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Brasil descobre petróleo, mas não pode abandonar biocombustível

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Quem, que hoje tenha mais de 30 anos de idade jamais ouviu falar em algum momento que o “Brasil é o país do futuro”? Quase ninguém. Eu mesmo ouvi falar isso muito tempo atrás e como acompanho com enorme interesse a políticas, os rumos e o que fizeram vários gestores do Estado durante longo período, muitas vezes achei que a afirmação era uma espécie de remédio para os males que vivíamos. Ficava assim: sofríamos hoje, agüentávamos firme porque sabíamos: o Brasil era o país de futuro, mas que nunca chegava.
Pois bem, não é que de uns tempos para cá a depender, é claro, de quem governa ou desgoverna esse país pode ser que a frase tenha razão de ser. O Brasil não deixará de investir em biocombustíveis por causa da descoberta petrolífera na Bacia de Santos, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não tenho motivos para desconfiar da afirmação. Segundo entendi, o presidente acha que o biocombustível tem duas finalidades importantes: aumentar a importância do Brasil na matriz energética mundial e ajudar a combater a poluição do planeta e, segundo: oferecer a possibilidade de se usar menos petróleo, que como sabemos, é um dos causadores do aquecimento do planeta.
O Brasil pode ser o país do futuro já no presente se der essa contribuição e se manter também à mistura do etanol em 25% nos combustíveis; outra boa iniciativa. Até a Europa se curvou ao que dá certo e promete misturar em na sua gasolina que vem do petróleo; 20% de etanol até 2020. Poderiam até começar mais cedo, uma vez que, de novo, no país do futuro já começaremos a misturar 2% de biodiesel no óleo diesel e quanto antes pretendemos chegar em 10% por cento esta mistura.
 Se todo o mundo caminhasse na mesma direção, poderíamos diminuir a emissão de CO2 e também gerar outros tantos de milhares de empregos no Brasil, América Latina e África que são os locais onde ainda se tem grandes áreas para plantar, e ajudar a agricultura familiar. Naturalmente, devemos levar os riscos de tornar toda a área em grandes agronegócios e expulsar as pequenas propriedades rurais e descuidar da rotatividade de plantios para conservar as áreas produtivas. Risco eminente e possível, não observar esse risco e permitir que aconteça é pegar o país do futuro já e torna-lo o país do futuro já em sem futuro mesmo.
Para as autoridades, o planeta tem que caminhar para a mistura do biocombustível no petróleo para dar mais longevidade a esse combustível que tem data marcada para acabar. Enquanto a matriz do desenvolvimento econômico ficar na dependência do uso intenso de petróleo, serão poucas as possibilidades de reverter os efeitos do aquecimento global. Até quando às grandes potências vão arriscar a existência da vida em troca do lucro fácil. A natureza exige respeito e já vem cobrando sua fatura pelo uso impensado e inapropriado.
Se a situação é essa e não é possível de ser escamoteada, como ficará então a situação do Brasil com a recém condição de se tornar um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mesmo que ele ainda não possa ser extraído para amanhã. A descoberta ainda vai ter que esperar pelo menos uns cinco anos, enquanto a Petrobras se prepara do ponto de vista tecnológico para chegar a esse petróleo que está á quase 7 mil metros de profundidade, dizem os especialistas.
Passada essa fase o petróleo poderá gerar parte da riqueza que o país precisa e o colocará na condição de exportador. Poderá inclusive, ser um dos principais exportadores e dar alguma ficha no comércio internacional desse valioso produto.
A partir de agora e principalmente quando estiver retirando o petróleo, o país do futuro já vai depender e muito de um governo audacioso, independente, não submisso aos interesses internacionais imediatos e fazer valer sua aposta na ampliação do uso de combustíveis alternativos não poluentes. Vai precisar de muito saco roxo, se me permitem, para sustentar essa que seria a posição correta e coerente com o discurso atual e as necessidades do planeta.
Mas o jogo está sendo jogado. O interesse dos EUA no petróleo dos outros para poupar o pouco que tem não tem limites. Basta lembrar que por conta de manter acesso ao petróleo em países aliados ou subjugados no Oriente Médio, o atual presidente não se furtou a se manter em guerra no Iraque com a desculpa que só queria restituir a democracia naquele país. Os falcões, como são chamados, os governos beligerantes americanos podem até alucinar e sonhar com o uso intenso do petróleo que achamos. E ai, só um governo independente pode fazer frente à sedução ou a truculência. JMN

Written by Página Leste

17 de novembro de 2007 at 13:16

Publicado em Notícias e política

PT de São Mateus discute sucessão

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O PT de São Paulo está em processo de renovação de suas direções executivas em todos os níveis municipais, estaduais e nacionais. Como existem também instâncias zonais organizadas em diversos distritos da cidade de São Paulo, o Diretório Zonal de São Mateus realizou uma plenária de apresentação de chapas na sua sede. Convidada a participara a redação da Gazeta se fez presente.

Ainda sob a presidência de Genival Feliciano Coelho o encontro reuniu filiados, militantes e os candidatos a substituí-lo nas próximas eleições internas que ocorrem antes do final de 2007. O chefe de gabinete do deputado estadual Zico Prado, João Carlos era um dos candidatos, Valdo Lopes, Marinho e Hamilton Clemente também assessor dos deputados José Genoino, federal e Adriano Diogo eram os quatro pretendentes.

Seguida da apresentação dos candidatos e resumo de suas propostas foram abertas três séries de 5 perguntas seguidas de respostas e considerações finais.

Primeiro a falar, João Carlos que tem uma história de participação através das Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica e assessor de imprensa sindical nos metalúrgicos do ABC tinha como proposta fortalecer os movimentos sociais e populares respeitando sua autonomia. Para tanto propõe que numa gestão democrática o partido localmente se aprofunde nas questões como o Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo, e abrir o diálogo propositivo com os outros segmentos da sociedade, incluindo os empresários.

Dizendo que havia tomado a decisão em sair candidato diante do que considera um grande desejo de mudanças entre muitos filiados ao DZ de São Mateus, Hamilton Clemente lembrou que falta debate no diretório com relação a que tipo de oposição deva ser feito ao Kassab (DEM) e Serra (PSDB). Resgatou sua história no PC do B e do início de atuação na ocupação do Jardim da Conquista quando foi convidado a participar das fileiras do PT. Apoiado pelo grupo do vereador Chico Macena quer um mandato democrático com o diretório não aparelhado por determinados candidatos ou parlamentares.

Já Marinho lembrou das dificuldades da atual executiva e expôs um pouco de sua própria trajetória como migrante nordestino que virou metalúrgico no ABC. Em São Mateus atua no comércio como micro empresário e no Jardim Alto Alegre onde está desde 1978, como dirigente de uma entidade que lutou pela regularização do loteamento. No governo Marta foi assessor da infra-estrutura da subprefeitura de São Mateus. Em outra direção lembrou que o PT deve muito a São Mateus que ajudou a eleger de forma espetacular o presidente Lula. “Quero ser diferente quero exercer as resoluções do congresso e do estatuto. Se colocarmos na prática o que está escrito, o Brasil mudará”, considera. Reconhece que o desgaste das direções é uma coisa natural, portanto propõe a renovação se dizendo representante dos nanicos.

Último a se apresentar o atual secretário de formação política, Valdo Lopes também lembrou que foi coordenador na campanha eleitoral de Lula presidente na região e sobre suas lutas mais amplas, por exemplo, nas lutas da área da saúde e previdenciária.

