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Keiko Ota encara Pinga Fogo em São Mateus

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Coordenada por Lucy Mendonça, diretora do jornal cerca de 20 pessoas participaram na primeira edição deste ano do Pinga Fogo com a deputada Keiko Ota. “A escolha da deputada como primeira participante se deu em função da pertinência do assunto Segurança em nossa região”, explicou. Acompanhe um resumo do encontro.

 

A deputada federal Keiko Ota (PSB-SP), membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no congresso nacional participou dia 09/05 do primeiro Pinga Fogo de 2014, na sede da Gazeta São Mateus. O encontre reúne lideranças locais para ouvir e promover uma espécie de sabatina com o candidato, haja vista que a deputada concorre à reeleição ainda este ano.

Além do chefe de gabinete Roberto Sekiya e dois assessores a deputada esteve acompanhada do marido, o vereador Masataka Ota (Pros-SP). O casal perdeu o filho Ives Ota para a violência, 16 anos atrás e, desde então, vem militando junto aos movimentos de justiça e paz no país todo. A entrada de Keiko Ota na vida publica como deputada buscava formas de ajudar as famílias vítimas de violência através do Congresso Nacional, o resultado dos esforços se por um lado deu vez e voz às vítimas, por outro tem registrado poucos avanços.

O assunto Segurança tornou o encontro mais emotivo do que racional e não teve como a reportagem acompanhar uma conversa organizada com perguntas e respostas e, embora o clima fosse de descontração não se pouparam ao debate respeitoso.

Em resumo a reportagem considera que: apesar de transparecer propostas bem intencionadas, principalmente porque a deputada e seu staff estão mobilizados a partir de uma inusitada e infeliz situação pessoal do casal, o foco de sua atuação, segundo parte dos presentes, não é o mais acertado.

Diversos pontos defendidos pela deputada como redução da idade penal; revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente; revisão do Código Penal com a adoção de leis mais duras para os crimes contra a vida teve criticas reservadas durante o encontro.

Houve quem chamasse a atenção para o fato de que o problema da violência não se resolve com a mudança do Código Penal, mais ainda; que o que precisa mudar é a Leis de Execução Penal – LEP que, muito resumidamente, trata de como, quando e por quanto tempo serão efetivamente cumpridas as penas. “Não é o Código Penal que precisa ser alterado e sim a Lei de Execuções Penais. Já existe no Código de 1940, previsão de cobertura para quase todos os crimes que são praticados”. Outros ainda consideraram que o mandato, mesmo com o foco definido na questão da Segurança, o faz de forma estreita focando muito no apenamento e com apenas uma ideia difusa de que é preciso cuidar da educação da criança, por exemplo, para evitar o futuro criminoso.

De posse do material de apresentação da deputada com a ênfase dada a esse aspecto do apenamento, ela respondeu a uma das perguntas considerando que “Precisamos de uma lei mais dura para o crime contra a vida que alcança algo próximo de 60 mil homicídios por ano, mas ao mesmo tempo operar na outra ponta que são cuidar e evitar que as crianças sofram violência que depois levam para a escola e ficam sem condições de assimilar o que se passa na escola e a mercê do crime organizado. Temos que mudar também o comportamento do indivíduo”, esclareceu. De pronto replicaram que a questão não seria apenas de aumento, mas sim de cumprimento total da pena.

Efetivamente a deputada também replicou expondo seu próprio caso onde os assassinos de seu filho foram sentenciados há 43 anos, mas que teriam que cumprir apenas um sexto em regime fechado. Criou-se certo consenso nessa questão, bem como em outra lembrança de que independente da idade do criminoso, este seja julgado pela gravidade do crime e não apenas por sua faixa etária. Isso, aliás, estava na essência da proposta no Senado Federal de autoria do senador Aloisio Nunes (PSDB-SP) que foi também foi rejeitada junto com propostas de rigor máximo e rigor mínimo no tratamento desse assunto, ou seja, voltou-se a estaca zero.

“’É preciso fazer cumprir o que já existe”, resume um dos presentes que não poupou críticas ao mandato por estar fazendo o comum e repetindo clichês lá em Brasília. “O foco principal deve ser a mudança e ou o cumprimento da Lei de Execuções Penais”. O mesmo interlocutor contestou também a proposta de aumentar a pena máxima de 30 para 50 anos de reclusão. “Ninguém ficará preso por tanto tempo”, indicou.

Houve extenso debate sobre essa possível perda de foco do mandato. A deputada e equipe reiteraram que tem conhecimento e que atuam tanto quanto possível nessa seara lembrando que as coisas em Brasília, seja no Congresso Nacional, sejam nas relações com o Ministério da Justiça são sempre desgastantes, demoradas e que sempre há a dependência de costurar apoios e alianças.

Dando vez e voz os familiares das vítimas

Mas, se alguma coisa pode se destacar do mandato da deputada é o fato de ajudar a instituir a Frente Parlamentar em Favor das Vítimas de Violência e o fato desse mandato articular movimentos, idas à Brasília e dar maior visibilidade ao assunto. “Priorizamos mobilizar no Brasil todos os familiares das vítimas da violência cuja dor está presente e cujo clamor de justiça é justificável”. Fato. A situação é de tal forma contundente que nesse sentido, sim, presta um grande serviço à sociedade.

Após exposição de motivos e justificativas do mandato criou-se um consenso sobre a necessidade à deputada ser mais agressiva na defesa das poucas mudanças que são necessárias no Código Penal; na atenção e cobrança de cumprimento das penas previstas através da Lei de Execuções Penais. Foi convidada até a se comportar como uma ‘terrorista’ do lado do bem, como se expressaram alguns dos presentes, a fim de tentar sensibilizar os parlamentares e por consequência o governo sobre a gravidade da situação.

Durante a conversa o marido da deputada, o vereador Masataka Ota indignou-se com o fato de a OAB permitir que egressos do sistema prisional, beneficiado pelo cumprimento parcial de penas, possam se formar com advogados que irão futuramente, segundo o seu entendimento, defender criminosos. Uma impressão necessariamente ao arrepio dos direitos, uma vez que a partir do cumprimento da pena, se entende que a dívida desse egresso tenha sido quitada junto à sociedade. Enfim, um posicionamento, no mínimo discutível.

Vale ressaltar que o vereador é autor da Lei 15.960, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad que determina a criação do Serviço de Assistência Psicológica ao Estudante e publicada em Diário Oficial no dia 09/01/14 com prazo de 90 dias para implantação nas escolas municipais de ensino fundamental.

