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Archive for the ‘Notícias e política’ Category

Ciência tem opções que dispensam uso de células-tronco embrionárias, diz pesquisadora

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Avanços científicos recentes indicam que é desnecessário usar embriões congelados para obter resultados com células-tronco. A avaliação é de Alice Teixeira Ferreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Biofísica e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Bioética da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ela, em 2005, quando foi aprovada a Lei de Biossegurança no país, autorizando as pesquisas com células-tronco embrionárias, já se sabia de suas limitações, como a ocorrência de rejeição e tumores. No entanto, resultados obtidos por cientistas a partir do ano passado vêm mostrando que o material pode ser ser substituído com vantagens pelas células-tronco adultas, obtidas a partir do líquido amniótico que envolve bebê numa gestação, do cordão umbilical e da medula óssea.
Ao participar dia 5/5, em Brasília, da divulgação da Declaração de Brasília, documento contra o uso das células embrionárias, a pesquisadora destacou que dois estudos concluídos em 2007 (um nos Estudos Unidos e outro no Japão) mostraram que células-tronco adultas podem ser reprogramadas e adquirirem potencial idêntico ao das embrionárias: o de assumir um tipo desejado de função (óssea, muscular, nervosa, por exemplo) e, reproduzindo-se, substituir células doentes no organismo.
“Para que vou precisar agora de células embrionárias humanas?“, questionou Alice Ferreira. Segundo ela, as células-tronco adultas já estão sendo usadas experimentalmente em cerca de 20 mil pacientes no mundo para o tratamento de 73 doenças degenerativas.
De acordo com o material divulgado na apresentação da Declaração de Brasília, pesquisadores conseguiram transformar células de cordão umbilical em células nervosas, o que antes parecia ser uma possibilidade apenas das células embrionárias.
Outro dado citado é que, no Brasil, o pesquisador Ricardo Ribeiro dos Santos, da Fundação Osvaldo Cruz na Bahia, transplantou células de medula óssea em dois gatos paraplégicos que estão voltando a andar.
Alice Ferreira salientou que muitos cientistas brasileiros defendem o uso embriões para pesquisa básica, ou seja, para estudar o desenvolvimento de células embrionárias, e não para buscar o tratamento de doenças. Segundo ela, esse tipo de pesquisa pode ser realizado facilmente com células do líquido amniótico, que podem ser retiradas das gestantes quando elas são submetidas a parto por cesáreas, sem implicar na utilização de embriões.

Written by Página Leste

6 de maio de 2008 at 9:47

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Para entender a aliança DEM e PMDB em São Paulo

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Para fazer uma honesta análise política do que significa essa recém aliança DEM e PMDB em São Paulo temos que lembrar de alguns pressupostos fundamentais..

Desde a posse do presidente Lula para o segundo mandado, os governadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) disputam a indicação do PSDB para disputar a sucessão presidencial em 2010. Cacifado por 40 milhões de votos, o ex-governador Geraldo Alckmin (SP) também está no jogo, em desvantagem, há que se reconhecer, por não estar ocupando nenhum cargo relevante. No campo governista sem nenhum candidato natural só Lula seria o nome mais forte para suceder a si próprio, entretanto, a atual legislação o impede de concorrer.

Até o estabelecimento da aliança entre o DEM e o PMSDB em São Paulo, em dificuldades, estava o governador José Serra para continuar atrás do seu objetivo de ser o presidente do Brasil. Há de se lembrar que Serra tem feito um governo inexpressivo em São Paulo. Na somatória de suas notícias na imprensa; muita notícia ruim e quase nada positiva.

Enquanto Serra patinava o rival Aécio Neves fazia charme ao PMDB: dava palpites na eleição municipal de São Paulo dando força a pretensão de Alckmin e costurava uma aliança ecumênica em Belo Horizonte que deverá unir todos os partidos com exceção do DEM e alguns nanicos de Minas Gerais. Charmoso, pois, além disso, tudo ainda namora a miss Brasil Natália Guimarães. Está no gosto popular.

Voltando a São Paulo, com Alckimin colocando-se na passarela com sua pré-candidatura a prefeito de São Paulo piorou a situação de Serra que sempre defendeu uma aliança para eleger Gilberto Kassab (DEM). Desafiador, o ex-governador Alckimin comentou que “nunca viu o primeiro colocado nas pesquisas”, que é o seu caso entre os adversários da eventual candidata Marta Suplicy pelo PT, “abrir mão para o terceiro colocado”, caso o Kassab. Como, entretanto, o mundo gira, Serra trabalhou em silêncio e quando todo mundo dava como certa a aliança entre o PT e o PMDB, eis que o ex-governador Orestes Quércia anuncia publicamente o seu apoio à reeleição de Kassab. De tabela falou que Serra é um bom nome à sucessão de Lula e para apaziguar os ânimos prometeu apoiar Alckmin para o governo do Estado em 2010, se ele abandonar a disputa a prefeitura, claro.

Gol de Serra, pois foi ele quem deu o aval à negociação do DEM com o Quércia e foi o próprio Serra que garantiu a vaga de senador para Orestes Quércia em 2010. Kassab faria à mesma negociação, mas não tinha cacife para tanto. Serra comandou a negociação dos espaços que serão reservados ao PMDB na administração do Estado e da capital, caso a chapa DEM-PMDB vença as eleições deste ano. A jogada de Serra, se aproximando do PMDB paulista, tem dois objetivos de seu interesse. Primeiro isolar Alckmin e Aécio que flertavam com o PMDB que também queriam minar o Serra e para Serra o mais importante: mostrar ao presidente Lula que o PT não está tão forte como se imagina para 2010.

Claro que não foi o PMDB todo que foi conquistado existe tantas as divisões nesse partido, mas a seção paulista, forte dentro do PMDB nacional, vai levar consigo outros estados e diretórios importantes. Serra reequilibrou o jogo, mas ainda não conseguiu algo que está fora do seu alcance: controlar a vontade de Alckimin. Toda a pressão agora será nessa direção: fazer com que Alckmin desista da disputa o que ele já registrou não o fará; mesmo porque segue bem nas pesquisas e hoje disputaria o segundo turno com Marta Suplicy, tudo que o Serra não quer.