Abertas as perguntas do primeiro bloco os filiados participaram querendo ouvir dos pretendentes respostas concretas e objetivas, o que nem sempre foi possível. As perguntas giraram em torno da desorganização das fichas de filiações; da falta de projeto de oposição com relação à subprefeitura de São Mateus; sobre como fazer com que os filiados, inclusive, os mais afastados tenham conhecimento das resoluções do Congresso do PT; como disputar a opinião da juventude com relação à perspectiva petista para a sociedade e como proceder para explicar a ocorrência dos fatos envolvendo membros da direção petista em 2005; além de quais propostas para trazer novos militantes a participar do DZ.

Para Valdo Lopes, primeiro a tentar responder o PT sempre teve com os movimentos sociais, principalmente na saúde. Com um funcionamento coletivo ficarão a disposição para os filiados. Lembrou que como secretário já tinha essa prática, mas era pouco procurado. Considera que a população está ao lado do PT e que é necessário fazer oposição ao PSDB. Disse ser necessário organizar o movimento estudantil e que não é possível o partido andar na região sem a participação dos filiados.

Marinho lembrou que a maioria entre os presentes era de representante de algum gabinete e que o partido está desorganizado. “Precisamos separar o joio do trigo”, comentou e disse ser necessário organizar os jovens, trazer os militantes que estão afastados e explicar o que ocorreu no Congresso do PT.

Para Hamilton Clemente a região de São Mateus é uma das que mais teve influência do PT nas organizações sociais e faz tempo. É a região melhor organizada em termos de reivindicações, considera. “Quando ficamos no governo a situação ficou mais favorável. O Jd. São Francisco com a instalação do CEU é um exemplo de atuação positiva, mas não teve continuidade”, lembrou. Em relação às fichas tem desorganização. Propõe manter o diretório aberto com uma política de finanças que permita manter uma funcionária para operar o dia-a-dia. Trazer cultura, filmes, debates para os jovens e esclarecer a questão do mensalão são outras iniciativas propostas.

João Carlos lembrou que outras forças como a Democracia Socialista e Socialismo Solidário, entre outras estão apoiando-o nessa empreitada. Promete uma atuação conjunta e participativa. “Nas gestões anteriores já houve discussões aqui que emperraram por falta de quorum. Temos inscritos 3214 filiados, pode ter mais tem gente filiada que nem sabemos ao certo. Precisamos organizar isso”, comentou. A exemplo dele próprio, disse que os companheiros lotados em gabinetes podem ajudar com formas de fazer a informação circular. Sobre a oposição ao subprefeito diz que existem fatos, mas que não foram discutidos adequadamente pela Executiva. “Precisamos discutir as coisas e não dar soluções prontas”. Fazer eventos culturais, rever o discurso para atrair a juventude, ter atitudes propositivas e acesso as informações são outras propostas do candidato.

Segundo bloco de perguntas

O segundo bloco de perguntas, como habitualmente acontece em reuniões longas foram eivadas de considerações. Belarmino, por exemplo, lembrou que é necessário planejar ações que os unam e que as ações não estão isoladas. Lembrou do que considera retrocesso com a retirada pela atual administração do Orçamento Participativo e do Conselho de Representantes. Outra filiada, Claudete, considerou que não seria fácil apontar saídas para o DZ e que é necessário investir na formação de novos quadros. Já um dos diretores de entidade no Jardim da Conquista sugeriu iniciativas como bingo para arrecadar fundos para regularizar a situação do DZ e também criticou a organização em função da lista de filiados. Valdir queixou-se da falta de apoio mais significativo dos vários gabinetes petistas que tem algum vínculo com a região e queria saber a proposta para o trabalho com os movimentos. Raimundo lembrou que o PSDB está jogando duro contra o governo Lula, para não aprovar a CPMF.

Em resposta as considerações, Marinho quer colocar em prática o que está nos estatutos. Temos que ter prestação de contas e reforçou a crítica aos gabinetes que não ajudam os movimentos. Sobre o aterro em São Mateus não poupou críticas a eles próprios dizendo que chegamos tarde para interferir nesse assunto. Já Hamilton lembrou que a discussão ali deveria ser a questão local. Gostou da idéia de eventos para arrecadarem fundos e que a questão do aterro ou do lixo em São Paulo, tem que ser discutida com responsabilidade. Valdo voltou a defender a gestão de sua secretaria na gestão que esta quase no fim. “Havia reuniões regulares e até cursos de formação estavam sendo realizados; só não participou quem não tinha interesse”, emendou. Voltou a reafirmar a necessidade de estar inseridos no movimento estudantil. Último a responder esse bloco João reconhece as dificuldades, mas atentou para a necessidade da disciplina partidária que também é uma questão de unidade. “Se somos votos vencidos, temos que acompanhar a maioria”, sentenciou. Com relação aos movimentos lembrou que é preciso andar junto e não utiliza-los como correia de transmissão. Com relação aos eventos, vai além é acha que é preciso ações propositivas “porque o buraco é grande”.

Perguntas, respostas e considerações finais

Trazer os grandes debates nacionais para dentro do DZ e ter uma representação oficial, de preferência, pelo presidente nos debates e eventos da região, foi à indagação de um dos militantes. O atual presidente, Genival depois de lembrar que o sucesso ou o fracasso da atual gestão é resultado de uma ampla composição de forças “Tínhamos 15 forças na composição do diretório”, reforçou a necessidade de respeitar as hierarquias do partido. Raimundo e Lucimara tinham dúvidas como irão se desenvolver as relações com os movimentos sociais. Lucimara lembrou que uma medida da atual prefeitura deverá colocar um teto de apenas 29 termos de permissão de uso para camelôs. Os camelôs hoje em atividade são em 89. Como pode ficar isso, era a sua dúvida.

Durante as considerações finais os candidatos tentaram dar as respostas. Hamilton lembra que representar o PT na região já vem sendo feito. É a favor de trazer os debates nacionais; da mesma forma que reivindica uma marca própria do governo Lula na região. “A política do Lula está na região, mas acho que precisamos uma marca mais permanente, por exemplo, uma agência do INSS, na região que votou majoritariamente nesse governo”.

João disse que seria liberado do gabinete do Zico para trabalhar mais tempo e mais intensamente em São Mateus. Concordou com a cotização dos mandatos, mas lembrou que a contribuição é uma obrigação de todos. Reforçou a necessidade da disciplina partidária e da necessidade de ter propostas concretas para fazer oposição.

Valdo lembrou que sempre esteve na luta contra o lixão e Marinho que além de fazer finanças pedir o repasse das instâncias. Quanto aos camelôs apenas disse que no ano que vem vamos estar no governo de São Mateus.  Dizendo-se orgulhoso do governo Lula, apóia a candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo e finalizou lembrando que o seu grupo é o espaço dos nanicos e convidou a diretora deste jornal, Luci Mendonça a divulgar as propostas. Foi o que acabamos de fazer de forma resumida.