Por fim a deputada ainda sugere que se tenha alguma forma de prestar auxílio financeiro às famílias vitimas da violência. “Estamos contribuindo em todos os debates, inclusive no de aumento de penas que passou pelas comissões e deverá ser apreciada em plenário. Uma das principais tarefas minhas é dar vez e voz a essas famílias”, finalizou. (JMN)

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28 de maio de 2014 at 12:51

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Mais uma caminhada pela paz

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Uma caminhada pela paz reuniu cerca de 400 pessoas na manhã do dia 12 de abril que fizeram um pequeno trajeto até o 49º Distrito Policial. Representante de escolas, alguns alunos, dos comerciantes, entidades diversas e do Conselho de Segurança gritavam palavras de ordem com o apoio de um caminhão de som.

Se fosse possível resumir numa frase; chega de violência foi a mais emblemática. As pessoas lembravam-se, durante o trajeto, a necessidade de se buscar medidas que tragam de volta um pouco de paz à região que, conforme exaustivamente noticiada nesta edição, está passando por momentos delicados.

As centenas de pessoas presentes também cantaram louvores animados com a presença de pastores de igrejas evangélicas e padres das igrejas católicas locais.

Acompanhe um pouco da cena em nossas fotos.

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28 de maio de 2014 at 12:48

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Segurança preocupa, mas não estaremos abandonados

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Poucas vezes vi São Mateus com seus distritos que conheço bem, onde moro e trabalho tão desconfortável. Na lida com o jornal Gazeta São Mateus acompanhei, estes dias, passeatas, reuniões, manifestações, conversa de canto em tom baixo e em tom alto sobre a situação alarmante a que estamos chegando por conta da insegurança.

Claro que sei que sempre dá para piorar. Ninguém em sã consciência gosta de ver as coisas degringolarem; aquelas coisas que nos incomodam. Exceção feita aos causadores dos problemas e é até fácil identificar o perfil destes lendo nossas reportagens, o restante da sociedade de bem ou chamada como tal, tem motivos de sobra para ficar apreensiva.

Os reclamos que pude presenciar e ouvir esses dias me causou até certo aperto no coração e uma pergunta muda para mim própria do tipo: Onde foi que erramos? Onde e quando as coisas começaram a ficar desse jeito? Desse jeito desconfortável, deprimente e perigoso.

Não há, nos dias que correm, qualquer garantia de que qualquer um de nós possa ser a próxima vítima. Sejam desde as indelicadezas, as grosserias, os xingamentos, os prejuízos, as ameaças até as ocorrências concretas como agressões, furtos, roubos, desafios, sem contar as más línguas, as injúrias, as conspirações. Para os crentes as orações podem ajudar e fazer sentido, mesmo assim muito cuidado, meu rapaz! Para os menos crentes cuidado redobrado, meu rapaz!

Os lamentos da população na última reunião do conselho de segurança, que a reportagem acompanhou todos elas muito corretas e justificáveis criou uma sensação de mal estar em todos os presentes. Uma pela gravidade das ocorrências, outra pela dificuldade de se enxergar uma luz ao final do túnel.

As conversas com os responsáveis pela segurança na região também não apresentaram e nem sacaram das cartolas fórmulas simples e rápidas para minorar a situação, mas ao mesmo tempo deu certo alento ao me convencer que a batalha ainda não está finda e que a polícia sempre estará presente cumprindo o seu papel que é a defesa da sociedade de bem.

Não deixa de ser um alívio um pouco dessa certeza, apesar de todas as críticas que essa mesma sociedade possa ter com relação à conduta destas polícias onde, por vezes, alguns de seus próprios membros cometem bobagens, desde as mais simples até às mais condenáveis. O que se percebe de uma olhada rigorosa é que as instituições, ou seja, as polícias serão preservadas, desempenham um importante e fundamental papel, apesar dos problemas delas próprias.

Uma no cravo e outra na ferradura. A situação é pra lá de grave, quase desesperadora, mas, por outro lado, se percebe que não haverá trégua no combate ao crime e as situações que o propiciam.

Ao final dessa minha descompromissada reflexão, acho que restou o maior desafio que a sociedade possa ver. Ela tem que assumir de forma incansável as suas responsabilidades, principalmente na educação das famílias. Não aquela da escola, mas naquela que faz nos diferenciar dos animais irracionais. (JMN/LM)

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28 de maio de 2014 at 12:45

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“Quando a família assume, os problemas diminuem”, diz delegado seccional

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O delegado seccional Mestre Junior também recebeu a reportagem quando foi informado sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg e, da mesma forma que o comandante do 38º BPM/PM entende que a segurança é assunto de responsabilidade de todos. De pronto explicou que cabe a Polícia Civil as investigações e os cumprimentos de etapas de inquéritos e processos. Nem sempre tem sido fácil exercer mesmo esse papel. Até recentemente as delegacias não só investigavam como tinham que desempenhar papel de carceragem o que comprometia a realização de suas premissas constitucionais.

Mais recentemente também, e parece que vai mudar; as delegacias têm seus pátios tomados por centenas de veículos, frutos de apreensões por irregularidades diversas situação que gera outro tipo de trabalho estranho às funções de uma delegacia.

A Secretaria de Segurança depois de muitos anos com esse problema está iniciando um processo de licitação para contratar pátios e serviços de guinchos de terceiros que abrirão novos espaços nas delegacias. O certo é que as apreensões continuarão, mas não teremos a guarda desses veículos e outros sob nossa responsabilidade. Isso vai liberar mais recurso humano para as investigações”, explica. Ele raciocinava a partir da média de 750 apreensões e ocorrências mensais em toda sua seccional.

Diante da exposição feita pela reportagem o delegado seccional volta refletir e reafirmar uma série de situações que tem se repetido ao longo dos tempos mais recentes. Na raiz de muitos problemas está a questão cultural e educacional – não no sentido escolar exatamente, mas sim na frouxidão dos valores familiares e de bons modos que com o passar dos anos e dos novos costumes vem se deteriorando. “Continuo observando jovens ociosos meses e anos a fio, sem perspectivas, sem ocupação regular e decente, sem alternativas”. O ócio, a falta de valores, as carências locais e socioeconômicas e a falta de oportunidades são ingredientes importantes no atual estado de ânimo de muito adolescente e jovem infrator e criminoso.

Nessas condições e com esse caldo é que um fenômeno como o do funk ostentação prospera”. “Isso tem que ser analisado em profundidade. Agora estamos lutando contra uma suposta cultura que é a de rejeitar os valores da sociedade harmônica e justa. O moleque, hoje, quer ostentar o ouro, dinheiro e riqueza pouco importando se conseguidos de forma criminosa. Essa ostentação – que é ilusória, na maior parte das vezes é a que seduz novos jovens até crianças que acham ‘legal’ serem criminosos”, comenta.

