Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Eram os 0,20 centavos, a surpresa e o aprendizado das ruas

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Entrevista concedida a Folha de S. Paulo uma semana após anunciar a baixa das tarifas de ônibus na cidade de São Paulo, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que não se pode desperdiçar a energia das ruas. Disse que se for necessário vai comprar briga com usuários de carro para melhorar o transporte público.

Um estadista que se preze, seja aqui na capital, seja em outras cidades do mesmo porte já devia ter tomado esse partido, o do transporte público há tempos. Tem até uma informação a ser confirmada que em Tóquio, uma cidade do Japão, a compra de um segundo carro para a mesma pessoa, família ou endereço só é autorizada, caso consigam demonstrar que tenham onde guarda-lo fora das vias públicas. Esse é apenas ação concreta sobre a coisa. Tem outras, entre elas a taxação da circulação de automóveis particulares em determinada áreas. Pode dar calafrios a nós quando pensarmos em mais taxas ou cerceamento da nossa circulação confortável, mas é uma opção e está é sim pela maioria.

Se o transporte e o trânsito são problemas que não precisam desenhar, o reflexo do aumento de passagem, os tais vinte centavos, precisou ser demonstrado àqueles que não passam o sufoco de uma maioria quase invisível, apesar de volumosa. E foi isso que fez, acertadamente, o Movimento Passe Livre na cidade com reflexos idênticos em outras capitais e cidades importantes.

O raciocínio é de que se o transporte é público tem que ser custeado por todos, mais barato ou até gratuito, conforme algumas pessoas proeminentes já levantaram como hipótese. Em se considerando que não existe almoço grátis o custo tem que ser rateado para a sociedade como um todo.

Há que se levar em conta que são os próprios trabalhadores, com seus longos e dificultosos deslocamentos para trabalhar, a maioria entre os pagadores de impostos diretos no consumo. Os outros eventuais cotistas desse rateio, a classe média e os ricos que não dependem tanto diretamente do transporte público não têm como reclamar. Pelo menos das intenções da proposta como solução que indiretamente também os beneficia.

A surpresa com as ruas ocupadas

E foi com a desconfiança das intenções e dos sempre duvidosos comportamentos da nossa classe política e da elite que a massa foi colocar a pauta das ruas para além dos 0,20 centavos. O que se viu foi vontade de ocupar as ruas para demonstrar insatisfação generalizada e difusa, quando não, confusa, com os descalabros que vem sendo cometido ao longo dos vários governos civis desde a saída da ditatura militar.

Se durante a ditadura em seu período mais duro havia pouco que se fazer em termos de denunciar e protestar contra os desmandos da época a chegada dos governos civis, numa suposta democracia, abria novos caminhos e por eles percorreram até mesmo forças politicas que prometiam, mas não entregaram por completo um mundo novo.

A verdade dos fatos é que ninguém, as pessoas, a sociedade não organizada, os setores organizados, setores de direita ou à esquerda tinham qualquer desconfiança da enxurrada que se seguiu intensa nos dias de junho e que ainda não terminou. Se a tomada das ruas foi surpresa, as condições para que ela ocorresse não.

O caldo de cultura para os protestos estavam dados e se acumulavam há tempos. Se por um lado foram nutridas pela própria ascensão de ampla camada de consumidores, a festejada classe média baixa, que chegou ao consumo e coloca novas demandas, por outro havia uma mal estar geral com a estagnação dos possíveis avanços sociais, das promessas não cumpridas como ‘mais saúde, educação, habitação, segurança etc.’ que se somaram a desfaçatez e mau comportamento dos poderes legislativos, executivos e judiciários.

São tantas as lambanças que representantes desses três poderes fazem, que eu precisaria de um artigo próprio. Mas para não deixar de colocar as premissas, bastam duas ou três. O comportamento de corporação dos parlamentares, em todas as esferas, legislando em causa própria; dos executivos com seus secretários, prefeitos, governadores e ministros com seus negócios escusos por dentro do Estado e ainda dos juízes e outros órgãos apensos ao Judiciário que, entre outras belezuras, decidem, como os outros poderes, sobre seus próprios salários e ganhos criam desconforto a cidadão comum. Vale registrar ainda que no Judiciário, muitos dos seus atores mal conseguem escapar de se colocarem acima do bem e do mal.

O que dizer então das denúncias quase diárias sobre malfeitos e corrupção? Quantos dos réus confessos foram ou estão na cadeia? E mais, deveriam eles estar na cadeia, quando a maior punição que eles poderiam ter, seria a perda completa dos bens roubados em favor do tesouro nacional, conforme penso como proposta há muitos anos?

Melhor aprendendo na rua do que a paz enganosa das casas

Se existem razões às pencas para queixas e protestos, esses não podem ser vistos necessariamente como problemas que foram criados por este ou aquele governo; por este ou aquele partido. É natural que as queixas têm que ter destinatário seja a presidenta, os governadores, os prefeitos, os vereadores ou deputados. Que seja esse o caminho, mas a generalização, a simplificação e a recusa em entender a politica como fazem os simplórios não leva a canto algum.

Há que se pensar que os problemas têm a ver com o sistema de governo, com o modelo, mais do que com os figurantes do período. É certo que a maior parte deles vem se beneficiando do atual estado de coisas e a marola das ruas incomoda e amedronta. Cabe a eles diante da pressão mudar o comportamento ou pegarem seus bonés se mandarem de volta pra casa, não sem antes devolverem o que surrupiaram indevidamente.  Ah! Como gostaria que assim fosse!

