Corrupção e crise fazem prestigio do governo cair
A se dar crédito às pesquisas de opinião de grandes institutos como é o caso do Datafolha, e não há porque se duvidar dos resultados porque estes, se manipulados, trairiam e operariam contra sua principal finalidade são más notícias que estão reservadas a presidente Dilma Roussef. Recentemente esse instituto pesquisou a popularidade da presidente e a percepção que os brasileiros têm da crise.
Dilma vinha sendo rejeitada desde o início deste seu segundo mandato muito por conta da crise que começa a se instalar, mas, principalmente por conta dos efeitos à partir das revelações das lambanças feitas principalmente pela base de apoio ao seu governo envolvendo o PT e o PP em escala maior e os diretores da Petrobras, estatal, que foram indicados pelas forças politicas que orbitam a administração recente pilotada pelo Partido dos Trabalhadores.
Não há mais nenhuma sombra de dúvida de que os malfeitos com a estatal e as chances enormes de outros malfeitos estarem presentes em outros órgãos diretos ou indiretos do governo fizeram com que o sentimento generalizado da população seja de indignação e revolta, parte dela expressa na manifestação recente do dia 12 de abril quando ruas e praças de parcela importante de cidades brasileiras foram tomadas em sinal de protesto.
Em meados de março as pesquisas indicavam que 62% dos entrevistados consideravam o governo da presidente Dilma Roussef ‘ruim ou péssimo’. Agora em abril é 60%, indicador que está dentro de uma margem de erro na metodologia adotada pelo instituto. Variaram de 24% para 27% os que acham esse governo razoável e mantiveram-se em 13%, os que disseram que é ‘ótimo ou bom”. Não tem como achar ai algum sinal de melhora, portanto considerar como um leve recuo ou estagnação o crescimento da camada que protesta contra o governo por causa de um número menor de manifestantes, em abril, é enganoso.
Enganoso, também e principalmente porque é da natureza das manifestações de protestos contra o governo, no caso, de oscilarem entre uma ação ou outra. Apenas em momentos de ruptura revolucionária e no ápice da guerra de movimentos que as quantidades de manifestantes em protestos se mantêm ou ampliam.
Voltando aos números que até então entendemos como confiáveis, em meados de março 77% das pessoas consultadas diziam que a inflação iria aumentar, contra 78% das pessoas que dizem a mesma coisa agora. Na outra ponta os mesmos 6% que afirmavam que a inflação iria cair se manteve. No meio do caminho, dos que podiam apostar que a situação ainda vai melhorar estavam 15% na tomada de março e 14% agora. Na mesma conjuntura tem um universo que era de 69% e que passou para 70% daqueles que acham que a taxa de emprego vai aumentar. Os que otimistas diziam que vai diminuir foi de 12% para 10%.
O resumo de tanta conta é que não há notícias boas para o planalto. Na gênese dessa mal estar os problemas do país que historicamente tem sido elencado como principal a saúde, agora recebe a companhia da corrupção como um dos principais problemas. Vale lembrar que o tema corrupção não era lembrado em 2011, mas veio a tona nas jornadas de junho de 2013 e se manteve em julho de 2014 durante a Copa do Mundo do famigerado sete a zero e agora já tem tanto peso quanto a saúde nos corações e mentes dos brasileiros.
Se a Petrobras e os assuntos que a envolvem tornou-se um fardo pesado para da presidenta isso é revelado na desconfiança de pelo menos 83% dos entrevistados. Que sabia dos problemas na estatal e nada fez, 57% dos entrevistados. Apenas 12% acreditam na ignorância da presidente quanto as lambanças, equanto 26% admitem que ela sabia, mas que nada podia fazer.
Cabe aqui a somatória de tantos números. A presidente Dilma, na atual conjuntura tem menos crédito que um contumaz frequentador do Sistema de Proteção ao Crédito.
A questão é, com quais ingredientes , fatos ou iniciativas o crédito da mandante do país aumentará. Trata-se de uma incógnita. Um desses ingredientes poderá vir do balanço da estatal que tem que ser publicada em breve e que aponte poucas perdas e danos e aponte para alguma trajetória de recuperação. Vai ajudar, mas longe estará de botar ânimo nos brasileiros que já suspeitam que entre essa possível recuperação e a saída de uma crise que começou a se instalar, o tempo vai contar.
Resumindo a ópera o governo perde prestigio em intensidade só pouco menor do que o partido que lhe dá sustentabilidade. O PT pena para recuperar um pouco do prestígio e confiança que um dia lhe foi concedido. Naturalmente não há aqui um julgamento do conjunto de seus dirigentes, tendências e forças políticas que o compõem, mas pesa o fato de estarem envolvidos nos malfeitos de forma mesmo que indireta uma parcela considerável e importante de seus dirigentes do campo majoritário, ou seja, do campo que domina a prática política institucional.
Um forte sinal de que tempos bicudos virão é o prestigio decrescente de sua principal liderança, o ex-presidente Lula que agora já não consegue mais continuar ileso à ilações de seu comprometimento com os problemas e que ainda pode remotamente ser atingido em investigações. Caberá a ele a dádiva da dúvida e a capacidade de comprovar que não tem culpas no cartório.
Lula já foi comparado a Pelé, logo nos primórdios do primeiro mandato da presidente Dilma Roussef, como uma espécie de reserva de qualidade à ser guardada para a próxima disputa em 2018. Os tempos mudaram e a liderança também foi arrastada para baixo. E onde isso fica revelado?
Infográfico de uma pesquisa da Datafolha publicada no mesmo domingo da manifestação contra o governo, no dia 12, indicava que se a eleição fosse neste período Aécio estaria com 33% contra 29% de Lula, coisa inimaginável alguns meses atrás e no entendimento cristalizado daqueles que o consideravam a reserva da qualidade da agremiação petista. Surpreendente para alguns, previsível para outros. Os dados seriam um retrato da disposição por parte de todos os consultados já em primeiro turno.
Ao final dessa leitura dos números parece que muita coisa mudou. Lideranças ou partido de preferência nacional, agora descem a ladeira, mas isso não quer dizer, entretanto, que o que está retratado enquanto tendência seja a melhor coisa para o Brasil. Longe disso, uma vez que as alternativas disponíveis não são para animar qualquer ser consciente. (JMN)
Não fique doente, pois não terá para onde correr
O fato é que nesses dias da primeira quinzena de abril estamos no ‘cada um por si, Deus por todos’, mesmo diante do fato prescrito na constituição que cabe aos governos cuidar de sua população onde o direito a segurança, ao transporte público de qualidade, da educação e da saúde e outros também estão longe de estarem garantidos.