Mestre Junior tem consciência que não se chegou a isso da noite para o dia e que além da própria família, a sociedade, os meios de comunicação e até governos perdulários tem responsabilidade. “Foram-se muitos anos sem que nada se fizesse para as comunidades mais pobres e mais carentes e a carência é o principal ingrediente dessa confusão. O que se ‘ensina’ indiretamente pela televisão, com novelas cujos valores quase estão totalmente invertidos também não ajuda. Junte isso à falta de política social, educação, ausência de perspectiva de uma vida melhor está pronto o quadro”.

Mestre segue falando da falta de respeito aos professores e os próprios pais. Insinua que em parte expressiva das vezes é o próprio desinteresse e negligência dos pais que é faz prosperar a evasão escolar, o ócio, a falta do que fazer e a chegada desses jovens às portas do crime acontecer. “Temos conhecimento de casos absurdos onde os pais reclamam e ficam incomodados porque foram chamados pela autoridade policial a ir busca seus filhos menores _e alguns bem menores em bailes funks, de noite, eventualmente bebendo, se drogando e se prostituindo”, exclama.

Esse quadro todo tem criado cada vez mais dificuldades de atuação, notadamente da polícia militar que o delegado destaca como uma corporação de verdadeiros abnegados e heróis. “Os valores estão tão distorcidos que vemos cada vez mais a PM ser hostilizada por desempenhar o seu papel. Entrou na moda essa outra ignorância sem tamanho. Alguns malandros e meliantes não gostam das ações policiais e saem às ruas para tocar fogo em ônibus que, ao final, prejudica as próprias pessoas das comunidades que precisam desse meio de transporte. É uma inversão grande de valores”.

Objetivamente o delegado lembra que um dos principais problemas também se dá na esfera jurídica, no que diz respeito à execução das penas. O fato é que no arcabouço jurídico existem muitas brechas. Some-se a isso certa mentalidade difusa que também cria dificuldades de que é para liberar cada vez mais. Lembra ainda que se isso não bastasse a região ainda faz divisa com cinco outros municípios e que as intervenções ou procedimentos policiais sejam da civil ou da militar estão sujeitos a essa organização territorial. “Para o meliante é diferente ele não vê fronteiras, nem tem uma burocracia a cumprir”, compara.

Apesar de tudo o delegado lembra a eficiência da segurança que opera em vários aspectos, mas principalmente na apreensão de veículos irregulares. Tem sido o caso de inúmeras apreensões de motos, uma vez que uma parte considerável de crimes, tanto de tráfico, quanto de roubos são feitas em movimento não estacionária, na maior parte das vezes com motocicletas.

Agregando valor ao comentário considera que apesar das evidentes dificuldades isso não é motivo para desistências nem para comemorações por parte da bandidagem. Apesar dela, por vezes parecer que está à frente ou ganhando a disputa com os órgãos da segurança, não existe nenhuma chance de saírem vitoriosos. Agora, com certeza, a colaboração da sociedade de bem, não apoiando, não tolerando e denunciando constantemente e imediatamente os malfeitos é fundamental para o sucesso nessa batalha.

Precisamos de uma ação continua de conscientização

Coerente com a afirmação de que a atual situação de segurança não se resolverá apenas com mais polícia na rua, o delegado seccional vem insistindo ao longo dos anos por um amplo processo de conscientização e educação pela base, de famílias envolvendo toda a sociedade organizada ou em processo de organização. “Sem educação e uma reformulação cultural e retomada de valores, o problema como um todo nunca será resolvido. Dentro desse processo se as famílias cuidarem adequadamente das crianças e adolescentes que ainda podem se salvar, restarão apenas os que não teriam eventualmente recuperação e que continuem interessados no crime. Em menor quantidade, desses a polícia e o sistema cuida”. Ensaia.

 

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28 de maio de 2014 at 12:42

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 “Comunidade precisa assumir responsabilidades”, dizem titulares da segurança na região

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Diante dos acontecimentos recentes que incluíram uma grande reunião no Conseg, tímidas manifestações de rua e, ainda antes, escaramuças entre a Polícia Militar com jovens e adolescentes e até adultos no Jardim da Conquista, a Gazeta São Mateus foi ouvir o Major Hideo, comandante do 38o BPM/PM e o delegado seccional Mestre Junior. A palavra de ambos é a de comprometimento com a segurança, mas com a cobrança de colaboração da comunidade de bem.

 “A responsabilidade pela segurança não é só das polícias”, diz comandante

Informado pela reportagem sobre a maior parte das reclamações feitas na reunião do Conseg (veja matéria nesta edição), o comandante do 38º BPM/PM, Major Hideo considera que a responsabilidade pela segurança é de todos, inclusive do subprefeito que esteve presente àquela reunião, ao inspetor da GCM e das lideranças e comunidade presente. Cada qual com as suas prerrogativas e possibilidades. Explica que a função constitucional da PM é o policiamento preventivo e ostensivo e que a participação da comunidade com denúncias é fundamental.

Para o comandante os problemas ainda são mais exacerbados em função de sua situação de extrema carência em algumas comunidades onde considera que são pouco disponíveis os equipamentos públicos de lazer, de educação e de saúde pública o que ocasiona uma condição ruim de vida. “O crime e os comportamentos criminosos que incomodam e agridem a sociedade é consequência disso também”, avalia.

Do ponto de vista operacional o comandante tem uma grande e extensa área de atuação e estão 24 horas por dias pelas ruas os quase 500 policias que dispõe. Considera esse contingente ainda insuficiente e entre os parâmetros para essa aferição usa o número expressivo de chamadas pelo telefone 190. ‘É preciso que seja entendida que, o número de chamadas, é muito superior a capacidade do nosso efetivo e em atendimento as viaturas ficam paradas e não em patrulhamento ostensivo. Com isso se dá a impressão falsa de que não tem polícia na rua. Não é “bem assim”’, explica. Parece indicar que a capacidade preventiva, por vezes, fica prejudicada. Mesmo assim, diz que os policiais sob seu comando estão o tempo todo em ação e é reduzido o quadro administrativo que fica atrás de mesas.

O comandante revela que existe teses de mestrados com embasamento científico e certeza técnica que indica que onde há presença do policial o crime é inibido. Cita como exemplo o que ocorreu na Avenida São Mateus onde havia muitas ocorrências que foram diminuindo com o início do funcionamento da ‘operação delegada’ que possibilitou ao policial fazer também atividades de fiscalização de comércio irregular, etc. “O meu problema é como fazer ações idênticas e em todos os tempos e em todos os locais críticos”, problematiza.

