Paginaleste's Blog

Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for the ‘Meio Ambiente’ Category

Marina, um caso raro

leave a comment »

É quase inacreditável que Marina Silva tenha conseguido manter-se por tanto tempo como ministra de um governo com uma política tão negativa para o meio ambiente, mantendo intactos seus princípios, lutando e conquistando vitórias até o fim. Alguns analistas mais românticos consideram que ela abriu mão de suas crenças em muitas de suas decisões, como, por exemplo, ao assinar a concessão de florestas públicas e ao dividir o Ibama de uma forma que desagradou muita gente.
São muitos os casos de pessoas bem intencionadas, que, uma vez dentro do assustador mundo da política, acabam abandonando suas convicções em nome do famigerado pragmatismo. Outras não suportam a sujeira e para seguir firme em suas crenças abandonam a vida pública. Marina é um caso raro de pessoa pública que sabe ceder quando isso é inevitável, pois tem a inteligência, a força e a capacidade política suficientes para perceber quando objetivos de longo prazo justificam recuos estratégicos ou mesmo tomadas de decisão dolorosas.
É certo que ao governo interessava sua permanência, apesar da pedra no sapato que ela representava para os desenvolvimentistas. Ter à frente do Ministério do Meio Ambiente uma ambientalista internacionalmente reconhecida emprestava ao governo – principalmente no exterior – um selo de qualidade que ele não merecia ter. Por outro lado, acredito que suas poucas vitórias em meio a tantas derrotas justificavam com sobras sua permanência, uma vez que, considerando a realidade que ela foi obrigada a enfrentar, não havia outra pessoa capaz de chegar a tanto dentro do governo Lula.
Seu trabalho abnegado, aliado à força de sua imagem, foi fundamental para segurar a instalação das hidrelétricas na Amazônia e para forçar a adoção de critérios de segurança muito mais rígidos para a liberação destes projetos. Da mesma forma, acho pouco provável que Lula tivesse assinado a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol caso não fosse Marina a ministra do Meio Ambiente. Mais: os 24 milhões de hectares de novas áreas de conservação federais por ela conquistados permanecerão lá depois do seu pedido de demissão. São apenas alguns exemplos.
Hoje não consigo imaginar quem tenha em Brasília, como Marina tinha, força e coragem para atacar publicamente o projeto governamental de transformar o Brasil na OPEP do etanol, para encarar o tanque de guerra Roussef, para enfrentar o rolo compressor do agronegócio, para ousar se contrapor aos objetivos do PAC ou para manter posição firme contra as hidrelétricas nos grandes rios da Amazônia – apesar das incomensuráveis pressões contrárias por todos os lados. Mesmo em temas que foram considerados derrotas políticas de sua gestão, Marina seguia com abnegação buscando minimizar seus efeitos negativos, como no caso da criação de reservas paralelas à futuramente asfaltada BR-163.
As efusivas reações à sua saída por parte dos representantes dos setores mais umbilicalmente ligados à destruição da floresta dizem muito e não deixam margem de dúvidas quanto à importância de seu trabalho. Foi uma festa geral. Para parlamentares ligados ao agronegócio ouvidos pela imprensa, Marina teria muito "ranço ideológico", faltaria nela "bom senso" e sua gestão teria representado "um atraso para o país". Para o deputado Marcos Montes (DEM-MG), sua saída foi "mais um gol" de Lula.
Marina era como um exército de um homem só. Sua visão em defesa da floresta era praticamente única no alto escalão do governo. Ainda assim, conquistou muitas vitórias, muitas vezes imperceptíveis, nos detalhes da redação de projetos, tornando-os menos nocivos, ciente que devagar se vai longe. Vou sempre guardar sua gestão como um exemplo de perseverança, paciência, fortaleza, sabedoria, fé e coragem. Citando as últimas palavras da sua carta de demissão, que Deus continue abençoando e guardando nossos caminhos, Marina.
Danilo Pretti Di Giorgi é jornalista publicado originalmente no Correio Da Cidadania.

