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Felicidade a qualquer custo pode ser uma das razões da violência
São muitos os casos envolvendo a violência contra crianças. O que será que está acontecendo com as famílias, tendo em vista que uma grande parte dessas agressões vem dos próprios pais ou parentes? É uma sociedade doente, com valores doentes, com a elevação em primeiro lugar de importância o ter, o possuir em contraposição ao ser, ao repartir.
A competição desenfreada da sociedade moderna, notadamente as que se encontra em países em processo de desenvolvimento, mas com valores culturais e históricos de valor, faz criar e crescer adultos impiedosos, gananciosos que raciocinam e operam sempre a partir de seus umbigos e interesses.
Outro dia conversando com um rapaz que passou mais de seis anos nos Estados Unidos onde entregava pizzas me fez refletir sobre uma informação que talvez seja procedente e ajude a explicar essa índole nacional. Ele me dizia filosoficamente “No Brasil somos empurrados a achar que devemos ser felizes o tempo todo: futebol, praia, piadas, etc. Nos Estados Unidos não se tem essa mentalidade. Lá ninguém acha que está fora do mundo porque é sério, preocupado e até deprimido”, dizia ele. E não é que parece fazer muito sentido.
A exigência de que sejamos felizes e que aproveitemos o que tem de bom o tempo todo nos faz perder a noção de determinados limites; e espancar os filhos é um deles. Se é possível numa sociedade como a nossa que espanquemos nossos filhos e em alguns casos algumas pessoas vão tão longe que até os matam, o que esperar de outras pessoas desta mesma sociedade sem grau de parentesco com as vítimas inocentes? Lembremos de diversos casos que não conseguimos esquecer: do menino preso ao carro arrastado pelas ruas do Rio de Janeiro por bandidos em fuga. Dos casos onde pessoas próximas seqüestram e matam crianças indefesas em troca de bens materiais e dos casos absurdos em que a própria existência da criança atrapalha a vida dos adultos.
Voltando ao desatino que é buscar a felicidade e o aproveitamento a qualquer custo da para perceber que nessa situação está uma das raízes do desamor e do desrespeito com o próximo e, às vezes, próximos demais: filhos, por exemplo. Esse estar sempre aproveitando é que nos faz tolerar as pequenas e sutis violências do dia-a-dia, diferente daquelas que consiste na agressão física propriamente dita, mas que é silenciosa, perpetrada às vezes a luz do dia, debaixo dos olhos da sociedade e das autoridades, portanto até mais difíceis de combater.
Uma das facetas dessa violência que se lança contra a infância e juventude brasileira são as despejadas diariamente pela mídia através das programações obscenas, impróprias, desqualificadas e infames que chegam a ofender os valores morais, espirituais, a pureza e a inocência que seria desejável num ser em desenvolvimento. Fico pasma com mães ou parentes de crianças novinhas que se deliciam às gargalhadas com a dança do “creu” e outras similares fazendo disso motivo de orgulho. Pobres crianças que pouco entendem o significado de certas coisas e tem a sua sexualidade estimulada cada vez mais precocemente. Quem começa não respeitando as etapas de crescimento do ser humano do qual deveria ser um dos responsáveis pode-se esperar muito mais, até mesmo o espancamento, assunto que iniciamos lá trás.
A própria internet que é um ótimo instrumento também tem sido utilizada para fomentar a globalização da violência infanto juvenil, quando promove o intercâmbio da hedionda exploração sexual de crianças e adolescentes entre os pedófilos.
Livrar nossas crianças e adolescentes dos diversos tipos de violência não é tarefa simples. Talvez comece pelo brasileiro entender que não precisa levar vantagem em tudo e nem ser feliz a qualquer custo e mudar seu comportamento. Pessoal especializado, vontade política dos governantes, dos deputados que, em tese fazem as leis e do judiciário que deveria fazê-las serem cumpridas se espera muito mais. Quem tem poder como os detentores da mídia, por exemplo, tem um papel de vital importância nisso tudo.