O comandante não se surpreende com as queixas que a reportagem havia exposto afirmando que os serviços de inteligência da PM e da Secretaria de Segurança sempre revela o que ele chama de trechos e espaços mais problemáticos (hotspots) e que tanto quanto possível e dependendo de sua disponibilidade de efetivo tem agido neste local.

O problema dos pancadões

Só para se ter uma ideia da extensão do problema na região, nas noites de sábado eu tenho de 10 a 20 bailes funks ocorrendo simultaneamente e apesar do apelo das comunidades incomodadas a minha capacidade de intervir ainda é restrita. Isso nào significa que desistiremos. Isso nunca”, explica. O receio dos possíveis tumultos que as operações in loco, durante a ocorrência do baile apresentam tem que ser levadas em conta. A presença de crianças, jovens e, por vezes, até famílias inteiras complicam as operações e sufocamento. “As correrias podem levar a lesões graves e até mortes de inocentes. Diante dessas possibilidades comparecemos para fazer o que for possível para cada situação que se apresentar”, indica. Para a reportagem ficou visível que essas operações ainda serão feitas, mas a proposta é evitar tanto quanto possível o conflito e buscar soluções diferentes.

A Polícia Militar está se empenhando; isso ficou claro, tanto quando a demanda é enorme e o fato de que a omissão das pessoas de bem, infelizmente, é um dos fatores que estimula o crescimento desses problemas. “Temos feito operações uma atrás da outra para produzir resultados, e estes estão aparecendo. Com certeza dependemos também dessa participação da sociedade com denúncias procedentes para que possamos atuar ainda mais”.

O comandante ainda lembrou da ocorrência no Jardim da Conquista que deu origem ao conflito com parte da população local. Na ocasião um adolescente roubou um veículo e foi acompanhado pela PM à distância que o viu estacionar e entrar em um estabelecimento. Abordado pelos policiais atirou em direção a estes que durante o revide alvejaram o adolescente que estava em flagrante delito. A reação posterior em forma de protesto por parte dos moradores não teria nenhuma razão de ser, mas é a resultante de uma relação quase promiscua que vai se criando entre moradores tolerando os ‘crimes’ de vizinhos e conhecidos; outro fator que evidencia a irresponsabilidade dessa parte da sociedade.

Apesar das dificuldades as ações serão cada vez maiores

É o que garante o comandante que assegura que é uma política de segurança definida em governo. O Major Hideo considera que apesar das dificuldades nenhum abatimento mais grave paira sobre a corporação e os policiais militares. Todos estão convictos de suas ações e do seu papel em defesa da sociedade, da ordem. Como o comando, todos tem clareza que a segurança demanda a participação ativa de outros tantos atores como a presença do Estado com serviços públicos, os meios de comunicação que deveriam assumir certos cuidados, mas, principalmente da educação de crianças e adolescentes, em casa, por parte das famílias. “A PM é incansável em sua missão constitucional. 24 horas por dia na rua, sempre tentando diminuir o crime. É assim que é e será”, finaliza o comandante.

 

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28 de maio de 2014 at 12:38

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Reunião revela estado de calamidade, mas segurança não estava presente para escutar

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Marcada pela ausência dos representantes da Segurança, reunião do Conseg revela um quadro temerário em certas regiões de São Mateus

A última reunião do Conseg São Mateus no dia 15 de abri foi marcada pela ausência de representantes da Policia Militar e da Polícia Civil, nenhum comandante nem delegado titular do 49º Distrito Policial compareceram para ouvir as graves queixas, mas, também pela presença de mais de meia centena de munícipes que compareceram para fazer e apoiar diversas denúncias. Além do presidente do Conseg, José Moreira compôs a mesa o subprefeito de São Mateus, Fernando Melo e o Inspetor Osmar da Guarda Civil Metropolitana baseada em São Mateus que representava o inspetor geral que não pode comparecer em razão de outros compromissos.

Como de praxe após aberta a palavra uma representante do conselho de saúde do Jardim da Conquista III, retomou as mesmas denúncias que foram objeto de nossa edição anterior (372) a respeito a crescente insegurança nas proximidades e nas unidades de saúde públicas da região. Em sua fala destacou as unidades do Jardim da Conquista que foi palco recente de inúmeras ocorrências criminosas e até alguns confrontos com a Polícia Militar e onde tem sido difícil convencer qualquer médico ou profissional do mesmo porte a trabalhar nos locais. “Os médicos tem sido roubados, agredidos e vítimas de tentativas de sequestros. As agressões ocorrem quase todos os dias, a ponto de alguns desses profissionais se afastarem imediatamente”, diz.

A liderança explica que um abaixo assinado que estava sendo apresentado naquela ocasião, o que foi feito a seguir só não reuniu ainda um maior número por causa das intimações promovidas pelos próprios “manos”. A liderança tentou até estabelecer sem muito sucesso um diálogo com estes para tentar demonstrar que a ausência de médicos e o mau funcionamento dos postos de saúde e do AMA podem ser prejudiciais a eles próprios e suas respectivas famílias. Sem sucesso. “Não temos outra saída a não se chamar a polícia, entretanto, tem ocorrências como as da realização dos bailes funks, que sequer eles consideram emergência”.

A indignação da comunidade; das pessoas que residem, trabalham ou se ocupam na região é crescente, na mesma proporção do nível cada vez mais insano dos problemas.

Segundo relato dos presentes uma base comunitária que existia na entra do Carraozinho era o suficiente para inibir o crescimento desses problemas. Pedem de forma quase desesperada que na impossibilidade de se aumentar o efetivo ou a presença física da polícia pelo bairro que se reinstale uma base comunitária. “Estamos quase em pânico e nas unidades, por vezes, ainda temos que receber gente de outros bairros que procuram atendimento. Ou seja, aumentam a procura nos postos e também as ocorrências de violência”. Uma hora alguns tiros que andam acertando carros e paredes vão acertar alguém, mesmo porque já pode ser visto nas ‘quebradas’ do lugar gente do crime armada até com metralhadora.

A partir da mesa o inspetor da GCM considerou que o efetivo ainda pequeno tenta acompanhar as demandas crescentes. Eles próprios têm sido solicitados até a acompanhar pacientes com maiores dificuldades e temor em alguns agendamentos nas unidades. Reconhecem a situação e contribuem como podem.