Se a despolitização e a ira sem causa e direção podem se prestar a alimentar um caminho perigoso e autoritário tornando preocupante a ausência de reflexão e disposição para aprofundar os motivos de suas raivas e achar saídas construtivas e propositivas, a alternativa também não é ficar paralisado em casa. Em termos da necessidade do país é preferível o risco das ruas que o silêncio sepulcral e subalterno da sociedade.

E aqui as responsabilidades são reveladas, notadamente à esquerda por dentro ou de fora dos partidos. Cabe a ela disputar tanto quanto possível a hegemonia da insatisfação e os corações e mentes para a real construção e o aprofundamento da cidadania. Que isso seja rápido, pois ao invés disso, o que se viu por parte de gente supostamente esclarecida foi intolerância com o aprendizado ou não dos próprios manifestantes. O que menos precisamos neste momento é gente que diz “eu estava aqui antes e sei o que é certo”.

Se é visível que no rio caudaloso dos protestos os seguidos atos de vandalismo promovidos pela desinformação, ignorância e até mesmo bandidagem criam uma segunda natureza da revolta, também nos revela com a coisa toda é complexa. Nada é simples e reto. Tem nuances a serem entendidas e este é um motivo a mais para ficarmos atentos e participarmos. (JMN)

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1 de julho de 2013 at 16:06

Por trás de fumaça, pode haver algum fogo

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Recentemente, os técnicos do Planalto concluíram investigação com relatório de 120 páginas sobre a atuação de Rosemary Noronha, amiga do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mantida até poucos meses atrás no comando do escritório da Presidência da República em São Paulo.
O que se viu por ali deixou a mulher inquieta transformando-a num barril de pólvora passível de explodir a qualquer momento se continuar a sentir que foi abandonada pelos amigos, alguns deles que ela arrolou como testemunhas de sua defesa no processo administrativo. Mais o que chama atenção é o perfil das testemunhas por ela indicadas, nenhuma delas da raia miúda e de gente que poderia estar próxima do dia-a-dia da Rosemary.
O secretário-geral da Presidência e ex-chefe de gabinete de Lula, Gilberto de Carvalho e Erenice Guerra, ex-ministra da Casa Civil e ex-braço direito da atual presidente Dilma até cair em desgraça estão no topo da lista, Em seguida vem o número dois na Casa Civil, um ex-vice-presidente do Banco do Brasil, Ricardo Oliveira, aliás, assíduo visitante do gabinete que a mulher chefiava na Avenida Paulista.
Sob o comando da Casa Civil da Presidência, os técnicos rastrearam discrepâncias na evolução patrimonial de Rosemary Noronha a ponto de recomendarem que ela fosse investigada por suspeita de enriquecimento ilícito. Até agora, de concreto tem um processo administrativo aberto da Controladoria Geral da União. Na investigação diversos sinais e demonstrações de como fraudar e trapacear em alguns assuntos quando esse ocupante é amigo do presidente da República.
O surpreendente é que o resultado, embora não tenha contribuído para ter alguma consequência, até o momento, pelo menos, não é de aliviar aliados e parceiros flagrados em maracutaias como se tem visto. Ele é bastante severo com a ex-secretária que além de grosseira e arrogante com seus subalternos ainda percorria diferentes formas de desvirtuar as funções do cargo. Ela pedia muitos favores ao “PR” que era como ela se referia a Lula em suas mensagens.
A secretária gostava de mordomias e usava o carro oficial para ir a médicos, dentistas, transportar filha e amigos, ir a restaurantes e o motorista virou seu contínuo rodando por São Paulo em carro oficial entregando cartas, encomendas, serviços de banco e compras. Simultaneamente Rosemary servia com agilidade os poderosos sempre de olho em vantagens pessoas desde fim de semana em ressortes até cruzeiro de navio.
Houve tantos desvios que a ex-secretária chegou a ser recebida com honras de chefe de estado na embaixada brasileira em Roma, na Itália, aonde o embaixador chegou a colocar motorista oficial a sua disposição. Sem hotel foi acomodada em local da embaixada, reservada ao chefe ou no caso o presidente da República.
Um arquivo e bomba ambulante
Rosemary Noronha não está nada feliz e confortável e ameaça revidar em grande estilo contra os velhos amigos ou companheiros que já deixaram essa primeira investigação correr solta e que se tiver alguma consequência deve leva-la às barras da Justiça, agora por enriquecimento ilícito. Ela não alivia e ameaça contar seus segredos e implicar gente graúda do Partido dos Trabalhadores e do governo.
E as ameaças parecem estar um grau a mais do que apenas as palavras. Rose que vinha sendo defendida por advogados ligados ao PT contratou outro escritório que durante anos prestou serviços aos tucanos. . O Medina Osório Advogados, banca com sede em Porto Alegre e filial no Rio de Janeiro, trabalhou para o PSDB nacional e foi responsável pela defesa de tucanos em vários processos, como os enfrentados pela ex-governadora gaúcha Yeda Crusius. Os novos advogados foram contratados para defendê-la no processo administrativo em que ela é acusada de usar e abusar da estrutura da Presidência da República em benefício próprio.
Enquanto isso, governo nega ao MPF acesso à sindicância
Buscando apurar a participação da secretária nas fraudes que aparecem nas investigações na Operação Porto Seguro pela Polícia Federal, o Ministério Público Federal recebeu a negativa da Presidência da República quando solicitaram acesso aos documentos da sindicância referida que investigava a denuncia contra Rosemary de falsidade ideológica, tráfico de influência, corrupção passiva e formação de quadrilha.
A subchefia de Assuntos Jurídicos da Casa Civil respondeu ao MPF, segundo a sua assessoria que “o chefe de gabinete pessoal da Presidência da República não tem competência para prestar a informação requisitada”. Informou ainda que pedidos à Presidência devem ser feitos apenas pelo procurador-geral da República. Para o MPF a recusa representa sério obstáculo ao pleno conhecimento dos fatos.
O MPF argumenta que a lei 8.112/90 obriga o órgão a encaminhar cópia da sindicância quando o relatório “concluir que a infração está capitulada como ilícito penal”.
Ministro confirma ida ao Senado para esclarecimentos
Durante o fechamento desta edição ainda não se tinha agendado a ida do ministro Gilberto Carvalho ao Senado, convidado pela casa, para esclarecer a atuação da Secretaria Geral da Presidência na investigação que a Casa Civil fez a respeito da suspeita. (JMN)
Publicado como editorial na Gazeta São Mateus, ed 353, maio de 2013