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17 de novembro de 2007 at 13:14

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Sociedade está perdendo a capacidade de se espantar com o abandono de recém nascidos

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Há notícias que se repetem. Não é preciso ter o dom da profecia para saber que inundações, acidentes de trânsito e assassinatos voltarão à cena semana após semana. O duro é quando perdemos a capacidade de nos espantar, sensação que nos levaria a observar melhor os fatos e com visão responsável.
Volta e meia recém-nascidos são vítimas dessa violência que se chama abandono. O fato de que seja notícia recorrente não deveria abafar nossa perplexidade. Basta observarmos os casos mais emblemáticos que chegaram ao conhecimento e foram divulgados na grande imprensa em curtíssimo espaço de tempo. Vamos a eles.
Um menino de aproximadamente 2 anos de idade foi encontrado abandonado nas proximidades de um cemitério em Carapicuíba. Usava apenas uma camiseta. A manchete: Homem encontra criança abandonada perto de cemitério em SP.
Uma mulher de 21 anos foi presa suspeita de ter atirado o filho em um rio logo após o parto, na zona rural da cidade de Ipanema, em Minas Gerais. No último dia 30 de setembro, Elisabete Cordeiro dos Santos, 25, atirou filha recém-nascida em um afluente do rio Arrudas, em Contagem, também em Minas. No caso de Ipanema, a exemplo do que ocorreu em Contagem, a mãe afirma ter atirado a criança por acreditar que ela estava morta. Manchete: Polícia prende suspeita de jogar bebê em rio após o parto em Minas.
Uma criança de aproximadamente três meses foi abandonada pelos pais em um hotel de Orocó, Pernambuco junto com 45 kg de maconha. Os pais estão foragidos. A criança foi encaminhada ao Conselho Tutelar da cidade. Os avós do bebê, que moram no interior da Bahia, já foram localizados e devem ficar com a criança. Manchete: Pais abandonam bebê em hotel junto com 45 kg de maconha em Orocó (PE).
Permanece estável o estado de saúde da menina recém-nascida encontrada em uma lata de lixo em Taboão da Serra. O estado do bebê ainda inspira cuidados por ter nascido prematuro – os médicos estimam que ele tenha nascido no sétimo mês de gestação. O abandono é investigado. Manchete: Bebê achado no lixo em Taboão da Serra permanece internado.
Um recém-nascido foi encontrado morto dentro do armário de uma casa em Atibaia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o bebê estava dentro de um saco plástico, ainda com o cordão umbilical e com restos da placenta. Uma auxiliar de costura de 23 anos, que seria a mãe da criança, havia sido levada para o hospital pela vizinha e pela irmã na noite anterior, com sangramentos e hematomas. Ela foi internada e os médicos verificaram que seu útero apresentava características de gravidez.  Por causa da suspeita dos médicos, a mãe da auxiliar e a polícia começaram a procurar a criança, que foi encontrada pela suposta avó. A auxiliar de costura negou que estava grávida. Manchete: Bebê é encontrado morto dentro de armário em Atibaia.
Crianças abandonadas
Outros casos de crianças abandonadas foram registrados no último período. Em Itapetininga, interior de São Paulo, um recém-nascido foi encontrado morto. De acordo com informações da polícia, uma pessoa viu um cachorro carregar na boca o corpo do bebê, ainda com parte do cordão umbilical e com sinais de perfuração com faca.
Em Ibirité (MG), uma recém-nascida foi encontrada na porta de uma casa no bairro Novo Horizonte. O choro da criança chamou a atenção de moradores. Ela foi encaminhada para a maternidade municipal com quadro clínico estável, segundo a Polícia Militar.
Sobre o que temos a refletir
Chamamos a atenção para os casos acima; a ponta de um iceberg do que pode ser encontrado caso vasculhemos atentamente todas as ocorrências no país, para fazermos uma ligeira reflexão. Todos os casos relatados envolviam recém nascidos. Em tese é aquela fase da vida em que ela é o centro absoluto das atenções dos adultos e onde o trabalho da família é relativamente simples: basta alimentar, manter acolhido, trocar fraldas, ficar atento a eventuais desconfortos e amá-lo.
Porém as ocorrências indicam que nem sempre as coisas são assim. Basta ao ler ao lado e ver a abissal diferença. Enquanto mães desinformadas, irresponsáveis e egoístas abandonam seus bebês a dona Mônica Passos renuncia a sua própria vida em prol da filha Carla Brenda com necessidades especiais. Um exemplo de atitude cristã que dá de dez a zero a muitos fanáticos leitores de Bíblia.

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17 de novembro de 2007 at 13:12

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Soldados da PM “adotam” criança com necessidades especiais

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O casal Verônica de Almeida e Fillinto da 3ª Cia. do 28o BPM/M da Cidade Tiradentes praticamente se tornaram os pais indiretos da jovem Carla Brenda que com seis anos de idade tem sérios problemas desde os 10 meses de idade. Um ato que testemunha a favor da existência intrínseca da bondade humana, basta a deixarmos aflorar. Desde esse período, como conta a soldada Verônica, que tem quatro filhos, eles vêm auxiliando a pequena família: Carla Brenda e sua mãe Mônica da Silva Passos, 38 anos, a atravessar um calvário sem fim. Os soldados contam com apoio do Capitão Mauro Rodrigues e do Comandante da 28a Companhia, o Coronel Antonio Carlos Artêncio.
Tudo começou a partir de uma ocorrência dois anos atrás que ficaram sensibilizados diante das enormes dificuldades que Mônica da Silva passava com sua filha Carla Brenda. Segundo a soldada Verônica ela foi convidada a conhecer a casa, onde, ambas moravam e a forma como viviam à época. “Foi de cortar o coração, a casa muito humilde, mas limpa e a dificuldade porque passavam aquela família”, comenta lembrando que não conseguia esquecer o que vira. Como seres humanos sensíveis se envolveram e desde então fazem de tudo para ajudar a família.
Verônica conta que tomou conhecimento das dificuldades, inclusive de se alimentarem com a parca pensão de um salário-mínimo que Carla Brenda, tutelada pela mãe, recebe através do Loas – Lei Orgânica da Assistência Social que reserva um salário mínimo às famílias que comprovadamente tem problemas de doenças crônicas e cuja renda não ultrapasse meio salário mínimo por membro da casa.
Carla Brenda foi diagnosticada com um câncer no aparelho reprodutivo aos dez meses de idade. De lá para cá a menina que urina através de dois orifícios às costas na altura dos rins também ficou cega e os membros do seu corpo estão tão frágeis que se decolam do tronco. A alimentação é feita por um tubo externo ligado diretamente ao estômago e os alimentos; que não podem ser qualquer um, tem que ser triturados num liquidificador e em forma de líquido chegar ao estômago através do tubo.com uma seringa.
Carla Brenda precisa de tudo que se possa imaginar. Fraldas descartáveis, um colchão d`água especial  ou  de outro tipo hospitalar que possa evitar as escaras no corpo fragilizado e que possa ser de fácil limpeza e manutenção. Precisa também de um carrinho  especial, pois aos 6 anos de idade apesar da magreza evidente ela tem que se deslocar muito aos serviços de saúde e sua mãe Mônica têm muita dificuldade para carregá-la. Faltam ainda alimentos adequados, uma geladeira para conservar os alimentos que recebe quase sempre da doação fruto da insistência dos soldados  da 3º CIA  que muito colaboram. Só não falta amor.
É imenso o amor e o zelo que a mãe cuida da Carla Brenda apesar de todas as dificuldades que nem os parentes próximos contribuem para diminuir. Uma primeira dificuldade e básica é a impossibilidade quase que total da dona Mônica trabalhar, mesmo como diarista em casas de família o que faz de vez em quando. Para onde vai ela tem que levar a Carla Brenda que não tem condição alguma de ficar só.
Segundo explica a soldada Verônica, considerada pela mãe um anjo na terra, junto com seu parceiro, a alimentação talvez seja a coisa mais importante. Destaca também a necessidade de uma casa para ela morar. Verônica explica que quando conheceu a família ela morava num local tão inóspito e inadequado que com o tempo até se conseguiu que dona Mônica alugasse uma casa melhor, entretanto os mais de 250 Reais pagos pelo aluguel mais as despesas com água e luz não consegue deixar recursos suficientes para a alimentação. “O que dirá das fraldas que são trocadas em até 30 vezes por dia”, reflete a soldada. Diante a situação os soldados arrecadam doações junto ao comércio local, sempre explicando detalhadamente, inclusive com ajuda de fotos, para que serviriam aquelas doações. O envolvimento do comando da companhia também foi crescendo.
Segundo o Capitão Mauro Rodrigues, com a ajuda decidida do Comandante da 28a Companhia, coronel Antonio Carlos Artêncio, que assinou todos os ofícios necessários, Dona Mônica conseguiu um apartamento no piso térreo no conjunto do CDHU Jardim Palanque. Para isso, explica, o capitão, além dos vários ofícios assinados pelo coronel Artêncio, foram feitas diversas reuniões e visitas a diretoria do CDHU que também visitou a casa alugada da Dona Mônica e da Carla para conhecer a situação. Ainda segundo o capitão, o contrato do apartamento deverá ser assinado no dia 13/11. Ele próprio estará acompanhando dona Mônica neste dia e a mudança para um novo local tornará a vida de ambas menos sofrida. Mesmo pagando um valor pelo apartamento, certamente ele será bem menor do que o aluguel que dona Mônica hoje paga. Com a economia ela poderá ainda fazer melhor pela filha.
Carlos Soler a pedido do capitão Mauro visitou a menina, acompanhou a reportagem em visita à casa da Dona Mônica,  O medico Soler sempre muito humano  se prontificou a partir do que viu a ajudar no que for possível. Deve fazer brevemente um exame na criança para ver o que pode ser feito em termos ortopédicos. Falando a reportagem, Soler acostumado a cuidar de doentes não conseguiu esconder como ficou impressionado com o tratamento amoroso, zeloso e responsável da mãe para com aquela filha que tem necessidades para lá de especiais. Vale registrar que a reportagem teve idêntica impressão e ficou difícil reter às lágrimas diante da situação.
Dona Mônica agradece e segue cuidando da filha
“Não cuido mais de mim. Cuido dela. Enquanto tiver vida e forças, corro pela minha filha”, diz dona Mônica que está sendo orientada, novamente pelos policiais militares, a tentar conseguir localizar o pai da criança para conseguir uma eventual ajuda; coisa que ela não consegue nem da família próxima. Ao contrário, Mônica conta que seus parentes até pediam que ela desligasse os aparelhos que mantinham a filha vida durante determinados períodos nos quase dois anos em que a menina ficou internada em diversos hospitais. “A minha família me abandonou; marido também, se não fosse à ajuda dos soldados e do comando da PM aqui não sei como estaríamos suportando tantas dificuldades”, explica a zelosa mãe que ainda demonstrou preocupação com o bem estar da filha a ponto de comentar que se os eventuais exames ortopédicos que ela possa fazer forem lhe causar maiores dores que preferia que eles não fossem feitos.
Testemunho inquestionável de como o amor de uma mãe pode dar tanta força e tanto zelo mesmo diante de tantas dificuldades. E também de fé. Ela acredita que um dia sua filha ainda ficará boa e estará correndo atrás dos soldados que tanto a tem ajudado.

