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Archive for the ‘Notícias e política’ Category

Corrupção nos partidos ainda é um mal sem cura

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O PMDB é a marca e padrão da política brasileira e ei-lo, agora, à frente das duas casas do congresso. No Senado com José Sarney e na Câmara dos Deputados com Michel Temer. Possui ainda uma bancada de 21 senadores, 93 deputados federais e comanda 1207 prefeituras, entre as quais cinco capitais. São sete governadores e sete ministros no governo Lula. Nele há a de tudo um pouco, desde alguns éticos até as inúmeras lideranças que vira e mexe são denunciadas por corrupção. É muito poder para um partido de profissionais, conforme insinuei mais de uma vez.

Na entrevista do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que já foi prefeito, governador e agora senador a uma grande revista de circulação nacional ele disse que o PMDB “é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem norte. Uma confederação de líderes regionais, cada um com seus interesses, sendo que mais de 90% praticam o clientelismo de olho nos cargos”, embora verdade, não é novidade para quem presta atenção.

Dias depois, em entrevista coletiva, ele repetiu todas as acusações. "O PMDB quer cargos para fazer negócios. Alguns buscam o prestígio político, mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral", afirmou.

Hay gobierno, soy a favor’, costuma gritar a ala dos peemedebistas acostumada a mamar nas tetas da máquina pública em todo e qualquer governo.

O PMDB reagiu, disse que o senador estava apenas desabafando e ainda passou a bola para frente. Para o partido, o PSDB e o PT são tão corruptos quanto. Mas é interessante notar que ninguém fez nada, ninguém falou em CPI.

Seus atuais mandatários, aqueles que de alto coturno, estão no PMDB, uma cara de paisagem com relação às denúncias. Renan Calheiros disse que não leu, portanto, não comenta; Sarney disse que não “iria diminuir o debate” e Michel Temer que acumula a presidência da Câmara dos Deputados e do PMDB, não se sentiu obrigado a tomar qualquer providência, disse não estar disposto “a imprimir relevância ao que é destituído de especificidade”. Uma turma barra pesada que torcem para o esquecimento rápido do episódio, tendo, inclusive a esperança de contar com a acomodação do próprio denunciante.

Mas não foram só os membros do PMDB que se incomodaram com as denúncias do senador Jarbas Vasconcelos. Por outros motivos, a pequena bancada do PSOL enviou carta assinada pelos seus parlamentares ao peemedebista solicitando que ele torne públicos os nomes dos integrantes do PMDB que estariam envolvidos em ato de corrupção. Para a população a lista não seria pequena. Segundo a carta a divulgação dos nomes é uma “enorme contribuição à moralização da vida pública brasileira”. Com a vivência dos problemas que lhe aqueceram para dar a entrevista, com certeza, não faltará ao senador condições de monta-la. Se vai é outra questão.

Correndo por fora, mas na mesma direção o presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Vladimir Rossi Lourenço, cobrou do Ministério Público a apuração com urgência das denúncias feitas.

Jarbas Vasconcelos ao acusar o próprio partido de fisiológico recolocou em cena o debate sobre a corrupção contumaz que vira e mexe vem à público, mas que é sempre abafado. Certeiro, o senador também sabe que o que sustenta a prática do fisiologismo são sempre as chefias dos executivos. O senador que também responsabilizou o governo Lula, entretanto, podia ir mais longe na perspectiva dos três maiores orçamentos do Brasil que são: governo federal, governo paulista e prefeitura paulistana onde o peesedebista Serra faz dupla com o democrata Kassab em governos que estão repletos de gente do PMDB em suas bases de apoio com as práticas de sempre apontadas na entrevista do senador.

Quando os demais partidos, no caso o PSDB e o DEM, ou o próprio PT disputam o apoio desse partido profissional em geral desembocam em governos que não são vítimas, mas beneficiários e continuadores desse mesmo padrão detestável de política: o fisiologismo por toda parte.

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27 de abril de 2009 at 10:40

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Presidenciáveis se colocam como “pós Lula”

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José Serra (PSDB) está apoiando a candidatura de um petista, Tião Viana (AC) à presidência do Senado e trabalha com afinco para convencer senadores peessedebistas e do DEM a abandonar a idéia de nomes alternativos, como o de Pedro Simon (PMDB_RS) lançado pelo ex-presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na disputa da Câmara dos Deputados, Serra também está fechado com a candidatura dos petistas, Michel Temer (PMDB-SP). O governador de São Paulo ainda saiu nas fotos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vários momentos e já visitou o gabinete presidencial algumas vezes. Fechou ainda, um negócio de bilhões com o presidente – a venda da Nossa Caixa ao Banco do Brasil e, por fim participou de entrevista coletiva ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, onde fez elogios às medidas tomadas pelo atual governo para enfrentar a crise financeira mundial.

É de se perguntar para onde vai Serra? E a falta de respostas está deixando confusa a militância tucana. Não seria agora com a crise econômica o melhor momento para as ambições tucanas de voltar ao Planalto? Não seria a hora de bater no presidente Lula? Seria jogo de cena, cálculo político visando obter recursos para as obras que vão alavancar a sua campanha, como um dos principais postulantes a suceder Lula? E, porque Lula daria o creme para o bolo do Serra? Os dois não são inocentes e se estão se entendendo dá para desconfiar que não é apenas um deles que está ganhando. O Serra recebe recursos com a venda da Nossa Caixa, mas o presidente, por sua vez ficou credor de diversas ações políticas de Serra, incluindo ai a eleição no Senado.

Mas voltando a vaca fria – por que Serra anda tão pouco oposicionista? A resposta pode residir na analise que os tucanos de alta plumagem fazem do comportamento da economia brasileira nos próximos dois anos. Um deles, o economista e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Carlos Mendonça de Barros, garante que o Brasil vai crescer entre 2% e 2,5% no próximo ano. E mesmo sendo uma queda com relação a 2008, ele calcula que a crise vai bater mais nas classes médias e altas das regiões Sul e Sudeste. Desse jeito, segundo Mendonça de Barros, a crise ainda não vai abalar muito a popularidade de Lula, que só com muita pancada cai abaixo dos 50%. Nessa situação a popularidade de Lula vai diminuir entre os mais ricos e a classe média, público que já seria majoritariamente eleitor dos tucanos ou dos oposicionistas de Lula. O resultado eleitoral, então que é que interessa ao Serra seria pífio.