Se Alckimin disputar a eleição e perder já era. Mas na hipótese de ele se tornar o prefeito de São Paulo sairia fortalecido e por tabela também o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. Alckmin poderia pleitear tanto a disputa do governo de São Paulo quanto da presidência, caso Aécio queira ficar fora desta. Nesse caso, Serra teria de abrir a sua caixa de bondades aos inimigos íntimos ou ir para a disputa de uma reeleição em São Paulo dependendo do que Alckimin e Aécio resolverem.

Como se vê Alckmin se coloca como pedra no sapato de Serra e parece evidente que o cenário político caminha uma vez mais para um clima de acirramento. Da nossa parte ficamos atentos e voltaremos em breve para explicar o que é esse PMDB um partido profissional que sobrevive nas mais diversas circunstâncias. (JMN)

Written by Página Leste

25 de abril de 2008 at 17:33

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Sem distribuir terra, não há solução para problema de moradia

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Dando seqüência às entrevistas que tratam dos recentes problemas urbanos na cidade de São Paulo, o Correio da Cidadania conversou com Ermínia Maricato, docente do departamento de Projeto da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), de São Paulo.
 
Para a ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (1989-1992), antes de termos um projeto habitacional que possa dar certo, o país precisa passar por uma profunda revisão no que se refere à distribuição de terras entre a população, para que a partir disso esteja em reais condições de resolver seus problemas na área da moradia.
 
Correio da Cidadania: Primeiramente, a que podem ser atribuídos os recentes problemas na cidade de São Paulo, em relação à moradia?
 
Ermínia Maricato: Nos últimos anos, o que há é um impacto da globalização com o crescimento econômico, desemprego e recuo nos investimentos públicos. É muito evidente, se pegarmos os investimentos nas áreas de habitação e saneamento por etapas, que a partir de 1980 há um profundo colapso dos investimentos e na área de transportes. Junte-se isso ao desemprego, ao recuo nas políticas públicas definido pela agenda neoliberal e…
 
Após esse período, a retomada do investimento é de três anos atrás, porém não inclui uma massa de subsídio muito grande. Retomam-se os investimentos em habitação e saneamento, mas sem um volume que deveria corresponder à população de baixa renda.
 
E vamos nos deter nesse período, no qual esse mercado privado exclui 70, 80 % da população, pois o Estado não investe em políticas públicas voltadas a esse contingente, e tampouco poderia numa sociedade capitalista. Portanto, temos um mercado que fica travado por não atender à maior parte da população.
 
CC: O Ministério das Cidades melhora as perspectivas nessa área?
 
EM: Sem dúvida alguma. A partir de 2005, tivemos uma retomada de investimentos na área de habitação, com uma resolução do Conselho Curador do FGTS. O que há a partir de 2007 é o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), cujo investimento pretendido é de 106 bilhões na área de habitação entre 2007 e 2010. Porém, a maior parte de seus recursos não é de subsídio, mas sim de mercado ou de FGTS, ou seja, que precisa obter retorno.
 
Então, apesar de reconhecermos que há um retorno do investimento e da regulação do Estado sobre o mercado, isso não significa que se dê o montante de subsídio que deveria corresponder ao déficit habitacional, que atinge 84% na população entre zero e três salários mínimos.
 
No entanto, o maior problema para fechar essa equação é a terra, que está recebendo um pouco mais de recursos. Ainda assim, para completar essa equação mesmo, precisa-se de terra urbanizada.
 
CC: E o PAC é mesmo uma alternativa ideal?
 
EM: O PAC trabalha com recursos financeiros, mas o que falta para melhorar – melhorar, pois, numa sociedade como a nossa, resolver é impossível – é a questão da terra urbanizada. Isso é competência municipal. Já temos uma base legal, que é o Estatuto da Cidade, aplicado por meio do plano diretor. Porém, não se consegue aplicá-lo por conta de uma sociedade muito patrimonialista e uma elite muito ligada à terra no Brasil. O poder político é muito ligado ao patrimonialista, e a terra é um elemento visceral na formação da sociedade brasileira. Desta forma, não se aplica o Estatuto, pois não se consegue distribuir a terra.
 
Eu diria que o interessante do Estatuto da Cidade é o fato de ser quase inaplicável na sociedade brasileira. Precisamos lutar primeiro para mudá-la e, depois sim, para aplicarmos o Estatuto da Cidade.
 
Também acredito que esses recursos do PAC chegando nas bases fundiárias urbanas de hoje no Brasil tendem a aumentar o preço da terra, o que torna necessária a combinação de recursos financeiros com reforma fundiária, senão não se minimiza o problema da habitação.
 
CC: E você acha possível essa reforma fundiária?
 
EM: Acho que conquistamos uma lei federal e simplesmente não conseguimos aplicá-la por conta da tradição da elite brasileira. Creio que precisamos recrudescer, ampliar e aprofundar a luta social para democratizar o acesso à terra e o direito à cidade. Não tenho a menor dúvida quanto a isso, mas nada acontecerá se não houver uma resposta por parte das lutas sociais.
 
CC: E o que dizer da prefeitura e do governo de São Paulo?
 
EM: Não vejo nenhuma prefeitura do Brasil avançando muito nesse sentido. Existe uma tentativa de setores da Câmara Municipal de voltar atrás no plano diretor, fazer uma reformulação.
 
Também existe uma frente dos movimentos sociais defendendo o plano diretor, porque ele contém alguns instrumentos do Estatuto da Cidade que não foram sequer regulamentados pela prefeitura, que por sua vez já quer mudá-lo. Então, estamos numa queda de braço em várias cidades brasileiras em relação à aplicação do Estatuto, que significa a democratização do acesso à terra e à moradia.
 
CC: E em relação às ocupações recentes de moradias por movimentos sociais, podemos considerá-las como uma luta importante?
 
EM: Acho importantíssimo. Mas deve-se desligar isso da luta eleitoral e partidária. Acho que os movimentos têm de saber o que reivindicam e para quem, se querem ter sucesso. E, evidentemente, todo movimento de massa depende de algum sucesso imediato, mesmo que seja por um objetivo mais profundo, como a transformação da sociedade.
 
Por exemplo, permitir terra urbana do governo federal, desde que seja da União, é um descompasso, pois a gestão fundiária urbana é de competência constitucional do município.
 
CC: Você vê alguém empenhado seriamente em políticas de habitação?
 
