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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento

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Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento para a Gazeta São Mateus

O deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP) que este ano concorre a uma vaga na Câmara em Brasília e que também é geólogo por formação, atribuiu principalmente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp, a responsabilidade sobre a desastrada situação do saneamento básico no estado.

Para ele a criação de empresas estaduais, como é o caso da Sabesp, durante o regime militar tirou da responsabilidade dos municípios o fornecimento de água e, eventualmente, da coleta de esgotos. Segundo ele a Sabesp, em se tratando de uma empresa com interesses na bolsa de valores e com acionistas, entre os quais, o próprio governo, e todos ávidos pelo lucro já não tem como premissa principal a prestação de serviço e, sim, o retorno aos associados. Nem mesmo a parte dos lucros que cabe ao governo é utilizada para investimentos nos serviços de saneamento. Pode e, em geral, é usado para equilibrar as contas do Estado.

Essa situação explica parte dos problemas que vem comprometendo praticamente quase todos os córregos, pequenos rios e até mesmo as nascentes de água, algumas delas remanescentes em São Mateus, esclarece o deputado.

O fato de não haver investimentos nem iniciativa das companhias de saneamento em, por exemplo, prover os diversos córregos com encanamentos e troncos principais por onde pudesse transitar a matéria orgânica proveniente dos esgotos domésticos fazem com que atualmente esses mesmo córregos, em situação de estiagem, sejam uma espécie de apenas corredor de resíduos.

Se as companhias de saneamento, no caso da Sabesp, em São Paulo tivessem feito investimentos e cuidado para que todo os resíduos de esgotos fossem passíveis de serem encaminhados às estações de tratamento, nem o Aricanduva, nem o Rio Tietê, que corta toda a cidade, não estariam na situação em que se encontram.

Naturalmente que as responsabilidades não são apenas da empresa. Tem muito a ver com a falta de consciência dos ocupantes da cidade, principalmente os em moradias improvisadas e em localidades deficitárias do serviço e também por negligência da fiscalização do poder público que permite a instalação e fixação nesses locais.

Mal acomodadas, seguem crescentes as aglomerações urbanas em áreas de vegetação ainda nativa. Estas vão se impermeabilizando, com córregos sendo assoreados e com a vegetação completamente removida. Num sistema harmônico, sem vegetação, as nascentes secam e o resultado é que a água de qualidade que antes percorriam os córregos somem ficando no seu lugar uma esteira de esgoto com água muito suja.

O deputado que tem muito interesse na questão de saneamento compara a precariedade do atendimento feito no Brasil a iniciativas que já estão sendo adotadas em outros locais mais desenvolvidos. Foi mais longe e deu como exemplo partes muito adensadas e empobrecidas da Índia, onde a coleta de fezes e urinas sofrem por um processo de compactação que serve depois para ser usado como gerador de energia. Já se conhece e existe disponível outros tantos procedimentos que deveriam ser considerados.

O que não é mais tolerável, segundo o deputado, é o uso de água tratada e potável que deveria servir apenas para se beber, se alimentar e até banhar-se como condutor de descarga de privadas. O custo desse procedimento em tempos de escassez é potencializado.

Deputado faz conta e demonstra como que para o consumidor o produto é caro

O raciocínio básico demonstrado pelo deputado foi o fato de haver cobrança de água e esgoto onde, em muitos casos, o esgoto sequer ser recolhido e tratado como deveria. Apenas desviado para deteriorar o que ainda resta de córregos, rios pequenos e maiores da cidade. Adriano demonstrou também que comparando a quantidade necessária de água para o consumo humano com o que se paga e também com o que se recebe em termos de produto ou serviço o custo é alto e penaliza ainda mais os mais necessitados e os mais pobres.

Como uma roda do infortúnio uma coisa alimenta outra. Sem recursos adequados, sem esgoto, sem regularização das comunidades, notadamente nas periferias e na região metropolitana, uma coisa alimenta a outra e o saneamento básico que deveria ser essencial à vida humana com qualidade fica cada vez mais ausente.

O desmatamento, a impermeabilização e a procura por locais por moradia só agrava a situação

Se nascentes, córregos e rios saudáveis vão desaparecendo, se agrava a situação do saneamento como um todo. Para se fixar com moradia em ocupações ou loteamentos irregulares as pessoas precisam remover as vegetações nativas que se encontram nesses locais. Sem vegetação, os recursos hídricos também desaparecem. Some-se a isso a falta de infraestrutura adequada de fornecimento de água e serviço de esgoto. Está montado o quadro que para ser revertido levará uma eternidade e ainda tão somente se a sociedade, as empresas de saneamento e os governos tomarem a decisão e empenho em reverter esse estado de coisas. (JMN)

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17 de setembro de 2014 at 14:03

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Programa vago de Marina pode implicar em retração na indústria automobilística

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Numa coisa pelo menos a Dilma candidata está certa e diz respeito à apreensão que tem com relação ao comportamento da Marina Silva caso eleita terá com parte importante da indústria, a automobilística. Claro que do ponto de visto ecológico e ambiental manter em nível alto a produção, entrega e circulação de veículos só faz congestionar ruas e avenidas, o ar, o pulmão e complicar eventuais soluções de transporte público.

O problema é que há uma enorme pedra no meio do caminho. Como pode e deverá ser tratado o segmento que emprega mais de 130 mil pessoas e, por tabela mais 330 mil no setor de autopeças e 26 mil no setor de pneus que estendidos em toda sua rede poderá alcançar fácil alguns milhões de empregos.

A candidata Dilma fez essa reflexão no início de setembro quando criticava o conteúdo do programa de Marina Silva para a indústria brasileira. Marina estava então aparecendo em primeiro lugar num eventual segundo turno.

Se alguma coisa é digna de se atentar por qualquer dirigente que seja é a questão do que se considera de média para alta carga tributária brasileira que durante o governo em curso como o anterior, do Lula, concedeu desoneração a este ou àqueles setores e a indústria automobilística foi uma das mais contempladas. Claro que não se trata de um assunto com equacionamento e respostas simples, mas uma carga média menor mais baixa que atinja todos os setores poderia ajudar a evitar que se escolhesse esse ou aquele segmento para conceder um substancioso prêmio.

Por outro lado a exemplo de todos os países é obrigação rotineira criar-se mecanismos que dão incentivos as suas respectivas indústrias. Deixar de fazê-lo na atual conjuntura de disputa internacional por recursos e melhor desempenho no comércio é pedir para continuar subalterno. Mais que isso, da forma que está à economia brasileira uma politica industrial apurada e zelosa é necessária porque é o setor que ainda gera os melhores empregos e os mais bem remunerados além de manter um constante desenvolvimento da tecnologia. Sempre serão de extrema gravidade o encolhimento e a eventual perda de competitividade da indústria que se traduzirá em queda na participação do PIB. Se alguma dúvida há sobre essa exigência atual basta observar o que ocorre na China.

É nesse aspecto que Dilma, corretamente detecta coisas incongruentes nos planos de Marina Silva. Em um deles; Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida, há uma severa critica a redução de IPI para a compra de carros. Não compra carros, na atual conjuntura é comprometer parte daqueles milhares de empregos. Em outro ponto do programa da Marina há uma critica mais incisiva sobre a política de proteção a determinados setores da indústria com ênfase na produção nacional. Tem a crítica, mas não tem a alternativa que pode implicar em ‘desproteger’ a produção nacional, no caso. Temerário.