A liderança retoma comentando que quando da construção do Ceu São Mateus havia um espaço destinado para uma base comunitária de segurança originalmente. Foi desocupado e posteriormente para acomodar a segurança própria do equipamento. A volta de uma base ali poderia contribuir para diminuir a ocorrência de crimes no local. “Temo muitas biqueiras no Jardim da Conquista e há muitas reclamações com assaltos e violências contra trabalhadores. Mulheres são agredidas apenas para entregar bilhetes únicos que são usados no transporte. A missão do trabalho do Conselho Tutelar também agrava a situação. Existem muita droga e meninas adolescentes grávidas e até com filhas recém-nascidas no colo podem ser vistas convivendo com tudo isso”, completa.

Conseg reconhece a gravidade da situação

O presidente do Conseg exibe cartas e e-mails recebidos reclamando da falta de ronda escola, falta de policiamento. “Temos relatado essas reclamações e situações as instâncias superiores do Conseg, mas as respostas e as providências são raras”, diz. “Da nossa parte, também sofremos ameaças e temos nossas limitações no envolvimento com esses assuntos por conta dos riscos, mas, todos, compreendemos que precisamos mudar esse estado de coisas”, emenda.

Ausência das polícias na reunião é criticada

Pensei que chegaria a essa reunião aqui com essa comunidade, com os trabalhadores da saúde e da educação e que encontraria aqui com representantes da PM e da PC, mas, lamentável, nenhum deles aqui”, disse outra liderança que denuncia que não se trata apenas de falta de efetivo, mas da forma que ele esta distribuído pelas regiões da cidade. “Estou há quase 25 anos aqui e nunca vi uma situação tão grave e alarmante. Nunca havia visto alguém armado, agora no Jardim da Conquista vi um jovem andando com metralhadora a tiracolo”, se indigna. Desde a ocorrência dos confrontos recentes com a polícia militar não se vê mais polícia passando pelas ruas. “Os responsáveis pela Segurança, seus comandantes e o governo precisam conhecer a situação. De vez em quando a GCM, mas isso não basta”.

Houve quem se reconhece a beira de um ataque de nervos, tendo de conviver a contragosto com os ‘pancadões’ de rua que insistem em ser em volume ensurdecedor, fora de hora, com uso e abuso de bebidas, drogas e prostituição envolvendo desde crianças até famílias inteiras e onde o tráfico e os problemas correm soltos. “E não adianta chamar, mesmo que várias vezes ao dia, a polícia através do telefone 190″. Será uma gravação informando que aquilo não se trata de emergência. Que mais eles querem que aconteça? Que haja tiroteio, mortes e arrastões durante a festa? “Pois isso, às vezes, acontece”, dizem.

Outro morador, surpreendentemente jovem fez um organizado relato assumindo várias ligações, fotos e filmagens que fez de forma disfarçada para mostra o alto grau de perturbação que os ‘pancadões’ promovem. Fez mais; entregou fotos, filmagens a algumas estações de tevê que chegou a exibi-las e percorreu várias delegacias e companhias da PM, enfim onde alguém que pudesse ouvir e eventualmente tomar providências com relação às comprovadas denúncias. “Gostaria de ter a esperança que esse Conseg encaminha alguma coisa”, emendou mesmo lamentando a ausência dos representantes da segurança na reunião.

Entre as denúncias – o jovem revelou que em um dos locais de maior ocorrência dos ‘pancadões’ é, por ironia, um funcionário público _não disse onde ele estaria lotado, um dos promotores da zoeira. “Ele tem um bar no local e é ele que guarda e recolhe os equipamentos de som quando está chovendo ou quando encerra o tormento da vizinhança”.

Nesse instante houve quem se lembrou de comentar que o prefeito Fernando Haddad havia se pronunciado que reconhecia o funk como uma manifestação de cultura. “Já que ele acha isso, poderíamos pedir para que os pancadões fossem à frente da casa dele”, arrancando aplausos entusiasmados.

Escolas também sofrem com o abandona da segurança

Representantes das escolas locais e solidários as dificuldades do trabalhadores da saúde e da comunidade vitimada, também relataram parte de suas dificuldades e entre elas o enfrentamento quase que diário com crianças, jovens e adolescentes, às vezes alunos e às vezes, o que é mais grave, não estudantes com constrangimentos, ameaças, furtos, agressões e até roubos em plena luz do dia.

Em um dos casos relatados, uma professora que mesmo estando a pouco tempo da aposentadoria por tempo de serviço está afastada por problemas psicológicos oriundos de agressão. “Nossa colega está afastada há 120 dias e terá que repor parte desses dias às vésperas de se aposentar. Tudo isso por causa de agressões de bandidos locais”, expõe um dos educadores.

O educador reflete que vem crescendo certo clima de ignorância, beligerância, falta de gentilezas e disciplina nas escolas de uma forma geral. Se, antes os alunos guardavam certo respeito com os educadores, hoje os conflitos e confrontos são cada vez mais intensos e graves. Entre xingamentos e empurrões tem sido mais comum a presença da polícia requisitada para tentar atuar depois dos problemas acontecidos. “É preciso que o governo, as áreas de segurança, as famílias e as comunidades não comprometidas com o crime e as contravenções tomem posição e tentem mudar o quadro. A continuar dessa forma vai chegar o dia em que não haverá nem professores, nem escola e isso seria o fundo do poço”, comentam.

Encaminhamentos, nenhum; desejos, muitos

Ao final da reunião que ainda escutou o depoimento sobre até mesmo às dificuldades da imprensa televisiva de trabalhar o assunto localmente, tendo suas equipes sendo ameaçadas e uma delas até seu veículo de trabalho roubado, restou ao Conseg escrever mais uma ata e seguir o seu fluxo de informação.

Para a reportagem, entretanto, se fosse para resumir a ópera, diríamos que melhorar e intensificar a ronda escolar; aumentar o efetivo e a presença da polícia militar no trabalho preventivo; aumentar da produtividade da polícia investigativa para dar sequência às centenas de denúncias anônimas registradas, ou não, no sistema; fazer o conselho tutelar funcionar; ter a guarida das varas da infância; responsabilizar pais e responsáveis para que primeiro eduquem seus filhos e segundo respondam colateralmente pelos atos dos seus; instalar câmaras de segurança e seguranças públicas ou privadas nos equipamentos de saúde e escolas públicas poderia ajudar a minorar os problemas.

Vamos além. Vale educar os responsáveis; vale criticar e cobrar maior responsabilidade e contribuição educativa de televisões e dos programas de grande audiência; vale também melhorar as atuais leis recentemente aprovadas com respeito ao barulho dando poderes às polícias para atuar nos flagrantes sem necessidade de denunciantes.