EM: Existe um avanço, como no processo de urbanização de favelas, em várias partes do país, agora existe o Fundo Nacional de Habitação e Interesse Social, que recebeu um dinheiro pequeno, mas que já abre algumas possibilidades. No entanto, o fato é que temos a política habitacional atrasada e eu atribuiria este fato às políticas fundiárias urbanas.
 
CC: Há maneiras de se associar a falta de política habitacional e urbana ao trânsito cada vez mais caótico da capital paulista?
 
EM: Vamos deixar clara uma coisa: as cidades brasileiras não estão desse jeito por falta de planos e leis. Estão assim porque, quando a lei e/ou plano não interessam aos governantes de plantão, não são aplicados. É difícil aplicar alguma coisa que contrarie o poder local, a Câmara Municipal e até o Judiciário, no que se refere à propriedade da terra.
 
O transporte, que aliás é muito pouco público, porque se paga , e caro, também foi abandonado nesses últimos 28 anos. O que a ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos) está mostrando? O aumento de viagens da TAM, uma diminuição relativa do número de usuários dos transportes públicos, caros e de má qualidade, e o aumento do parcelamento para compra de automóveis.
 
Portanto, o que temos é uma situação de tragédia nos transportes coletivos do Brasil todo. Tragédia mesmo. Quem mora na periferia não sai de lá, vive em uma espécie de exílio, pois não há transporte e o que há é caro e ruim. Desta forma, eu diria que a maior tragédia que vivemos é essa, a da mobilidade na cidade, e isso se deve à falta de investimento.
Por: Escrito por Gabriel Brito – Correio Da Cidadania

Written by Página Leste

24 de abril de 2008 at 9:26

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Ameaça à soberania é argumento de ‘má fé’ contra demarcação contínua de Raposa Serra do Sol

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Em face das recentes disputas entre índios e arrozeiros invasores pelas terras de Raposa Serra do Sol, em Roraima, o Correio da Cidadania entrevistou Egon Heck, coordenador do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) no Mato Grosso do Sul, para tentar esclarecer alguns fatores que cercam a questão.
 
Para Egon, que desqualifica os argumentos de que a soberania nacional estaria ameaçada, os índios têm total e histórico direito à terra reivindicada, e sua luta serve de exemplo para todo o povo brasileiro. Além disso, também faz alertas em relação à violência praticada por empresas donas de grandes propriedades contra os povos indígenas, destacando que os arrozeiros não estão preocupados em colaborar com a economia da região, e sim com interesses econômicos privados.
 
Correio da Cidadania: Qual sua opinião sobre a demarcação contínua?
 
Egon Heck: Com relação à Raposa Serra do Sol, tenho um sentimento claro de que é um direito dos povos brasileiros que foram invadidos, tiveram suas terras tomadas. Temos respaldo na Convenção 169 da OIT, na declaração dos direitos dos povos indígenas, E na própria Constituição.
 
Com todos esses fatores, não restam dúvidas de que as terras pertencem aos povos Makuxi, Wapixana, Ingaricó, Taurepang, Patamona, enfim, todos os povos que lá habitam.
 
CC: O que você pensa dos argumentos, essencialmente defendidos pelo Exército, de que a soberania do país estaria ameaçada com a demarcação contínua, especialmente em uma área de fronteira?
 
EH: Eu creio serem de má fé, ou algum tipo de informação tendenciosa. É absurdo, sob o aspecto sociológico e político, que a demarcação da terra indígena possa ser uma ameaça à soberania do país. Tanto é absurdo que, por se tratarem de terras indígenas, são propriedade da União. Isso significa que são áreas duplamente protegidas, que trazem mais segurança ao país.
 
Aliás, propriedades privadas de grandes multinacionais deixam que se estabeleçam nessas terras grupos de fachada que tentam defender essa situação, como os próprios arrozeiros, que são pontas de lança dessas argumentações falaciosas de que a terra indígena colocaria em risco nossa soberania e prejudicaria a economia.
 
A soberania do país há muito tem estado em risco, mas não por causa dos índios, pelo contrário. Na luta pela soberania do país, os próprios Makuxi têm ajudado, com argumentação jurídica de que aquela terra, enquanto terra do Brasil, é de direito pleno dos índios. Toda essa questão desmonta de maneira cabal qualquer tipo de argumentação, que foi colocada de má fé no meu ponto de vista.
 
CC: Há alguma legitimidade nos interesses defendidos pelos arrozeiros?
 
EH: Eles, a rigor, são umas seis pessoas da área, representando talvez 60 políticos e grupos econômicos, que por sua vez representariam uns 600 tipos de interesses econômicos nacionais e internacionais. Todos esses, juntos, fecham o cerco em relação aos índios, afrontando até a Constituição do país. Na verdade, os arrozeiros encarnam esse pequeno grupo de interesses econômicos e políticos.
 
CC: Existem ainda as argumentações de que Raposa Serra do Sol estaria inviabilizando a economia do estado.
 
EH: Fala-se isso também. É outra mentira deslavada, pois ela representa 7% do território do estado apenas e, mais do que nunca, os próprios Makuxi têm demonstrado capacidade de se colocar a serviço da própria economia regional. E tanto é mentirosa essa argumentação que os próprios arrozeiros não cumprem a Constituição e tampouco produzem para o país.
 
Portanto, é totalmente mascarada a argumentação de que querem permanecer ali para fortalecer a economia do estado. Poderiam fazer isso em várias outras áreas, que inclusive foram colocadas à disposição deles.
 
CC: E qual a sua avaliação sobre a posição do governo, do Cimi e da Funai em toda a questão?
 
EH: Tenho a impressão de que há uma convergência nas posições do ministro da Justiça, Tarso Genro, do presidente Lula e do presidente da Funai, no sentido de desmascarar as argumentações que tentam criar um clima de banditismo na região, afrontando as próprias leis do país. Isso, evidentemente, é colocado com muita maestria e fundamentação pelas mais distintas posições que vejo em vários órgãos e claro que essa argumentação é sólida, baseada nas leis e na Constituição do país.
Tenho acompanhado toda essa trajetória dura, na qual algumas organizações lutam há mais de 30 anos, sofrendo atentados, assassinatos, e tenho acompanhado principalmente o processo organizativo desse povo nas grandes assembléias que realizam. É um processo muito sério na defesa e luta por seus direitos, o que é uma demonstração – não só em Roraima, mas em todo o país – da importância que têm todos aqueles cujos direitos originários e constitucionais devem ser respeitados. E só o serão na medida em que a população tiver consciência e também lutar por isso.
 
