Archive for the ‘Sem categoria’ Category
Programa vago de Marina pode implicar em retração na indústria automobilística
Numa coisa pelo menos a Dilma candidata está certa e diz respeito à apreensão que tem com relação ao comportamento da Marina Silva caso eleita terá com parte importante da indústria, a automobilística. Claro que do ponto de visto ecológico e ambiental manter em nível alto a produção, entrega e circulação de veículos só faz congestionar ruas e avenidas, o ar, o pulmão e complicar eventuais soluções de transporte público.
O problema é que há uma enorme pedra no meio do caminho. Como pode e deverá ser tratado o segmento que emprega mais de 130 mil pessoas e, por tabela mais 330 mil no setor de autopeças e 26 mil no setor de pneus que estendidos em toda sua rede poderá alcançar fácil alguns milhões de empregos.
A candidata Dilma fez essa reflexão no início de setembro quando criticava o conteúdo do programa de Marina Silva para a indústria brasileira. Marina estava então aparecendo em primeiro lugar num eventual segundo turno.
Se alguma coisa é digna de se atentar por qualquer dirigente que seja é a questão do que se considera de média para alta carga tributária brasileira que durante o governo em curso como o anterior, do Lula, concedeu desoneração a este ou àqueles setores e a indústria automobilística foi uma das mais contempladas. Claro que não se trata de um assunto com equacionamento e respostas simples, mas uma carga média menor mais baixa que atinja todos os setores poderia ajudar a evitar que se escolhesse esse ou aquele segmento para conceder um substancioso prêmio.
Por outro lado a exemplo de todos os países é obrigação rotineira criar-se mecanismos que dão incentivos as suas respectivas indústrias. Deixar de fazê-lo na atual conjuntura de disputa internacional por recursos e melhor desempenho no comércio é pedir para continuar subalterno. Mais que isso, da forma que está à economia brasileira uma politica industrial apurada e zelosa é necessária porque é o setor que ainda gera os melhores empregos e os mais bem remunerados além de manter um constante desenvolvimento da tecnologia. Sempre serão de extrema gravidade o encolhimento e a eventual perda de competitividade da indústria que se traduzirá em queda na participação do PIB. Se alguma dúvida há sobre essa exigência atual basta observar o que ocorre na China.
É nesse aspecto que Dilma, corretamente detecta coisas incongruentes nos planos de Marina Silva. Em um deles; Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida, há uma severa critica a redução de IPI para a compra de carros. Não compra carros, na atual conjuntura é comprometer parte daqueles milhares de empregos. Em outro ponto do programa da Marina há uma critica mais incisiva sobre a política de proteção a determinados setores da indústria com ênfase na produção nacional. Tem a crítica, mas não tem a alternativa que pode implicar em ‘desproteger’ a produção nacional, no caso. Temerário.
Será que a Marina Silva quer mesmo ser eleita para em busca de outras saídas reduzirem a importância desse setor na indústria? Correr-se-á, então o risco de diminuir essa participação e além de desempregar deixar de acompanhar e se apropriar do desenvolvimento tecnológico que esse setor engendra? Não seria mais prudente a Marina, caso eleita, operar na direção de buscar baixar a média da carga tributária ao invés de privilegiar às avessas o setor sem uma alternativa consistente para colocar no lugar?
Até podemos entender as preocupações da Marina com relação à preservação planetária, as melhoras das condições ambientais de vidas, entretanto é preciso operar nessa direção com cuidado e método. O novo governo eleito que buscar agir nessa direção precisará se preparar para oferecer condições para um funcionamento adequado e eficiente do transporte público e melhora da mobilidade. Deverá também criar políticas públicas que criem alternativas para migração de trabalhadores caso a indústria automobilística e seus agregados tenham uma retração substancial.
Entendo aqui, entretanto, que dois caminhos são possíveis: baixar a média da carga tributária para privilegiar menos alguns setores e não abortar o desenvolvimento da indústria automobilística sobre risco de estancamento. Como alternativa pode se melhorar as demais condições que Marina acha importante simplesmente recolhendo das ruas e dos estacionamentos carros muito velhos com base em lógica reversa onde os fabricantes, a indústria automobilística e agregada na linha da logística assumam receber de volta para reciclar ou reaproveitar o que possa ser possível, uma das formas que o meio ambiente agradece. (JMN)
Ser contra a copa e assistir aos jogos
Dia desses a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik se reuniu com jovens no auditório lotado da Fundação Rosa de Luxemburgo em São Paulo para falar e palestrar sobre o livro Resistências no país do futebol, que estava sendo lançado, quando uma das intervenções de um dos jovens presentes tirou risadas da plateia. A pergunta “Eu sou contra essa copa, eu vou para a rua nas manifestações, como posso então justificar assistir os jogos pela TV apesar desse posicionamento?”. Risos na plateia.
A pergunta, entretanto é muito pertinente ao que Raquel respondeu que a questão não é, e talvez nunca tenha sido, impedir a copa e sim mudar o país o que é muito mais importante e complexo. Acordo pleno deste escriba.
A urbanista tem muita bagagem para tocar no assunto sobre a suposta contradição. De 2008 a 2014 ela foi relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada, e foi referência internacional no tema da violação de populações afetadas por megaprojetos esportivos. Já havia produzido estudos para os casos da Copa na África do Sul, das Olimpíadas na China e os jogos da comunidade Britânica na Índia.
Coerente com o que estudou e produziu ela é mais uma crítica da apropriação corporativa dos espaços urbanos, aqueles mesmo usados para a instalação das arenas e que para tal graves violações de direitos e leis em nome da Copa do Brasil 2014 foram cometidos. “Quando apresentei o relatório [da ONU], descobri a perversa relação entre as políticas neoliberais urbanas e a organização de megaeventos esportivos, e a ligação entre estes dois elementos e a massiva espoliação dos direitos dos setores mais vulneráveis na cidade. Não por acaso os jogos, ao longo de sua história, foram, a partir de Los Angeles, tomados por operações de marketing, organizadas não pelos Estados, mas por patrocinadores privados. Tem a ver com a globalização dos mercados imobiliários e financeiros, e a financeirização da produção nas cidades e o quanto essas plataformas dos megaeventos são uma vitrine de tudo e da própria cidade, como objeto de venda”, resume a urbanista.
