Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for the ‘Notícias e política’ Category

Falhas nos conselhos tutelares pode diminuir com apoio e melhor formação

leave a comment »

Em dez anos de funcionamento, pouco ou quase nada tem se ouvido falar sobre a ação dos conselheiros tutelares no Brasil todo que sabidamente enfrentam enormes dificuldades para exercerem seus mandatos com pouca ou nenhuma estrutura de funcionamento; baixa compreensão até mesmo dos poderes públicos sobre o papel do conselho. Bastou um grave incidente que, após a recomendação de conselheiro para que duas crianças voltassem ao convívio dos pais que, posteriormente foram assassinados tendo como principais suspeitos o pai e madrasta para que se levantem discussões sobre a competência dos conselheiros.

Claro que esse caso está na ponta do iceberg e que outras tantas falhas tem sido cometidas pelos conselhos, entre eles a omissão em alguns casos e a falta de agilidade nos atendimentos, mesmo assim em possíveis dez anos de acerto os erros, se assim podem ser considerados, não pode jogar fumaça aos olhos de quem quer entender a questão.

Uma das principais inovações da Lei 8.069/90 do ECA foi a previsão da criação dos conselhos tutelares. Pela lei eles são órgãos permanentes, autônomos, de caráter não jurisdicional, encarregados pela sociedade para o cumprimento dos direitos de crianças e dos adolescentes definidos na Lei, sem a necessidade de submeter os casos a Justiça da Infância e Juventude.

Dez anos da entrada em vigor do Estatuto e os conselhos tutelares ainda são quase ilustres desconhecidos por grande parte da população e pelos próprios governantes municipais que não têm o exato entendimento de sua finalidade, atribuições e poderes, enfim, sua natureza jurídica.

Diz o artigo 132 da Lei n o 8.069/90 que o Conselho Tutelar será composto de 05 (cinco) membros escolhidos pela população local em voto secreto, direto e facultativo aos eleitores do município. Mesmo que fosse uma outra fórmula é imprescindível que a população tome conhecimento e participe do processo de escolha, momento para a reflexão e a discussão das questões relativas à área da infância e juventude no município, a fim de que sejam escolhidas para a função pessoas realmente cônscias e comprometidas com o respeito à Lei, à Constituição à criança e ao adolescente.

Aqui surge um dos primeiros problemas relacionados à formação e composição do Conselho Tutelar, pois em certos municípios não se garante a mais ampla participação popular, seja através de restrições muitas vezes absurdas aos aspirantes ao cargo, seja através da falta de uma devida divulgação sobre o processo de escolha dos conselheiros tutelares.

Na contra partida das restrições outra anomalia tem sido verificada nas eleições recentes, notadamente na cidade de São Paulo. Não é de agora que muitos dos conselheiros eleitos só o são mais em função de sua ligação com partidos políticos do que pelo seu histórico no trato com a criança. A função de conselheiro tutelar é remunerada e objeto de desejo de diversas lideranças que já eram ou se transformam posteriormente em cabos eleitorais, sem sua maioria de vereadores já com mandatos.

Tudo bem que a função de conselheiro tutelar não é técnica, e embora sejam recomendáveis: o domínio do vernáculo, de conhecimentos teóricos mínimos acerca da Lei nº. 8.069/90, Constituição Federal e da legislação esparsa correlata à área infanto-juvenil, bem como alguma experiência no trato com crianças e adolescentes, exigências tais quais o diploma em curso de nível superior, vários anos na lida diária com crianças e adolescentes, porte de habilitação para conduzir veículo ou outras que estabeleçam restrições exageradas aos candidatos são totalmente inadequadas, pois apenas "elitizam" o Conselho e, segundo a prática tem demonstrado, pouco ou nenhum benefício acarretam ao funcionamento do órgão.

De qualquer forma o mais importante que mil pré-requisitos é a capacitação permanente do Conselho Tutelar, até mesmo para que os eleitos não tão habituados com o assunto possam se formar adequadamente. Para completar também deve ser promovida a articulação com os demais órgãos e autoridades existentes no município que prestam atendimento à criança e ao adolescente.

Tendo legitimidade do voto e preparo básico para lidar com as questões da criança e do adolescente diante das Leis, o Conselho Tutelar também deve ter em sua "retaguarda", uma equipe interprofissional, composta de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais que lhe irá proporcionar o suporte técnico necessário, seja através do fornecimento de subsídios para que o órgão possa deliberar acerca da(s) medida(s) mais adequada(s) à criança, adolescente e/ou família atendida, seja para a própria execução e acompanhamento da(s) medida(s) aplicada(s), com avaliações periódicas acerca da necessidade de seu incremento, modificação ou extinção.

Por parte do governo é imprescindível que o município mantenha uma estrutura adequada para o conselheiro tutelar, normalmente mal acomodados em salas até então ociosas nas subprefeituras ou outros lugares e no plano das políticas públicas uma estrutura mínima de atendimento à criança, ao adolescente e a suas respectivas famílias, com a criação e manutenção de programas de atendimento tais quais os previstos nos arts. 90, 101 e 129 da Lei nº. 8.069/90, para onde poderá o Conselho Tutelar encaminhar os casos atendidos.