Pois bem nada desses direitos tem funcionado adequadamente em quase todo lugar e também aqui em São Mateus. Tanto é assim que na última sessão da Câmara na semana passada, dia 11, que foi feita no CEU São Mateus, em um universo de 114 inscritos, 30 moradores e lideranças, em sua esmagadora maioria, só reclamou. E reclamou muito, um pouco de cada coisa. Embora a pauta tivesse que ser circunscrita as responsabilidades da prefeitura municipal sobrou ferro também para o governo do Estado.
Tudo fragilizado. É público e notório que uma epidemia de dengue vem se instalando e para desgraçar ainda mais vem se acentuando a ausência de atendimento médico público e gratuito nas tantas unidades de saúde mais ou menos espalhadas pela região. Ninguém me convence de que o crescimento da ocorrência de casos de dengue tem a ver com a falta de água. As pessoas, no sufoco, começaram a reservar água onde e como podiam, tentando se aproveitar, inclusive, das chuvas do período, muito porque o governo do Estado, alertado desde pelo menos três anos antes, não tomou providências para enfrentar a escassez e as dificuldades de abastecimento que mais cedo ou mais tarde iria chegar. E chegou.
Armazenando de forma errada e sem os cuidados primários para evitar criadouro para mosquitos da dengue estamos experimentando e pagando pelos nossos erros. Nossos pelo descuido de armazenamento e o do governo por omissão.
Com a dengue atacando o futuro paciente _que se tornará paciente, caso doente, não tem onde conseguir ajuda. Isso pelos simples e preocupante fato de que não se encontra atendimento ágil nas unidades de saúde dos três distritos de São Mateus. Fenômeno que em maior ou menor grau se repete em toda a cidade. Em geral a demora em conseguir passar por um clínico geral leva folgado acima de 60 dias.
Não adianta, caro leitor, você contar com o socorro para as suas dores nesse período e em outros também, sejamos sinceros. Caso você não tenha uma assistência médica particular com a prestação paga regularmente será pedir para ficar frustrado e sem socorro. Parece haver uma ‘política deliberada’ de esvaziar as unidades básicas de saúde. Para se chegar aonde não sei ao certo. Deve ser aquelas coisas lá da política econômica, afinal também estamos diante de uma crise se instalando. SE algum consolo pode a ver é o fato de termos consciência que isso não ocorre apenas na cidade de São Paulo e faz parte do cotidiano de tantas outras cidades importantes do país.
Mais duro ainda, é ficar sabendo que no dia 15, o Senado Federal, cujos senadores, familiares e funcionários tem assistência médica privada pago com dinheiro de nossos impostos, aprovou uma medida provisória que anistia em R$ 2 bilhões os planos de saúde, referente a multas aplicadas a esses planos pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Esperemos que a presidente Dilma Roussef, aquela mesma que muita gente quer tirar de lá vete a medida. Ela tem 15 dias a partir de agora para proibir ou seguir junto para mais essa injustiça com a população.
Em São Mateus só não digo que as unidades de saúde ficam às moscas, porque ainda é intenso a circulação dos moradores na vã esperança de algum tipo de atendimento médico. Esse é para aqueles que conseguiram esperar durante muito tempo pelas suas consultas. Não ficam às moscas porque ainda existem nessas unidades alguns funcionários abnegados, esforçados que tentam tanto quanto possível reconfortar o infeliz que foi atrás de ajuda e não encontrou.
O que sei dizer é que desejo a vocês que não sejam acometidos por enfermidades, nem sejam atacados pelos mosquitos da dengue de forma a se contaminarem. Eu não poderia ajudar muito e do jeito que estão as coisas nem a prefeitura, nem o estado, nem a federação, portanto nem o prefeito, nem o governador, nema presidente e todos os seus séquitos e auxiliares que estão cobertos com assistência médica pagas com o dinheiro público, portanto, meu e seu. Saúde a todos! (JMN)
São muitas as ‘bolsas’, mas só uma é criticada
Considerado o maior programa de transferência de renda que exige contrapartidas dos beneficiados em operação no mundo todo, o Bolsa Família tem sido motivo de discussões nem sempre racionais. Em destaque a quantidade de beneficiários; o volume gasto; a evolução ou crescimento dos usuários; distribuição geográfica; as contrapartidas envolvidas e, também, como seu viu na disputa eleitoral de 2014 a relação entre o programa e os resultados eleitorais.
Segundo informa o governo o programa beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza e é destinado a famílias cuja renda familiar per capta é menos de R$ 77/mês. Garante também as tentativas de inclusão produtiva e acesso aos serviços públicos. Com a medida promove alívio imediato da penúria, reforçam o acesso a direitos sociais e as ações e programas complementares para o desenvolvimento dos envolvidos visando superar a vulnerabilidade. O valor repassado depende do tamanho da família, idade de seus membros e da renda. A gestão é compartilhada entre União, estados e municípios que devem trabalhar em conjunto para aperfeiçoar, ampliar e fiscalizar a execução dele.
Grosseiramente explicado o funcionamento do programa que gera polêmicas, fica a lembrança que outros tipos de bolsa não sobem a tona com tanta frequência e não causa tanta discussão, mas deveria.
Bolsa empresário e bolsa banqueiro
Permanecem intocadas e ausentes dos debates outros bilionários gastos públicos. O “Bolsa Empresário” funciona com os empréstimos do Tesouro aos bancos públicos, principalmente BNDES. Ali a sangria saltou de R$ 14 bilhões para R$ 438 bilhões. Com os empréstimos que faz o Tesouro se endivida em patamar maior do que vai receber. Estudos indicam que o subsídio escondido nessa operação está no patamar de R$ 24 bilhões por ano. Aqui o pulo do gato. Esse valor é equivalente à Bolsa Família. Sabe-se que o BNDES vem pedindo mais empréstimos ao Tesouro para depois beneficiar empresas que por ‘coincidência’ são os destacados financiadores de campanhas eleitorais em todos os níveis até para o cargo de Presidente da República.
Coube ao saudoso Plínio de Arruda Sampaio, então candidato à Presidência da República, pelo Psol, em 2010 a expressão “Bolsa Banqueiro” que retrata o pagamento do serviço da dívida pública _juros, amortizações e encargos, onde o volume de dinheiro é obtido via tributos do conjunto da sociedade, com destaque aos assalariados e consumidores. Esses recursos são transferidos por intermédio do “sistema da dívida” ou “bolsa banqueiro” para um pequeno grupo de privilegiados.