Ora, com o raciocínio de Mendonça de Barros, compartilhado com muitos tucanos e democratas, já dá para começar a entender a estratégia do governador, um dos políticos que mais ambiciona chegar à presidência. Não vai dar para bater de frente com Lula, então, aproximar-se dele, faz parte da tática que inclusive já foi adotada antes pelo governador de Minas, Aécio Neves. O governado mineiro é o que mais assombra Serra na sua caminhada rumo ao Planalto. Ligeiro, Aécio foi até capaz de promover a união, ainda que informalmente, entre o PT e o PSDB, por conta da inusitada aliança na eleição municipal de Belo Horizonte. Serra, por sua vez, só agora adotou a postura de ser o “pós Lula” e não mais o “anti Lula” como forma de melhorar suas condições na disputa de 2010. Não critica o governo, fala bem do presidente e chega até a propor medidas rigorosamente iguais às tomadas por Lula, como foi no caso da ajuda de R$ 4 bilhões às montadoras: Lula deu quatro, Serra copiou e mandou mais quatro.

Claro que todo esse comportamento é provisório e atende as necessidades atuais. Se a crise piorar e colocar o Brasil de pernas para o ar, atingindo a popularidade de Lula, Serra vai mudar o discurso e se colocar entre os primeiros a apontar os “erros e incompetências do governo federal”, cuja atuação até agora é bom que se registre, ele mesmo, o governador, aprova.

Tudo parece indicar que os tucanos concordam mesmo com Mendonça de Barros, que Lula chegará ainda forte em 2010, com um peso eleitoral significativo – isto se não for ele mesmo o candidato vai saber, nas crises, soluções criativas sempre aparecem. Se for como o economista está apontando, tanto Serra quanto o próprio Aécio farão campanha sem grandes críticas ao atual governo, ficando na mesma pegada vitoriosa das campanhas de 2006, onde ambos elegeram seus indicados com votações expressivas, na base de não criticar ninguém.Diante desse quadro, apenas o PSOL entre os mais expressivos e quem sabe até o DEM, caso tenha coragem de lançar candidatura própria terão discurso de oposição. Nem o PMDB, por maior que seja pode se arvorar em oposição. O roteiro dos candidatos apostando em se configurarem como “pós Lula” também agrada ao próprio Lula que quer passar para a história como conciliador. Resta saber se a crise vai deixar tudo como está. (JMN)

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27 de abril de 2009 at 10:34

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Sem Hamas, sem paz

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Com o cessar fogo em Gaza, Obama propõe-se a costurar uma paz definitiva no Oriente Médio, que garanta a segurança de Israel e a criação de um Estado palestino livre e viável. Mas sem a participação do Hamas, que considera um movimento terrorista que se nega a reconhecer Israel. Razões pelo menos discutíveis.

Nas lutas pela formação do país, em 1947-1948, Israel não foi menos “terrorista” do que o Hamas. “Nem a moralidade judaica e nem sua tradição podem negar o uso do terror como meio de batalha”, diz um texto do movimento judaico Lehi, que, entre outras ações, assassinou o conde Folke Berrnadotte, mediador da ONU entre árabes e judeus, e Lord Moyne, embaixador especial inglês no Oriente Médio, e massacrou 120 habitantes (inclusive mulheres e crianças) da aldeia árabe de Der Yassin.

Por sua vez, outro grupo, o Irgun Zvai Leumi, foi responsável por 200 atentados contra árabes e ingleses, entre os quais o enforcamento de dois sargentos britânicos e a explosão do hotel Rei Davi, onde estava instalada a administração inglesa, matando 200 pessoas. É importante lembrar que seus membros Menachen Begin e Yiztwah Samir foram posteriormente primeiros-ministros de Israel. Criado o Estado israelense, esses movimentos SE integraram ao exército, abandonando suas ações violentas.

O Hamas também. Ao vencer as eleições de janeiro de 2006, suspendeu seus ataques e ofereceu a Israel uma trégua de 10 anos. “A resposta dos israelenses foi caçar membros do Hamas por terra, mar e céu” (Amnon Kapeliouk, analista de jornais israelenses). A seguir seu governo reteve as taxas às quais os palestinos tinham pleno direito. E os Estados Unidos e a Europa cortaram toda a ajuda econômica.

Assim se iniciou um processo pelo qual Israel, com a cumplicidade do Ocidente, pretendia derrotar o Hamas, levando o caos à Faixa de Gaza. Enquanto isso, aviões judaicos procediam “assassinatos seletivos” de supostos terroristas, matando também muitos civis que estavam por perto. E os árabes respondiam com lançamento de foguetes primitivos, de escasso poder.

A situação se agravou em 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah e passou a dominar Gaza sozinho. Diante de um incidente provocado por um grupo sobre o qual o Hamas não tinha controle, aviões israelenses bombardearam pontes, agências do correio, a Universidade Islâmica e a principal usina hidrelétrica de Gaza, além de destruir 70% dos laranjais “por questões de segurança”. Pior do que isso: Israel fechou as fronteiras. Ninguém, nem nada mais, podia entrar ou sair; nem alimentos, nem gasolina, nem combustível, nem medicamentos ou equipamentos hospitalares, nem peças para reposição de qualquer tipo.

As consequências foram: falta de energia elétrica e água tratada, fechamento de indústrias, desemprego de 60 a 70%, inflação altíssima, assistência médica precária, falta de alimentos, fome. E 50% da população vivendo abaixo do nível de pobreza extrema, dependendo dos caminhões de abastecimento da ONU que, com muita freqüência, o exército judeu proibia de entrarem. Assim, a população árabe foi condenada a uma morte lenta, o que levou o cardeal Renato Martino, presidente da Comissão de Justiça e Paz do Vaticano, a acusar: “Cada vez mais, Gaza parece um grande campo de concentração”.

A destruição da vida social e econômica de toda uma cidade, da dignidade e da saúde de seus habitantes, particularmente as crianças vítimas da desnutrição, planejada e executada por Israel, é terrorismo de Estado, certamente muito mais grave do que os danos e sustos provocados pelos foguetes árabes sobre Sderot.

Em junho de 2008, as partes estabeleceram uma trégua. Segundo o próprio Centro de Informação de Terrorismo e Inteligência de Israel “o Hamas não participou de nenhum lançamento de foguetes e até evitou que outras organizações atacassem”. Respeitou o cessar-fogo.

Mas o governo de Tel Aviv não. O bloqueio, embora algumas vezes amenizado, continuou. E em novembro de 2008 o exército judeu matou seis palestinos sob acusações não comprovadas. Diante disso, o Hamas rejeitou o prolongamento da trégua. A resposta foi o massacre da indefesa população de Gaza.

