Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Crimes crescem por falta de punição e tolerância da sociedade

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Não faz nem três dias que um jovem de 19 anos que já tem algumas passagens pela justiça, em companhia de outros dois, menores de idade, foi preso numa operação e já saiu. Numa madrugada ele e os menores roubaram um carro e fugiram do local onde cometeram o roubo com o intuito de deixar o carro esfriando na própria rua onde mora, mas longe do seu portão.

Pois bem, uma viatura da Polícia Militar que passava pelo local desconfiou do que acontecia com os jovens estacionando o carro. Como ficaram desconfortáveis com a presença da viatura no horizonte acharam melhor sair correndo a pé o que chamou a atenção mais ainda tendo os policiais militares no encalço.

Ele fez a bobagem de entrar na própria casa. Um cortiço comprido com várias portas das acomodações das várias famílias. Como os soldados não sabiam onde estavam foram adentrando ao corredor iluminando por trás de tanques, nas proximidades das portas fechadas até chegarem a uma laje. De lá continuaram investigando caixas de água, quintas de vizinhos. Em um deles três soldados entraram na sacada acordando e assustando moradores que foram tranquilizados a seguir.

Entraram alguns e outros ficaram nas viaturas nas proximidades, dessa forma sem fuga os policiais conseguiram achar os três meliantes prendendo-os dentro da casa de um deles, esse maior cuja família tem uma capivara quilométrica. Após os procedimentos, imagina-se que os policiais militares entraram com os fugitivos em uma delegacia qualquer. Os menores foram entregues aos pais ou (i)responsáveis e o maior de idade ficou.

Mas, ficou quanto tempo você vai me perguntar. Três dias, respondo. Pagou fiança e está nas quebradas de novo, cheio de moral e empáfia e olha que ele já é oriundo da Fundação Casa. Eu não sei como foi o roubo; se assalto ou furto; se com violência ou na manhã, como eles dizem. O cara tá solto apesar dos soldados da polícia militar ter se arriscado entre corredores, telhados frágeis, cachorros agressivos e escuridão.

Você não gosto do relato, mas posso te assegurar que o ocorrido é uma amostra grátis do que vem ocorrendo o tempo todo.  Teve o crime, teve a detenção e teve, apesar da lei que permite pagamento de fiança, etc., a impunidade.

Impunidade esta que vem crescendo assustadoramente no Brasil todo, mas principalmente nas grandes cidades, Rio de São Paulo, por exemplo. E a desmotivação dos policiais militares então, nem se fala.  Eles não autorizam a menção de seus nomes e patentes, mas dizem sim que se arriscam, levam os presos para as delegacias e após esperar em diversas oportunidades por horas para os procedimentos legais acabam se encontrando dias depois com o próprio meliante que havia detido “tirando onda com as nossas caras”, resume.

O caso que relatei já tinha precedente e apesar de delito grave, ainda está bem longe de tantos outros diversos crimes graves que tomamos conhecimento. O problema é que no frigir dos ovos o prêmio para os criminosos é a falta de punição e soltura e o prêmio da sociedade é mais desassossego.  Será que existem tantas brechas assim na legislação? Será que os promotores, os que acusam, não fazem o trabalho direito? Será que os flagrantes não estão bem lavrados e caracterizados? Será que as investigações não são confiáveis? Afinal, porque se solta tanto?

Alguém pode responde que é porque não se tem mais espaço nas cadeias pra tanta gente. Pode ser, mas como fica então?

A situação está tão desgastante que a própria malandragem já sabe quais são os crimes que não vão ter punições tal qual elas estão prescritas nas Leis. Já sabem quais crimes podem cometer, que apesar de lesar o cidadão de bem não vai dar nada além do desconforto de entrar num camburão, tomar uns esculachos verbais, uma canseira numa cela de distrito para depois voltar a sua ‘comunidade’ como ‘herói’ da infância desavisada. Em alguns casos, do tipo roubo de carro, por vezes é resolvido e devolvido apenas se um bandido maior vai com a cara ou conhece a vítima que a ele recorre. Uma verdadeira inversão de valores.

O fato é que as coisas estão de mal a pior e a gente não tem lembrança de tempos tão sinistros em termos de segurança como agora. Tem até comunidades inteiras sendo tomadas pelos bandidos, onde o Estado está ausente. Também acho que nem tudo deverá ou poderá ser resolvido pela Polícia Militar atuando. Será preciso muito mais que isso e até aquela famigerada exigência da educação vem de casa também.

O fato é que se os malditos crimes de colarinho branco, dos magnatas, dos políticos, dos corruptos já é coisa para ser exterminada e punida e não é de forma justa, isso não é sinal verde para a lambança e a festa que a bandidagem promove amparada pela ignorância e falta de educação da própria comunidade.

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4 de maio de 2014 at 21:27

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Movimento pela universidade federal realiza mais um ato

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No dia 29 de março cerca de 500 pessoas compareceram ao ato público marcado para ocorrer na Avenida Jacú Pêssego em frente à antiga fábrica Gazarra. Lá estavam em apoio ao movimento pela instalação de uma universidade pública federal naquele espaço que ainda depende de solução para algumas pendências para que se concretize.

Além das lideranças populares, estiveram presentes Soraya Soubhi Smaili, reitora da Unifesp; a vereadora Juliana Cardoso, o deputado estadual Adriano Diogo e o deputado federal Vicente Candido, todos os parlamentares do PT. Nenhum representante do governo federal compareceu e pela prefeitura estava o secretário adjunto da Secretaria de Coordenação de Subprefeituras, Miguel Reis.

Segundo Luiz França, um dos principais ativistas do movimento, após idas e vindas, a instalação da unidade está na dependência de um laudo sobre questões ambientais a ser emitido pela CETESB para que se concretize a passagem do terreno atualmente em poder da prefeitura de São Paulo para a universidade federal. Esta, por sua vez, através da reitora apresentou de forma simbólica no ato uma proposta de implantação do campus. A apresentação da proposta pela reitoria é resultado das cobranças do movimento. A proposta, entretanto, ainda precisa ser aceita, negociada e eventualmente aprovada pelo Ministério da Educação.

O movimento que conta com setores organizados há anos buscam viabilizar a instalação deum campus na Zona Leste de São Paulo e com mais de 4 milhões de habitantes é argumento suficiente para que isso ocorra. Como contraste, apontam as lideranças cidades com 250 mil habitantes, Uberlândia, em Minas Gerais, por exemplo, tem quase 30 cursos em sua universidade federal. É uma quantidade semelhante o que quer a zona leste. “Pelo menos 30 cursos nas áreas de Saúde, engenharias, humanas e outras”, indicam.

