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… pausa para micro férias…
Essa quinzena não teremos edição alguma em função de uma micro férias. Voltamos ao final de julho. Grato pela compreensão!
As memórias de Maria




As memórias e histórias de Lúcia Maria Pimentel, carioca e militante na luta contra a ditadura desde após o golpe de 1964 pode ser vista em avant premier pública na Cinemateca Brasileira, na noite do dia 20 de novembro com o auditório lotado com gente de todo canto, equipe de produção, amigos e vizinhos da personagem, alguns famosos e muitos, mas muitos clandestinos mesmo aos moldes do que foi grande parte de sua trajetória no combate a ditadura militar.
Esbanjando energia nos atuais 76 anos aos moldes do que foi sua juventude e vida adulta, Lúcia, então com o codinome Maria foi presa ainda jovem, em 1969, num certo 1º de maio onde estava previsto apenas uma ação de denúncia e panfletagem que, conforme explicado no documentário teve tiroteio e detenção como consequência.
Exilada na Argélia, foi beneficiada por uma conjuntura governamental progressista e convivência com o então político brasileiro Miguel Arraes, de expressão mundial. Posteriormente viveu e casou-se na Suíça onde desenvolveu e aperfeiçoou a importante e delicada tarefa da forjar documentos que permitissem a locomoção de refugiados brasileiros perseguidos pelo regime.
Nesse período desenvolveu cada vez mais suas principais habilidades dando primeiros passos na publicação de panfletos, jornais ou revistas no campo da esquerda, algumas de natureza de reflexão política e outras de ativismo militante.
Nesse período um dos periódicos circulava entre os exilados na Europa e outra parte entrava clandestinamente no Brasil pela rede de apoio que é muito bem explicada no documentário.
Decidida a voltar ao Brasil na semiclandestinidade empregou-se em importante gráfica na cidade de São Paulo e em sua própria casa dava guarida e espaço organizativo para os remanescentes da Dissidência Guanabara já, então como Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), organização de esquerda que, lembremos, junto Ação Libertadora Nacional (ALN) sequestrou em setembro de 1969, o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick para exigir, em troca, a soltura de 15 militantes de esquerda nas mãos do regime, que forma enviados ao México.
Já de volta ao Brasil, em 1976, em episódio em que ficava exposto certos preconceitos e machismos contra as mulheres, no sindicato dos gráficos do estado de São Paulo, Roque Barbieri, presente no documentário e no lançamento na cinemateca, toma o microfone na assembleia para denunciar e criticar a hostilidade de que era vítima a então militante na porta da entidade, conseguindo superar o incidente que modifica todo o panorama posterior. Já no sindicato Maria comandou uma das maiores greves da categoria em 1978.
É depois disso que Maria arrebenta os grilhões do preconceito e tem presença cada vez mais qualificada e decisiva na direção política do sindicato, sendo eleita em 1980 como diretora da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas do Estado de São Paulo. Participou da comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – Conclat; depois da fundação da CGT e posteriormente entre outras tantas atividades passou a integrar as delegações brasileiras nas Conferências da Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto ainda se faz presente na diretoria executiva da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Ousar Viver! Histórias de Maria
É um longa metragem em formato documentário, com muitas outras informações que evitamos dar spoiler, dirigido por Silvio Tendler, com produção do Instituto Angelim com extensa lista de apoiadores diretos e indiretos. O objetivo de apresentar e difundir para as novas gerações as memórias e histórias da Maria, militante pela democracia desde o período da ditadura miliar no Brasil até os dias atuais com presença marcante e decisiva no papel das mulheres na área sindical e movimento de mulheres. Recupera parte da história das lutas democráticas dessas mulheres, jogando um olhar sobre o presente nas persistentes lutas por igualdade de direitos.