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29 de maio de 2013 at 23:16

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A Fábula da Corrupção

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29 de maio de 2013 at 16:08

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Um ano do Código Florestal: tudo dito, nada feito

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No dia 26 de maio o novo Código Florestal completou um ano de aprovação. Muita coisa foi dita, mas pouco foi feito. A Lei Federal nº 12.651 ainda não disse a que veio. Parece que bastou a anistia do passivo ambiental de aproximadamente 40 milhões de hectares de cerrados e florestas desmatados ilegalmente antes de julho de 2008.

O que temos até agora é o Decreto Federal nº 7.830/12, genérico, que não tem o condão de nortear os Programas de Regularização Ambiental (PRA) que os estados devem desenvolver para regularizar, na prática, as propriedades rurais. Os PRAs devem indicar, com fundamentação técnica, onde serão consolidadas as ocupações ou onde deverão ser recuperadas as áreas ilegalmente desmatadas. Devem também indicar as bacias hidrográficas críticas nas quais a recomposição de áreas de preservação permanente deverá ocorrer segundo parâmetros técnicos mais rigorosos do que os previstos na lei. Devem, ainda, indicar a localização das áreas críticas para recomposição e conservação florestal para fins de compensação de reserva legal. Um ano se passou e nenhum PRA, até agora, foi aprovado no país.

Embora tenha sido um dos elementos mais comemorados pelos parlamentares da base do governo, não há ainda nenhum incentivo econômico concreto (previstos no artigo 41 do Código) ou movimento real iniciado para tanto. A falta de movimento afeta também a implementação do mercado nacional de redução de emissões de CO2, previsto em lei desde dezembro de 2009. Tal mercado poderia direcionar investimentos para conservação ou recuperação de florestas, já que o desmatamento, apesar da redução expressiva de suas taxas na Amazônia, ainda é responsável pela maior parte das emissões de carbono brasileiras.

A falta de ação parece também ser seguida pela falta de vontade para com o diálogo público e transparente. Tanto é assim que o Ministério de Meio Ambiente recusou a proposta feita em novembro de 2012 pelo Instituto O Direito por um Planeta Verde e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) para a criação de um grupo assessor, no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), para acompanhamento e avaliação da implementação da nova lei.

Em contrapartida, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) propôs a criação de um comitê, fora do Conama, para monitoramento da implementação da nova lei florestal, supostamente com a participação da sociedade. Até o momento, tal comitê não foi criado, não se sabe qual a sua composição, como serão indicados seus membros, enfim não há previsão para que isso aconteça. Não se trata mais de questionar o que foi aprovado, mas de buscar a melhor maneira de implementar, sem mais retrocessos, o que foi aprovado há um ano pelo Congresso.

Atentas a esse processo, algumas organizações da sociedade — entre elas, Ipam, Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Centro de Vida (ICV), Conservação Internacional (CI), Fundo Mundial para a Natureza (WWF), The Nature Conservancy (TNC) e S.O.S. Mata Atlântica — lançarão este mês, no Congresso Nacional, o Observatório do Código Florestal. O propósito da iniciativa é promover seminários, audiências públicas, reuniões técnicas, debates e avaliações independentes e multi-institucionais sobre os melhores caminhos e meios para uma boa e transparente implementação do Código.

Espera-se que esse esforço encontre abrigo nos espaços institucionais existentes, em especial no Congresso Nacional, nas assembleias legislativas, nas câmaras de vereadores, nos conselhos de meio ambiente e conte com o apoio dos órgãos ambientais, inclusive do Ministério do Meio Ambiente.

Pretende-se, assim, contribuir com a implementação da nova lei, impulsionando o Cadastramento Ambiental Rural dentro de parâmetros de transparência e eficácia aceitáveis e tornando os anunciados incentivos econômicos, para aqueles que vêm cumprindo a lei e continuam protegendo seus ativos florestais, uma realidade no menor espaço de tempo possível.

Sem colocar o Código em operação já, não será de estranhar que, mais à frente, uma “atualização” na consolidação de áreas rurais desmatadas ilegalmente (leia-se, mais anistia) após julho de 2008 seja requerida por aqueles que lutaram para obter tal benefício na atual lei.