Ainda como consequência é plausível que a organização da copa no Brasil permitiu violações, que em ocasiões normais, não seriam ousadas se cometer. Só foi e é possível em função do nacionalismo estar sendo usado para justificar o que os mais atentos estão chamando de Estado de Exceção. O fato é que o gerenciamento geral dessa copa há muito deixou de estar nas mãos dos Estados e do poder público. São os grandes grupos que definem a macroeconomia que comandam as operações sob a fachada e responsabilidade da Fifa.
Se provas são necessárias podemos exibir o caso da Cidade da Copa no Recife, que foi viabilizada por Parcerias Público-Privadas. A tal cidade foi construída em área do governo do Estado e as tais parcerias decidiram que um consórcio de empreiteiras liderado pela Odebrechet, a mesma que é sócia proprietária da Arena Corinthians, a pegar recursos do BNDES para construir um estádio na tal cidade junto com uma contrapartida generosa de outro enorme terreno para construir imóveis privados tais como moradias de alto padrão, shopping, escritórios. Ou seja, uma série de produtos nada acessíveis ao grosso da população com o beneplácito do estado que ainda ajudou e ajudará financiar o empreendimento. Detalhe: dinheiro público.
Mas para não deixar sem resposta – A urbanista lembrou que as manifestações nas ruas têm alterado muito pouco esse quadro, mas que os efeitos vão transcender a esses aparentes poucos resultados. “Estamos vivendo um novo ciclo que se iniciou com as lutas pela democratização nos anos 80, passou pelos movimentos sindicais e sociais que foram gerando novas institucionalidades, novos partidos e proposições a atual conjuntura”, teria dito. Tem razão, apesar do fato de ainda não se conseguir responder melhor e mais a todas as demandas que apareceram a partir das manifestações de junho de 2013 a situação tende a mudar.
A contrapartida dessa nova situação, que ainda não se acentuou minimamente, por causa mesmo da falta de canais representativos e institucionais no campo democrático são os arroubos de totalitarismo, de militarização e das proposições simplistas e descompromissadas que vira e mexe se ouve das bocas mais dispersas quando, por exemplo, as pessoas dão com as portas na cara quando procuram a saúde pública ou quando tem dificuldades de transporte público. O mais corriqueiro e se queixarem e dizerem que acham “um absurdo esse governo, gastando monte de dinheiro com estádio, devia gastar em hospital. É tudo por causa da corrupção, etc”.
Não dá apenas para dar vazão a esses argumentos falhos e fracos. Eles não ajudam, não esclarecem e não explicam tudo. No mais das vezes repetem as cantilenas simplistas de grande animadores televisivos que se fazem passar por âncoras de notícias. O fato com o qual temos que nos subsidiar para elevar o patamar da crítica é que o que se gastou com a copa não é nada perto dos juros pagos aos banqueiros; do que a gente transfere todo dia pras empreiteiras, pros grandes grupos privados na área de saúde. Isso é muito mais grave. Corrupção de 10% do contrato é grava, mas de menos nessa situação. “Os descontentamentos acabam se misturando”, pondera a urbanista. Muita concordância, de novo. (JMN)
Futuro candidato do PT ao governo visita zona leste
Alexandre Padilha passa por diretório petista de São Mateus em dia de visita a Zona Leste
O pré-candidato a governador do Estado de São Paulo que aparece com 3% ou 4% de intenção de votos a depender do cenário em recente pesquisa do Datafolha passou um dia todo na zona leste da cidade de São Paulo e, ainda pela manhã, compareceu ao Diretório Zonal do Partido dos Trabalhadores de São Mateus onde foi recepcionado por filiados e simpatizantes. Teve ainda extensa agenda até finalizar em plenária nas Obras Sociais Dom Bosco, em Itaquera na noite da mesma sexta-feira, dia 06.
Deverá crescer nas pesquisas e a sua imagem pública de médico e homem moderado, como o atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), também candidato, deverá deixar ambos, e as campanhas, em tons ligeiramente parecidos.
Antes de falar aos presentes que incluíam parlamentares como Adriano Diogo, deputado estadual e Juliana Cardoso e Paulo Fiorillo, vereadores petistas, além de pré-candidatos a Câmara como Andrés Sanches, tido e havido como bom puxador de votos para a legenda, Padilha ouviu diversas considerações sobre as necessidades da região, notadamente para suprir as carências da área da cultura.
Os militantes do partido ou da área cultural buscaram evidenciar essas carências desfilando reclamações e demonstrando o quanto essa área tem sido preterida através dos tempos. Coube a Claudete representando o presidente do DZ que não estava presente no inicio do encontro e ao vereador Fiorillo a abertura da reunião. Um dos primeiros a falar, o deputado estadual Adriano Diogo, satirizou o fato do acesso da caravana a São Mateus não poder ter sido feito pelo Monotrilho, do qual duvida sobre a sua implementação e extensão até a periferia.
Padilha pode ouvir dos presentes que nos três imensos distritos de São Mateus, mal funciona e existe casa de cultura. Apenas uma, até então instalada em uma casa que era de educação infantil. Existe a previsão de um novo espaço de mais de 1300 m2 no distrito São Rafael, mas que depende de iniciativas da Prefeitura lembrou um dos ativistas. Outros ainda lembraram que a periferia de São Mateus tem certa efervescência cultural com distintas produções que vão de música a teatro e que outro programa que poderia ser adotado pelo governo do Estado aos moldes do programa VAI de valorização das iniciativas culturais da Secretária Municipal da Cultura seria interessante. Outros lembraram ainda da importância de ampliação dos pontos de cultura, programa do Ministério da Cultura.