Publicado no Gazeta São Mateus de 275 setembro de 2008

 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:42

Publicado em Notícias e política

Brasil – O exercício da cidadania em período eleitoral

leave a comment »

 "Escolha e consciência são uma só e mesma coisa" (Sartre – L’Etre et le Néant)
Em período de eleições municipais os políticos se lembram dos seus concidadãos e pedem votos, coisa normal para os candidatos. Todavia, é normal também que o eleitor ou eleitora se informe e se prepare para escolher os candidatos. Saber, por exemplo, que tipo de mandato exerceu o vereador ou prefeito, verificando que atividades e projetos foram realizados em beneficio do município. Inclusive se informar se houve relação de transparência na aplicação dos recursos públicos, afinal ele é contribuinte do município, tendo em vista que enquanto cidadão ele paga os impostos e algumas taxas que irão se constituir em receitas municipais. O cidadão não é um consumidor dos serviços prestados pela municipalidade ou governo estadual, ou federal. Ele é um cidadão com direitos e deveres. Como concidadãos devem pagar os impostos corretamente e exigir que o orçamento público oriundo dos impostos possa ser aplicado com critérios e honestidade. Os governantes devem ser cobrados se as metas programadas nos planos não sejam cumpridas tendo em vista as verbas alocadas.
A vida política local foi sempre marcada por certos escândalos de desvios de dinheiro publico. Um dos exemplos corriqueiros é a falta de transparências nas licitações para execução de projetos de infra-estruturas urbanas e de certos serviços. Obras sem licitações ou certas "maracutaias" entre o poder econômico e político são fatos banalizados por muitos concidadãos. Sabe-se que no passado os maiores atos de corrupção se davam nesse domínio. Sabe-se também que existem vereadores e fiscais públicos que por vezes fecham os olhos ou são cúmplices de corrupção. A corrupção é a enfermidade de maior contágio na esfera publica e seu tratamento é recente, faz poucos anos apenas que ela vem sendo cuidada com mais atenção, todavia, sua cura depende muito do comportamento de cada cidadão. Enquanto cidadão, você tem o direito a exercer o controle social e saber a destinação dos gastos públicos. A constituição brasileira assegura, por exemplo, ao contribuinte cidadão o direito de exigir transparência dos gastos públicos no plano municipal. "As contas dos municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade nos termos da lei".
Lamentavelmente são poucos os que participam no fortalecimento da democracia do poder local. Eleger alguém quer dizer exercer um poder de escolher os ocupantes temporários do governo. A democracia é fundada na noção dos direitos entre governados e governantes. Daí a exigência de vigilância do poder político. As desigualdades sociais se expressam também desigualdades de poder. A participação dos cidadãos organizados nos conselhos municipais pode, por exemplo, ser sano para o combate à corrupção e qualquer abuso de poder.
O ideal seria em período pré-eleitoral de poder contar com a imparcialidade da mídia local e nacional, existem analistas políticos exercendo a profissão de jornalista, que poderiam contribuir na formação política dos cidadãos. Existem questões elementares que poderiam alimentar vários debates nas rádios e televisões, além de publicações de entrevistas com os candidatos. Mas o cidadão ou cidadã pode e deve também saber que projetos de lei foram elaborados pelos vereadores e executados pelo prefeito para melhorar a qualidade de vida na cidade. Que propostas alternativas, inovadoras apresentam os novos candidatos. Qual a trajetória profissional e política dos candidatos que estão solicitando um mandato eletivo para assumir o governo local?
As eleições para os governos municipais representam uma das mais importantes do país, onde os cidadãos se sentem mais concernidos. Trata-se evidentemente da gestão do quotidiano de milhares de eleitores(as) que vivem em cidades pequenas, médias, grandes e cidades metropolitanas. Será nesse chamado espaço urbano que a cidadania é exercida, onde os direitos e obrigações formam a base comum para uma vida civilizada. É localmente que se buscam as soluções para assegurar um desenvolvimento territorial integrado com sustentabilidade. Daí o papel fundamental da mídia comprometida com a verdadeira política, seria de alertar e contribuir para o fortalecimento da educação cívica nesse período. Ainda é tempo de se exercer a cidadania política que vai além do direito de votar. O cidadão e cidadã podem se informar melhor antes de escolher o prefeito e vereadores. Sobretudo se o prefeito e vereadores se apresentam para um segundo mandato.
Ao longo de quatro anos de mandato, por exemplo, que atividades e projetos foram realizados na área de saneamento básico, a rede de distribuição de água foi expandida? A qualidade no tratamento da água melhorou? Os esgotos de águas usadas e pluviais correspondem ao crescimento hoje da cidade? Que projetos de drenagem de igarapés, despoluição de rios (entre outros) foram implementados? Que exigência foram feitas junto às construtoras imobiliárias na preservação dos espaços verdes? Que investimentos foram feitos na área de habitação com finalidade social destinados as famílias de baixa renda? Quantas praças arborizadas foram instaladas ou recuperadas? A pavimentação das ruas obedeceu a critérios de qualidades prevendo duração "de longa vida" com manutenção prevista todos os anos antes dos períodos de chuvas?  As calçadas foram recuperadas? Os espaços destinados aos pedestres são suficientes para passeios com crianças e para pessoas idosas?
Como funciona hoje o serviço de assistência social municipal? Que tipos de serviços? Que investimentos foram feitos na área cultural? Quantas bibliotecas foram instaladas nos bairros? Quantos cursos de pintura, artesanato, de musica e outros são financiados pela prefeitura para populações de baixa renda ou classe média?
Quanto à preservação e melhoria dos ecossistemas urbanos o que foi feito? Existem campanhas nas rádios e televisão para educar o cidadão (ã) sobre esta questão? Nas escolas da rede municipal os professores foram formados para educar os alunos sobre o meio ambiente? A rede educação municipal contribuiu para melhorar a qualidade do ensino? Quantos professores municipais receberam formação pedagógica para desenvolver melhor o programa escolar? Que estímulos foram dados para a criação de trabalho e renda nas periferias da cidade? Sem contar outras prioridades básicas ligadas à saúde publica e ao bem-estar dos concidadãos.
Finalmente governar uma cidade, significa ter uma visão global para por em pratica um desenvolvimento territorial integrado e sustentável. Os vereadores e o prefeito devem pensar a cidade como um todo e devem agir de modo mais articulado com os organismos estaduais e federais objetivando a criação de cidades mais humanas, mais fraternas, combatendo de fato todas as formas de violência e exclusão.
O bom político quando eleito deve ter o balanço das ações negativas e positivas do prefeito anterior e dentro do espírito de homem público, ele deve dar continuidade aos projetos e atividades considerados benéficas para a população evitando assim o desperdício do dinheiro publico investido. Quanto ao vereador ele é reconhecido em suas responsabilidades de co-gestão e de controle face ao poder executivo. Com o Prefeito, a Câmara elabora decisões aplicáveis localmente. A Lei Orgânica de toda municipalidade deve precisar os objetos de sua competência legislativa e seu papel de adotar os programas gerais e o Orçamento Municipal. O poder legislativo é competente para votar as resoluções referendarias, para aprovar, autorizar ou elaborar pareceres independentes daqueles preparados pelo executivo municipal. A Constituição também atribui competências para o poder legislativo exercer o controle das finanças municipais com o auxilio do Tribunal de Contas dos Estados ou dos municípios se houver. Vários mecanismos são previstos: solicitação de informações ao Prefeito, convocação de assessores diretos deste, instalação de comissões de inquérito, requerimento de exame de contas da municipalidade… Enfim, o poder Legislativo Municipal tem a tarefa de julgar a política do Prefeito em casos de infrações político-administrativas.
Marilza de Melo Foucher, Consultora Internacional na área do desenvolvimento territorial integrado e sustentável

