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Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for the ‘Saúde e bem-estar’ Category

Na rua, as pessoas dão depoimentos sobre a situação

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Após o encontro a reportagem ouviu algumas pessoas sobre os efeitos da situação. Um deles o Padre Luiz Fernando, do Jardim da Conquista registrou que as diversas comunidades na região suportam os efeitos da poluição sem qualquer contrapartida e que a despeito de alguns esforços é visível que o meio ambiente vem sendo agredido e sobre a necessidade de se manter a resistência contra esse tipo de situação. “O que se percebe é que não há planejamento adequado, mesmo em condomínios. Atualmente vemos ocupações diferentes das que antes eram organizadas por cadastros. Estamos vivendo uma situação de descaso”, dizia, enquanto uma obra de expansão de uma indústria no polo; uma instalação de dutos da Transepto ia revirando o solo e ia ter como consequência a retirada de poste de energia elétrica que ia deixar sem energia as casas do entorno.

Ezequiel Bonato, que mora há 13 anos no local entre os 19 que tem de bairro se diz indignado com as ‘surpresas’ que essas empresas pregam nas pessoas, se referindo ao caso dos dutos da Transpetro que estavam causando transtornos aos moradores, para além do que já sofrem com os efeitos deletérios da poluição gerada pelo Polo. Resignado, dizia sentir-se acuado até mesmo do ponto de vista jurídico, caso fosse levar a justiça esse assunto contra as empresas. “Infelizmente estamos chegando nesse ponto, com nossa qualidade de vida diminuindo cada vez mais com as empresas desse tipo degradando o solo sem recompô-lo e sem compensação. Só tira, só destrói por conta de um futuro, que dizem, vai melhorar para as pessoas. A gente só perde”, concluiu. “Se em alguma coisa ainda estamos podendo nos agarrar, é no apoio do mandato da vereadora Juliana Cardoso que tem lutado conosco para evitar maiores problemas e tentar manter alguma qualidade de vida neste local”, finalizou.

Já Adriano Diogo reforçou a tristeza com a devastação ambiental ao lado do Polo. “Esse é o Brasil com seu rio de nafta e a instalação desses dutos que visam aumentar a produção do polo e que vai cortando para todo o lado. Estamos em cima do Ministério Público atrás de estabelecer um Termo de Ajustamento de Conduta que mesmo que se não resolva por completo o problema, tente diminuir e remediar os impactos negativos das atividades das indústrias na região”.

Também no local, Juliana Cardoso considera que o embate com as indústrias é muito difícil em função dos recursos que elas têm em qualquer disputa. “A forma como estão fazendo as intervenções; a colocação dos dutos, sem diálogo com as comunidades é condenável. Eles vão remover postes, inclusive de áreas da prefeitura e sem contrapartida, sem compensação ambiental. Estamos enquanto mandato tentando fazer uma audiência pública com todas as partes para tentar o diálogo”. “Estamos doentes há 48 anos. É interessante para as empresas que não tenhamos informação. Precisamos de organização e conhecimento dessas informações”.  Como membro da comissão de saúde da Câmara Municipal de São Paulo, a vereadora tentará marcar uma audiência para poder dialogar sobre essa situação. (JMN)

 

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18 de setembro de 2018 at 21:00

Pesquisadora fala sobre doenças causadas pela poluição do polo

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A professora de endocrinologia da Faculdade de Medicina do ABC, Dra. Maria Ângela Zaccarelli Marino esteve na região de São Mateus nos dia 23 de agosto e 05 de setembro onde deu explicações sobre o grave problema de saúde pública que vem afetando o distrito de São Mateus e parte das cidades de Santo André e Mauá. A iniciativa de sua vinda ao local com grande de público, agentes de saúde e autoridades foi do candidato a deputado estadual Adriano Diogo (PT).

Doutora Maria Ângela possui doutorado e mestrado em Endocrinologia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professora da Faculdade de Medicina da Fundação ABC, médica neuroendocrinologista – Real e Benemérita Sociedade de Beneficência Portuguesa e endocrinologista e neuroendocrinologista do Instituto Neurológico de São Paulo. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Endocrinologia e demonstrou profundos conhecimentos sobre o assunto.

Pesquisando desde 1988 os casos de tireoide na região, descobriu que havia grande incidência da Tireoidite de Hashimoto, doença incurável, que se não tratada pode levar ao coma e à morte. Em crianças, pode gerar retardo mental e problemas de crescimento, ou seja, um grave problema de saúde pública causada, segundo estudos feitos por pesquisadores tendo a médica entre eles, pela poluição oriunda da produção das indústrias do Polo.

Fiquemos com um resumo da fala da médica pesquisadora durante o encontro. “Sou médica e agradeço o convite feito pelo Adriano Diogo para falar com vocês e explicar um pouco sobre o nosso trabalho nesses 28 anos em que estamos na região. Nossa função é cuidar de todos e por vezes esse cuidar tem muito  a ver com cuidar também do meio ambiente, como tentarei demonstrar”, iniciou a Dra. Ângela.

Quando iniciamos nosso trabalho aqui na região lá trás, encontramos uma doença que na ocasião nem era muito conhecida, a tireoidite crônica autoimune, que podemos simplificar para uma inflamação. A função da tireoide é produzir uma glândula essencial e a sua inflamação que é quando deixa de produzir não há possibilidade de remissão.

O que acontece com a doença é uma agressão ao nosso organismo que não consegue se defender. Ele até se defende, mas não de forma satisfatória, de maneira errada e faz mal para ele mesmo. Essa é uma definição mais simples do que significa autoimune.

Lá trás quando estudava endocrinologia dizia-se que essa doença era rara em crianças e adolescente e também em homens. Era mais comum em mulheres, mas na região, eu no exercício da medicina, estava diagnosticando a doença exatamente onde seria mais raro o que me levou a pesquisar e estudar por anos o assunto quando já sabíamos que a tireoidite crônica autoimune, não tem tratamento, e não tem como removê-la do corpo. Além de ser agressiva ela pode causar outra doença, o hipotireoidismo.

A tireoide para de funcionar, não dá para prevenir e pode acarretar o hipotireoidismo primário quando para de secretar os hormônios.

Faz 28 anos que estou na região pesquisando e estudei a história da região, como foi sua ocupação e as consequências da interferência no meio ambiente que é um ponto muito importante. Percebi que a maioria dos casos detectados vinha das mesmas regiões onde, entre 1956 e 1989, a instalação das indústrias no país foi intensificada o que me levou como, a outros pesquisadores, a estudar o meio ambiente. ‘O “progresso tem que vir, mas tem que vir sem prejuízo do meio onde vivemos”. Estudamos o que produziam as indústrias, estudamos a respeito do petróleo e das indústrias químicas e os efeitos da poluição na região.