O completo abandono dos telecentros, espaços para iniciação digital e em informática foi registrado, bem como os espaços ociosos dos centros desportivos municipais, os CDMs, de responsabilidade da prefeitura. Não faltou também quem registrasse a insustentável situação da saúde pública e gratuita na região, assunto que tem sido exaustivamente tratado por este jornal.
Programas para jovens e prevenção contra os abusos de álcool e drogas
Lideranças presentes como Jerônimo, do Jardim São Francisco cobrou a necessidade de se criar áreas de lazer naquela localidade. Já Hamilton Clemente lembrou ao pré-candidato sobre a necessidade de se olhar mais atentamente para a questão do abuso de álcool e drogas e a necessidade de programas para as regiões periféricas. Clemente recomendou que os governos levassem em conta a contribuição que certas entidades podem dar. Para ele os governos deveriam estabelecer convênios com algumas destas para somar esforços nessa importante batalha.
Padilha convoca militância a ir aquecendo os motores
Ciente de que a legislação eleitoral restringe a mobilidade e a exposição dos pré-candidatos, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha tem participado de caravanas pelo interior do estado e na capital sempre em locais fechados e dirigidas especialmente a filiados ao próprio partido e simpatizantes diversos. Demonstrou, também, estar bastante animado e feliz com as acolhidas, conforme resumiu ao final do dia, de novo, em Itaquera.
Enquanto em São Mateus, entretanto, registrou que esse momento é de ouvir, debater e eventualmente agregar proposições que possam compor seu plano de governo que deverá começar a ser definido após as convenções oficiais logo após a Copa do Mundo. A ideia dele é entre julho e agosto já correr trecho, nas ruas, condomínios, no comércio e nas comunidades debatendo e tentando melhorar as expectativas de voto. Não deixou de convocar a militância para essa árdua tarefa. Apesar de considerar que nunca estiveram tão boas as chances do PT vir a disputar o governo do Estado, alertou para as dificuldades e a necessidade do empenho de todos. “Vamos nos reunir e conversar. Estaremos preparados para essa campanha, mas com certeza ela será muito dura, em função da enorme preocupação de nossos adversários que temem tanto pela nossa chegada como pela reeleição da presidenta Dilma”.
“Teremos que ter capacidade para mostrar como de fato a vida mudou e esse debate terá que ser feito de modo especial com os mais jovens, alguns deles muito distante de todas as lutas e até mesmo da primeira eleição do PT ao governo federal. Devermos valorizar nossas conquistas e mantê-los temerosos sim da reeleição da Dilma, das boas condições de saúde do Lula e das nossas reais chances de governar o estado”.
Padilha fez também considerações gerais sobre a forma com que o atual governo atua no transporte coletivo, priorizando com melhores “produtos” as áreas centrais e mais ricas da cidade. Para tanto comparou a qualidade do metrô entre esse centro da cidade e as periferias.
Falou ainda do programa Mais Médico, ressalvando que a proposta não era uma solução definitiva e completa para a precariedade da saúde pública, mas, sim, uma iniciativa importante que já produz frutos reconhecidos pela população Brasil afora. “Essa é outra das diferenças. Conseguimos fazer em três anos o que eles não fizeram em 20”. Padilha voltou a se referir ao temor dos adversários de que essas proposições sejam implementadas no Estado de São Paulo.
Falou ainda sobre ações possíveis e tratamentos diferentes nas áreas da educação e cultura. ”O PT governa apoiado na força do povo. Damos apoio a quem faz e for criativo. Faremos questão de que essas coisas apareçam. Vamos apostar na força da cultura. Vamos valorizar os jovens e transformar a escola em espaço vivo de cultura, esporte e inclusão”. “A periferia de São Paulo vive um momento rico de cultura com saraus literários, músicas artesanato, teatro e etc. Vamos valorizar tudo isso. Eles (os adversários) temem tudo isso; nosso vigor. Vamos dar chances para os jovens irem para as universidades, cotas para negros, cotas para estudantes da escola pública, escolas técnicas”.
Não faltou ainda crítica ao governo do Estado com relação ao abastecimento de água na cidade. “Os técnicos vem nos últimos dez anos apontando a necessidade de obras para reduzir a dependência da capital do sistema Cantareira. Nada dessas recomendações saíram do papel por responsabilidade do governo. Agora estamos nessa situação”.
Padilha ainda seguiu para um almoço onde cada um pagou sua despesa
Saindo de São Mateus, Padilha partiu animado para o restante da agenda do dia que incluiu um almoço com correligionários, conversas no mesmo tom em outros bairros e no começo da noite com o mesmo tom nas Obras Sociais Dom Bosco, onde reuniu centenas de simpatizantes, parlamentares e lideranças locais. Saiu entusiasmado da maratona. (JMN)
É hora de parar de dormir
Uma dúvida cruel e aparentemente ainda sem uma resposta convincente vem crescendo nos corações e mentes. Quais as razões para os protestos, manifestações e greves que estamos vendo e tomando conhecimento nesses dias de maio que correm?
Partiremos do que pode ser entendido como premissas de que: para as greves trata-se de um braço de ferro entre empregados e empregador, em geral por uma participação maior no excedente com uma remuneração mais gentil para a força de trabalho; melhores condições de trabalho e vida ou ainda greves com caráter político mais amplo e menos corporativo. Greves também se dão em categorias de servidores do Estado pelos mesmos motivos.
A dúvida é: são, sempre, justos os motivos ou tudo faz parte de outros objetivos e interesses. O de influir em resultados eleitorais, por exemplo, no modo até certo ponto mais mesquinho de ser ou para causas mais nobres e de interesses legítimos e amplos.
Quanto as manifestações e protestos generalistas com focos mais fluidos, menos objetivos e que em geral dão demonstrações explicitas de certos descontentamento são protestos e manifestações que tem como destinatário e adversário nas escaramuças os governos.
Não particularizemos aqui se federal, estadual ou municipal, apesar de ter uma ligeira compreensão de que protestos de desconfortos tenham o governo federal principalmente como destinatário. À ele são dirigidas as demandas e demonstrações de descontentamentos difusos. Protesta-se contra algo que não achamos correto; que poderia ser diferente ou ainda que poderia ser melhorado.