Em todo esse episódio, quem foi mais violento contra civis? Quem foi o verdadeiro terrorista? Pelos critérios dos americanos e europeus, quem deveria ser excluído das negociações do futuro Estado palestino seria Israel, não o Hamas.

Na verdade o motivo do veto ao Hamas é muito diferente daquele que Washington e Tel Aviv alegam. Talvez com exceção do governo Rabin, a idéia dos dois Estados, com a Palestina ocupando as terras tomadas pelo exército israelense na guerra de 1967, nunca foi aceita por Israel.

Pelo contrário, seu objetivo real é aumentar o número de assentamentos na Cisjordânia, acentuando seu caráter judeu e de parte inalienável de Israel, deixando, no máximo, apenas uma parte do país aos palestinos, com autonomia limitada. Desde os primeiros anos de Israel, seus governos incentivaram de todos os modos a abertura de novos assentamentos na Cisjordânia.

Assim, por exemplo, em 16 de fevereiro de 2004, Ariel Sharon declarou que jamais devolveria aos árabes os principais assentamentos na Cisjordânia. Vale citar as declarações ao jornal Haaretz de Dov Weinglass, chefe dos negociadores do governo Sharon com o governo Bush, nessa ocasião. “Efetivamente, esse pacote que é chamado ‘Estado palestino’ foi removido de nossa agenda indefinidamente. Tudo isso com autoridade e permissão do presidente Bush”.

Mais recentemente, em 2007, na conferência internacional de Annapolis, apesar de o primeiro ministro Olmert ter se comprometido a impedir novos assentamentos e a remover muitos dos existentes, em 2008 houve um aumento de 60% no total deles. Nem um só foi evacuado.

Estes fatos demonstram claramente que o governo de Tel Aviv pretende manter fora de um eventual Estado palestino o máximo possível de territórios. Aliás, no ano passado, Ehud Olmert foi enfático: “Nós conservaremos os maiores blocos de assentamentos (na Cisjordânia) e manteremos Jerusalém unida”. Acrescentou ainda que os dois lados do rio Jordão continuariam território israelense.

Para garantir a ligação a Israel dos assentamentos mais afastados, já foram construídas estradas e 625 “check-points”, sob controle do exército israelense, dividindo um futuro ‘Estado palestino’ numa série de autênticos bantustões, cujos habitantes teriam de pedir permissão aos militares de Israel para viajar em seu próprio país.

Esse tipo de Estado não poderia ser “viável”, como quer o presidente Obama. E jamais seria aceito pelo Hamas. Que também exige a cessão de Jerusalém e a volta dos 700 mil árabes e seus descendentes expulsos de suas terras pelos judeus. Portanto, o Hamas não serve como parceiro de Israel nas negociações da “solução dos dois Estados”. Já o Fatah do moderado Abbas tem se mostrado cordato. Só que é o Hamas quem mais representa o povo palestino, especialmente depois do episódio de Gaza. Enquanto o Hamas defendia a população, Abbas inicialmente apontou-o como culpado pela guerra. Enquanto isso, na Cisjordânia, as forças da Autoridade Palestina reprimiram as passeatas de protesto contra o exército de ocupação judeu.

Buscando retomar prestígio, Abbas corrigiu seus erros, condenando Israel e propondo o julgamento de seus chefes militares por crimes de guerra. Com isso, se esboça uma nova aliança entre Hamas e Fatah. Inaceitável para Israel, como já declarou Tzipi Livni. Por razões óbvias.

Mas e o que fará Obama? Ele enviou ao Oriente um senador respeitado, George Mitchell. Mas se persistir em ignorar o Hamas estará dando força a quem não quer nenhuma solução aceitável para o problema. A Israel.

As coisas tendem a piorar com a provável eleição do ultradireitista Netanyahu, que nega expressamente aos palestinos o direito de autodeterminação em Gaza e na margem oeste.

Será uma boa oportunidade para Obama provar que seu empolgante discurso de posse não foi apenas “words, words, words”.

Luiz Eça é jornalista. Correio Da Cidadania

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31 de janeiro de 2009 at 11:49

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As razões do conflito no Oriente Médio

