do que as demais, de classe média e rica onde esses tributos recaem sobre algo entre 60% e 40% respectivamente da renda. Lembram-se da capacidade de poupança diferente entre estas famílias.
Mas, oras direis: também tem tributação sobre a poupança e eu responderei: eles são muito, mas muito mais brandos do que os sobre o consumo. (JMN)
O drama dos resíduos sólidos urbanos
Recentemente tomamos conhecimento com o acidente ocorrido no aterro sanitário de Itaquaquecetuba que é para onde vai o nosso lixo do dia-a-dia produzido na cidade de Ferraz. Está certo que o aterro vinha operando já algum tempo de forma irregular e fora dos padrões exigidos pela legislação de saúde e ambiental conforme atesta várias medidas tomadas pela CETESB.
A lembrança serve de introdução para refletirmos sobre nossas responsabilidades na geração de lixo de forma excessiva e desnecessária, entretanto, esse ponto ficará para ser abordado em outra oportunidade.
A geração e destino dos Resíduos Sólidos Urbanos – RSU para as prefeituras municipais são uma problema constante de natureza estética, sanitária, econômica e legal e, em geral, costuma ter alta prioridade. Para os municípios de pequeno porte com escassez de recurso, falta de técnicos e equipamentos são fatores que contribuem para que os RSU não tenham a destinação adequada, que no Brasil, ainda é o Aterro Sanitário.
Os problemas do lixo são de ordem: estética; maus odores; poluição do ar com os gases metano, CO2, mercúrio, dioxinas e outros; contaminação do solo com metais pesados e da água com o chorume; hospeda vetores de inúmeras doenças graves; contribuem para a existência de animais que vivem do lixo; entopem bueiros, canais e córregos quando das enxurradas. Provocam ainda perfurações, cortes e doenças em catadores e podem provocar a combustão espontânea gerando incêndios.
Pensar o lixo
Desde a metade do século passado as técnicas de destinação dos RSU (lixo) evoluíram muito pouco. A forma dos aterros sanitários não muda. É sempre o mesmo, uma depressão de terrenos onde se joga todo tipo de lixo misturado. Em seguida é compactado com trator e recoberto com terra. Isso vai até a lotação máxima do aterro, anos depois.
Desde o início, a chuva penetra, se transforma em chorume _ líquido mal cheiroso que lado a lado com a vinhaça da cana-de-açúcar é o maior poluente conhecido e contamina o lençol freático. Os gases gerados pela matéria orgânica que se perdem contaminam a atmosfera quando não provoca incêndios.
Porque então não cobrir o aterro com uma manta plástica? De sobra ainda poderia se aproveitar a água que cai para outros fins com retorno econômico. Porque então não impermeabilizar previamente o aterro com manta de polietileno usada em piscicultura? E se não podemos impedir que se produza, por que não tratá-lo? Sua evaporação em tambores de petróleo vazio (tendo como combustível o próprio gás metano produzido no aterro); por eletrofloculação ou mesmo em lagoas de estabilização que são métodos econômicos e eficazes.
Se aves, animais e pessoas que povoam os lixões são indesejáveis, por que não cobrí-los com tela de plástico ou metal?
Se as camadas que formam “sanduiches” de terra nos aterros ocupam grande parte do seu volume, porque não substituí-la por uma massa verde de folhas e ramos de árvores resultantes da poda; aparas de grama. Restos de culturas agrícolas ou folhas de eucalipto que neste caso ajudaria a afastar os ratos e os problemas com o cheiro. Além é claro de acelerar a compostagem.
Alternativa seria a compactação ou trituração do lixo, antes de sua deposição para ocupar melhor e menores espaços. Por fim, é sabido que os gases produzidos no aterro pela decomposição da matéria orgânica podem ser totalmente aproveitados para geração de energia elétrica. Afinal, porque essas práticas não se espalham por todo o Brasil?
Soluções viáveis
Como visto o aterro sanitário ainda pode ser viável, mas urge tomas outras medidas, tais como: reciclagem; compostagem; redução do consumo (de bens); incineração em altas temperaturas; artesanato do lixo; uso dos gases em veículos e turbinas (geração de eletricidade); autoclavagem e compressão (lixo hospitalar); entre outras.
Equipe da Zoonoses reinsere cobra não peçonhenta ao seu habitat
Um filhote de uma falsa cobra Coral com cerca de 20 centímetros de comprimento por menos de um centímetro de espessura foi encontrado no Cambiri por um dos munícipes que a encaminhou a Zoonoses da cidade de Ferraz na primeira quinzena de maio.