 Vale registrar que a implantação dessas atividades na região não foi planejada de modo a manterem-se distantes das ocupações com moradias. Podemos dizer o mesmo da ocupação irregular para uso como moradia; sem planejamento.

 Durante todo esse período de estudos é natural que se saiba cada vez mais que a emissão de organoclorados, através da fumaça e fuligem das chaminés das indústrias do polo, levadas pelas correntes de ar vão se depositando por toda parte mais próxima, e são esses organoclorados o causador da doença. São milhares de organoclorados diferentes como resultado da produção, entre estes, muitos causadores de diversos tipos de doenças, entre estas, a que estamos abordando.

A percepção da agressão ao meio ambiente é antiga – Embora se saiba que toda ação antrópica, ou seja, do homem sobre o meio, o transforma e pode gerar resultados em desarmonia com o meio ambiente. O livro “A Primavera Silenciosa”, da escritora americana Raquel Carson pode ser considerado o primeiro trabalho sistemático sobre a agressão ao meio ambiente feito pelos homens e seus modos de produção.

Como curiosidade esse livro tem importante papel no movimento hippie e da contracultura americana que foi se espalhando por diversos países. Também a partir dele formatou-se uma consciência ambiental que tem feito, desde então, diversos esforços, encontros e protocolos para tentar cuidar melhor do meio ambiente em escala mundial.

 Uma entre outras metodologias de pesquisa foi feita com a coleta de casca de árvores na região e onde detectamos a presença de materiais pesados, chumbo, enxofre e outros, por exemplo, em concentração acima do suportável quando já sabíamos que essa concentração envolve casos de hipotireoidismo. Estudamos as árvores que tem uma complexidade compatível com a necessidade do estudo e era uma forma até mais barata de estudar. Nesse ponto e outros, temos que agradecer o auxilio precioso de outros pesquisadores, alunos e moradores que foram nos ajudando.

Alguns dos elementos encontrados nesse estudo são mutagênicos, ou seja, tóxicos para o meio ambiente e poderiam causar a multiplicação da célula errada que gera o câncer. Todos esses trabalhos foram comprovados e publicados. Atualmente tem vários trabalhos publicados sobre poluição no Polo Petroquímico de Capuava.

Finalizando a exposição que foi muito mais rica do que conseguimos reproduzir a Dra. Ângela chamou a atenção para a importância imensa que tem os cuidados com o meio ambiente, o estudo dele, a melhoria nos modos de produção de forma sustentável, na mudança de costumes desde as pessoas até as atividades para que haja sustentabilidade planetária e seja possível continuar se produzir sem prejuízo da saúde pessoal e ambiental. Resumo: é preciso reforçar a consciência ambiental em todas as pessoas e setores.

Ouvintes perguntam e a pesquisadora responde

Assim que concluiu sua exposição, Adriano Diogo coordenou alguns instantes de perguntas, sugestões e dúvidas entre os presentes.  A vereadora e atualmente candidata a Câmara Federal pelo PT, Juliana Cardoso que há tempos desenvolve trabalho entre as comunidades, também a esse respeito, lembrou que as empresas envolvidas têm recursos impressionantes e nunca oferecem contrapartidas aos efeitos nocivos de suas atividades. Destacou que as comunidades e regiões envolvidas apresentam muitas carências, inclusive na área da saúde mesmo, por motivos diversos, e que essa situação é injusta e precisa ser alterada.

Dra. Ângela lembrou que existem alguns esforços de promotores de Justiça com inquéritos públicos civis ainda andamento e que se aguarda o desdobramento disso. Sabe que entre as medidas e solicitações nos inquéritos, está a possibilidade de estabelecer que se obtenham recursos para ajudar as populações afetadas.

Outra pergunta era sobre se a médica tinha outras sugestões para melhorar a situação, além dos protocolos já em uso. Doutora Ângela indicou que existe uma sobrecarga de atendimento de pessoas que precisam ser examinadas e que os exames que precisam ser feitos não são corriqueiros e são caros. Outra orientação é para que os profissionais de saúde da região peçam os exames corretos para se antecipar os tratamentos.

A nossa ideia é pensar formas de prevenção, de cuidar para que não tenham a doença e isso, insisto, seria cuidando do ambiente, porém não temos meios sozinhos de modificar a situação. Aguardemos o desdobramento do que está no MP.

Existem outras formas de produzir, se viáveis ou não, são muitos fatores que as indústrias consideram, mas existe a química orgânica, mais complexa. Existem ainda estudos de profissionais da química sugerindo mudanças que podem ser feitas mudança; existem também possibilidades de colocar filtros específicos nas chaminés e etc. Ou seja, precisamos cuidar do meio ambiente e ter como foco principal evitar a doença. (JMN)

 

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18 de setembro de 2018 at 20:59

Doenças atingem vizinhos do Polo Petroquímico

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maxresdefaultOs efeitos da poluição proveniente da operação das indústrias do Polo Petroquímico de Capuava, na Região Metropolitana de São Paulo já vêm fazendo vitimas silenciosas ao longo de mais de 50 anos entre os moradores de Capuava, em Santo André, Silvia Maria e Sônia Maria, em Mauá e na capital no distrito do Parque São Rafael, em São Mateus.

Após anos de estudos, principalmente da médica endocrinologista e professora Maria Ângela Zaccarelli Marino, da Faculdade de Medicina do ABC, ficou comprovado a ocorrência de enfermidades diversas, com destaque pra a tireoidite de Hashimoto que é uma disfunção da glândula tireoide que para de funcionar oferecendo as pessoas acometidas sintomas que são sentidos pelo resto de suas vidas, mesmo depois de detectado a doença e com medicações diárias. Entre os mais corriqueiros a depressão, o cansaço, a queda do cabelo, doenças respiratórias e alteração de peso.

O alerta sobre a ocorrência foi em junho de 2002 após 12 anos de levantamentos, pesquisas e estudos feitos por profissionais distintos e a médica endocrinologista Maria Ângela Zaccarelli-Marino.