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 As respostas a uma agressão só podem ser três: revidar, quando as forças estão suficientes acumuladas para isso ou não reste alternativa, como um gato acuado na quina de uma parede onde a única saída é para cima do agressor; a fuga, quando o gato tem outras saídas diferentes da quina da parede ou dar a outra face e continuar apanhando, um caminho que pode implicar na eliminação física do gato.
Diante dessa premissas é legítimo os foguetes disparados pelo Hamás em Israel e a resposta de Israel com todo seu poderio militar. Simples assim? Antes fosse. É preciso contextualizar o que vem ocorrendo ou como o gato foi parar na quina da parede. Quais os motivos que levam israelenses e palestinenses às escaramuças.
Já em 1938, o historiador George Antonius, profundo conhecedor do nacionalismo árabe, previa conseqüências desastrosas com a criação de um Estado judeu na Palestina. Escrevendo o calor da revolta dos palestinos contra a imigração judaica e o domínio britânico já enfraquecido entre 1936 e 1939, o autor, de forma precisa, identifica a verdadeira origem do conflito entre árabe e palestinos. “O tratamento dado aos judeus da Alemanha e outros países europeus é uma vergonha para seus autores e para a civilização moderna; mas a posteridade não exonerará nenhum país que não consiga enfrentar sua parte dos sacrifícios necessários para aliviar o sofrimento e a angústia dos judeus. Impor a maior parte da carga à Palestina árabe é uma miserável forma de esquivar-se das responsabilidades que deveriam recair sobre todo o mundo civilizado. Também é moralmente vergonhoso. Nenhum código moral pode justificar a perseguição de um povo em uma tentativa de pôr fim à perseguição de outro. O remédio para a expulsão dos judeus da Alemanha não deve ser buscado na expulsão dos árabes de sua pátria; e também não se conseguirá o alívio da angústia dos judeus à custa da angústia de um povo inocente e pacífico”.
Como um profeta. Dez anos depois, em 1948, a Palestina era dividida em dois Estados – um árabe e outro judeu. A iniciativa, que ignorou a opinião dos próprios palestinos, deu início à primeira guerra entre os dois povos, ao longo da qual cerca de 750 mil árabes foram expulsos de suas casas. Era o início de uma tragédia que ainda está longe de terminar.
Também é bom registrar que o conflito israelo-palestino é parte de um contexto maior e remonta aos fins do século XIX quando se fixaram na região colonos judeus movidos pelo projeto do sionismo, cujo objetivo era fundar na Palestina um estado judeu, onde já existia uma população nativa.
É imperioso também saber que o começo do terrorismo neste conflito é obra de Israel com as bombas em cafés utilizadas pelos sionistas pela primeira vez na Palestina em 17/03/1937, em Jaffa. Depois em automóveis, utilizadas primeiro pelos sionistas em 20/08 e 26/09 de 1937. Primeiras bombas em supermercados em 06/07/1938, em Haifa. Bombas em hotéis em 22/07/1946, em Jerusalém. Bombas em embaixadas estrangeiras em 01/10/1946, em Roma (contra os britânicos). Minagem de bombas e cartas bombas em 21/10/1946, em Petah Tikvah e contra alvos britânicos no Reino Unido em junho de 1947 completam o quadro.
Com relação ao Hamas, que hoje vive às escaramuças com Israel é bom saber que ele só nasceu em 1987 quando a expulsão de árabes das suas casas e a destruição de aldeias já tinham sido iniciados há mais de 60 anos. Sabra e Shatila aconteceu em 1982: Entre 1,5 mil e 2,5 mil refugiados palestinos – além de alguns cidadãos libaneses – foram massacrados em 16, 17 e 18 de setembro de 1982 nos acampamentos, quando Israel entrou em Beirute, dois dias após o assassinato do presidente Bachir Gemayel. Em 19 de setembro de 1982, após três dias de total silêncio, os libaneses descobriram o massacre dos civis. Alguns podiam ser identificados, mas outros estavam inchados, apunhalados ou estripados.
É possível listar pelo mais de doze massacres de civis árabes (palestinos) antes da existência do Hamas. Sem falar do dia-dia de assassinatos indiscriminados, tortura, demolições de habitações e a humilhação diária com colonos fanáticos matando palestinos. Como o gato reagindo, logicamente o Hamas é cria dessa situação.
Dizendo o que não pode ser esquecido é importante conhecer o que pensava um proeminente judeu, o ex-primeiro ministro David Bem Gurion – um dos fundadores do Estado de Israel, em trecho do livro “The Jewish Paradoxo”(1), de Nathan Goldman, ex-presidente do World Jewish Congress(2). “… Porque haveriam os árabes de querer a paz? Se eu fosse um líder árabe nunca iria parlamentar com Israel. É óbvio: nós ocupamos a terra deles. É certo que Deus tinha-no-la prometido, mas que significa isso para eles?(…)Houve o anti-semitismo, os nazis, o Hitler, Auschwitz, mas que culpa tiveram eles? Os árabes apenas vêem uma coisa: que viemos para aqui, que roubamos as suas terras. Porque haveriam de aceitar tal coisa?…”
Por apenas essa amostra pontual de alguns acontecimentos é previsível que tenhamos que conviver com mentiras e simplismos como culpar o Hamás _ como se ele já não fosse culpado do próprios crimes, mas não o de ter rompido o cessar-fogo mais recente. Este foi rompido por Israel, primeiro dia 4/11; quando bombardeou e matou seis palestinenses em Gaza e, depois, outra vez, dia 17/11, quando outra vez bombardeou e matou mais quatro palestinenses.
É claro que os israelenses merecem também segurança com seus 20 mortos nos arredores de Gaza, mas 600 palestinos mortos em uma semana que somam-se aos milhares assassinados desde 1948 – quando a chacina de Deir Yassin ajudou a mandar para o espaço os habitantes autóctones dessa parte do mundo que viria a chamar-se Israel – é outro assunto e é outra escala.
Dessa vez entretanto, a guerra, antes do estabelecimento da trégua entre as partes nos últimos dias estava se configurando bastante grave e com a sua continuidade seria possível os árabes enlouquecerem de fúria e virmos crescer seu ódio incendiário, cego, contra o Ocidente. Hipocritamente sempre poderemos dizer que “não é conosco”. Sempre haverá quem pergunte “Por que nos odeiam tanto?” Que, pelo menos, ninguém minta que não sabe por quê. (JMN)
 (1) O Paradoxo Judeu. (2) Congresso Mundial Judeu.

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26 de janeiro de 2009 at 12:00

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Vereadora da zona leste quer fazer diferença na Câmara

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Eleita com mais de 30 mil votos, Juliana Cardoso (PT) assumiu uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo no início de 2009 e diz que as comunidades de São Mateus podem contar com o seu apoio e presença nas lutas e demandas legítimas. Destaca que priorizará a transformação do Morro do Cruzeiro em um parque municipal ambiental e contribuirá com as tentativas de regularização fundiária da Vila Bela.
Sua vida política começou ainda criança quando acompanhava reuniões e as andanças de pai e mãe que eram militantes dos movimentos de habitação e da saúde. Acompanhou também a construção do PT e conviveu com nomes importantes de petistas.
Seis anos atrás, no movimento estudantil, começou a militância individualmente quando sua mãe mudou-se. Foi na Escola Rubens Paiva onde travou seu primeiro desafio individual na luta para que a escola técnica em que estudava tivesse equipamentos compatíveis com os cursos profissionalizantes que pretendia ministrar. Segundo a vereadora, a Rubens Paiva foi primeira escola técnica de São Paulo, mas tinha uma precária infra-estrutura. Juliana tinha 17 anos na época. Nesse tempo já trabalhava regularmente e no tempo livre atuava junto aos movimentos sociais e na área de cultura.
Mais tarde com 19 anos foi porta bandeira de escola de samba e atuava nos movimentos sociais na área da cultura. Por essa razão também, foi convidada pelo deputado estadual Adriano Diogo para trabalhar com ele na secretaria do Verde e Meio Ambiente na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy. Adriano já era um velho conhecido dos pais. Juliana então trabalhou na coordenadoria de participação popular e educação ambiental, em contato direto com a população. Sempre auxiliando o deputado Adriano Diogo nas campanhas, a recíproca veio agora com o deputado se empenhando em sua eleição. Acompanhe os principais trechos da rápida entrevista que concedeu com exclusividade a Gazeta São Mateus. (JMN)
 