Será que a Marina Silva quer mesmo ser eleita para em busca de outras saídas reduzirem a importância desse setor na indústria? Correr-se-á, então o risco de diminuir essa participação e além de desempregar deixar de acompanhar e se apropriar do desenvolvimento tecnológico que esse setor engendra? Não seria mais prudente a Marina, caso eleita, operar na direção de buscar baixar a média da carga tributária ao invés de privilegiar às avessas o setor sem uma alternativa consistente para colocar no lugar?

Até podemos entender as preocupações da Marina com relação à preservação planetária, as melhoras das condições ambientais de vidas, entretanto é preciso operar nessa direção com cuidado e método. O novo governo eleito que buscar agir nessa direção precisará se preparar para oferecer condições para um funcionamento adequado e eficiente do transporte público e melhora da mobilidade. Deverá também criar políticas públicas que criem alternativas para migração de trabalhadores caso a indústria automobilística e seus agregados tenham uma retração substancial.

Entendo aqui, entretanto, que dois caminhos são possíveis: baixar a média da carga tributária para privilegiar menos alguns setores e não abortar o desenvolvimento da indústria automobilística sobre risco de estancamento. Como alternativa pode se melhorar as demais condições que Marina acha importante simplesmente recolhendo das ruas e dos estacionamentos carros muito velhos com base em lógica reversa onde os fabricantes, a indústria automobilística e agregada na linha da logística assumam receber de volta para reciclar ou reaproveitar o que possa ser possível, uma das formas que o meio ambiente agradece. (JMN)

Written by Página Leste

17 de setembro de 2014 at 13:50

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Plano de Metas para saúde pública sinaliza melhoras

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Se depender apenas do Plano de Metas do município para os próximos anos que, em resumo, se trata de uma declaração de intenções de realizações da atual administração, o atendimento público da saúde na cidade e, particularmente em São Mateus, vai melhorar mesmo com poucas ou quase nada em termos de novas unidades na imensidão do território, foi o que afirmou a supervisora da área técnica de Saúde de São Mateus, Márcia de Oliveira Novaes em conversa, no dia 22, com Lucy Mendonça da Gazeta.

O eixo básico do plano é o resgate e a valorização dos esforços do cumprimento da Lei 8080, ou seja, do Sistema Único de Saúde (SUS) e, para tanto, a intenção é aperfeiçoar o atendimento nas unidades que deverão agir então de forma integrada, não estanque nem compartimentada nem sobrepondo às mesmas tarefas e ações em equipamentos conjugados, como nos casos em que estão próximas uma AMA e uma UBS.

Márcia explica que a demanda na AMA é sempre maior em função do entendimento da população de que lá será atendida por um clínico e eventualmente medicada para aquela necessidade do dia, entretanto, grande parte do desconforto e dos eventuais mal estar ou doenças das pessoas seriam mais bem atendidas se fossem de forma programada, com interface e interação com outras áreas do atendimento, de forma contínua, preventiva e mais ampla que o atendimento mais emergencial da AMA. É basicamente essa intenção. A retomada da valorização do atendimento multidisciplinar.

O fato é que em muitos casos a interação da assistência social, do convívio social, de eventuais terapêuticas alternativas, de aconselhamento psicológico juntas dá resposta às doenças ou minimamente enfrentam e ajudam a lidar com a doença de forma mais apropriada e com melhores resultados.

 UBS Laranjeiras será a primeira a ter mudanças

Segundo a supervisora, na região, a UBS Laranjeiras será a primeira entre as unidades a alterar seu funcionamento e as alterações serão custeadas com recursos da própria prefeitura. Ali acontecerão remanejamentos com adoção de salas multiuso, composição de equipes multidisciplinar e novos modos de trabalho, preferencialmente com a mesma equipe que lá funciona e eventual chegada de outros profissionais. Unidades no Jardim Limoeiro, Jardim Palanque, Parque das Flores, esta última, para a qual, vai depender de desdobramentos na questão fundiária que está sendo tratada na Secretaria da Habitação e, finalmente, no Jardim Valquíria, passarão por transformações. Se não nas estruturas dos prédios, nos procedimentos e na ampliação dos serviços e atendimentos, garante a supervisora.

Os valores que essas mudanças envolverão já estão previstas nos orçamentos. Em alguns casos, de ampliações pontuais e a adoção de nova modalidade de relação entre as organizações sociais gestoras de alguns serviços e unidades serão objetos de concorrências e licitações.

Haverá mudança também na relação com as organizações sociais aponta o plano de metas. O atual sistema baseado em contratos de gestão e convênios serão todos transformados em contrato de gestão o que, a depender do resultado da concorrência, poderá mudar os parceiros da prefeitura no atendimento público à saúde.

Mantendo o destaque para o a integralidade do atendimento, o certo é que haverá ampliação do número de trabalhadores no setor; seja diretamente ou via organização social. Esse esforço estará voltado para essa multidisciplinidade e a adoção de atendimentos paralelos e alternativos nas unidades.

Parte dessas ações de apoio ao bem estar do paciente ou da população e que envolvem desde acupuntura, recreação, ginásticas rítmicas, convivência social, palestras e outros fazem parte da proposta do atendimento integral e já não há mais dúvida de que elas funcionam e são uteis.

 Planos e são planos e contemplam melhorar o atendimento a demanda mental

Segundo a assessora técnica da Supervisão de Saúde, Vera Lúcia Mariano, também presente na entrevista, o Plano de Metas contempla a criação da Rede de Atendimento Psicossocial – RAPS para descentralizar e apoiar o funcionamento dos CAPS que atualmente recebe grande parte da demanda por atendimento em saúde mental. A ideia é a Rede promover o trabalho de mais longo prazo, preventivo e terapêutico diminuindo a procura pelo CAPS que atende, também, o usuário em situação de crise.

Também para esse segmento com demanda expressiva em São Mateus a abordagem será multidisciplinar, para além da abordagem psiquiátrica. Terapias alternativas, convivências, preparos familiar serão parte das ferramentas a serem utilizadas previstas no Plano de Metas.

Nessas novas modalidades de abordagem previstas o atendimento à saúde sai da responsabilidade única do médico e se pretende olhar para a pessoa para além de sua doença. As AMAS continuaram em suas praticas de atendimento, as unidades básicas também, entretanto, nestas últimas, se prevê o atendimento mais integral utilizando-se tanto quanto possível e cabível de todas as praticas alternativas, algumas já em curso em algumas unidades, mas usufruídas apenas pelos usuários interessados e mais próximos dessas respectivas unidades. O acesso a essas alternativas de convivências e práticas que ajudam a manter a saúde é aberto aos interessados, mas tem sido pouco acessado por causa de uma deficiência na divulgação, o que se pretende, também, corrigir.

Como a conversa eram com técnicos e dirigentes da saúde, siglas e propostas foram ouvidas pela reportagem. Entre elas, a criação ou melhora do que chamaram de Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF com o objetivo de promover essa tal de saúde integral e ainda educar as pessoas a se cuidarem ou cuidarem de seus parentes próximos em situação de doença. Educação em saúde, atividades físicas, eventuais passeios, assistência farmacêutica para os pacientes que usam um número elevado de remédios diariamente serão ações indiretas que vão contribuir para a prevenção e as melhorias correlatas da saúde.

