Adriano Diogo fala sobre Leci Brandão com orgulho
Praticamente uma prata da casa o deputado estadual Adriano Diogo (PT) já havia sinalizado que estaria presente por pouco tempo. De lá foi a Campinas participar de outra reunião.
Após a chegada da Leci Brandão, e convidado a falar antes, optou por apresentar e fazer uma declaração pública a colega. “Durante nossa vida encontramos seres humanos mais diversos e alguns, como muitos nesta sala são pessoas incríveis. Convivi e desenvolvi certa sensibilidade em reconhecer grandes personagens entre estes está a Leci Brandão que nós deu a honra de sua presença. Confesso a vocês que fiquei e fico olhando a Leci e no dia a dia descobri ainda mais sobre essa figura generosa e rica. Já a conhecia de seu trabalho como artista, como comentarista do samba desde as primeiras participações no carnaval de São Paulo e, agora como deputada, continuo fascinado”.
“(…) Já a conhecia de seu trabalho como artista, como comentarista do samba desde as primeiras participações no carnaval de São Paulo e agora como deputada, continuo fascinado”.
Adriano lembrou que nesses últimos 170 anos de funcionamento da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ela é a segunda negra nesse tempo todo a ter uma cadeira no parlamento através do voto universal.
“Vale registrar ainda que a assembleia é um lugar barra pesada e muitas vezes nós, como parlamentares, temos que tratar de temas espinhosos e os caras vem pra cima. Mas, pasmem vocês que, quando estão próximas a Leci Brandão, os outros deputados falam fino, ficam calmos e dessa forma eu mesmo tenho chances de trabalhar com a retaguarda dela”, brincou com a verdade o deputado.
“Por essa qualidade de figura humana e parlamentar exemplar estou fazendo esse esforço de juntar todos esses artistas populares e promotores da cultura aqui presentes para que ela [Leci] nos adote”, continuou. “Estamos diante de um ser humano gigantesco que de origem simples sempre esteve ao lado das boas causas como artista e que quando está no palco se agiganta. Torço para que desse encontro resulte uma aproximação que dê certo” finalizou.
Comunidades do samba reúnem candidatos na Gazeta
Faltando poucos dias para as eleições gerais de 2014 diversas lideranças ligadas à cultura e, principalmente ao samba em São Mateus tomaram a iniciativa de conversas com os deputados Adriano Diogo (PT) e Leci Brandão (PCdoB) com os quais guardam muitas afinidades. O encontro se deu na sede do jornal
O deputado estadual e candidato a federal Adriano Diogo (PT) circulava com desenvoltura e naturalidade entre as mais de 60 pessoas que se reuniram na sede da Gazeta São Mateus na tarde noite do dia 23 a espera da chegada da deputada Leci Brandão (PCdoB), também candidata a reeleição; só que para a Assembleia Legislativa. Ambos formam uma dobrada pragmática, objetiva e também pautada em propostas de interesse na ampliação da cidadania que foi construída pelos dois mandatos.
Não é de agora, e apenas durante as campanhas eleitorais, que o deputado se relaciona com essas e outras comunidades do samba e, de uma forma geral, da produção artística local. As comunidades Vera Cruz, Berço do Samba de São Mateus; entusiastas e promotores da cultura como Tim Maia, gente de times de futebol e o pessoal do Quinteto em Branco e Preto estiveram em diversas atividades públicas ou mais reservadas em companhia desse também militante que tem história e muito trabalho desenvolvido nos diversos distritos de São Mateus e na zona leste de São Paulo.
“Adriano Diogo circular com naturalidade era previsível uma vez que não é de agora, e apenas durante as campanhas eleitorais, que o deputado se relaciona com essas e outras comunidades do samba e, de uma forma geral, da produção artística local”.
Um encontro destes, nestes tempos bicudos em que os candidatos sérios circulam em busca de votos e praticamente tem que se desculpar por isso, tal o descrédito da população e eleitores é arriscado, entretanto a recepção coletiva, generosa, ganhou ares de quase uma reunião familiar. A maioria dos presentes e o candidato se conhecem se respeitam e se gostam. Isso ficou claro também para outros convidados presentes, entre lideranças locais de vários segmentos e membros do governo local, da área de segurança e outros.
Estava presente também a vereadora Juliana Cardoso (PT), ela mesma com a segunda maior votação na legenda em 2012 e que por sua vez tem apoio expressivo na região. Como Adriano a quem apoia, conhecia a maior parte das pessoas vinculadas àquelas comunidades do samba.
Adriano Diogo estava espremido entre agendas díspares o que dá um pouco a ideia da amplitude de sua própria candidatura. Primeiro estaria ali com lideranças, artistas e produtores culturais e, em seguida, se dirigiria ao sindicato de médicos da cidade de Campinas onde foi convidado a expor seu trabalho e propostas da campanha que faz para ser eleito ao Congresso Nacional. Deu conta das duas agendas.
O fato é que, apesar de estar em campanha para ser eleito deputado federal em Brasília, por São Paulo, Adriano Diogo não chegou a pedir nenhum voto em voz alta ou ao pé de ouvido enquanto conversava com um e outro. Meio que prata da casa visto a frequência com que vai a São Mateus, manteve a coerência demonstrada por ocasião de sua participação no Pinga Fogo realizado por esta Gazeta. Em uma de suas primeiras respostas naquele encontro, lembrava que o parlamentar, que na busca a reeleição o pretendente deveria ser mais reconhecido pelas comunidades e pelos eleitores pelo que é; pela sua história; compromissos e como se comporta, do que por sua capacidade e disposição para pedir votos. Não o fez, talvez porque esse reconhecimento a que ele se refere seja, no caso daquele encontro, uma realidade.