Written by Página Leste

9 de setembro de 2008 at 10:10

Publicado em Notícias e política

Lei que protege mulheres só sairá do papel com Pacto Nacional

leave a comment »

Dois anos após entrar em vigor a Lei Maria da Penha feita para conter a violência de gênero ainda tem um longo caminho a percorrer para de fato ser aplicada. “A Lei ainda está só no papel”, observa Sônia Coelho, da Marcha Mundial de Mulheres.

Concebida para ser um instrumento com garantias de defesa para as mulheres nos casos de violência doméstica, ela só vai se efetivar se a sociedade civil, os órgãos governamentais e não-governamentais se comprometerem com a sua aplicação. Para reforçar esse processo tem importância o Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra a Mulher, elaborado no início de 2007 que ainda não foi ratificado por todos Estados brasileiros, entre eles São Paulo, explica Sônia Coelho que há muito tenta marcar uma audiência com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), sem sucesso. De acordo com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, até agora só 12 Estados assinaram o Pacto.

A previsão é que com o tempo o Pacto deverá ser assinado por todos os Estados, entretanto isso só não resolve e será necessário criar mecanismos que garantam a implantação e a avaliação contínua dos projetos até se transformar em política de Estado e não de governo e um compromisso contínuo para obter resultados mais concretos para que, por exemplo, São Paulo a cidade mais rica da nação não continue sendo a cidade com o maior número de denúncias tendo como contrapartida um serviço público muito pequeno diante das necessidades.

Segundo as militantes pela adoção do Pacto e pela existência plena do funcionamento da Lei Maria da Penha, diversas medidas serão tomadas para pressionar a atual gestão, desde abaixo-assinado até denúncia formal ao Ministério Público Estadual, se o governo paulista não ratificar o acordo, .

Rede de serviços – Diversas frentes de atuação que vão desde medidas preventivas, delegacias, formação de profissionais, atendimentos médico e psicológico e casas-abrigos para mulheres agredidas compõem o Pacto. Somente com ações de Estado se resolve o problema da violência contra as mulheres. “A questão da violência doméstica é de direitos humanos, de saúde pública e, portanto, só pode ser resolvida com políticas públicas”, opina Cláudia Luna, da ONG Elas por Elas.

Naturalmente, a concretização do acordo, como toda política de Estado, dependerá muito de recursos. O governo federal faz a sua parte e até 2011 irá destinar R$ 1 bilhão, que serão distribuídos pelos Estados que assinarem o acordo. Os Estados e municípios também devem oferecer contrapartidas orçamentárias e, em assinando o acordo, cada unidade da federação precisará ter uma destinação orçamentária, uma série de deveres e prazos para executá-los. Pode estar ai a relutância em assinar o Pacto por parte de alguns Estados.

Na onda, tão em moda de sucateamento dos serviços públicos, ajudar a mulher a não ser espancada, pode, aos olhos de muitos governantes, ser uma providência supérflua. Basta constatar que nos últimos 16 anos em que o PSDB governa o Estado de São Paulo nenhum centavo foi dado para as políticas públicas voltadas às mulheres.