Written by Página Leste

18 de maio de 2008 at 11:54

Publicado em Meio Ambiente

Marina diz que saída foi motivada por “estagnação” após cinco anos e meio no cargo

leave a comment »

Ao justificar o pedido de demissão feito na última terça-feira (12), a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva disse dia 15 que deixou o governo porque o processo que conduzia há cinco anos e meio chegou à "estagnação" e precisa de um “novo acordo político” para ter continuidade. Foi a primeira vez que Marina Silva falou publicamente sobre a demissão.
“Ainda não falei com o presidente Lula, só entreguei a carta. Mas a carta diz tudo”, afirmou.
Marina negou que a gota d´água para sua saída tenha sido a entrega da coordenação do Plano Amazônia Sustentável ao ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, e não ao Ministério do Meio Ambiente; apesar de admitir que não foi avisada da decisão antes da cerimônia de lançamento do programa.
"Não posso dizer que o meu gesto é em função do doutor Mangabeira. Não é uma questão de pessoa, mas é que você vai vendo um processo e percebe quando começa a ter estagnação.”
Marina disse que “ficou feliz” com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política ambiental não mudará e elogiou a escolha do novo ministro da pasta, Carlos Minc, que, segundo ela, “qualifica o processo” e poderá dar continuidade às conquistas de sua gestão.
“É melhor ter um filho vivo no colo de outro do que ter o filho jazindo no seu próprio colo”, comparou. Ela disse que não pode haver retrocessos na política ambiental e acredita que Minc manterá “o filho” vivo e o fará crescer.
Questionada sobre o que não pôde ou não teve espaço para fazer no governo, Marina disse que sua saída não pode ser considerada uma derrota e citou a trajetória eleitoral do presidente Lula e a luta do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, como exemplos de que “não é correto falar em derrota sem considerar o tempo” e que só “com a história é que se descobre o que foi derrota e o que foi vitória”.
A ex-ministra disse que passou por “momentos difíceis” ao longo de cinco anos e meio no governo, entre eles pressão pelo licenciamento ambiental das obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (RO).
“Poderia sair naquele momento como uma heroína, com a versão de que saí porque passaram por cima da minha opinião, do que eu defendia. Mas, em nenhum momento, o presidente Lula disse que queria o licenciamento a qualquer custo, mudando a legislação."
A ex-ministra também citou embates com o então ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, com quem teve “discussões muito acaloradas” por mudanças no projeto de transposição das águas do Rio São Francisco. Marina afirmou que a redução de 146 para 26 metros cúbicos por segundo da vazão de água que será desviada do rio pode ser considerada uma grande vitória.
Marina Silva disse que não tem intenção de se candidatar ao governo do Acre e afirmou que deve voltar ao Senado Federal daqui a duas semanas. Questionada se sua atuação do Congresso será mais parecida com a de Ideli Salvalti (PT-SC) ou a de Eduardo Suplicy (PT-SP), respondeu que "vai ser mais para Marina Silva".
 


 

 

Written by Página Leste

15 de maio de 2008 at 20:38

Publicado em Meio Ambiente

Pressões sobre regras do crédito agrícola derrubaram Marina Silva, diz Greenpeace

leave a comment »