Foi em 25 de janeiro de 2013, na linha de tempo da reivindicação que um ato público com a presença da Presidente da República, Dilma Roussef, do ministro da Educação, então Aloisio Mercadante, da atual reitora da Unifesp e da população se definiu pelo atendimento e até agora ainda faltam etapas a serem cumpridas.

Próximos passos

Ainda, segundo Luiz França, estão previstas ações pontuais no próximo período para manter a pressão para a instalação da universidade. Uma delas será promover um ato às portas do Palácio da Alvorada, no Planalto, onde fica a presidente da República durante a 25ª Caravana dos Movimentos Populares da Zona Leste para Brasília nos dias 5 e 6 de maio. “Deveremos ter algumas reuniões em Brasília e tentaremos contar com a presença da reitora”, diz.  “Também faremos em 13 de junho uma nova plenária no Salão da Igreja São Francisco, Ermelino Matarazzo, onde esperamos um posicionamento mais consistente da Prefeitura quanto à transferência do terreno para a Unifesp e o anúncio dos concursos para os cargos necessários para o início do funcionamento da universidade”.

Entre os obstáculos, o financeiro

Luiz ainda explica que entre as diversas questões que diz respeito à universidade o financeiro tem peso significativo. “Em 2015, pelo planejamento da UNIFESP, serão necessários quase 40 milhões e há o compromisso do governo federal de pôr todos os recursos necessários. Entra ai o detalhe de o governo federal cumprir o compromisso assumido e na sequência a execução de todos os passos propostos. A proposta é que, ao final de quatro anos, teremos no campus 5000 mil alunos em oito cursos”.

 

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4 de maio de 2014 at 21:26

Plano de fuga, mas de quem?

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A notícia de que a polícia descobriu um plano do Primeiro Comando da Capital PCC para resgatar a sua liderança inconteste, o preso Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola e, utilizando para tal façanha, um aparato digno de fita de ação no cinema pode ter mais de ficção do que possa imaginar nossa vã compreensão.

A revelação está em relatório sigiloso da inteligência das Polícias Civil e Militar e ainda Ministério Público Estadual. Diz, entre outras coisas, que três integrantes da facção tiveram aulas de voo em 2013 no Campo de Marte e o professor foi Alexandre José de Oliveira Junior preso em novembro do ano passado no Espirito Santo pela Policia Federal quando descarregava 450 quilos de cocaína da aeronave de um deputado. A investigação revela que a facção montou uma base no Paraná.

Um plano mais ou menos assim: aeronaves compradas ou sequestradas em São Paulo pousariam em Loanda, na região de Maringá, onde carregariam a tropa de assalto do PCC. Seriam dois helicópteros – o Esquilo é o modelo usado pela PM. A intenção dos bandidos era camuflá-lo para que policiais que guardam a muralha da Penitenciária-2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, o confundissem com um helicóptero Águia.

Ocorre que não parece muito plausível um plano que envolveria um avião Cessna 510, um helicóptero Bell e um Esquilo blindado e equipado com uma metralhadora, calibre ponto 30 e um assalto a penitenciaria possa dar certo. É preciso lembrar que o preso citado e outros três líderes que também aparece nas investigações estão cumprindo penas em condições e em presídios especiais com bom nível de segurança e onde uma ação espetacular dessa teria grandes chances de dar errado.

Diante dessa expectativa de risco muito evidente, pode-se intuir algumas possiblidades e entendimentos. Uma delas pode ser que a decisão de tentar a fuga, apesar do risco seria ainda melhor do que cumprir a pena em regime de privação da liberdade. Naqueles termos mesmo de quando não se tem nada a perder que se arrisque tudo. Se essa primeira situação é real, não há muito que se espantar diante da audácia mesmo dos envolvidos que aparentemente não parecem ter a ideia exata do tamanho do risco.

Aparentemente foi feito um roteiro onde o fator surpresa da presença dos sequestradores nos presídios fosse o suficiente para resolver as inúmeras pequenas providências que teriam que ser tomadas para que um plano dessa natureza dê certo.

Comecemos pela sincronia das ações, ou seja, sequestradores e sequestrados teriam que estar plenamente afinados para estar cada qual fazendo a sua parte em tempos fielmente iguais. Continuemos então pela dificuldade que se apresentaria uma das providências listadas. Os próprios detentos teriam que estar em locais e em posições que permitisse o resgate, o que não seria tão simples assim de ocorrer em pátios, mesmo que desprovidos de cobertura com rede eletrificada ou blindadas.

A simples hipótese de eles terem que se posicionar em locais diferentes e de mais fácil acesso a um cesto de helicóptero, por exemplo, estaria bem fora da rotina diária deste tipo de preso, em tese com monitoramento permanente do equipamento prisional.

Algum desavisado pode especular com o alto poder de persuasão em termos financeiros mesmo para comprar esse tipo de facilitação por parte dos carcereiros. É de se duvidar que isso seja possível, tendo em vista que uma postura dessas por parte dos carcereiros é praticamente impossível de passar despercebida e uma eventual condenação por facilitação não deve estar no desejo de qualquer um. Existe outra hipótese que especula que um desses carcereiros facilitadores possa estar sendo coagido de alguma forma em termos de violência contra familiares e isso é mais plausível que a situação anterior.

Apesar disso, o que se percebe é que esse plano está mais para delírio e blefe do que outra coisa. Delírio, caso essa armação tenha algum sentido de realidade e um blefe, caso o PCC queira demonstrar que tem planos, que não precisa necessariamente ser esse e que ainda é um importante peão nesse jogo da segurança em São Paulo.

O problema é que existe também a hipótese levantada por alguns de que a revelação de um possível plano possa ser uma invencionice da própria Secretaria de Segurança ou do próprio governo para jogar para a plateia, ou seja, para a sociedade demonstrando que tem competência; que está atenta e que, apesar de tudo estão sempre passos à frente dos criminosos.

Uma demonstração de competência investigativa como essa também traria um pouco de reforço na moral da segurança pública que de certa forma tem sido questionada e criticada ao longo de todo o período recente.

Essa hipótese, entretanto, também tem a consistência de um sorvete fora da geladeira. Algumas fontes indicam que o plano mirabolante existia de fato, entretanto era apenas uma sugestão surgida e construída em alguns momentos, mas que ainda não estava aprovada pelos principais interessados na fuga.