 
 
 
 

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17 de novembro de 2007 at 13:06

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Aposentada convive com descaso da Sabesp e prefeitura

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Depois de anos de trabalho duro a aposentada Marta dos Santos, 75 anos, foi obrigada a abandonar sua casa recentemente e passou a pagar aluguel nas proximidades por conta dos transtornos causados pelas constantes inundações com água pútrida em seu quintal. As razões de tanto transtorno constatado pela reportagem têm vários fatores, mas a falta de solução para os encanamentos próximos a sua casa de responsabilidade da Sabesp em recolher adequadamente os efluentes domésticos é um dos principais.

O drama que a aposentada vive foi transferido para inquilinos que posteriormente abandonaram também a casa em função da situação caótica em tempos de chuva. Segundo a aposentada: “O problema está no entupimento da galeria ao lado de minha casa. Estou há muito tempo aqui e sei como foram feitos esses encanamentos”. Dona Marta lembra que quando foram feitos os arruamentos no local no tempo em que Reinaldo de Barros era prefeito, começou com a Avenida Maria Luiza do Val Penteado. A partir de então sua casa ficou ligeiramente abaixo do nível da rua. Os problemas, entretanto, se agravaram depois com o aumento do número de moradores no entorno.

Não bastassem as águas poluídas no quintal a situação ainda fica mais incomoda em função da convivência com a favela ao lado. Segundo a aposentada os moradores da favela jogam todo tipo de detritos na boca da galeria próximo aos canos a céu aberto provocando o entupimento e ainda despejam e tocam fogo constantemente em lixos e restos de móveis dispensados na parede da Creche Maria Cursi. Inalou e cheirou o lixo que se acumulava próximo durante todo o tempo. Por esse motivo, foi em mais de uma ocasião, à subprefeitura de São Mateus em companhia da diretora da creche para solicitar providências quanto aos problemas.

Foram inúmeras idas e vindas e a prefeitura e a Sabesp só atuando com paliativos quando a situação estava muito crítica. Apesar da sua idade ouviu mais de uma vez que ela deveria se conformar e até retirar a água que se acumula com as próprias mãos. Também foi orientada a anotar as placas de veículos que viessem a despejar entulhos e dejetos ao lado de sua casa e da creche como se essa fosse sua responsabilidade.

A aposentada que insiste em que o problema é da Sabesp, mas que a Prefeitura também tem responsabilidades, com razão, está apreensiva com o período de chuvas que se avizinha. Em função disso, a convite da redação a subprefeitura se comprometeu a dar uma olhada no local para tentar, de uma vez por todas, definir qual o problema e indicar as possíveis soluções.

Bem que a munícipe merece. Além de pagar seus impostos regularmente, ela ainda, apesar da idade, trabalha já há dez anos como voluntária no atendimento a doentes no Hospital de São Mateus.

 

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24 de outubro de 2007 at 16:55

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Associação inicia mais uma central de coleta seletiva

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A Associação Beneficente Comunitária ABC que atua desde 1997, no Jardim Vera Cruz iniciou no final de setembro uma central de triagem para material de coleta seletiva já empregando 14 pessoas que busca através do trabalho gerar alguma renda. Segundo o responsável, pastor Milton Carvalho da Igreja Assembléia de Deus trata-se de uma ação laica sem vínculo algum com a religião especificamente.

A central começa em terreno na Avenida Aricanduva, 8734 inicialmente com a colaboração do proprietário anistiando de aluguel nos dois primeiro meses e desse tipo de ajuda que a central precisa em seus passos iniciais. Para o pastor Milton a prioridade agora seria conseguir a doação ou adquirir uma prensa mecânica e um pequeno caminhão que pudesse recolher o material reciclado no entorno. “A economia com os gastos com o aluguel e combustível do caminhão poderia ser revertido em benefício da Central e dos participantes”, raciocina.

O pastor Milton resolver arregaçar as mangas nesse trabalho após conhecer através do Conseg – conselho de Segurança a persistente ação do delegado Marco Antonio Cicone, hoje no 54º DP da Cidade Tiradentes, mas que antes já havia estado no 64º DP da Cidade A E Carvalho e no 54º DP do Parque São Rafael, lugares onde desenvolveu trabalhos comunitários. “Se ele, um delegado pode fazer tanta coisa em prol da comunidade, porque eu, não posse seguir o exemplo”, explica. Quer chegar mais longe. A meta da associação beneficente é conseguir chegar a pelo menos 100 empregos diretos ou gerar renda para esse número significativo e vai se articular para isso. Devagar vai conseguindo adesões de pessoas ou entidades que de alguma forma possa ajudar.