O Greenpeace considera o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, uma sinalização de que o governo federal não está preocupado com as questões ambientais. Segundo Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas da organização não-governamental (ONG), Marina saiu em razão de pressões do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, pela revogação das novas normas que condicionam a concessão de financiamento agrícola ao cumprimento de critérios ambientais.
O Ministério do Meio Ambiente não confirma as razões da demissão. E o governo do Mato Grosso nega a alegação do Greenpeace. "Não há fundamento nesta afirmativa”, disse o secretário de Comunicação, José Carlos Dias. Segundo ele, o governador Blairo Maggi foi surpreendido com a saída da ministra e não se manifestou sobre o assunto.
As regras para crédito agrícola foram aprovadas em fevereiro pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e já valem para a safra 2008/2009, que começa em julho. "Isso começou a impactar quem desmatava, as pressões aumentaram e foram aceitas pelo Palácio do Planalto e pela Casa Civil", afirmou Sérgio Leitão em entrevista.
Blairo Maggi esteve em Brasília na última quinta-feira para o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Segundo Leitão, o governo estaria disposto a revogar as novas regras. O Palácio do Planalto não confirma as informações.
"O Senado ganha uma ótima senadora [Marina Silva, que vai reassumir o cargo no Senado], mas o Brasil perde a última e única voz que falava em nome das questões ambientais", avalia o diretor do Greenpeace. Ele acredita que a saída de Marina Silva terá impacto negativo internacionalmente. “O governo perde sua carta de apresentação internacional nas discussões ambientais. Se o Brasil tinha alguma credibilidade perante o mundo, acabou de perder".
Leitão lembrou que a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, vem a Brasília amanhã (14) justamente para tratar de questões ambientais – no dia 28 de abril, o ministro de Meio Ambiente do país, Sigmar Gabriel, esteve com Marina Silva, em Brasília, preparando a vinda de Merkel. Além disso, o primeiro-ministro da Finlândia, Matti Vanhanen, tinha audiência marcada com Marina Silva na quinta-feira, em Brasília.

Written by Página Leste

15 de maio de 2008 at 12:04

Publicado em Meio Ambiente

Marina: fim de uma agonia

leave a comment »

A auto-demissão de um dos maiores ícones da luta ambiental simboliza o fim de uma longa agonia que simbolizou a gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Nesses quatro anos, Marina foi derrotada com a liberação dos transgênicos e a retomada do programa nuclear brasileiro; foi obrigada a engolir a transposição das águas do São Francisco; foi pressionada a liberar obras polêmicas, como as hidrelétricas do rio Madeira; e cometeu erros, como o fracionamento do Ibama, com a criação do Instituto Chico Mendes.
Mas Marina não caiu pelos seus erros. Marina caiu pelos seus acertos. Pela coragem que teve, ainda que fosse demérito para seu governo, de divulgar os índices crescentes de desmatamento na Amazônia e responsabilizar o agronegócio do gado e da soja por esse recrudescimento. Marina caiu porque era insustentável sua permanência em um governo de Maggis, Rodrigues e Romeros que, por fora e por dentro, boicotam as medidas de combate ao desmatamento.
Marina caiu porque em um governo que privilegia o crescimento a qualquer custo, onde a geração de divisas do agronegócio exportador tem mais valor do que a preservação de nossas florestas, sua presença já se configurava como um corpo estranho.
Em última análise, Marina saiu porque, de transversal e integrada, como ela lutava para que fosse a política ambiental do governo, mais uma vez o meio ambiente foi enxergado como um entrave ao desenvolvimento. Ainda que tarde, mostra a seringueira do Acre que se alfabetizou aos 14 anos que sua trajetória não podia mais continuar a ser enxovalhada por um governo rendido aos interesses do grande capital.
João Alfredo Telles Melo é advogado, professor de Direito Ambiental e consultor de políticas públicas do Greenpeace.
 Marina Silva (PT), senadora pelo Acre ex-ministra do Meio Ambiente

Written by Página Leste

15 de maio de 2008 at 11:59

Publicado em Meio Ambiente

Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável Chácara próxima a Brasília mostra experiências de construção sustentável

leave a comment »