Então onde estão os problemas? Ou o governo não é aquilo do que dele se espera ou os manifestantes e a sociedade em geral estão com algum mal secular, de tal forma desconfortável que querem demonstrar isso apesar de supostamente não terem tanta razão para isso.
As respostas precisam estar em algum canto. Ou o governo não presta ou os queixosos são injustos. Parece não haver meio termo e terceira via de resposta ao questionamento.
Se o culpado é o governo havemos de lembrar que ele é fruto da escolha popular, infelizmente após campanhas nem tão transparentes e nem em condições justas de disputas entre os participantes. Aqui e ali, e de forma avassaladora, se pode sentir a presença da manipulação midiática e dos efeitos de mecanismos políticos e eleitorais nem sempre probos. Há que se entender que os que legislam tem mais facilidade e entusiasmo para legislar em causa própria, não em causa nossa.
É este governo e seus anteriores, pois não se chega a atual situação sem lembrar de onde, por onde e com quem viemos que é parcialmente responsável pelo atual estado de coisas; afinal de campanha e campanha não se vê outra coisa que não propostas de corrigir os erros, arrumar as coisas e continuar melhorando o que no entendimento deles não está funcionando. Então porque não está bom?
Uma possibilidade pode estar no fato de que independente de partido; se mais sujinho ou mais limpinho, se com cara de democrata ou autoritário, se com cacoetes de direita, centro e esquerda eles nunca saem do lugar comum em apresentar um cabedal de propostas frouxas, tênues, descompromissadas e, principalmente em setores que dizem vão melhorar, mas que pela sua natureza apresentam enformes dificuldades de aferição.
Nunca vimos e talvez nunca veremos um estadista propor e fazer passar, por exemplo redução de salários de todo e qualquer mandato em benefício à saúde. Nem veremos esse mesmo estadista, pois ele não existe, dizendo que acabará com a festa do financiamento da saúde privada com recursos públicos ou ainda que exigirá que pais e responsáveis das famílias que recebem o Bolsa Família também tenham que frequentar escolas ou outros espaços onde possam com certa regularidade aprenderem bons modos, educação, cidadania e noções de ética. Não, não veremos esse estadista. Veremos, sim é candidatos que às vésperas das eleições se dizem opção mais confiável e melhor que seus oponentes, mas que logo a seguir, entretanto estarão compondo governos com eles e se locupletando tanto quanto possível das benesses do Estado.
Feita a queixa aos políticos tão a moda, resta registrar neste parágrafo o que entretanto parece ser o mais importante, ou seja, a irresponsabilidade da sociedade de uma forma geral. O fato é que tirando uma minoria abnegada, ativista e lutadora resta uma massa uniforme de muita gente boa, honesta e uma outra de gente ruim, desonesta que continuam achando que podem continuar dormindo em berço enquanto o gigante acorda, dorme de novo, acorda irritado, queima uns ônibus, pois tá na moda, e volta a dormir embalado com novas _ velhas_ promessas de que governo a ou b vão fazer as coisas melhorar.
Já se foi esse tempo. É hora de abandonar o tchu, o tcha, o conforto ou desconforto de seus lares e conhecer, entender e tomar atitudes que possam corrigir o mal estar desse país. Foi e é assim em todos esses alguns outros países de gente cidadã onde se ainda não está bom, pelo menos não é um país tão de ponta como o nosso quando o assunto é lambança. (JMN)
Aliados da Dilma começam a abandonar o barco
Ainda que a presidenta Dilma Roussef (PT) ainda possa contar com grande tempo de exposição no horário eleitoral ele tende a diminuir na medida em que antigos parceiros de governos abandonam o barco para formar fileiras na oposição ou em oposição própria para aumentar o cacife e o valor de suas legendas numa futura nova composição governamental.
Como tem sido denunciada sistematicamente em editoriais neste jornal, essa prática deletéria e nociva de fazer oposição tentando a sorte nas eleições, qualquer coisa de não mais que seis meses, virá apenas jogo de cena para logo depois estar disponível para compor o governo de forma chantagista do tipo “sem meu partido ou minha corrente, vai ficar difícil governar esse país”. Trata-se de um jogo onde os partidos com essa pratica a esmagadora maioria nunca perdem nada, nem perdendo nas eleições. Já para o povo é um teatrinho que custa caro.
Embora o seu partido faça parte da base aliada da Dilma, a senadora Ana Amélia (PP) do Rio Grande do Sul contou com a presença do tucano Aécio Neves no pré-lançamento de sua candidatura. Agora o bloco lá reúne PP, PSDB e Solidariedade (SDD) que estarão juntos na disputa local e na nacional. Para se ter ideia das consequências, o PP, que é um partido forte no RS, tinha pouco mais de um minuto de tempo na TV, com o acordo terá quase quatro minutos a mais.
Se for ter mais tempo, tira de alguém. Da Dilma, com certeza, mas não para ai. No Rio de Janeiro, em breve será lançado o “Movimento Aezão” com fatias generosas do PMDB e da base aliada própria do governo do Rio que aderiram à campanha de Aécio Neves à Presidência. Somem-se representantes do PP, do PSD que já havia anunciado que iriam apoiar a Dilma e do PPS que não esteve na base do atual governo e que já se dispôs a acompanhar Eduardo Campos do PSB, ou seja, outro naco de tempo perdido pela atual presidenta Dilma.
Com tantas defecções oportunistas, lembremo-nos, o Planalto já está com uma dor de cabeça que não cessa mesmo porque é também difícil de responder a esse movimento. Se cortar cargos que esses ocupam no governo corre-se o risco de ver a legenda toda do partido de quem se tira a boquinha se bandear para o campo adversário. Para evitar isso que é quase automático, não se tem muito que fazer e o governo têm que conviver com essas infecções por dentro de seu próprio corpo. Ou seja, não tem cura fácil pela frente.