Diante dessa possibilidade e pelo sim pelo não, a segurança entendeu por bem divulgar a existência desse possível delírio, no mínimo almejando abortar eventuais tentativas nesse sentido. (JMN)

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1 de abril de 2014 at 15:02

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Para onde vai à imprensa?

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Não é a primeira vez, mas hoje, por formas distintas, a imprensa está novamente sob censura. Não é nenhuma censura de governantes, de regimes de força, de governos autoritários. Dá-se, mesmo, no regime democrático, não por instituições. Agora é através das redes sociais que como instrumento permite tanto quanto possível uma ampla participação.

Para que lado irá a imprensa responsável é o x da questão. Continuará a buscar a verdade ou vai seguir e se submeter a agendas e entendimentos que serão impostos pelo barulho que é feito por essas mesmas redes que, por sua vez, não são, todas, tão independente assim, pois em vários casos ou agrupamentos é visível que tem ‘donos’ e fontes de irradiação de boatos unificados.

Se a vigilância da sociedade sobre os meios de comunicação, como ao trabalho de parlamentares, dos executivos e até mesmo do Judiciário é mais do que desejável é a expressão de uma cidadania militante ela não pode ser um jogo que favorece quem tem mais gente para fazer o mesmo barulho. É saudável a diversificação, mas não o uso das redes sociais para o cerceamento das manifestações contrárias e até mesmo um combate das ideias de forma persecutória, difamatória e desleal.

Vejamos. Numa sexta-feira recente o Jornal Nacional, que nem é tudo isso, em termos de isenção, realizou um trabalho detalhado de reportagem onde demonstrava que um dos repórteres da casa, no caso da GloboNews havia se equivocado com relação a suposição de que teria partido da polícia o artefato, de nome rojão, que atingiu o cinegrafista da Band, Santiago Andrade, durante as manifestações no Rio de Janeiro contra a intenção do prefeito daquela cidade em aumentar o valor das passagens de ônibus urbano.

A reportagem do JN não se furtou a tarefa de ir mais longe e investigar. Entrevistando o fotógrafo que fez a sequência das imagens, conseguiu determinar que o rojão foi armado e aceso cerca de um metro e meio a dois metros de distância do cinegrafista, conforme laudo pericial oficial, portanto, nas proximidades dos manifestantes. Este fotógrafo, além de registrar em imagens, testemunhou no mesmo sentido. No depoimento do fotógrafo ficou evidente que ele se trata de uma pessoa da área da imprensa; não se trata de um amador nesses assuntos.

Em assim sendo, desmontado o equivoco da informação do primeiro repórter, quais poderiam ser as razões para este primeiro _o repórter da GloboNews indicar de forma superficial, pouco refletida e ainda menos investigada a possibilidade do rojão ter sido disparado pelas forças policiais o que se provou errado?

Pois bem imagino que, salvo erro grosseiro, lembrando que erros acontecem com qualquer um; talvez seja a preocupação e necessidade dessa imprensa ou desse primeiro repórter de se esconder e de evitar se desgastar com todo um aparato de opiniões e posicionamentos afoitos, quase sempre com alguma carga ideológica representante de grupos e movimentações que se manifestam principalmente através das redes sociais. Por um suposto receio da polêmica ou de ser patrulhado como um eventual ‘direitoso’, se revelou certa condescendência com os chamados manifestantes e quase nenhum com as forças de segurança. Ora, a realidade é que os fatos são fatos, independente de nossas opiniões. Nem sempre é possível carimbar que o erro está sempre nas forças de segurança ou sempre nos manifestantes. Cada caso é um caso e, entre outras coisas é responsabilidade da imprensa não se furtar a se ater a realidade dos fatos contrariem ou não interesses, mesmo que estes sejam muito articulados, inclusive via rede social.

Já se sabe desde algum tempo que não tem sido muito saudável, repórteres e veículos estarem devidamente identificados em alguns tipos de manifestações que tem ocorrido. Em geral, essa imprensa tem sido objeto público de desagravos, de ameaças e até mesmo cerceamento no exercício do seu trabalho, como se ela também fosse objetivamente responsável pelos problemas. Se não são objetivos de desagravos físicos locais, podem ser objetos de um julgamento de sua conduta através de redes sociais. Até ai ótimo que assim o seja, a imprensa não tem que estar acima do bem e do mal, o problema é quando essa ‘critica’ esta claramente aparelhada por grupos de interesses.

Como fica então o exercício da autonomia, da cobertura isenta e irresponsável dos fatos e das ocorrências numa conjuntura de hostilidade militante?

Virará medida comum, um fotógrafo, que no caso documentou um evento que pode ser caracterizado como crime e que chegou a testemunhar o ato de violência ter que se esconder? Exatamente ele e dele cujo ofício é revelar?

E do que ele tem e terá que se esconder? De governos autoritários, de ditaduras ou de segmentos extremados organizados em redes sociais?

E agindo assim que ganharemos? Qual nossa contribuição em omitir e negar o caráter autoritário de certas manifestações; de não mostrar quão violentos são alguns que se dizem pacíficos? Ganhamos alguma coisa metendo sempre o pau na polícia, nas vezes em que ela erra, mas também nas vezes em que acerta? Dá para continuarmos a afirmar que a reação com paus, pedras, coquetéis molotov e rojões são sempre em resposta as agressões iniciadas pelos policiais? Elas, as agressões, são de fato, o tempo todo iniciadas pelas forças de segurança? Os fatos e as imagens mostram o contrário em muitos casos.

O fato é que jornalistas e veículos de comunicação são livres, como nunca dantes nesse país do ponto de vista legal e institucional ao mesmo tempo em que continuam sob censura. Pode-se alegar que é apenas a vigilância da sociedade sobre os veículos de comunicação e suas práticas o que certamente é saudável, necessária e ainda não alcançada. Mas, não é. O que está acontecendo agora é diferente; tem muito a ver com um patrulhamento militante, não idôneo a partir de grupos de interesse.

Mesmo assim, cabe à imprensa garantir até mesmo essas manifestações opinativas, mesmo mantendo com elas discordâncias.

Desse caldo, entretanto, o maior risco para a imprensa agora é se acovardar, se omitir e deixar de apontar os fatos, caso estes estejam em conflito com uma determinada corrente de pensamento. Não é hora de se curvar. É hora de se ater aos fatos e as verdades doa a quem doer. (JMN)

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17 de fevereiro de 2014 at 13:42

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Senado pauta redução da maioridade penal

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Ouso dizer que entre tantos é o assunto mais controverso que provoca debates acalorados na sociedade. Seja lá em cima entre a elite e os ricos, no meio com a classe média e embaixo onde está a maioria da população brasileira. No dia 12/11 entrou para discussão na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado a redução da maioridade penal.