GSM – A que a senhora atribui a sua eleição numa conjuntura onde é cada vez mais rara a renovação dos eleitos e onde o custo para se eleger é quase sempre astronômico?
Juliana – A minha eleição é resultado principalmente do apoio do grupo que faço parte junto com o deputado estadual Adriano Diogo. Um grupo muito unido e com forte presença nos movimentos sociais e populares. Para ser a candidata passei por um processo interno de indicação disputando com outras três pessoas que abriram mão de suas indicações a meu favor. Além do que eu também já fazia muitos trabalhos nas bases e a minha forma de trabalhar deu a credibilidade. As pessoas acreditam na minha tentativa de inovar. Acho que o fato de ser jovem e sincera nos propósitos, as propostas o material de campanha e o trabalho insano de toda equipe fizeram essa campanha vencedora. Pessoalmente, mesmo com a minha candidatura sendo decidida apenas em abril de 2008 visitei mais de 1800 lugares, de casa em casa, de núcleo em núcleo e voltando mais de uma vez para reafirmar os apoios.
Quanto ao financiamento, o partido ajudou todos os candidatos com um determinado valor. O restante veio de contribuições de pessoas e algumas empresas, em sua maioria, os mesmos que apóiam as campanhas do deputado estadual Adriano Diogo. Posso garantir, entretanto, que os recursos foram de empresas e pessoas idôneas.
GSM – De onde veio a maioria dos seus votos?
Juliana – Vieram de São Mateus, do Sapopemba e de Itaquera, além de outras regiões em menor número.
GSM – Em função dessa forte ligação com o deputado Adriano Diogo e pelo fato dele já ter sido vereador pela cidade de São Paulo, a senhora pensa em recuperar algum projeto apresentado por ele anteriormente?
 Juliana – Com certeza e já falamos sobre isso. Vamos analisar juntos e devo retomar alguns que sejam bons para a cidade. Se precisar, vamos atualizá-los para reapresentar.
GSM – É notório que a Câmara funciona com muita dificuldade para a atuação do vereador. Existem vários casos de vereadores que nunca tiveram seus projetos apreciados em função de uma prática não tão recente de ter que sempre debater projetos enviados pelo Executivo. Como à senhora pretende atuar dentro dessa realidade? Enfim, para que a senhora quis ser vereadora?
Juliana: Principalmente para fiscalizar, que é o nosso papel principal. Além do que, hoje existe uma infinidade de projetos de leis na Câmara. Quero do meu mandato e foi a isso que nos propomos ter um diferencial que será o de manter um link permanente com a população. Pretendo de alguma forma, incluir as comunidades e a população no processo político e já estou fazendo isso desde já. Independente de ser vereadora, já tinha essa proposta e comportamento. Atuar junto, ir lado a lado, tanto quanto possível. Existem leis, existem possibilidades e as pessoas precisam saber delas. Pretendo contribuir também nessa direção.
GSM – Recentemente o DM do seu partido (PT) divulgou documento que queria ver aprovado, mas que está sendo discutido nos diretórios zonais onde analisa a recente eleição e, de novo, conclama a militância e os quadros parlamentares do partido a fazer oposição ao Kassab na cidade de São Paulo. Como à senhora se posicionará diante dessa proposta?
Juliana: Tenho certeza que não vou votar por interesses escusos e particulares e se conseguir fazer o link entre população e legislativo já vai ser uma grande coisa. Agora quanto ao prefeito Kassab, o meu critério principal será o de fazer oposição se ele fizer alguma coisa que está fora dos padrões dos compromissos assumidos por ele e das leis. Posso até apoiar se ele fizer em benefício da maioria da população. Entretanto, teremos que estudar cada caso e não é possível, fazer atualmente apenas oposição por oposição. Além do que somos uma bancada e teremos que discutir com outros colegas de partido esses posicionamentos. De imediato já posso dizer que farei oposição a ele por conta de algumas reintegrações de posse da forma como vem ocorrendo em alguns lugares da cidade.
GSM – Onde, por exemplo?
Juliana: No prédio Mercúrio, aqui no centro e no São Francisco em São Mateus onde estão tentando desalojar as pessoas com 1000, 2000 reais de ajuda financeira. Não existem políticas públicas para habitação. Completando a resposta a sua pergunta, sei que não vou mudar o mundo, mas o pouco que fizer de diferente já justifica.
GSM – Existem casos de vereadores que chegaram cheios de intenções e que se enquadraram com o tempo. O que a senhora acha?
Juliana – Acho que posso até apanhar muito pela forma como pretendo exercer o mandato. Vou sentar-me a mesa com a bancada, com adversários e com o executivo e colocar e defender tanto quanto possível nossas posições.
GSM – A senhora já pensa em algum projeto específico?
Juliana – Queria apresentar um projeto para transformar o Morro do Cruzeiro em São Mateus em um parque municipal, pensando na sua preservação. Também em São Mateus queria ajudar a resolver o problema e aliviar o sofrimento dos moradores da Vila Bela.
GSM – Desde a sua posse até agora (meados de janeiro/08) o mandato já voltou às bases?
Juliana – Nossa primeira grande demanda foi em São Mateus. Estamos tendo reuniões com os moradores do Limoeiro, onde as famílias receberam multas da prefeitura que variam de 2 a 18 mil reais por ausência de habite-se. Com coisa que apenas lá ocorrem esse tipo de, digamos “irregularidade”. O mais curioso é que após a multa, os moradores andaram recebendo uma carta de particulares oferecendo assessoria jurídica. Já estivemos lá tentando falar com o subprefeito, Clóvis Luis Chaves que se encontra em férias e estamos tratando com assessores. Existem casas lá que o valor da multa se equivale ao valor real da casa. Essa é a primeira grande demanda que estou pessoalmente e através da assessoria jurídica do gabinete acompanhando.
GSM – Com essa presença em São Mateus a senhora acha que os apoiadores do ex-vereador Paulo Fiorilo possam fazer convergir esse apoio ao seu mandato?
Juliana – Primeiro queria registrar que fiquei muito triste com a não eleição dele. O Paulo era um parlamentar atuante e correto. Gostava muito da sua atuação na questão da criança e do adolescente. Quanto à pergunta eu não sei responder.
GSM – Para finalizar o que São Mateus pode esperar do seu mandato?
Juliana – São Mateus como toda zona leste, principalmente na periferia tem muitas necessidades e vou me dispor a ajudar os movimentos e as pessoas para fazer o que está na lei. Ajudando, orientando mesmo que nas coisas simples. Meu mandato vai tentar sempre dar as respostas e encaminhamentos rápidos às questões coletivas e comunitárias.
São Mateus está dentro desse contexto, mas poderia destacar o projeto para o Morro do Cruzeiro, a Vila Bela, a intervenção da Jacu Pêssego, a finalização da canalização do córrego Riacho dos Machados e a situação do São Francisco que tem interferência do Rodoanel e da Jacu Pêssego como prioridades. Lá existe a situação idealizada com o cadastro de moradores feito pela prefeitura em 2004 e a realidade atual que já é diferente e será preciso pensar alternativas para a eventual remoção daquelas pessoas que lá residem. Uma das saídas, por exemplo, é, em alguns casos, a prefeitura liberar verbas para projetos de mutirões para as pessoas construírem adequadamente suas casas. Estamos acompanhando isso com muita atenção.
GSM – Serão essas ações que justificaram os seus mais de 30 mil votos?
Juliana – É isso também, ando muito na periferia e nunca encontramos parlamentares, com exceção do meu companheiro Adriano Diogo. Quero ser uma vereadora com presença nas ruas. Vereador do povo praticando uma política que ajude a emancipar. Esse será o meu diferencial. Na casa, além do plenário e as demais funções de vereadora, gostaria de atuar na comissão interna de criança e adolescente e saúde, mas isso será decidido depois pela bancada do PT.
 