Dado o volume envolvido e sabendo da finitude dos recursos falta para investimentos estratégicos e políticas públicas aperfeiçoadas e efetivas dos direitos sociais, conforme prescrito no artigo 6º da Constituição.
Mas ainda não é hora de chorar, pois tem mais. Para formar e ampliar as reservas internacionais existe outra Bolsa-Banqueiro e se refere ao custo do governo para formar as reservas internacionais. Quem se beneficia da compra pelo governo de dólares é o sistema financeiro, sangria que poderia até ser contida ou atenuada em face ao montante de recursos, hoje, 25 de março, na ordem de US$ 352,5 bilhões que o país acumula e suficiente para proteger o país de crises atuais e previsíveis em porte e intensidade.
Encurtando o artigo observemos que para o ano de 2013 foram registrados gastos públicos nas ‘bolsas’ da seguinte ordem: Bolsa família – R$ 24,5 bilhões; Bolsa empresário – R$ 24 bilhões; Bolsa banqueiro – reservas R$ 55 bilhões; e Bolsa banqueiro (2) – serviço da dívida R$ 718 bilhões. Qual a razão, então de tanta critica a Bolsa Família?
Deveria ser paga pelas elites socioeconômicas
Principalmente pela via da tributação, as classes médias de forma consciente ou inconsciente se sentem os principais financiadores e o são. Percebem-se também financiadores dos escândalos de corrupção e das várias formas de transferência de renda, seja para a BF, de novo, programas habitacionais, aposentadorias rurais, etc. A tal ‘conta’, entretanto, deveria ser paga pelos abonados. Só que, como poucos. esses segmentos sabem como defender e ampliar as suas rendas e reforçar as suas ‘bolsas’, ampliando sempre a sua fatia no bolo. As classes médias pagam; as elites pagam menos e ainda ampliam seus ganhos.
Alguma coisa, portanto, evidentemente, está fora da ordem, mas como conseguem passar tão despercebidos pelo senso comum? A resposta está na grande mídia, concentrada economicamente nas mãos de poucos e os mesmos, quase sem paralelo no mundo democrático. Por fazerem parte da mesma turma com interesses mistos e cruzados, essa mídia deliberadamente esconde as “bolsas” dos ricos e explora e praticamente condena de forma vigorosa a “bolsa” dos pobres.
Essa mídia faz o seu papel. Uma vez inseridas numa estrutura desigual de distribuição e democratização da mídia e, no contexto de uma das sociedades mais excludentes e desiguais que é esse Brasil, protege seus interesses cruzados dificultando o entendimento da realidade dos fatos e das desigualdades onde a riqueza é produzida coletivamente, mas apropriada de forma privada.
Só mesmo educação política realística em grande escala, mobilização da juventude, dos trabalhadores e das classes populares e médias de forma consequentes poderão mudar o ambiente para melhor e mais justo. (JMN)
Nem dá tempo de respirar
Se tem uma coisa que a gente não pode negar é a transparência e a autonomia com que a Polícia Federal e os órgãos de investigação tem para cumprir suas responsabilidades no governo atual. Diferente do passado quando a corrupção e os crimes eram acobertados ou proibidos de ser investigado, o atual está com a corda toda. Dai que a gente nem tem mais tempo para se espantar. É um atrás do outro.
Pois bem, nem bem estão reveladas, apuradas e comprovadas as mutretas que estão na Operação Lava Jato outra já tá na fila e começou a ser investigada. Vai faltar polícia federal. A operação chamada de Zelotes está começando a investigar lavagem de dinheiro, corrupção, trafico de influência, associação criminosa, advocacia criminosa etc., no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Federais (Carf), sigla que eu nunca havia ouvido falar.
A tal Carf seria uma espécie de ‘poder judiciário’ da Receita Federal, aquela que a maioria de nós, todos os anos temos que dar satisfações. E nesse ‘poder’ que os recursos de pessoas físicas ou jurídica que não concordam com a apuração nos impostos de renda têm para recorrer.
Esse conselho é formado por funcionários do Ministério da Fazenda e por representantes da sociedade e desconheço qual o critério de indicação ou eleição. Sei lá. Só sei que a operação está investigando possíveis fraudes que podem chegar a R$ 19 bilhões em apenas 70 processos que foram analisados na investigação. Só pra gente se localizar o volume é muito maior do que está sendo apontado no que se convencionou chamar ‘petrolão’.
Segundo a PF, o esquema usa escritórios de advocacia, de consultoria e assessorias para atuar junto a conselheiros atrás de diminuir o valor das multas. No convencimento, claro, rola umas carícias e mimos. Os ambientes dessa atuação estão divididos em três. São as câmaras de análise. Uma do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Lóquido (SCLL); outra do Imposto de Renda da Pessoa Física e contribuições previdenciárias e a terceira para as questões de PIS/Cofins, Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) e Imposto de Exportação (IE).
Mas qual seria o problema? É que a Receita Federal era tida e havida como uma área de atuação altamente profissionalizada e moralmente respeitável. Com o escândalo que começa a mostrar a cara se vê que não é bem assim.
Vamos aos primeiros detalhes. A PF recolheu dia desses R$ 2 milhões. Num único cofre de um parente de um ex-secretário da Receita R$ 800 mil que é um dos investigados. Além desse outros ex-conselheiros também são suspeitos. Outros virão, enquanto a Polícia Federal aguentar e não for cerceada em seu trabalho.
O fato é que nem a Receita Federal que a maioria de nós não gostava porque cobrava imposto, mas respeitava também foi contaminada pelos malfeitos, pelos malfeitores, pela corrupção e afrouxamento do comportamento ético.
Nessa toada, aguentemos firme, não desistamos e não nos abatamos com a sem-vergonhice que vem de cima. Preferimos ficar triste sabendo das maracutaias a ficarmos com cara de bobo alegres. Mas que tá osso aguentar, tá! (JMN)
Os milhões de barris
Nesses tempos em que a Petrobras é a pauta vale lembrar que a sua preservação é questão de soberania nacional
O fato é que o Brasil ficou mais atraente ao capital internacional. Se até 2006 era a fartura de recursos naturais, muito território e um mercado consumidor em expansão mesmo que lenta, mas promissor, agregou-se um pouco mais tarde como valor um volume expressivo de petróleo. A expectativa é que apesar da flutuação o preço do barril fique próximo a US$80, um valor que se entende como competitivo.