Conforme ela conta diretamente no encontro que teve com as comunidades na região de São Mateus (veja reportagem nesta edição) o aparecimento de casos atípicos de tireoidite crônica autoimune no consultório dela em Santo André, fez a especialista desconfiar que a incidência da doença era mais alta na região próxima ao Polo Petroquímico de Capuava. Depois de dezenas de anos investigando o tema, a professora  concluiu que moradores da área tinham incidência cinco vezes maior da doença.

A origem de todo esse transtorno provou-se estar ligado à fumaça que sai continuamente das chaminés das 14 empresas do polo. Um dos principais levantamentos feitos pela médica, ainda entre 2003 e 2005, quando também se baseou em pesquisas anteriores, reafirmou o aumento da incidência de doenças ligadas à tireoide. A médica realizou exames em moradores das áreas apontadas na região metropolitana confirmando o que já se sabia.

 

Tempos atrás porta voz das indústrias se manifestou

A então Associação das Indústrias do Polo Petroquímico do Grande ABC – Apolo disse certa época que os exames realizados até então não eram conclusivos e que não havia elementos suficientes para ligar as doenças dos moradores à poluição emitida pelas indústrias e acrescentava que nenhuma indústria produz sem criar resíduo o que é um fato.

Os estudos seguiram e há, conforme expõe o resultado dos estudos feitos pela endocrinologista, elementos comprobatórios de que a poluição é sim responsável pela ocorrência das doenças.

Em mais de uma ocasião o Ministério Público e a própria Secretaria de Estado da Saúde foram chamados a avaliar a situação sem uma posição final sobre o assunto, entretanto em função da inalterada situação e maior e melhores elementos comprobatórios da poluição, o MP está novamente com o assunto para avaliar, se posicionar e eventualmente estabelecer um Termo de Ajustamento de Conduta se é que será capaz disso. (JMN)

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18 de setembro de 2018 at 20:56

Dez anos do programa de prevenção ao tabaco em Ferraz

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Caps Tabaco 012Para registrar os dez anos do Programa de Prevenção ao Tabaco em Ferraz de Vasconcelos, reuniram-se no auditório do Hospital Regional Dr. Osires Florindo Coelho, no dia primeiro de setembro cerca de 80 pessoas participando da 1a Conferência do Programa do Tabaco na cidade. O encontro foi aberto pelo secretário municipal da Saúde, Dr. Marco Aurélio Alves Feitosa que saudou os presentes e os resultados obtidos ao longo desse período.

Ainda compuseram a mesa, Vanderlei Almeida Rosa, diretor do hospital, a coordenadora da Saúde Mental Gabriela Kulscar, Maisa Maila Marta de Souza, fisioterapeuta e a coordenadora municipal do programa de Fisioterapia, a assistente social Marcia Eleodorio Gouveia, lotada no Caps AD e Paulo Vitor Costa, cirurgião dentista no programa de Saúde Bucal.

Principal responsável pelo programa, Marcia Eleodorio, através de slides, expos objetivamente como este teve inicio, com a decisão dela e de outras pessoas em trazer para o município o programa proposto pelo Sistema Único de Saúde através da secretaria estadual de Saúde e como foram nesses dez anos a execução no município. Não faltou e ainda não faltam dificuldades, disse, entretanto através de números e registros indicou que a decisão por incorporar o programa de prevenção ao tabaco na cidade foi acertada tendo seus resultados crescendo todo ano.

Considerando que o programa completo é executado em médio e até longo prazo; considera-se o programa é concluído em um ano, se considerarmos mais de 3000 inscritos nos dez anos a média está ajustada a quantidade de vagas que o programa oferecia ao ano, entre dois e três, ou seja 300 por ano.

Conforme os indicadores há um número proporcionalmente crescente entre os que abandonam o hábito ou vício do tabagismo quando participam do programa. Tanto é assim que se antes a oferta estava praticamente concentrada numa unidade, no CAPS-AD, agora oferece atender mais no Hospital Regional e a partir deste ano no Centro de Especialidades Médicas, na Avenida Brasil. Cresce a demanda, mas cresce também a capacidade de atendimento.

Coube à psicóloga Lourdes Marques explicar em linhas gerais a abordagem cognitiva e comportamental adotada no programa; ao enfermeiro do trabalho que faz parte da equipe do Hospital Regional, Felipe Rocha uma breve exposição dos procedimentos gerais de acolhida e do fornecimento de medicamentos com prescrição médica para os tabagistas inseridos no programa e os cuidados na administração.

Já, Dra. Lígia Alda que participa como médica clínica do programa coube explicitar a gravidade dos impactos no uso de cigarros nos procedimentos que ela, enquanto cirurgiã tem que aplicar. Anos a fio convivendo com isso a fez constatar que o principal personagem no processo de parar de fumar é o próprio paciente. Dessa forma reforça a compreensão de que o programa de prevenção ao tabaco passa seguramente e principalmente pelo aspecto psicoterapêutico. A médica enfatizou que a importância das intervenções medicamentosas é sempre complementar e não destaque principal.

Convidadas ao evento a coordenadora estadual da Vigilância Sanitária, Dra. Maria Cristina Megid explicou aspectos da legislação e a importância da Lei Anti-Fumo e seu rebatimento na questão do tabagismo passivo. Já a Dra. Sandra Silva Marques, coordenadora Estadual do Programa de Controle do Tabaco/Cratod, destacou as formas e a abrangência do programa no Estado de São Paulo, tendo na sua fala se comprometido a continuar apoiando o trabalho feito no município. (JMN)

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9 de setembro de 2017 at 12:55

Não dá para reformar a previdência sem amplo debate

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A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip) publicaram cerca de um mês atrás, em janeiro de 2017, uma cartilha onde se contrapõe ao discurso oficial que sustenta a existência de déficit na Previdência. Na ocasião o material foi apresentado na Comissão de Seguridade Social e Família do Congresso, onde, infelizmente, mesmo que diante de sólidos argumentos, só as matérias de interesse do governo são aprovadas.

O governo interino de Michel Temer vem defendendo mudanças no regime cujos riscos já vêm sendo exaustivamente demonstrados neste blog. A idade mínima para aposentadoria aumentada seria para evitar rombos na ordem de centenas de bilhões. Os argumentos governistas vêm sendo bombardeado pelos parlamentares e especialistas que se debruçam sobe o assunto denunciando principalmente a desinformação sobre o tema.

Para o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o governo dá sustentação a interesses escusos quando diz que a expectativa de vida do brasileiro aumentou, mas não leva em conta a qualidade dessa extensão. A reforma, segundo o deputado servirá para o empresariado maximizar seus lucros sem arcar com os custos sociais que representam os direitos dos trabalhadores. Está certo, pois aposentar já em idade mais avançada significa custeá-lo por menos tempo.