O parecer do relator aprovou uma proposta feita pelo senado Aloysio Nunes Ferreira (SP) líder do PSDB naquela casa que permite que adolescentes maiores de 16 anos e menores de 18 sejam julgados como adultos, de acordo com a gravidade do caso.

Optou-se por essa proposta que representa um meio-termo dentre outras cinco proposições que reduziam a maioridade penal para 16, 15 e até 13 anos de idade. Argumenta-se que a redução automática não acaba com a possibilidade dos adultos continuarem utilizando crianças e jovens para escapar de punições. Passar-se-ia, então, a recrutar jovens ainda mais jovens mantendo uma lógica contraproducente e injusta.

Exatamente neste contexto a proposta de Aloysio indicando que a redução da maioridade será aplicada apenas e tão somente para os casos de tortura, terrorismo, tráfico de drogas e crimes hediondos ou para os casos de reincidência em lesão corporal ou roubo qualificado parece fazer sentido. Entretanto, nesses casos a redução circunstancial ainda terá que atender alguns critérios. Caberá apenas a uma área especializada em infância e adolescência do Ministério Público o pedido para que o adolescente infrator responda criminalmente como adulto.

Mesmo com o pedido como prerrogativa exclusiva do MP caberá a juízes especializados a decisão. Caberá a este levar em conta a capacidade de compreensão do jovem infrator sobre a gravidade do caráter criminoso de sua ação. Decidirá a partir de laudos técnicos e do seu livre arbítrio no entendimento da lei.

Se aprovada nesses termos, constantes na PEC 33/2012, os jovens de 16 a 18 anos condenados começarão a cumprir a pena em estabelecimentos intermediários diferentes daqueles destinados aos maiores de 18 anos.

Não há como não reconhecer o valor da proposta do senador, dada as forças organizadas a favor e contra a redução da maioridade penal e a sua repercussão na sociedade, na maior parte das vezes por manifestações mais emotivas do que racionais.

O senador considera que a redução da maioridade a casos excepcionais dá um tempo maior para a reflexão e uma experimentação mais consistente da medida. O senador alerta para o fato de que a sociedade ainda não está madura nem preparada para uma tomada definitiva de posição cujos resultados podem ser desastrosos. “Tratar genericamente todos os maiores de 16 anos, por exemplo, de uma forma absolutamente igual, não nos parece razoável”, teria dito o senador tucano.

Precavido o senador sugere que o assunto seja regulado através de lei complementar a ser aprovada pelo Congresso. Nada de mexer em cláusula pétrea, neste momento. Uma eventual lei aprovada nestes termos terá um caráter excepcional para limitar-se a casos igualmente excepcionais indicadas na mesma lei.

Cláusula pétrea

Se como é desejo difuso da sociedade e esse assunto tem que ser tratado e que seja agora, a iniciativa do senador tem muita pertinência em função dela achar um meio termo entre posições extremadas. Se por um lado existe um amplo e difuso anseio na sociedade e que ser reflete no congresso sobre apenas reduzir a maioridade penal, por outros defensores de direitos humanos, advogados, promotores e defensores públicos que atuam na área da infância e adolescência argumentam que não se pode alterar a Constituição. Estes alegam que o artigo 228, que trata do assunto, é uma cláusula pétrea que não pode ser modificada. Ela protege direitos e garantias individuais.

Nesse particular que discorda mesmo é o relator Ricardo Ferraço. “Questões ligadas à segurança pública, como a tal da maioridade, estão ligadas a ‘circunstâncias mutáveis’” e, por essa razão, são passíveis de alteração constitucional.

Razões contrárias

Para um movimento composto por mais de 80 entidades mesmo a proposta da redução da maioridade penal do Aloysio Nunes soa como inviável. Para o grupo, responsabilizar penalmente adolescentes menores de 18 anos não reduz a violência, contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê seis tipos de medidas socioeducativas já a partir dos 12 anos, e agrava o problema decorrente do alto índice de reincidência nas prisões brasileiras, estimado em 70%.

Segundo estes a PEC 33 é inviável como um todo, mas indica em detalhes que os laudos psicológicos e as perícias psiquiátricas diante dos casos indicados não teriam a agilidade necessária e atrasariam processos e congestionariam a rede pública de saúde. Com essas dificuldades, entendem os contrários, na prática será delegada apenas ao juiz a responsabilidade de dizer se a criança ou o adolescente deva ser ou não punido como adulto.

“No Brasil, o gargalo da impunidade está na ineficiência da polícia investigativa e na lentidão dos julgamentos. Ao contrário do senso comum, muito divulgado pela mídia, aumentar as penas e para um número cada vez mais abrangente de pessoas não ajuda em nada a diminuir a criminalidade, pois, muitas vezes, elas não chegam a ser aplicadas”, diz o movimento, em uma das 18 razões contra a redução da maioridade penal. (JMN)

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19 de novembro de 2013 at 16:38

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Parlamentares pretendem discutir o Brasil que nem estadistas

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O site Congresso em Foco reuniu os parlamentares mais bem avaliados em suas repetidas pesquisas entre os próprios parlamentares e parte da sociedade civil junto com alguns especialistas para algumas rodadas de discussão sobre os grandes temas nacionais. Os resultados poderão resultar na apresentação de propostas legislativas. A ideia surgiu e o Congresso em Foco encampou entre os parlamentares premiados este ano com o Prêmio Congresso em Foco.

Criado em 2006, o Prêmio Congresso em Foco tem como objetivo estimular a sociedade a acompanhar de perto o desempenho dos congressistas e combater o mito de que todos os políticos são iguais, reconhecendo e valorizando aqueles que se destacam, de maneira positiva, no exercício do mandato.

As conversas e rodadas mais organizadas e sistematizadas terão inicio previsto para março do ano que vem e serão construídos com as resultantes de debates nas principais capitais do país, com transmissão ao vivo pela internet. Nas mesas estarão temas quentes normalmente negligenciados pelo Parlamento brasileiro que prefere não criar muitas marolas. Parte expressiva deles voltou ao topo nas manifestações de junho. Educação, saúde, previdência, mobilidade urbana, combate à corrupção e à criminalidade e desenvolvimento econômico sustentável deverão, espera-se, serem discutidos em alto nível.