Números da violência contra a mulher – No Brasil, cerca de 43% das mulheres já sofreram algum tipo de violência física ou sexual, a cada 15 segundos uma é espancada (2,1 milhões ao ano, no mínimo) e ainda há aquelas que são vítimas de abusos por mais de 10 anos, ou mesmo por toda a vida . A Central Nacional de Atendimento à Mulher (número 180) recebe 20 mil denúncias válidas ao mês, sendo 60% casos de violência doméstica.

Written by Página Leste

5 de setembro de 2008 at 19:18

Publicado em Notícias e política

ELEIÇÕES 2008

leave a comment »

Em São Paulo, quatro estão no páreo

Quem pensa que apenas os três primeiros colocados: Marta, Alckmin e Kassab estão na disputa para administrar a cidade brasileira com o maior PIB pode ter uma surpresa. É possível que diante da disputa no ninho tucano-democratas, os eleitores mais conservadores escolham Maluf para ser o “anti-Marta”. Entenda as razões
 
Em São Paulo, eleitor ainda não escolheu o candidato conservador

 

Olhar para trás é uma boa maneira de entender os resultados das últimas pesquisas confiáveis sobre a eleição em São Paulo. Conhecendo o passado o presente fica mais fácil de entender e dá até para fazer algumas previsões com algum grau de segurança.

Recapitulando, desde a redemocratização tivemos cinco eleições na capital paulista. A primeira foi em 1985 onde foi eleito o conservador Jânio Quadros (PTB). Disputando com ele estavam Fernando Henrique Cardoso (PDMB) e Eduardo Suplicy (PT). Cardoso era a bola da vez e poderia ter sido o “anti-Jânio”, mas arrogante, até sentou-se na cadeira do prefeito antes da hora. Suplicy dividiu o campo da esquerda, mas não tinha muita saída porque o PT, um partido em formação na época não podia deixar de participar das eleições com um cabeça de chapa.

Em 1988, foi à vez de Maluf (PDS) disputar as eleições contra José Serra (PSDB), João Leiva (PMDB) e Luiz Erundina (PT). Maluf era na prática a continuidade de Jânio Quadros e os outros três disputavam a atenção dos setores progressistas. Na reta final Erundina firmou-se como o “anti-Maluf” vencendo as eleições.

Em 1992, quatro anos depois, o PT lançou então Eduardo Suplicy e lá veio o troco. Paulo Maluf (PDS) se firmou como o “anti-PT” numa disputa que ainda tinha Aloysio Nunes Ferreira (PMDB) e Fábio Feldman (PSDB) que ficaram fazendo sombra para os atores principais: Suplicy e Maluf que acabou ganhando a eleição.

Apenas em 1996, a coisa mudou e foi à primeira vez em que o eleito era o candidato que representava a situação. Bem nas pesquisas, Maluf elegeu o seu sucessor, então secretário de Finanças, Celso Pitta, pelo PPB, nova denominação para o antigo PDS. O eleitor não conseguiu escolher entre Luiza Erundina (PT), José Serra (PSDB) e Francisco Rossi (PDT) nenhum “anti-Maluf”. Até que foi para o segundo turno com a Erundina, mas a candidata não conseguiu trazer para o seu lado os tucanos e o seu eleitorado que já nesse período dava sinais de distância do campo progressista.

Mas foi apenas na eleição seguinte, em 2000, que se deu uma das eleições mais disputadas. O governo do prefeito Celso Pitta foi um desastre tamanho que forçou o seu padrinho, Maluf a disputar para tentar reverter à péssima imagem deixada pelo afilhado. Vale lembrar que durante a campanha de 1996, Maluf havia recomendado o voto em Pitta de uma maneira bem arrojada: "Vote no Pitta. Se ele não for um bom prefeito, nunca mais vote em mim", dizia Maluf. Independente do desempenho de Pitta, Maluf estava bem nas pesquisas. Batendo-se com ele estava Marta Suplicy (PT) que havia vindo de uma campanha bem sucedida ao governo do Estado perdendo para Mário Covas que também bateu o Maluf. Foi à vez do PSDB apostar suas fichas no então vice-governador Geraldo Alckmin. Romeu Tuma (PFL) e Luiza Erundina (PSB) correram por fora. Marta passou para o segundo turno e com o apoio do governador Covas, Marta acabou convencendo o pessoal do PSDB a votar nela que venceu a disputa como o clamor anti-malufista.

Fresquinha na memória do eleitor, a disputa de 2004 estiveram polarizadas entre a então prefeita Marta Suplicy (PT) e de José Serra, que vinha de uma recém derrota para Lula na eleição presidencial. Serra com a visibilidade da campanha presidencial jogou nos erros da adversária e ganhou a Prefeitura, deixando-a, em seguida, para disputar o governo do Estado sendo eleito.

De que vale tudo isso

A conclusão é que o eleitorado paulistano se divide em dois grupos bem diferentes: o que procura alternativas progressistas e o que está sempre ao lado do representante conservador. Claro que existem migrações pontuais de um para outro sempre que um dos pólos se destaca, principalmente quando não está claro a que setor representa cada candidato.