O fato, também, é que o Brasil cedeu nos anos 90 mais um pouco de sua pouca soberania. Um exemplo foi a adoção de uma lei frouxa e complacente de remessa de lucros que permitia o livre trânsito de capitais; a falta de proteção à empresa genuinamente nacional e com uma politica de superávit primário e câmbio que ainda agora conforta os rentistas em detrimento da indústria nacional que se desnacionalizava. Foram oferecidos a subsidiárias estrangeiras benefícios fiscais e até créditos numa política, também sustentada, por uma mídia hegemônica com fortes vínculos e até pertencimentos a este capital cuidando de alienar a sociedade. Se pode afirmar que a sociedade teve uma sangria mais substanciosa de suas riquezas. Era um país, então, subalterno, com apenas 14 bilhões de barris de petróleo que poderiam escassear nos 17 anos seguintes mantidos o padrão de consumo atual.
Em 2006, o cenário muda com a descoberta do Pré-Sal, que pode conter de 100 a 300 bilhões de barris de petróleo. 60 bilhões desse volume já foram revelados até agora. Iniciou-se também certa proteção a indústria nacional, por exemplo, com a proibição de compras do exterior de plataformas de petróleo. Em outra ponta nevrálgica chegaram novos equipamentos de defesa para as Forças Armadas.
E se o Brasil participava apenas do Mercosul, melhorou a sua interação soberana com outros fóruns como a Unasul, a Celac e os Brics ação que contraria os interesses geopolíticos norte americanos. Na política externa o Brasil se aproximou dos países em desenvolvimento e de outras regiões, mas de forma a não melindrar ainda mais os EUA, a Europa e o Japão.
Ainda nesse período, corretamente, abandona-se o modelo das concessões; aquele que permitia quase todo o lucro do petróleo ir para o exterior e adota-se o modelo de contrato de partilha. Nessa modalidade uma parte adicional do lucro, acima do royalty, vai para o fundo social e parte do petróleo vai para o Estado brasileiro. Outra sábia decisão foi escolher como operadora única do Pré-Sal a Petrobras, o que, por tabela, melhora a compra de bens e serviços no país. Outra ousadia foi à escolha de empresas petrolíferas chinesas no leilão do campo de Libra rompendo o ciclo dos interesses das petrolíferas estrangeiras ocidentais.
Com tanta contrariedade o governo americano vivia paparicando a presidente Dilma ao mesmo tempo em que espionava sua movimentação, conforme denunciado tempos atrás. A ideia era seduzir o governo brasileiro e recompor as regalias que até então desfrutavam. Ponto para a soberania brasileira.
Dado ao insucesso da sedução esses setores estrangeiros ocidentais, tentaram se aproveitar das eleições majoritárias do ano passado para ajudar a eleger um mandatário brasileiro mais subserviente para que este pudesse relaxar nas medidas de soberania. Possivelmente, entidades similares com e a própria CIA, utilizando empresas estrangeiras aqui estabelecidas, devem tê-las incentivado a contribuir com recursos para eleger os seus candidatos em 2014, formando uma bancada no Congresso Nacional que é um misto de entreguistas com alienados corruptos, porém, muito fiéis aos doadores de campanha.
Em mais um round
A partir da descoberta dos ladrões da Petrobras, um novo tempo e, diria, turno de campanha presidencial toma corpo, principalmente na mídia ao gosto dos interesses estrangeiros ocidentais. Essa mídia, auxiliada por políticos subservientes e comprometidos com os financiadores que também são representação desses interesses inconfessos, buscam cumprir a tarefa de confundir a população e leva-la a achar que a Petrobras rouba o dinheiro do povo e não, como é: ladrões ocupantes de cargos na empresa que a roubam. Nessa linha perigosa, de uma Petrobras fraca e até privatizada, vai ficar muito fácil levar o petróleo do Pré-Sal.
Como se vê independente do resultado que advir a coisa mudou de figura. O Brasil não é mais aquele de 14 bilhões de barris de petróleo. Caminha para uma reserva mínima de 200 bilhões de barris e isso levará o país a ser uma das três maiores reservas do mundo e com isso não se brinca. Essa situação exigirá muitas outras medidas de soberania, caso a sociedade brasileira queira usufruir dessa sua riqueza. Essa nova situação é tão real que a visão do capital internacional é que o Brasil não é, ou ainda não, um país antagônico, como China, Rússia, Irá e Venezuela, mas poderá vir a ser, uma vez que vem tomando medidas e estabelecendo regras mais duras com relação a esse capital. Por isso todo esforço desse capital internacional para cooptar os poderes e estabelecer o controle do que acha e pensa a população através da mídia desse mesmo capital.
Mas há males que vem para bem. Dialeticamente a população não está dando tanto crédito assim a essa mídia e não deve apoiar com vigor e intensidade um possível plano de impeachment da presidente. O fato é que a batalha vai continuar e novas tramas e conspirações serão reveladas no sentido de vender a ideia que o defeito esta na Petrobras e não nos ladrões que dela usufruem. Entendo que o povo não precisa necessariamente apoiar governantes que permitam a perda do Pré-Sal.
Quanto ao eventual impedimento da presidente, que se apurem todas as lambanças, que se julgue corretamente e que as ações que virão tenham apoio na legalidade e não na quebra do regime democrático.
(JMN)
Estatais não deveriam ser moedas de troca
Quem falou grosso e forte, no final do ano de 2014 foi o procurador-geral da República, Rodrigo Janot quando participava da Conferência Internacional de Combate à Corrupção. Ah!! O combate à corrupção. Palavra chave cheio de encantamento e muita decepção. O procurador-geral discursou duramente contras os desmandos no estado brasileiro e, menos generalista, cobrou publicamente a demissão de toda a cúpula da Petrobras. Cobrou ainda reformulações para que se aumente a transparência e a visibilidade do que se faz nas empresas públicas. Ainda com cara de mau fechou o pronunciamento prometendo uma resposta firme na Justiça brasileira e fora dela àqueles que assaltaram a empresa.
Mas nem tudo estava dentro da ordem. Tem quem considera que Rodrigo Janot derrapou quando atribuiu grande parte dos atuais desmandos nas empresas públicas brasileiras a uma eventual herança do regime militar. Claro que é certo que a falta de transparência, a falta de prestação de contas, o argumento da necessidade de sigilo durante o regime militar que, por essas razões, não dava satisfação a ninguém a não ser aos seus próprios membros de forma hierarquizada deixou mazelas e péssimos costumes, mas, dai, a atribuir que essa prática e essa situação perdurassem e se justificassem ainda nos dias de hoje vai um equivoco do procurador.
Não, não tem como achar que é a mesma coisa o que se fazia durante a ditadura militar e a nomeação de certas figuras dentro da direção da empresa por exigências de partidos que estavam na base de apoio do governo eleito.