O que é importante é notarmos que até as três últimas eleições presidenciais o que se via era o PSDB perdendo aliados que se bandeavam para o adversário de então, o PT, que recebia adesões quase sempre de caráter fisiológico, mas que garantia mais tempo de TV e uma sensação de melhor governabilidade. Hoje a situação é exatamente o contrário até o apoio do PR à reeleição da Dilma não esta garantido.
Diante desse quadro sempre presente nas eleições; do toma lá, da cá, o povo vai se iludindo com propostas mirabolantes dos partidos coligados e candidatos, que depois de eleitos, botam no gelo tudo que prometiam lindamente na TV. É também por essas que a reforma política deixou de ser um desejo de luxo; agora se trata de uma imperiosa necessidade. (JMN)
Nenhum avanço em nova reunião do Conseg 49 DP
Em nova reunião do Conselho de Segurança – Conseg do 49º DP, dia20/5, o Capitão Tirsso da 5ª Cia PM/SP fez um desabafo que mais parecia ser uma resposta ao descontentamento geral da comunidade presente a reunião anterior a essa e registrada pela reportagem. Procurou demonstrar que a Polícia Militar atua, mas não faz alarde e propaganda disso.
A mesa composta por José Ramirez, presidente do Conseg, pelo delegado titular do 49o DP, Luiz Carlos Uzelin, pelo Tenente Moisés, da 2ª Cia PM/SP, pelo Inspetor Figueiredo, da GCM e por José Carlos, representando o subprefeito de São Mateus que estava em outro compromisso abriu os trabalhos recolhendo algumas queixas que se repetiram, alguns encaminhamentos e, no restante do encontro, a fala do capitão.
Aberta reunião a comunidade se manifesta
Antes da fala do capitão, representante dos trabalhadores da saúde pública respaldado com representantes das nove unidades básicas de saúde na região reiterou as queixas do encontro anterior sobre o que consideram um estado de grande insegurança, revelando que naquele mesmo dia haviam sido registradas saídas de profissionais das unidades em mudança para locais mais seguros. Segundo o interlocutor os problemas seguiam da mesma forma e com a mesma gravidade. “Vamos chegar a um ponto tão critico que daqui a pouco as comunidades não iram apenas reclamar da falta de médicos e sim de todos os outros profissionais que fazem um posto funcionar. Nessas condições poucos vão continuar trabalhando. E, sem funcionários não existirá a unidade básica”, finalizou.
Outros participantes relataram comportamentos negligentes de alguns policiais e de demora exagerada no atendimento de certas denúncias a ponto de inviabilizá-las. A insistente ocorrência de bailes funks aos finais de semanas também foi objeto de reclamações.
Ainda com a palavra entre os presentes houve reclamações quanto ao atendimento administrativo de demandas por iluminação, limpeza e manutenção de espaços públicos que antes permitiam até caminhadas e que hoje são locais com ocorrência de assaltos e ainda sobre o abandono das escolas públicas sem segurança aos finais de semana.
Em desabafo, Capitão Tirssocobra participação e responsabilidade da sociedade
O Capitão Tirsso, da 5ª Cia da PM/SP aproveitou o gancho com relação às seguidas queixas e informou que a 5ª companhia e a PM da região de uma forma geral vem tentando combater o abuso e as ocorrências de bailes funks em vias públicas há mais de anos e revela as dificuldades. “Na Rua Sonho por Sonho, por exemplo, coloco uma viatura as sextas, sábados e domingos ou em dias alternados antes mesmo do começo da aglomeração de pessoas, como forma de evitar que o baile se instale. Pois saibam vocês que as pessoas que queriam que o baile ocorresse ficam na rua de trás e de forma furtiva e a distância jogam pedras nas viaturas”.
Disse ainda que a PM faz um serviço de inteligência monitorando tanto quanto possível as redes sociais e é percebe-se que eles se articulam migrando de lugar conforme a polícia vai atuando. “São 15 bailes simultâneos aos finais de semana e nem sempre nos mesmos lugares”, que dá um indicador das dificuldades.
Mas não é só. O capitão tem razão quando chama vigorosamente às falas a falta de responsabilidade da própria comunidade na educação primária de filhos; crianças e jovens. Lembrou inclusive da fala recorrente do delegado seccional Dr. Antônio Mestre que em certa ocasião ouviu a queixa de um pai por ter sido incomodado pela polícia para que fosse a um determinado baile se responsabilizar pela filha de 13 anos. Algo tão absurdo e próximo disto, mas com outras palavras: “Estava assistindo jogo e a polícia foi me incomodar”. O capitão ainda ilustrou seus argumentos com a situação vivida na França nos anos 70 com o aumento da criminalidade. “Eles chegaram a triplicar a força policial, mas o crime não regrediu. Regrediu, apenas, quando outro ministro enfatizou a educação de pais e responsáveis para que assumissem corretamente seus papeis na educação de filhos”.
O capitão tem razão e este jornal já vem falando nisso há algum tempo. Sem envolvimento e comprometimento e até preparo das famílias focado nos pais ou responsáveis às medidas repressivas só não vão resolver. É inadmissível que pais continuem se omitindo de se educarem e de educarem seus filhos.
Após enfatizar a necessidade desse comprometimento _uma espécie de chamada às responsabilidades da própria sociedade que não pode continuar achando que é obrigação da segurança resolver tudo, falou do rigor com que dirige a sua companhia e o empenho entre os seus comandados. “Claro que tivemos e possamos ter policiais que não cumprem suas obrigações, até casos que nos mesmos afastamos maus policiais. Já afastei 20, entre os quais três que eram bandidos e que estão cumprindo penas, mas a maioria sabe de suas responsabilidades de policial, assumem e agem”. O capitão indicava que para, além disso, o envolvimento responsável das pessoas de bem é essencial no trabalho da segurança. “Continuem denunciando de forma responsável”. Poderia ter dito também não compactuem com pequenos, médios e grandes crimes que, em geral, todos temos conhecimentos.