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Você não gosta, não quer, mas mesmo assim paga
A chamada propaganda eleitoral gratuita; aquelas que você vive se esquivando de assistir, mas até deveria para formar melhor juízo para sua escolha e que é utilizada para divulgar políticos e partidos que disputam uma eleição sem custo acaba custando alguns milhões de reais aos bolsos dos contribuintes. A estimativa feita pela Receita Federal é de que a União deixe de arrecadar R$ 839,5 milhões em impostos oriundos das inserções veiculadas em rede entre 19 de agosto e 24 de outubro. Como as propagandas vão até mais próximas do dia da eleição esse rombo vai crescer.
A quantia será descontada do total de tributos pagos pelas empresas de rádio e TV de sinal aberto, obrigadas a veicular a publicidade obrigatória. Prevista no projeto de lei orçamentária anual (Ploa), a renúncia fiscal é tratada como gasto tributário. Já o horário eleitoral é descrito como direito à cidadania, ao lado de fundos como o da criança e do adolescente e do idoso que, juntos, receberão, em 2014, R$ 380 milhões em isenções, anistias, subsídios e benefícios tributários e financeiros.
O valor estimado para este ano em termos de renúncia fiscal representam um aumento de quase 39% em relação a 2010 quando R$ 604,2 milhões deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos. Neste cálculo não leva em conta a inflação do período. Nessa estavam envolvidos presidente, senadores federais e estaduais, mas mesmo as campanhas mais modestas, digamos assim, como foi a de 2008 de prefeitos e vereadores as emissoras descontaram, a título de ressarcimento, R$ 420,3 milhões em impostos que deveriam ser pagos.
A fórmula para se chegar aos valores é complexa e nem vale a pena se ater a isso, mas a questão só pode interessar ao eleitor do ponto de vista de a sociedade não ter quase nenhum acesso e controle sobre esses valores que são ressarcidos às emissoras. Como diz o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas, José Roberto Afonso a transparência desses benefícios deveria valer para todos os benefícios fiscais que são concedidos e, entre eles o horário eleitoral que, em nada, é gratuito.
Vamos além, cada bondade dessas, em forma de incentivo fiscal, deveria ter uma explicação clara e uma comparação, também clara, sobre os benefícios que as medidas geram. Explicações e justificativas convincentes seguidas de demonstração dos benefícios conseguidos visto que é menos dinheiro de imposto que entra aos cofres privilegiando alguns setores em detrimento de outros ou da sociedade como um todo.
A coisa toda ainda é ainda mais digna de atenção, explicação e revisão quando se revela os resultados de apenas uma consulta feita pelo Instituto MDA, a pedido da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que indicou que apenas 11,5% dos entrevistados disseram sofrer alguma influência em suas decisões de votos a partir da propaganda eleitoral. A mesma pesquisa, feita no dia 23 indicou que não menos que 34,4% dos entrevistados nunca assistem o horário eleitoral; 18% de vez em quando e apenas 15% assistem todos os dias, o que até duvidamos.
O fato é que apesar da situação de incentivos e benefícios ter que ser rediscutidos não se pode menosprezar o efeito do horário eleitoral gratuito que tem sua importância na decisão do eleitor, além do fato dela ser uma importante ferramenta para a democracia representativa, apesar de premente necessidade de criar condições de melhor igualdade entre os concorrentes.
Todas essas considerações e mais algumas, caro leitor é para lembra-lo da enorme responsabilidade que lhe pesa às costas. A eleição, gostando você ou não, não lhe sai de graça, mesmo que de forma indireta. Se assim é e como poucos são os loucos a ponto de rasgar dinheiro, vale fazer um investimento mental e de observação para que entre tantas ofertas de tão limpos, maquiados e bem intencionados candidatos você encontre o seu. Faça a melhor escolha possível, de preferência entre aqueles dos quais, você, não possa se envergonhar e se arrepender mais à frente. (JMN)
Sem ter para onde correr, nas eleições escolha o certo
Estamos mesmo às vésperas das eleições gerais no país e é de suma importância levar isso a sério, apesar do alto número de comediantes que essa campanha exibiu. Tinha comediante para todos os gostos; desde os comediantes e palhaços de ofícios a aprendizes de palhaços, aprendizes de gozadores, mas grande parte deles mesmo é tirando onda com a nossa cara.
Entre promessas de vou fazer isso e aquilo, de corrigir isso ou aquilo, de escancarar suas bocas em busca de mostrar sorrisos de dentes naturais e postiços, quase todos, sem exceção, apostando no resultado de seus ‘fotoxópis’ em cavaletes a dar com pau; em santinhos em papel brilhante, em faixas estratosféricas, além de adesivos de carros. Todos eles com palavras chaves buscando a memória do eleitor.
Os mais safados repetindo bordões que dizem muito para nada dizer. Outros prometendo coisas que não dá para se aferir resultados, fora aqueles que compram corações e mentes e principalmente os bolsos de um montão de supostas lideranças que discursam em seu nome, fazem promessas de fé, mas querem mesmo é saber de suas moedas ao final do expediente.
São comediantes aos quilos, mas ao invés de nos divertir se divertem com a nossa cara, com a nossa ingenuidade quando não é pior, com a nossa omissão. Vêm as toneladas, todos devidamente numerados, mas inocentes até certo ponto, fazem mesmo é figuração. Qualquer merreca de votos para um desses candidatos de dezenas de votos não vão chegar a lugar algum, mas esses mesmos votos serão uteis no sentido de aumentar o coeficiente eleitoral da legenda melhorando, de verdade, as chances de seus cavalos premiados que são aqueles figurões mais conhecidos, em geral, até donos mesmos das respectivas legendas.