Parece que nesta eleição em disputa o campo progressista brindou Marta Suplicy como sua representante. No campo progressista têm outros como Ivan Valente e Soninha, mas que dificilmente vão decolar na atual conjuntura. Do outro lado estão: Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) e muita gente acha que apenas os dois primeiros estão no páreo. O que a gente não descarta é que as rusgas e uma eventual disputa fratricida entre esses dois primeiros faça com que o eleitorado escolha Maluf para representá-los na disputa, muito provável, com Marta Suplicy pelo setor progressista. Esses eleitores estão atentos à campanha eleitoral e podem, diante da briga no ninho tucano-democratas, optar por Maluf no Palácio fazendo dele o “anti-Marta” da vez. (JMN)

Written by Página Leste

21 de agosto de 2008 at 13:19

Publicado em Notícias e política

Movimentos Sociais: a causa e o método

leave a comment »

Um breve comentário sobre a pesquisa encomendada pela Vale do Rio Doce para auferir a visão da população brasileira sobre os Movimentos Sociais.
Há erros primários nos quesitos da pesquisa, demonstrando que os próprios pesquisadores desconhecem o que pesquisam. Por exemplo, a Pastoral da Terra nunca foi movimento social. É apenas uma pastoral que presta serviços ao povo do campo. A pastoral não tem base popular própria. Portanto, não faz nenhum sentido estatístico colocá-la ao lado dos reais movimentos.
Mas a pesquisa é muito interessante. Regra geral, a população concorda com a causa dos movimentos do campo, particularmente a reforma agrária. Discordam do método. Daí duas conclusões simples: apesar de a mídia bater todos os dias que a causa é anacrônica, não conseguiu modificar a opinião pública. Portanto, a causa dos movimentos, aos olhos do povo brasileiro, é justa e atual.
Segundo, a pesquisa mostra que a grande mídia conseguiu transferir a imagem de violentos exatamente para aqueles que são as vítimas da violência. A Pastoral da Terra, em seu Caderno de Conflitos, já registrou o assassinato de mais de 1500 lideranças rurais por conflitos de terra desde 1985. Que alguém aponte alguma lista de fazendeiros mortos. Portanto, se a grande mídia quiser ir às raízes da violência no campo, ela sabe muito bem onde elas estão.
Seria interessantíssima uma pesquisa sobre o agronegócio. O que será que pensa o povo brasileiro a respeito da concentração da terra, do trabalho escravo, do trabalho degradante nos canaviais, do desmatamento da Amazônia, da violência sobre as comunidades tradicionais, sobre os indígenas, dos assassinatos dos trabalhadores rurais?
Para nós que defendemos a causa dos movimentos não deixa de ser uma ótima notícia. Vamos continuar as lutas por nossas justas causas. Duvido que outros métodos sejam aceitos. Na verdade, quando a grande mídia ataca o método, na verdade está atacando a causa. Qualquer método será válido, desde que não interfira realmente na iníqua estrutura agrária brasileira.
Conclusão: os movimentos, agora respaldados por pesquisas encomendadas por seus adversários, têm até a obrigação de continuar com sua luta justa e apoiada pelo povo brasileiro. Talvez seja hora de serem mais inteligentes nas manifestações, não perante a mídia, mas perante o povo que os apóia.
Por fim, não há o que temer da grande mídia. Essa pesquisa é a prova dos nove de que, falem o que quiserem, o que é justo tem sua força própria.
Roberto Malvezzi (Gogó) é coordenador da CPT. originalmente no http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1964/47/

Written by Página Leste

20 de junho de 2008 at 18:12

Publicado em Notícias e política

Caminhos da Reportagem – Confissões de 68

leave a comment »

Novo programa da TV Brasil apresenta, nesta semana, uma conversa informal com os ex-líderes estudantis Aloísio Nunes Pereira, Alfredo Sirkis, Maria Cláudia de Arruda e José Dirceu. Caminhos da Reportagem vai ao ar toda quinta-feira, às 22 horas

Written by Página Leste

11 de junho de 2008 at 18:08

Publicado em Notícias e política

Prisão de militar homossexual reacende debate no Congresso

leave a comment »