Pequenas equipes, mas com olhar ampliado

O certo é que nas unidades básicas de saúde o atendimento passará a ser de responsabilidade de pelo menos três áreas: o médico clínico, uma enfermeira e assistência social. Com isso já se poderá ter um olhar mais ampliado sobre o paciente e a situação que ele apresenta. Será a partir dessa impressão que os encaminhamentos serão adotados de forma ambulatorial e de indicação para as atividades e terapêuticas disponíveis e adequadas àquele caso.

Supervisão discute com funcionalismo e com os conselhos o novo rumo

As novidades previstas no Plano de Metas, entretanto, estão sendo muito discutidas e dialogadas com os envolvidos, exceto a população usuária. Segundo Márcia de Oliveira já foram realizados encontros com gestores e com os conselhos de saúde das unidades o novo direcionamento previsto, entre eles corrigir uma distorção que foi criada ao longo do tempo que implica em uma procura grande das AMAs por demandas que poderiam ser plenamente e melhor cuidadas nas unidades básicas de saúde. Essa inversão, revela a supervisora, fez com que aportes de recursos materiais e humanos fossem direcionados às AMAs em detrimento das UBS. Corrigir essa distorção está nos planos.

Mudança nas OS e convênios criam expectativas

A alusão ao chamamento público previsto para rearranjar a participação das Organizações Sociais na gestão dos equipamentos nas novas modalidades que estão previstas para ocorrer durante este ano e o ano seguinte, também tem gerado certa expectativa e apreensão entre os servidores atuais. Quem fica; quem sai; o que muda são perguntas ainda sem respostas apropriadas e difíceis de prever. Apesar do desejo da atual supervisão, e por extensão, eventualmente, até da própria prefeitura em manter os servidores que já conhecem e trabalham nas unidades, não existe nenhuma garantia prevista nos editais para as modalidades que serão licitadas. Se o setor de saúde pública tem suas necessidades, os que procuraram se adequar a elas, as organizações sociais, terão suas necessidades também e, entre elas, poderão estar mudanças ou corte de pessoal.

Entre outras iniciativas não reportadas Idosos e deficientes

Para um futuro mais elástico, tanto a assistente técnica quanto a supervisora apontaram para a criação ou adequação de quatro unidades básicas integrais que comportarão um centro de especialidades de reabilitação em nível quatro, como chamam, que poderá atender pessoas com deficiência intelectual, de audição, de visão e mesmo física.

Ainda, em 2016, o atendimento específico ao idoso através de unidades de referência em saúde do idoso, chamado URSI em terreno próximo a UBS Mateus I e ao CDC, localizado centralmente em São Mateus voltado a reabilitação e atenção básica ao segmento sempre crescente. A construção está prevista para 2015 e o funcionamento para iniciar em 2016.

Como se vê, o Plano de Metas propõe mudanças. Parte delas vai em direção ao resgate pleno do Sistema Único de Saúde e acertadamente lida com a demanda em saúde para além da clínica médica e medicalização. A questão está colocada. Planos existem, mas a prática ainda precisa ser adotada e experimentada. (JMN)

 

Written by Página Leste

25 de agosto de 2014 at 19:01

No voto se afaste dos picaretas

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Preste muita atenção no que você vai fazer com seu voto. Eu sei que é melhor um feriado em casa descansando ou passeando ou até fazendo os pequenos reparos que a gente sempre adia do que ir lá, na escola, dar o seu voto. São poucas as pessoas que vão às urnas com a responsabilidade cívica de fazer a melhor escolha para a comunidade. Deveria ser a maioria. Pena que ainda não.

Com o pouco tempo de exposição e de campanha, num clima até agora primeira quinzena de agosto morno até parece que não haverá eleições este ano. Só deve esquentar com as propagandas _todas muito parecidas e cheias de promessas na TV. Desconfio que esse clima seja até bom para os candidatos malandros e enroladores.

Não custa lembrar que se tem uma coisa que decepciona mais que a maioria dos políticos e dos governos, com raras exceções é o salário no final do mês de muita gente. Na maioria dos casos temos os políticos que só querem se dar bem; temos os que têm rabo preso na defesa dos interesses de segmentos da sociedade; temos aqueles que querem fazer alguma coisa, mas de tão confusos dão mesmo é muito vexame e temos aqueles _e é nesse extrato que escolho os meus que tem competência e interesse público. Uma minoria mesmo.

Para só lembrar a desfaçatez de que os parlamentares são capazes, o exemplo do ex-governador e deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) serve. Essa figura que já foi governador gastou R$ 392 mil da cota reservada aos parlamentares para divulgação do que fez _ele não ia escrever o que não fez, com gráfica de fachada. Essa verba é feita através de reembolso aos deputados e senadores mediante apresentação de notas fiscais e é livre de licitações.

A gráfica que apresentou o comprovante não tem impressora, papel e funcionário. Como imprimiu fica a pergunta. O endereço citado é a residência do dono da “não impressora, papel e funcionário”.  Apertado pela suspeita se saiu com a desculpa que terceiriza o serviço. “Me engana que eu gosto”. Só que não. Se essa transação não encareceu o serviço dou meu dedo para ser cortado. E essa transação gerou grana para quem? Duvido que o tal deputado deixasse de ganhar algum. O tal deputado contratou a mesma firma 25 vezes pagando entre R$ 5 mil e R$ 30 mil mediante nota fiscal. Os preços praticados e os produtos adquiridos são sinais claros de desperdício.

E quem paga a conta, caro leitores? Somos nós mesmos.

E o tal deputado, com 72 anos já deveria se dar ao respeito. Como ex-senador e ex-governador é figura carimbada com três mandatos na Câmara. Imagino o que ele deve ter aprontado no primeiro governo Lula, quando presidiu o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e isso é muito importante para nós, meros trabalhadores, administrando um caixa de mais de R$ 120 bilhões.

Mas ele não é um caso a parte entre os eleitos, não. É uma mostra da categoria. No Supremo Tribunal Federal (STF) o peemedebista é réu em ação penal por peculato e violação da Lei de Licitações. É acusado pelo Ministério Público de ter montado um esquema que desviou, em benefício próprio e de terceiros, mais de R$ 100 milhões do INSS, em 2004. Como o eleitor ainda é capaz de votar numa figura dessas que, insisto é mais comum do que imaginamos eu não entendo e nem aceito.

Dai o alerta. Votar pode ser para você apenas uma chateação obrigatória, mas desse ato, com o qual você também deveria ter a maior responsabilidade pode sair mais de um sacana da mesma espécie fazendo tantas outras maracutaias. É olha que o infeliz que usamos de exemplo aprontou com a sua, a minha e a nossa capitalização na seguridade social. Bem infeliz não e ele não, somos nós. (JMN)

Written by Página Leste

25 de agosto de 2014 at 18:41

Publicado em Notícias e política

Pedem mudanças, mas não dizem o que mudar

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Estamos quase às vésperas de um ‘já deu!’. Por quantas vezes acompanhei as campanhas eleitorais, principalmente as peças publicitárias levadas ao ar via televisão onde os candidatos, devidamente penteados e asseados, vão nos tentando explicar as razões do porque querem o nosso e o meu voto.