Pode-se dizer que se trata de um exemplo heróico para o nosso país, de um povo que durante 30 anos lutou, teve diversas lideranças assassinadas, casas queimadas, prisões, mas que ainda está aí, de cabeça erguida e altivo, exigindo seus direitos.
 
CC: Pensando na Funai mais especificamente, como você avalia o papel que ela tem desempenhado nos últimos dois, três anos?
 
EH: Acho que a última presidência da Funai tem demonstrado uma disposição que não se via anteriormente. Uma clareza política na luta pelos direitos indígenas, que significa também que, dentro do estado, há interesse na questão. Apenas lamentamos que seu sucateamento histórico nos últimos anos não lhe dê força política suficiente para fazer o enfrentamento que deveria.
 
Acredito que, do ponto de vista do discurso político, sem dúvida tem demonstrado uma clareza e coerência muito grandes. Porém, nos resultados, sua eficácia tem sido muito tímida.
 
CC: Você acha que a situação pode acabar enveredando para confrontos graves?
 
EH: Existem vários cenários possíveis. Espero que a irracionalidade não prevaleça nesse grupo que tenta tumultuar um processo tão claramente construtivo, conduzido em todos os níveis na legalidade, e que agressões tão vãs contra esse povo não ocorram, incluindo a tentativa de se criar um clima de terrorismo na região.
 
Que isso não permaneça, porque creio que todas as apelações praticadas por eles, de arregimentar forças, pagar mercenários para brigar com os índios e incentivar um derramamento de sangue, são de uma covardia enorme. Isso tudo só mostra a falta de caráter e, efetivamente, de coerência e boas intenções dos arrozeiros.
Escrito por Gabriel Brito e Valéria Nader _ Correio Da Cidadania   

23-Abr-2008

Written by Página Leste

24 de abril de 2008 at 9:23

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Lideranças da Zona Leste fazem formação cidadã

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Mais de 170 lideranças estiveram reunidas na manhã do dia 05/04 nas dependências da Escola Municipal 8 de Maio para o início das atividades do Zona Leste Cidadã; projeto de formação de lideranças definido pelo Grupo de Estudos Águia de Haia. Na ocasião tiveram uma visão geral do como está organizado o Estado, um breve histórico do desenvolvimento da cidade e da zona leste.
O grupo de Estudos Águia de Haia foi criado por quase trinta entidades que se reuniram inicialmente nas dependências do Sesi – Cat Mário Amaro entre fevereiro e março deste ano. O objetivo do grupo de estudos é capacitar os participantes das entidades para dominarem as exigências e os projetos existentes no Plano Diretor Municipal para a região e que, ainda durante o período eleitoral, estará se reunindo com os eventuais candidatos para que tomem conhecimento dos anseios da comunidade organizado pelo grupo.
O curso de Formação Cidadã foi decidido pela comissão de Estudos Estratégicos do grupo formado basicamente pelo professor Valter de Almeida, diretor de Educação do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste, pelo diretor da associação de comerciantes da C. A. E. Carvalho e do Instituto Educar para a Paz, José Gerry, pelo diretor de escola municipal, professor José Carlos C. de Lima. O jornalista e diretor do FDZL e do Instituto Educar para a Paz, J. de Mendonça Neto, colaborou a distância.
Durante o primeiro encontro os presentes ouviram a exposição de Vitor e Maurício, da Escola de Governo sobre como se organiza o Estado e as exposições do professor José Renato, coordenador do Curso de Gestão de Políticas Públicas da USP Leste que explicou o desenvolvimento da cidade de São Paulo nos últimos dois séculos e da pesquisadora da mesma instituição Mônica Virgínia de Souza com a exposição do seu trabalho A Cidade e suas Periferias que falou brevemente sobre bairros da Zona Leste.

No dia 12, às 9 horas na mesma escola o curso de Formação Cidadão tem continuidade e, segundo o professor Valter de Almeida, mesmo os que não puderam comparecer na aula inaugural poderão participar. Ele apenas pede a confirmação antecipada do interessado pelo e-mail forumdesenvolvimentozonaleste@yahoo.com.br, para que os organizadores possam preparar uma infra-estrutura adequada.
 

 
 

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:56

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Frente parlamentar discute prolongamento da Jacú Pêssego