Esses tipos de candidatos e comportamentos gozam mesmo é da nossa cara. Está certo que eles, às vezes, suam a camisa. São obrigados a tomar café requentado, pegar crianças no colo, dar beijos nas faces nem sempre atraentes dos eleitores, entre outros desconfortos. São sacrifícios menores. Fazem parte do ritual. Ganham algumas coisas ou aspiram ganhar mais a frente. Não contam pra muita gente, mas alguns são tão tarimbados nessa tarefa de melhor o coeficiente que aceitam fazer o papel de coadjuvante no espetáculo. Ou estão ganhando um troco aqui ou ali ou estão na expectativa de uma boquinha aqui e ali mais para frente. Entre estes tem uma variante, a dos que querem simplesmente exteriorizar suas vaidades pessoais.
Não são necessariamente palhaços que querem tirar uma com a nossa cara. São pessoas que gozam de certa liderança em locais onde moram ou trabalham ou atuam e que acham chegado o tempo de expor para a avaliação da sociedade suas propostas e planos na política. É nesse lote que ainda pode se encontrar alguns honestos, sempre em minoria, mas que não tem uma compreensão mais elaborada e abrangente do papel do político e da política no sentido amplo. Até pode sair dai alguma coisa, mas na esmagadora maioria das vezes sai mesmo é muita decepção que, em geral, os fazem desistir de qualquer tentativa honesta depois.
Mas salvando o processo amigos, ocorre que mesmo a campanha eleitoral parecendo uma espécie de remédio de gosto amargo; parecendo obrigação de compromisso ao qual não podemos faltar, a tal da política e do tal processo eleitoral é algo que precisa ser feito e que pode, a depender de como nós, eleitores, nos comportamos ser uma boa e necessária ação para sociedade.
Dai nossa responsabilidade para achar entre cavaletes, painéis, panfletos, carros de som, reunião ou conversa ou programa eleitoral gratuito aqueles que sabem dignificar a política e a atividade do parlamentar ou executivo a ser eleito por nós mesmos.
Eles estão por ai, não na quantidade que gostaríamos, basta fazer a escolha certa, pois essa conversa de que politico é tudo igual e/ou político é tudo safado é conversa para quem quer que você continue um alienado ajudando a eleger as raposas ou os palhaços que vivem tirando uma com a nossa cara. Faça o certo, dessa vez. (JMN)
Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento
Adriano Diogo fala sobre a questão do saneamento para a Gazeta São Mateus
O deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP) que este ano concorre a uma vaga na Câmara em Brasília e que também é geólogo por formação, atribuiu principalmente a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp, a responsabilidade sobre a desastrada situação do saneamento básico no estado.
Para ele a criação de empresas estaduais, como é o caso da Sabesp, durante o regime militar tirou da responsabilidade dos municípios o fornecimento de água e, eventualmente, da coleta de esgotos. Segundo ele a Sabesp, em se tratando de uma empresa com interesses na bolsa de valores e com acionistas, entre os quais, o próprio governo, e todos ávidos pelo lucro já não tem como premissa principal a prestação de serviço e, sim, o retorno aos associados. Nem mesmo a parte dos lucros que cabe ao governo é utilizada para investimentos nos serviços de saneamento. Pode e, em geral, é usado para equilibrar as contas do Estado.
Essa situação explica parte dos problemas que vem comprometendo praticamente quase todos os córregos, pequenos rios e até mesmo as nascentes de água, algumas delas remanescentes em São Mateus, esclarece o deputado.
O fato de não haver investimentos nem iniciativa das companhias de saneamento em, por exemplo, prover os diversos córregos com encanamentos e troncos principais por onde pudesse transitar a matéria orgânica proveniente dos esgotos domésticos fazem com que atualmente esses mesmo córregos, em situação de estiagem, sejam uma espécie de apenas corredor de resíduos.
Se as companhias de saneamento, no caso da Sabesp, em São Paulo tivessem feito investimentos e cuidado para que todo os resíduos de esgotos fossem passíveis de serem encaminhados às estações de tratamento, nem o Aricanduva, nem o Rio Tietê, que corta toda a cidade, não estariam na situação em que se encontram.
Naturalmente que as responsabilidades não são apenas da empresa. Tem muito a ver com a falta de consciência dos ocupantes da cidade, principalmente os em moradias improvisadas e em localidades deficitárias do serviço e também por negligência da fiscalização do poder público que permite a instalação e fixação nesses locais.
Mal acomodadas, seguem crescentes as aglomerações urbanas em áreas de vegetação ainda nativa. Estas vão se impermeabilizando, com córregos sendo assoreados e com a vegetação completamente removida. Num sistema harmônico, sem vegetação, as nascentes secam e o resultado é que a água de qualidade que antes percorriam os córregos somem ficando no seu lugar uma esteira de esgoto com água muito suja.
O deputado que tem muito interesse na questão de saneamento compara a precariedade do atendimento feito no Brasil a iniciativas que já estão sendo adotadas em outros locais mais desenvolvidos. Foi mais longe e deu como exemplo partes muito adensadas e empobrecidas da Índia, onde a coleta de fezes e urinas sofrem por um processo de compactação que serve depois para ser usado como gerador de energia. Já se conhece e existe disponível outros tantos procedimentos que deveriam ser considerados.