Publicado na edição de janeiro/2008 da Gazeta São Mateus

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26 de janeiro de 2009 at 11:59

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Mais maduro o eleitor escolhe entre as melhores ofertas

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Para além de entrar no mérito se foram eleitos os melhores prefeitos em cada cidade, principalmente nas capitais, o que se viu nas últimas eleições em primeiro e segundo turno é que o eleitor, de uma maneira geral, está mais maduro e definindo com objetividade o seu voto.
De fato, quase nada do que se fez em termos de campanha de rua com panfletagem e visibilidade em bandeiraços e outros expedientes similares demoveram os eleitores de suas intenções de votos. No caso de São Paulo o que se viu nas campanhas de TV que foi por onde os eleitores fizeram suas escolhas entre o primeiro e o segundo colocados foi um festival de ofertas.
Não houve um espaço para a cidadania como ação coletiva de baixo para cima e as campanhas passaram ao longe do cheiro das ruas. Todas as campanhas foram geradas e concebidas por marqueteiros, gente especializada em vender produtos, e, vender bem. A propaganda brasileira está entre as mais criativas.
Foi nesse cenário que o eleitor, sem querermos entrar no mérito disso, definiu o seu posicionamento e voto. Recebia diariamente promessas e mais promessas de realizações e, se um candidato oferecia o céu o outro oferecia o céu com anjinho dentro. Se uma campanha prometia cortar imposto era possível esperar que a outra além de cortar imposto talvez prometesse alguma devolução.
Isso foi a campanha em São Paulo. Sem espaço para discussão de conteúdos ideológicos. Tudo ficou resumido a escolher em quem prometesse dar mais. As campanhas foram montadas com esses objetivos e o eleitor entendeu o recado vendo que a disputa seria apenas essa e não teve dúvidas em fazer suas opções, enfim, entrou no clima de observar quem tinha melhores ofertas aliadas a capacidade de cumpri-las. Se a campanha desse ano resumiu-se a esse mercado a culpa é dos candidatos, suas direções ou falta de direções políticas e seus marqueteiros. O povo, sabiamente e mais maduro fez a sua escolha nesse cenário estreito. (JMN)
 
Publicado na Gazeta São Mateus, ed 278 – 2a quinzena de 2008

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30 de outubro de 2008 at 17:55

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Foi dada a partida para 2010

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Mal acabou a apuração do segundo turno de 2008 e já foi possível detectar que a grande mídia já deu partida a campanha presidencial de 2010 e, sem muitas firulas já mostrou quem é o seu candidato: o tucano José Serra, segundo a leitura dessa mídia o grande vencedor.

Os donos da mídia dominante apoiaram-se principalmente no resultado da capital paulista com a eleição de Gilberto Kassab, a rigor, o único grande trunfo da aliança PSDB_DEM. O fato é que totalizado os resultados a oposição saiu enfraquecida das eleições municipais. No segundo turno, com 30 cidades em disputa a base aliada (PMDB, PT, PP, PR, PTB, PSC, PTC, PTdoB, PSB, PDT, PCdoB, PMN e PAN) sai com 20 prefeitos entre as 26 capitais brasileiras ode a oposição se saiu com apenas meia dúzia.

Vale lembrar o que se passou em 2004, quatro anos atrás, quando Serra foi eleito com a mídia garantindo que por isso a oposição entrava forte na sucessão presidencial. Não foi bem assim, a indicação de Serra, em 2006, tropeçou com o surgimento de outro postulante tucano, o então governador Geraldo Alckmin que se impôs e, apesar de toda conjuntura na época com a divulgação intensa sobre o ‘mensalão’ desde 2005, Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu com mais de 60% dos votos tornando-se até agora o presidente da República mais bem avaliado desde que se começou a fazer pesquisas de opinião pública no país.

O fator Minas

A vontade da mídia não será o suficiente para colocar o governador Serra no patamar de preferência nacional até 2010. É público e notório a existência de outro tucano de bico blindado no páreo: o governador mineiro Aécio Neves, que trabalhou e muito para colocar na Prefeitura de Belo Horizonte um eu tutelado, Márcio Lacerda (PSB). Vai criar obstáculos a intenção paulista. Basta registrar que Aécio tem na ponta da língua um discurso muito bem calcado para disputar a indicação com Serra. “Chega de paulistas disputando a Presidência pelo PSDB; depois de Mário Covas (1989), Fernando Henrique (1994 e 1998), Serra (2002) e Alckmin (2006), é hora de mudar o disco”. “Essa vitória é a vitória de um projeto, mais que de um candidato. É um projeto de Minas”, insistia o governado mineiro ao comentar o segundo turno. “Essa não é apenas a vitória do governador e do novo prefeito (de Belo Horizonte). Sinaliza para algo novo no Brasil”. Dá para ter dúvidas sobre o que ele que dizer?

Fator surpresa

Uma outra coisa não que a mídia não registrou direito e não fez questão de divulgar é que com a economia crescendo e o presidente bem avaliado, os ocupantes das prefeituras tiveram um enorme trunfo nas disputas, pois usufruíram desse crescimento nacional. Nas capitais, dos 20 prefeitos que tentaram a reeleição, dezenove se elegeram e Kassab foi um deles.