Semear bons costumes, respeito à vida humana e a promoção de valores humanitários no lugar de estimular a competição cega e sem ética, a visão de que é preciso estar feliz e realizado com muitos bens materiais o tempo todo já ajuda. Cada um de nós pode contribuir de algum modo orientando tanto quanto possível nossos filhos e netos com valores humanistas; cobrando sempre das autoridades providências nas várias frentes cultural e educativa principalmente e denunciando as agressões e os agressores quando for necessário; sejam eles programas de televisão nocivos ao crescimento das crianças mentalmente sadias ou aos pais, mães, madrastas e padastros ensandecidos que acham que podem decidir ao seu bel prazer sobre a vida humana em formação que eles deveriam ajudar a cuidar. (JMN)
São Mateus também é berço do samba
Uma das maiores do mestre
SHELTER FROM THE STORM
One of toil and blood
When blackness was a virtue
And the road was full of mud
I came in from the wilderness
A creature void of form.
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
And if I pass this way again
You can rest assured
I’ll always do my best for her
On that I give my word
In a world of steel-eyed death
And men who are fighting to be warm
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Not a word was spoke between us
There was little risk involved
Everything up to that point
Had been left unresolved
Try imagining a place
Where it’s always safe and warm
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
I was burned out from exhaustion
Buried in the hail
Poisoned in the bushes
An’ blown out on the trail
Hunted like a crocodile
Ravaged in the corn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Suddenly I turned around
And she was standin’ there
With silver bracelets on her wrists
And flowers in her hair.
She walked up to me so gracefully
And took my crown of thorns
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Now there’s a wall between us
Somethin’ there’s been lost
I took too much for granted
Got my signals crossed
Just to think that it all began
On a long-forgotten morn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
Well, the deputy walks on hard nails
And the preacher rides a mount
But nothing really matters much
It’s doom alone that counts
And the one-eyed undertaker
He blows a futile horn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm."
I’ve heard newborn babies
Wailin’ like a mournin’ dove
And old men with broken teeth
Stranded without love
Do I understand your question, man
is it hopeless and forlorn?
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
In a little hilltop village
They gambled for my clothes
I bargained for salvation
An’ they gave me a lethal dose
I offered up my innocence
And got repaid with scorn
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
Well, I’m livin’ in a foreign country
But I’m bound to cross the line
Beauty walks a razor’s edge
Someday I’ll make it mine
If I could only turn back the clock
To when God and her were born
"Come in," she said
"I’ll give you shelter from the storm"
Uma de labuta e sangue
Quando trevas eram uma virtude
E a estrada estava coberta de lama
Eu cheguei do ermo
Uma criatura vazia de formação
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
E se eu passar por este caminho novamente
Pode descansar sossegado
Eu sempre farei o meu melhor para ela
Nisso dou minha palavra
Em um mundo onde morte tem um olho de aço
E homens estão matando para se manter aquecidos
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Nenhuma palavra foi dita entre nós
Havia pouco risco envolvido
Tudo até aquele ponto
Foi deixado sem resolver
Tente imaginar um lugar
Onde é sempre seguro e aquecido
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Eu estava queimado por exaustão
E enterrado no granizo
Envenenado pelos arbustos
E apagado na trilha
Caçado por crocodilos
Devorado pelo milho
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
De repente eu me viro
E ela está ali de pé
Com braceletes de prata nos seus pulsos
E flores em seu cabelo
Ela se chegou a mim tão graciosamente
E retirou minha coroa de espinhos
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Agora existe uma parede entre nós
Algo se perdeu
Fiquei mal acostumado demais
Fiquei com os sinais cruzados
Só de pensar que tudo começou
Em uma longa esquecida manhã
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Bem, o xerife anda sobre pregos duros
E o pregador cavalga um morro
Mas nada realmente importa muito
Somente a ruína é que conta
E o papa-defuntos caolho
Que sopra um corno fútil
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Eu já ouvi bebês recém nascidos
Chorando como um pombo lamentando
E anciões com dentes quebrados
Largados sem amor
Se eu entendo a pergunta, cara
Será sem esperança ou desamparado?