Por ser tratar de animal não peçonhento – que não tem veneno, a veterinária Silvia da Silva Pereira a realocou em uma área de vegetação do município, habitat natural do réptil, conforme observa a legislação ambiental.
A Zoonoses de FV recomenda aos moradores que tomem muito cuidado e evitem contato com o animal quando não se sabe se é peçonhento. Mesmo assim, conforme legislação vigente, vale lembrar que é crime maltratar ou matar o animal. O ideal é procurar a zoonoses do município.

Em busca de emprego, trabalhadores se aglomeram em descampado
Uma pequena aglomeração de desempregados em frente ao terreno onde estão previstas as obras de construção do novo estádio do Corinthians, em Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo, na manhã da segunda-feira, dia 18/04, chamou a atenção dos transeuntes e dos motoristas dos carros que passavam pela Radial Leste, importante via de acesso à região. Motivo: um boato de que as construtoras envolvidas no projeto estariam selecionando ajudantes.
Ocorre que, da mesma forma que são esparsas e frágeis as informações a respeito de como se dará essa intervenção significativa, sequer havia no local qualquer sinal de um incipiente canteiro de obras.
Segundo a reportagem pôde apurar, havia surgido no fim de semana anterior na Favela Zorrilho/Tucuxi, separada do local pela própria Radial, um shopping, uma unidade do Poupatempo e pela linha do metrô, rumores dessas possíveis contratações. Dos aproximadamente vinte desempregados presentes, a maioria residia na referida favela e encontrava-se desempregada, em média, há mais de um ano. Entre os vinte, apenas meia dúzia já tinham alguma experiência em trabalhar em obras de médio e grande porte; o restante se ocupava de favores, de bicos, quando os tinha, ou de coleta de produtos recicláveis que comercializavam nos ferros-velhos locais.
Considerando o número de desempregados nas proximidades e mais ainda em todo o bairro de Itaquera, apenas para ficar nesse bairro mais próximo, pode-se deduzir que a procura pelas vagas foi relativamente baixa, notadamente por aqueles que estão em condições mais difíceis e com parcas qualificações. Esses trabalhadores, nenhum deles apresentava desinteresse pelo trabalho de qualquer espécie, aguardaram por cerca de uma hora por alguém ou algo que desse qualquer sinal de alguma prévia seletiva até se dispersarem desesperançados. Vários deles sinalizavam voltar no dia seguinte ou mais futuramente para novas tentativas.
Por conta de várias expectativas, entre elas a de geração de emprego localmente, o Movimento Nossa Itaquera, que congrega diversas lideranças, vem se reunindo há cerca de um ano para entender e participar das decisões quanto a essa impactante iniciativa. O assunto estádio do Corinthians, bem como a abertura da Copa do Mundo de Futebol nesse mesmo estádio, tem sido objeto de diversas reportagens na grande imprensa, mas quase sempre de forma genérica e inconclusa. O fato é que não se sabe ao certo onde e com quem está o centro de todas essas decisões.
Em função dessa precariedade, o movimento estará promovendo um primeiro seminário público no espaço da Faculdade Santa Marcelina, no dia 12 de maio, cujo tema será a discussão da intervenção local e seus efeitos na empregabilidade da mão de obra local. Para esse encontro estarão se reunindo, além das lideranças em torno do movimento, instituições como o SEBRAE, SESI, SENAI, FIESP, afetas à questão, e o próprio presidente do Corinthians. Espera-se sair desse encontro com informações mais sólidas.
Da mesma forma que os desempregados tomam a iniciativa de se apresentarem para participar de alguma forma disso tudo, essa primeira iniciativa do movimento é a passagem para a ação de aglutinação de forças depois de diversas discussões internas, porém públicas, sobre o assunto. Alguns outros encontros estão previstos para ocorrer ainda este ano e durante todas as alterações que poderão ocorrer.
O impacto ambiental, no viário, nas eventuais desapropriações, na empregabilidade, na qualidade de vida, na segurança será discutido. Enfim, os trabalhadores se organizam para o trabalho e a comunidade se organiza para participar ativamente das discussões sobre o rumo que irá tomar a sua vida e a região com a construção do estádio. (JMN)
Cientistas reagem à flexibilização do Código Florestal
Na última semana um resumo executivo reproduzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) de um estudo que deverá ser divulgado na íntegra nos próximos dias deve provar cientificamente que as flexibilizações previstas no relatório indicativo do deputado Aldo Rabelo (PCdoB/SP) comprometem o futuro das florestas no país.