A 25 quilômetros de Brasília, uma área de cerrado quase intacta abriga construções de barro com telhados gramados, aproveitamento de água da chuva e produção de alimentos sem agroquímicos, numa paisagem que nem de longe lembra a capital de concreto do Plano Piloto e da Esplanada dos Ministérios.
Erguida com técnicas de “bioconstrução”, a Chácara Asa Branca é uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente e “uso ético” dos recursos naturais e dos bens de consumo, de acordo com o administrador Leandro Jacinto, um dos proprietários da área.
“A idéia não era chegar e ‘limpar o terreno’. É o contrário, as mudanças que fazemos têm a intenção de preservar o ambiente, e até melhorá-lo. O impacto passa a ser positivo”, relata.
“Temos três éticas na permacultura: cuidado com as pessoas, cuidado com a Terra e distribuição dos excedentes”, destaca Leandro Jacinto. Segundo ele, pensar a “arquitetura humana” com sustentabilidade é uma maneira de contribuir para "atenuar problemas mundiais, como a escassez de água, as restrições à produção de alimentos e até mesmo o aquecimento do planeta".
A sustentabilidade das construções também é aplicada nas soluções de saneamento básico. A água da chuva é armazenada em três grandes reservatórios, construídos com técnicas da permacultura. “É água suficiente para seis meses, sem precisar de outras fontes de abastecimento”, aponta Jacinto.
Nos banheiros, a descarga tradicional – que utiliza água potável – foi substituída por um sistema de compostagem: os resíduos são misturados à serragem e depois de passar por um processo químico natural, são transformados em adubo orgânico para hortas e jardins. A irrigação com água da chuva e a adubação natural garantem a produção de hortaliças, leguminosas e frutas, para consumo da chácara. A meta dos moradores – três famílias atualmente – é ter 60% da sua alimentação produzida no local.
“A gente busca solução para vários problemas, de forma simples e reaplicável. Acreditamos que é possível ser responsável pela nossa própria existência”, sugere Jacinto.
LEGENDA: Leandro Jacinto, administrador da Chácara Asa Branca, uma das experiências brasileiras de permacultura, conceito de planejamento e execução de ocupações humanas de forma sustentável, com respeito ao meio ambiente

Written by Página Leste

6 de maio de 2008 at 9:43

Publicado em Meio Ambiente

É preciso discutir o desconforto com os pequenos depósitos de reciclagem

leave a comment »

 Uma das atitudes mais louváveis e entre as mais sensatas, a reciclagem ganha destaque mundial como uma necessidade premente para dar um pouco mais de fôlego a humanidade que vê cada vez mais acelerado o uso intensivo e insano de seus recursos materiais. No atual ritmo e modo de desenvolvimento que a maioria dos países adota como correto, vai chegar o tempo em que à escassez será tão grande que poderemos ter por toda parte situações de calamidade hoje só encontradas nas realidades de diversos países da África ou do Haiti, por exemplo, no continente americano, conforme vemos com alguma freqüência em telejornais sérios e documentários.
Claro está que esse modelo de desenvolvimento está fadado ao fracasso e só para ter como exemplo de ameaça evidente; a água de qualidade que pode ser usado pelos humanos, tem data para terminar se não houver um basta na insanidade desenvolvimentista.
É dentro dessas preocupações que deveriam ser universais que se insere o importante papel da reciclagem de materiais inservíveis com seus exércitos de recicladores que vemos cotidianamente com a sua lida, adversa, por sinal, porque a separação do que pode ser aproveitado e do que não pode ainda não é rotina dos brasileiros e os paulistanos incluídos.
Se a reciclagem é tão importante e necessária deveria ser estimulada pela grande mídia, pela escola, pelos governos, por todos, enfim, não é motivo para fecharmos os olhos para alguns desvios perigosos que vem ocorrendo.
Por conta da necessidade sempre crescente de gerar renda, muita gente, por vezes famílias inteiras, buscam na reciclagem, separação e venda de materiais que podem ser reciclados o seu sustento, entretanto, sem infra-estrutura, esclarecimentos suficientes e, às vezes, por falta de um pouco de boa vontade, esses catadores acabam gerando situações indesejáveis. Sabem coletar, sabem separar, mas não sabem armazenar corretamente o fruto de sua garimpagem diária e ai começam a se formar pequenos depósitos que sem fiscalização e orientação estão gerando desconforto para os vizinhos e o entorno.
Não é prerrogativa de São Mateus, naturalmente, mas quanto mais locais como esses são criados mais trazem consigo o aumento da sujeira pelas calçadas e ruas, mau cheiro, baratas, ratos e focos de dengue em poças que às vezes mal se consegue localizar diante de tanta bagunça que esses locais acabam se transformando.
Uma atitude louvável e necessária acaba, por conta da instalação de pequenos depósitos, se transformando em fonte de aborrecimentos e preocupações. Ratos, baratas, sujeiras e focos de dengue ninguém quer próximo às suas portas e é natural que assim seja. Como, então, conviver com a ação louvável da reciclagem e com os aborrecimentos que nesses casos trazem? É para se fechar os olhos para a situação que se está criando, ou é preciso discutir: vizinhos, reciclador, donos de depósitos e poder público como ter os benefícios da reciclagem sem os dissabores que a ação trás?
Está em aberta a questão. A reportagem da Gazeta de São Mateus que tem constatado o crescimento de ocorrências como esta quer junto com a comunidade e os atores envolvidos discutir essa situação. Tampar o sol com a peneira não resolve.