Parecendo procurar dar uma resposta ao ocorrido no encontro anterior com a queixa dos presentes quanto à ausência das polícias, disse que não é político e não faz propagando do trabalho que faz ou que a sua companha faz. Revelou até que a construção de parte da sede, por exemplo, foi feita com a força d mão de obra dos policiais e que nenhum pedreiro externo, por exemplo, esteve envolvido. Disse ainda que até o conserto das viaturas são pagas com seu cheque em algumas ocasiões.
A reunião foi encaminhada ao seu final muito próxima de como começou. Sem respostas objetivas as suas demandas os profissionais da saúde foram embora, considerando que sequer foram ouvidos. Ou seja, a comunidade, sem resposta e encaminhamentos imediatos deixa transparecer que a questão da insegurança em São Mateus vai continuar na pauta do dia, o que, como lembrado, vai exigir o envolvimento responsável de todos.
Adriano Diogo participa de Pinga Fogo na Gazeta
Diversas lideranças de São Mateus e região participaram da nova edição do Pinga Fogo na sede da Gazeta São Mateus, dia 23/05, com o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP) que tem longa e intensa presença na região. O encontro foi coordenado pela diretora do jornal, Lucy Mendonça. Acompanhe o resumo de gravações do encontro.
Respondendo a primeira pergunta chave feita pela diretora do jornal, Lucy Mendonça, do porque deveríamos dar a ele o voto, Adriano Diogo respondeu que só se deve votar naqueles em que se tiver confiança e certeza de comprometimento em resposta à primeira pergunta. “Acho que não se deve votar apenas no que se fala e se promete fazer, mas também pelo que a pessoa foi e é. Particularmente tenho dificuldade com relação a essa coisa de pedir voto. Entendo ainda que nem deveríamos pedir esse voto e sim ser lembrado; ter um reconhecimento automático”, explica e critica o fato inegável de que o voto se insere num processo de alto financiamento, de interesses escusos, de troca de favores desde os mais simples e particularizados até o de altas finanças e interesses empresarias nem sempre legítimos. “Vejo essa relação com a política de forma a ser afetiva e de sinceridade, mas de maneira plena, não no varejo. As pessoas podem votar ou casar pensando na prenda ou no dote que vai receber, mas isso não é garantia alguma que a relação vá dar certo, Pode ser um grande desastre”, raciocina.
Perguntado sobre uma questão emblemática para a região do ponto de vista ambiental que é a preservação do Morro do Cruzeiro, o segundo ponto mais alto da cidade, Adriano explicou que como deputado estadual e com as tarefas que desempenha na assembleia e no mandato tem pouco contato e interferência nas questões da prefeitura, mas que tem certo entusiasmo com o novo subprefeito Fábio Santos Silvaque assumiu na região. Já o conhecia e em conversas com o novo representante da prefeitura que o procurou para se inteirar melhor disse que vale a pena ele buscar as questões que estavam previstas na revisão do Plano Diretor Regional esboçado anos atrás.
Adriano destacou que três áreas de São Mateus; Vila Bela, Jardim das Flores, Parque Palanque e mais o Morro do Cruzeiro deveriam ser de sua máxima atenção e que especialmente para o morro deverá ter um olhar atento e criativo para manter e resgatar o local que tem como ser patrimônio importante para a cidade. “Mexer acertadamente com o Morro do Cruzeiro e das outras áreas vai contribuir muito com a elevação da autoestima dos moradores de São Mateus”, considerou o deputado que acha que São Mateus tem sido maltratado ao longo dos anos.
Voltando a se referir à ocupação Vila Bela, lembrou que o problema quase teve uma solução urbanística adequada ao final do governo da ex-prefeita Marta Suplicy. Na ocasião, lembrou, o suposto dono da área propunha entregar a terra a custo zero. “A Vila Bela precisa de ações aos moldes de porteira fechada, por completo, a exemplo do que foi o Jardim Conquista na ocasião”.
Arguido sobre a questão da violência, além das considerações gerais de amplo conhecimento como educação dentro de casa, espaços de socialização e educação, cultura, segurança preventiva e eficiência policial, Adriano levantou a importância do viés social da questão que envolve o uso e ocupação urbana, diferenças de renda e oportunidades, entre outros. Indicou que não existem saídas isoladas para a violência. “Acho também que os governos não deviam apenas administrar locais; a tarefa é, também, administrar as relações entre as pessoas”. Mais ainda, considera que a administração municipal, no caso, tem que cuidar das áreas centrais, notadamente nos casos de ociosidade de moradias onde existem mais de 50 mil apartamentos ociosos, mas, também, das periferias.
Com relação a essas questões também sente falta de criatividade e de um pouco de utopia nas demandas das populações onde existe uma grande energia dispersa e desperdiçada. “Sentimos falta de projetos e ideias arrojadas para além de se buscar apenas as questões do dia-a-dia. Temos que ter projetos para mobilizar e construir a cidadania”, raciocina. “Do jeito que as coisas estão às pessoas foram transformadas em simples eleitores. Três meses de calor máximo as vésperas da eleição e quatro anos de ar condicionado”, satiriza.
Com relação à representação parlamentar Adriano reconhece que a maior parte das pessoas não se sente representada, seja no congresso, na assembleia ou nas câmaras de vereadores. “Chega a ser caricata essa relação”. Mesmo assim, Adriano tem esperança que para São Mateus, retomar propostas da revisão do plano diretor anos atrás e ajudar a consolidação do plano diretor em curso possa melhorar a situação.
Muitas reservas com relação ao monotrilho
Por considerar que a atividade política infelizmente deixou de ser uma atividade criativa para ser uma coisa burocrática e repetitiva não se está enfrentando adequadamente a discussão do monotrilho, por exemplo, da forma como se deveria. Adriano diz que a proposta do transporte foi de um governo, mas que teve que ser enfrentada pelo seguinte, ainda do PSDB, que percebeu, então, o tamanho das dificuldades dessa tarefa. Adriano aposta que este ano se resolve apenas o trecho já consolidado que chega até o parque São Lucas, passando pela Vila Prudente. “O restante ainda é uma miragem, tal o grau de dificuldades de se resolver assuntos como desapropriação, por exemplo”. “Vale lembrar”, continuou “que o transporte leve tal como proposto não é exatamente o mais adequado para transporte de grandes quantidades de pessoas”.