* André Lima é advogado, assessor especial de Políticas Públicas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), mestre em políticas públicas e gestão ambiental. Paulo Moutinho é biólogo, doutro em ecologia e diretor executivo do Ipam.

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29 de maio de 2013 at 16:05

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Eco Urbis atua na região e envia representantes ao evento

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A Eco Urbis tem sob a sua responsabilidade contratual em forma de concessionária do poder público municipal o gerenciamento de aterro sanitário. Um serviço da maior importância em cidades de qualquer porte, notadamente em uma megalópole do porte da cidade de São Paulo.

Sem aterros sanitários os destinos do lixo doméstico, notadamente orgânico, que são em sua maioria os restos de comida fariam proliferar em lixões uma situação desagradável e grave do ponto de vista ambiental e de saúde pública. Para se ter uma noção da sua importância, basta fazermos um exercício mental de tentar conviver sem coleta regular de lixo durante um período.

Pela empresa Eco Rubis, que mantém boas relações com o jornal, estiveram presentes o superintendente da Central de Tratamento Leste, Leonardo Tavares e a consultora ambiental da empresa, a socióloga Zulmara Salvador.

Além de informar que o atual aterro que a estimativa de vida útil do atual aterro nas atuais condições é de nove anos, Leonardo esclareceu que ao aterro chegam apenas os resíduos domiciliares com mais de 60% de produtos orgânicos que em decomposição geram o metano que pode ser aproveitado ao longo de sua coleta e tratamento em gás que gera energia. “Essa coleta do metano para se transformar em biogás está nos planos da empresa, uma vez que estamos preparando a sua coleta não na ponta de cada exaustor, digamos assim, mas na ponta de uma série de encanamentos especialmente preparados para essa coleta”, explicou Leonardo.

Com relação ao jornal, o representante da empresa fez uma leitura acurada do veículo e destacou; como a propósito foi destacado por outros convidados, o caráter democrático e aberto do jornal. “Conheço mais de perto o jornal nos últimos oito anos e o que tenho visto é a sua intensa participação nas questões comunitárias e sociais da comunidade dos três distritos de São Mateus”, afirmou. Segundo Leonardo o tratamento que dá as questões locais independente das demandas que são retratadas nas páginas do jornal é um diferencial muito positivo.

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7 de março de 2013 at 17:59

Gazeta, 20 anos: outros depoimentos

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Vereadora Juliana Cardoso comparece e parabeniza Lucy Mendonça

 

Com a representatividade conquista através dos mais de 45 mil votos conquistados na última eleição reconduzindo-a à Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora Juliana Cardoso (PT) é pessoa próxima da redação há algum tempo. Desse convívio para a amizade com a diretora do jornal foi só achar as afinidades em comum.

“Cara Lucy conheci primeiro o seu importante trabalho com o jornal que acompanhamos de forma permanente. Depois de conhecê-la gostaria de registrar publicamente a satisfação com o fato de nos tornarmos amigas, muito além das nossas relações de você, como imprensa e eu, na condição de vereadora eleita e, principalmente pela grande contribuição em votos que essa região me deu”, disse.

Na ocasião, a vereadora também transmitiu o abraço do deputado estadual, Adriano Diogo (PT), também próximo em amizade com a diretora do jornal, mas que, por conta de outros compromissos, não conseguiria comparecer. Juliana estava acompanhada de seu chefe de gabinete Vanilda Anunciação e outros assessores.

Vale registrar que além da amizade entre as duas, Juliana tem forte presença em São Mateus onde desenvolve trabalhos desde antes de conquistar o seu primeiro mandato como vereadora. Depois de eleita mantém permanente contato com as questões da comunidade.

 

Marco Antonio Cicone, amigo de longa data

 

Para o delegado titular da Delegacia do Idoso, Marco Antonio Cicone a Gazeta São Mateus é uma demonstração cabal do vigor cidadão de São Mateus. “Falar da Gazeta, da mesma forma que falar da diretora do jornal, Lucy Mendonça é gratificante e sempre uma oportunidade para registrar nosso agradecimento ao papel desempenhado pelo jornal e pela cidadã”, enfatiza.

 

Presidente da CDL São Mateus comparece e destaca papel do jornal

 

O presidente da Câmara de Diretores Lojistas de São Mateus, Marcelo Dória é prata da casa. Ele assina desde um bom tempo uma coluna, quase sempre prestando relevantes informações em uma espécie de serviço e isso é bom e útil. Sua coluna na Gazeta São Mateus sempre revela um aspecto que pode ser útil. Em poucas ocasiões, além de informar, opinou e conforme o combinado, a opinião é responsabilidade de quem a tem.

Com Marcelo Dória essa preocupação nem faz sentido. Ele está completamente ambientado com a linha editorial do jornal que ele exalta como a voz da comunidade. “São pelas páginas do jornal que passam a maior parte das demandas da população e dos setores organizados e isso é muito importante e deve ser mantido sempre”, afirma.

Marcelo entende que as exposições públicas das demandas, dos problemas sempre contribuem para que as pessoas reflitam e os envolvidos possam ter mais elementos para tomar decisões ou buscar resultados.

Do ponto de vista da entidade de empresários e comerciantes, Marcelo sabe que pode contar com o jornal e o envolvimento cidadão da sua diretora para as questões que vão ajudar ao desenvolvimento de São Mateus.