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Ainda atrás de maiores esclarecimentos sobre os impactos que serão causados pela extensão dos 9 quilômetros da Avenida Jacu Pêssego em direção à cidade de Mauá, dentro do projeto que visa ligar o aeroporto de Cumbica em Guarulhos ao porto de Santos no litoral Sul, dezenas de pessoas participaram de mais um debate promovido pela Frente Parlamentar em Defesa da Zona Leste que reúne vereadores da cidade. O evento ocorreu dia 08/04 na Câmara Municipal.
Para dar explicações, estiveram presentes, além de alguns técnicos de órgãos dos governos estadual e municipal, o secretário adjunto da Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Obras da Prefeitura de São Paulo, Marcos Penido e Paulo Vieira de Souza, diretor de Engenharia da Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A. Penido fez uma exposição genérica sobre o significado da obra através de exposição audiovisual e o representante da Dersa detalhou o projeto e respondeu as perguntas dos presentes, principalmente no que diz respeito aos critérios de desapropriação de casas e estabelecimentos comerciais que serão afetadas pelo prolongamento da via.
Não sem antes lembrar que a operação Jacu Pêssego visa o desenvolvimento local, por isso estão previstas outras intervenções dos governos na região como, por exemplo, na área da educação, a exposição em audiovisual da Dersa deu uma idéia mais aproximada onde efetivamente está proposto desapropriações. A presença de lideranças locais que indagavam sobre locais específicos à medida que eles iam sendo apresentados no telão fez com que o representante da Dersa fosse incitado a dar detalhes que foram retomados logo depois no debate. Antes da exposição específica sobre o prolongamento da Jacú Pêssego um pequeno filme indicava a pretensão da Dersa em uma série de importantes intervenções na cidade de São Paulo; obras previstas para os próximos anos, a exemplo do próprio prolongamento da Jacú Pêssego que, apesar de já iniciada, deixa para a partir do próximo ano, segundo o seu cronograma, as ações mais impactantes, talvez pela necessidade de se aguardar os resultados eleitorais deste ano que decide quem dirigirá a cidade no próximo período.
Entre as exposições e debates, os vereadores presentes: Paulo Fiorilo que coordenou a mesa, Beto Custódio e Francisco Macena, todos do PT e Gilson Barreto (PSDB) teceram comentários e deixaram perguntas em aberto para as respostas dos representantes dos governos. Macena, por exemplo, questionou os valores de indenização para as famílias desapropriadas que ainda não estão totalmente definidos, no que foi apoiado por grande parte dos presentes; pessoas que moram ou tem atuação comunitária nos locais onde estão previstas desapropriações. O vereador Beto Custódio alertou para os riscos e os prejuízos ambientais do projeto, entre outras indagações.
Durante as respostas Paulo Vieira, da Dersa, que além de chamar para a empresa que representa a responsabilidade pelas negociações e eventuais indenizações, disse que os valores ainda estão em abertos, mas que a experiência com as desapropriações para a construção do rodoanel tem indicado que as famílias removidas têm ficado satisfeitas com as negociações. Quanto ao impacto ambiental foi mais incisivo, e para demonstrar os cuidados com esse aspecto da questão, deu como exemplo o compromisso de que para cada árvore removida seriam replantadas ou repostas no mínimo o dobro da quantidade. Falou também do Pólo Cultural e Ambiental que está proposto para a Vila Jacuí dando garantia da sua entrega.
Aberta a participação dos presentes; dúvidas quanto aos diferentes critérios para as indenizações foram mencionadas. A necessidade de manter canais abertos de negociação e acompanhamento das obras também foi sugerida por lideranças locais: Hamilton Clemente do Jardim da Conquista e Luiz Barbosa, ex-administrador regional da Penha. Para outras lideranças as dúvidas ainda sobre as desapropriações eram como seriam tratadas as áreas ocupadas por comércios. Segundo o representante da Dersa “da mesma forma que as residências e com valores iguais”, sentenciou.
A possibilidade de toda a obra parar por conta da eleição de novo prefeito ainda este ano foi lembrada por este repórter que indagou como ficaria o papel do Estado com a possibilidade de uma situação adversa. “Naturalmente a eleição de um prefeito é uma ação soberana e de fato só o prefeito legitimamente eleito é que define a continuidade ou não das obras”, registrou.
Ao final o representante da Dersa colocou-se a disposição dos presentes para maiores esclarecimentos e outras oportunidades. A primeira já está agendada. Uma conversa com os membros da Comissão de Política Urbana. Metropolitana e Meio Ambiente, segundo informou o vereador Francisco Macena (PT), um deles. (JMN)

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:52

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Zulaê Cobra diz que pode sair candidata a prefeita

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A ex-deputada federal Zulaê Cobra visitou a redação da Gazeta de São Mateus, na tarde do dia 00/00, agora na condição de presidente municipal do Partido Humanista da Solidariedade – PHS, partido com sete anos de existência no país e apenas 4 ou 5 anos na cidade de São Paulo. “É pequeno, mas me recebeu de braços abertos. Quero um partido que me ame”, foi explicando as razões porque cansou de partidos onde as divergências internas não têm espaços e onde as lideranças não deixam as novas aparecerem.
Por isso saiu do PSDB. No entender de Zulaê o partido deveria se comportar como oposição no governo do presidente Lula. “Passei quatro anos em Brasília, praticamente sozinha fazendo oposição e todos os líderes do meu partido se comportavam de forma diferente. A maioria deles apóia o Lula”, reclama a dirigente que gostaria que o PSDB ouvisse, segundo ela, o clamor das ruas. “Não éramos governo e temos que ser oposição vigilante, fiscalizadora, o que não vinha ocorrendo”, conclui.
Zulaê também se decepcionou com o tratamento recebido em São Paulo. Queria ser a candidata ao senado, mas por conta da articulação do atual governador Serra, foi preterida em nome do Guilherme Afif Domingues que também não foi eleito, derrotado pelo senador Eduardo Suplicy (PT). “Meu desejo era e é tirar o Suplicy do Senado. Nada pessoal contra ele, mas como político para São Paulo é uma decepção”, frisa Zulaê. Como já antevia a questão da fidelidade partidária e com cada vez mais dificuldades de permanecer no PSDB, Zulaê não se candidatou; até agora, pelo menos.
A visita feita à redação; o primeiro jornal que ela visita; e ela mesma reconhece é a forma de apresentar sua pré-candidatura a Prefeitura de São Paulo pelo minúsculo partido. Antes de enveredar por essa questão, a entrevistada não poupou críticas ao PT, a qual chamou de partido da boquinha; criticou a tolerância com inclusive o ex-governador do mato Grosso, Zeca do PT, “um homem que roubou assustadoramente”, além de relacionar alguns escândalos que sumiram da mídia, mas para ser fiel aos fatos são objetos de inquéritos no judiciário; o caso do suposto mensalão é um exemplo.
Enfática considera que atualmente não existe uma oposição forte e capacitada ao governo d o presidente Lula. “Aécio Neves e o Serra, são amigos do Lula até porque eles têm medo de ser podado na hora dos orçamentos. Não existe oposição atualmente”, sustenta.
Eleições municipais
Confiando que é possível reverter esse quadro a partir da disputa na cidade de São Paulo, Zulaê lembra que entre os nomes lembrados para candidatos à Prefeitura de São Paulo deste ano, apenas o dela é o que não esteve no Executivo. “Marta, Maluf, Erundina, Alckmin e mesmo o Kassab, todos já foram do executivo e pouco mudou. Se vier a ser candidata a coisa vai ser diferente”, alerta, lembrando que seria bom para a cidade ser dirigida por uma mulher: “mas uma mulher diferente não a Marta que é dondoca e a Erundina que é boa na oposição”, registra.
Indagada pela reportagem sobre os principais problemas da cidade, destacou a questão do trânsito e de forma genérica apontou para a necessidade de reciclagem dos funcionários da CET e da prefeitura para atender e orientar, antes de multar. Também apontou a necessidade de mais gente trabalhando no gerenciamento e operacional de trânsito. Criticou ainda a atual gestão com seu projeto de embelezar o centro de São Paulo e citou o desperdício dando como exemplo a Praça da Sé: “agora só se encontra traficantes, usuários de drogas e gente desocupada, nos diversos horários. A cidade está ficando bonita, mas para quê? Deveria haver estímulo para as pessoas morarem naquela região”, explicou.
Tida como uma mulher brava e dura seguiu nas críticas: contra os pedágios no centro; contra as palmeiras que foram plantadas na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy; contra o número de taxistas da cidade, segundo ela 35 mil quando deveriam ser em quantidade maior. Ninguém estava ileso da língua afiada de Zulaê Cobra. “O prefeito tem que estar é nas comunidades, passar pouco tempo em gabinetes e fazer visitas surpresas”. Ainda criticou a saúde “um direito do cidadão que não está sendo garantido pelo Estado” e, principalmente a velha fórmula de entregar obras no ano eleitoral, apesar das restrições da legislação.
Perguntada sobre o que faria na saúde, educação foi evasiva e apontou a necessidade de valorização e a reciclagem dos profissionais das duas áreas. Voltando as críticas falou sobre dados que indicam uma alta média de falta dos professores em sala de aula e que isso precisaria mudar.
"Quero discutir e ampliar a participação das mulheres", enfatiza
Falou ainda sobre os direitos das mulheres, como a Lei Maria da Penha que, entretanto, segundo ela ainda não é do conhecimento de todas “A mulher não lê o código, ela ainda não sabe da Lei e não têm informação nesta sociedade machista”, declarou. “Quero discutir a participação das mulheres que já é uma realidade e fazê-la avançar ainda mais”, declara.
Deu exemplo de tipos de mulheres dirigentes. De comportamento criticável: a governadora do Pará Ana Júlia de Vasconcelos Carepa e a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins ambas do PT e como mulher “ponta firme e que hoje domina a política naquele estado” a governadora do Rio Grande do Norte Wilma Maria de Faria (PSB). Zulaê, entretanto entende que a mulher cresceu, se valorizou, buscou seus ideais e que vão ter um futuro político brilhante “junto com os homens, não contra eles”, ressalva.
Finalizando disse que São Mateus, no caso de eleita se vier a ser candidata, vai ser muito valorizada. “Vamos trabalhar com a população e a comunidade; de forma humana e solidária como está escrito no nosso partido”. E avançou com a idéia de chamar umas 500 mil mulheres para ajudá-la na Prefeitura, embora não detalhasse como. Falou ainda que além de vontade política, reciclagem e preparo é preciso ter ânimo para trabalhar no serviço público.

