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Marina, um caso raro
Marina diz que saída foi motivada por “estagnação” após cinco anos e meio no cargo
“Ainda não falei com o presidente Lula, só entreguei a carta. Mas a carta diz tudo”, afirmou.
Marina negou que a gota d´água para sua saída tenha sido a entrega da coordenação do Plano Amazônia Sustentável ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e não ao Ministério do Meio Ambiente; apesar de admitir que não foi avisada da decisão antes da cerimônia de lançamento do programa.
"Não posso dizer que o meu gesto é em função do doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa, mas é que você vai vendo um processo e percebe quando começa a ter estagnação.”
Marina disse que “ficou feliz” com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política ambiental não mudará e elogiou a escolha do novo ministro da pasta, Carlos Minc, que, segundo ela, “qualifica o processo” e poderá dar continuidade às conquistas de sua gestão.
“É melhor ter um filho vivo no colo de outro do que ter o filho jazindo no seu próprio colo”, comparou. Ela disse que não pode haver retrocessos na política ambiental e acredita que Minc manterá “o filho” vivo e o fará crescer.
Questionada sobre o que não pôde ou não teve espaço para fazer no governo, Marina disse que sua saída não pode ser considerada uma derrota e citou a trajetória eleitoral do presidente Lula e a luta do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, como exemplos de que “não é correto falar em derrota sem considerar o tempo” e que só “com a história é que se descobre o que foi derrota e o que foi vitória”.
A ex-ministra disse que passou por “momentos difíceis” ao longo de cinco anos e meio no governo, entre eles pressão pelo licenciamento ambiental das obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (RO).
“Poderia sair naquele momento como uma heroína, com a versão de que saí porque passaram por cima da minha opinião, do que eu defendia. Mas, em nenhum momento, o presidente Lula disse que queria o licenciamento a qualquer custo, mudando a legislação."
A ex-ministra também citou embates com o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, com quem teve “discussões muito acaloradas” por mudanças no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Marina afirmou que a redução de 146 para 26 metros cúbicos por segundo da vazão de água que será desviada do rio pode ser considerada uma grande vitória.
Marina Silva disse que não tem intenção de se candidatar ao governo do Acre e afirmou que deve voltar ao Senado Federal daqui a duas semanas. Questionada se sua atuação do Congresso será mais parecida com a de Ideli Salvalti (PT-SC) ou a de Eduardo Suplicy (PT-SP), respondeu que "vai ser mais para Marina Silva".
Pressões sobre regras do crédito agrícola derrubaram Marina Silva, diz Greenpeace
O Ministério do Meio Ambiente não confirma as razões da demissão. E o governo do Mato Grosso nega a alegação do Greenpeace. "Não há fundamento nesta afirmativa”, disse o secretário de Comunicação, José Carlos Dias. Segundo ele, o governador Blairo Maggi foi surpreendido com a saída da ministra e não se manifestou sobre o assunto.
As regras para crédito agrícola foram aprovadas em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e já valem para a safra 2008/2009, que começa em julho. "Isso começou a impactar quem desmatava, as pressões aumentaram e foram aceitas pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil", afirmou Sérgio Leitão em entrevista.
Blairo Maggi esteve em Brasília na última quinta-feira para o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Segundo Leitão, o governo estaria disposto a revogar as novas regras. O Palácio do Planalto não confirma as informações.
"O Senado ganha uma ótima senadora [Marina Silva, que vai reassumir o cargo no Senado], mas o Brasil perde a última e única voz que falava em nome das questões ambientais", avalia o diretor do Greenpeace. Ele acredita que a saída de Marina Silva terá impacto negativo internacionalmente. “O governo perde sua carta de apresentação internacional nas discussões ambientais. Se o Brasil tinha alguma credibilidade perante o mundo, acabou de perder".
Leitão lembrou que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vem a Brasília amanhã (14) justamente para tratar de questões ambientais – no dia 28 de abril, o ministro de Meio Ambiente do país, Sigmar Gabriel, esteve com Marina Silva, em Brasília, preparando a vinda de Merkel. Além disso, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, tinha audiência marcada com Marina Silva na quinta-feira, em Brasília.
Marina: fim de uma agonia
Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável
Erguida com técnicas de “bioconstrução”, a Chácara Asa Branca é uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente e “uso ético” dos recursos naturais e dos bens de consumo, de acordo com o administrador Leandro Jacinto, um dos proprietários da área.
“A idéia não era chegar e ‘limpar o terreno’. É o contrário, as mudanças que fazemos têm a intenção de preservar o ambiente, e até melhorá-lo. O impacto passa a ser positivo”, relata.
“Temos três éticas na permacultura: cuidado com as pessoas, cuidado com a Terra e distribuição dos excedentes”, destaca Leandro Jacinto. Segundo ele, pensar a “arquitetura humana” com sustentabilidade é uma maneira de contribuir para "atenuar problemas mundiais, como a escassez de água, as restrições à produção de alimentos e até mesmo o aquecimento do planeta".
A sustentabilidade das construções também é aplicada nas soluções de saneamento básico. A água da chuva é armazenada em três grandes reservatórios, construídos com técnicas da permacultura. “É água suficiente para seis meses, sem precisar de outras fontes de abastecimento”, aponta Jacinto.
Nos banheiros, a descarga tradicional – que utiliza água potável – foi substituída por um sistema de compostagem: os resíduos são misturados à serragem e depois de passar por um processo químico natural, são transformados em adubo orgânico para hortas e jardins. A irrigação com água da chuva e a adubação natural garantem a produção de hortaliças, leguminosas e frutas, para consumo da chácara. A meta dos moradores – três famílias atualmente – é ter 60% da sua alimentação produzida no local.