As indicações de Paulo Roberto Costa, pelo PP ou Renato Duque, pelo PT ou, ainda, Nestor Cerveró, pela cota do PMDB; quase todos na condição de delatores premiados e que junto a outros acusados estão fazendo revelações preciosas no sentido de restabelecer à verdade dos fatos, não podem ser justificadas ou explicadas pelos maus costumes da ditadura militar. Não, eles eram ou são a expressão das premiações por apoios políticos e, principalmente, os elementos de ligação entre os recursos que eram gerados nos negócios entre a empresa e a iniciativa privada e que em formas de comissões brindaram partidos políticos e caciques destes e demais envolvidos; até o mensageiro.
O que se vê revelado na roubalheira na Petrobras, com sinais claros de que a situação ser repete nas demais estatais brasileiras é fruto, também, de falta de caráter e da forma depauperada de se vivenciar a democracia.
Essa democracia, ao rejeitar, entre outras mecanismos de maior controle e mais lá trás outra eventual forma de governo como era o caso da adoção do parlamentarismo se sustenta, agora, num viciante e deprimente presidencialismo de coalizão, qual seja: faz o loteamento da máquina pública, se distribui pedaços de distintos tamanhos do estado brasileiro para grupos e partidos políticos para garantir sustentação ao governo central.
Feito um balcão de negócios, se ganha um apoio aqui e acolá e se paga com nacos do estado. Dai a gente ver coadjuvantes tão estranhos entre si na mesma cena e do mesmo lado.
Outra ameaça, entende este escriba assim, tal a esquizofrenia que a intenção revela é a possível nomeação de Anthony Garotinho, politico do PR e ex-governador do Rio de Janeiro e um dos derrotados na eleição de 2014 para uma das vice-presidências do Banco do Brasil. Vamos tentar harmonizar o que isso eventualmente representa no imaginário; Dilma Roussef (PT), mas que também já foi de outro partido trabalhista e um dos populistas mais notórios do Rio do Janeiro. Perceba-se que não é fácil. Além disso o tal Garotinho já tem condenação criminal por formação de quadrilha, entre outras dificuldades com a Justiça. Perguntemo-nos: o que um cidadão condenado tem como predicado para o cargo de um banco público? Mesmo sabendo que banco também não é necessariamente reduto de gente sempre honesta. Resposta: garantir, por tabela e por fora do ofício, alguns votos para a presidente Dilma Roussef no Congresso.
Hoje do ponto de vista da moralidade e da ética há sinais de que não é mais suportável que o estado brasileiro, com seus polpudos recursos, continuem sendo objeto de escambo e trocas entre as composições políticas. O estado, preferencialmente ocupar-se da segurança, educação e saúde e, pontualmente, da economia esta ao gosto de muita gente e, ouso achar, até mesmo para um sem número de socialistas que desejariam, agora, pelo menos, que o estado fosse pelo menos mais decente, menos ‘coisa nossa’. Um balcão de negócios entre os governantes e as elites empresariais que lhes presta serviço ou vice-versa.
E em se tratando de empresas estatais que pela sua própria natureza e função também demanda gestões profissionalizadas isso nunca será possível enquanto elas servirem de moeda de troca. Isso foi um mal durante a ditadura e continua sendo na nossa distorcida democracia brasileira.
A questão é que neste exato momento, em algum canto de um executivo municipal, estadual e mesmo no enorme aparelho estatal federal brasileiro tem gente promovendo favores espúrios, chantagens, abusos, mal feitos com vistas a produzir uma gordurinha financeira aqui e ali que vá parar na sua conta seja dentro do território ou fora dele.
A certeza de que nunca isso será estancado por completo, por outro lado, não é motivo para esmorecer e aceitar como inexorável e imutável. Tomara que em 2015, alguns mais estejam na cadeia e que preferencialmente o dinheiro roubado volte as origens dos cofres públicos.
Dai para desejar um feliz 2015 é apenas uma questão de vamos em frente que a luta continua. (JMN)
São Mateus, o futuro é uma incógnita
São Mateus é um importante distrito da cidade de São Paulo, cujo próximo censo demográfico se quiser ser realístico tem que indicar quase 1 milhão de habitantes. Dos censos mais recentes para agora a chegada de novos moradores tem sido constante e sempre em acensão. É uma das poucas regiões da cidade que ainda suporta alguma expansão dessa natureza.
Com tanta gente chegando até mesmo porque havia amplas áreas sem ocupação domiciliar aliada ao baixo valor relativo das terras, quando comparada com outras regiões ou aliada ao custo zero da terra, uma vez que alguns distritos de São Mateus ainda sofrem com a ocupação de terrenos públicos e privados, parcelas importantes do bairro se transformam em médias e grandes aglomerações de famílias em locais desestruturados e desassistidos.
Crescendo tanto em termos populacionais a coisa tem funcionado como um rastelo eficiente e faz crescer coisas boas e desejáveis e coisas ruins e indesejáveis. Se traz algum alento e sobrevida a economia local com a expansão dos negócios e oportunidades, o fortalecimento do comércio e serviços e colateralmente da indústria, não tem tido, até agora, efeito semelhante nas ofertas de emprego. Se dá uma sobrevida a economia local, traz como contrapartida uma infinidade de problemas quando acentuam-se as exigências das pessoas quanto aos serviços de amparo social e de outros tantos serviços públicos tais como de educação, de saúde, de transporte público, de cultura, todos itens de grande demanda e altamente defasados quando comparado a padrões aceitáveis e que o estado, estamos carecas de saber, sempre fica deficitário e devedor.
Nessas condições a futuro imediato de São Mateus passa a ser uma incógnita de difícil previsão. Pode dar muito certo, como também pode dar bem errado. O que se espera é que a primeira alternativa aconteça, embora não se possa contar com elementos otimistas olhando a conjuntura mais recente e atual. É preciso deixar claro que São Mateus não é uma ilha isolada e refratária a influências e natureza até planetária.
De curto alcance deve-se pensar são Mateus no contexto da cidade que continua sendo uma cidade desordenada. Ela fisicamente não cresce não se expande, em contrapartida cresce a sua ocupação em quantidade e modos e usos desses espaço. Nesses termos se olharmos para o que acontece no entorno vamos ver que o que cresce na cidade são os problemas, o uso irregular e cada vez mais predatório dos recursos cada vez mais escassos. Aqui vale contextualizar esse artigo sendo escrito em fevereiro de 2015 no pico de uma grande crise hídrica que vem se arrastando desde o ano de 2013 por conta de vários atores culpados; a sociedade e governo.
