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Relatório alerta para catástrofe ambiental; façamos nossa parte
O impacto do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU divulgado no início de fevereiro de 2007 e que monopolizou a atenção da mídia do mundo inteiro durante aqueles dias já arrefeceu e está desaparecendo dos meios de comunicação de massa que transforma tudo em espetáculo.
Nem mesmo o grave alerta de que a temperatura da Terra pode subir na melhor das hipóteses 1,8º C e na pior até 4º C trazendo consigo tufões, secas e o aumento do nível dos oceanos conseguiram segurar o assunto mais de uma semana. É lamentável e preocupante. O assunto copa do mundo, por exemplo, apesar da importância que tem é bem menor do que a preservação do meio ambiente fica meses martelando nas nossas cabeças.
Lamentável porque, com certeza, a insistência no assunto poderia trazer ao telespectador, leitor ou ouvinte desavisado a possibilidade de uma abertura de consciência para os problemas de ordem ambiental que poderá ser num futuro não tão distante o grande responsável pelo desaparecimento de toda uma espécie: a nossa. E é também preocupante porque não se apresentaram com clareza quais as iniciativas que vamos todos: governos, comunidades do mundo inteiro tomar para brecar a corrida ao precipício.
O presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, disse esperar "que este relatório deixe as pessoas chocadas e leve os governos a agirem com mais seriedade". Fazemos coro com ele: tomará que seja ouvido.
Até porque não é novidade a cantilena dos ambientalistas dos mais variados matizes sobre as providências mínimas que cada um de nós pode tomar e que vai desde ser um consumidor mais parcimonioso e consciente, consumindo apenas e tão somente aquilo que nos permita reproduzir nossas condições de vida até as iniciativas mínimas quanto a usar com economia os recursos naturais como a água, por exemplo.
Se isso é absolutamente pouco é o que se espera das pessoas civilizadas. Temos que nos conscientizar da necessidade de tomar outras pequenas iniciativas para minimizar os males que causamos ao meio ambiente. Plantar árvores e cuidar para que se desenvolvam; diminuir a quantidade de lixo e que por falta de separação vão parar nos aterros onerando as Prefeituras; reciclar ou separar para a reciclagem todo e qualquer inservível que não seja orgânico; manter os escapamentos dos veículos em ordem é, entre outras tantas, pequenas tarefas que nos cabe assumir.
O relatório apresentado pela Onu que aponta para o aquecimento global foi construído e aprovado por mais de 500 cientistas e representantes governamentais. Mais de 130 países participaram da elaboração do documento, incluindo os Estados Unidos, que não ratificaram até hoje o protocolo de Kyoto, que impôs aos países desenvolvidos reduzirem em 5,2% suas emissões de gases de efeito estufa até 2012. É uma baita representação e deveríamos levar a sério as suas conclusões.
Este é o quarto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente para avaliar as informações científicas e sócio-econômicas sobre o aquecimento global. O relatório anterior, de 1995, foi o que serviu de base para a elaboração do Protocolo de Kyoto, lançado dois anos depois. Prevê-se que este quarto relatório sirva como referência para o "pós-Kyoto", ou seja, para o compromisso dos países para após o período de 2012, quando expira o atual protocolo. Entretanto, quanto mais cedo começarmos a tomar as providências melhor.
Entre outras indicações o relatório diz que "Concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso aumentaram notavelmente como resultado das atividades humanas desde 1750, e agora excedem, em muito, os valores (anteriores)" e que "Os aumentos globais na concentração de dióxido de carbono se devem, sobretudo, ao uso de combustíveis fósseis e mudanças no manejo da terra, enquanto o aumento de metano e óxido nitroso se deve primordialmente à agricultura." Ou seja, temos que aprofundar o uso de energias não poluentes no que o Brasil pode ter um papel de vanguarda.
Para isso o que não se pode é tratarmos desse assunto com a mesma importância de uma copa do mundo que vem, vai e passa. Na questão do meio ambiente o buraco é mais embaixo, embora o da camada de ozônio fique em cima.
(Publicado no Gazeta de São Mateus ed-237 fevereiro/2007)