Comando da GCM também prestigia jornal

 

O comando da Guarda Civil Metropolitana, inspetoria de São Mateus chefiada por Wagner de Lourenço que voltou a titularidade da GCM local em 2012, após já ter passado pela região em 2003, também conta com a Gazeta São Mateus para divulgar informações pertinentes a coletividade, bem como oferecer pautas sobre algumas ocorrências significativas na região.

Cobrindo extensa área geográfica com um efetivo de 120 guardas sob seu comando o trabalho em sintonia com outras forças de segurança visam dar maior tranquilidade a população moradora da região. Wagner lembra que a função principal da GCM é da guarda dos prédios públicos da municipalidade e o apoio e acompanhamento de ocorrências e de serviços feitos pelas diversas secretarias da prefeitura quando em trabalho pela região. O policiamento ambiental também está entre suas prerrogativas.

De Lourenço destaca que a linha editorial do jornal é bastante interessante “dá uma panorâmica das demandas e carências da região, o que ajuda o poder publico a tomar conhecimento do que ocorre, bem como das boas iniciativas que são tomadas, muitas vezes por pessoas comuns, mas que contribui para o bem estar geral, seja de uma pequena comunidade, seja até do planeta como um todo”.

Por essas qualidades que o comandante estava presente, representando a Guarda Civil Metropolitana em reconhecimento ao relevante serviço prestado pelo jornal e por sua diretora Lucy Mendonça.

 

 

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31 de janeiro de 2013 at 16:33

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Entre o empresariado presente, Pedro Kaká diz que jornal é corajoso

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Pedro Kaká está há 40 anos na região onde já atuou como advogado, atuando agora como administrador e administrador de supermercado. De família humilde ele sempre agradece seus pais terem optado pela região para um recomeço na cidade de São Paulo. Desde então tem acompanhado e contribuído de perto pelo desenvolvimento da zona leste e, notadamente, São Mateus, região que considera vocacionada para o desenvolvimento com uma população trabalhadora e ordeira.

Para Kaká a existência da Gazeta São Mateus é um exemplo de luta e vitória numa conjuntura e numa atividade difícil. “É grande a dificuldade, antes e hoje, para a existência de uma imprensa seja regional ou de bairro para conseguir equalizar seu funcionamento levando os ideais de liberdade de expressão e de fala junto com as dificuldades econômicas que a atividade enfrenta”, raciocina. Falar da GSM e de sua diretora, Lucy Mendonça é falar de uma vitoriosa, considera o empresário.

“Do ponto de vista da linha editorial, vejo a GSM como uma imprensa corajosa, pois adota e aborda temas difíceis e complicados sob todos os ângulos e, dessa forma, com personalidade se torna uma imprensa forte”, considera. Para ele, a exemplo de outros depoimentos, a Gazeta tem funcionado bem como um canal de escoamento das questões da sociedade de São Mateus, numa periferia cheia de problemas, onde nem sempre é fácil identificar responsabilidades. “O papel da Gazeta frente à comunidade e ao Estado é de facilitar e fazer a interlocução”, sentencia.

Se essa é uma função bem desempenhada, segundo a sua avaliação, o espaço próprio e mais opinativo do jornal em editorial e opinião da diretora tem tido sempre um abordagem e olhar crítico, reflexivo e leal diante dos assuntos. Essa condição, revelada pelo empresário, vai de encontro à decisão do jornal de tentar tratar em profundidade e com ética, distintos assuntos.

Para o jornal é um privilégio ser visto dessa forma por um cidadão que, desde muito tempo, exerce a sua cidadania na região.

Desde 1970, Pedro Kaká, tem atuação política e já foi candidato a vereador em 1988, por um imperativo de uma série de apoiadores que creditaram a ele uma representação fiel dos diversos anseios daquela sociedade, voltando a disputar uma cadeira na Câmara de São Paulo em 2012.

“Em nenhum momento representei os interesses apenas do empresariado; muito pelo contrário, o meu olhar e os meus anseios e desejos para a região é compartilhado por diversos segmentos, até mesmo de comunidades menos organizadas na região”, enfatiza.

Humanista por formação, Pedro Kaká cursou Administração na Fundação Getúlio Vargas, onde se iniciou no movimento estudantil durante o período da ditadura e em Direito em outra faculdade sendo bacharel nas duas áreas.

Kaká revela que tem uma visão histórica da sociedade brasileira e a sua atuação política, quando  distante de candidaturas eleitorais próprias, foram e são realizadas com o entendimento mais amplo e generoso da sociedade, daí não querer e nem poder representar apenas o setor empresarial.

Se em 1988, teve uma expressiva votação quando disputou pelo Partido Liberal (PL), sendo o mais votado da região; em 2012 não foi muito diferente.

Disputado uma cadeira na Câmara dos Vereadores, desta vez pelo PSD, numa região onde o Partido dos Trabalhadores tem uma expressiva hegemonia e apoio, o fato dele ter ficado com menos de 1000 votos de diferença da vereadora Juliana Cardoso (PT) foi muito revelador. Teve mais apoio do que esperava, revelou.

Vale registrar que a vereadora Juliana Cardoso, também presente a festa da Gazeta, teve mais de 45 mil votos e foi a segunda melhor votada na legenda petista na cidade de São Paulo. Kaka ficou em segundo lugar na zona 357, onde ambos foram muito bem votados.