O filme completo pode ser visto a partir de agora pelo canal de you tube do Instituto Angelim. (JMN)
Legendas: Na primeira foto Zé Neto editor da LacrE,, Maria e Roque Barbieri; na segunda Professor Valter Almeida, Zé Neto, Maria, Roque com filha Édria e esposa Dirce, na terceira Maria e Roque, personagens do documentário e a quarta Fátima Shinohara, Zé Neto, Maria, Roque Barbieri e sua filha Édría, a esposa Dirce e uma convidada
“Nós cultuamostodas as doçuras”: as religiões de matriz africana e a tradição doceira dePelotas
As tradições de matriz africana cultuadas em Pelotas são intrínsecas à história da cidade, seus costumes e vivências cotidianas. Essas vivências, marcadas pela oralidade, são repassadas de geração a geração, dentro dos terreiros e das casas de umbanda. O doce no batuque pelotense tem um significado ainda mais forte do que em outros contextos, isso se dá porque os braços e mãos negros que proporcionaram a consolidação deste munícipio como a capital do doce são marcados pela vivência do axé. Não são mais nos grandes casarões que se servem uma grande quantidade de quindins. É no terreiro.
Nas periferias de Pelotas, nas ruelas dos bairros em que estão situadas as casas de santo, permanece viva a tradição doceira no dia a dia. A economia gerada nas cooperativas de doces é imbricada na vivência de mulheres, na sua maioria negras, que celebram a fertilidade, a doçura, o sagrado através da produção dos doces que serão ofertados às divindades relacionadas a estes arquétipos. O trabalho desenvolvido pela pesquisadora Marília Floôr Kosby é uma narrativa que há muito precisava ser passada às palavras escritas.
O texto convida a repensar Pelotas, um reencontro dos descendentes daqueles que proporcionaram a pujança econômica vivenciada no período charquedor com os seus ancestrais. Mais do que isso, é a possibilidade de desmistificar um ideário europeizado da “princesa do sul”. Que é doce, mas ao mesmo tempo também carrega na sua história a amargura daqueles que por muito tempo tiveram sua voz silenciada. Assim como o tambor, o doce exerce a possibilidade de comunicação com a massa mítica ancestral. Cozinhar no terreiro é dar significado aos pressupostos civilizatórios de matriz africana, ter doçura no quarto de santo é um diálogo com a orixalidade e, frequentemente, é também a maneira de anestesiar as dores das mazelas que o racismo ainda produz em nós, vivenciadores do axé. Diz um provérbio antigo, do povo ioruba, que chuva fina mas constante faz o rio transbordar. Esse livro é uma chuva fina e constante, assim como é constante a resistência do povo negro pelotense, certamente transbordará o rio de sangue que ainda precisa vir à tona para (re) contar a história de Pelotas.
Que transborde em doçura, daquelas que confundem o paladar.
Winnie de Campos Bueno
Yalorixá do Ilé Ayie Orisha Yemanjá
Graduanda em Direito pela Universidade
Federal de Pelotas
Nº de pág.: 116
ISBN: 978-65-5917-174-3
DOI: 10.22350/9786559171743
Publicado em Zine LacrE ed. 0
O Mais Belo Suicídio

Evelyn Francis McHale (20 de setembro de 1923 – 1 de maio de 1947) foi uma escriturária americana que cometeu suicídio pulando da plataforma de observação do 86º andar do Empire State Building.
Em 1º de maio de 1947, uma jovem e bela mulher deu um salto do 86º andar do Empire State Building e pousou em uma limusine das Nações Unidas estacionada na rua abaixo. O metal do carro dobrou como lençóis e emoldurou sua cabeça e braços. Tudo sobre a elegância de sua pose – desde a mão enluvada segurando o colar de pérolas até os tornozelos delicadamente cruzados sugere por que sua morte foi considerada “O Mais Belo Suicídio”.
A República das Milícias
O que fazia o policial Fabrício Queiroz antes de se tornar conhecido em todo o país como aliado de primeira hora da família Bolsonaro? E o líder miliciano Adriano da Nóbrega, matador profissional condecorado por Flávio Bolsonaro e morto pela polícia em 2019? E o ex-sargento Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e morador do mesmo condomínio do presidente da República na Barra da Tijuca? Os três foram protagonistas de uma forma violenta de gestão de território que tomou corpo nos últimos vinte anos e ganha neste livro um retrato por inteiro: as milícias. Eles são apresentados ao lado de policiais, traficantes, bicheiros, matadores, justiceiros, torturadores, deputados, vereadores, ativistas, militares, líderes comunitários, jornalistas e sobretudo vítimas de uma cena criminal tão revoltante quanto complexa.