A liderança explica que até mesmo os empresários da região poderiam contribuir a sua moda lembrando que determinados tipos de doação são dedutíveis, inclusive no valor do imposto de renda a ser pago pelas empresas. Caso consiga através do resultado do trabalho manter-se no mesmo local projeta para o futuro prover a central de uma infra-estrutura que possa permitir um desempenho melhor, talvez com salas e alguma informatização. Por enquanto as coisas estão só começando, mas já percebeu que tem demandas com mais pessoas querendo participar da central. Considera que se houver um pouco de colaboração das pessoas de boa vontade a central pode se tornar uma espécie de empreendimento que vai ajudar muitas famílias carentes naquela região.

O convite está feito e a central está de portas abertas para quem quiser conhecer melhor o trabalho que começou a ser desenvolvido. Sem telefone, por enquanto, o pastor disponibiliza o seu próprio celular para contatos: 6519-8474. Para os que desejarem ir direto ao local o endereço é Avenida Aricanduva, 8734 – sentido centro/bairro.

Por fim o pastor explica que o Amas do nome da associação quer dizer Ação Missionária de Ação Social, mas também faz alusão as amas, ou seja, as mães-de-leite como eram chamadas antigamente as mães que cuidavam inclusive dos filhos dos próximos.

 

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24 de outubro de 2007 at 16:52

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A polícia e as escolas no tabuleiro

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No sentido de aproximar os policiais militares e civis com a comunidade do bairro Cidade Tiradentes fora das rotinas policiais e em ações cidadãs, o comando da PM local e o delegado titular do 54º DP do bairro promoveram no dia 19, no Centro Esportivo André Vital Horário um desafio de xadrez com alunos das escolas locais convidadas. Cerca de 25 jogadores de 11 escolas participaram.

A iniciativa faz parte de um conjunto de ações dentro do projeto “Se Este Bairro Fosse Meu” que busca aumentar a credibilidade e a confiança das pessoas nos serviços prestados pela força policial do distrito que faz parte da estratégia mais geral de aumentar a aproximação de forma a reverter em mais segurança para a localidade, além de estimular a participação dos cidadãos no destino de sua comunidade.

A difusão da prática do xadrez é para tornar visível a já comprovada aquisição de qualidades intelectuais a quem prática que passam a desenvolver melhor o raciocínio, o autocontrole e a concentração. Indiretamente a atividade visa chamar a atenção da comunidade para outras ações que podem ser assumidas como a preservação do meio ambiente e tentando envolver a comunidade escolar a participar dos ideais de transformação do bairro.

O desafio de xadrez consistiu de vinte e cinco partidas simultâneas que tiveram início pela manhã e seguiu até o horário de almoço entre os alunos representantes das escolas, de um lado, tendo como desafiante o Capitão Mauro Rodrigues de Almeida, um exímio jogador e entusiasta da prática.

As partidas tiveram um caráter dramático em várias delas com as crianças se envolvendo com muito esforço diante da apreciação de dezenas de famílias presentes. O desafiante também não teve vida fácil. Em muitos momentos era possível ver o capitão se esforçando e de forma concentrada para derrotar seus oponentes.

Aos quatro alunos que venceram o desafiante estava reservado um prêmio simbólico extensivo à escola que representaram. Houve ainda um empate e 20 alunos que perderam a partida. Mesmo na hipótese de vitória do desafiante, foi oferecido ainda prêmio ao aluno que conseguiu, entre todos, efetuar o maior número de jogadas. Bicicletas e medalhas foram distribuídas aos participantes em acordo com as suas performances.

Para botar mais adrenalina na competição as unidades escolares também foram desafiadas, e caso desejassem aceitar mais esse desafio, a plantar, no mínimo, cinqüenta árvores nos limites do bairro, caso seus representante sejam vencido na competição.

Como se vê o desafio na realidade englobava duas ações. A primeira tentar vencer o desafiante e a segunda envolver-se na ação ambiental com o plantio de árvores. Duas ótimas iniciativas coordenadas pelo Capitão Mauro Rodrigues de Almeida, Comandante da 3ª Cia do 28º BPMM; da professora Maria Helena Tambellini Faustino, dirigente regional de Ensino Leste 3 e do delegado de Polícia titular do 54oDP, Marco Antonio Cicone com o apoio da subprefeitura da Cidade Tiradentes.

Ainda prestigiaram o evento o Coronel Antonio Carlos Artêncio, o presidente do CDL e Rotary de São Mateus, Carlos Roberto Soler, o subprefeito da Cidade Tiradentes, Artur Xavier, o Dr. Araújo, representando o Dr. Carrasco da 8ª Seccional, a Inspetora da GCM Lindamir Magalhães que esteve presente dando apoio e segurança ao evento entre várias outras autoridades e personalidades.

Para a realização do evento também foram importantes a participação das empresas: Brabbus Comércio de Metais; Supermercado Negreiros; Supermercados Compre Bem; Depósito de Material de Construção Okinawa e Depósitos Guarujá e as empresas de ônibus Nova Aliança e Himalaia. Também fizeram doação de uma das bicicletas os funcionários do Banco Bradesco da região.

Comentando o evento, o delegado Cicone titular do 54º DP ressaltou o sucesso do evento e o envolvimento da comunidade escolar dentro das ações do projeto Se Esse Bairro Fosse Meu que além de aproximar as entidades para ações cidadãs ainda estimula o plantio e a conservação de árvores nas localidades onde atuam que é a nova próxima etapa do projeto.

  

Entre os participantes um campeão

 Fernando Henrique Severo da Silva, de 17 anos foi um dos que venceram a partida contra o Capitão Mauro e destaque entre os participantes. Praticante do xadrez desde os 9 anos de idade, ele já disputou 183 partidas com 150 vitórias, 5 empates e 35 derrotas.

Enquanto foi aluno da Emef Osvaldo Aranha foi bicampeão do município, vice-campeão estadual e com isso estar entre os 30 melhores jogadores do Estado. Depois de findo o projeto dentro da escola ele não desanimou e continuou envolvido com o xadrez. Desta vez dando aulas para os alunos do CEU Água Azul, quando foi contratado pela ONG por R$ 600,00; dinheiro com que sustenta: ele próprio, a mãe e mais dois irmãos. Inicialmente a ONG ficou receosa de empregá-lo para a tarefa em função de sua pouca idade, mas, felizmente, mudou de idéia após ver o currículo e o handcap do enxadrezista.

Com poucos recursos familiares, Fernando Henrique está decidido a cursar Pedagogia para também desenvolver o xadrez e suas qualidades enquanto estimulador do raciocínio. “Acho que o que eu aprendi com o xadrez pode auxiliar outras crianças também”, chegou a comentar.

E a bolsa de estudos chegou – Segundo o Coronel Antonio Carlos Artêncio presente ao evento, o desejo do Fernando em cursar Pedagogia já pode ser atendido. É que diante de tanto esforço e responsabilidade do jovem o coronel pediu ao Carlos Soler que intercedesse a favor do jovem. Soler, por sua vez, fez contato com a direção da Faculdades Santa Izildinha, que após conhecer a trajetória do jovem, confirmou, ainda durante o evento, que oferecerá ao Fernando uma bolsa de estudos completa para ele cursar a tão desejada Pedagogia.