Ainda no curto alcance se avizinha uma estagnação e até um possível recuou na economia que surfou nas últimas décadas em uma fórmula monetária e especulativa com os altos juros que se paga no país a chegada de recursos com a subida vertiginosa da dívida pública. A fórmula que dá uma espécie de lustro em móvel velho e comprometido é bem semelhante a um centro de tratamento intensivo onde as chances de recuperação ficam cada vez mais distante. Esse quadro infeliz vai ter efeitos sobre São Mateus. Se mais ou menos severa torçamos para que fique na média da cidade; nem melhor nem pior.
Objetivamente essa situação pode se refletir em menos emprego e mais carestia; em menor atividade e desaquecimento da economia local e não há como escapar desses efeitos. É preciso entretanto, compreender que não podendo se esconder São Mateus e seus personagens tentem fazer o melhor possível.
De médio alcance é possível vislumbrar uma São Mateus menos viscosa, menos verde, mais afinada com o resto da cidade. É quase certo que o que ainda resta de sua vegetação nativa e recursos que tem boa contribuição à saúde ambiental da cidade também se deteriorem. Pode parecer o caminho do desenvolvimento, mas nunca foi e não será. Como a natureza vem mostrando os custos da sua não preservação são cada vez mais sérios e danosos; voltemos a falta de água.
Uma pena. Com espaço e território cuja paisagem em alguns momentos nos remetem a meados do século passado, São Mateus vai perdendo suas características mista, com áreas de cidade e guetos interioranos, o seu uso e ocupação continuará sendo de forma predatória.
Se essa direção agora nos parece irreversível o esforço de todos precisaria ser no sentido de fazê-lo da forma mas civilizada e menos depreciativa possível. Nenhum cidadão ou ator desse palco chamado São Mateus poderá se eximir dessas responsabilidades.
Agora o futuro de longo alcance mesmo, nada a declarar ou especular. O que sei é que o que se faz agora e se fará amanhã refletira nesse futuro distante.
J. de Mendonça Neto, redator da GSM é jornalista.
Escola do Jardim Iguatemi, que sirva de exemplo
A Escola Estadual Jardim Iguatemi localizada no distrito Iguatemi, em São Mateus tem se diferenciado da média das escolas públicas estaduais no sentido positivo, muito pelo empenho, criatividade de sua diretora Suzy Rocha Ribeiro Silva responsável pela unidade nos seus últimos quatorze anos.
Em rápida conversa com a reportagem a diretora explicou as razões dessa diferença e nesse sentido ela esclarece que o que trouxe como postura e prática para a escola tem muito a ver com a forma com que ela própria, filha de pais da roça que estudaram, fizeram cursos superiores e também se tornaram professores a ensinaram. Foi mais longe e explicou que sendo criada em família grande a prática do compartilhamento, da união e de acordos eram vivências naturais. Desde jovem percebia que a educação traz mudança e dessa forma desde os últimos 35 anos em que resolveu trabalhar com educação carregou isso consigo.
Suzy tem uma longa trajetória em vários cargos dentro da estrutura escolar, desde quando como professora, passando por coordenação pedagógica e posteriormente nas tarefas de gestão. Chegou a condição de diretora de escola por méritos próprios comprovados em concurso público.
Três linhas de comportamento orientam a sua vida profissional e eventualmente e por extensão até a privada. Suzy acha que planejar as ações em curto, médio e longo prazo é fundamental para uma caminhada certeira. O segundo ponto são o estabelecimento e respeito a regras e disciplinas acordadas entre todos os atores e clientela da escola com respeito aos horários, clareza de propósito e o terceiro ponto é a aposta no trabalho coletivo onde todos possam fazer parte de um grupo senão coeso, mas afinado nos propósitos. Foi com essa ‘filosofia’ que desde o início se comportou no Jardim Iguatemi.
Entender o tempo de hoje, mas preservar as boas práticas
Suzy comenta sobre as notórias diferenças que os tempos atuais conectado, ligeiro, expresso tem com um passado não tão distante. Apesar de compreender e aceitar toda a dinâmica atual que envolve principalmente os adolescentes e as redes sociais onde outras linguagens, outros modos e comportamentos são a tônica, ela, enquanto educadora, sabe que é necessário preservar valores como a leitura, a boa escrita, os bons modos. Algo como preservar e difundir junto a esse público mais fugaz a cultura mais geral, mais ampla, mais complexa e, portanto mais completa. “O adolescente pode achar bom ler alguma coisa de forma digital, mas precisa também retomar e se habituar a ler bons livros”, cita como exemplo.
Reconhece, entretanto, a dificuldade e a lentidão de como a escola enquanto instituição se adapta aos novos tempos. A ideia é tentar tirar proveito das inovações tecnológicas, sem abrir mão de valores, em resumo.
Projetos inovadores na região
Um dos destaques da escola é como ela se relaciona com os alunos e por extensão com a própria comunidade. É perceptível que por lá algumas coisas acontecem que qualificam-na, o seu corpo diretivo e pedagógico e principalmente a atual direção, pois foi da ideia inicial da diretora Suzy trazer ações que movimentasse e ajudasse os envolvidos a serem protagonistas dessas ações. Suzy explica que optou por eventos e iniciativas de natureza cultural que se diferenciava da realidade objetiva dos alunos. “A realidade do aluno de escola pública da periferia pobre da cidade de São Paulo, com os seus desconfortos que todos eles conhecem bem, foi abortada. Achei que não era motivadora e parece que acertamos”, comenta.
A primeira ação foi trabalhar com a arte dos pintores importantes. “A arte sensibiliza através da percepção da estética, do belo que mexe e trás sentimentos. Muitos acharam que estávamos delirando, mas as crianças se envolveram. Ao contrário de pais e professores que tinham dúvidas, os alunos perceberam a oportunidade de sair daquele mundo real da periferia. Deu certo”. “Quando o padre da comunidade em sermão deu um depoimento parabenizando a escola chamando-a de museu a céu aberto que tirava o conhecimento de trás dos muros para fora, fiquei mais otimista”.
Depois desse primeiro encontro outros tantos se repetiram com o passar dos anos, sempre com o mesmo envolvimento e empenho. Como temas trataram dos cientistas, de países, dos filósofos, de atletas, em vésperas da copa do mundo desse próprio assunto e também da Amazônia. São realizados um por ano envolvendo todos os ciclos da escola.