De dois em dois anos, e para a corrente, com eleições gerais, que vai fixar ou alojar novo presidente ou presidenta do Brasil eles se chegam; marotos, bem orientados, cheios de ginga e com o discurso mais recorrente que é preciso fazer mudanças. Essa palavra chave que nos convida a prestar atenção, por vezes nos coloca ansiosos ou receosos, uma vez que, quase sempre, partimos e concordamos com o ponto de que as coisas não estão boas e precisam mudar.

Para este ano a lógica se mantém. Vamos mudar tudo, para que tudo fique exatamente como está. De concreto mesmo nem Dilma, nem Aécio, nem Marina, a missionária guindada à condição de candidata, por conta de uma fatalidade que vitimou o então candidato Eduardo Campos, pelo PSB, jogam o jogo da mudança de verdade.

Se para os oposicionistas que agora são Marina e Aécio, entre os de maior visibilidade, medidas diferentes são necessárias para o próximo governo a ser eleito, fica no colo da Dilma fazer malabarismos para provar que o certo é haver uma continuidade com transformação, seja lá o que isso concretamente queira dizer.

Em programa de TV, Dilma teria dito que “O Brasil, blá, bla, blá não interrompeu o grande ciclo de mudanças que vinha fazendo desde o primeiro governo Lula”. Se não interrompeu, pela lógica, não mudou. Portanto, continuou. Onde fica então a proposta de mudança? Seria então, um novo ciclo de desenvolvimento, sendo que o Brasil, no contexto da economia mundial também sofre efeitos de uma crise que vem se instalando pelas bordas?

O Brasil, eventualmente, e em muitos aspectos, está melhor do que antes. Há que se reconhecer que parte dessas melhorias se revelou no período em que o PT assumiu o governo federal, mas não há, também, como não apontar que nem tudo é céu de brigadeiro e o déficit nas contas aponta para problemas muito sérios e concretos.

O que vai significar então essa proposta de mudança? E se precisa mudar, existe o reconhecimento de que alguma coisa está fora da ordem e errada na gestão desse último ciclo. E está errada para o atual governo federal, embora, justiça seja feita, o modelo deste é o mesmo em termos de situação, desculpas e propostas dos governos anteriores. Resumo: se precisa mudar, devo deduzir que é para melhor, então quais são os problemas e os erros? Essas respostas, de forma sincera e verdadeira, não serão divulgadas nas campanhas e se o forem serão sem ostentação.

Por outro lado, o até então candidato mais próximo de disputar com a Dilma, Aécio Neves (PSDB) continua criticando a gestão da Dilma, mas, curiosamente, não esculacha as escolhas petistas, principalmente na economia que vem desde o primeiro mandato de Lula no governo federal que, por sua vez, criticou, mas não esculachou e adotou praticamente o mesmo encaminhamento na economia do seu antecessor, o ex-presidente Ferando Henrique Cardoso.

Em resumo do que pode ser visto até agora, Aécio repete o chavão de que é preciso gastar menos com o governo e mais com as pessoas. Desde quando isso é uma mudança ou uma nova proposta? Acho que esse discurso vem desde o tempo em que os aparelhos de televisão eram bundudas, digamos assim.

Parece um sabonete inofensivo. Tem cheiro bom, mas não funciona. Uma mensagem muito fácil de ser divulgada, que não encontra objeções e de fácil entendimento. Diz, o candidato, que dá para melhorar os benefícios à população com a redução do custo da máquina federal, mas o que isso efetivamente muda? Perfumaria, mesmo porque não é para valer. No caso de Aécio ou Marina quantas acomodações em cargos e participação no governo serão necessárias? Que não se abuse da nossa suposta ingenuidade.

Além do que é necessário restabelecer a verdade dos fatos. O aumento nas despesas dos últimos anos está efetivamente ligado à área social, ou seja, nos gastos com as pessoas. Gastos com os programas universais de transferência de renda às famílias carentes, não incluindo aqui, a tão falada Bolsa Família, saltaram de 6,7% do Produto Interno Bruto, em 2002, para o equivalente a 9% do PIB em 2013. Já os tais gastos com o governo, como acusa o candidato Aécio Neves não tiveram acréscimos significativos. Só para fazer as contas, candidato, os encargos com o pessoal ativo e inativo, por exemplo, tiveram uma redução de 4,8% para 4,2% do PIB.

Portanto, caro Aécio, Marina e outros. Promessas de mudanças que não mudam; propostas de inverter a condução da política econômica para a mesma direção é o mesmo que andar atrás do rabo.

Em se tratando de propostas de mudança mesmo, elas poderão ou não ser encontradas no campo lá da ainda modesta, quase inexpressiva esquerda; algumas bastante respeitáveis que participam da disputa. (JMN)

Written by Página Leste

25 de agosto de 2014 at 18:35

Prefeitura que conhecer os problemas; venha que mostramos

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A decisão do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) de criar o Gabinete de Gestão das Subprefeituras, da qual será titular a vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB) para dar um novo e supostamente melhor fluxo para as demandas dos bairros que compõe a cidade será bem vinda, se funcionar. O gabinete que, espero, não agregue apenas mais despesas ao erário público deverá estreitar a ligação entre esse gabinete e a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras no sentido de tramitar as demandas que, reconheçamos, tem ficado muito aquém.

A decisão foi revelada durante uma visita ao Jardim São Luís, na região do M’Boi Mirim, zona sul da capital no dia 5. O gabinete deverá ser criado por meio de decreto até o final deste ano. Disse o prefeito, que vai melhorar as informações que ele só acaba conhecendo quando visita os bairros. Espero que não seja exatamente isso que ele diz, pois para que servirão então os subordinados e os subprefeitos senão para, também, informar o prefeito.

Claro que em diversas ocasiões já ouvi queixas de servidores e de cargos mais elevados na prefeitura revelando que nunca é tão simples se chegar ao prefeito com tempo para que ele os escute. Isso nesta e nas outras administrações.

O certo é que com a mudança, as lideranças de bairro vão ter que bater agora em outra porta diminuindo a quantidade de demandas que chegava com dificuldades a coordenação anterior. A iniciativa ainda é bem vinda se isso não significar, agora, passar o apagador na lousa onde estão anotadas todas as demandas que existem e que foram encaminhadas à prefeitura.

Ou seja, que não seja uma forma de ganhar tempo com os agentes públicos alegando coisas do tipo “Agora isso [a demanda] tem que se encaminhar ao gabinete”, fazendo com que dias, meses e até anos de lutas, de reuniões e mobilização das comunidades, das vilas e bairros voltem à estaca zero. Se isso ocorrer será como ‘um passa moleque’, nas legítimas reivindicações.

Para evitar e não permitir isso, lembro, as lideranças todas, para que se atentem. Principalmente as do bairro de São Mateus com seus três imensos distritos e que juntos tem muita demanda para continuar a apresentar e serem atendidas.

Dando um voto de crédito para a atual administração e, por tabela, para a vice-prefeita, desde já e em nome das comunidades; mesmo sem procuração delas, faço o convite para que ela se aproxime. Venha conhecer a imensidão territorial e a quantidade de problemas que temos aqui em São Mateus, Iguatemi e São Rafael. Ela pode e deve até mesmo passar algum tempo dentro da própria Subprefeitura de São Mateus para constatar a escassez de quase tudo: de recursos a material humano qualificado, falta de boa vontade e dinheiro em caixa para as despesas. Lá ela, e o gabinete, quando for criado, poderão, se ainda der tempo, encontrar máquinas paradas e sucateadas; os novos carros do Conselho Tutelar disponível, mas estacionado por falta de combustível e regularização e outras coisas mais.