Written by Página Leste

27 de abril de 2008 at 18:58

Publicado em Meio Ambiente

Sustentabilidade e negócios

leave a comment »

Um dos maiores problemas da atualidade bateu recorde na cidade de São Paulo no dia 13/03. Trata-se do congestionamento nas ruas e avenidas da metrópole com incríveis 221 quilômetros de vias paradas, depois de uma semana infernal. Logo depois, naturalmente, as opiniões de especialistas propondo soluções começaram a aparecer nos meios de comunicação. Pedágios urbanos, melhoria da rede de transporte público e até mesmo a ampliação do rodízio foram algumas das idéias mais palatáveis.

Claro está que são soluções paliativas, apesar de necessárias em curto prazo, mas basta observar que onde as propostas acima foram adotadas, nas cidades européias, continuou o crescimento do número de carros em circulação apenas tornando mais lenta o engarrafamento tempos depois.

Uma análise realística de longo prazo mostra que o problema está basicamente no excesso de carros em circulação; somente na capital paulista, a cada dia são emplacados quase mil novos carros, não dá para disfarçar o aumento de carros em circulação é o problema apesar do que pode depreender da mais recente edição da revista Exame que se propunha a fazer uma “edição verde”. Prometendo ir ao cerne da questão as dez matérias da revista desvia do tema nevrálgico que é a questão ambiental.

Só para se ter uma idéia de como se desviou da questão uma das matérias priorizava a iniciativa governamental que estuda incentivar a população de baixa renda a descartar dez milhões de geladeiras antigas, comprando novas com subsídios governamentais. É isso mesmo! Dez milhões no lixo e dez milhões de novas geladeiras consumindo os recursos naturais que são precisos para fabricá-las. Naturalmente, essas novas geladeiras serão "mais eficientes energeticamente". Com isso reforça-se a tese de que podemos ajudar a resolver o problema ambiental consumindo "mais e melhor" e não reduzindo o consumo.

Voltemos ao engarrafamento do trânsito. Nesse quesito a conclusão da revista é que a culpa não é do crescimento nem das montadoras e sim uma amostra da ineficiência do país que não se preparou para o progresso.

“Vale lembrar que a tal da revista Exame é a que melhor representa no país o pensamento da turma dos suicidas inveterados, aqueles capaz de defender o atual sistema e ritmo de produção e consumos mesmo se estiverem naufragando num mar de saquinhos plásticos”, observa astutamente o jornalista especializado em meio ambiente Danilo Pretti Di Giorgi que investigou detalhadamente a edição a que nos referimos. Vão mais longe: todo o texto da matéria dedica-se a desconstruir com ferocidade qualquer possibilidade de raciocínio que, ainda que remotamente, considere a venda recorde de veículos na metrópole como uma das culpadas pelos problemas no trânsito.