Os deputados que fazem oposição à reforma tem razão quando lembram que combater a sonegação das grandes empresas, fortunas e riquezas individuais deveriam estar na prioridade para recompor as contas da previdência. O certo seria mirar na sonegação porque os sonegadores são muitos e estes não pagam suas dívidas com o Estado. “Os problemas dos cofres públicos vêm muito mais do fato de os ricos sonegarem do que propriamente da Previdência estar deficitária, como eles insistem em dizer”, disse o psolista.

Outra deputada, do PR do RN, foi além e defendeu medidas mais ajustadas à tributação das elites. “Quando se fala em crise, o governo pensa logo em retirar direitos dos trabalhadores, mas nem se cochicha em mexer nos juros da dívida interna num país que tem usado quase 50% de tudo que arrecada só para pagar essa dívida. Já passou, também, a hora de se taxar as grandes fortunas”, considerou a deputada e com a qual estou em pleno acordo.

Segundo a cartilha os dados apresentados pelo governo sobre a Previdência é uma falácia. Se o governo sustenta a existência de um rombo de R$ 146 bilhões, os especialistas presentes na discussão e na feitura da cartilha afirmam que, em 2014, por exemplo, teria havido superávit de RS 53 bilhões. Nos dados da Anfip, os governos, ao longo do tempo, têm demonstrado cálculo de déficit porque consideram apenas parte das contribuições sociais, incluindo somente a arrecadação previdenciária direta urbana e rural, excluindo outras fortes importantes, como o Cofins, o Pis-Pasep, entre outras, além de ignorar as renúncias fiscais.

A associação também destaca o aspecto histórico do modelo solidário da Previdência social no Brasil. O jeito dela ser ao longo da vida do trabalhador é um componente importante que, por exemplo, permiti que o trabalhador fique parado enquanto se recupera de uma fratura numa perna, da mesma forma que a trabalhadora poderá parar por causa de uma licença-paternidade. Em nossa modalidade são os trabalhadores ativos que pagam os idosos que já deram suas contribuições.

Agora sem nenhuma consideração para com esse aspecto, está surgindo no Brasil um discurso de que só deve receber da Previdência quem consegue pagar. Mas como tem gente que já nasce doente e que nunca vai conseguir contribuir, o que reservaremos para estes, matá-los? Essa ideia que começa a se alastrar não leva em conta a seguridade social e não serve a tradição brasileira.

O que se percebe é que o assunto reforma da previdência não dá para se esgotar nesse congresso de gente suspeita e muito comprometida. A discussão precisa ir muito mais longe envolver mais gente, pois uma reforma injusta como a que se desenha por parte do governo interno poderá trazer mais adiante outros sérios problemas para o país. (JMN) 

 

Written by Página Leste

24 de fevereiro de 2017 at 23:52

Em três anos, CAPS registra, em média, um novo paciente por dia

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O CAPS AD II atende desde pacientes nascidos entre as décadas de 40 e anos 2000.

A maior demanda está entre os homens, entretanto tem sido percebido o aumento de mulheres em busca do serviço

Parte da equipe de atendimento do CAPS-AD II

Parte da equipe de atendimento do CAPS-AD II

Com pouco mais de três anos de funcionamento ininterruptos, sendo dois deles no mesmo espaço do Ambulatório de Saúde Mental instalado na UBS Santo Antônio, o Centro de Atenção Psicossocial em Álcool, Tabaco e outras drogas – CAPS AD II de Ferraz de Vasconcelos registrou uma média de 260 novos pacientes por ano, informa Gilberto Gouveia, psicólogo e gerente da unidade.

Descontado os fins de semana, quando não funciona, equivale a um novo paciente por dia. Os números são expressivos, mas até pouco quando se leva em conta que o número de pessoas acometidas desses problemas é cada vez mais elevado.

O uso abusivo de álcool, tabaco e substâncias psicoativas (SPA’s) atinge cada vez mais pessoas, das mais diversas idades e das mais distintas classes sociais e é, atualmente, no caso das SPA´s, um dos grandes problemas da humanidade; segundo a concepção do CAPS- problema de saúde pública e como tal deve ser considerado.

Parte do Sistema Único de Saúde (SUS), o CAPS AD é um esforço de atendimento em saúde pública que tenta lidar e tratar pessoas com histórico de uso abusivo das substâncias que compromete a vida pessoal e de familiares com prejuízos evidentes.

Portas abertas com capacidade de atendimento para qualquer morador do município a adesão é livre, mas implica em algumas contrapartidas do paciente que deverá participar e cumprir o estabelecido com o equipamento. Até mesmo em função das características do serviço envolvido o sigilo é garantido.

Há todo um protocolo testado e aprovado de atendimento ambulatorial por uma equipe multidisciplinar especializada composta de psicólogos, psiquiatra, assistente sociais, enfermeiros e terapeuta ocupacional que é adotado de forma uniforme em todas as unidades existentes. Novas abordagens, novos estudos e novos protocolos e formas de tratar os pacientes são experimentadas e adotadas de tempos em tempos.

Além da acolhida aos usuários interessados em ajuda, o CAPS AD ainda ampara a família em grupo ou de forma individualizada buscando dar sustentação às dificuldades que familiares encontram ao lidar com o problema.

Para os pacientes interessados a acolhida, entrevista pessoal e alguns encontros de adesão conseguem dar importantes pistas sobre o problema de cada um revelando suas especificidades e consequentemente indicando os procedimentos mais adequados a cada caso. São propostas distintas com dinâmicas ajustadas às características pessoais de cada um que, em geral, envolvem atividades e terapia de grupo, atendimento personalizado e até consulta e acompanhamento psiquiátrico para os casos em que a necessidade se faz presente.

Em função da natureza dos problemas envolvidos há entre a clientela aqueles que tentam ajuda, desistem e retornam em mais de uma ocasião. As desistências e as recaídas pontuais também são corriqueiras e não são determinantes para a continuidade do acolhimento e tratamento no CAPS-AD.

Serviço: O CAPS-AD vinculado a Secretaria Municipal de Saúde de Ferraz de Vasconcelos atende de segunda a sexta-feira das 07 as 17h00 na Rua Lutécia, 80, Jardim Deise. Telefone: (11)4679-4624. (JMN)

Written by Página Leste

22 de dezembro de 2016 at 15:17

Não fique doente, pois não terá para onde correr

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O fato é que nesses dias da primeira quinzena de abril estamos no ‘cada um por si, Deus por todos’, mesmo diante do fato prescrito na constituição que cabe aos governos cuidar de sua população onde o direito a segurança, ao transporte público de qualidade, da educação e da saúde e outros também estão longe de estarem garantidos.