Quando ela sair visitando os locais, pode convidar a reportagem que iremos juntos. Ela vai se deparar com centenas de irregularidades em termos de ocupação e uso do solo, córregos imundos e assoreados de tanto lixo e resíduos fora do lugar, invasões e ocupações que terão como final, caso não aja uma intervenção em comunidades insalubres, desorganizadas, carentes e com pouco ou nenhum respeito ao espaço público que deveria ser de todos.

Poderá também visitar algumas, quem sabe todas, as unidades básicas de saúde. Ver em que condições elas estão e em que condições trabalham os funcionários que ainda resistem as inúmeras ocorrências de ameaças, violências verbais e físicas, passando por ocorrências de furtos e roubos. Poderá transitar também por ruas com asfaltos de péssima qualidade. Frequentar playgrounds com ameaçadores brinquedos enferrujados e conhecer também outros grandes problemas, alguns de solução muito simples.

Que o gabinete a ser criado faça isso. O convite está feito e gostaríamos de estar entre os primeiros bairros a ser visitado. A nossa desconfiança, então, terá que ser desfeita pela ação concreta do governo; deles. Mas, por enquanto, o simples fato de reconhecermos as dificuldades da própria subprefeitura, não nos faz ficar muito otimista. Mesmo assim, venha. A senhora, vice-prefeita será muito bem recebida. (JMN)

Written by Página Leste

15 de agosto de 2014 at 12:38

Agrupamento que ajuda dependentes de álcool e drogas realiza atividade

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Um dos mentores da associação e ex alcoolista

Um dos mentores da associação e ex alcoolista

Tradicional almoço que reúne participantes da associação e parentes

Tradicional almoço que reúne participantes da associação e parentes

Convidada, a reportagem da Gazeta São Mateus visitou a Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas, entidade sem fins lucrativos fundada em 06/08/1995 que vem desenvolvendo importante serviço de acolhida e apoio semi terapêutico às pessoas com problemas de alcoolismo e drogadição, durante uma manhã de domingo, dia 03, quando frequentadores da casa, familiares e colaboradores fazem um almoço comunitário que acontecem a cada dois meses para aprimorar o processo de ressocialização de ex e atuais dependentes.

Sem qualquer apoio governamental nem de empresas ou particulares, a entidade subsiste pelo esforço de Hamilton Clemente, mentor do projeto e principal gestor da casa e de alguns outros abnegados e com apoios pontuais entre os que podemos chamar aqui de clientela.

Hamilton sustenta que o trabalho de recuperação feito na casa é baseado totalmente em terapia de grupo feito pelos próprios protagonistas de suas situações. O próprio Hamilton revela, sem nenhum constrangimento, que durante um período da sua vida usou e abusou do álcool e a exemplo de tantos outros colocou sua vida e de familiares próximos em risco e palco de inúmeros constrangimentos e aborrecimentos.

Nosso foco é no cidadão doente e naquele que por conta própria quer tentar sair de uma situação de dependência de álcool ou drogas para uma vida melhor. O nosso principal apoio é o acolhimento e a compreensão do que seja a situação pelas quais o doente está passando. Afinal, quase todos nós, envolvidos nesse esforço, tivemos no mesmo lugar que ele; a procura de ajuda”.

Em termos de números, a despeito de não discutirmos com a estatística ou com a matemática, consideramos o resultado bom e promissor. O entendimento da redação é que qualquer pessoa que seja recuperada de uma situação de alcoolismo ou dependência e abuso de drogas é muito importante. Vamos a eles. Hamilton diz que com o álcool a cada 100 dependentes, 10 se recuperam; com as drogas, a cada 100, cerca de 5 se recuperam e com relação ao crack, essa devastadora droga, de cada 100, 2 ou 3 se recuperam definitivamente. Insistimos, parece pouco, mas é muito significativo seja para o próprio doente, seja para a família e sociedade.

Libertos de vícios, frequentados da casa dão depoimentos

Pouco antes do almoço comunitário com as pessoas trazendo, cada uma delas, um prato, sobremesa, doces ou frutas que seriam servida a todos, alguns frequentadores da entidade fizeram questão de registrar seus depoimentos que foram resumidos pela reportagem.

Alguns deles, com mais de 19 anos livres dos problemas são queles que iniciaram seu esforços de recuperação em outros locais, tais como a Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo, ARA (Associação dos Alcoólatras de São André, Grupo de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Fraternidade de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Curados Para Amar Antialcoólica e Drogas entre outras. Continuam agora prestando sua colaboração na entidade. Outros, entretanto foram recuperados já na atual entidade.

Ex-funcionário do Banespa durante 10 anos, Pedro Aguiar foi demitido quando esse passou para as mãos de outros donos. Pedro já registrava pelo menos três internações em clínicas e sanatórios por conta de seus vícios em álcool e drogas. Entre 94 e 96 foi uma a cada ano e a última, nessa modalidade, em 1997. Auto suficiente, pelo menos enquanto trabalhava, não tinha na família o amparo necessário. Dai para ser morador em situação de rua foi apenas questão de tempo. Pedro resume que no período mais grave de sua situação, segundo ele durante uma gestão da ex-prefeita Marta Suplicy na cidade de São Paulo, havia um esforço para acolher e tentar reverter à situação de degradação dos moradores. Ele participou disso.

Mas foi através do conhecimento com Hamilton Clemente e do apoio que recebeu que ele conseguiu iniciar o seu processo de recuperação em 2001 e hoje plena. “Procurei o apoio com chinelos de dedo gastos, roupa e corpo sujo de muitos dias sem tomar banho e através do contato com o Hamilton fui, mesmo naquelas condições deploráveis, tratado com respeito e como gente e isso foi muito impactante para mim”, comenta. “Assim que ele me encaminhou a entidade e vendo aqueles depoimentos fraternos, feitos por pessoas que tinham problemas muito semelhantes aquilo me ajudou a recuperar a minha vida”. Muito provavelmente é por isso que agora ele ajuda a entidade.

Com 63 anos de idade, Antônio Ferreira é outro que chegou a entidades de recuperação cerca de anos atrás onde, com o mesmo tipo de apoio, pode se safar dos vícios em drogas e álcool. O ex-sargento do Exército, antes de achar o caminho de volta, passou sem sucesso por cinco internações em sanatórios. Agora o pouco que pode, ajuda a outros na caminhada pelo abandono dos vícios.

O jovem adulto Adeilson José, de 38 anos disse que começou a beber adolescente, quando, também já trabalhava. Pouca ou nenhuma orientação havia em casa. Das bebidas para as drogas foi um longo percurso rumo ao inferno, mas foi através da acolhida, das reuniões e das terapias de grupo na entidade que ele está limpo há alguns anos.

Natalino Oliveira de 68 anos considera ter renascido em 1985 quando conheceu a Associação Antialcoólica de São Paulo, o famoso AA. Era então um bêbado clássico e levado ao encontro ficou admirado com os testemunhos que ouviu e ouvia nas reuniões seguintes. Fervoroso credita também a Deus a sua recuperação e desde há muito entende que o álcool o estava matando progressivamente. Ficou quinze anos bebendo muito; ainda quando trabalhava em uma montadora de veículos. Ganhava, no período, dez salários mínimos em média. Até espancar a esposa espancou. Durante esse período de recuperação adquiriu a exata compreensão de que ninguém vive feliz com um bêbado na família. Hoje, completamente recuperado tem certeza que nasceu de novo.