Segundo nota do Congresso em Foco, no encontro em Brasília onde se decidiu pela pretenciosa tarefa alguns pesos pesados: os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Cristovam Buarque (PDT-DF), Pedro Simon (PMDB-RS) e Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e os deputados Alessandro Molon (PT-RJ), Chico Alencar (Psol-RJ), Jean Wyllys (Psol-RJ), Marcus Pestana (PSDB-MG) e Paulo Teixeira (PT-SP). Os senadores Humberto Costa (PT-PE), Ana Amélia (PP-RS), Delcídio do Amaral (PT-MS) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) e a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) se desculparam pela impossibilidade de comparecer, mas afirmaram apoio à iniciativa.

Um pré-projeto inicial foi colocado em destaque por Sylvio Costa, fundador da entidade que foi tomando corpo com as diversas sugestões dos presentes tanto quanto aos assuntos e as formas de tratar os temas. Ao final a iniciativa ganhou o nome provisório de ‘Brasil em foco’.  Está previsto que os atuais premiados que apoiam a ideia sejam participantes ativos dos debates que deverão ocorrer e ainda passarão a serem os responsáveis informais pela composição das mesas com nomes representativos nos debates.

O que será o tempo vai responder, mas registre-se que coube ao senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) reunir os premiados em torno de discussões sobre o futuro do país, mas que ultrapassem as ‘teses acadêmicas’ e componham propostas factíveis que gerem propostas legislativas com possibilidade real de serem aprovadas e adotadas. Foi além. Considerando que 2014 é ano de disputa pela Presidência da República os temas sejam debatidos pelos candidatos.

O Pedro Simon (PMDB-RS), velho conhecido de Brasília saudou a possibilidade de recuperar discussões pertinentes que foram abandonadas do Parlamento há algumas décadas. “Antes da redemocratização, a gente fazia muito esse tipo de debate. A gente ouvia a voz do povo sobre a anistia, as Diretas Já. É a primeira vez que faremos esse debate dentro da democracia. Defendo que vocês do [Congresso em Foco] coordenem isso”, afirmou. Na mesma linha seguiu o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) que considera a prática uma forma de superar as disputas rasas no Congresso.

Ouvindo as vozes das ruas

Acredito que cabe aos parlamentares presentes e apoiadores da iniciativa aproveitar a oportunidade para de forma mais propositiva mostrarem que entenderam as reivindicações das ruas.  Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e o petista Alessandro Molon parece que reconheceram a oportunidade e marcharam juntos no entendimento que há necessidade do parlamento escreverem páginas mais dignas do que as que vem sendo rascunhadas no Parlamentos nos últimos anos. Tomara que sim, que a disposição seja para valer.

Já os deputados Jean Wyllys (Psol-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) sugeriram a discussão também dos conceitos e ampliação da democracia como atitude que vai para além do próprio parlamento. “Os jovens que foram às ruas em junho levantaram a plaquinha ‘eles não me representam’, lembraram para demonstrar que existe um hiato entre representantes e representados. As temáticas das liberdades individuais e identitárias também apareceram com muito vigor e também precisam de ser estudadas e aprofundadas, registrou Jean Wyllys.

Coube ao melhor senador eleito pelos internautas, Cristovam Buarque (PDT_DF) raciocinar que a principal característica dos parlamentares eleitos é o fato de estes não serem indiferentes às reivindicações populares. Na avaliação dele, o Parlamento tem perdido importância e não tem o completo percebimento do que vem acontecendo nas ruas. “O imediatismo está consumindo o trabalho da gente. A gente está vivendo uma guerrilha com uma arma poderosíssima, a internet, colocando focos em cada cidade”, avaliou. “O que podemos fazer? Vamos manter o divórcio? Deixar que o assunto seja de polícia ou entender o que está acontecendo?”

Ainda no mesmo encontro e diante do entusiasmo dos proponentes a ressalva foi feita pelo deputado Chico Alencar (Psol-RJ) que lembrou que o primeiro ano do projeto irá coincidir com as eleições gerais. Deles próprios, de governadores e do presidente da República e que por essa razão não convém abrir demais os temas em debate que certamente serão atropelados e refreados pela disputa eleitoral.

A nossa dúvida, enquanto eleitores é saber se essa iniciativa será para valer. Ou se o o vale tudo das campanhas vai colocar também essa importante proposta no purgatório das boas intenções que não passa de fogo de palha. Esperemos que não. (JMN)

 

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25 de outubro de 2013 at 17:27

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Lula sugere empresário para vice do futuro candidato a governador

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Parece que mais uma vez, vai sair do bolso do ex-presidente Lula a sugestão de quem deva ser o candidato a vice-governador pelo PT no Estado de São Paulo. Cabeça e rabo, uma vez que ele já sugeriu que Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde seja o candidato a governador. Às favas as tão propaladas prévias internas petistas para indicar candidatos. Faz tempo que o que o ex-presidente sugere passa fácil demonstrando seu caciquismo dentro do partido.

É um vice de ‘direita’ aos moldes do que ele próprio adotou nas suas chegadas ao Planalto na companhia do empresário José de Alencar, que na ocasião, ajudou a diminuir a imagem de radicalismo que ele próprio Lula e o PT carregavam no início desde século. Alencar, então, foi o vice que caiu como uma luva, apesar de suas divergências com relação as politicas monetárias e cambial com o presidente e seu programa.

A bola da vez para São Paulo, pelo menos como sugestão do Lula, é o empresário Maurílio Biagi, atualmente membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e presidente do grupo Maubisa. Filado ao PR, o partido está na base de apoio a presidente Dilma. A empresa atua no agronegócio, gestão de investimentos e novos negócios e gestão imobiliária, e o seu presidente tem o perfil para aplacar as desconfianças de setores empreendedores. Biagi confirmou a sondagem, mas ainda não se decidiu.

Muito possivelmente em ele aceitando, o papel será mesmo o de doirar a pílula e tornar mais palatável um candidato como Padilha que, enquanto ministro, tem para o bem ou para o mal aparecido na mídia em situações nem sempre reconfortantes, oriundas, principalmente, da pasta da Saúde onde é titular com suas problemáticas sempre muito expostas. O programa Mais Médico é um dos exemplos que podemos lembrar.

Imagina-se que não se espera de Biagi gerar influência ou novas e diferentes políticas adotadas até agora pelo PT e aliados e que ironicamente estão tão ao gosto de empresários reais, efetivos, quanto àqueles da ciranda financeira. Queixas sérias de banqueiros e especuladores têm estado ausentes em praticamente todo o período em que o PT e aliados estão à frente do governo federal e tanto quanto possível dando as cartas na politica econômica. Outro detalhe é que não é da natureza petista dividir gentilmente o poder ou o protagonismo governista.