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17 de março de 2008 at 10:27

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2007: economia sustentou o governo Lula

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Olhando para a economia nacional, o ano de 2007 foi muito positivo para o Brasil. O resultado final do crescimento do PIB ainda não foi divulgado, mas as estimativas mais rigorosas já são de algo em torno de 5% em relação ao ano de 2006, podendo até ser maior. A taxa básica de juros (Selic) ainda é muito alta, entretanto, em termos reais é a menor dos últimos 30 anos e a mais baixa da história. Atingindo a menor taxa, desde que começou a ser medido pelo IBGE, o desemprego dever fechar na casa dos 7% da população economicamente ativa. O reflexo desta situação pôde ser visto nas vendas de Natal com o comércio varejista projetando um crescimento recorde de cerca de 10% em relação ao ano anterior. Conclusão: o melhor Natal dos últimos 10 anos.
É essa economia que sustenta a alta popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também fechou o ano com aprovação recorde, em um patamar superior aos 60%, o mesmo capital político que conquistou durante a reeleição quando disputou com Geraldo Alckmin (PSDB).
Quando falamos em taxas, parece que estamos falando de fantasmas, além do que, o Brasil já cresceu bem mais em outras ocasiões sem que isto tivesse revertido em benefícios para a população mais pobre e carente. Essa é a diferença agora. Em números reais, o fato é que, desde a posse de Lula em 2003, 20 milhões de brasileiros migraram das classes D e E da população para a C. Continuam pobres, mas já não são miseráveis. O aumento de crédito tem deixado os brasileiros endividados, mas tem permitido aos mais pobres o acesso a bens de consumo que eles não teriam de outra forma. É um salto no nível de vida dessas pessoas. Segundo o comércio, nunca se vendeu tanto eletrodoméstico, computador e até mesmo automóvel no país como em 2007; movimento para cima que se deve em boa parte à política de estímulo ao crédito do governo federal.
Mesmo assim há dois tipos de crítica que se pode fazer à política econômica de Lula. Para os tucanos, o país está perdendo uma série de oportunidades porque poderia crescer muito mais se aplicasse à ferro e fogo o receituário neoliberal e a “boa gerência” que para os tucanos se traduz em mais privatizações, corte de gastos sociais, diminuição do tamanho do Estado e uma gerência mais rígida das contas públicas. O PSDB ainda sustenta que o governo vai bem, mas que não é por méritos próprios e sim porque a economia mundial vive um momento excepcional, um argumento duvidoso e estranho uma vez que o Brasil não se abalou com a crise que atingiu o capitalismo mundial em agosto, a partir das hipotecas de alto risco, as chamadas subprimes. Desta vez, diferente do que pregavam os tucanos, o Brasil não foi nem de perto afetado pelo mau humor dos mercados financeiros.
Na outra ponta, a crítica da esquerda radical ao governo federal parte do pressuposto diametralmente oposto ao dos tucanos e dos democratas do DEM. Para o pessoal do PSOL, PSTU e mesmo parcela do PT, o pecado de Lula é manter o modelo herdado de Fernando Henrique, o que é parcialmente uma verdade. O grande problema desta crítica é não apresentarem alternativas ao que vem sendo feito. Dívida externa e rompimento com o FMI já foram resolvidas pelo atual governo que já pagou o que devia ao Fundo e ao Clube de Paris rompendo, sem nenhum problema, os laços com o FMI. Além disso, é sabido que a dívida externa é quase toda ela da iniciativa privada e não mais do governo. Sobre a dívida interna, esta, sim, um grande problema não se ouve palavra dos críticos à esquerda.
Já na grande política nenhuma grande novidade, o governo ampliou sua base no Congresso formando uma maioria nem sempre estável, como ficou provado na única votação que de fato importava: a prorrogação da CPMF. É bem verdade que nem o governo se esforçou tanto, pois a perda do imposto do cheque deverá ser compensada com o aumento de impostos e cortes no Orçamento dos próximos anos. Aparentemente a aposta desse governo são os vários PACs, que significam obras a rodo, com foco na infra-estrutura que permita o crescimento econômico do país. Se o cenário internacional não mudar, nada indica que o presidente veja diminuída sua popularidade com alguma chance até de fazer o sucessor. Por enquanto, especialmente após o resultado do plebiscito venezuelano, a hipótese de um terceiro mandato, sempre negada pelos arautos do governo está descartada, mas poderá voltar à tona se nenhum nome do PT se firmar com condições de vencer em 2010. Fora isso, uma árdua caminhada rumo a uma candidatura parcialmente de consenso na base aliada.
No campo da oposição o destaque foi a firme atuação do DEM, que comandou o movimento contra a CPMF em meio aos vacilos do aliado PSDB. Ao lado do PSOL à esquerda, o DEM vai se firmando como partido de oposição apesar de já ter perdido vários parlamentares para a base aliada. O problema do DEM é a falta de uma liderança popular expressiva com viabilidade em uma eleição presidencial. O problema do PSOL, ainda em fase de crescimento é a demasiada dependência da liderança de Heloisa Helena, que tem se posicionado de forma bastante autoritária dentro do próprio partido. (JMN)