Outro jovem adulto que preferiu não se identificar já está limpo, agora aos 39 anos, após usar crack durante 14 anos seguidos. Pai de duas filhas esteve em situações muito delicadas quando aos 33 anos conheceu e começou a frequentar as reuniões e as atividades da entidade. Com as orientações e o apoio percebeu que seria possível se recuperar. Abstêmio já há oito anos, recuperou a si e a sua família.

Outros depoimentos

Com 76 anos, Gilberto começou a beber com 10 anos. Queria fugir quando alguns parentes queriam trazê-lo para conhecer a entidade. “Foi a melhor coisa que me aconteceu. Faz 23 anos que parei com o álcool e minha vida ficou muito melhor agora, após alguns casamentos que eu mesmo estraguei”. Já Djalma bebia e fumava desde os seis anos de idade. O exemplo vinha da casa com o pai alcoólatra. Durante a reportagem registrou que estava parado há 10 anos, 9 meses e 20 dias.

Por fim, com o almoço quase começando Newton César diz que chegou a São Paulo com 38 anos vindo do Maranhão e já bebia. Brigava em casa, faltava dinheiro que ficava no bar e também lembra que parou de beber dia 21 de outubro há oito anos. “Foi um colega que me trouxe aqui e também fui impactado pelo que ouvia de gente muito parecida comigo que estava ou tinha se recuperado. Hoje, vivo bem com minha família e comigo mesmo”, finalizou.

Hamilton convida a visitarem a casa

O almoço teve início e Hamilton ainda teve tempo de explicar a reportagem que a atividade, como a de excursões, bailes e outras fazem parte do que ele entende ser um processo terapêutico com as próprias pessoas se apoiando e ajudando. “Fica claro para eles e suas famílias que não são necessárias o uso de bebidas alcoólicas e drogas para se divertir. A vida deles e de suas famílias melhoram a cada dia”.

A Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas realiza duas reuniões semanais com os dependentes e familiares. As quartas-feiras das 20 às 22 horas e aos domingos das 19 às 21 horas em sua sede na Avenida Rodolfo Pirani, 616. “Qualquer pessoa pode participar Essas reuniões são boas não só para as pessoas que estão diretas com os problemas, mas também para familiares que aprendem outras formas de lidar com os envolvidos. Em nossos encontros ajudamos a se estruturarem e se reerguerem”, finaliza.

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15 de agosto de 2014 at 12:36

Violência no Brasil cresce e se expande

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Segundo o Mapa da Violência 2014, divulgado no começo do mês de julho, em 2012, último ano com informações consolidadas, 112.709 pessoas morreram situação de violência no país. Isso é o mesmo que 58,1 habitantes para cada grupo de 100 mil pessoas e é a maior da série histórica do estudo, divulgado de dois em dois anos.

Nessa conta foram 56.337 vítimas de homicídios, 46.051 de acidentes de transporte que incluem acidentes de trânsito urbano e rural além de mortes aéreas e marinhas. De suicídios 10.321. Números que podem parecer modestos quando comparados com o tamanho da população brasileira, mas que, de fato, são significativos.

Os jovens, em geral, os que arriscam mais ou tem a cabeça mais quente, na faixa entre 15 e 29 anos constituíram 53,4%. Também nessa faixa as taxas de homicídio passaram de 19,6 em 1980, para 57,6% em 2012, a cada 100 mil jovens.

Segundo os responsáveis pela análise dos dados, ainda não é possível saber se 2012 foi um surto ou se realmente estamos inaugurando um novo ciclo ou nova tendência: de mais violência. Entre as causas as greves de agentes das forças de segurança em alguns estados ou o ataque de grupos organizados podem estar entre as razões. Eu direi mais a frente que tem outras.

E não foi apenas no Sudeste que cresceu; as regiões Norte e Nordeste também explodiram em violência. Sul e Centro Oeste tiveram aumentos percentuais de 41,2% e 49,8% respectivamente. No Sudeste, a situação foi mais variada, com diminuição significativa em estados importantes, como o Rio de Janeiro e São Paulo.  Já em Minas Gerais, os homicídios cresceram 52,3% entre 2002 e 2012. Vale registrar que Maceió, a mais violenta, passou dos 200 homicídios. No outro extremo, São Paulo, com a menor taxa entre as capitais, ainda assim registra o número de 28,7 jovens assassinados por 100 mil.

Bem deixando a interpretação dos números para os especialistas, quero considerar que a situação para além dos números, de casos que conhecemos e tomamos conhecimento, são de alarmar mesmo. Se políticas públicas, mesmo que raras em capitais como São Paulo e Rio de Janeiro podem ter diminuído um pouco a ocorrência de homicídios acrescento que alguns membros da segurança dizem que esses números baixaram por interferência do próprio crime organizado que fez uma espécie e pacto com o seu time para não matar a esmo, pois atrapalham os negócios. Se assassinatos estão ou não sobre controle, as barbeiragens no trânsito cada vez mais intenso e caótico não. E juntando com as confusões e desentendimentos comuns dão sua contribuição para manter os números altos.

No trânsito, as principais vítimas são os motociclistas. Só para ilustrar, se em 1996 foram 1.421 óbitos, em 2012 foram 16.223. Cerca de 1.041% de crescimento.  E isso é mais fácil da gente conferir. Quantas motocicletas com um condutor e, às vezes, com um ‘garupa’ você é capaz de ver por dia? Quantos desses são de adolescentes, quando não crianças que, com certeza, sequer habilitação tem?

Nas cenas de violências e de homicídios, quantas são que você e eu conhecemos que acontecem entre famílias desestruturadas? E nas confusões de ruas com adolescentes e jovens sem limites e de educação beirando a zero você tem conhecimento? E quantas dessas vítimas têm algum envolvimento no crime, sejam os mais suaves até os hediondos? Como parte das respostas a essas questões há uma certeza de que a situação caminha por um caminho de volta complicado. Existe muita aposta na impunidade, na malandragem, e nos recursos que a própria lei disponibiliza para safar os infratores.

Os números não mentem, mas não explicam. Você e eu podemos ter nossas opiniões a respeito, mas se tem uma coisa comum que todos podemos ver é que, a cada dia que passa, não conseguimos perceber que as pessoas estão mais gentis, educadas e dispostas a perdoar. Menos dispostas ainda a fazer o bem ao seu semelhante. É um querendo engolir o outro, levar uma vantagem aqui, outra acolá. Preocupados tão somente consigo próprio e de tabela um pouco com seus parentes próximos.

A regra geral é se virar; se dar bem mesmo que para isso se cometa injustiças com o outro. Isso é tendência. Isso é o caminho que a sociedade, cada vez mais barbárica, mas pensando que está melhorando está trilhando.