Insinuou ainda que a extensão até a Cidade Tiradentes não estava prevista e, eventualmente, foi incluído em função das demandas históricas daquela comunidade por transportes mais eficientes. Adriano ainda acha que eles resolvem parcialmente o trecho consolidado, mas não terão coragem de colocar em funcionamento pleno por causa dos riscos dos problemas aparecerem ainda no período eleitoral. “Imagina se não funcionar direito? A operação do monotrilho é uma enorme vitrine no país inteiro, não querem correr o risco”. Tanto é assim, diz Adriano, que o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, em acordo com o governador preferiu rever completamente o projeto inicial, imagino pela precária confiança que tinham no que estava sendo proposto.
Buscar um mandato no Congresso Nacional
Indagado sobre suas prioridades caso seja eleito como deputado federal, Adriano lembrou inicialmente das enormes dificuldades das campanhas nos moldes que vinham ocorrendo, principalmente na questão do financiamento. “Devemos ter em mente que apenas 160 empresas conseguem decidir quem serão o presidente, os governadores e até os vereadores, Brasil afora. É muito poder, exatamente nas mãos de quem detém o capital”.
Adriano tem sérias críticas a essa relação promíscua que se estabelece entre o eleito e seus financiadores e pelo fato da relação de campanha também junto ao eleitor ser balizada pela questão das trocas que em geral envolvem pagamentos em espécie ou favores presentes e futuros. É nesse sentido que é um entusiasta do financiamento público de campanha que, se não resolve totalmente as desigualdades de recursos em campanhas, pelo menos as diminuem. Adriano ainda registrou que é contra a perpetuação de mandatos com parlamentares se reelegendo aos mesmos cargos por eleições seguidas.
Se sua presença tem importância em Brasília responde afirmativamente e tem razão. O que temos de despachantes de luxo e lobistas no congresso não se conta as dezenas. É muito mais. Adriano é daqueles que tem a política como prioridade e acha que pode dar boa contribuição em questões como direitos humanos, defesa de direitos, combate e denúncias de genocídios, violência arbitrária policial e cidadania. De fato, os que se batem por esses temas no congresso nacional ou são equivocados ou estão em minoria que precisa de reforço.
Perguntado sobre o que achava das movimentações por uma nova assembleia constituinte através da decisão via plebiscito, disse que apoia em função principalmente da necessidade de uma reforma política que de conta de resolver alguns vícios antigos, mas principalmente da influência do capital nas eleições. “Acho justo e necessário, tem que haver reforma política, sem isso teremos cada vez mais votos nulos e em branco e quando não se acredita nas instituições é o caos. Não dá para continuar também com 90% da representação política eleita baseada na capacidade de arrecadar dinheiro”. “Acho a ideia do plebiscito uma coisa boa que deve ser maturada e que, a meu ver, deveria ser capitaneada até pela presidenta Dilma”.
Mais reflexivo, mais prudente, mas ainda político
Com 65 anos de idade e alguns mandatos cumpridos, Adriano Diogo ainda entende que não existem saídas fora da política, entretanto ela tem que ser vista e praticada de forma séria e com dignidade. “Sou um parlamentar de esquerda com ligações com a igreja católica e com comunidades em toda São Paulo, principalmente Zona Leste e pelo interior do estado e quero continuar não tento vergonha nem envergonhando nenhum eleitor ou apoiador do meu mandato”.
Adriano ainda questionou a legitimidade e a eficiência das recorrentes alianças políticas extensas e amplas em buscas das supostas governabilidades. Entende que também essa prática precisa ser discutida e revista, principalmente em se tratando de partidos com enraizamento nas maiorias, nos trabalhadores e nas comunidades.
Ao final, Adriano voltou a lembrar das dificuldades de se eleger. Sem recursos abundantes de campanha à moda do que muitos concorrentes terão; seu passado, seu presente e sua postura terão que reunir muitos apoios militantes em busca de aproximadamente 150 mil votos. (JMN)
Keiko Ota encara Pinga Fogo em São Mateus
Coordenada por Lucy Mendonça, diretora do jornal cerca de 20 pessoas participaram na primeira edição deste ano do Pinga Fogo com a deputada Keiko Ota. “A escolha da deputada como primeira participante se deu em função da pertinência do assunto Segurança em nossa região”, explicou. Acompanhe um resumo do encontro.
A deputada federal Keiko Ota (PSB-SP), membro da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e da Comissão de Direitos Humanos e Minorias no congresso nacional participou dia 09/05 do primeiro Pinga Fogo de 2014, na sede da Gazeta São Mateus. O encontre reúne lideranças locais para ouvir e promover uma espécie de sabatina com o candidato, haja vista que a deputada concorre à reeleição ainda este ano.
Além do chefe de gabinete Roberto Sekiya e dois assessores a deputada esteve acompanhada do marido, o vereador Masataka Ota (Pros-SP). O casal perdeu o filho Ives Ota para a violência, 16 anos atrás e, desde então, vem militando junto aos movimentos de justiça e paz no país todo. A entrada de Keiko Ota na vida publica como deputada buscava formas de ajudar as famílias vítimas de violência através do Congresso Nacional, o resultado dos esforços se por um lado deu vez e voz às vítimas, por outro tem registrado poucos avanços.
O assunto Segurança tornou o encontro mais emotivo do que racional e não teve como a reportagem acompanhar uma conversa organizada com perguntas e respostas e, embora o clima fosse de descontração não se pouparam ao debate respeitoso.
Em resumo a reportagem considera que: apesar de transparecer propostas bem intencionadas, principalmente porque a deputada e seu staff estão mobilizados a partir de uma inusitada e infeliz situação pessoal do casal, o foco de sua atuação, segundo parte dos presentes, não é o mais acertado.