O afastamento dos holofotes e exposição ao escrutínio público como candidato por parte do Kaká não parece ter importância. “Faço e contribuo com a política a partir de anseios comuns com as pessoas. Não preciso ser candidato e nem faço questão disso”, afirma categoricamente. Para comprovar a afirmação, o empresário se afastou por um largo período das disputas eleitorais a partir de 1990 para melhor cuidar de seus negócios e família.

 São Mateus é credor do poder público

“O Estado, nos diversos níveis nos deve muito”, afirma o empresário e explica: “Temos mais de 500 mil pessoas morando em São Mateus, onde somos em 240 mil eleitores. São números expressivos e com tanta gente, do ponto de vista de infraestrutura estatal de atendimento educacional, de saúde, de habitação, de segurança, para ficar apenas nesses casos, é bastante defasado e precário. Somos credores”, enfatiza.

Com esse entendimento da conjuntura e a comprovação de que Pedro Kaká é bom de palanque, poderia soar como natural, uma nova candidatura. Não as descarta, mas, insiste, que não é prioridade. “A política, a melhoria e o desenvolvimento de São Mateus, da cidade e até do país é prioridade pessoal mais importante do que ter um mandato no Legislativo. A contribuição que posso dar não depende apenas disso”, revela.

Posto nestes termos ele diz que não se incomodaria em apoiar outros eventuais candidatos, desde que estivessem afinados com interesses comuns e esses, segundo Pedro Kaká, são aqueles de gente de caráter, trabalhadora e que atenda a maioria das pessoas com justiça social, oportunidades e desenvolvimento local, entre outras necessidades.

 No papel de cidadão ativo, qualquer movimentação sua mais expressiva, será por conta de uma manifestação coletiva. Como qualquer outro, Kaká também tem seus interesses, mas não entende que um mandato parlamentar seja o único caminho para isso. Adepto do trabalho, desde a mais tenra idade e de competência para os negócios, o empresário já provou que conhece.

Ao final da breve conversa, vale registrar que o empresário não guarda nenhuma frustração ou mágoas de campanha. Teve mais apoio do que imaginava o que lhe confortou e testemunhou em favor dos acertos de suas propostas. Foi mais longe, entendeu com tranquilidade os diversos apoiadores que teve em 1988, mas que não se repetiram em 2012, por conta de compromissos destes assumidos anteriormente. “Quase todos meus antigos apoiadores que não tiveram nessa campanha fizeram questão de me comunicar, explicar suas limitações e de me desejarem de forma sincera boa sorte”. “Só tenho a agradecer, fui mais bem recebido do que estava esperando e é hora de agradecer os votos recebidos”, finalizou.

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31 de janeiro de 2013 at 11:29

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Assistente social do AMA Laranjeiras destaca jornal

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O assistente social do AMA Laranjeiras e também psicólogo Oswaldo Torrezni atua na unidade de saúde da prefeitura nos últimos quatro anos e é um entusiasta da publicação.

Segundo ele o jornal tem forte presença na região e em rápido exercício de recordar, destacou as matérias feitas sobre o Jardim Santa Bárbara a respeito de suas deficiências e carências. Destacou também a abordagem sempre múltipla dos problemas com o córrego Riacho dos Machados.

Concretamente o técnico revelou que a linha do jornal atende plenamente ao clamor da sociedade local. O seu entusiasmo não para por ai. Morador do Alto da Mooca, ele faz questão de levar vários exemplares que faz circular pela região onde mora. Convidado, fez questão de parabenizar o jornal e sua diretora.

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31 de janeiro de 2013 at 11:28

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Gazeta comemora 20 anos com grande reconhecimento

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A comemoração dos 20 anos de existência e circulação ininterrupta do jornal Gazeta São Mateus na noite do dia 28 foi muito concorrida, com a presença de dezenas de autoridades, lideranças políticas, comunitárias e amigos que, durante cerca de três horas, percorreram as novas instalações da redação na Rua Libra em anexo à casa da diretora proprietária do jornal, Lucy Mendonça.

Escoltada pelos dois filhos, Cristina e Marcos e sua esposa Karine, outros amigos próximos, a anfitriã serviu deliciosa muqueca de peixe, camarão na moranga e acarajé preparada com esmero pela Maria Dulce e Nena que, com a ajuda de pequena equipe, revelou, mais uma vez, o talento dessas empresárias do Beco Restaurante que mantém, em alta, a famosa feijoada semanal entre outras iguarias em restaurante na região. Bebidas de adulto para os adultos; refrigerantes e água para algumas crianças presentes e os abstêmios de plantão.

A comemoração do vigésimo aniversário foi à oportunidade também de apresentar aos convidados as novas dependências do jornal com um escritório simpático, aconchegante e bem equipado de quase 30 metros quadrados. Se a redação da Gazeta já era um espaço gostoso quando menor, agora, mais amplo, aumentou a sua capacidade de recepção e reuniões com o mesmo clima intimista e descontraído.

A diretora do jornal, confessa que a convivência durante dois meses de intensas reformas não é coisa agradável. Mais ainda, chega a ser desconfortável, mas o resultado final foi compensador.