Com isso a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) vão ajudar na reação aos argumentos usados pelos ruralistas que pedem a aprovação das mudanças no Código Florestal que estão na proposta do deputado.
Já adiantando: os cientistas discordam da redução da Área de Preservação Permamente (APPs) na margem dos rios; da recomposição de áreas de reserva legal com espécies exóticas e a possibilidade de regularizar plantios em topos de morro.
Mais ainda. No estudo que estará disponível nos próximos dias os cientistas argumentam que a área utilizada pela agropecuária no país não precisa ser ampliada com novos desmatamentos, pois podem ter a produtividade maximizada com investimentos em pesquisas e tecnologias, algumas já disponíveis. É preciso provocar que por parte do agronegócio venha a compensação por todo esse tempo de produção insustentável.
“O contraponto do sucesso econômico da agricultura tropical se manifesta no aumento das pressões sobre o meio ambiente, com agravamento de processos erosivos, perda de biodiversidade, contaminação ambiental e desequilíbrios sociais. Fica evidente que há necessidade de medidas urgentes dos tomadores de decisão para se reverter o atual estágio de degradação ambiental provocada pela agropecuária brasileira”, diz o sumário executivo.
Com a publicação do documento, a SBPC e a ABC pretendem ampliar a necessária discussão sobre as mudanças propostas no Código Florestal e subsidiar melhor o entendimento para a votação do relatório de Rebelo, previsto para ser apreciado no começo de marco, conforme indicado pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT/RS), mas que, providencialmente, decidiu criar um grupo com representantes das bancadas ambientalista e ruralista para discutir o tema. A composição do grupo sinaliza que o bom senso está prevalecendo e que a votação deve ser adiada.
A pressão, entretanto continua. A presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), disse que há risco de inflação no preço dos alimentos se houver mudanças na lei florestal. Segundo a CNA, se não houver flexibilização no Código Florestal, os agricultores com irregularidades ambientais não terão acesso a crédito e a produção vai diminuir.
Zona Leste está perdendo espaço nas iniciativas de governo para o desenvolvimento
Para o Diretor de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste e colaborador do Movimento Nossa Itaquera, professor Valter de Almeida Costa, as atitudes recentes do governador Geraldo Alckmin indicam certo menosprezo com a Zona Leste da cidade de São Paulo quando se trata de contribuir com soluções de transporte público para que essa região viabilize a abertura da Copa de 2014 no futuro campo do Corinthians em Itaquera.
Basta acompanhar o raciocínio do governador. Para ele uma ligação entre o aeroporto de Congonhas e o Jabaquara indiretamente beneficiaria Itaquera. Vá lá, melhorar o Jabaquara e melhorar o acesso a outros lugares tudo bem, mas imaginar que isso tem reflexo em Itaquera, pois facilitaria o acesso de turistas de várias partes do país e do mundo a chegar até a zona leste é provocar marolas sem necessidade. Então os turistas teriam que ser maratonistas. Chegar à estação Jabaquara; fazer o transbordo na Sé e rumar mais quarenta minutos até Itaquera faria dos turistas merecedores de chegar ao estádio na zona leste? Não seria mais fácil e justo, indaga o professor, melhorar a ligação entre o Aeroporto de Cumbica em Guarulhos e Itaquera beneficiando objetivamente a Zona Leste.
Somando-se a essa desculpa esfarrapada do governador, a imprensa registrou nesses dias de fevereiro artigo do Presidente do São Paulo FC, Juvenal Venâncio no qual o presidente do clube paulista, ao defender a linha ouro do metrô, não consegue esconder o desejo de que o Morumbi, na Zona Sul, sedie a abertura da Copa de 2014, no lugar do Estádio do Corinthians em Itaquera, Zona Leste. Ou seja, o assunto abertura da Copa ainda não está decidido.
Não se trata eventualmente de desmerecer melhorias para os lados do Morumbi. A conclusão das obras da linha amarela ligando o centro velho da cidade, na Luz, com a Vila Sônia integrando o sistema metro-ferroviário e a inauguração da estação São Paulo_Morumbi, distante 1 km do estádio prevista para 2012 é bem vinda. Agora aportar algo estimado em R$ 3 bilhões para a construção da linha ouro que deverá resultar em ligação do aeroporto até a estação São Paulo_Morumbi passando pela linha amarela é demonstrar que não vai investir in situ na zona Leste de São Paulo e isso é injusto, como sempre o foi. Historicamente os recursos públicos são mais bem servidos em áreas nobres. Os dados oficiais confirmam.