Por fim uma dica gratuita desse jornalista. Pode se desenvolver um trabalho de infiltração e de inteligência. Colocando algum agente policial para que localize o endereço ou os carros com suas respectivas placas dos que fazem barulho, citando-os, por escrito, em outro dia em delegacia próxima para ser orientado ou autuado na forma da lei. Simples né? Não precisa se confrontar durante a bagunça, mas chamando às falas por intimação. Se gerar multas então, muita gente aprende. (JMN)

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28 de maio de 2014 at 12:28

Além da tristeza, sepultar alguém exige paciência

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No início de abril notícias davam conta que em São Paulo a remoção de um determinado corpo pelo serviço funerário do município para o Instituto Médico-Legal onde precisaria passar por uma necropsia demorou mais de 24 horas. Depois, tantas outras horas no Instituto Médico-Legal e velório. A coisa foi longe.

Tanta demora só não incomoda mesmo é o morto. De resto na cidade de São Paulo, os preparativos para o transporte do morto, a liberação do corpo, o início de velório e até o sepultamento quando se depende de serviços municipais e estaduais podem se transformar em muita canseira além de aumentar o drama da cena entre os parentes nessa situação.

Se morrer alguém, além dos eventuais problemas que a perda em si poderá acarretar, os procedimentos que se seguirão são difíceis. Se fica a tristeza entre os entes queridos, nessas ocasiões os encaminhamentos ficam dependendo dos carros funerários que levam os corpos para cemitérios ou antes, ainda, para os poucos locais onde é possível se fazer os serviços de verificação de óbito de responsabilidade do governo do estado. Essas viaturas quando tem muitos pedidos fazem malabarismos extras para se locomover pela cidade grande com o trânsito caótico de todo dia.

Quando é preciso então fazer verificação de óbito nos institutos médico-legal, duas unidades mais conhecidas aqui dos moradores da zona leste ficam nas Clínicas em Pinheiros e em Artur Alvim. A entrada e liberação do corpo de um morto para sepultamento de forma rápida pode demorar, no mínimo, 8 horas. A razão disso nem sempre é pelo excesso de cadáveres a ser investigado, mas também pelo quadro mínimo de profissionais qualificados e habilitados para os procedimentos que se utilizam de protocolos de saúde cada vez mais eficientes.

Quando a morte envolve situações que precisam ser investigadas a demora é previsível, entretanto muitas das queixas sobre a demora se referem aos casos de remoções por morte natural. O velório da mãe de uma estudante, uma senhora de 54 anos na zona norte de São Paulo só aconteceu dois dias depois de sua morte. Na mesma região em fevereiro deste ano o corpo de outra mulher, de 79 anos, ficou mais de um dia à espera de remoção em um hospital da zona norte, para onde foi levada após passar mal.

No primeiro caso, apesar da mãe ter morrido em casa aparentemente de causas naturais, o procedimento foi comunicar o ocorrido no Distrito Policial e solicitar a remoção do corpo. No dia seguinte, os familiares ainda estavam esperando o corpo ser transportado ao Serviço de Verificação de Óbito da Capital (SVOC), órgão estadual.

Foi um caso típico que revela a baixa eficiência do serviço que envolveu delegacia de polícia, do estado e serviço funerário, um órgão municipal. No caso específico o serviço funerário alegou ter sido avisado apenas após a segunda vez em que a família foi a delegacia. A Polícia Civil diz que avisou desde o começo. Eles não se entendem e quem paga é a família.

Outro caso que vale ser lembrado é o da professora Maria Sílvia Meireles, de 61 anos, que relatou a demora no atendimento da agência funerária do Araçá, vinculada à Prefeitura. Seu pai, o neurologista José Lamartine de Assis, de 99 anos, morreu no dia 19 de fevereiro e a família optou por esperar até o dia seguinte para contratar o funeral. Terminado o atendimento às 9h50, avisaram amigos e parentes que o velório começaria ao meio-dia. O corpo chegou às 14h30. “O velório começou sem o meu pai estar lá”, contou Maria Sílvia. Segundo ela, funcionários alegaram falta de carros no serviço.

O que a situação revela é que morrer, fazer velório e sepultamento na cidade de São Paulo pode exigir dos envolvidos um esforço extra além da tristeza. Aparentemente a situação deve permanecer assim, uma vez que funcionários do serviço funerário revelaram que apenas três carros com capacidade para um corpo atuam nas remoções, sendo que os veículos de maior capacidade vivem nas oficinas. Nessas condições nenhum espanto quando dois corpos ocupam a mesma gaveta, embora a prática seja proibida.

Já a direção do Serviço Funerário diz que a espera média é de 3 horas e que a frota disponível é composta por três “rabecões”, com capacidade para quatro corpos, e quatro saveiros, para um. Durante as reportagens do começo do ano havia a previsão da chegada de seis veículos, para três corpos cada. Cerca de 200 pessoas morrem por dia na capital, entre mortes por causas naturais e violentas. Para os demais serviços, como traslado para cemitério, são 60 carros.

Resumo do rosário: em caso de falecimento junto muita paciência a sua tristeza pois você vai precisar até que a situação deixe de ser tão desastrada. (JMN)

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28 de maio de 2014 at 12:21

Cartão Cristão do Brasil amplia atendimento na região

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Nascida da necessidade de viabilizar um atendimento a saúde que fosse mais ágil e de melhor qualidade que os serviços público, e mais acessível que os caros e dispendiosos planos de saúde a Associação Cristão do Brasil amplia seu atendimento na região com mais médicos e mais especialidades em sua unidade da Avenida Sapopemba.

Segundo um de seus diretores, Paulo Monteiro que atendeu a reportagem o serviço privado da associação surgiu basicamente da necessidade de oferecer esse serviço ancorado numa gestão e administração mais eficientes.

O parâmetro básico foi oferecer os serviços, disponibilizando, principalmente, profissionais médicos com base em uma remuneração ajustados a tabela de preços sugeridos pela Associação Médica do Brasil, no caso, a AMB 92. Ou seja, os profissionais prestam seus atendimentos e são remunerados por períodos de acordo com esse parâmetro mais geral.

O usuário, no caso, o associado, paga uma mensalidade bastante acessível quando comparado aos valores de mercado cobrados por planos de saúdes que além de preços diferenciados exibem uma série enorme de restrições e condições para atendimento. Segundo Paulo, um dos motivos do encarecimento dos valores cobrados pelos planos diz respeito à busca de uma margem de lucro bem maior para gerenciar estruturas enormes e com graus maiores de inadimplência.