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31 de janeiro de 2008 at 8:27

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Câmara debate projeto que visa desenvolver a Zona Leste

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A Frente Parlamentar Pelo Desenvolvimento da Zona Leste, composta de 17 vereadores de diversos partidos, promoveu no dia 6, na Câmara Municipal, uma plenária para discutir o projeto de lei no 746/07, do Executivo que modifica alguns pontos da Lei 13.833/04, criada na gestão Marta Suplicy, que cria incentivos fiscais às empresas que queiram investir e gerar empregos na Zona leste.

O projeto de lei foi apresentado oficialmente pelo prefeito Gilberto Kassab, no dia 25 de outubro, no auditório da subprefeitura de Itaquera e chegou para apreciação dos vereadores logo depois. A iniciativa do debate partiu do presidente da Frente, vereador Paulo Fiorillo (PT) que avisou que aquele era o primeiro de vários debates que serão promovidos antes da votação.

Representando a Câmara estavam também os vereadores Chico Macena e Senival (PT); Cláudio Prado (PDT); e Gilson Barreto (PSDB). Para falar sobre o projeto de lei, representando o Executivo estiveram na mesa o assessor do prefeito e membro do Comitê de Desenvolvimento do Município, José Alexandre Sanches; e o assessor da Secretaria Municipal de Planejamento (SEMPLA), Nivaldo Bósio.

Sanches explicou o projeto de lei encaminhado à Câmara. “Havia necessidade de uma lei atualizada de incentivos e estamos propondo esta para atrair investimentos na zona leste e criar também conjuntamente uma política de capacitação de mão-de-obra. Em uma área próxima ao Metro Itaquera será instalada uma FATEC e uma escola do Senai”, esclareceu. Para ser aprovado o projeto terá de passar pelos critérios estabelecidos por um pequeno comitê executivo e terá como eixo principal a geração de novos empregos.

Os incentivos a que se referia o assessor serão concedidos em forma de descontos no ISS, no IPTU devido e no ITBI (Imposto de Transmissão de Bens e Imóveis). O investimento mínimo de acordo com o projeto de lei é de R$ 50 mil e os incentivos podem chegar a 60% para indústrias e serviços e até 40% para comércios, resumiu o assessor.

O vereador Chico Macena criticou o projeto tal como ele se encontra, principalmente no que diz respeito à diminuição da área de abrangência que privilegiou a área de Itaquera. A área representa apenas 10% da área que era abrangida na lei anterior. Perguntou também sobre que tipo de atividade seriam ali instaladas e se gerariam os empregos em quantidades que justificassem o projeto. A resposta do assessor indicava que primeiro é preciso abrir a possibilidade das empresas se interessarem por se instalarem na zona leste para na analise dos projetos ver se ele contempla a ampliação das vagas.

Por parte da platéia ficou a lembrança de que teriam que ser contempladas as empresas já instaladas e o assessor respondeu positivamente para os casos em que os projetos gerem, de novo, novas vagas. Indagado sobre, uma possível, micro guerra fiscal entre as regiões de toda São Paulo que poderiam reivindicar incentivos iguais, José Alexandre respondeu que a atual administração tem intenção de adotar o mesmo procedimento em outras regiões.

Na condição de coordenador dos trabalhos, o vereador Paulo Fiorillo sistematizou os questionamentos e as respostas e deu por encerrada a primeira plenária para discutir o projeto de incentivo fiscal para a zona Leste.

 

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17 de novembro de 2007 at 13:22

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Diretoria da Associação se queixa de oportunismo político

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Estivemos mais de uma vez no gabinete do Gilson Barreto para se somar conosco no Conselho para trabalhar junto, convidamos oficialmente para tomar parte e se posicionar. Ele nunca foi. Dizia que não ia ao Conquista para não ser trucidado. Ele acha que a gente bate forte.

 

A diretoria está aberta às divergências durante a campanha tínhamos três chapas. A associação hoje não é mais uma locação de assessores políticos. As portas estão abertas para as lideranças, independente de quem eles apóiem.

 

Para comemorar o 18º aniversário do bairro, a Associação dos Moradores do Jardim da Conquista realizou uma festa no dia 20/10 na Travessa Noite Cheia de Estrelas com Travessa Três Pingos d´Água, próximo a Igreja São Miguel, entre os atrativos estava sendo sorteada uma bicicleta, através de preenchimento de um cupom que deveria ser colocada nas urnas durante a festa.

 

A diretoria da Associação dos Moradores do Jardim Conquista que comemorou recentemente o seu 18º aniversário de fundação visitou a redação para informar que a comunidade está contente com a assinatura dos contratos com a Cohab que darão futuramente a posse definitiva de seus lotes no bairro.

Estiveram presentes o presidente Laércio José de Souza e os secretários José Milton Nunes e Deise Aquiles que foram eleitos em votação aberta e tomaram posse no dia 9 de setembro último. Eles também participam do Conselho Gestor de Regularização formado especialmente para acompanhar todo esse processo.