Além de um ótimo desempenho durante a partida, Fernando comemorou com muita alegria junto a sua mãe o fato de ganhar a tão sonhada bolsa de estudos.

 

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24 de outubro de 2007 at 16:50

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Audiência discute relatório sobre implantação de novo aterro

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O anfiteatro do CEU São Rafael, em São Mateus foi todo tomado por representantes de entidades ambientais; de movimentos sociais e populares, representante de políticos, membros do governo local para a audiência pública oficial sobre o EIA/Rima do empreendimento Central de Tratamento de Resíduos Leste e durou mais de cinco horas com explicações do projeto. Aberta as intervenções diversas lideranças foram contra e outras a favor da instalação do empreendimento.

Como secretário do Consema – Conselho Estadual de Meio Ambiente coube a Germano Ceatra Filho conduzir dentro das regras do regimento que rege esse tipo de audiência com eficiência e pulso firme, tendo em vista os ânimos terem se exaltados em diversos momentos durante a assembléia. A mesa que dirigiu os trabalhos foi composta por ele próprio, por Carlos Vantuir e a diretora de avaliação de impacto ambiental Ana Cristina F. da Costa, todos do Consema. A audiência registrou também a presença de diversas autoridades entre elas o subprefeito de São Mateus, Clóvis Luiz Chaves, o delegado titular do 55oDP da Cidade Tiradentes, Marco Antonio Cicone e do deputado estadual Adriano Diogo (PT). Promotores e advogados.

Definida a pauta a audiência foi dividida em quatro momentos: a exposição do projeto pelo presidente da Eco Urbis; a exposição do relatório; as intervenções do plenário e as considerações e réplicas pelos expositores anteriores ou da própria mesa.

Primeiro a falar o presidente da Eco Urbis, Ricardo Acar lembrou da importância da instalação da central para a cidade de São Paulo. A Eco Urbis trabalha por concessão de 20 anos desde outubro de 2004 para gerenciar todo o sistema. Enquanto empresa atende 18 subprefeituras na cidade de São Paulo coletando cerca de 1740 Mil toneladas por ano para transportar, acomodar e tratar adequadamente o lixo.

Coube ao engenheiro Luiz Sérgio a parte mais longa: o detalhamento do relatório. Segundo informou 46 profissionais de várias áreas analisaram o empreendimento e prepararam o relatório a ser apresentado a Cetesb que envolveu estudos aprofundados sobre os impactos associados ao empreendimento, desde a qualidade das águas profundas e rasas existentes, a quantidade e a qualidade dos gases dispersos na atmosfera, a interferência na vegetação, na fauna, na economia, na interferência no entorno do empreendimento, etc. O diagnóstico foi completado com a avaliação sobre as medidas mitigadoras e as compensações propostas para a comunidade por conta dos transtornos que a instalação do complexo possa causar e sua adequação as leis existentes.

Primeiro aspecto destacado pelo expositor dá conta de que a área envolvida é de 1640 mil metros quadrados senso que o aterro sanitário propriamente dito ocupará 329mil metros quadrados. No entorno do aterro, segundo a exposição se implantará uma faixa de proteção incluindo o tratamento do chorume; o isolamento do solo para evitar contato com os dejetos e efluentes do tratamento do lixo além da recuperação das áreas remanescentes e recuperação ambiental da própria gleba.

Para ilustrar sua exposição o técnico afirmou que todos os estudos foram feitos e para tanto utilizaram dados sobre as chuvas, o regime dos ventos a umidade do ar e uma ampla investigação geotérmica e geológica. “Foram mais de 6,5km de investigação, sondagens num total de 36 investigações pontuais”, esclarece. “Todos esses estudos nos permitiram concluir que o local tem autonomia de sedimentação adequada. Estudamos também diversos lençóis freáticos no entorno e fora da Central e a intensidade de ruídos e dispersão de gases e todos esses aspectos estão dentro das medidas técnicas”, enfatiza.

Foram feitas também reuniões e estudos de impactos na vizinhança próxima e nada se constatou que pudesse condenar o projeto. Segundo Luiz Sérgio “foram entrevistadas 53 famílias no Jardim Zaira na 3ª Divisão e em outros lugares e não se observou possibilidade de problemas”. A longa exposição feita pelo técnico apontava que, sobre todos os aspectos, o impacto ambiental seria mínimo e que as compensações são adequadas. Parte delas é: a recuperação e proteção de 200 mil metros quadrados na nascente do Aricanduva; conservação do Morro do Cruzeiro e instalação de trilhas ecológicas; implantação do parque Sapopemba com infra-estrutura e manutenção; recapeamento parcial da Avenida Sapopemba e Rua Pedro Miguel além da instalação de guias e sarjetas no Jardim Zaira entre outras diversas iniciativas.

 

Plenária se divide em apoio e rejeição a instalação do aterro

Após a composição da mesa exposição do projeto que se deseja implantar e das explicações detalhadas do relatório Eia/Rima foi à vez dos representantes de entidades da sociedade civil presente se manifestarem. Um instante delicado com apartes da platéia fora das inscrições que exigiu muito pulso do coordenador da mesa para se assegurar à democracia e a participação inerentes à audiência pública.

Falando por um coletivo de entidades Décio José de Lima disse que o empreendimento não deixa claro se é um aterro ou uma central de tratamento, pois, segundo ele as normas técnicas são diferentes. “Fala-se uma coisa e apresenta-se outra”, queixou-se. Questionou também porque novamente a sua instalação em São Mateus; os efeitos dos gases dispersos no ambiente. Lembrou ainda que as compensações sobre a instalação do aterro já existente foram insignificantes ou nunca vieram e ironizou: “Ótimo, minha saúde vai embora, mas terei sarjetas, guias, asfalto”, fazendo uma referência às compensações propostas para o jardim Zaira. Décio também lembrou da dívida do Jockey Club de mais de 200 milhões ao tesouro e perguntou por que não fazer o aterro lá, no que foi muito aplaudido. Disse ainda que algumas entidades protocolaram junto a Consema para exigir também um estudo epidemiológico antes da instalação. “Que a empresa providencie este estudo para garantir que a saúde não será afetada”, resumiu.

Pela Defensoria da Água da CNBB falou Leonardo Aguiar Meirelles que foi na mesma direção e criticou as entidades que estavam se dobrando diante do empreendimento. Para ele a audiência sequer deveria estar ocorrendo uma vez que está sendo investigada a convocação pelo Ministério Público Federal.

Sérgio Alves de Souza, pastoral da ecologia lembrou que em outra audiência na Casa de Portugal.  Não apareceu quase ninguém e que estava decepcionado com a fragilidade da resistência a instalação do novo aterro e conclamou as entidades e a população a manterem-se mobilizados e participantes do processo finalizando com a pergunta. Porque só em São Mateus?

Outro cidadão contrário à instalação do empreendimento era José Contreras de Mauá que protocolou junto a Câmara daquele município o pedido de uma audiência igual a que estava se realizando também em Mauá. “Vamos admitir que seja implantado aqui, como fica a população de Mauá?”, pergunta indicando que o Consema tem que olhar para além do município de São Paulo “A natureza não estabelece esses limites. O cheiro vai extrapolar São Paulo em direção a nossa cidade”, enfatizou.