Em 2010 não se tem nenhuma garantia que o ambiente propício vai se repetir. O cenário pode também ser bem diferente, a depender principalmente dos encaminhamentos para a crise que sopram dos Estados Unidos. Não que o tufão que vem vindo de lá possa derrubar por si só o Lula e o seu campo político, pelo menos até agora isso não tem ocorrido, mas é possível que chegue mais fortemente ao Brasil e para o mal ou para o bem, as opções econômicas que poderão ser adotadas internamente podem delimitar diferenças mais explícita com a oposição conservadora e neoliberal e com a própria ortodoxia ainda predominante em áreas do governo, como a equipe do Banco do Brasil. Na crise a eleição presidência tenderia a ser mais politizada com mais explicitação de opções.

Serra vai tentar se impor

Apesar dessas nuances que podem dificultar sua vida enquanto postulante a candidato a Presidência em 2010, Serra se fortaleceu com a vitória do Kassab sobre Marta Suplicy (PT), principalmente porque demonstra até onde ele pode ir quando atrás de seus objetivos. Em 2002, foi à vez de Roseana Sarney que se colocou como obstáculo e foi atropelada. Em 2008, agora, foi Alckmin o traído pelos serristas de seu próprio partido.

Serra se diz não arrogante, mas não pensa pequeno e opera: deu certo atropelando Alckmin e o governador de Minas Aécio Neves deve saber avaliar esse comportamento e deve estar tomando suas precauções e, talvez até tome a dianteira de forma mais agressiva uma vez que o governador mineiro é melhor de voto que o governado de São Paulo. A rigor, concorrendo a cargos executivos Serra ganhou apenas para prefeito em 2004 e para governador em 2006 e perdeu em três outras ocasiões, para prefeito (1988 e 1996) e presidente (2002). A mídia que já colocou Serra como o favorito está arriscando sobre um fato que ainda está longe de ser consumado. (JMN)
 
Publicado no jornal Primeiro Lance de 31/10/08 e Gazeta São Mateus, ed 278 2a quinzena de outubro/2008

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30 de outubro de 2008 at 17:53

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O risco de esquecer o holocausto em tempos de crise

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Para que não se perca na lembrança, o holocausto, cuja palavra de origem grega significa queimado e que desde o século XIX passou a designar grandes catástrofes e massacres tem como marca recente o extermínio de judeus e outros grupos indesejados pelo regime nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Pois bem, não faz muito tempo, o Reino Unido suprimiu dos seus currículos escolares o assunto porque ofendia a população muçulmana, visto que, parte dela, afirma que ele nunca teria ocorrido. Medo? Política de boa vizinhança com o regime do Irã que, entre outros, vem sustentando que o holocausto não teria ocorrido? Quais outros países podem, também pelos mesmos motivos, tentar mandar para o limbo do esquecimento esse assunto?
Tinha razão o general Dwight D. Einsenhower quando, ao final da guerra. ordenou que fossem feitos filmes e fotos. Na ocasião ele previa: “Que se tenha o máximo de documentação – façam filmes – gravem testemunhos – porque há-de vir um dia em que  algum idiota se vai erguer e dizer que isto nunca aconteceu” Ao encontrar algumas centenas de vítimas dos campos de concentração, como vencedor da guerra, o general ordenou que fosse feito as fotos e filmes. Ao mesmo tempo os alemães da cidades vizinhas foram guiadas até os campos e até mesmo ajudaram a enterrar os mortos para comprovar o que hoje alguns tentam esquecer e outros negar.
E não se trata aqui de uma posição religiosa ou racial. De fato a  maior parte dos exterminados era judia, mas também havia militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores, deficientes mentais, prisioneiros de guerra soviéticos, membros da elite intelectual polaca, russa e de outros países do Leste Europeu, além de ativistas políticos,  Testemunhas de Jeová, alguns sacerdotes católicos e sindicalistas, pacientes psiquiátricos e criminosos de delito comum.
Ocorre que fanatismos e xenofobias sempre prosperam quando em conjunturas de crises sócio-econômicas quando, com maior ou menor intensidade, surgem grupos organizados interessados na destruição da ordem ou desordem existente na perspectiva de substituí-la por outra. Quando de sua existência, o nazismo queria resolver os problemas sócio-econômicos da Alemanha de então, mas queriam também mudar o curso da história. Foi no centro desse pensamento que aflorou a teoria da conspiração judia. Mesmo em contradições flagrantes, eles entendiam a humanidade como uma guerra de raças em contraposição aos marxistas que alegavam que os problemas diziam respeito a luta de classes.
Para os nazistas, os judeus, ao ocuparem importantes funções dentro da economia, artes, meios de comunicação e literatura, atrapalhavam o seu objetivo de conquista de poder através do liberalismo e da democracia em alguns países e, em outros, sob a máscara do socialismo e do comunismo. Para o historiador Erich Goldhagen, do Russiam Research Center, da Universidade de Harvard, "esses apelos contraditórios serviriam para atrair as várias classes ao movimento nazista, mesmo não podendo resolver os antagonismos que as dividiam”. O problema da luta de classes, como corretamente lembrada pelos marxistas, era em parte resolvida pela imaginária ameaça judia. Em face do perigo judeu o trabalhador alemão resolveu suas diferenças com os inimigos de classe, chegando a um consenso que contemplava os interesses comunitários. Também a idéia da inferioridade judia, e conseqüentemente superioridade alemã, teve implicações pseudo-igualitárias que representaram outro fator para a coesão nacional.
Goldhagen destaca que desta maneira, o anti-semitismo serviu aos nazistas "não somente como uma bandeira de união em sua ascensão ao poder, mas exercendo funções essenciais ao regime". "Ao contrário dos comunistas, que se dirigiam apenas ao proletariado, Hitler apelava para toda sociedade alemã. Para os trabalhadores, os nazistas se apresentavam com a máscara socialista e se declaravam inimigos da ‘plutocracia capitalista’. Para os industriais, prometiam reprimir os poderosos sindicatos alemães e a esquerda. A classe média, mais duramente atingida pela crise econômica, era assediada com promessas de segurança econômica, proteção contra o avanço comunista e restauração do status perdido".
Na atualidade é prudente lembrar que deixando de lado a obsoleta tese da inferioridade judia e demais segmentos minoritários, a luta de classes, embora colocada em termos muito mais sofisticados ainda persiste e um aprofundamento da crise com o aumento da presença muçulmana que prega a inexistência do holocausto pode prosperar no caldo de cultura a idéia de que a luta de classes não existe e sim raças e religiões que estão acima das outras.
Publicado no Jornal Primeiro Lance edição de 31/10/08

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30 de outubro de 2008 at 17:51

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Campanha eleitoral é um festival de ofertas

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A campanha em segundo turno para a Prefeitura de São Paulo está chegando a um ponto que faz a cidadania se perguntar: são propostas de governo que estão nos sendo apresentadas ou novas formas de viver e se comportar sob a tutela absoluta do Estado?