Nos primeiros dias de junho vi na televisão uma conversa de uma determinada apresentadora com os dois militares da ativa que tem entre si uma relação homossexual. Durante a conversa um deles disse que estaria por ser preso pela conduta o que, de fato, aconteceu logo depois no mesmo dia. Confesso para vocês que ainda não tenho uma opinião formada sobre se é certo ou errado, por isso fui atrás de algumas informações e vejam o que descobri.
O texto do artigo 235 do Código Penal Militar, de 1969 e que vigora até hoje passou definiu que: praticar ou permitir o militar que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito à administração pública, é passível de pena de detenção de seis meses a um ano, portanto, está na lei.
Só que para complicar, descobri, também, que há oito anos se tenta aprovar na Câmara um projeto de lei que exclui do texto deste artigo a expressão "homossexual ou não". Desde 2005, a matéria está pronta para votação em Plenário, mas ainda não foi incluída na Ordem do Dia.
O relator da matéria qualifica a redação estabelecida pela Junta Militar de 1969 como "anacrônica", uma vez que a Constituição de 1988, prevê punição legal a "qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais". "Lei alguma pode definir como crime uma conduta que a Constituição não proíbe. Daí porque o referido artigo 235 do vigente Código Penal Militar, além do gritante erro gramatical quanto ao conceito de ato libidinoso, abriga em seu âmago uma clamorosa inconstitucionalidade", justificou o ex-parlamentar Alceste Almeida (PMDB_RR) ao apresentar o projeto de lei para apreciação.
Resumo da ópera: O que não é proibido pela Lei Maior; a Constituição Federal, não pode ser proibido nas leis menores. Já seria o suficiente para que ele não fosse preso.
Mas, tem mais.  Tramita no Senado o projeto de lei da Câmara 5001/01, que estabelece uma série de punições para atos praticados por preconceitos de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero; ou seja, se esse projeto já fosse lei quem deveria ser punido foi quem prendeu o soldado. Segundo a relatora, Fátima Cleide (PT-RO), o projeto de lei foi debatido por sete anos até ser aprovado pela Câmara, mas no Senado, tramita nas comissões há um ano e seis meses.
De acordo com esse projeto, o empregador ou qualquer pessoa que tenha cargo de chefia demitir um funcionário em razão de orientação sexual poderá cumprir pena de reclusão que varia entre dois e cinco anos. Também é estabelecida uma pena de um a três anos para quem "impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência de homossexuais em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público".
Nos casos de qualquer prejuízo causado a cidadãos brasileiros por conta de sua opção sexual em processos de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional, a pena será de três a cinco anos de reclusão. Esta mesma punição está prevista para quem sobretaxar, recusar, preterir ou impedir a locação, compra, aquisição, arrendamento ou empréstimo de bens móveis ou imóveis a membros desse grupo.
Corre risco ainda, de acordo com o texto do projeto, de ficar preso por três a cinco anos, o empresário ou funcionário de motel, hotel ou pensão que impedir a hospedagem de homossexuais em seus estabelecimentos.
Independente do que no íntimo eu acho: se é bonito, se é feio, se é certo ou errado essa relação entres os dois soldados no ambiente das Forças Armadas, a minha conclusão, mas que ainda não é definitiva, é que: apesar das leis em tramitação que ainda não foram aprovadas; o militar gay não poderia ter sido preso, pois a Constituição Federal de 1988 indica que não pode haver descriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. E você o que acha?

Written by Página Leste

9 de junho de 2008 at 12:59

Publicado em Notícias e política

Você está preparado para votar?

leave a comment »

 

Você ainda se lembra em quem votou para vereador em 2004? Se respondeu sim, parabéns! Pois as pesquisas mostram que a maioria dos eleitores não consegue responder a essa pergunta.

Ao votar em uma pessoa, transferimos para ela um poder que pertence a cada cidadão e cidadã. É como se passássemos uma procuração para que outra pessoa decida em nosso nome, por um período de quatro anos. Essa procuração é o mandato dado pela Justiça Eleitoral, em nome da população. Por isso, todo cidadão tem o direito de cobrar dos eleitos que cumpram os compromissos assumidos na campanha e que trabalhem de maneira ética e responsável. O problema é que muita gente não tem consciência do seu próprio poder político e acredita que o mandato é uma conquista dos candidatos vitoriosos, um prêmio que recebem para usarem à vontade.

Vejamos as raízes históricas dessa alienação do poder cidadão.

Nos tempos do império, somente os homens livres, proprietários ou que provavam ter certa renda anual, podiam votar. A República ampliou o número de eleitores, mas até 1930 eles não chegavam a 5% da população total. Só em 1933 o direito de voto foi estendido às mulheres. Mas as pessoas analfabetas, soldados, cabos, índios e os jovens entre 16 e 18 anos só em 1988 conquistaram o direito de voto.

Felizmente, hoje o Brasil já tem mais de 100 milhões de pessoas legalmente aptas a votarem. É um grande avanço para a democracia, mas seria ingenuidade pensar que todas essas pessoas conhecem as regras jurídicas do processo eleitoral.

Neste texto vamos refletir sobre um grave problema: a corrupção.

A corrupção é um dos maiores inimigos do povo e da democracia. Infelizmente, ela existe por toda parte. Em nosso país suas formas mais freqüentes são o clientelismo e a corrupção eleitoral. É preciso saber como funcionam, para que sejam denunciadas e eliminadas.

Os cargos políticos trazem muitas vantagens pessoais para quem os conquista. Além das vantagens legítimas, previstas por lei (como a boa remuneração, a imunidade parlamentar e a contratação de assessores) eles abrem possibilidade também para vantagens ilegítimas, decorrentes do uso do poder público para alcançar benefícios privados. Isso se dá, por exemplo, quando o Executivo contrata empreiteiras que praticam o superfaturamento ou que fazem obras com material de qualidade inferior ao previsto e embolsam a diferença. Depois dividem o lucro ilegal, seja como financiamento para a campanha eleitoral, seja como depósito fora do Brasil.

No caso de parlamentares, a forma mais usual de corrupção está na venda do voto para certos projetos de lei. Um exemplo: num bairro onde só são permitidas residências até quatro andares, uma empresa imobiliária quer construir grandes edifícios e tem grande interesse em ver aprovada uma lei que mude o plano diretor municipal. Alegando que o projeto favorecerá o desenvolvimento urbano, a maioria dos vereadores o aprovará, recebendo depois um apartamento cada um… Esta é uma forma de corrupção tão difícil de ser provada, que alguns parlamentares chegam a dizer, cinicamente, que "é dando que se recebe"…

Políticos corruptos, que buscam vantagens ilegítimas nos cargos públicos, só conseguem alcançar seus propósitos encobrindo-os com falsas promessas ou comprando votos de pessoas que desconhecem o valor do seu voto. São como lobos cobertos por peles de ovelhas, que se aproveitam da necessidade econômica de muitos cidadãos honestos, para oferecerem benefícios de ordem material na certeza de que quem recebe tais benefícios só poderá retribuir com o voto nas eleições.

COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL – LEI 9840

Foi para combater eficazmente essa forma perversa de compra de votos, que em 1997 a Comissão Brasileira Justiça e Paz (organismo vinculado com a CNBB) lançou a proposta de "Combate à Corrupção Eleitoral". Ela obteve a adesão de muitos grupos e organizações e conseguiu reunir mais de um milhão de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional e passou a vigorar como a Lei 9840, que pune a compra de votos com a perda do mandato.

Esta foi uma vitória importante na luta contra a corrupção e os resultados são animadores: uma pesquisa divulgada em outubro de 2007 revelou que desde o ano 2000, ano da primeira eleição em que foi aplicada a Lei 9840, a Justiça Eleitoral cassou o mandato de 623 políticos acusados de compra de votos.

VAMOS PARTICIPAR!

É claro que ainda há muitos passos a dar para eliminar a corrupção da cena política brasileira, pois ainda existe candidato que compra e eleitor que vende voto. O primeiro passo é a formação da consciência de que "voto não tem preço, tem conseqüência". Cada voto é precioso, porque é a procuração que damos a alguém para nos representar no exercício do Poder Público e todos queremos ter dignos representantes. Outro passo importante é fazer que as denúncias de corrupção eleitoral cheguem ao Ministério Público. Para isso, o melhor instrumento de ação são os Comitês de Combate à Corrupção de Eleitoral. Se houver pelo menos um comitê por município (nos municípios maiores é recomendável pelo menos um por zona eleitoral), só o medo de ser denunciado inibirá os políticos mal-intencionados.

Enfim, também na política vale a sabedoria do Evangelho: "pelos frutos, reconhecereis a árvore": político que tem muito dinheiro para gastar na campanha, ou que distribui favores, certamente não é árvore boa porque, se for eleito, ele fará de tudo para recuperar tudo que tiver gastado na campanha…

Convém estar atento aos candidatos que fazem doações para festas e eventos comunitários, oferecem faixas para festas religiosas, patrocinam torneios esportivos, facilitam consultas médicas e tratamento de dentes…

Após refletir sobre tudo isso, vai aqui um desafio: – o que você fará este ano para combater a corrupção eleitoral?  (JMN)

Written by Página Leste

9 de junho de 2008 at 12:57

Publicado em Notícias e política

Brasil – Dedo na ferida

leave a comment »

No início do governo Lula, 2003, o Brasil era o quarto país com pior distribuição de renda do mundo. Só perdia para a Mauritânia, Suazilândia e União Centro-Africana, três países paupérrimos da África. Segundo os últimos informes, 2005/06, o Brasil está em décimo lugar. Houve, pois avanços significativos, mas o Brasil ainda perde em termos de distribuição de renda para a Venezuela, Bolívia, Paraguai, Chile, Argentina, Uruguai, Peru, enfim para todos os países sul-americanos e a maioria dos africanos.
    Estudo recente do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) do governo federal lança novas luzes sobre o tema. A partir de dados de rendimento de 2002/03, revelou-se que os 10% mais ricos no Brasil detêm 75,4% da riqueza. Ou seja, num bolo de 100 fatias a ser distribuído para 100 pessoas, 75 fatias ficam para 10 pessoas, sobrando apenas 25 fatias para 75 pessoas. E estamos em pleno terceiro milênio e século XXI, num país que é a décima economia do mundo!
Olhando-se os impostos ou o sistema tributário, descobre-se que a maior parte dos impostos taxa ricos e pobres da mesma forma, caso, por exemplo, do ICMS e IPTU, impostos que atingem toda população. A parcela dos 10% mais pobres da população têm 32,8% de sua renda destinados ao pagamento de impostos diretos e indiretos. A renda média dessa população era de R$ 49,8 por mês. Embora não paguem Imposto de Renda, são famílias que consomem bens com alta carga de impostos indiretos, como os da cesta básica. Já os 10% mais ricos do país gastam 22,7% de seus rendimentos com impostos. A renda destes era de R$ 2.178.
Conclui Márcio Pochmann: "As mansões pagam menos impostos que as favelas e essas ainda não têm serviços públicos como água, esgoto e coleta de lixo. Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais imposto".
Já no caso do Imposto de Renda, na ditadura militar o país tinha 13 faixas de renda, com alíquotas que chegavam a 55%, contra as apenas duas faixas de hoje, de 15,5% e 27,5%. Diz Márcio Pochmann: "O regime militar tinha política de imposto de renda mais voltada para a redução de iniqüidade. Chegamos a ter 13 faixas de tributação e os níveis mais baixos pagavam menos imposto que atualmente. O Imposto de Renda com apenas duas faixas retira o potencial redistributivo que poderia ter."
Indiscutivelmente, o maior problema brasileiro é a desigualdade econômica e social. Dela decorrem a fome, a miséria, o analfabetismo, o desemprego. O período neoliberal de Collor e FHC agravou muitíssimo essa situação, da qual hoje sofrem-se as conseqüências em termos de criminalidade, violência, falta de perspectiva da juventude, uma sociedade corrompida em seus valores básicos.
Esta é, claramente, uma questão política: que sociedade se quer construir, com que projeto de desenvolvimento e quais valores. O mercado, definitivamente, não resolve o problema da desigualdade, dizem e concordam hoje megainvestidores como George Soros e economistas como Delfim Netto. O sistema capitalista, dentro de sua lógica e estrutura, leva a que os ricos se tornem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres, seja no Brasil, nos EUA, na Europa ou na China.
No caso brasileiro, é urgente uma reforma tributária que enfrente as desigualdades.  Márcio Pochmann sugere que a reforma tributária dê mais ênfase aos tributos diretos, como o (IPVA) e propriedades (IPTE e ITR). E inclua um Imposto sobre grandes fortunas e outros impostos que consigam taxar a ‘riqueza imaterial’, aquela que circula no mercado. Neste sentido, "a CPMF é um imposto moderno, que conversa com o futuro e não precisa de fiscais". Estima-se que a riqueza acumulada no Brasil seja quatro vezes maior que o Produto Interno Bruto. Cobrando alíquota de apenas 1%, a arrecadação seria de R$ 100 bilhões.
É o maior desafio contemporâneo, ao lado da questão ambiental. É preciso construir novos padrões econômicos, a partir de uma economia solidária, hoje já vivida e praticada por muitos grupos de trabalho e geração de renda. E propor um projeto de desenvolvimento que, além de respeitar o meio ambiente e natureza, tenha como objetivo principal a justiça e a inclusão social. Isso só se consegue fazendo a sociedade encarnar novos valores, como os da solidariedade, da partilha, do fazer coletivo, da eqüidade, da comunidade.
É fácil? É difícil? É impossível? Depende muito da consciência social e coletiva que se construir. É, sem dúvida, esforço de anos, décadas, que envolve sociedade e governos. Mas ou é feito, ou continuaremos a ver milhões na miséria e morrendo de fome como hoje, especialmente na África, ou veremos a catástrofes ambientais cada vez mais próximas. São escolhas e opções que fazemos todos a cada dia, quando participamos da comunidade e dos movimentos sociais, quando separamos o lixo, quando compramos alimentos, quando votamos. A América do Sul, felizmente, parece estar colocando o dedo na ferida e tomando um caminho que, mesmo sinuoso, com curvas, com pedras, não terá volta.
Selvino Heck fundador e Coord. do Movimento Fé e Política