Pois bem nada desses direitos tem funcionado adequadamente em quase todo lugar e também aqui em São Mateus. Tanto é assim que na última sessão da Câmara na semana passada, dia 11, que foi feita no CEU São Mateus, em um universo de 114 inscritos, 30 moradores e lideranças, em sua esmagadora maioria, só reclamou. E reclamou muito, um pouco de cada coisa. Embora a pauta tivesse que ser circunscrita as responsabilidades da prefeitura municipal sobrou ferro também para o governo do Estado.

Tudo fragilizado. É público e notório que uma epidemia de dengue vem se instalando e para desgraçar ainda mais vem se acentuando a ausência de atendimento médico público e gratuito nas tantas unidades de saúde mais ou menos espalhadas pela região. Ninguém me convence de que o crescimento da ocorrência de casos de dengue tem a ver com a falta de água. As pessoas, no sufoco, começaram a reservar água onde e como podiam, tentando se aproveitar, inclusive, das chuvas do período, muito porque o governo do Estado, alertado desde pelo menos três anos antes, não tomou providências para enfrentar a escassez e as dificuldades de abastecimento que mais cedo ou mais tarde iria chegar. E chegou.

Armazenando de forma errada e sem os cuidados primários para evitar criadouro para mosquitos da dengue estamos experimentando e pagando pelos nossos erros. Nossos pelo descuido de armazenamento e o do governo por omissão.

Com a dengue atacando o futuro paciente _que se tornará paciente, caso doente, não tem onde conseguir ajuda. Isso pelos simples e preocupante fato de que não se encontra atendimento ágil nas unidades de saúde dos três distritos de São Mateus. Fenômeno que em maior ou menor grau se repete em toda a cidade. Em geral a demora em conseguir passar por um clínico geral leva folgado acima de 60 dias.

Não adianta, caro leitor, você contar com o socorro para as suas dores nesse período e em outros também, sejamos sinceros. Caso você não tenha uma assistência médica particular com a prestação paga regularmente será pedir para ficar frustrado e sem socorro. Parece haver uma ‘política deliberada’ de esvaziar as unidades básicas de saúde. Para se chegar aonde não sei ao certo. Deve ser aquelas coisas lá da política econômica, afinal também estamos diante de uma crise se instalando. SE algum consolo pode a ver é o fato de termos consciência que isso não ocorre apenas na cidade de São Paulo e faz parte do cotidiano de tantas outras cidades importantes do país.

Mais duro ainda, é ficar sabendo que no dia 15, o Senado Federal, cujos senadores, familiares e funcionários tem assistência médica privada pago com dinheiro de nossos impostos, aprovou uma medida provisória que anistia em R$ 2 bilhões os planos de saúde, referente a multas aplicadas a esses planos pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Esperemos que a presidente Dilma Roussef, aquela mesma que muita gente quer tirar de lá vete a medida. Ela tem 15 dias a partir de agora para proibir ou seguir junto para mais essa injustiça com a população.

Em São Mateus só não digo que as unidades de saúde ficam às moscas, porque ainda é intenso a circulação dos moradores na vã esperança de algum tipo de atendimento médico. Esse é para aqueles que conseguiram esperar durante muito tempo pelas suas consultas. Não ficam às moscas porque ainda existem nessas unidades alguns funcionários abnegados, esforçados que tentam tanto quanto possível reconfortar o infeliz que foi atrás de ajuda e não encontrou.

O que sei dizer é que desejo a vocês que não sejam acometidos por enfermidades, nem sejam atacados pelos mosquitos da dengue de forma a se contaminarem. Eu não poderia ajudar muito e do jeito que estão as coisas nem a prefeitura, nem o estado, nem a federação, portanto nem o prefeito, nem o governador, nema presidente e todos os seus séquitos e auxiliares que estão cobertos com assistência médica pagas com o dinheiro público, portanto, meu e seu. Saúde a todos! (JMN)

Written by Página Leste

17 de abril de 2015 at 18:23

Publicado em Saúde e bem-estar

Plano de Metas para saúde pública sinaliza melhoras

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Se depender apenas do Plano de Metas do município para os próximos anos que, em resumo, se trata de uma declaração de intenções de realizações da atual administração, o atendimento público da saúde na cidade e, particularmente em São Mateus, vai melhorar mesmo com poucas ou quase nada em termos de novas unidades na imensidão do território, foi o que afirmou a supervisora da área técnica de Saúde de São Mateus, Márcia de Oliveira Novaes em conversa, no dia 22, com Lucy Mendonça da Gazeta.

O eixo básico do plano é o resgate e a valorização dos esforços do cumprimento da Lei 8080, ou seja, do Sistema Único de Saúde (SUS) e, para tanto, a intenção é aperfeiçoar o atendimento nas unidades que deverão agir então de forma integrada, não estanque nem compartimentada nem sobrepondo às mesmas tarefas e ações em equipamentos conjugados, como nos casos em que estão próximas uma AMA e uma UBS.

Márcia explica que a demanda na AMA é sempre maior em função do entendimento da população de que lá será atendida por um clínico e eventualmente medicada para aquela necessidade do dia, entretanto, grande parte do desconforto e dos eventuais mal estar ou doenças das pessoas seriam mais bem atendidas se fossem de forma programada, com interface e interação com outras áreas do atendimento, de forma contínua, preventiva e mais ampla que o atendimento mais emergencial da AMA. É basicamente essa intenção. A retomada da valorização do atendimento multidisciplinar.

O fato é que em muitos casos a interação da assistência social, do convívio social, de eventuais terapêuticas alternativas, de aconselhamento psicológico juntas dá resposta às doenças ou minimamente enfrentam e ajudam a lidar com a doença de forma mais apropriada e com melhores resultados.