O tema Amazônia envolveu todas as disciplinas e as socioambientais. “Percebemos que as crianças passaram a ter informações ambientalmente corretas e adotar cuidados possíveis no seu próprio universo. Coleta seletiva, gastos no banho, fizemos todas essas discussões. O tema do Enem foi Amazônia. E eles sabiam tudo tinham clareza e tiraram nova média de 7,5, deu uma sensação de acerto do nosso projeto. Estamos contribuindo”, comenta a diretora. “Conseguimos perceber que as crianças assimilavam as informações e iniciaram práticas cotidianas mais sustentáveis adotando os cuidados possíveis dentro de seus próprios universos”, completa.
Em 2010 o projeto focou os poetas e suas obras e o esforço acabou resultando na produção de um livro. Durante a realização mais de mil poemas foram recitados pelos alunos e demais envolvidos. Em outros anos temas como profissões, cinema, músicas e mais recentemente política desembocaram, agora, em temas de ação política. Suzy explica que as questões de segurança, saúde, transporte, educação e outros temas de importância para as comunidades serão enfocadas também do ponto de vista da ação política. Um feito, visto que a alienação e a recusas à política é uma situação, infelizmente, comum. A própria pintura do muro da escola perpassará essa temática.
Segundo e terceiro livros
Um segundo livro intitulado Pequenos Gestos, Grandes Transformações, em 2012, enfocou de forma coloquial uma série de exemplos de ações que resultam em melhorias. Já o terceiro livro que está sendo gestado será a resultante do relato das experiências dos professores na condição de gerir a escola por um dia. Com o título Professor, gestor por um dia, o livro reunirá o relato destes aos quais a diretora já teve algum acesso. Para Suzy, a experiência relatada pelos professores mostra a importância desse trabalho de gestão e suporte nem sempre percebido pelos próprios professores, funcionários e alunos.
Escola comemora 15 anos com baile debutante
Apos as comemorações de 10 anos da escola onde os alunos estiveram envolvidos parcialmente as comemorações dos 15 anos ocorrida ao final de 2014 contou com intensa participação. Com certas dúvidas e reservas, professores e funcionários aceitaram a proposta de um baile. Deu muito certo, diz Suzy. Todas as classes participaram e ainda destacaram um casal de cada sala de aula e de cada ciclo onde foi possível para participar de uma dança mais cerimoniosa. Ou seja, a adesão dos alunos e da comunidade foi um sucesso.
Com três livros finalizados, com ações comunitárias, com regras, respeito e pratica educativa a Escola Estadual Jardim Iguatemi se destaca dentro desse cenário. Parabéns aos esforços da diretora. (JMN)
Conselheiros discutem dificuldades e mostram necessidade de correção de rumos
Pelo tom da conversa em reunião extraordinária com parte de seus membros, no dia 31, o conselho de representantes de São Mateus, a exemplo do que ocorre em muitas outras regiões da cidade, precisa urgentemente afinar a viola internamente para não deixar legado de triste lembrança
Alguns membros do conselho de representantes da região de São Mateus reuniram-se no dia 31 na Subprefeitura de São Mateus em atendimento a um chamamento anterior por parte também de alguns conselheiros tendo em vista a dificuldade de manter a rotina e a presença de uma maioria entre seus 43 durante o exercício desse mandato. Alguns convidados como o ex-assessor da subprefeitura da gestão anterior, Izaltino do Nascimento e a diretora do jornal Gazeta São Mateus estiveram presentes. Vale observar que a presença de munícipes, não conselheiros, é prevista no regimento interno do funcionamento deste conselho.
A reunião extraordinária reuniu treze de seus membros eleitos, pessoas e acabou assumindo um caráter informal de encontro de queixas. Nada excepcional e muito diferente do que vem ocorrendo em diversos conselhos de representantes em outras regiões da cidade. Se em algumas, minoria, o funcionamento do conselho é exemplar, outros tanto ainda percorrem o árduo caminho do aprendizado de trabalho coletivo.
Coube ao vice-coordenador Valdir Leite de Souza revelar que a última reunião mais organizada e de presença significativa havia ocorrido em 13 de dezembro. Antes, dado o período eleitoral e o fato de diversos conselheiros terem vínculos partidários ou de campanha ou de candidato o funcionamento do conselho foi quase inexistente. Uma primeira reunião foi marcada para o dia 17 de janeiro deste ano e estive ausente grande parte dos conselheiros incluindo o coordenador, Ricardo, e a secretária, Neide. Foi, como este, um encontro de 10 conselheiros vendo a situação confusa e por esse e outros motivos enxergarem a necessidade de mudar a coordenação. Dai uma das razões do encontro.
Segundo Valdir, dois conselheiros, Marli Limae Manoel, foram designados para fazer um esforço de convocação, através de telefonemas para a reunião em curso. Como se viu, um terço atendeu ao apelo. Houve também um apelo por parte do vice para que os conselheiros que também são comissionados na prefeitura comparecessem. Não compareceram, e segundo o que vão revelando os presentes é dai que as confusões, mal entendidos, comportamentos duvidosos, posturas equivocadas vão se revelando.
Uma delas diz respeito a uma suposta reunião que teria havido no diretório zonal do PT a respeito do que estava ocorrendo no conselho. O assunto teria certa pertinência pelo fato de que diversos membros do partido também serem conselheiros, entre eles parte expressiva da executiva e da coordenação deste. Para alguns esse procedimento não seria correto, para outros, entretanto, como ouvido no decorrer da reunião, a atitude do DZ do PT seria legitima; uma atividade partidária para seus membros que podem, sim, discutir a situação do conselho de representantes. Ocorre, entretanto, que por conta dessa reunião existe a desconfiança de que o coordenador, Ricardo, membro do partido, não aceitar os encaminhamentos da reunião anterior e cancelá-la, eventualmente extrapolando de suas funções como foi aventado mais a frente.
Confusões à granel
Cancelamento, confusão de datas, comportamentos equivocados por parte da coordenação e também de outros conselheiros, só fez revelar o tamanho do descompasso em que se encontra hoje o conselho de São Mateus. A reunião informal, pelo menos, indicou a necessidade de um esforço em busca de quórum para a próxima reunião, até o momento do fechamento desta edição, prevista para o dia 07, no espaço da subprefeitura e para a qual se espera a presença de todos, inclusive, do coordenador e da secretária, além dos conselheiros comissionados em funções paralelas dentro da prefeitura.
A informalidade da reunião e o desfile de reclamações e queixas
Colocado o quadro que visivelmente precisa de reparos e alertados pelo vice-coordenador que sequer uma ata poderia sair daquela conversa informal, o conselheiro Flávio dos Santos , do Jardim Colonial apontou que o coordenador, ausente, não teria o poder de cancelar. “Ele (Ricardo) é advogado e deveria saber disso”, enfatizou. Queixou-se ainda das despesas e dos esforços que os conselheiros têm para ver funcionar uma coisas. “Não podemos vir aqui e ficar como bonecos de enfeite. Nem para decidir uma reunião temos o direito. O que somos então”, perguntou.