O livro se constrói a partir de depoimentos de protagonistas dessa batalha. São entrevistas que chocam pela franqueza e riqueza de detalhes, em que assassinatos se sucedem e as ligações entre policiais, o tráfico, o jogo do bicho e o poder público se mostram de forma inequívoca. Num cenário em que o Estado é ausente e as carências se multiplicam, a violência se propaga de forma endêmica, mas deixa no ar a questão: qual a alternativa?
A resposta está longe de ser simples. Sobretudo num país de urbanização descontrolada e cultura política permeável ao autoritarismo. Dos esquadrões da morte formados nos anos 1960 ao domínio do tráfico nos anos 1980 e 1990, dos porões da ditadura militar às máfias de caça-níquel, da ascensão do modelo de negócios miliciano ao assassinato de Marielle Franco, este livro joga luz sobre uma face sombria da experiência nacional que passou ao centro do palco com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência em 2018.
Mistura rara de reportagem de altíssima voltagem com olhar analítico e historiográfico, A república das milícias expõe de forma corajosa e pioneira uma ferida profundamente enraizada na sociedade brasileira.
A História do Século 20 Para Quem Tem Pressa
Livro: A História do Século 20 Para Quem Tem Pressa – Nicola Chalton e Meredith Macardle
Publicado na zine LacrE número 0
A História do Século 20 para Quem Tem Pressa é um guia acessível para 100 anos de história moderna. Enormes avanços na ciência e na tecnologia — estimulados por exigências do comércio internacional e conflitos armados sem precedentes — resultaram no surgimento de aviões, automóveis e antibióticos que salvam vidas. Desde a queda do Império Britânico até a era nuclear, desde os avanços pioneiros nos direitos civis até a internet, o ritmo e o alcance do progresso e das mudanças foram extraordinários.
Nicola Chalton e Meredith MacArdle relatam os impressionantes eventos de um século diferente de todos, identificando as figuras-chave e os momentos decisivos desse notável período da história. Em ordem cronológica, informações básicas sobre duas guerras mundiais, a criação das vacinas, a conquista da Lua, o fenômeno da globalização, a revolução digital, o perigo do aquecimento global… e muito mais em linguagem de fácil entendimento e com mapas ilustrativos para o leitor que deseja conhecer melhor o mundo em que vivemos.
Águas do norte
Águas do norte, Ian McGuire
Uma prosa precisa e ágil sobre a violência humana em suas várias formas

O livro – Patrick Sumner, um médico do exército inglês que viveu os horrores da Guerra dos Sipaios, na Índia, retorna para casa. Traumatizado e sem perspectivas, decide se alistar na tripulação de um navio baleeiro que está zarpando para o Ártico. Seu objetivo é reler Homero e desenhar rascunhos da vida marinha enquanto receita laxantes aos marujos. Mas a bordo do Volunteer também viaja Henry Drax, um arpoador vil e sanguinário com quem Sumner logo entra em rota de colisão. Nas ÁGUAS DO NORTE, à medida que a bestialidade humana e a força esmagadora da natureza ditam as reviravoltas de uma jornada horripilante, Sumner precisará fazer o impensável para sobreviver.
Por que publicamos
Inscrevendo-se numa tradição narrativa que vai do MOBY DICK de Melville ao MERIDIANO DE SANGUE de Cormac McCarthy, ÁGUAS DO NORTE oferece uma visão inesquecível da amoralidade absoluta que reside na natureza e no coração de certos homens.
O autor – Ian McGuire nasceu em Hull, na Inglaterra, em 1964. Ensina escrita criativa na Universidade de Manchester, onde foi um dos fundadores do Centro de Novos Autores. É crítico literário e seus contos apareceram em publicações como Chicago Review e The Paris Review. ÁGUAS DO NORTE é seu segundo romance.