 UBS Laranjeiras será a primeira a ter mudanças

Segundo a supervisora, na região, a UBS Laranjeiras será a primeira entre as unidades a alterar seu funcionamento e as alterações serão custeadas com recursos da própria prefeitura. Ali acontecerão remanejamentos com adoção de salas multiuso, composição de equipes multidisciplinar e novos modos de trabalho, preferencialmente com a mesma equipe que lá funciona e eventual chegada de outros profissionais. Unidades no Jardim Limoeiro, Jardim Palanque, Parque das Flores, esta última, para a qual, vai depender de desdobramentos na questão fundiária que está sendo tratada na Secretaria da Habitação e, finalmente, no Jardim Valquíria, passarão por transformações. Se não nas estruturas dos prédios, nos procedimentos e na ampliação dos serviços e atendimentos, garante a supervisora.

Os valores que essas mudanças envolverão já estão previstas nos orçamentos. Em alguns casos, de ampliações pontuais e a adoção de nova modalidade de relação entre as organizações sociais gestoras de alguns serviços e unidades serão objetos de concorrências e licitações.

Haverá mudança também na relação com as organizações sociais aponta o plano de metas. O atual sistema baseado em contratos de gestão e convênios serão todos transformados em contrato de gestão o que, a depender do resultado da concorrência, poderá mudar os parceiros da prefeitura no atendimento público à saúde.

Mantendo o destaque para o a integralidade do atendimento, o certo é que haverá ampliação do número de trabalhadores no setor; seja diretamente ou via organização social. Esse esforço estará voltado para essa multidisciplinidade e a adoção de atendimentos paralelos e alternativos nas unidades.

Parte dessas ações de apoio ao bem estar do paciente ou da população e que envolvem desde acupuntura, recreação, ginásticas rítmicas, convivência social, palestras e outros fazem parte da proposta do atendimento integral e já não há mais dúvida de que elas funcionam e são uteis.

 Planos e são planos e contemplam melhorar o atendimento a demanda mental

Segundo a assessora técnica da Supervisão de Saúde, Vera Lúcia Mariano, também presente na entrevista, o Plano de Metas contempla a criação da Rede de Atendimento Psicossocial – RAPS para descentralizar e apoiar o funcionamento dos CAPS que atualmente recebe grande parte da demanda por atendimento em saúde mental. A ideia é a Rede promover o trabalho de mais longo prazo, preventivo e terapêutico diminuindo a procura pelo CAPS que atende, também, o usuário em situação de crise.

Também para esse segmento com demanda expressiva em São Mateus a abordagem será multidisciplinar, para além da abordagem psiquiátrica. Terapias alternativas, convivências, preparos familiar serão parte das ferramentas a serem utilizadas previstas no Plano de Metas.

Nessas novas modalidades de abordagem previstas o atendimento à saúde sai da responsabilidade única do médico e se pretende olhar para a pessoa para além de sua doença. As AMAS continuaram em suas praticas de atendimento, as unidades básicas também, entretanto, nestas últimas, se prevê o atendimento mais integral utilizando-se tanto quanto possível e cabível de todas as praticas alternativas, algumas já em curso em algumas unidades, mas usufruídas apenas pelos usuários interessados e mais próximos dessas respectivas unidades. O acesso a essas alternativas de convivências e práticas que ajudam a manter a saúde é aberto aos interessados, mas tem sido pouco acessado por causa de uma deficiência na divulgação, o que se pretende, também, corrigir.

Como a conversa eram com técnicos e dirigentes da saúde, siglas e propostas foram ouvidas pela reportagem. Entre elas, a criação ou melhora do que chamaram de Núcleo de Apoio à Saúde da Família – NASF com o objetivo de promover essa tal de saúde integral e ainda educar as pessoas a se cuidarem ou cuidarem de seus parentes próximos em situação de doença. Educação em saúde, atividades físicas, eventuais passeios, assistência farmacêutica para os pacientes que usam um número elevado de remédios diariamente serão ações indiretas que vão contribuir para a prevenção e as melhorias correlatas da saúde.

Pequenas equipes, mas com olhar ampliado

O certo é que nas unidades básicas de saúde o atendimento passará a ser de responsabilidade de pelo menos três áreas: o médico clínico, uma enfermeira e assistência social. Com isso já se poderá ter um olhar mais ampliado sobre o paciente e a situação que ele apresenta. Será a partir dessa impressão que os encaminhamentos serão adotados de forma ambulatorial e de indicação para as atividades e terapêuticas disponíveis e adequadas àquele caso.

Supervisão discute com funcionalismo e com os conselhos o novo rumo

As novidades previstas no Plano de Metas, entretanto, estão sendo muito discutidas e dialogadas com os envolvidos, exceto a população usuária. Segundo Márcia de Oliveira já foram realizados encontros com gestores e com os conselhos de saúde das unidades o novo direcionamento previsto, entre eles corrigir uma distorção que foi criada ao longo do tempo que implica em uma procura grande das AMAs por demandas que poderiam ser plenamente e melhor cuidadas nas unidades básicas de saúde. Essa inversão, revela a supervisora, fez com que aportes de recursos materiais e humanos fossem direcionados às AMAs em detrimento das UBS. Corrigir essa distorção está nos planos.

Mudança nas OS e convênios criam expectativas

A alusão ao chamamento público previsto para rearranjar a participação das Organizações Sociais na gestão dos equipamentos nas novas modalidades que estão previstas para ocorrer durante este ano e o ano seguinte, também tem gerado certa expectativa e apreensão entre os servidores atuais. Quem fica; quem sai; o que muda são perguntas ainda sem respostas apropriadas e difíceis de prever. Apesar do desejo da atual supervisão, e por extensão, eventualmente, até da própria prefeitura em manter os servidores que já conhecem e trabalham nas unidades, não existe nenhuma garantia prevista nos editais para as modalidades que serão licitadas. Se o setor de saúde pública tem suas necessidades, os que procuraram se adequar a elas, as organizações sociais, terão suas necessidades também e, entre elas, poderão estar mudanças ou corte de pessoal.

Entre outras iniciativas não reportadas Idosos e deficientes

Para um futuro mais elástico, tanto a assistente técnica quanto a supervisora apontaram para a criação ou adequação de quatro unidades básicas integrais que comportarão um centro de especialidades de reabilitação em nível quatro, como chamam, que poderá atender pessoas com deficiência intelectual, de audição, de visão e mesmo física.

Ainda, em 2016, o atendimento específico ao idoso através de unidades de referência em saúde do idoso, chamado URSI em terreno próximo a UBS Mateus I e ao CDC, localizado centralmente em São Mateus voltado a reabilitação e atenção básica ao segmento sempre crescente. A construção está prevista para 2015 e o funcionamento para iniciar em 2016.