Não sabemos ao certo como fazer para reverter esse quadro que se apresenta; cada vez mais feio e desagradável. Eu, da minha parte, vou me fiscalizando para tentar ser cada vez mais justa e boa e sei que é isso que tenho que fazer. É uma gota no oceano, mas com uma gota de cada um criaremos um mar cada vez mais calmo para nossa curta passagem por essa terra. Dá para você fazer a sua parte? (JMN)

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15 de agosto de 2014 at 12:16

Publicado em Comportamento, segurança

Pinga Fogo entrevista Alexandre Zakir; segurança foi o tema principal

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O quarto encontro de lideranças com pré candidatos no Pinga Fogo da Gazeta teve como tema quase que exclusivo a questão da segurança pública muito a ver com o entrevistado, Alexandre Zakir que é delegado titular da polícia civil licenciado e âncora do programa Operação de Risco na televisão aberta. Também se afastou do programa por força da legislação eleitoral, uma vez que ele é candidato a deputado estadual pelo PPS tendo sua candidatura homologada em convenção. Atrás de um mandato vai atrás de outras missões se for eleito.

Respondendo a pergunta chave da diretora do jornal, Lucy Mendonça sobre as razões para as pessoas darem o voto a ele, respondeu que precisaria dizer mais sobre si mesmo.

Nascido em Bauru onde viveu, estudou e trabalhou até os 22 anos é filho de empresário e desde os 14 anos trabalhou nas lojas do pai de origem árabe aprendendo a dar valor ao esforço e ao trabalho. “Foi nesse contato diário com as pessoas que aprendi muito sobre o ser humano. O trabalho e esse contato é uma ótima escola”, considerou.

Veio para São Paulo onde trabalhou como advogado de olho em concursos para se tornar juiz quando foi convencido por colegas a prestar concurso para ser delegado o que conseguiu apesar de nunca cogitar esse oficio, confessou. Muito disso tem a ver com o histórico da mãe que foi uma militante da Ação Popular (AP) na época da ditadura e naquela conjuntura com um explicado distanciamento da instituição polícia. Mesmo assim passado o concurso resolveu trabalhar como delegado para entender como era aquilo.

Já nessa condição passou pelos distritos de Artur Alvim, A E Carvalho, na zona leste e Campo Limpo, outro extremo da cidade além da Delegacia de Homicídios. “Durante todo esse período aprofundei minha relação e entendimento com as periferias abandonadas, onde tentei interferir da melhor forma possível já com a compreensão de que o funcionamento das instituições no regime democrático ainda é a melhor maneira de se conviver em sociedade”. Comenta. Do ponto de vista da ação como policia acredita na capacidade de mudar vidas; sendo buscando fazer justiça para os vitimados com a punição dos criminosos no que diz respeito ao trabalho policial e até mesmo, reflete, na punição do infrator que pode, em alguns casos, ajudá-lo a se redimir e mudar o comportamento para melhor.

Foi quando exercia as tarefas de polícia que foi convidado por um superior a ser deslocado então para a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para compor uma equipe multidisciplinar com a tarefa de investigar e desbaratar quadrilhas internas de roubos e desvios de medicamentos. Aberto a novos desafios aceitou e conseguiram resolver o problema.

Em linhas gerais esse histórico de vida e ações é parte das respostas sobre o porquê ele deveria ter votos. O que viria pela frente apenas corrobora a opinião dele próprio. Com boa formação e capacidade de comunicação foi convidado pela cúpula da polícia para ser o personagem condutor de um programa piloto da televisão que depois se consolidou. Foi tão bem na tarefa que foi convidado pela produção do programa a ser o ‘âncora’ permanente. Com respaldo da cúpula passou a trabalhar com muita competência no programa conforme atestavam os índices de audiência,.

Sobre as perguntas dos presentes respostas objetivas e sinceridade

Uma das lideranças presentes perguntou ao entrevistado o que ele achava da disposição feita pela segurança que prioriza a presença de policiais nas regiões de comércio e serviços em detrimento às ruas residenciais, paralelas ou transversais ao que Zakir aprofundou respondendo que o que não funciona é o atual modelo de segurança pública no Brasil que considera falido. Não dizia exatamente das instituições incluindo o Ministério Público, as defensorias, etc., mas o modelo que não atinge seus objetivos de evitar os crimes.

Disse, a exemplo de todos os outros que passaram pelo Pinga Fogo, que a questão da segurança é complexa, mas não se furtou a indicar que para ele os municípios, principalmente em cidades como São Paulo, teriam que se envolver com o assunto para além da operação delegada que hoje existe e funciona parcialmente. “É também uma questão de gestão de recursos físicos, de tecnologia e humanos”.

Nesse ponto já se expõe optando pela sinceridade não muito típica de candidatos. “Não vou mentir que mesmo como parlamentar não tenho como propor projeto de lei que vá interferir significativamente nessa situação, nem o sistema legislativo permite isso. Não haverá emenda parlamentar que dará jeito nisso. Uma terceira forma e é nessa que posso me comprometer é dar vez e voz, fazer ecoar na assembleia os problemas, as demandas e as sugestões da sociedade”.

Pessoalmente acho que tem espaço para fazer uma gestão melhor dos recursos, como melhorar a prevenção, mas para isso acho que não devemos nos apoiar apenas nos recursos humanos, mas melhorar a alocação de outros tantos recursos. A exemplo das administradoras de cartão de crédito que possuem software de perfil comportamental de seus clientes, um software com a mesma finalidade poderia ser usado para traçar perfis, por exemplo, a partir das placas de carros e saber quem e como são esses proprietários dos carros”. Mencionou também o uso mais racional e mais competente das muitas câmaras de observação que estão espalhadas por vários lugares.

Quanto à produtividade que pode melhorar, Alexandre lembrou que uma dupla de policiais brasileiros, principalmente do Estado de São Paulo consegue esclarecer em média um crime a cada 80 horas enquanto uma dupla de policiais norte americana esclarece um crime em 100 horas em média, portanto não estão tão defasado assim. Ou seja, de uma forma geral melhorar os serviços de inteligência.

Alexandre ainda ouviu considerações sobre a diferença de tratamento aos policiais civis quando comparado com os policiais militares em caso de atendimento médico e socorro aos policiais ao que respondeu não caber a ele a resposta a essa situação com a qual também não concorda.

Indagado sobre dobradinhas e apoios a nível federal, Alexandre diz contar com apoio explicito do deputado federal Roberto Freire uma das principais lideranças do PPS, seu partido, e de outras lideranças políticas em outros partidos. Citou o vereador Gilberto Nataline, vereador atualmente no PV e outros.

Sem medo de se expor

No contexto das perguntas o entrevistado disse que não tinha nada a temer, que não tinha nenhuma vidraça em sua vida como figura pública e disse que iria defender com coragem seus pontos de vista indicando que não adotará a prática muito comum entre os políticos de se furtar a opinar e se posicionar sobre questões polêmicas por conta de um suposto patrulhamento do politicamente correto. “Não tenho medo dos temas polêmicos. A partir do instante que tiver uma compreensão e entendimento sobre os assuntos não me furtarei em, se perguntado, colocar minha opinião perdendo ou não votos”, afirmou. “De tudo que estamos conversando aqui me disponho a sempre ser uma voz corajosa”, completou.

Delegado Cicone aponta o adensamento das periferias por conta de ocupações

O delegado Marco Antônio Cicone, presente ao encontro, perguntou ao pretendente ao voto sobre a sua opinião sobre essas movimentações recorrentes de ocupação das periferias para efeito de moradia que tem complicações na segurança. Alexandre voltou à ideia de que o município tem que discutir e participar da segurança pública. “Não basta apenas às pessoas serem colocadas ou usarem de facilidades para se instalarem e na maioria das vezes de forma bem desorganizada nas periferias. Colocados à margem dos serviços do Estado, estão a caminho da marginalidade aqueles que não têm estofos de caráter e preparo”, considera.