Muito bem que, como o governador, o presidente do São Paulo aparentemente só queira facilitar a vida e o acesso daqueles que desejarem participar da abertura da Copa do Mundo, entretanto, se percebe o lobie local e, como aponta o professor, sem organização e forte mobilização na Zona Leste, notadamente de Itaquera, pouco poderá ser feito diante da poderosa articulação de forças que objetivamente estão boicotando o projeto do Estádio na zona leste como um vetor para um maior e melhor desenvolvimento da região.
Algo está por se feito pelos ativistas da zona leste, como bem expressa o professor em mensagem distribuída a lideranças “Segue textos da imprensa para análise dos colegas, reforçando o alerta de que a turma do lado de lá, a Zona Sul nos sentidos geográfico, social e político, está se movimentando com seus fortes representantes políticos. E, nós, o que vamos fazer?”.
J. de Mendonça Neto, jornalista e diretor do FDZL
Contra a corrupção: Não perdeu tempo
O deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB/SP) apresentou no primeiro dia útil após a instalação da atual legislatura o projeto de Lei – PL 21/2011 que propõe alterações no Código Penal e Código de Processo Penal dispondo de novas sanções a serem aplicadas aos funcionários públicos dos três poderes e da administração pública direta, indireta e fundacional em caso de enriquecimento ilícito com corrupção.
Grosseiramente as alterações são: a possibilidade de o juiz deve fixar a pena base levando em consideração a extensão do dano causado ao erário público, nos crimes contra administração pública; Equiparação à pena de homicídio qualificado para crimes de corrupção ativa ou passiva, peculato e dar prioridade na tramitação aos procedimentos judiciais em processos de crimes de responsabilidade de funcionários públicos.
Se a proposta é para valer ou jogo de cena é uma dúvida razoável, entretanto a simples lembrança de que a corrupção precisa ser mais penalizada é bastante oportuna. A corrupção, como se sabe, é o problema mais grave e o que mais deixa indignado o cidadão, principalmente quando correlacionados com as atividades dos políticos, o que tem sua razão de ser em função do histórico brasileiro.
A grande questão é que diferente do que ocorre na sociedade, de uma forma geral, o tema não é bem digerido pelos parlamentares; os parceiros do Protógenes aos quais cabe acelerar a apreciação da proposta ou colocá-la nos anais de esquecimento das idéias bem intencionadas que permeiam o caminho do inferno.
Movimento discute e sugere cursos de extensão para a universidade federal na zona leste
Convocados pelo Movimento Nossa Zona Leste que luta pela instalação da universidade federal naquela adensada região de São Paulo, mais de trezentas pessoas se reuniram na noite do dia 27/01 no Salão da Igreja São Francisco de Assis, em Ermelino Matarazzo para organizar as sugestões das linhas de atuação e de cursos de extensão. Como explicou o Pe Ticão, durante a abertura dos trabalhos, faz parte da atividade intrínseca de uma universidade o ensino, a pesquisa e a extensão que, grosso modo, significa levar as comunidades de fora da escola os saberes desta.
Como é característica do movimento; fazer acontecer a cidadania com a efetiva participação da população, a reunião propunha tirar encaminhamentos para um encontro que ocorreria no dia seguinte pela manhã com a Pró-reitora de Extensão, profa Dra Eleónora no mesmo local e que a reportagem não conseguiu acompanhar.
O plenário reuniu-se inicialmente para referendar e estabelecer prioridades entre 13 propostas distintas as quais foram agregadas mais outras sete sugestões que após serem apresentadas foram discutidas mais especificamente pelos grupos de interessados.
A instalação de cursinhos pré-vestibulares foi o destaque entre as sugestões. Trabalho em escolas e entidades em saúde preventiva com ênfase na questão dos dependentes químicos; trabalhos com a população idosa; cursos preparatórios para jovens aspirantes ao primeiro emprego; cursos de fomento da produção em arte e cultura; esportes, mulheres, trabalhos com deficientes, bem como a instalação de unidades de controle e monitoramento permanente da qualidade dos alimentos consumidos foram citados junto com ações e cursos que qualifiquem o trabalho do conselho tutelar. A instalação de observatório de políticas públicas, proposta do GT de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste e ainda outras com enfoque na educação e gestão ambiental foram citadas e defendidas por lideranças.