Como se vê, o Plano de Metas propõe mudanças. Parte delas vai em direção ao resgate pleno do Sistema Único de Saúde e acertadamente lida com a demanda em saúde para além da clínica médica e medicalização. A questão está colocada. Planos existem, mas a prática ainda precisa ser adotada e experimentada. (JMN)

 

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25 de agosto de 2014 at 19:01

Agrupamento que ajuda dependentes de álcool e drogas realiza atividade

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Um dos mentores da associação e ex alcoolista

Um dos mentores da associação e ex alcoolista

Tradicional almoço que reúne participantes da associação e parentes

Tradicional almoço que reúne participantes da associação e parentes

Convidada, a reportagem da Gazeta São Mateus visitou a Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas, entidade sem fins lucrativos fundada em 06/08/1995 que vem desenvolvendo importante serviço de acolhida e apoio semi terapêutico às pessoas com problemas de alcoolismo e drogadição, durante uma manhã de domingo, dia 03, quando frequentadores da casa, familiares e colaboradores fazem um almoço comunitário que acontecem a cada dois meses para aprimorar o processo de ressocialização de ex e atuais dependentes.

Sem qualquer apoio governamental nem de empresas ou particulares, a entidade subsiste pelo esforço de Hamilton Clemente, mentor do projeto e principal gestor da casa e de alguns outros abnegados e com apoios pontuais entre os que podemos chamar aqui de clientela.

Hamilton sustenta que o trabalho de recuperação feito na casa é baseado totalmente em terapia de grupo feito pelos próprios protagonistas de suas situações. O próprio Hamilton revela, sem nenhum constrangimento, que durante um período da sua vida usou e abusou do álcool e a exemplo de tantos outros colocou sua vida e de familiares próximos em risco e palco de inúmeros constrangimentos e aborrecimentos.

Nosso foco é no cidadão doente e naquele que por conta própria quer tentar sair de uma situação de dependência de álcool ou drogas para uma vida melhor. O nosso principal apoio é o acolhimento e a compreensão do que seja a situação pelas quais o doente está passando. Afinal, quase todos nós, envolvidos nesse esforço, tivemos no mesmo lugar que ele; a procura de ajuda”.

Em termos de números, a despeito de não discutirmos com a estatística ou com a matemática, consideramos o resultado bom e promissor. O entendimento da redação é que qualquer pessoa que seja recuperada de uma situação de alcoolismo ou dependência e abuso de drogas é muito importante. Vamos a eles. Hamilton diz que com o álcool a cada 100 dependentes, 10 se recuperam; com as drogas, a cada 100, cerca de 5 se recuperam e com relação ao crack, essa devastadora droga, de cada 100, 2 ou 3 se recuperam definitivamente. Insistimos, parece pouco, mas é muito significativo seja para o próprio doente, seja para a família e sociedade.

Libertos de vícios, frequentados da casa dão depoimentos

Pouco antes do almoço comunitário com as pessoas trazendo, cada uma delas, um prato, sobremesa, doces ou frutas que seriam servida a todos, alguns frequentadores da entidade fizeram questão de registrar seus depoimentos que foram resumidos pela reportagem.

Alguns deles, com mais de 19 anos livres dos problemas são queles que iniciaram seu esforços de recuperação em outros locais, tais como a Associação Antialcoólica do Estado de São Paulo, ARA (Associação dos Alcoólatras de São André, Grupo de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Fraternidade de Recuperação Antialcoólica e Drogas, Curados Para Amar Antialcoólica e Drogas entre outras. Continuam agora prestando sua colaboração na entidade. Outros, entretanto foram recuperados já na atual entidade.

Ex-funcionário do Banespa durante 10 anos, Pedro Aguiar foi demitido quando esse passou para as mãos de outros donos. Pedro já registrava pelo menos três internações em clínicas e sanatórios por conta de seus vícios em álcool e drogas. Entre 94 e 96 foi uma a cada ano e a última, nessa modalidade, em 1997. Auto suficiente, pelo menos enquanto trabalhava, não tinha na família o amparo necessário. Dai para ser morador em situação de rua foi apenas questão de tempo. Pedro resume que no período mais grave de sua situação, segundo ele durante uma gestão da ex-prefeita Marta Suplicy na cidade de São Paulo, havia um esforço para acolher e tentar reverter à situação de degradação dos moradores. Ele participou disso.

Mas foi através do conhecimento com Hamilton Clemente e do apoio que recebeu que ele conseguiu iniciar o seu processo de recuperação em 2001 e hoje plena. “Procurei o apoio com chinelos de dedo gastos, roupa e corpo sujo de muitos dias sem tomar banho e através do contato com o Hamilton fui, mesmo naquelas condições deploráveis, tratado com respeito e como gente e isso foi muito impactante para mim”, comenta. “Assim que ele me encaminhou a entidade e vendo aqueles depoimentos fraternos, feitos por pessoas que tinham problemas muito semelhantes aquilo me ajudou a recuperar a minha vida”. Muito provavelmente é por isso que agora ele ajuda a entidade.

Com 63 anos de idade, Antônio Ferreira é outro que chegou a entidades de recuperação cerca de anos atrás onde, com o mesmo tipo de apoio, pode se safar dos vícios em drogas e álcool. O ex-sargento do Exército, antes de achar o caminho de volta, passou sem sucesso por cinco internações em sanatórios. Agora o pouco que pode, ajuda a outros na caminhada pelo abandono dos vícios.

O jovem adulto Adeilson José, de 38 anos disse que começou a beber adolescente, quando, também já trabalhava. Pouca ou nenhuma orientação havia em casa. Das bebidas para as drogas foi um longo percurso rumo ao inferno, mas foi através da acolhida, das reuniões e das terapias de grupo na entidade que ele está limpo há alguns anos.

Natalino Oliveira de 68 anos considera ter renascido em 1985 quando conheceu a Associação Antialcoólica de São Paulo, o famoso AA. Era então um bêbado clássico e levado ao encontro ficou admirado com os testemunhos que ouviu e ouvia nas reuniões seguintes. Fervoroso credita também a Deus a sua recuperação e desde há muito entende que o álcool o estava matando progressivamente. Ficou quinze anos bebendo muito; ainda quando trabalhava em uma montadora de veículos. Ganhava, no período, dez salários mínimos em média. Até espancar a esposa espancou. Durante esse período de recuperação adquiriu a exata compreensão de que ninguém vive feliz com um bêbado na família. Hoje, completamente recuperado tem certeza que nasceu de novo.