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Em um pequeno vilarejo no topo do morro
Eles apostam por minhas roupas
Eu negociei minha salvação
E eles me deram uma dose letal
Eu ofereci minha inocência
E fui pago com escárnio
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Bem, estou morando num país estrangeiro
Mas qualquer dia cruzo a fronteira
A beleza caminha por um fio de navalha
Algum dia o farei meu
Se eu pudesse voltar o relógio
Para quando Deus e ela nasceram
“Pode entrar” ela disse
“Lhe darei abrigo da tempestade.”
Alternativa cultural atrás da delegacia de Itaquera
O ritmista da noite paulistana Rogério Camacho de Andrade oferece todas as tardes e noites a extensão de sua casa no centro de Itaquera para o deleite de músicos, artistas diversos e gente antenada no viés cultural. É o bar do Camachos.
Intercalando períodos de funcionamento intenso e outros de quase ostracismo, incluindo alguns fechamentos esporádicos por força das oscilações desse sujeito abstrato chamado “mercado”, o espaço segue revigorado e aconchegante, desde que foi reaberto pela última vez em outubro último.
Se a arquitetura e a decoração não primam pela originalidade com as acomodações modestas e despretensiosas, o clima pós-hippie da casa agrega parte da fina flor da intelectualidade orgânica local. São poetas, seresteiros, trabalhadores e vagabundos, professores e alunos de faculdades próximas com destaque para artistas plásticos, gente de teatro e músicos de várias vertentes, que se tiverem um estilo afinado com a proposta do local, por vezes, dão canjas no local.
Sendo um bar temático poderia cair no risco que ameaçam todos eles, ou seja a de ter uma abordagem monocórdia, estreita e sectária da cultura, entretanto isso não acontece e essa característica mais eclética e menos radicalizada é que mantém o vigor do local.
Naturalmente que sendo extensão da sua casa, o bar, que se confunde e se mistura propositalmente com um ponto de exposição cultural, carrega muito do modo de ver a vida do seu proprietário. O fato de Camacho ter sido ritmista na noite e de acompanhar a cena cultural, principalmente a musical, carrega determinadas posturas que, mesmo involuntariamente são transferidas ao ambiente. Por essa razão que ele pode ser considerado mais que um músico é também um agitador cultural.
Camacho já promoveu a exibição de mais uma dezena de filmes, notadamente do novo cinema brasileiro; fez alguns saraus poéticos e teatrais e promoveu centenas de apresentações de cantores e compositores locais em seu espaço, a exemplo do cantor e compositor com importante trabalho na região, Sacha Arcanjo, que se apresentava com o Trio Padiola, na noite do dia 10.
Para Sacha Arcanjo que ali se apresenta com alguma regularidade, “O bar do Camacho é um local onde você faz exatamente o que deseja. Você pode apresentar suas próprias composições e aquelas de terceiros com que mais tem afinidade, sem ser importunado por ninguém. Hoje, com certeza, é um dos locais mais agradáveis para se apresentar na zona leste”, sentencia o experiente músico.
Recentemente, consultado por uma arte-educadora sobre o que achava do Dia da Consciência Negra, Camacho traçou um paralelo dizendo que a data lhe parecia com aquele amigo que nunca te liga, apenas se lembra no dia do seu aniversário. Para ele, o racismo está na exclusão. “Afinal; todo dia é dia de índio. Todo dia é dia de todo mundo. As pessoas devem ser bons cidadãos e ter consciência geral de não discriminar, não poluir, não prejudicar os outros em nada. Como dono do bar eu quero que as pessoas venham aqui e sintam-se bem. Não quero que ninguém venha pra cá para ser agredido, independente de raça, credo, situação social, etc.”.
Finalizando Camacho explica que a pior parte da sua atividade é à hora de fechar o bar. “As pessoas não querem ir eu também não quero fechar”, registra . “Aqui também é um espaço para que as cabeças pensantes possam se livrar da mesmice que rola por aí”, citando um amigo seu da região. O espaço em questão, que fica atrás do 32º DP de Itaquera, geralmente, fica aberto todos os dias das 15 às 24h00. Às vezes segue aberto até os últimos freqüentadores.



