Amigos chegando

Por volta das 20 horas começaram a chegar os primeiros convidados. O assistente social do AMA Laranjeiras, da região de São Mateus, Oswaldo Torrezni; o superintendente da Eco Urbis, Leonardo Tavares acompanhado da consultora ambiental da empresa, a socióloga Zulmara Salvador; o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Parque São Rafael, Júlio Paiva Rosa e esposa Cristina Paiva; a liderança comunitária do Jardim da Conquista, Deise Achilles; o Capitão PM Mauro Rodrigues, do 38º BPM/PM de São Mateus; o delegado titular da 8ª Seccional de Polícia Civil, Antônio Mestre Junior; o Comandante da Inspetoria Regional da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Mateus, Wagner de Lourenço; o delegado titular da Delegacia do Idoso, localizada nas proximidades do Parque do Carmo, Marco Antonio Cicone; o presidente da Câmara de Lojistas (CDL) de São Mateus, Marcelo Doria; o empresário e ex-candidato à vereador nas eleições de 2012, Pedro Kaka; a vereadora eleita Juliana Cardoso (PT) e o engenheiro civil e subprefeito de São Mateus, Fernando Elias, entre dezenas de outras figuras de proa na comunidade saomateuense que a reportagem, já se desculpando, no calor do evento, não conseguiu registrar.

A impagável simpatia da anfitriã

Lucy Mendonça estava à vontade em sua casa e não conseguia disfarçar a alegria e a satisfação com a presença de tanta gente importante. Não necessariamente do ponto de vista de condição social; do fato de serem, ou não, autoridades. Eram todos bem vindos.

Lá estava gente que Lucy Mendonça conheceu durante suas andanças, reportagens e contatos feitos em nome do jornal. Muitos foram ou estiveram envolvidos em pautas da publicação ao longo de todos esses anos. A maioria deles se tornou se não amigos próximos, bons conhecidos dessa cidadã que para além de suas obrigações como a voz de um veículo de comunicação, nunca esqueceu de exercitar a sua cidadania.

Lucy tem voz e vez na comunidade tanto quanto jornalista e diretora de jornal que é, mas principalmente como moradora, como cidadã atenta e cuidadosa das questões que cercam a sociedade em que habita, trabalha e convive. E é por essas qualidades que adquiriu o respeito de todos, mesmo daqueles que em um momento ou outro dela discordaram.

Gente fora e gente dentro

Se dezenas de pessoas circulavam pela casa da Lucy e dependências do jornal, de qualquer forma sempre bem acomodadas, outras ficaram do lado de fora em conversas paralelas. Alguns tratando de assuntos de interesses mútuos; outros comentando sobre a satisfação e as conquistas da anfitriã. Concretamente alguns outros, poucos, saiam para, em acordo com a lei e a boa educação, fumarem seus cigarros sem incomodar os demais presentes.

Um pequeno número de convidados se revezou entre fora e dentro do espaço para se servirem do jantar oferecido pela casa. Eram convidados que também curtiam o clima agradável e a beleza da noite pelo lado de fora.

“Não houve miséria”, parodiamos uma expressão muito comum. Todos que assim o desejaram se serviram de bebidas, petiscos e, posteriormente, de pedaços de bolos que foram repartidos depois de um entusiasmado canto de parabéns.

Reportagem e fotos: J. de Mendonça Neto

Written by Página Leste

31 de janeiro de 2013 at 11:25

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Altvater e o folk da terra roxa que amadureceu e foi viajar

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Lá para as bandas do norte pioneiro do Paraná, em 2005, Antônio Altvater foi convidado para se fazer de vocalista em uma banda, supostamente considerada de rock, por seus integrantes. O ambiente, uma escola comum de ensino médio. A escolha foi por eliminação e optou-se pelo mais competente entre eles. Foi desde essa época que a música o pegou de jeito. ”Senti-me na obrigação de servi-la”, diz o cantor, compositor e instrumentista que vem dando passos largos e rápidos na carreira.

Altvater nasceu em 1988 na cidade de Santo Antônio da Platina, no norte pioneiro do Paraná, nacionalmente conhecido como o “Ramal da Fome” e durante a sua infância e pré-adolescência a música apenas passava pelos seus ouvidos e o cérebro, como tudo mais. Eclético pelas circunstâncias escutava diferentes gêneros e estilos musicais por conta da preferência de familiares. “Especialmente meu avô que era fascinado por rádio em bom e alto volume”. Por parte do pai as obras de artistas como Almir Sater e Renato Teixeira, pelos quais ainda nutre admiração e respeito deitou influências.

Como todo pré-adolescente que se preza as primeiras opções e tentativas artísticas, digamos assim, passaram pelo desenho que segundo ele ”era a forma de desligar do ambiente escola que em certos momentos me parecia um tanto hostil”.

Após a experiência com a banda do colégio, vários outros projetos contaram com a participação do músico. É dessa época que; escrever, compor e cantar suas próprias experiências afloraram. Duas emergências e estradas a partir daí. Primeiro achar os seus pares entre outros músicos, o que não foi nada fácil no estreito universo de uma cidade de 40 mil habitantes isolada de qualquer circuito cultural e, segundo, atentar os ouvidos para artistas ditos alternativos; lado b, fora do circuito das grandes mídias.

Passo perigoso, mas necessário. A alma sensível revelada no artista em construção andou por caminhos que ajudaram a dar substância ao que é hoje, entretanto, na época, entre o afloramento da primeira emergência: encontrar os seus pares e a segunda um hiato. Trabalhou durante a manhã e tarde em um clube de campo na cidade enquanto cursava o primeiro ano de História na cidade de Jacarezinho.