A idéia é estabelecer o diálogo com a Unifesp para definir e viabilizar o que já pode ser feito em 2011 antes mesmo da instalação e funcionamento da unidade prevista para ser instalada na Avenida Jacu Pêssego em antigo terreno de uma empresa metalúrgica, conforme definido pela mobilização do movimento que conseguiu o comprometimento do governo federal na empreitada e do prefeito Gilberto Kassab para a compra do terreno.
São duas ações paralelas e concomitantes. Manter contato com a Unifesp mostrando a importância da instalação de um campus local em função da enorme demanda e concentração populacional e pressionar a Prefeitura para que honre seu compromisso, assumidos publicamente pelo prefeito em assembléia local para regularização da posse do terreno.
Para tanto está previsto nova reunião no dia 26 de fevereiro no mesmo local onde se espera a presença do prefeito. Nessa direção não faltou incentivo para que as pessoas busquem formas de pressionar o prefeito a comparecer. Se por parte da população é possível ligar, enviar e-mails, fax diretamente ao prefeito, foi sugerido aos assessores de deputados federais, estadual e vereadores presentes empenho redobrado.
Presente ao local, o deputado federal Carlos Zarattini (PT/SP) foi convocado pelas lideranças a agendar reunião preliminar com o prefeito. Assumindo compromisso com a tarefa, Zarattini também destacou durante a sua participação a necessidade do movimento pressionar para que a nova unidade da universidade federal na região disponibilize cursos como o de Medicina, Engenharia e outros cursos de ponta no que foi apoiado pelos participantes.
Além do deputado esteve presente na reunião o Comandante do 39º BP/PM região leste, Capitão Cruz, morador da região e que comentando sobre as dificuldades para a continuidade dos estudos e terceiro grau e o evidente benefício que pode ser contar uma universidade de ponta na zona leste se considera mais um cidadão empenhado nessa luta. (JMN)
Oportunismo: novos eleitos tentam se cacifar em lutas das quais ainda não fazem parte
É isso. Alguns entre os novos eleitos ao parlamento por São Paulo em Brasília e na Assembléia Legislativa por obra e graça dos votos obtidos com apoio na zona leste de São Paulo já começam a mostrar a má prática sugerindo que permanece tudo com dantes no quartel de Abrantes.
Mal se investiram dos mandatos, ainda em fase de dar conta dos acordos com “apoiadores” que devam ser representados guindando pessoas a cargos dentro da assessoria, estes deputados já se consideram como automáticas e autorizadas as suas presenças junto às lutas do movimento social. Não é bem assim que a orquestra toca.
Não basta ter sido apoiado por ativistas sociais dos mais diferentes matizes que tem os pés fincados nas lutas locais para imaginarem-se participes. Existe um ritual de passagem, se é que podemos definir assim ou uma lista de chegada.
As lutas populares, notadamente na zona leste da capital, tem sido palco da entrada, saída, presença ou ausência de mandatos sendo que apenas alguns poucos podem ser reconhecidos como participantes ativos e autorizados. Lideranças locais estão calejadas com esse comportamento.
Apenas para ficar num exemplo de maior visibilidade, alguns dos novos eleitos já se imaginam inseridos na luta pela universidade federal na zona leste apenas pelo fato de que algumas pessoas do movimento terem o ajudado em suas respectivas campanhas. São duas coisas distintas. Num momento o ativista empresta ou vende seu apoio a determinada candidatura e noutro, passado as eleições, volta para seu ativismo corriqueiro dá mesma forma que o parlamentar vai cumprir suas obrigações, quando o faz. O fato de ter o apoio de determinada liderança não é autorização suficiente ou bilhete de passagem para que o eventual eleito faça automaticamente parte das lutas já em curso.
A lembrança de forma insinuada dessa diferença, neste instante que se inicia uma nova legislatura, se faz oportuna na tentativa de evitar que ações destrambelhadas e aparelhistas de mandatos se façam sentir nas lutas em curso.
A presença de mandatos pode ser bem vinda sim, mas, antes devem ser provadas e aprovadas fora do período eleitoral e mais: com mandato na mão é preciso ir além e demonstrar seu compromisso contínuo com as causas o que não é uma ação que a maioria dos parlamentares percam tempo.
Vale o aviso, uma vez que, pelo menos no aguerrido movimento social da zona leste a recepção a esses oportunismos, com certeza não será das melhores. Se chegar pode, mas não querer a “janelinha” já nas primeiras viagens.