Marisa Sueli Alves da Associação Comunitária Jardim Arantes da 3ª Divisão de São Mateus foi outra a quem a idéia não agrada. “Já passamos 20 anos sem compensação e sofremos com um acidente recente no aterro em agosto. Vamos sofrer mais 20”. Além de lembrar que o distrito já deveria ser credor do crédito de carbono criticou o fato das entidades terem sido consultadas somente agora. “Eles estudam essas alternativas há tanto tempo, por que só agora somos consultados”.

José Luiz Bezerra de França centro educacional e comunitário do Tabor, a exemplo de várias outras intervenções criticou nosso estilo de consumo e que é preciso mudanças de hábitos como não jogar lixo no chão, etc., para desenvolver sustentavelmente e propôs a criação de um conselho gestor tripartite com a participação da empresa, do poder público e do povo. “A responsabilidade é de todos nós”, finalizou.

Contra ainda registraram depoimentos Silvio Marques conselheiro da criança e do adolescente de Mogi das Cruzes que relatou a luta daquela cidade contra a instalação de um aterro, segundo ele, recheado de irregularidades. Também indicou que já existem outras tecnologias mais adequadas. Já o sindicalista José Vicente Pimenta e participante de comunidade religiosa, disse que algumas entidades protocolaram pedido de informações do Ministério Público Federal e pediu mais prazo para uma nova audiência. Sem citar que seriam as pessoas disse que tem sido vítima de ameaças em função da luta que trava pela suspensão do projeto até melhores esclarecimentos.

Juriciano Rodrigues de Lima, da Sociedade Amigos de bairro de Jardim Zaira defendeu o empreendimento lembrando que em algum lugar ele terá que ser instalado e que todos têm a obrigação de ao rejeitar apresentar alternativas. Enfatizou ainda a idoneidade da Eco Urbis e reconheceu que por diversas vezes fizeram reuniões com a comunidade para explicar os procedimentos.

Fátima Magalhães presidente do Conseg do Parque São Rafael e Cristina Rodrigues de Souza da Sociedade Amigos do Palanque se disseram a favor da instalação do aterro, enfatizando a importância de compensações significativas e o estímulo à coleta seletiva e apoio aos catadores, além da recuperação das margens do Aricanduva.

Olhando por um outro ângulo um morador do entorno apóia a instalação em função da possibilidade de melhorar os espaços onde moram através das compensações prometidas. Dizendo confiar na tecnologia adotada que deve minorar efeitos colaterais enfatizou que segundo ele a zona Leste não pode se dar ao luxo de dispensar mais um empreendimento que de certa forma ajudará a desenvolver a região.

Último a falar o delegado Cicone constatou a divisão no plenário entre os que eram contra e os que, como ele, é favorável a instalação do aterro alertando que “Vai chegar o tempo em que iremos agradecer o aterro ter sido instalado aqui”. Explicou em seguida que há muita gente interessada em que não existam empreendimentos e preservação para que sobrem áreas passíveis de ocupação irregular mais adiante. “Depois de ocupadas irregularmente ainda permitem a entrada e centenas de caçambas para deteriorar ainda mais a região”, ilustrou.

O que a reportagem percebeu ainda é que muita gente que aprovava a instalação do aterro se omitiu diante da hostilidade de algumas pessoas que eram contra. Finalizando essa etapa ainda falaram uma representante do Bloco Carnavalesco da Zona Leste; Alessandro Mezanino do Instituto Sócio Ambiental Jovem Talento; Hamilton Clemente líder comunitário  Antonio Botero da OSB/SP; Laércio de Souza, da associação de moradores do Jd. da Conquista de São Mateus: o Padre Mauro da Igreja Coração de Maria; Dulce Alves da Cooperativa Chico Mendes; Jerônimo Barreto da Silva do Jardim São Francisco e José Cardoso dos Santos que se apresentou como especialista em limpeza urbana e autor de um livro sobre a máfia do lixo em 2003 dizendo que a principal peça a ser apresentada na audiência não tinha sido revelada. Para ele o contrato de concessão entre a Eco Urbis e a Prefeitura de São Paulo tinha que ser apreciada.

 

Mesa dá explicações sobre os apartes da plenária e encerra a audiência

 

Primeiro a se manifestar o coordenador da mesa Germano Filho disse de forma sucinta que a audiência obedecia regiamente todas as exigências e que a cópia do Eia/Rima estava disponível para consulta na biblioteca da Cetesb.

Ricardo Arcar reconheceu que a central de tratamento de resíduos é uma evolução em comparação ao aterro anterior. Lembrou ainda que a Prefeitura fará muita economia implantando essa concessão ao invés de pagar aos aterros particulares e que, diferente do que alguém havia alegado a vida útil desses aterros diante da demanda já não é de 20 anos e sim de no máximo seis anos, portanto, a implantação da central tem que ser breve. Informou ainda que haverá as compensações prometidas e a construção de um viveiro.

Também disse ver com bons olhos a criação de uma comissão tripartite e que, na prática isso já vinha se dando. “A Eco Urbis atendeu todas as perguntas, recebe as pessoas e esclarece a qualquer momento as dúvidas. Recebemos centenas de visitas organizadas no aterro e estaremos sempre disposição”, enfatizou. Quanto ao crédito de carbono, lembrou que cabe a prefeitura decidir como e onde utiliza-los.

Explicou ainda que a concessão é por 20 anos e que a Eco Urbis é remunerada por taxa fixa não pela quantidade daí ela ter enorme interesse na mudança de hábitos e costumes que resultem na diminuição do lixo e que está disposta a incentivar as iniciativas de reciclagem.

Para finalizar o presidente lembrou que o estudo do impacto retrata a verdade de forma imparcial e que serão tomadas todas as medidas possíveis para minimizar ou compensar os eventuais danos.

Feita as considerações finais por parte da mesa que informou que a audiência é mais uma etapa na avaliação do processo ela não é necessariamente a decisão final sobre se o projeto está aprovado ou não. O resultado dos estudos e as observações da audiência seguem para o Consema para dar continuidade ao projeto com um parecer sobre tudo isso, informou a diretora de avaliação de impacto ambiental Ana Cristina F. da Costa.

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24 de outubro de 2007 at 16:49

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Rumos para a reforma política

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Durante o mês de julho, enquanto todos os olhos estavam voltados para o acidente em Congonhas e os seus desdobramentos a pauta da reforma política voltou à ordem do dia, mas percebe-se que sem um empurrão do Executivo ela se retira novamente do Congresso e sabe-se lá quando e em que condições ela volta. O problema são as eleições do ano que vêm se avizinhando. Tanto patina que o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social apelou ao presidente da República para que se engaje pessoalmente na reforma.
Não que o Conselho não reconheça as competências do Parlamento que tem como dever constitucional definir e votar as eventuais mudanças a serem feitas, mas como reforma política deve interessar a todos os cidadãos e envolve diretamente o Executivo, não tem como ficar de fora. O atual Congresso se enredou tanto na discussão que, sozinho, não consegue sair dos impasses que criou, complicando-se ainda mais junto a opinião pública, daí ser do interesse dos próprios parlamentares, saídas para o imbróglio.
Da parte do Conselho ficou o alerta para que o país consolide o desenvolvimento democrático e sustentado. Para tanto sugere o aperfeiçoamento da democracia representativa, o fortalecimento da democracia direta e uma clara definição das relações entre o Executivo e o Legislativo no que toca o processo orçamentário.
Para o aperfeiçoamento da democracia representativa é preciso reduzir os riscos da corrupção política e diminuir ou neutralizar as conseqüências advindas das diferenças de poder econômico. Para tanto se fazem necessários alterações no sistema partidário e eleitoral visando à democratização dos processos internos de cada partido, o aprimoramento das regras para a formação de coligações, uma maior disciplina na filiação e na fidelidade partidária além do financiamento público das campanhas eleitorais com rigorosa fiscalização.
Nas propostas está em jogo de forma ameaçadora para muitos acabar com a dependência dos candidatos diante dos que financiam suas campanhas para evitar a pressão daqueles (poucos e poderosos) que são donos de bancadas no Congresso. É preciso voltar o Congresso às suas finalidades públicas, liberando-o das pressões do poder econômico.
Com relação à consolidação da democracia direta, o Conselho pede a regulamentação do Artigo 14 da Constituição que prevê os estatutos de Plebiscito, Referendo, Iniciativa Popular de lei e Consulta Popular para revogação de mandatos.  .
No quesito relações entre o Executivo e Legislativo no processo orçamentário é preciso aumentar a transparência, evitar as distorções na aplicação de recursos públicos e garantia de acesso amplo e permanente a informação de todo o ciclo orçamentário: pedido, liberação, utilização, prestação de contas aumentando o controle social sobre a elaboração e execução do orçamento.
O Conselho até se dispõe a continuar colaborando com o presidente da República, mas alerta que a reforma política em impasse no Congresso constitui tema que deve ser debatido por toda sociedade e que precisa apontar na direção do aperfeiçoamento da democracia para prove um desenvolvimento eqüitativo de toda a população brasileira. (JMN)
 