TRECHO DO LIVRO
Eis o homem. Sai aos tropeços do pátio do Clappison’s, chega à Sykes Street e fareja o ar complexo — terebintina, farinha de peixe, mostarda, grafite, o fedor costumeiro e penetrante do mijo matinal que acabam de derramar dos potes. Bufa, esfrega os cabelos desgrenhados e ajeita a virilha. Cheira os dedos e depois os chupa um por um, extraindo os resquícios, tirando um último proveito do dinheiro gasto. No final da Charterhouse Lane, vira na Wincolmlee no sentido norte e passa pela Taverna De La Pole, pela fábrica de velas de espermacete e pela processadora de oleaginosas. Enxerga os mastros grandes e de mezena que balançam acima (…)
GÊNERO Ficção estrangeira
TRADUÇÃO Daniel Galera
CAPA Laurindo Feliciano
FORMATO 13,5 × 20,8 × 1,9 cm PÁGINAS 304 PESO 0,390 kg
ISBN 978-65-5692-115-0
ANO DE LANÇAMENTO 2021 R$ 74,90 em e-book R$ 55,90
Conhecer para defender a democracia
Diante do que pode estar sendo ensaiado pela nova gestão da República, é preciso estar alerta e ter em mente a necessidade de promover um grande movimento nacional para reafirmar os direitos consagrados na Constituição de 1988 antes que os novos governantes comecem a mudar a história desde e a partir das escolas.
Para que exista um Estado de Direito será preciso entender que a democracia também só será viável havendo Segurança Jurídica que se sustenta respeitando as leis, a começar e principalmente pela Lei Maior, a Constituição.
Na história da humanidade foram séculos de lutas dos povos até que se chegasse ao lema consagrado pela Revolução Francesa,de Igualdade, Fraternidade e Liberdade. Comecemos pela última e reconheçamos as dificuldades em até mesmo fazer o ser humano entender e aceitar ser livre; um dos principais empecilhos para isso é a pior das servidões: a servidão intelectual.
O início dessa libertação, que parecemos ter,mas não em sua plenitude, se dá através do conhecimento dos direitos que a humanidade vem tentando consolidar através da história. Até para reafirmar essa condição humana, as Nações Unidas aprovaram a Carta Universal dos Direitos Humanos e seus princípios básicos estão inseridos em todas as Constituições,inclusive a nossa, dos países signatários, como o nosso.
Diante disso e do que se avizinha é pertinente que todos os estamentos da sociedade possam formar grupos para ler, estudar,compreender e comentar a Constituição da República Federativa do Brasil, a Constituição Cidadã de 1988, pois ali estão descritos todos os deveres e direitos dos cidadãos residentes no Brasil e que precisam se garantidos e preservados pelos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, ou seja, muito acima da vontade e desejo deste ou aquele mandatário eleito ou não.
É muito pertinente discutir o papel do Estado e seus servidores, dos proprietários de meios de produção industrial, agro, mineiro, florestal, dos trabalhadores e em todos os setores da atividade humana. A ideia aqui é assegurar que o conhecimento ou até uma revolução cultural se dê com o estudo dos direitos fundamentais das pessoas adotadas mundialmente e sagradas na Constituição. É a tal da proposta de reafirmar a democracia. Democracia que se faz em obediência às leis e respeito aos direitos dos outros.
Conhecera Constituição, a carta que nos rege ou deveria reger não tem nada de subversivo ou de contestação ao novo governo e de tal não pode ser acusado. É apenas a afirmação da cidadania e da desejada soberania dos povos. Os mandatários que acham que tudo podem e que, inclusive querem de cima pra baixo determinar o que é melhor, tem que aprender a conviver com a desejada superação da servidão intelectual do povo brasileiro. (JMN)
13 x 17
Acho que depois da redemocratização as eleições para presidente do país nunca foram tão polarizadas, uma espécie de disputa entre o que consideram, a depender do lado que está o bem e o mal. Não que eram apenas esses dois lados que se apresentaram para a disputa, tinha outros tantos 12, 40, 45, respectivamente PDT, PSB e PSDB para ficarmos entre os mais expressivos.
O que mais chamou a atenção no primeiro turno era a insistência com que as campanhas e os candidatos dos principais concorrentes que não eram o PT e o PSL de que o Brasil, os eleitores e o povo queriam um caminho de centro, longe dos extremos que acham que os dois contendores atuais possam representar, mas que não se traduziam em intenção de votos.