O que não é mais tolerável, segundo o deputado, é o uso de água tratada e potável que deveria servir apenas para se beber, se alimentar e até banhar-se como condutor de descarga de privadas. O custo desse procedimento em tempos de escassez é potencializado.
Deputado faz conta e demonstra como que para o consumidor o produto é caro
O raciocínio básico demonstrado pelo deputado foi o fato de haver cobrança de água e esgoto onde, em muitos casos, o esgoto sequer ser recolhido e tratado como deveria. Apenas desviado para deteriorar o que ainda resta de córregos, rios pequenos e maiores da cidade. Adriano demonstrou também que comparando a quantidade necessária de água para o consumo humano com o que se paga e também com o que se recebe em termos de produto ou serviço o custo é alto e penaliza ainda mais os mais necessitados e os mais pobres.
Como uma roda do infortúnio uma coisa alimenta outra. Sem recursos adequados, sem esgoto, sem regularização das comunidades, notadamente nas periferias e na região metropolitana, uma coisa alimenta a outra e o saneamento básico que deveria ser essencial à vida humana com qualidade fica cada vez mais ausente.
O desmatamento, a impermeabilização e a procura por locais por moradia só agrava a situação
Se nascentes, córregos e rios saudáveis vão desaparecendo, se agrava a situação do saneamento como um todo. Para se fixar com moradia em ocupações ou loteamentos irregulares as pessoas precisam remover as vegetações nativas que se encontram nesses locais. Sem vegetação, os recursos hídricos também desaparecem. Some-se a isso a falta de infraestrutura adequada de fornecimento de água e serviço de esgoto. Está montado o quadro que para ser revertido levará uma eternidade e ainda tão somente se a sociedade, as empresas de saneamento e os governos tomarem a decisão e empenho em reverter esse estado de coisas. (JMN)
Programa vago de Marina pode implicar em retração na indústria automobilística
Numa coisa pelo menos a Dilma candidata está certa e diz respeito à apreensão que tem com relação ao comportamento da Marina Silva caso eleita terá com parte importante da indústria, a automobilística. Claro que do ponto de visto ecológico e ambiental manter em nível alto a produção, entrega e circulação de veículos só faz congestionar ruas e avenidas, o ar, o pulmão e complicar eventuais soluções de transporte público.
O problema é que há uma enorme pedra no meio do caminho. Como pode e deverá ser tratado o segmento que emprega mais de 130 mil pessoas e, por tabela mais 330 mil no setor de autopeças e 26 mil no setor de pneus que estendidos em toda sua rede poderá alcançar fácil alguns milhões de empregos.
A candidata Dilma fez essa reflexão no início de setembro quando criticava o conteúdo do programa de Marina Silva para a indústria brasileira. Marina estava então aparecendo em primeiro lugar num eventual segundo turno.
Se alguma coisa é digna de se atentar por qualquer dirigente que seja é a questão do que se considera de média para alta carga tributária brasileira que durante o governo em curso como o anterior, do Lula, concedeu desoneração a este ou àqueles setores e a indústria automobilística foi uma das mais contempladas. Claro que não se trata de um assunto com equacionamento e respostas simples, mas uma carga média menor mais baixa que atinja todos os setores poderia ajudar a evitar que se escolhesse esse ou aquele segmento para conceder um substancioso prêmio.
Por outro lado a exemplo de todos os países é obrigação rotineira criar-se mecanismos que dão incentivos as suas respectivas indústrias. Deixar de fazê-lo na atual conjuntura de disputa internacional por recursos e melhor desempenho no comércio é pedir para continuar subalterno. Mais que isso, da forma que está à economia brasileira uma politica industrial apurada e zelosa é necessária porque é o setor que ainda gera os melhores empregos e os mais bem remunerados além de manter um constante desenvolvimento da tecnologia. Sempre serão de extrema gravidade o encolhimento e a eventual perda de competitividade da indústria que se traduzirá em queda na participação do PIB. Se alguma dúvida há sobre essa exigência atual basta observar o que ocorre na China.
É nesse aspecto que Dilma, corretamente detecta coisas incongruentes nos planos de Marina Silva. Em um deles; Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida, há uma severa critica a redução de IPI para a compra de carros. Não compra carros, na atual conjuntura é comprometer parte daqueles milhares de empregos. Em outro ponto do programa da Marina há uma critica mais incisiva sobre a política de proteção a determinados setores da indústria com ênfase na produção nacional. Tem a crítica, mas não tem a alternativa que pode implicar em ‘desproteger’ a produção nacional, no caso. Temerário.
Será que a Marina Silva quer mesmo ser eleita para em busca de outras saídas reduzirem a importância desse setor na indústria? Correr-se-á, então o risco de diminuir essa participação e além de desempregar deixar de acompanhar e se apropriar do desenvolvimento tecnológico que esse setor engendra? Não seria mais prudente a Marina, caso eleita, operar na direção de buscar baixar a média da carga tributária ao invés de privilegiar às avessas o setor sem uma alternativa consistente para colocar no lugar?
Até podemos entender as preocupações da Marina com relação à preservação planetária, as melhoras das condições ambientais de vidas, entretanto é preciso operar nessa direção com cuidado e método. O novo governo eleito que buscar agir nessa direção precisará se preparar para oferecer condições para um funcionamento adequado e eficiente do transporte público e melhora da mobilidade. Deverá também criar políticas públicas que criem alternativas para migração de trabalhadores caso a indústria automobilística e seus agregados tenham uma retração substancial.