Foi picado mesmo pela mosca nessa época, quando um colega de serviço apresentou via computador o disco Harvest Moon de Neil Young. Lembra como se fosse hoje do convite à audição, “Cara, você que toca gaita de boca e violão, vai se amarrar nesse som”. Atrás, ao lado ou a frente do HM vieram recomendações primordiais. “Foram manhãs e tardes, durante o expediente, ouvindo a discografia do Bob Dylan”, sentencia. Caminho aberto veio o Automatic  for the People do REM, Alceu Valença e alguns outros que fizeram aflorar lenta e gradualmente a vontade de voltar a tocar e compor.

Era, entretanto, apenas vontade interna e exercícios para si mesmo até que em 2009, uma namorada, à época, o apresentou a uma banda da cidade de Wenceslau Braz, Pátria Fúria, que além de executar material próprio em seus shows, fazia covers de Stones, Beatles, Led Zeppellin, Zappa, Cream, e outros do chamado rock clássico. “A primeira vez que assisti a banda tocando, fiquei muito impressionado, porque nunca tinha escutado uma banda tocar um repertório que destoasse tanto das bandas convencionais de Pop/Rock existentes na minha região, que tocavam o top 10 das rádios na época e a Pátria fúria fazia isso com uma propriedade invejável”.

Na trilha certa e no caminho

Não haveria de ser impunemente tanta influência. Formou um power trio com Bruno Cardoso no contrabaixo e Luis Guilherme Pereira na bateria. O Plues ia seguindo na fórmula que é muito comum no blues tradicional norte americano, chupando e executando, dentro da limitação do trio, o repertório da banda que tanto o havia impressionado ao mesmo tempo em que adicionava novos sons que, agora, o seu ouvido muito atento ouvia. Queen of the Stone Age e Supergrass e algum material próprio fez a banda extrapolar sua condição de copiadores participando de festivais na região do norte do Paraná, em rádios e uma entrevista para uma televisão de Curitiba.

Fim do Plues e upgrade do Altvater

Altvater explica que divergências entre os dois outros participantes inviabilizou a continuidade da banda, mas a alavancada conseguida com o trio, o fez ter certeza e a vontade de fazer seus trabalhos na proposta folk. Violão e harmônicas foram usadas então para dar leito às composições que compunha. Produtivo, começou a mostrar suas composições em blog próprio. “Juntei todas as influências de blues e folk que tinha assimilado durante os anos de curiosidade musical e fui misturando com as minhas novas e velhas referências de música”. Era o caminho.

A partir daí novos horizontes foram abertos, primeiro em sua região, mas com certeza isso não vai ficar assim. A internet simplesmente mandou aos novos ares e para novos locais o seu som muito característico. Nas proximidades foram surgindo inúmeros convites para show além dos limites do seu amplo quintal, o norte pioneiro do Paraná. A capacidade produtiva, talento e presença de palco já haviam sido testados e aprovados em 2011 durante uma breve passagem como integrante da Pátria Fúria.

Em 2012 novas portas e novos horizontes para onde o seu talento vai levando o fez fixar residência em Curitiba e a começar a trabalhar exclusivamente com música. Conforme ele mesmo diz “O desafio não é dos mais fáceis, tanto que nos últimos meses tenho vivido uma espécie de rotina nômade, me deslocando de Curitiba para o norte pioneiro com certa frequência, fazendo apresentações aonde consigo”.

São demais os perigos dessa vida para quem tem paixão

A frase catapultada de uma música do poeta Vinicius de Moraes pode indicar que tantos e tão grandes são os riscos, mas o juízo sobre a obra do Altvater desse repórter e de muitas outras pessoas dá um contraponto e um reconforto para a difícil caminhada. “O caminho é esse e você tem pernas e fôlego para percorrê-lo”.

Não é ingênuo, nem cultiva ilusões. Altvater conhece a conjuntura e explica “Se viver de música já é uma tarefa muito difícil, mais ainda quando você resolve abraçar uma proposta artística um tanto quanto diferente do que está em alta no mercado, essas dificuldades triplicam de tamanho. Considero a minha carreira folk muito recente. São apenas três anos e quatro discos autorais lançados no sessaosonora.blogspot.com (Sessão Sonora I, Sessão Sonora II, Medo da cidade, Sobras). Sendo assim, tenho muito ainda que amadurecer e desenvolver como artista”.

Concordamos em gênero e grau. (JMN)

 

“Certa vez, recebi algumas críticas sobre o meu trabalho. Diziam que eu não era um “Folker” genuíno, por em certas composições estar flertando com outros gêneros musicais. Pra mim, a concepção de folk não é somente a gaita de boca e o violão. O folk foi feito pra contar histórias, e é isso que eu faço. Seja em canções que destoam mais do padrão como Bossa Nova Blues, Dulce Mañana, eu estou contando histórias. Nesse ponto, a música se aproxima muito da fase de desenhos na escola, uso ela pra escapar, pra falar das coisas que me marcaram. Ponte ao passado, Bússola das horas, Central, em todas as canções desse meu trabalho, eu me torno um pouco autobiográfico. Se elas acabam servindo para alguém que as escuta, ai é uma outra questão. Primeiramente eu faço a minha música pra mim”. Antônio Altvater

 

Written by Página Leste

1 de dezembro de 2012 at 11:02

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