A diferença destes para a Associação Cristão do Brasil e empresas semelhantes é a busca de uma margem de lucro mais modesta que é resultante da alta adesão, da baixa inadimplência e dos valores não exorbitantes pagos aos profissionais.

No início da atuação da associação, conta Paulo, ela percebeu que seria possível montar clínicas próprias, hoje são cinco unidades na zona Leste. Para tanto teve o apoio de alguns médicos que aderiram à ideia. “Trabalhamos com uma lucratividade normal e menor que a dos convênios que trabalham com uma margem muito maior”, enfatiza. Cresceram exatamente por esse espaço que não havia sido ocupado.

O diretor da associação, entretanto fez questão de frisar que entendo o Sistema Único de Saúde SUS como o melhor sistema de atendimento à saúde do mundo que não funciona adequadamente por falta de gestão mais adequada. Na outra ponta está a saúde privada que é cara e custosa. “A diferença básica nossa é que remuneramos o profissional por período não por pessoa atendida. Este profissional tem seu tempo independente de quanto atende pago nos moldes combinados o que é bom para as partes. Para nós que já sabemos os custos, para o profissional que sabe quanto vai receber e não está premido por metas a serem cumpridas e para o paciente que tem atendimentos muito mais ágeis”, emenda.

A fórmula de fazer transferências de crédito diário aos médicos facilitou a contratação até mesmo de médicos que atuam ou clinicam na própria região. De fato outro facilitador.

Operando nessa brecha entre o serviço público difícil e o privado caro a Associação Cristão do Brasil cresce e se expande. Atualmente tem cinco unidades espalhadas na região entre a Vila Guarani, Vila Rica e em um centro desportivo municipal, no CDC Centauro em acordo com as entidades gestoras do equipamento. No CDC Centauro desenvolve um trabalho específico com pacientes com dificuldades motoras e outras. São cerca de 500 pessoas com necessidades especiais cadastradas sendo centenas de atendimentos diários. Para esta unidade até equipamentos de hidroterapia foram instalados. Vale lembrar que não existe na região outra clínica com equipamentos dessa natureza tão acessível.

Nas outras unidades da mesma forma são centenas de atendimentos diários distribuídos em um número grande de médicos clínicos e especialidades. Sem carências iniciais e sem limitação de usos. Exames mais corriqueiros são gratuitos e os de maior exigência e pouca disponibilidade a preços bem razoáveis. Não se tem registro de associados deixando de fazer exames por causa de custos exagerados.

Demanda crescente exigia ampliar a unidade

Na unidade da Avenida Sapopemba o que eram cinco consultórios se transformaram com a ampliação em nove consultórios que foram erguidos em um terreno alugado ao lado com opção de compra. O terreno ofereceu o espaço necessário para crescer. Além de consultórios médicos, um de odontologia funciona agora no local.

Parte da unidade onde antes estavam os consultórios será utilizada para áreas de diagnósticos com exames de imagem, ultrassom, Raios-X, mamografia e outros. “Estamos recebendo os equipamentos necessários”, indica o diretor.

De imediato o espaço disponibiliza atendimento em algumas especialidades, mas como essas alterações são dinâmicas a reportagem não conseguiria garantir quais. Demandas de ortopedia, pediatria, neurologista, psiquiatria e até geriatria serão atendidas no local, garante o diretor. “Vamos tentar atender as 26 especialidades muito rapidamente para toda a região”. 

A Associação Cristão do Brasil é dirigida por Paulo Monteiro, Tatiane dos Santos Monteiro e Helenice Aparecida da Costa. Presente durante a reportagem a gerente da unidade Priscila de Araújo.

Serviço: A Associação Cristã do Brasil é uma empresa que presta assistência médica aos seus associados que pagam uma mensalidade de R$ 60,00 sem carência e restrições de idade ou condição para se associar e usufruir dos serviços prestados. Consultas imediatas e sem limitação. Maiores informações Avenida Sapopemba, 1676 ou pelo telefone: 3426-3779.

 

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7 de maio de 2014 at 15:57

MP entre Feghali X Sheherazade

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A líder do PCdoB na Câmara, Jandira Feghali (RJ), pediu à Polícia Federal que investigue os responsáveis pelas diversas ameaças de morte e estupro que ela e a deputada Manuela D’Avila (PCdoB-RS) receberam nos últimos dias por e-mail e redes sociais. “Merece ser estuprada” e “vai levar um tiro na cabeça” eram exemplos de mensagens recebidas por causa de posições políticas recentes.

A Jandira por ter sido autora de representação à Procuradoria-Geral da República onde pede abertura de inquérito conta a jornalista Rachel Sheherazade e o SBT, onde trabalha, por causa dos comentários sobre a ação dos justiceiros no Rio de Janeiro. Também pediu a suspensão da verba publicitária que o governo federal envia à emissora.

Já a deputada do Rio Grande do Sul, Manuela denunciou à PGR ter recebido, pelo Twitter, ameaças de violência sexual logo após aderir à campanha “Nenhuma mulher merece ser estuprada”, que começou logo após a divulgação dos dados do Ipea sobre o assunto.

Não se justifica, mas, pelo menos, se explica em parte as reações contra a deputada carioca, o fato de que muita gente concorda com a opinião da Rachel que, em 4 de fevereiro, disse que era “compreensível” a ação de um grupo de pessoas que acorrentou nu com uma trava de bicicleta a um poste um adolescente acusado de furto no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Só foi solto pela intervenção de uma moradora local.

Explicando em horário nobre, Rachel lembrava o clima de insegurança nas ruas e a ausência de Estado para a ação dos ‘justiceiros’. Na ocasião não se fez de rogada e criticou a atuação de militantes dos direitos humanos. “Faça um favor ao Brasil. Leve um bandido para casa”, debochou.

Agora argumentos a favor de entender as ameaças a deputada Manuela D’Avila que aderiu a uma campanha mais que justificada, não se consegue encontrar nenhum. Se alguém acha que ela deva ser estuprada por não concordar com os estupros é visivelmente um criminoso.

Pois é; num regime democrático e em um suposto estado de direito cada qual deveria ter direito a opinião pública dentro dos limites prescritos nas leis sem medo de retaliações. Pode-se acordar, discordar do que quer que seja sem que para isso se tenha que ser vitimado por censura ou retaliação o que parece ser o primeiro caso. Não dá para não desconfiar que, eventualmente, a deputada Jandira tenha usado de uma mão pesada em retaliação à jornalista e a emissora para a qual trabalha. Mesmo observando que parte do intento da deputada foi conseguida, como o afastamento temporário da âncora do jornal da telinha, o pedido de suspensão de verba publicitária tem a cara de bloqueio econômico. Isso parece constrangimento; quase uma chantagem.