Entendo aqui, entretanto, que dois caminhos são possíveis: baixar a média da carga tributária para privilegiar menos alguns setores e não abortar o desenvolvimento da indústria automobilística sobre risco de estancamento. Como alternativa pode se melhorar as demais condições que Marina acha importante simplesmente recolhendo das ruas e dos estacionamentos carros muito velhos com base em lógica reversa onde os fabricantes, a indústria automobilística e agregada na linha da logística assumam receber de volta para reciclar ou reaproveitar o que possa ser possível, uma das formas que o meio ambiente agradece. (JMN)
Plano de Metas para saúde pública sinaliza melhoras
Se depender apenas do Plano de Metas do município para os próximos anos que, em resumo, se trata de uma declaração de intenções de realizações da atual administração, o atendimento público da saúde na cidade e, particularmente em São Mateus, vai melhorar mesmo com poucas ou quase nada em termos de novas unidades na imensidão do território, foi o que afirmou a supervisora da área técnica de Saúde de São Mateus, Márcia de Oliveira Novaes em conversa, no dia 22, com Lucy Mendonça da Gazeta.
O eixo básico do plano é o resgate e a valorização dos esforços do cumprimento da Lei 8080, ou seja, do Sistema Único de Saúde (SUS) e, para tanto, a intenção é aperfeiçoar o atendimento nas unidades que deverão agir então de forma integrada, não estanque nem compartimentada nem sobrepondo às mesmas tarefas e ações em equipamentos conjugados, como nos casos em que estão próximas uma AMA e uma UBS.
Márcia explica que a demanda na AMA é sempre maior em função do entendimento da população de que lá será atendida por um clínico e eventualmente medicada para aquela necessidade do dia, entretanto, grande parte do desconforto e dos eventuais mal estar ou doenças das pessoas seriam mais bem atendidas se fossem de forma programada, com interface e interação com outras áreas do atendimento, de forma contínua, preventiva e mais ampla que o atendimento mais emergencial da AMA. É basicamente essa intenção. A retomada da valorização do atendimento multidisciplinar.
O fato é que em muitos casos a interação da assistência social, do convívio social, de eventuais terapêuticas alternativas, de aconselhamento psicológico juntas dá resposta às doenças ou minimamente enfrentam e ajudam a lidar com a doença de forma mais apropriada e com melhores resultados.
UBS Laranjeiras será a primeira a ter mudanças
Segundo a supervisora, na região, a UBS Laranjeiras será a primeira entre as unidades a alterar seu funcionamento e as alterações serão custeadas com recursos da própria prefeitura. Ali acontecerão remanejamentos com adoção de salas multiuso, composição de equipes multidisciplinar e novos modos de trabalho, preferencialmente com a mesma equipe que lá funciona e eventual chegada de outros profissionais. Unidades no Jardim Limoeiro, Jardim Palanque, Parque das Flores, esta última, para a qual, vai depender de desdobramentos na questão fundiária que está sendo tratada na Secretaria da Habitação e, finalmente, no Jardim Valquíria, passarão por transformações. Se não nas estruturas dos prédios, nos procedimentos e na ampliação dos serviços e atendimentos, garante a supervisora.
Os valores que essas mudanças envolverão já estão previstas nos orçamentos. Em alguns casos, de ampliações pontuais e a adoção de nova modalidade de relação entre as organizações sociais gestoras de alguns serviços e unidades serão objetos de concorrências e licitações.
Haverá mudança também na relação com as organizações sociais aponta o plano de metas. O atual sistema baseado em contratos de gestão e convênios serão todos transformados em contrato de gestão o que, a depender do resultado da concorrência, poderá mudar os parceiros da prefeitura no atendimento público à saúde.
Mantendo o destaque para o a integralidade do atendimento, o certo é que haverá ampliação do número de trabalhadores no setor; seja diretamente ou via organização social. Esse esforço estará voltado para essa multidisciplinidade e a adoção de atendimentos paralelos e alternativos nas unidades.
Parte dessas ações de apoio ao bem estar do paciente ou da população e que envolvem desde acupuntura, recreação, ginásticas rítmicas, convivência social, palestras e outros fazem parte da proposta do atendimento integral e já não há mais dúvida de que elas funcionam e são uteis.
Planos e são planos e contemplam melhorar o atendimento a demanda mental
Segundo a assessora técnica da Supervisão de Saúde, Vera Lúcia Mariano, também presente na entrevista, o Plano de Metas contempla a criação da Rede de Atendimento Psicossocial – RAPS para descentralizar e apoiar o funcionamento dos CAPS que atualmente recebe grande parte da demanda por atendimento em saúde mental. A ideia é a Rede promover o trabalho de mais longo prazo, preventivo e terapêutico diminuindo a procura pelo CAPS que atende, também, o usuário em situação de crise.
Também para esse segmento com demanda expressiva em São Mateus a abordagem será multidisciplinar, para além da abordagem psiquiátrica. Terapias alternativas, convivências, preparos familiar serão parte das ferramentas a serem utilizadas previstas no Plano de Metas.
Nessas novas modalidades de abordagem previstas o atendimento à saúde sai da responsabilidade única do médico e se pretende olhar para a pessoa para além de sua doença. As AMAS continuaram em suas praticas de atendimento, as unidades básicas também, entretanto, nestas últimas, se prevê o atendimento mais integral utilizando-se tanto quanto possível e cabível de todas as praticas alternativas, algumas já em curso em algumas unidades, mas usufruídas apenas pelos usuários interessados e mais próximos dessas respectivas unidades. O acesso a essas alternativas de convivências e práticas que ajudam a manter a saúde é aberto aos interessados, mas tem sido pouco acessado por causa de uma deficiência na divulgação, o que se pretende, também, corrigir.