Vimos Alckmin, Marina e em menos intensidade o Ciro reiterando que o povo quer o meio termo, o centro, conforme dito acima e os eleitores desmentindo-os o tempo todo. Curioso também como esses três insistiam que o caminho deles, de centro, era o certo, como se não houvesse, numa democracia, espaço e direito de extremos se manifestarem.
A rigor, colocado sobre as luzes científicas e rigorosas a proposta no primeiro e segundo turno do candidato Haddad, diferentemente da de Bolsonaro não dá para ser considerada extremista de esquerda porque mantem alguma distância com as propostas do PSOL e do PSTU, por exemplo. Já Bolsonaro não tem mais nada a sua direita. É tido e havido não pela opinião, mas pelo rigor das luzes científicas e rigorosas o candidato da extrema direita brasileira.
Perceba-se que não estou entrando no mérito de cada um dos lados, isso não me interessa aqui nesse artigo. O que acho é de natureza pessoal, cívica até militante, mas não nesse artigo.
O que gostaria de chamar a atenção é de que as responsabilidades dos candidatos, dos apoiadores e de eleitores de lado a lado tem que ser assumidas. Não haverá tempo e espaço para mais a frente omitir, mentir ou fingir não se lembrar de que lado esteve; se é que esteve, porque haverá ainda aqueles que escalarão o muro mais próximo deixando em branco ou anulando o voto.
Anular o voto está sendo considerado um erro grave para ambos os contendores. Para a campanha do Bolsonaro, votar no adversário é permitir a volta do PT e, muita gente considera isso muito grave e na corrupção. Já para a campanha do Haddad votar no adversário é fortalecer o autoritarismo, o desrespeito às minorias, a violência e enganar a sociedade com propostas desastrosas. Claro, as queixas de um contra o outro não são apenas estas e você pode apreciá-las aos quilos nos meios de comunicação e na rede social, que a essa altura da disputa é um verdadeiro hospício de verdades e mentiras.
Se eles estão certos nas suas formas de olhar ou não até pouco importa, mas é assim que eles, grosso modo, pintam o adversário. Foi o que sobrou da campanha com muitos partidos e de múltiplas escolhas. Quem quis caminhar pelo centro caminhou; quem quis caminhar pelo centro-esquerda, esquerda, centro direita e direita também caminhou. Uns chegaram outros ficaram pelo caminho com o dilema do que fazer agora com os dois aparentes extremos que estão em disputa.
Faça o melhor que possa, segundo os seus critérios, mas quero lhe ajudar informando que o congresso nacional onde estão deputados federais e senadores também já está definido e assim que estiver definido quem ganha para presidência aquilo lá vai ficar meio congestionado com os nobres migrando de um canto pro outro atrás de mais poder. (JMN)
Adriano Diogo no Pinga Fogo da Gazeta

No terceiro encontro da série Pinga Fogo na Gazeta recebemos o geólogo e ex-deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP), que vai concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo este ano. De uma longa e descontraída conversa tentamos levar ao leitor um resumo de alguns momentos com a liderança que tem longa e histórica relação com São Mateus.
Para variar, o melhor era ter estado presente. Acompanhe aqui parte da conversa.
Além de expor parte de sua histórica participação no desenvolvimento do bairro, o convidado respondeu alguns questionamentos feitos pelos presentes. Iniciou traçando um breve paralelo sobre o que era esse bairro quando tinha apenas a Avenida Mateo Bei e alguma coisa no Riacho dos Machados e que hoje parece uma cidade. Mesmo por isso que já se referiram ao bairro como Cidade São Mateus.
Fazendo divisa com os municípios de Mauá, Santo André até os ‘Planos Diretor da cidade’, mais recentes, era mais acentuada as características rurais com amplas áreas de interesse ambiental composta de chácaras, muitas nascentes e vegetação nativa. “Praticamente até 2004, São Mateus tinha características de local aonde as famílias vinham passar os finais de semana”, considerou. “Eram áreas remanescentes de grandes propriedades de famílias tradicionais e ricas como Setúbal, do avô da ex-senadora Marta Suplicy e outros tantos que com o tempo foram sendo loteadas e se adensando de forma tão intensa que até antigos aterros foram ocupados por moradias, muitas delas, ainda sem regularização fundiária, como, aliás, grande parte de toda São Mateus”, vai explicando.