Segundo Laércio explicou as primeiras parcelas começaram a ser pagas a partir de 10 de novembro e as parcelas terão reajustes anuais pelo índice da Fipe – Fundação de Pesquisas Econômicas da USP. Os valores são diferentes a depender de onde estão os lotes. Na avenida principal Somos Todos Iguais o valor a ser pago será de R$ 107,46 por metro quadrado. Para o pagamento à vista haverá um desconto de 15% sobre o valor total, mas os lotes podem ser pagos em até 100 prestações. Ainda segundo Laércio a média dos preços está em R$ 5 Mil; nas áreas mais nobres podem chegar a 8 ou 12 Mil reais. Para exemplificar cita que a área onde está localizada a associação alcançou o valor de 18 Mil Reais. Nesse caso a direção da associação está negociando com a Cohab a cessão de posse definitiva gratuitamente.

Para Deise Aquiles foram 5536 lotes regularizados nesta primeira etapa. Estão previstas mais duas etapas que vão ser as áreas de risco e fundo de vale em algumas partes onde está previsto a extensão da Jacu Pêssego. Por enquanto a Cohab ainda estuda os casos onde houve por parte dos ocupantes contestação sobre as metragens. A Cohab e a Resolo estão avaliando esses casos. Ainda segundo Deise, a Cohab se comprometeu a chamá-los para tratar das outras etapas.

Mas como quando se trata de Jardim da Conquista nem tudo são flores, a atual direção da entidade reclama das eventuais iniciativas paralelas que são feitas por algumas lideranças, inclusive algumas que estiveram em outras diretoria da entidade que acabam dividindo e criando confusão no seio da comunidade. Deise chega a citar Tauá, Dona Vera, Reis e Luiza como algumas pessoas que estão se comportando dessa forma. “Apesar de convidados não participaram nem da comemoração de aniversário da associação”, reclama, mas insistindo que a diretoria quer a colaboração deles. Para a diretoria interesses partidários de algumas lideranças acabam interferindo na possibilidade de um trabalho conjunto.

Queixa mesmo sobrou para o vereador Gilson Barreto, cujos apoiadores andam espalhando que a regularização, que a propósito nem está acontecendo agora, seria obra do vereador. O que eles dizem efetivamente é que em mais de uma ocasião o que se viu foi o vereador querendo pegar carona na janelinha num trem que já estava andando. Para justificar a insatisfação, Deise informa que o plano de trabalho já estava fechado com a Cohab desde 2004. “Ficamos chateados sim com essa tentativa de pegar ganho nessa luta para se auto promover. O vereador poderia estar trabalhando junto com a associação. Agora se aproveitar da luta dos outros é errado”, sentencia. Para completar falam do comportamento exemplar que o deputado estadual Adriano Diogo tem tido com a luta daquelas lideranças, para evidenciar dois formas diferentes de atuar.

A diretoria ainda lembra que sem o Conselho Gestor que foi constituído em fevereiro de 2007, a não ser que ele seja destituído, nem o prefeito pode assinar a regularização. “Precisa da aprovação do Conselho”, enfatizam.

Os preços, em 2004 eram diferentes. Saia em 66, 46 o m2 em 2004 em assembléia com a população em 12/12/04 dentro da Escola Carlos Correia Mascaro. Aumentou depois de três anos. Aumento de 80%. Agora com juros e correção, antes seria só com correção monetária. Pelos cálculos é ate vantajoso para parcelas alongadas. Teve muito aumento. Isso não tem nada a ver com o GB.

Ainda não estamos na fase de regularização, diz presidente da associação

Laércio explica que existe um TAC Termo de Ajustamento de Conduta. O Ministério Público que acompanhou a celebração desse termo opinou por um Contrato de Cessão de Posse com opção de compra. Por sugestão defendida pelo MP o que ser receberia pela aquisição dos lotes deveria ser aplicada em obras. “Estamos pagando as obras de melhorias que já foram embutidas no valor. A regularização é posterior. No site da prefeitura, por exemplo, tem uma matéria com o título ‘Sai à regularização do Jardim da Conquista’. Não é verdade. É propaganda enganosa. Não saiu a regularização porque ainda estamos montando o plano urbanístico do bairro que precisa ser aprovado para depois regularizar. O prazo dado pelo MP é até 2009”, esclarece.

Segundo o presidente da associação outra informação pertinente é o aumento de preço que houve desde a assembléia realizada em 2004 com a população na Escola Carlos Correia Mascaro. “Houve um aumento nos preços dos lotes na ordem de 80%. Antes era só correção monetária agora temos também juros. Antigamente os preços do metro quadrado não atingiam 70 Reais”, esclarece.

O que pretende a diretoria com o ânimo renovado

Indagados a respeito os diretores informaram que a associação mantém abertas suas portas e a cada 15 dias realiza chá com bate papo onde podem ocorrer palestras, dinâmicas diversas, bingos, etc. Buscam ainda ampliar a cota de leite e até mesmo o tradicional sopão deve voltar. “Vai depender da regularização dos documentos recentes da associação que deve acontecer nos próximos dias”, explicam.

A associação do Jardim da Conquista, a exemplo de outras entidades vem mudando o seu perfil. Se num tempo não muito distante a associação estava envolvida em lutas reivindicatórias agora ela está mais assistencialista embora ainda precisem lutar pela instalação de uma lotérica ou agência bancária; grandes ausências do bairro.

Devido à intensa ocupação do seu espaço, não se preservou espaços públicos para equipamentos públicos e é com essa realidade que aquela comunidade tem que conviver embora entre outras tarefas a associação se debruce sobre alternativas para essa situação. “O Jardim da Conquista se iniciou com uma ocupação, com algum planejamento, entretanto com o passar do tempo começaram a ocorrer uma série de invasões que inviabilizou a reserva desses espaços”, esclarecem ao mesmo tempo em que lembram de um pedaço de fundo de vale que foi aterrado recentemente, mas que de uma hora para outra começaram a construir novamente no local.

Outra observação é que não se sabe ao certo o número de habitantes do Jardim da Conquista, entretanto, especulam algo em torno de 55 mil, o que só o censo oficial poderia confirmar. Ao final reconheceram a cobertura honesta e isenta que o jornal Gazeta de São Mateus tem dado às questões do Jardim da Conquista.

Written by Página Leste

17 de novembro de 2007 at 13:19

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