Como a conversa eram com técnicos e dirigentes da saúde, siglas e propostas foram ouvidas pela reportagem. Entre elas, a criação ou melhora do que chamaram de Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF com o objetivo de promover essa tal de saúde integral e ainda educar as pessoas a se cuidarem ou cuidarem de seus parentes próximos em situação de doença. Educação em saúde, atividades físicas, eventuais passeios, assistência farmacêutica para os pacientes que usam um número elevado de remédios diariamente serão ações indiretas que vão contribuir para a prevenção e as melhorias correlatas da saúde.
Pequenas equipes, mas com olhar ampliado
O certo é que nas unidades básicas de saúde o atendimento passará a ser de responsabilidade de pelo menos três áreas: o médico clínico, uma enfermeira e assistência social. Com isso já se poderá ter um olhar mais ampliado sobre o paciente e a situação que ele apresenta. Será a partir dessa impressão que os encaminhamentos serão adotados de forma ambulatorial e de indicação para as atividades e terapêuticas disponíveis e adequadas àquele caso.
Supervisão discute com funcionalismo e com os conselhos o novo rumo
As novidades previstas no Plano de Metas, entretanto, estão sendo muito discutidas e dialogadas com os envolvidos, exceto a população usuária. Segundo Márcia de Oliveira já foram realizados encontros com gestores e com os conselhos de saúde das unidades o novo direcionamento previsto, entre eles corrigir uma distorção que foi criada ao longo do tempo que implica em uma procura grande das AMAs por demandas que poderiam ser plenamente e melhor cuidadas nas unidades básicas de saúde. Essa inversão, revela a supervisora, fez com que aportes de recursos materiais e humanos fossem direcionados às AMAs em detrimento das UBS. Corrigir essa distorção está nos planos.
Mudança nas OS e convênios criam expectativas
A alusão ao chamamento público previsto para rearranjar a participação das Organizações Sociais na gestão dos equipamentos nas novas modalidades que estão previstas para ocorrer durante este ano e o ano seguinte, também tem gerado certa expectativa e apreensão entre os servidores atuais. Quem fica; quem sai; o que muda são perguntas ainda sem respostas apropriadas e difíceis de prever. Apesar do desejo da atual supervisão, e por extensão, eventualmente, até da própria prefeitura em manter os servidores que já conhecem e trabalham nas unidades, não existe nenhuma garantia prevista nos editais para as modalidades que serão licitadas. Se o setor de saúde pública tem suas necessidades, os que procuraram se adequar a elas, as organizações sociais, terão suas necessidades também e, entre elas, poderão estar mudanças ou corte de pessoal.
Entre outras iniciativas não reportadas Idosos e deficientes
Para um futuro mais elástico, tanto a assistente técnica quanto a supervisora apontaram para a criação ou adequação de quatro unidades básicas integrais que comportarão um centro de especialidades de reabilitação em nível quatro, como chamam, que poderá atender pessoas com deficiência intelectual, de audição, de visão e mesmo física.
Ainda, em 2016, o atendimento específico ao idoso através de unidades de referência em saúde do idoso, chamado URSI em terreno próximo a UBS Mateus I e ao CDC, localizado centralmente em São Mateus voltado a reabilitação e atenção básica ao segmento sempre crescente. A construção está prevista para 2015 e o funcionamento para iniciar em 2016.
Como se vê, o Plano de Metas propõe mudanças. Parte delas vai em direção ao resgate pleno do Sistema Único de Saúde e acertadamente lida com a demanda em saúde para além da clínica médica e medicalização. A questão está colocada. Planos existem, mas a prática ainda precisa ser adotada e experimentada. (JMN)
No voto se afaste dos picaretas
Preste muita atenção no que você vai fazer com seu voto. Eu sei que é melhor um feriado em casa descansando ou passeando ou até fazendo os pequenos reparos que a gente sempre adia do que ir lá, na escola, dar o seu voto. São poucas as pessoas que vão às urnas com a responsabilidade cívica de fazer a melhor escolha para a comunidade. Deveria ser a maioria. Pena que ainda não.
Com o pouco tempo de exposição e de campanha, num clima até agora primeira quinzena de agosto morno até parece que não haverá eleições este ano. Só deve esquentar com as propagandas _todas muito parecidas e cheias de promessas na TV. Desconfio que esse clima seja até bom para os candidatos malandros e enroladores.
Não custa lembrar que se tem uma coisa que decepciona mais que a maioria dos políticos e dos governos, com raras exceções é o salário no final do mês de muita gente. Na maioria dos casos temos os políticos que só querem se dar bem; temos os que têm rabo preso na defesa dos interesses de segmentos da sociedade; temos aqueles que querem fazer alguma coisa, mas de tão confusos dão mesmo é muito vexame e temos aqueles _e é nesse extrato que escolho os meus que tem competência e interesse público. Uma minoria mesmo.
Para só lembrar a desfaçatez de que os parlamentares são capazes, o exemplo do ex-governador e deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) serve. Essa figura que já foi governador gastou R$ 392 mil da cota reservada aos parlamentares para divulgação do que fez _ele não ia escrever o que não fez, com gráfica de fachada. Essa verba é feita através de reembolso aos deputados e senadores mediante apresentação de notas fiscais e é livre de licitações.