Written by Página Leste

23 de maio de 2008 at 10:16

Publicado em Notícias e política

Candidatos: quem deve, pode ficar de fora

leave a comment »

TSE deve voltar a discutir proibição de registro de candidatos processados, prevê ministro
 O Tribunal Superior Eleitoral (TSE)) terá que reexaminar a questão do registro de candidatos processados criminalmente ou por improbidade administrativa, na medida em que o tema volte à Corte sob a forma de processo, o que deverá acontecer devido à proximidade das eleições municipais de outubro.
A opinião foi manifestada pelo presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Brito, após receber dia 21 a Carta de Brasília, com as conclusões do IV Senaje (Seminário Nacional de Juízes, Promotores e Advogados). Entre elas, um pedido para que a Justiça Eleitoral avalie a vida pregressa dos candidatos, caso a caso, "com base em critérios objetivos, observando-se o devido processo legal para acolher ou não os pedidos de registro de candidatura".
 Ayres Brito não quis dizer se é favorável à mudança da regra atual, que permite o registro de candidatos com esse tipo de processo na folha corrida, porque estaria antecipando seu voto num julgamento futuro. Porém, lembrou que, em setembro de 2006, votou contra a concessão de registro no julgamento do processo do presidente do Vasco e ex-deputado Eurico Miranda.
 A Carta contém outros dois pontos. No primeiro, defende a preservação da Lei nº 9840-99, fruto de iniciativa popular, especialmente quanto à execução imediata de decisões, à configuração das condutas vedadas, independentemente da potencialidade lesiva, e à garantia de prioridade na tramitação aos feitos eleitorais que envolvam atos de corrupção eleitoral como forma de garantir a celeridade. No segundo ponto, o documento alerta que é preciso fortalecer os mecanismos de democracia direta.
Para tanto, a Carta sugere à Justiça Eleitoral a criação de instrumentos que possibilitem a coleta de assinaturas dos cidadãos nos cartórios eleitorais respectivos, como forma de viabilizar a participação de todos nos projetos legislativos de iniciativa popular, sem prejuízo de outras formas de mobilização social para a reunião das assinaturas.
 O juiz eleitoral do Maranhão Marlon Ayres, um dos coordenadores do MCCE (Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral), que promoveu o IV Senaje, foi quem entregou a o texto ao ministro e disse estar certo de que as reivindicações vão ecoar no Tribunal Superior Eleitoral. O MCCE pretende encaminhar ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular, com assinaturas de 1% do eleitorado brasileiro, para proibir o registro de candidaturas que tenham problemas com a Justiça.
Durante evento alguns partidos se comprometem
Durante o evento promovido pelo Senaje seis partidos PMN, PV, PTB, PHS, PCB e PRB, se comprometeram, por escrito, a orientar seus diretórios municipais a recusar legenda, nas convenções municipais deste ano, a candidatos acusados da prática de crimes graves ou de atos de improbidade administrativa ou ainda aos que tenham renunciado a mandatos políticos para evitar eventuais punições por atos contrários à Constituição. O documento foi assinado dia 19. (JMN)
 
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres

Written by Página Leste

23 de maio de 2008 at 10:15

Publicado em Notícias e política