“A gente busca solução para vários problemas, de forma simples e reaplicável. Acreditamos que é possível ser responsável pela nossa própria existência”, sugere Jacinto.
É preciso discutir o desconforto com os pequenos depósitos de reciclagem
Sustentabilidade e negócios
Um dos maiores problemas da atualidade bateu recorde na cidade de São Paulo no dia 13/03. Trata-se do congestionamento nas ruas e avenidas da metrópole com incríveis 221 quilômetros de vias paradas, depois de uma semana infernal. Logo depois, naturalmente, as opiniões de especialistas propondo soluções começaram a aparecer nos meios de comunicação. Pedágios urbanos, melhoria da rede de transporte público e até mesmo a ampliação do rodízio foram algumas das idéias mais palatáveis.
Claro está que são soluções paliativas, apesar de necessárias em curto prazo, mas basta observar que onde as propostas acima foram adotadas, nas cidades européias, continuou o crescimento do número de carros em circulação apenas tornando mais lenta o engarrafamento tempos depois.
Uma análise realística de longo prazo mostra que o problema está basicamente no excesso de carros em circulação; somente na capital paulista, a cada dia são emplacados quase mil novos carros, não dá para disfarçar o aumento de carros em circulação é o problema apesar do que pode depreender da mais recente edição da revista Exame que se propunha a fazer uma “edição verde”. Prometendo ir ao cerne da questão as dez matérias da revista desvia do tema nevrálgico que é a questão ambiental.
Só para se ter uma idéia de como se desviou da questão uma das matérias priorizava a iniciativa governamental que estuda incentivar a população de baixa renda a descartar dez milhões de geladeiras antigas, comprando novas com subsídios governamentais. É isso mesmo! Dez milhões no lixo e dez milhões de novas geladeiras consumindo os recursos naturais que são precisos para fabricá-las. Naturalmente, essas novas geladeiras serão "mais eficientes energeticamente". Com isso reforça-se a tese de que podemos ajudar a resolver o problema ambiental consumindo "mais e melhor" e não reduzindo o consumo.
Voltemos ao engarrafamento do trânsito. Nesse quesito a conclusão da revista é que a culpa não é do crescimento nem das montadoras e sim uma amostra da ineficiência do país que não se preparou para o progresso.
“Vale lembrar que a tal da revista Exame é a que melhor representa no país o pensamento da turma dos suicidas inveterados, aqueles capaz de defender o atual sistema e ritmo de produção e consumos mesmo se estiverem naufragando num mar de saquinhos plásticos”, observa astutamente o jornalista especializado em meio ambiente Danilo Pretti Di Giorgi que investigou detalhadamente a edição a que nos referimos. Vão mais longe: todo o texto da matéria dedica-se a desconstruir com ferocidade qualquer possibilidade de raciocínio que, ainda que remotamente, considere a venda recorde de veículos na metrópole como uma das culpadas pelos problemas no trânsito.
Este tipo de preocupação em uma publicação como a Exame é na verdade um sinal de avanço na discussão ambiental, que vem ganhando espaço de forma crescente desde a segunda década do século passado e que tem multiplicado sua força nos primeiros anos deste milênio. Apesar do viés absolutamente equivocado da "edição verde", que traz como foco apenas as formas pelas quais as empresas podem obter maiores lucros com a "onda ambientalista", o fato é que a revista está se dedicando cada vez mais ao tema meio ambiente considera o jornalista.
Em condições normais de temperatura e pressão, os editores desta publicação não dariam a mínima bola para um tipo de raciocínio "tão retrógrado", com "ranço socialista", como a hipótese de que a produção e venda de carros podem ser as culpadas pelo caos do trânsito. A preocupação explícita e até mesmo desesperada – como se pode perceber em termos fortes como "abraçar o fracasso" – contra este tipo de pensamento pode mostrar que está crescendo entre as pessoas mais conscientes ambientalmente a percepção de que o nó está exatamente na produção e consumo sem limites e na perigosa idéia de crescimento econômico infinito. Tanto que, para quem aposta na continuidade do funcionamento da máquina da morte que se tornou o sistema no qual vivemos, essa consciência precisa ser atacada, uma vez que começaria a tomar forma e representar real perigo.
Não há outro caminho para a civilização a não ser uma drástica redução da produção e do consumo. Essa verdade pode ser verificada em um sem-número de problemas que enfrentamos nos dias de hoje: as milhões de toneladas de sacos plásticos emporcalhando os oceanos e matando animais aquáticos por sufocamento, a poluição do ar e dos rios, a falta de saída para o drama da superlotação dos aterros sanitários, a crise da água potável e o aumento da temperatura da Terra são apenas alguns exemplos. Para não falar do crescimento da devastação da Amazônia para atividades comerciais, nossa grande vergonha nacional. Todos estes problemas têm na sua raiz a impulsividade humana pela produção e pelo consumo ilimitado, o que vai contra a incontestável limitação de recursos naturais disponíveis no planeta Terra.
Brasileiro gastam cinco vezes mais água que o indicado pela OMS
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.
Faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, e não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias; isto é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.
Segundo o especialista “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades no exterior”. A Prefeitura de Nova York implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água por outros, racionalizadores. Com o programa os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. Além disso, constataram que conservar/economizar 100 milhões de litros de água, por exemplo, sai até um quarto do custo exigido para captar, tratar e distribuir igual volume de água, ou seja, é muito mais barato racionalizar do que aumentar a produção.
Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é apenas do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.
Distribuição da água
É preciso lembrar também que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provocam desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.