Diversos pontos defendidos pela deputada como redução da idade penal; revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente; revisão do Código Penal com a adoção de leis mais duras para os crimes contra a vida teve criticas reservadas durante o encontro.
Houve quem chamasse a atenção para o fato de que o problema da violência não se resolve com a mudança do Código Penal, mais ainda; que o que precisa mudar é a Leis de Execução Penal – LEP que, muito resumidamente, trata de como, quando e por quanto tempo serão efetivamente cumpridas as penas. “Não é o Código Penal que precisa ser alterado e sim a Lei de Execuções Penais. Já existe no Código de 1940, previsão de cobertura para quase todos os crimes que são praticados”. Outros ainda consideraram que o mandato, mesmo com o foco definido na questão da Segurança, o faz de forma estreita focando muito no apenamento e com apenas uma ideia difusa de que é preciso cuidar da educação da criança, por exemplo, para evitar o futuro criminoso.
De posse do material de apresentação da deputada com a ênfase dada a esse aspecto do apenamento, ela respondeu a uma das perguntas considerando que “Precisamos de uma lei mais dura para o crime contra a vida que alcança algo próximo de 60 mil homicídios por ano, mas ao mesmo tempo operar na outra ponta que são cuidar e evitar que as crianças sofram violência que depois levam para a escola e ficam sem condições de assimilar o que se passa na escola e a mercê do crime organizado. Temos que mudar também o comportamento do indivíduo”, esclareceu. De pronto replicaram que a questão não seria apenas de aumento, mas sim de cumprimento total da pena.
Efetivamente a deputada também replicou expondo seu próprio caso onde os assassinos de seu filho foram sentenciados há 43 anos, mas que teriam que cumprir apenas um sexto em regime fechado. Criou-se certo consenso nessa questão, bem como em outra lembrança de que independente da idade do criminoso, este seja julgado pela gravidade do crime e não apenas por sua faixa etária. Isso, aliás, estava na essência da proposta no Senado Federal de autoria do senador Aloisio Nunes (PSDB-SP) que foi também foi rejeitada junto com propostas de rigor máximo e rigor mínimo no tratamento desse assunto, ou seja, voltou-se a estaca zero.
“’É preciso fazer cumprir o que já existe”, resume um dos presentes que não poupou críticas ao mandato por estar fazendo o comum e repetindo clichês lá em Brasília. “O foco principal deve ser a mudança e ou o cumprimento da Lei de Execuções Penais”. O mesmo interlocutor contestou também a proposta de aumentar a pena máxima de 30 para 50 anos de reclusão. “Ninguém ficará preso por tanto tempo”, indicou.
Houve extenso debate sobre essa possível perda de foco do mandato. A deputada e equipe reiteraram que tem conhecimento e que atuam tanto quanto possível nessa seara lembrando que as coisas em Brasília, seja no Congresso Nacional, sejam nas relações com o Ministério da Justiça são sempre desgastantes, demoradas e que sempre há a dependência de costurar apoios e alianças.
Dando vez e voz os familiares das vítimas
Mas, se alguma coisa pode se destacar do mandato da deputada é o fato de ajudar a instituir a Frente Parlamentar em Favor das Vítimas de Violência e o fato desse mandato articular movimentos, idas à Brasília e dar maior visibilidade ao assunto. “Priorizamos mobilizar no Brasil todos os familiares das vítimas da violência cuja dor está presente e cujo clamor de justiça é justificável”. Fato. A situação é de tal forma contundente que nesse sentido, sim, presta um grande serviço à sociedade.
Após exposição de motivos e justificativas do mandato criou-se um consenso sobre a necessidade à deputada ser mais agressiva na defesa das poucas mudanças que são necessárias no Código Penal; na atenção e cobrança de cumprimento das penas previstas através da Lei de Execuções Penais. Foi convidada até a se comportar como uma ‘terrorista’ do lado do bem, como se expressaram alguns dos presentes, a fim de tentar sensibilizar os parlamentares e por consequência o governo sobre a gravidade da situação.
Durante a conversa o marido da deputada, o vereador Masataka Ota indignou-se com o fato de a OAB permitir que egressos do sistema prisional, beneficiado pelo cumprimento parcial de penas, possam se formar com advogados que irão futuramente, segundo o seu entendimento, defender criminosos. Uma impressão necessariamente ao arrepio dos direitos, uma vez que a partir do cumprimento da pena, se entende que a dívida desse egresso tenha sido quitada junto à sociedade. Enfim, um posicionamento, no mínimo discutível.
Vale ressaltar que o vereador é autor da Lei 15.960, sancionada pelo prefeito Fernando Haddad que determina a criação do Serviço de Assistência Psicológica ao Estudante e publicada em Diário Oficial no dia 09/01/14 com prazo de 90 dias para implantação nas escolas municipais de ensino fundamental.
Por fim a deputada ainda sugere que se tenha alguma forma de prestar auxílio financeiro às famílias vitimas da violência. “Estamos contribuindo em todos os debates, inclusive no de aumento de penas que passou pelas comissões e deverá ser apreciada em plenário. Uma das principais tarefas minhas é dar vez e voz a essas famílias”, finalizou. (JMN)
Mais uma caminhada pela paz
Uma caminhada pela paz reuniu cerca de 400 pessoas na manhã do dia 12 de abril que fizeram um pequeno trajeto até o 49º Distrito Policial. Representante de escolas, alguns alunos, dos comerciantes, entidades diversas e do Conselho de Segurança gritavam palavras de ordem com o apoio de um caminhão de som.
Se fosse possível resumir numa frase; chega de violência foi a mais emblemática. As pessoas lembravam-se, durante o trajeto, a necessidade de se buscar medidas que tragam de volta um pouco de paz à região que, conforme exaustivamente noticiada nesta edição, está passando por momentos delicados.
As centenas de pessoas presentes também cantaram louvores animados com a presença de pastores de igrejas evangélicas e padres das igrejas católicas locais.
Acompanhe um pouco da cena em nossas fotos.