Quando isso acontece à sociedade e o próprio Estado cobra depois para que a polícia resolva, mas não teve prevenção e nem tem os instrumentos certos para essas ações que primeiro deveriam ser evitadas, considera. Mas, vai além, não deixando de tocar no delicado assunto de que essas ocupações ou invasões dos terrenos na maioria das vezes são usadas por oportunistas e com gente com um tanto de boa fé e outro tanto de más intenções entre eles os próprios necessitados. “O fato é que essas invasões que se viabilizam mesmo precariamente depois burlam as filas de espera dos interessados e necessitados das políticas habitacionais propostas pelo Estado em suas três esferas”. Alexandre não deixou de considerar que entre esses oportunistas, parte deles está comprometida com interesses partidários ou de mandatos. “É a indústria da invasão”, emendaram os presentes.

Alexandre ainda falou sobre a necessidade de uma política salarial para as polícias de forma mais adequada e republicana. É contra as bonificações e a busca de metas. “A meta das polícias devem ser prevenir e erradicar os crimes. Isso deve ser política de Estado e a remuneração também”, exemplifica. Destacou ainda que esse assunto está dentro de toda conjuntura de melhorar as instituições e o funcionamento do regime democrático.

Ao final e inquerido pelos presentes, resumidamente disse que seguirá sua consciência que será moldada também pelo que escuta das pessoas e das ruas para se comportar dentro da assembleia. Garantiu que entre as eventuais exigências da liderança do seu partido em questões no parlamento que forem contra seu entendimento e compreensão do que é mais certo, mais adequado ou de maior interesse da comunidade fechará com esta apesar do desgaste que poder advir desse posicionamento. Vai além, diz que se posicionar corretamente com consciência limpa, mesmo que às vezes contra as orientações superiores é também uma forma de se fortalecer e ser mais respeitado no exercício do seu mandato que, ao final, só pode ser conseguido com o voto do eleitor.

Sobre a unificação das policias ou mudança do nome da Polícia Militar apenas para Polícia não teve papas na língua indicado que isso é apenas perfumaria e que as medidas para melhorar a segurança dependem muitas outras coisas que envolvem educação básica, desenvolvimento, justiça social ou seja uma série de melhorias que extrapolam as responsabilidades apenas das polícias. (JMN)

 

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21 de julho de 2014 at 13:55

Publicado em Notícias e política

Derrota na copa influenciará nas eleições?

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Ainda é cedo, mas penso que a fragorosa derrota da Seleção Brasileira para a Alemanha e a perda da oportunidade de ganhar a copa não se traduzirá no resultado eleitoral das urnas logo mais. Poderão se frustrar, aqueles que gostariam de transformar a situação que, com a derrota deixou de ser promissora em termos de esporte, digamos assim, em tempero para que a Dilma perca a eleição.

Os que operam na base do rancor e do pessimismo não é digno de jogar o jogo mais geral da política porque não tem moral para isso. De política esse comportamento tem pouco, mas tem muito de vigarice.

Até poderia dar algum gás a essa pérfida intenção caso o desastre que assistimos no jogo contra a Alemanha não fosse uma tragédia esportiva, reafirme-se, anunciada pela qualidade duvidosa do time incluso a equipe técnica toda e os dirigentes.

Isso podia ser visto caso o olhar fosse feito com total isenção em sem paixões, mas foram poucos e as mais expressivas vozes, é claro aos que por força de tarefa representavam interesses de patrocinadores; interesses econômicos e ainda de visibilidade e audiência que faziam, sim, vistas grossas ao desempenho pífio que o time vinha exibindo desde o começo. Mas, ai é assunto para mesas redondas, para bares e para os milhares de técnicos, Brasil afora. A questão foi a politicagem com que a Copa também foi servida.

Os governos, principalmente o federal, também jogou suas partidas durante a copa. Antes provendo recursos para os esforços na realização da copa; no início dela, com a abertura dos jogos na Arena Corinthians e onde a presidente tomou uma invertida; no ligeiro recuo que fez a seguir por conta da recepção inicial e na ascensão, logo depois, com o sucesso do espetáculo em curso. Foi nesse período que a Dilma candidata, sempre orientada por assessores de imagens, surfou nas brechas com discursos e puxada de orelhas nos pessimistas ou urubus do pessimismo que, também equivocados, apostavam que o torneio seria desorganizado. O Planalto e o staff de campanha que se confundem foram longe e arriscavam dizer ou no mínimo insinuar que a maioria dos pessimistas torcia por uma derrota organizacional ou do rendimento do próprio time só para que o PT perdesse a eleição mais a frente.

O fato é que entre estar tudo certo e tudo errado existe nuances muito sérias, concretas e mais realistas. Se, criticas quanto aos gastos, quanto aos métodos empregados, quanto a falta de um retorno para as comunidades, parte delas, lembremo-nos, até desalojadas faziam sentido, outras, não procediam. Mas, como deve ser, posições antagônicas fazem parte de uma democracia. O sujo, vergonhoso e desagradável foi ver também uma fatia considerável de políticos brasileiros manipulando a vontade popular a seu gosto.

Mesmo atenta ao sobe mais e desce menos do humor brasileiro durante o torneio, a máquina de respaldo publicitário do governo oscilou entre minimizar as primeiras vaias à Dilma e em seguida tentar tolher e inibir, qualquer crítica buscando silenciar as vozes em desacordo. Vira e mexe apelando e colocando a pecha generalista de sabotadores aos críticos. Passou-se uma fase, durante o torneio, que qualquer critica, por mais pertinente que fosse, era recebida mais com contra ataques pessoais do que a discussão argumentativa do assunto da critica. Aproveitaram-se do estado catártico da população que expressava o seu patriotismo equivocado via chuteiras, no futebol. Qualquer critica era recebida como vinda de pessoas que sequer mereciam morar no país, apesar de brasileiros ou de “jornalistas da oposição” quando da imprensa ou de “adversários dissimulados da realização da Copa no Brasil” quando políticos da oposição.

Pois bem, com pesquisa indicando dias antes do fatídico jogo contra a Alemanha que a presidenta estava oscilando alguns pontos para cima, os estrategistas do Planalto se assanharam em voltar a pegar carona na Copa. Na ocasião, informações davam conta que a presidenta Dilma iria até o Maracanã para a grande final da qual o time do Brasil não participou.

O fato é que na fatídica terça-feira dos sete a um, nem bem havia terminado o primeiro tempo quando só estava 5X0 os assessores do Planalto já indicavam que afastar-se da Copa e por consequência de qualquer vinculo ou relação com o resultado dos jogos seria o mais apropriado a Dilma em campanha.

Voltando a questão proposta, por enquanto não aposto que a derrota da Seleção determinará a maneira com que o eleitor vai votar em outubro. O certo é que novos planos deverão ser feitos e percorridos, principalmente pelo PT e coligados que tinham como estratégia imprimir uma fragorosa derrota em seus adversários aos moldes da goleada alemã.

Torço mesmo para que nem uma coisa, nem outra e que a sociedade brasileira e seus eleitores possam discernir entre um campeonato de futebol e o futuro imediato do país que, como tudo o mais, passa pela política. (JMN)

Written by Página Leste

21 de julho de 2014 at 13:51