A gráfica que apresentou o comprovante não tem impressora, papel e funcionário. Como imprimiu fica a pergunta. O endereço citado é a residência do dono da “não impressora, papel e funcionário”. Apertado pela suspeita se saiu com a desculpa que terceiriza o serviço. “Me engana que eu gosto”. Só que não. Se essa transação não encareceu o serviço dou meu dedo para ser cortado. E essa transação gerou grana para quem? Duvido que o tal deputado deixasse de ganhar algum. O tal deputado contratou a mesma firma 25 vezes pagando entre R$ 5 mil e R$ 30 mil mediante nota fiscal. Os preços praticados e os produtos adquiridos são sinais claros de desperdício.
E quem paga a conta, caro leitores? Somos nós mesmos.
E o tal deputado, com 72 anos já deveria se dar ao respeito. Como ex-senador e ex-governador é figura carimbada com três mandatos na Câmara. Imagino o que ele deve ter aprontado no primeiro governo Lula, quando presidiu o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e isso é muito importante para nós, meros trabalhadores, administrando um caixa de mais de R$ 120 bilhões.
Mas ele não é um caso a parte entre os eleitos, não. É uma mostra da categoria. No Supremo Tribunal Federal (STF) o peemedebista é réu em ação penal por peculato e violação da Lei de Licitações. É acusado pelo Ministério Público de ter montado um esquema que desviou, em benefício próprio e de terceiros, mais de R$ 100 milhões do INSS, em 2004. Como o eleitor ainda é capaz de votar numa figura dessas que, insisto é mais comum do que imaginamos eu não entendo e nem aceito.
Dai o alerta. Votar pode ser para você apenas uma chateação obrigatória, mas desse ato, com o qual você também deveria ter a maior responsabilidade pode sair mais de um sacana da mesma espécie fazendo tantas outras maracutaias. É olha que o infeliz que usamos de exemplo aprontou com a sua, a minha e a nossa capitalização na seguridade social. Bem infeliz não e ele não, somos nós. (JMN)
Pedem mudanças, mas não dizem o que mudar
Estamos quase às vésperas de um ‘já deu!’. Por quantas vezes acompanhei as campanhas eleitorais, principalmente as peças publicitárias levadas ao ar via televisão onde os candidatos, devidamente penteados e asseados, vão nos tentando explicar as razões do porque querem o nosso e o meu voto.
De dois em dois anos, e para a corrente, com eleições gerais, que vai fixar ou alojar novo presidente ou presidenta do Brasil eles se chegam; marotos, bem orientados, cheios de ginga e com o discurso mais recorrente que é preciso fazer mudanças. Essa palavra chave que nos convida a prestar atenção, por vezes nos coloca ansiosos ou receosos, uma vez que, quase sempre, partimos e concordamos com o ponto de que as coisas não estão boas e precisam mudar.
Para este ano a lógica se mantém. Vamos mudar tudo, para que tudo fique exatamente como está. De concreto mesmo nem Dilma, nem Aécio, nem Marina, a missionária guindada à condição de candidata, por conta de uma fatalidade que vitimou o então candidato Eduardo Campos, pelo PSB, jogam o jogo da mudança de verdade.
Se para os oposicionistas que agora são Marina e Aécio, entre os de maior visibilidade, medidas diferentes são necessárias para o próximo governo a ser eleito, fica no colo da Dilma fazer malabarismos para provar que o certo é haver uma continuidade com transformação, seja lá o que isso concretamente queira dizer.
Em programa de TV, Dilma teria dito que “O Brasil, blá, bla, blá não interrompeu o grande ciclo de mudanças que vinha fazendo desde o primeiro governo Lula”. Se não interrompeu, pela lógica, não mudou. Portanto, continuou. Onde fica então a proposta de mudança? Seria então, um novo ciclo de desenvolvimento, sendo que o Brasil, no contexto da economia mundial também sofre efeitos de uma crise que vem se instalando pelas bordas?
O Brasil, eventualmente, e em muitos aspectos, está melhor do que antes. Há que se reconhecer que parte dessas melhorias se revelou no período em que o PT assumiu o governo federal, mas não há, também, como não apontar que nem tudo é céu de brigadeiro e o déficit nas contas aponta para problemas muito sérios e concretos.
O que vai significar então essa proposta de mudança? E se precisa mudar, existe o reconhecimento de que alguma coisa está fora da ordem e errada na gestão desse último ciclo. E está errada para o atual governo federal, embora, justiça seja feita, o modelo deste é o mesmo em termos de situação, desculpas e propostas dos governos anteriores. Resumo: se precisa mudar, devo deduzir que é para melhor, então quais são os problemas e os erros? Essas respostas, de forma sincera e verdadeira, não serão divulgadas nas campanhas e se o forem serão sem ostentação.
Por outro lado, o até então candidato mais próximo de disputar com a Dilma, Aécio Neves (PSDB) continua criticando a gestão da Dilma, mas, curiosamente, não esculacha as escolhas petistas, principalmente na economia que vem desde o primeiro mandato de Lula no governo federal que, por sua vez, criticou, mas não esculachou e adotou praticamente o mesmo encaminhamento na economia do seu antecessor, o ex-presidente Ferando Henrique Cardoso.
Em resumo do que pode ser visto até agora, Aécio repete o chavão de que é preciso gastar menos com o governo e mais com as pessoas. Desde quando isso é uma mudança ou uma nova proposta? Acho que esse discurso vem desde o tempo em que os aparelhos de televisão eram bundudas, digamos assim.
Parece um sabonete inofensivo. Tem cheiro bom, mas não funciona. Uma mensagem muito fácil de ser divulgada, que não encontra objeções e de fácil entendimento. Diz, o candidato, que dá para melhorar os benefícios à população com a redução do custo da máquina federal, mas o que isso efetivamente muda? Perfumaria, mesmo porque não é para valer. No caso de Aécio ou Marina quantas acomodações em cargos e participação no governo serão necessárias? Que não se abuse da nossa suposta ingenuidade.