A coisa beirou ao insólito: “Não concordo contigo, portanto te tiro o direito de dizer”. Pelo menos é isso que superficialmente esta parecendo a nós leigos e cidadãos comuns.

Não dominando a finura e as nuances da lei, me parece que Sheherazade tem direito de dizer o que pensa desde que evite incentivo ao crime o que é possível ter ocorrido naquela ocasião. Mesmo assim, isso não dá amparo algum para as ameaças que a deputada denunciante está recebendo. Essas ameaças são crimes e como tal devem ser tratadas.

Os deputados entendem que estão sendo vítimas de pessoas que ainda não aprenderam a enfrentar os debates de idéias. Vale lembrar que a Constituição garante a liberdade de expressão, mas proíbe o anonimato.

Ação orquestrada – Observando o teor das reclamações contra as deputadas, surge indicações de que os comentários contrários a iniciativa de denunciar a emissora e Sheherazade não tem nada de espontâneo. Nem parece ser de pessoas, como considerei acima, que apenas concordam com a apresentadora. É visível que se trata de uma ação orquestrada na internet contra defensores dos direitos humanos. Existem muitos fakes (perfil falso) que escrevem textos iguais e com agressões muito parecidas. As primeiras investigações têm comprovado que as reações contra as deputadas não tem nada de espontâneo.

Suspensão de verba, pressão política e o MP

Tendo que responder ao pedido protocolado pela deputada, o governo estuda suspender a verba publicitária ao SBT que só em 2012 foi de R$ 153 milhões. De efeito praticamente imediato a jornalista Rachel Sheherazade deixou de apresentar o telejorna. Ela diz que está de férias e que deverá voltar a trabalhar em breve. Diz ainda que “O PCdoB e o Psol entraram com representações contra meu direito de opinião e tentam cercear minha liberdade de expressão chantageando a emissora onde trabalho”.

Da parte do procurador-geral da República de onde se espera bom senso e justiça ele ainda está estudando o caso e pretende tomar todo cuidado para não incorrer em censura, mas também lembra que é necessário deixar claro que incitação à violência é crime e, como tal, não se insere na liberdade de imprensa. Como se vê cabe ao MP resolver a pendenga. (JMN)

 

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4 de maio de 2014 at 21:31

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Quem tem medo de CPI é quem deve?

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Fica a dúvida se quem tem medo de comissões parlamentares de inquérito é quem tem culpa ou apenas não se quer correr o risco de ser vitimado por manobras politiqueiras e interesseiras.

Tendo a crer que as duas coisas. Quem tem culpa por razões óbvias; quem não tem por mostras recentes de que nem sempre as investigações e julgamentos são procedimentos perfeitos e acima de qualquer suspeita e interesse. A tal do julgamento do suposto mensalão que o diga com as presepadas vindo à tona.

O congresso agora em março tentava implantar e o governo impedir a CPI da Petrobras. No Senado o pedido já até foi protocolado. Por parte do governo, parlamentares como o deputado Vicentinho (SP) e a senadora Gleise Hoffman (PR), após reunião no Palácio do Planalto saíram com a missão de jogar areia na engrenagem informando que incluirão ao requerimento da CPI a investigação sobre o suposto cartel de trens em São Paulo, a Cemig de Minas e o Porto de Saupe em Pernambuco.

Aparentemente o contra ataque visa atingir o PSDB que está muito afim da CPI da Petrobras e por tabela os presidenciáveis Eduardo Campos e Aécio Neves.

Dessa forma o que se pode ver é que o que menos importa ai é a busca de esclarecimentos. Seja lá se o episódio da compra da refinaria de Pasadena fora feita às pressas e sem estudos aprofundados e se, de fato, foram feitos estragos e muita corrupção no episódio dos trens em São Paulo que envolve sucessivos governos do PSDB.

As movimentações  cheiram a uma briga de rua onde nenhuma das partes tem razão e que um crime posterior deixa de ser crime porque foi cometido pela outra parte em outro momento.

Enquanto isso: Tome, cidadão e eleitor! Durma-se com esses barulhos.

E se havia alguma dúvida se a lógica da porrada de rua é a que vale; que se preste a atenção a resposta do deputado Vicentinho quando indagado o que deveria ser investigado em Suape. A resposta foi “Eu ainda não sei”. Onde ele aprendeu isso, visto que é formado em direito, o expediente de abrir uma investigação, antes de saber de que se crime trata? Isso é retaliação; contra atacar a quem o esta atacando, pode valer com restrição em guerras, não no sistema democrático.

A proposta de agregar assuntos dispares, com outros temas ao requerimento da CPI da Petrobras obviamente visa atrapalhar e protelar a aprovação final de sua instalação. O que assuntos diferentes tem em comum? Nada. Trata-se, apenas de um tiroteio político da pior qualidade do tipo: você investiga meus supostos crimes que eu investigo o seu.

Ao final da novela nenhuma das partes querem e desejam ser investigadas, principalmente quando enormes sinais de fumaça indicam que a fogo de ambos os lados.

Enquanto isso: Tome, cidadão e eleitor! Durma-se com esses barulhos.Embora o barulho com o qual queremos dormir seja o de gemidos e choro de todos os envolvidos em falcatruas e malfeitos venham de que lado vierem.

Estamos mesmo é querendo ver a roupa suja sendo lavada de forma decente e honesta sem malabarismos, portanto, se faz sentido as investigações sobre a refinaria de Pasadena, também o fazem a dos trens em São Paulo, da Cemig e a tal do Porto de Saupe que são supostamente do interesse do governo federal.

Oras se for para valer e não apenas ameaça para que tudo vire pizza, que o governo federal arme com sua base de apoio a instalação dessas CPIs de forma independente.

Mas, espere, não será tão simples. É  tempo de formar base de apoio eleitoral. Quem pode garantir que o Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, ainda não feche apoio com a candidatura do PT? Com essa possibilidade, ainda que remota, teriam os petistas coragem de tocar no assunto de uma investigação sobre o porto de Saupe? É claro que não.

Resultado: com possíveis aliados não se estremecem as relações e isso vale também para o outro lado, o da oposição.

O mais provável final dessa novela do tipo vale a pena ver de novo é que nada sairá dessas escaramuças. Seria bom vermos o roto falando do rasgado. Desde que fosse efetivamente para punir responsáveis e repor os recursos desviados que o comece o show. (JMN)

Written by Página Leste

4 de maio de 2014 at 21:29

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