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1 de agosto de 2007 at 15:21

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Acidente em Congonhas: A caixa preta nem foi aberta; é cedo para concluir

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Todas as revistas semanais, os jornais diários e os principais programas televisivos, vêm dando destaque ao acidente com o Airbus A-320 da TAM que ultrapassou os limites do aeroporto de Congonhas indo se chocar com um posto de carga da própria empresa onde trabalhavam mais de uma centena de pessoas. Não tinha como ser diferente.
Um acidente de tamanha proporção vitimou todos os passageiros e tripulantes da aeronave e quase todos os que estavam no prédio. O que se viu a seguir foram imagens que deixou atônito qualquer um que estivesse prestando atenção. Impossível imaginar o que sentiram as vítimas no instante do choque e o incêndio que se seguiu. Pêsames as famílias de todas as vítimas.
Na cobertura sobre o acidente, os meios de comunicação cumpriram a risca o seu papel dando publicidade ao fato, entretanto, não tem como não se incomodar com o papel que alguns destes e seus respectivos colunistas estão fazendo. Uma primeira observação é a precipitação com que, colunistas adversários declarados e outros nem tanto do atual governo federal, estão tendo e, portanto, fazendo muito malabarismo para carimbar o acidente em função da negligência das autoridades.
Faz parte da boa prática do jornalismo trabalhar com especulações. Por exemplo, se a falta de ranhuras na pista de Congonhas poderia causar o acidente; se as condições climáticas daquele instante permitiriam um pouso seguro. Claro que vale especular; o que não se pode é concluir com a precipitação e velocidade igual a da aeronave em questão. A cada hora está mais difícil sustentar as conclusões atabalhoadas sob meras suposições de alguns veículos que já apontaram, de antemão, como sendo responsabilidade apenas do governo federal. Isso só o tempo, as investigações e a serenidade poderão apontar. O que não fica bem é num momento de tanta dor e pesar, jornais, revistas e TV´s tentarem fazer “guerrinha” política de aprofundamento da crise contra seu adversário.
Diversos políticos também se comportam com a mesma afobação. Um exemplo é o deputado federal Raul Jungmann (PPS), para ficar só neste nome, que protocolou um pedido de esclarecimentos do governo federal, como se isso fosse necessário e a investigação sobre o acidente não fosse ocorrer. Outro que não dá para deixar de citar é o governador de São Paulo, José Serra, que uma hora após o acidente estava no local insinuando responsabilidades do governo federal. Interessante notar que o governador simplesmente desapareceu e deu muito poucas declarações durante o acidente que ocorreu meses atrás nas obras de construção de uma estação de metrô que desabou e fez diversas vítimas. Nesse o Governo do Estado tem responsabilidade também, pois, foi por sua decisão que a responsabilidade das obras foram passadas para as empreiteiras.
Vamos supor que fazemos coro aos descontentes e parte da grande mídia e responsabilizemos o governo. Fica resolvido o assunto? Onde ficam as responsabilidades das empresas aéreas vendendo mais passagem do quem tem disponível fazendo com que os intervalos entre os vôos vão se reduzindo indefinidamente até o esgotamento completo dos controladores de vôos e dos operadores da infra-estrutura aeroportuária? Qual administração de um aeroporto vai conseguir produzir bons resultados e com segurança fazendo baixar e levantar aviões com milhares de seres humanos como se fosse uma fila de táxi com enorme demanda ou ônibus e metrôs em horários de picos? Mais ainda e de novo, porque as empresas colocavam em suas escalas passar por Congonhas agregando mais valor de uso porque disponível para maior lotação de suas naves e em muitas dessas viagens sem necessidade. Que “fresta” na legislação municipal, estadual e federal permitiu a construção de um prédio de altura irregular pertencente ao ramo de “diversões noturnas” de uma marca muito conhecida pela visita de lazer de políticos e executivos? Houve ou não problemas que só a caixa-preta pode revelar, mas que de forma afobada parte da mídia e leitores superficiais já sabe num estranho exercício de adivinhação?
Os leitores ainda vão argumentar; tudo bem, mas o governo deveria ter feito alguma coisa. Deveria mesmo: na esfera federal, estadual e municipal. Vamos fazer agora outro exercício. Se eles que, insisto, não podiam prever o acidente em si tivessem feito intervenções, que agora forçados pela desgraça parece terão que fazer, a mesma parte da grande mídia estaria batendo e forte contra os governos alegando que eles estariam interferindo nos lucros da iniciativa privada; que estariam inibindo a população poder viajar de avião e não resolvendo o caos aéreo que de fato existe, mas que temos de reconhecer que tem diversas razões se formos pessoas sérias.
Acidentes como aquele não podem e nem devem mais ocorrer. É disso que se trata, talvez agora dormindo com a lembrança da tragédia todos os atores dessa questão: empresas, governo e usuários possam dar a sua contribuição para evitar novas ocorrências.
O proveito político que as oposições ao atual governo buscam obter e, infelizmente esses movimentos, como de um jogo de xadrez, faz parte da cultura política no mundo todo e, no caso em questão, ainda não diminuíram. Aumenta a temperatura das críticas ao governo Lula em função da crise no setor aéreo. Editoriais e colunistas já sugerem um colapso do que chamam “corriola” de incapazes de governar o país. Até um ministro do Superior Tribunal Militar sugere que “pessoas do bem vão se pronunciar como já fizeram em um passado não muito distante”, insinuando que começam aparecer discursos de caráter golpista. É só rastrear para constatar.
Da mídia e dos seus movimentos, pouca novidade, faz parte do jogo político e de interesses nem sempre leal. Entretanto, qual é mesmo o papel da Justiça Militar no Brasil? Segundo o site do próprio STM, é julgar “apenas e tão somente os crimes militares definidos em lei”. O que estará acontecendo, então?
De volta a questão: com alguns fatos que conhecemos e outros que esperamos conhecer, culpar apenas o governo federal, do qual não temos procuração e para o qual também temos críticas, pelo acidente aéreo é concluir de forma leviana sobre tudo que está ocorrendo. (JMN)
 

Written by Página Leste

31 de julho de 2007 at 17:02

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