A atual campanha, de ambos os candidatos, Marta e Kassab, com apenas diferença de intensidade não deixam espaço algum para o papel ativo da população ou da sociedade organizada. Tudo se dá, tudo se resolve com fórmulas prontas de cima para baixo, sem espaços de manobra e sem conflitos aparentes, eles não são permitidos tudo se resolve com a política certa.

As oferendas dos candidatos são tantas e tão abrangentes que vem colocando toda a sociedade de joelhos, de boca aberta e mãos elevadas para agarrar as migalhas prontas que os candidatos a gerentes da próxima administração dizem que vão dar. Onde está a cidadania nessa posição subalterna? Tem sido constrangedor a população e o eleitor ter que optar por quem dá mais.

A situação, tão exacerbada, está resvalando para o primeiro estágio da barbárie com a renúncia ao enfrentamento pela sociedade da complexidade que a democracia demanda na desejável gestão coletiva nos rumos da cidade.

Sintomas e amostras dos equívocos não faltam e podem ser percebidos em ambas as campanhas, basta anotar todas as promessas de providências que ele dizem que vão tomar. Em quase todas elas restará a sociedade receber, caso elas sejam implementadas que é outra discussão, os frutos sadios ou adoentados de políticas públicas concebidas em gabinetes e laboratórios sem o suor honesto das ruas.

Resultado de marketing onde um sabonete cheiroso é confrontado por outro que se diz mais perfumado. É nulo o papel da cidadania, nem o voto tem valor nisso. É um jogo de mercado onde se escolherá o mais atraente ou perfumado.

Para deixar claro a despolitização e a alienação da atual campanha, basta lembrar que o candidato Kassab, em campanha, está propondo cuidar das crianças desde a gestação. Segundo a proposta: do vente materno, já tutelado pelo prefeito, a criança irá para as creches, atuais centros de educação infantil e deles para a rede pública de ensino que até lá, provavelmente, será em período integral e depois para o CEU e sabe-se lá para onde depois.

A pergunta é qual o papel das famílias nisso tudo? Elas só vão precisar gerar novas crianças que o prefeito vai cuidar com formulas prontas e sem discussão e ingerência?

Somos nós que pagamos as contas com impostos e taxas e cabe ao governo servir a sociedade e não o contrário. Não cabe a gente deliberar sobre isso e outras providências que estão sendo prometidas?

J. de Mendonça Neto, jornalista e editor.

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28 de outubro de 2008 at 10:51

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A importância de seu voto

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Desta vez vou me ocupar neste espaço sobre um assunto que, embora já tenhamos tratado indiretamente, requer uma abordagem mais incisiva e direta. É sobre a importância do voto que, a cada dia que passa, fico mais convencida. Originária do Latim voluntas = vontade, o voto não tem preço, mas tem conseqüências.

O voto é a única forma legal de nos escolhermos quem vai nos representar politicamente e para exercer o direito de voto temos o alistamento eleitoral que torna o cidadão em eleitor. Obrigatório para quem tem mais de 18 anos e facultativo aos analfabetos e aos maiores de setenta anos também é facultativo aos maiores de dezesseis anos.

Daqui alguns dias vão ocorrer eleições em todas as cidades brasileiras que, portanto, elegerão prefeitos ao Executivo e vereadores para o Legislativo. Dessa forma acho que vale a pena dar algumas pinceladas gerais em quais as principais funções de cada um deles.

O vereador é um representante daqueles que o elegeram e tem a função de: legislar sobre assuntos de interesse local; suplementar a legislação federal e estadual; legislar sobre tributos municipais; apresentar projetos de leis, decretos legislativos, resoluções e emendas; formular requerimento, moções, indicações; emitir pareceres; participar de debates e votações; eleger a Mesa Diretora e das Comissões; conhecer o Regimento Interno da Câmara; comparecer às sessões e votar as proposições submetidas à deliberação da Câmara.

E, ao Executivo Municipal, como principal detentor do poder, o Prefeito, cabe: iniciar o processo legislativo na forma da lei; exercer a direção da Administração Municipal com as Secretarias Municipais e outros órgãos auxiliares; sancionar, promulgar e fazer publicar as leis; expedir decretos e regulamentos; vetar projetos de leis; nomear e exonerar Secretários; subscrever ou adquirir ações; encaminhar ao Tribunal de Contas, sua prestação de contas e apresentar relatório sobre o andamento das obras.

Entendido o básico do que são as responsabilidades de cada um deles é visível que na história recente tem vereador e prefeito fazendo o que não deve, mas não é nesse ponto que vou me ater, tire você mesmo às conclusões.

Gostaria mesmo é de convidar os nossos leitores a refletir sobre o fato de que quando votamos delegamos praticamente nossas funções para outras pessoas. Assim precisamos de alguém que julgamos nos represente muito bem na função e que defenda os nossos direitos.

Só que diante desse quadro não tão recente, onde prevalece a politicagem, não cabe a nós mudar e deixar de votar. Cabe a nos mudar os políticos e votar direito. De preferência votando em quem faz política em favor do povo, o que, afinal, são muito poucos.

Para mudar a nossa forma de votar e votar melhor é preciso observar, conhecer o passado do candidato e ver como ele se comporta diante das coisas e durante a campanha. Para determinar o candidato a ser votado precisamos avaliar seus planos e projetos para melhorias na região. Uma outra boa maneira é durante a campanha eleitoral assistir ao planejamento feito por cada candidato e ainda atentar para os debates feitos em emissoras de TV, pois tais debates revelam um pouco mais sobre cada candidato.

Para mudar para melhor ainda também devemos contribuir para a conscientização da população para o voto justo e incorruptível que é uma boa maneira de diminuir a quantidade de pessoas subornadas e compradas ilegalmente.

Para finalizar é bom ficar atento ao calendário eleitoral dos próximos dias. Após o dia 30 até 48 horas depois do encerramento da eleição, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto. O dia 2 é o último dia para a propaganda política e realização de debates; no dia 3, último dia de divulgação em jornais seguindo padrões da lei. No dia 5, temos um compromisso com as urnas e a nossa consciência e, em havendo segundo turno, começa tudo de novo no dia 7 de outubro.

Muito juízo e que seu voto contribua para a melhoria da maioria.

Publicado Gazeta São Mateus, ed 276 09/2008

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:46

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