E se o ex-presidente Lula indicou poucas são as chances de outros potenciais candidatos que queriam contar com o seu apoio. Cite-se Ciro Gomes, por exemplo. Mesmo não muito próximo de Lula ele tem uma caminhada ao lado do ex-presidente desde o tempo em que seu nome era nacionalmente conhecido e que agora é mal lembrado. Ciro chegou até a transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo na busca de um possível apoio petista a uma candidatura a prefeitura de São Paulo que foi de Fernando Haddad.

Em termos de nome de empresários de peso, outro possível seria Jorge Gerdau, que foi nomeado no atual governo da presidente Dilma como comandante da Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, órgão que assessora diretamente a presidência. Mesmo não estando muito satisfeito com o trabalho que executa atualmente, aparentemente não tem ambições para ser vice. Nessas condições, não tendo grandes reviravoltas seguira o Biagi mesmo.

O modo de operar do Lula não serve apenas para São Paulo. Em Minas Gerais o filho de José Alencar, Josué Gomes acaba de filiar-se ao PMDB na expectativa de ser vice do petista Fernando Pimentel. Nota-se, de novo, o dedo da liderança nacional na estratégia que além de bom modelo eleitoral pode servir para dar mais uma solapada no Aécio Neves em sua própria casa. Curiosamente tem tudo para dar certo, de novo, sem entrar no mérito se isso é bom ou ruim.

A realidade é que o PT não é exatamente adversário do empresariado. Tem dado claros sinais de que é muito pelo contrário. Basta ver quem vem sendo atendido pelo BNDES nos últimos períodos. O empresariado não tem mesmo como se queixar. Já o país em sua completude tem menos motivos para comemorar visto que é de apenas 18% do PIB a média de investimentos com retorno em serviços de qualidade bastante discutíveis.

Curioso também a forte possibilidade de que o empresário sugerido por Lula, aparentemente não deva ter grandes motivos para entrar nessa jogada por favores, além é claro daqueles em que os empresários já se beneficiam com a atual política econômica do governo. Melhor que seja assim mesmo e que ele possa dar alguma contribuição boa para além da sua tarefa, que neste primeiro instante, é o de tornar mais aceitável o nome de um petista no Estado de São Paulo onde o partido encontra dificuldades históricas.

Ele pode, por exemplo, na dobrada, servir como anteparo para eventuais acusações de que o PT tinha, embora tenha agora, muito menos ligações com os movimentos sem terra. Para o setor do agronegócio, por exemplo, ele poderá ser exibido pelos petistas como parceiro, tipo “Olhem aqui, nosso vice é um grande empresário como vocês”. Como se percebe pode cair bem provando a reconhecida engenhosidade do ex-presidente. (JMN) 

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25 de outubro de 2013 at 17:23

Governabilidade; uma boa ou uma má palavra?

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O artigo foi escrito no início de 2013 por causa de uma reunião específica onde se discutia qual papel caberia a vereadora Juliana Cardoso (PT/SP) diante do fato de ter sido eleita como a segunda mais votada da legenda nas eleições municipais de 2012. A pertinência do artigo entretanto transcende aquela conjuntura. Boa leitura. (JMN)

 

Uma exposição feita pelo ex-deputado estadual petista e atual titular da secretária dos Movimentos Sociais do PT Nacional, Renato Simões em plenária da vereadora paulistana Juliana Cardoso, na Câmara Municipal de São Paulo no dia 04 de fevereiro na presença de mais de 200 pessoas foi o estopim para este artigo que, até uma compreensão melhor, questiona a tal da governabilidade.

Em que pese o didatismo e a exposição basicamente correta das distintas conjunturas envolvendo o partido nesses 30 anos desde a sua fundação, Simões defendeu que o partido que representa, se impôs no cenário sendo protagonista de pelo menos 10 anos de mandatário da titularidade do governo federal; 8 anos com Lula e dois, em curso, com a presidenta Dilma.

Sem necessidade de estender em detalhes desse enfoque, já me antecipo registrando que a tal imposição no cenário político se deu mais pelo ajuste aos figurinos requeridos do que pela conquista de espaço distinto propriamente dito. O fato é que o partido foi criado e deu seus primeiros passos na sua mais tenra idade com propostas outras, e não foram com estas, que ele foi recebido na casa grande da política nacional. Foi envelhecendo e fazendo concessões dos mais variados calibre para se ajustar ao figurino da festa.

Simões em seu discurso deixou escapar, inclusive, dúvidas quanto à natureza e os limites do PT e para onde ele deve apontar. Dá indicações que essa discussão terá que ser objeto do próximo congresso nacional da agremiação. Respostas a inquietações do tipo: cabe ao PT fazer o melhor gerenciamento e mais justo das políticas no sentido de ser um instrumento do capitalismo ou pleitear o rompimento com o sistema em direção a um socialismo dos novos tempos?

Essa decisão é pra lá de emergencial. É crucial para que se tenha clareza a que se propõe o partido e que da desejável e esperada chacoalhada no congresso, fiquem apenas os afinados às propostas, cabendo aos demais recolher seus crachás e migrar para outros espaços, afinal vai se definir um figurino muito específico que não aceita divergências e fundo.

O nó da questão entretanto é que, enquanto essa definição não se dá, se faz qualquer tipo de concessão e se veste qualquer figurino que seja exigido para a tal da governabilidade por cima. Governos reféns de outras legendas e parlamentares sempre ávidos a tirar tanto quanto possível grandes nacos do botim para si ou para seus representados. O governante da vez, por seu turno, dá como fato consumado a necessidade de acordos que simplesmente atropelam diversos pontos de suas propostas programáticas e eleitorais. Não precisará dar satisfação aos eleitores até as próximas eleições. Sigamos, então, irmanados na tal da governabilidade é o raciocínio prevalecente.

Mas, afinal do que estamos falando? Governabilidade segundo entendimento deles, significa firmar acordos com aliados e até adversários de ontem para que facilitem o mandato do executivo durante o seu exercício. Tal iniciativa, muito recorrente, dá o resultado de sempre: governos sem perfil, sem definição da sua identidade; sem definição clara de qual a proposta tem para a sociedade. Viabiliza-se, sempre, uma acomodação que não produz sobressaltos até ás vésperas da próxima eleição, quando então cada um tenta convencer o eleitor que é melhor que o outro e que suas propostas são as mais adequadas.

Mas, de novo, como é isso? Se suas propostas são abortadas e esquecidas por exigências dos compadres e parceiros da tal da governabilidade. Fica-se no marasmo de sempre, pouco se avança, acomoda-se algumas coisas, mas não oferece transformações significativas e desejáveis à sociedade brasileira.