A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Conquista, conselheira Luiza Helena insistiu que sem união não vai se chegar em lugar algum e que muito blá, blá, blá e misturar o partido com o conselho é muito ruim. “As pessoas não estão se colocando para o conselho e sim para os seus partidos. Desde agosto não temos reuniões normais e uma das razoes foi a campanha eleitoral”, apontou. Segundo entendimento dela, alguns projetos para São Mateus tem sido perdido por conta de negligência dos representantes indicados que deveriam, ainda segundo ela, estar presente em alguns encontros e se ausentaram. “Perdemos por desinteresse de alguns de nossos delegados”.
O fato, entretanto, é que ela foi parcialmente contestado mais a frente por outro conselheiro que argumentou que o que ela eventualmente considerava perda de projetos não poderia ser considerado perda, vez que elas não estavam indicadas como prioridades indicadas, razão pela qual não estavam consideras.
Durante a sua fala, entretanto, foi uma das primeiras a comentar que o mandato do coordenador, conforme ajuste combinado internamente e com base no regimento já venceu. Se colocou também como pré-candidata ao cargo.
Marli Lima se eximiu de culpas nos mal entendidos que estavam aparecendo. Tendo sido indicada para fazer as ligações para chamar a reunião. Ela mesma comentou que nunca havia recebido e-mail de convocação dos encontros anteriores. Disse que ligou ao Dr. Ricardo para convidá-lo quando soube de outra reunião que estaria ocorrendo na noite do mesmo dia. Sinal evidente de desencontros. Ao checar com outros conselheiros, as conversas, comentários e palpites foram crescendo.
Marli, entretanto, ainda fez insinuações quanto ao uso de um veículo que teria sido disponibilizado pela administração, eventualmente por força do decreto que regulamento, mas do qual ela nunca viu, recurso que só pode usar uma vez, utilizando-se de outra perua substituta. Foi uma das que considera que existe uma panela no PT que, no mínimo, não respeita a autonomia do conselho. Também denunciou que a Gazeta São Mateus nunca foi convidada a participar de qualquer encontro ou reunião extraordinária do conselho de São Mateus.
“Precisamos retomar os trabalhos, foi um ano perdido, poucos encaminhamentos e precisamos entender o papel de cada um”, iniciou Dr. Sérgio Henrique Soares que refutou o papel deliberativo do coordenador como parece que tem ocorrido pela não compreensão das competências. Como ilustração perguntou quem dali tinha conhecimento pleno do regimento interno; de onde ele estaria publicado; informando a seguir que o que está disponível para consulta está incompleto. “O coordenador não é dono da reunião. Só coordena e na sua ausência outro coordenador é indicado para substitui-lo”, enfatizou. “Nosso papel aqui é fazer as coisas acontecerem para tentar sanar a precariedade de serviços públicos na região”, resumiu.
Outro a comentar a situação foi Odair de Jesus Souza que retomou a critica quanto a eventual mistura entre os interesses comuns do conselho, com os interesses da região e ainda com os interesses partidários indicando que essa situação precisa ser esclarecida e superada. Lamentou ainda que a reunião em curso deveria ter respaldo jurídico, “No mínimo para fazer moção junto à coordenação geral e fazer valer os reclamos que estão sendo ouvidos aqui”. Ao final expressou o desejo de que na próxima reunião as coisas fiquem claras e esclarecidas e se diz disposto a colaborar como liderança, mesmo não sendo conselheiro.
Já Rute, conselheira do Sapopemba lembrou que a culpa que se atribui ao PT não pode ser generalizada e que eventuais posturas equivocadas são da parte de alguns de seus quadros. Alertou, também, que grande parte do que vem acontecendo em termos de desencontros são de responsabilidade dos próprios conselheiros que estão deixando acontecer.
“Segundo informações de Hamilton Clemente a Gazeta São Mateus, a tão reclamada reunião no Diretório Zonal, motivo de reclamação generalizada, de fato, teve como pauta a indicação do novo coordenador na reunião do dia 07 do conselho de representantes”
Coube ao Dr. Sérgio esclarecer que o que a maioria decidir, reuniões paralelas, como as que pode ter ocorrido no PT ou em outros partidos não devem interferir. Ressaltou também o direito que os partidos ou de qualquer outro cidadão ou organização têm de discutir a situação dos conselhos “O nosso foco tem que estar na execução do orçamento e no quanto e como São Mateus participa disso a partir das indicações de prioridades”, registrou. Foi ele quem havia pontuado antes que as prioridades envolviam a construção ou funcionamento de um hospital público de um centro desportivo aparelhado entre as demandas principais, razão pela qual não haveria perda de projetos com outras demandas conforme lembrado no começo da conversa.
Também reiterou que a tarefa do coordenador é coordenar, não comandar os conselheiros e que se faz necessário conhecer as leis, o regimento, os estatutos e discutir outra coordenação para o conselho. “Essa também é uma exigência que se faz ao conselheiro para que confusões como as que estão ocorrendo não aconteçam”.
Quase ao final, Odair Souza, do distrito São Rafael lembrou que mesmo o papel de coordenação é complicado e trabalhoso. Ele coordena a ação de 16 conselheiros do distrito e tem feito enorme esforço para compor acordos, tentar entender e viabilizar o funcionamento. Em permanente aprendizado, diz ter clareza do papel que assumiu quando foi eleito coordenador local e como conselheiro que também é de fiscalizar, dialogar com governo e com a comunidade.
Ele próprio revela que foi convidado para a suposta reunião do DZ a qual criticou com base em um dos pontos do regimento que resumidamente diz não ao proselitismo político partidário dentro do conselho de representantes. Não só não foi a favor como reconheceu o erro de algumas pessoas do PT, mais ainda de alguém que tem formação em Direito, insinuou.
Tentando resumir uma ópera até agora bufa, dado o grau de desencontro e confusão que permeia o funcionamento do conselho de representantes de São Mateus, segundo revelado pelos próprios membros a situação precisa de reparos. Cabe aos envolvidos se concentrarem nesse esforço sob o risco de terem participado de um coletivo que não deixará nada de louvável para ser lembrado.
Para o bem da comunidade e do funcionamento de um importante instrumento de cidadania a redação da Gazeta espera que os rumos corretos sejam retomados. (LM/JMN)
Os números de 2014
Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.
Aqui está um resumo:
Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.600 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 27 viagens para as transportar.