Além do que é necessário restabelecer a verdade dos fatos. O aumento nas despesas dos últimos anos está efetivamente ligado à área social, ou seja, nos gastos com as pessoas. Gastos com os programas universais de transferência de renda às famílias carentes, não incluindo aqui, a tão falada Bolsa Família, saltaram de 6,7% do Produto Interno Bruto, em 2002, para o equivalente a 9% do PIB em 2013. Já os tais gastos com o governo, como acusa o candidato Aécio Neves não tiveram acréscimos significativos. Só para fazer as contas, candidato, os encargos com o pessoal ativo e inativo, por exemplo, tiveram uma redução de 4,8% para 4,2% do PIB.
Portanto, caro Aécio, Marina e outros. Promessas de mudanças que não mudam; propostas de inverter a condução da política econômica para a mesma direção é o mesmo que andar atrás do rabo.
Em se tratando de propostas de mudança mesmo, elas poderão ou não ser encontradas no campo lá da ainda modesta, quase inexpressiva esquerda; algumas bastante respeitáveis que participam da disputa. (JMN)
Prefeitura que conhecer os problemas; venha que mostramos
A decisão do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) de criar o Gabinete de Gestão das Subprefeituras, da qual será titular a vice-prefeita Nádia Campeão (PCdoB) para dar um novo e supostamente melhor fluxo para as demandas dos bairros que compõe a cidade será bem vinda, se funcionar. O gabinete que, espero, não agregue apenas mais despesas ao erário público deverá estreitar a ligação entre esse gabinete e a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras no sentido de tramitar as demandas que, reconheçamos, tem ficado muito aquém.
A decisão foi revelada durante uma visita ao Jardim São Luís, na região do M’Boi Mirim, zona sul da capital no dia 5. O gabinete deverá ser criado por meio de decreto até o final deste ano. Disse o prefeito, que vai melhorar as informações que ele só acaba conhecendo quando visita os bairros. Espero que não seja exatamente isso que ele diz, pois para que servirão então os subordinados e os subprefeitos senão para, também, informar o prefeito.
Claro que em diversas ocasiões já ouvi queixas de servidores e de cargos mais elevados na prefeitura revelando que nunca é tão simples se chegar ao prefeito com tempo para que ele os escute. Isso nesta e nas outras administrações.
O certo é que com a mudança, as lideranças de bairro vão ter que bater agora em outra porta diminuindo a quantidade de demandas que chegava com dificuldades a coordenação anterior. A iniciativa ainda é bem vinda se isso não significar, agora, passar o apagador na lousa onde estão anotadas todas as demandas que existem e que foram encaminhadas à prefeitura.
Ou seja, que não seja uma forma de ganhar tempo com os agentes públicos alegando coisas do tipo “Agora isso [a demanda] tem que se encaminhar ao gabinete”, fazendo com que dias, meses e até anos de lutas, de reuniões e mobilização das comunidades, das vilas e bairros voltem à estaca zero. Se isso ocorrer será como ‘um passa moleque’, nas legítimas reivindicações.
Para evitar e não permitir isso, lembro, as lideranças todas, para que se atentem. Principalmente as do bairro de São Mateus com seus três imensos distritos e que juntos tem muita demanda para continuar a apresentar e serem atendidas.
Dando um voto de crédito para a atual administração e, por tabela, para a vice-prefeita, desde já e em nome das comunidades; mesmo sem procuração delas, faço o convite para que ela se aproxime. Venha conhecer a imensidão territorial e a quantidade de problemas que temos aqui em São Mateus, Iguatemi e São Rafael. Ela pode e deve até mesmo passar algum tempo dentro da própria Subprefeitura de São Mateus para constatar a escassez de quase tudo: de recursos a material humano qualificado, falta de boa vontade e dinheiro em caixa para as despesas. Lá ela, e o gabinete, quando for criado, poderão, se ainda der tempo, encontrar máquinas paradas e sucateadas; os novos carros do Conselho Tutelar disponível, mas estacionado por falta de combustível e regularização e outras coisas mais.
Quando ela sair visitando os locais, pode convidar a reportagem que iremos juntos. Ela vai se deparar com centenas de irregularidades em termos de ocupação e uso do solo, córregos imundos e assoreados de tanto lixo e resíduos fora do lugar, invasões e ocupações que terão como final, caso não aja uma intervenção em comunidades insalubres, desorganizadas, carentes e com pouco ou nenhum respeito ao espaço público que deveria ser de todos.
Poderá também visitar algumas, quem sabe todas, as unidades básicas de saúde. Ver em que condições elas estão e em que condições trabalham os funcionários que ainda resistem as inúmeras ocorrências de ameaças, violências verbais e físicas, passando por ocorrências de furtos e roubos. Poderá transitar também por ruas com asfaltos de péssima qualidade. Frequentar playgrounds com ameaçadores brinquedos enferrujados e conhecer também outros grandes problemas, alguns de solução muito simples.
Que o gabinete a ser criado faça isso. O convite está feito e gostaríamos de estar entre os primeiros bairros a ser visitado. A nossa desconfiança, então, terá que ser desfeita pela ação concreta do governo; deles. Mas, por enquanto, o simples fato de reconhecermos as dificuldades da própria subprefeitura, não nos faz ficar muito otimista. Mesmo assim, venha. A senhora, vice-prefeita será muito bem recebida. (JMN)