Adriano comenta que as ocupações irregulares de áreas públicas e privadas têm contribuído muito para o adensamento e a desorganização dos distritos de São Mateus. Se um dia, num passado recente as ocupações tinham um caráter de forçar a justiça social e os preceitos constitucionais, agora, entretanto, as ocupações estão recheadas de interesses não tão nobres que tem feito recrudescer as ocupações nos espaços não ocupados. O fato é que muitos dos presentes registraram a presença de muitos estelionatários por trás das insistentes tentativas de ocupações na região.
Adriano comenta que a intensificação das ocupações irregulares e mesmo os bairros mais consolidados que estão sem a regularização fundiária tem contribuído para o crescimento desorganizado de grande parte das periferias nos distritos de São Mateus. Corredores importantes que ligam o bairro aos municípios do ABC expõem grandes contrastes. A situação é tão intensa que disse: “Se pudesse atuaria a maior parte do tempo em São Mateus”, ciente das infindáveis demandas das comunidades do distrito. “São Mateus tem muitos contrates, o Riacho dos Machados com sua superpopulação de ratos; o hospital geral de funcionamento sempre precário, as fronteiras com Santo André; o polo industrial que um dia já foi pungente; morro com potencial de atração turística, aterros e usinas de compostagem em frente ao Sesc em Itaquera, ou seja contrastes não faltam”, explica.
Com a crise aumentando mais penúria nas periferias
Adriano considera que quando há crise econômica ela sempre bate com mais força na periferia. Com a crise, mesmo os serviços públicos essenciais sofrem uma retração e qualquer retração em serviços sempre muito aquém da demanda torna a vida do povo ainda mais angustiante.
Adriano analisa que o golpe de 2016 que tirou a presidente Dilma Roussef do governo e as lambanças que o seu vice Michel Temer (MDB) vem promovendo no governo trouxe reflexos nas instâncias locais, como é o caso das prefeituras. Na prefeitura de São Paulo, por exemplo, além das creches que não ampliam a capacidade de atendimento até o transporte escolar foi suspenso aqui e ali deixando crianças em idade escolar sem condução. A merenda distribuída nas escolas também foi mexida e para pior. Há que se lembrar de que o ex-prefeito João Dória, atual candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, queria colocar ração no cardápio das crianças.
“Como uma prefeitura, bilionária como a de São Paulo, congela a construção de centros unificados, os CEU’s”, pergunta o convidado. Como continua devendo vagas em creches; como não amplia as conveniadas para atender, por exemplo, as famílias da Vila Bela onde quase nenhum espaço regularizado sobrou para instalação de uma unidade, continuou perguntando, insinuando, com a concordância dos presentes, o descaso da municipalidade com a periferia.
Perguntado sobre quando o monotrilho de fato chegaria a São Mateus funcionando em capacidade plena, Adriano lembra que o movimento popular era contra a instalação dessa modalidade. O movimento queria mesmo era o metrô tradicional, tal como a cidade de São Paulo conhece. Diogo estava entre estes. O desejo dos moradores não foi observado por razões diversas, divulgadas em diversas oportunidades nas páginas da GSM, e o monotrilho, como obra, vem se arrastando ao longo do tempo.
A possibilidade de ele chegar a São Mateus ainda é mais palpável que a chegada do monotrilho a Cidade Tiradentes conforme consta no projeto original. Atualmente, Adriano aposta nos avanços na tecnologia que envolve o funcionamento do monotrilho para que o sistema atenda melhor as demandas que já são grandes. Até agora, entretanto, a liderança lamenta não ter dado certo, mas torce para que dê, uma vez que pesados recursos já foram colocados nas obras e nos equipamentos que envolvem o funcionamento do monotrilho. Enquanto isso não ocorre, Adriano reconheceu que até os ônibus biarticulados tem mais capacidade e comparativamente funcionam melhor que o monotrilho.