Sobre Juliana Cardoso no Diretório Municipal
Outro ponto distinto, mas como consequência direta das preliminares foi a indicação, negociada antes, para que a vereadora Juliana Cardoso assuma a presidência do partido na cidade até que se dê o processo de eleição indireta, o tal PED, que com o pragmatismo verificado em tempos mais recentes, com certeza, vai operar no sentido de apontar, se possível, um candidato único à disputa ou, no mínimo, com algumas candidaturas fazendo figuração.

A ideia partiu de vereadores também eleitos e agora secretários na gestão do prefeito Fernando Haddad e portanto, é uma categoria à parte do partido o que chamarei aqui, sem maldade, mais amigos do rei. Não apenas desse atual, mas de todos os outros em diversas esferas que antecederam esse ano de 2013.

Desconfio. Posso até estar enganado quanto a isso, mas, parece, se tratar de colocar no colo da vereadora no alto do expressivo número de votos que recebeu, uma tarefa secundária e quase subalterna, como uma possível forma de contemplar seus justos anseios de participar da governabilidade do ponto de vista de quase um canal condutor das demandas mais populares.

Na impossibilidade de contemplar os anseios que ela representa por dentro do governo, oferece-se, como consolo, o que destacam como importante tarefa, mas que para esse articulista, coerente com o raciocínio da primeira parte, trata-se de uma distração com cara de importância. Não é.

As forças daqueles que mandam no partido estão em curso e aparentemente, Renato Simões fez parte disso, conscientemente ou não. Só ele pode responder. Nesse sentido é provável que a vereadora aceite a tarefa e pense que como contrapartida também estariam melhor cacifada para a disputa real, no próximo processo de eleição da direção municipal.

Estou convencido que o partido tem que ser maior que os governos. Já que queiram que ele o seja, tenho muitas dúvidas.

Aparentemente o partido, a exemplo de outras legendas, continuará a fazer figuração e oferecer apenas a prerrogativa de ser canal instituído para as disputas. Na hora do vamos ver, na bacia das almas, a continuar do jeito que as coisas são, as negociações para a tal da governabilidade tornaram morta quase todas as propostas e plataformas dos partidos. J. de Mendonça Neto, jornalista e gestor ambiental

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17 de outubro de 2013 at 16:11

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Censura não!

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Poucos dias atrás alguns artistas, cantores ou compositores em sua maioria, foram a Brasília para fazer pressão para que o Congresso construa outras legislações contra a publicação de biografias sem que sejam autorizadas pelos biografados e seus descendentes. Estiveram por lá o Roberto Carlos e o Caetano Veloso, entre outros. Parte desses ainda advoga que depois de autorizada o biografado possa ser remunerado. Não falaram aberta e publicamente a respeito, deixou a tarefa a porta-vozes.

Celebridade por celebridade, vejamos o que diz outra, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, “O ideal seria [que houvesse] liberdade total de publicação, mas cada um assume os riscos. Se violou o direito de alguém, [o autor] vai ter que responder financeiramente. Com isso, se criaria uma responsabilidade daqueles que escrevem”, disse. Para o ministro, as obras, que provocarem efeito devastador na vida do biografado, deve haver o pagamento de ‘indenizações pesadas’.

Não é apenas porque o ministro assim se pronunciou que está certo. Esse expediente dos biografados recorrerem a Justiça e terem decisões favoráveis para o recolhimento das obras cheira a censura. Vale lembrar que censura prévia é ilegal e não permitida. Porque então a Justiça decide favoravelmente?

A resposta está no artigo 20 do Código Civil que exige autorização prévia para publicação de biografias. Esse artigo conflita com dois outros da Constituição Brasileira, o 5º e o 220º. Com base no artigo 20 juízes tem determinado o recolhimento de livros coisa vista somente em ditaduras não em democracias.

Não se trata aqui de que qualquer pessoa possa escrever o que lhe der na telha sobre qualquer outra pessoa sem qualquer restrição, mas para coibir e punir os excessos das injúrias, calúnias e difamações existe leis e estas podem ser usadas para além do que é divulgado na imprensa, vale também para livros. Caso o autor da biografia incorra num desses crimes que arque responsavelmente no Código Penal além, é claro, das possíveis ações indenizatórias na área civil. Ou seja, não precisamos de mais uma lei como desejam as celebridades que na prática restituem a censura prévia.

É preciso levar em conta que aprovar uma coisa dessas é abrir precedentes para que todo e qualquer pessoa a ser biografada possa proibir. Como lembrou a jornalista Mônica Waldvogel, pelo Twitter “A restrição pela qual lutam esses artistas não vai proteger apenas as suas respectivas vidas. Ela resguardaria também a biografia de torturadores, de assassinos, de malfeitores. Um biógrafo ou jornalista, vejam vocês, teria de pedir tanto a Roberto Carlos e Caetano Veloso como a Fernandinho Beira-Mar e Marcola a autorização para narrar a sua saga”.

 Pelo direito de saber a verdade

Para o presidente da Record, editora que publicou biografias importantes como de Fernando Pessoa e José Dirceu para ficar apenas nesses dois exemplos é absurda a ideia do veto a biografias não autorizadas. “É claro que o biografado tem o direito de se manifestar caso constate algum tipo de injúria, difamação ou inverdade em uma obra feita a seu respeito. Mas, para isso, ele conta com o sistema judiciário. Existe um aparato judicial que não o deixará desamparado.”

 Uma lista de nomes sem fim que precisa ser depurada

É verdade que nenhum artista falou claramente sobre o assunto. Isso coube à ex-mulher de Caetano, Paula Lavigne que se colocou como porta voz de um suposto movimento de artistas denominado “Procure Saber”. E na lista que acompanhou a demanda aparece tanto artista que o próprio tempo se encarregou de colocar no ostracismo como algumas cabeças premiadas como Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan e ainda Roberto Carlos que pessoalmente vem tomando medidas para censurar até livros que tratem da Jovem Guarda. É de se perguntar que direito têm eles.

Com muita lucidez e dignidade se pronunciou até agora o cantor e compositor Alceu Valença. Em sua página no Facebook pergunta: “O que é pior? A mordaça genérica ou a suposta difamação?” Vai adiante: “Eficiência e celeridade processual são princípios que devemos reivindicar para a garantia dos nossos direitos. Evitar a prática de livros ofensivos e meramente oportunistas, através do Poder Judiciário, é uma saída muito mais eficaz e coerente com os fundamentos democráticos”. O compositor ainda toca no ponto: “Definitivamente, a questão não é financeira. A ideia de royalties para os biografados ou herdeiros me parece imoral. ‘Falem mal, mas me paguem’? É essa a premissa??? Nem tudo pode se resumir ao vil metal. Com todo o respeito às opiniões contrárias, esse é o meu posicionamento. Viva a democracia!”.