Outro jovem adulto que preferiu não se identificar já está limpo, agora aos 39 anos, após usar crack durante 14 anos seguidos. Pai de duas filhas esteve em situações muito delicadas quando aos 33 anos conheceu e começou a frequentar as reuniões e as atividades da entidade. Com as orientações e o apoio percebeu que seria possível se recuperar. Abstêmio já há oito anos, recuperou a si e a sua família.

Outros depoimentos

Com 76 anos, Gilberto começou a beber com 10 anos. Queria fugir quando alguns parentes queriam trazê-lo para conhecer a entidade. “Foi a melhor coisa que me aconteceu. Faz 23 anos que parei com o álcool e minha vida ficou muito melhor agora, após alguns casamentos que eu mesmo estraguei”. Já Djalma bebia e fumava desde os seis anos de idade. O exemplo vinha da casa com o pai alcoólatra. Durante a reportagem registrou que estava parado há 10 anos, 9 meses e 20 dias.

Por fim, com o almoço quase começando Newton César diz que chegou a São Paulo com 38 anos vindo do Maranhão e já bebia. Brigava em casa, faltava dinheiro que ficava no bar e também lembra que parou de beber dia 21 de outubro há oito anos. “Foi um colega que me trouxe aqui e também fui impactado pelo que ouvia de gente muito parecida comigo que estava ou tinha se recuperado. Hoje, vivo bem com minha família e comigo mesmo”, finalizou.

Hamilton convida a visitarem a casa

O almoço teve início e Hamilton ainda teve tempo de explicar a reportagem que a atividade, como a de excursões, bailes e outras fazem parte do que ele entende ser um processo terapêutico com as próprias pessoas se apoiando e ajudando. “Fica claro para eles e suas famílias que não são necessárias o uso de bebidas alcoólicas e drogas para se divertir. A vida deles e de suas famílias melhoram a cada dia”.

A Agrupação de Recuperação Antialcoólica e Drogas realiza duas reuniões semanais com os dependentes e familiares. As quartas-feiras das 20 às 22 horas e aos domingos das 19 às 21 horas em sua sede na Avenida Rodolfo Pirani, 616. “Qualquer pessoa pode participar Essas reuniões são boas não só para as pessoas que estão diretas com os problemas, mas também para familiares que aprendem outras formas de lidar com os envolvidos. Em nossos encontros ajudamos a se estruturarem e se reerguerem”, finaliza.

Written by Página Leste

15 de agosto de 2014 at 12:36

Vila Bela e o risco iminente da ocorrência de casos de dengue

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A Vila Bela no distrito de São Mateus, conforme lembrada em várias reportagens nesta Gazeta é uma ocupação que já completa mais de uma dezena de anos e para onde acorreram milhares de famílias sem moradia até então. Também é sabido que se trata de uma área de propriedade privada da família de Antonio Mikail e que ainda não tem uma solução final para as partes envolvidas. Nem a família de Mikail tem ressarcido os valores da terra, nem os moradores têm a propriedade legal de suas casas.
Dezenas de iniciativas já foram tentadas durante diversas gestões de governos municipais sem, contudo apresentarem soluções definitivas e duradouras para os envolvidos. Resumidamente, os proprietários querem que a Prefeitura ou Governo do Estado compre a área a preços de mercado e venda subsidiadamente aos atuais ocupantes da área de forma facilitada. Os moradores querem pagar pouquinho ou não pagar nada e os governos, por sua vez, não concordam com o pagamento a preços de mercado para resumir por aqui.
Essa questão, entretanto, não é o foco dessa matéria, mesmo porque nesse aspecto têm diversas vertentes que precisariam se observadas como, por exemplo, a indisposição de algumas lideranças da comunidade na maior parte das vezes incitadas por interesses políticos contra a Prefeitura ou a subprefeitura local cobrando intervenção e iniciativas de manutenção no local que, por lei, eles não poderiam fazer por tratar-se de terreno de particular em litígio. Na mesma linha, mas em sentido contrário, tem alguns políticos da própria situação que diante da fragilidade situacional daquela comunidade prometem tomar providências que não lhes cabe competência para tal. Uns vão enganando alguns que vão enganando outros.
É fato e de direito que existem leis, federais principalmente, que tem como objeto soluções para conflitos urbanos como esse e que eles podem ser encaminhados num acordo entre as diversas instâncias de governos federal, estadual e municipal que pela configuração partidária atual nem sempre é tão simples de se equacionar. Isso, entretanto, não é o suficiente para que a população ali residente transfira a culpa para os governos pura e simplesmente. Na essência da questão está à ocupação irregular de terras de particulares, por isso é bom, cada parte, aceitar suas responsabilidades no imbróglio.
Mas, e agora?
Apesar das considerações gerais acima, a Vila Bela se encontra diante de uma situação que desconhece os limites da lei e das vontades dos envolvidos sejam políticos ou não. Aquela população se encontra hoje diante de um eminente risco de transforma-se num micro Rio de Janeiro com sua epidemia de dengue.
É publico e notório para quem conhece a Vila Bela que a maior parte do abastecimento de água para as moradias é feita através de quilômetros de improvisadas mangueiras que ficam à vista de todos sob a flor do terreno, na maioria das vezes com pequenos furos que são tampados de maneira totalmente improvisada. Próximas às mangueiras furadas se formam dezenas de poças de água ainda não pútrida que servem de criadouro para a larva do Aedes Egypty.
Não basta a precariedade das moradias, o criadouro de moscas, ratos e outras pragas que brotam do excesso de lixo orgânico despejados em diversos pontos sem o devido reconhecimento e a invasão de dejetos e objetos inservíveis nos pequenos e sufocados córregos que ainda insistem em continuar correndo pela área, agora a Vila Bela não saneada e abandonada pode tornar-se o ponto de partida de uma epidemia que pode atingir para além de suas fronteiras. Como fica a saúde pública diante da possibilidade de isso ocorrer?
Naturalmente a periferia paulistana apresenta um cem número de áreas onde possa ser eminente à mesma possibilidade, entretanto, para os são-mateuenses responsáveis essa é mais uma preocupação que passa a fazer parte do seu dia-a-dia. Tanto pela situação daquela própria comunidade quanto o restante desse pedaço da zona leste.
Apesar de termos certeza de a maioria dos moradores da Vila Bela está fazendo sua parte no combate a dengue, a pergunta que não que calar é: O Estado vai se omitir desse enfrentamento por conta de restrições legais?
 

Written by Página Leste

27 de abril de 2008 at 19:00

Publicado em Saúde e bem-estar