Morro do Cruzeiro como ponto turístico que não sai
Perguntado sobre a dificuldade de implantação do Morro do Cruzeiro como ponto ecológico de interesse turístico e que ajudaria a retomar a proteção do local, constantemente ameaçado por ocupação e uso irregular, Adriano lembrou que a modalidade dos créditos de carbono como moeda internacional de troca já não mais existe. Esses créditos foram utilizados na região por ocasião da extração de gás em aterro sanitário, portanto, não se pode mais contar com isso.
Adriano lamenta que em função dessa demora em ‘tombar’ o morro, as áreas verdes próximas e do entorno vem sendo alvo de seguidas tentativas de ocupação. Algumas criam raízes, outras, no mínimo, impactam de forma negativa a vegetação nativa normalmente com a derrubada de árvores e a vegetação rasteira.
A regularização fundiária é a principal prioridade assegura o ex-deputado, entretanto o esforço de regularização tem muito a ver com o caráter do governo de plantão. Diferentes concepções de governo têm diferentes entendimentos e envolvimentos nessa monstruosa tarefa, uma vez que é público e notório que a maior parte das aglomerações nos três distritos de São Mateus é irregular.
Segundo Adriano, a atual gestão da prefeitura de São Paulo terceirizou para uma empresa os serviços de regularização de lotes ocupados, como são muitos os casos na região. Em linhas gerais, Adriano é categórico em afirmar que tal empresa emite carnês e cobra por lotes que até já foram pagos em outras ocasiões a atravessadores ou grileiros ou ainda aos legítimos proprietários. “Praticamente o cara vai ter que recomprar o que já comprou”. Para efeitos de comparação, em outros governos essa regularização era iniciativa da gestão que assumia os custos via tesouro ou linhas de financiamentos ou fundos perdidos internacionais. “Lembro-me que desde muito tempo tenho insistido com lideranças e moradores sobre a importância da luta pela aquisição e conquista dos documentos de propriedade e posse de seus imóveis. Nem sempre é prioridade dos moradores”, esclareceu. Resumindo Adriano diz que é preciso enfrentar e superar a clandestinidade. “A principal coisa a se fazer em São Mateus é a regularização da posse da terra”, sentencia.
Tentando voltar à assembleia
Adriano Diogo é candidato a deputado estadual em São Paulo pelo Partido dos Trabalhadores nas próximas eleições. Conforme ele mesmo diz, quer voltar porque ainda tem a contribuir com a política e a melhoria da qualidade dos parlamentares paulistas. Adriano é reconhecido como bom parlamentar, pelos que já o conheceu em outros mandatos “Quando passo na Arlesp, onde antes eu aprontava tanto, as pessoas saem pelos corredores para me cumprimentar e perguntar quanto volto. É gratificante. Considero-me um cara preparado para esse tipo de trabalho, tanto pelos mandatos que já fiz como pelo que pretendo retomar, caso eleito”, explica. Pelo sim, pelo não, dada a qualidade da atual legislatura, Adriano eleito nas próximas eleições é positivo.
União e mobilização como receita
Em face às inúmeras demandas elencadas pelos participantes, notadamente da regularização de ocupações antigas, preservação do meio ambiente, saúde, reforma trabalhista prejudicando os trabalhadores, governo decente até normatização do funcionamento do polo petroquímico que tem reflexos na saúde da população do Parque São Rafael, Adriano destacou a necessidade da sociedade e dos moradores ter conhecimento de causa, reunir forças, mobilizar e o especial cuidado em eleger parlamentares mais afinados com os interesses dos de baixo, da população e muita atenção ao que vai acontecer nos próximos meses rejeitando todo aquele parlamentar que tem apoiado reformas prejudiciais aos trabalhadores e a população não os reelegendo.
Apesar da situação de crise o convidado se mantem otimista em que, as pessoas conscientes, juntem os cidadãos de bem para conseguir consensos mínimos para atravessar o rio revolto dos tempos atuais. “Precisamos conversar com os diferentes e construir consensos para melhorar as vidas das pessoas em sociedade. Temos que repactuar essa quase anarquia e trilhar um caminho de justiça e zelo com as coisas púbicas”, emendou ao finalizar o encontro. (JMN)