 Entre a curiosidade e a utilidade

Entendemos que, regra geral, existe certa curiosidade com relação à vida dos artistas, principalmente daqueles cantores famosos que pela sua obra deixam ou deixaram contribuições importantes. Que se valorize então a obra, o resultado desse trabalho. O fato de produzirem essas obras, não implica necessariamente que eles tenham muito mais a dizer, ou melhor: que aquilo que eles têm a dizer e dizem seja sempre como uma iluminação superior que irá fazer o mundo melhor. Nem sempre.

Dar fé a tudo que eles dizem, ao contrário, é um grande risco. Principalmente quando a sociedade e os fãs de determinados artistas os tem como a luz que ilumina o mundo. Um exemplo entre os mais eloquentes é o Caetano Veloso que demonstra ter opinião e sugestões sobre quase tudo desfilando palpites sobre estética, filosofia, religião, ciências e quiçá tática de futebol. A importância desses palpites deve ser relativizada. No caso do CV, como de outros do mesmo patamar a música pode ser boa, os palpites nem sempre.

Os artistas devem valer pelo que produzem dentro das manifestações culturais que domina. Não se podem colocar os artistas citados ou não citados como pensadores da humanidade. São apenas artistas, cantores e compositores com responsabilidade principal com suas obras, não como pensadores que iluminam os caminhos. Nenhum deles, por mais sensível, competente e grande artista deve ser visto com referências inquestionáveis.

Claro que não estou advogando que eles façam apenas o que fazem de melhor. Eles têm todo o direito de pensar e declarar o mundo como vêm ou como o desejam e anunciar aos quatro cantos. O que é preciso é que nós não levemos tão a sério seus palpites e sugestões. Eles podem estar e na maioria das vezes estão equivocados. (JMN)

Written by Página Leste

17 de outubro de 2013 at 13:59

Médicos: já que vieram que façam o melhor

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É o assunto do dia fervendo e cheio de prós e contras. O que tem de gente batendo palmas e de gente falando mal é um espanto. Em se tratando de um tema polêmico, pensar com calma, refletir, analisar é mais que esperto; é necessário. E com tantos pros e contras sobre a vinda de médicos do estrangeiro para trabalhar onde faltam médicos sugiro que vamos com calma.

Mas como essa é uma seção de opinião vou desviar da casca de banana no caminho que é me posicionar se estão certos ou errados a vinda de médicos do estrangeiro e colocar algumas questões que também são importantes nessa proposta de dar atendimento médico onde não se tem.

É a velha questão de que saúde é uma bacia onde muitas coisas têm que estar presentes tais como educação, medidas preventivas, meio ambiente saudável, ocupação sem insalubridades, bem estar psíquico e mental, vigilância sanitária atuante, controle epidemiológico eficiente, meio ambiente social saudável, segurança e recursos outros além do próprio médico.

Se alguém duvida disso a discussão aqui pode continuar, mas o fato mesmo é que experiências de como essas coisas correlacionadas com a saúde é importante temos aos montes por aqui mesmo em São Mateus. Um deles, conforme mencionei acima é a falta de segurança em que trabalham diversos profissionais do serviço público de saúde além do médico. Não é um ou dois casos, são várias as ocorrências de servidores públicos da área, principalmente nas unidades básicas de saúde que sofrem constrangimentos, xingamentos quando não são agredidos por pessoas que procuram as unidades e se frustram com a qualidade ou a completa ausência de atendimento.

Nessas condições e reparem que estamos falando apenas da segurança mínima que um trabalhador precisa para desenvolver bem o seu trabalho o serviço final não sai mesmo. Some-se a isso a frustração do próprio servidor que tem consciência de que sem outros apoios em material e recurso a coisa não anda.

Oras, se todas aquelas condições que citei não estão presentes, não será apenas o médico que dará resultado.

Temos mais coisas por ai. Vamos raciocinar então de como está amparada a medicina hoje. Em grande parte muitos do ensino da medicina atual está focada mais no amparo de exames e recursos em tecnologia do que na experiência e conhecimento do assunto do médico em si, como ser humano e profissional ali na hora do atendimento. Muitos médicos, na verdade, e somos testemunhas disso, só conseguem definir um diagnóstico simples se amparados por exames laboratoriais, de imagem e outros recursos que em tese deveriam mesmo para resolver dúvidas mais complexas.

E ai, vamos ao outro lado da questão. Muitos dos médicos, estrangeiros ou não, que forem trabalhar em locais com ausência também desses recursos tecnológicos vão ter dificuldades. Vão ter mais ainda quando, mesmo diante de sua competência e acerto de diagnóstico terão de fazer encaminhamentos de pacientes. Para onde? Se nesses casos estarão em regiões com poucos recursos e sem acesso a acompanhamentos médicos mais elaborados.

Essa, a propósito foi uma das reclamações pertinentes do Conselho Federal de Medicina, quando da campanha do governo brasileiro para que os médicos se ‘interiorizassem’, ou seja, fossem para os locais onde a população está em completo desamparo.

Como se vê, precisamos de muita reflexão e dar tempo ao tempo para ver e depois julgar se a entrada de médicos estrangeiros, e que se deixe claro, após a recusa dos médicos brasileiros de irem para o interior foi uma medida acertada ou não.

Só registrando, por enquanto muita crítica e muitos aplausos

O leitor atento e diversificado está lendo e vendo de tudo. Setores batendo palmas e valorizando a chegada de médicos estrangeiros diante do que alegam ser um troco à arrogância de uma categoria que se formou nas grandes capitais e gente do outro lado criticando a possível falta de preparo e competência dos médicos estrangeiros. Para isso pediam uma espécie de exame. Acho que é legítimo.

Agora a grita geral diz respeito a vinda de médicos cubanos e a operação triangular na remuneração onde o pagamento dos profissionais passaram pelas mãos do governo cubano primeiro. Outra questão a ser vista com mais calma.

Agora para o povo desassistido, um forte argumento a favor da vinda deles sejam cubanos ou não é o fato de que é melhor na necessidade ter algum atendimento que atendimento algum. Acho que eles tem razão.

Publicado na Gazeta São Mateus, ed 359, segunda quinzena de agosto de 2013

Written by Página Leste

30 de agosto de 2013 at 18:03

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