Este tipo de preocupação em uma publicação como a Exame é na verdade um sinal de avanço na discussão ambiental, que vem ganhando espaço de forma crescente desde a segunda década do século passado e que tem multiplicado sua força nos primeiros anos deste milênio. Apesar do viés absolutamente equivocado da "edição verde", que traz como foco apenas as formas pelas quais as empresas podem obter maiores lucros com a "onda ambientalista", o fato é que a revista está se dedicando cada vez mais ao tema meio ambiente considera o jornalista.

Em condições normais de temperatura e pressão, os editores desta publicação não dariam a mínima bola para um tipo de raciocínio "tão retrógrado", com "ranço socialista", como a hipótese de que a produção e venda de carros podem ser as culpadas pelo caos do trânsito. A preocupação explícita e até mesmo desesperada – como se pode perceber em termos fortes como "abraçar o fracasso" – contra este tipo de pensamento pode mostrar que está crescendo entre as pessoas mais conscientes ambientalmente a percepção de que o nó está exatamente na produção e consumo sem limites e na perigosa idéia de crescimento econômico infinito. Tanto que, para quem aposta na continuidade do funcionamento da máquina da morte que se tornou o sistema no qual vivemos, essa consciência precisa ser atacada, uma vez que começaria a tomar forma e representar real perigo.

Não há outro caminho para a civilização a não ser uma drástica redução da produção e do consumo. Essa verdade pode ser verificada em um sem-número de problemas que enfrentamos nos dias de hoje: as milhões de toneladas de sacos plásticos emporcalhando os oceanos e matando animais aquáticos por sufocamento, a poluição do ar e dos rios, a falta de saída para o drama da superlotação dos aterros sanitários, a crise da água potável e o aumento da temperatura da Terra são apenas alguns exemplos. Para não falar do crescimento da devastação da Amazônia para atividades comerciais, nossa grande vergonha nacional. Todos estes problemas têm na sua raiz a impulsividade humana pela produção e pelo consumo ilimitado, o que vai contra a incontestável limitação de recursos naturais disponíveis no planeta Terra.

Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:48

Publicado em Meio Ambiente

Brasileiro gastam cinco vezes mais água que o indicado pela OMS

leave a comment »

 

No dia 22 de março comemora-se o Dia Internacional da Água, uma ótima oportunidade para mudarmos a forma de pensar a questão da água no Brasil. Pesquisas indicam que o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o ideal: 40 litros diários por pessoa. No Brasil são 200 litros dia/pessoa, em média.
“Infelizmente, o brasileiro acha que como temos bastante água no Brasil, não é preciso economizar. Pelo contrário, temos regiões em que se você dividir o volume de água pela população, podemos considerá-las como áreas de déficit hídrico, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo”, explicou o chefe das assessorias da Agência Nacional de Águas (ANA), Antônio Félix Domingues.

Faltam políticas globais de incentivo ao uso racional da água e as iniciativas existentes estão sempre voltadas para o aumento da produção de água, e não para a diminuição do consumo. “Até quando vamos deixar as campanhas de uso racional da água nas mãos das concessionárias; isto é contraditório, porque o negócio delas é vender água, assim, quanto maior o consumo e, por decorrência, a venda de água, mais as concessionárias lucram”, destaca Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água.

Segundo o especialista “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades no exterior”. A Prefeitura de Nova York  implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água por outros, racionalizadores.  Com o programa os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. Além disso, constataram que conservar/economizar 100 milhões de litros de água, por exemplo, sai até um quarto do custo exigido para captar, tratar e distribuir igual volume de água, ou seja, é muito mais barato racionalizar do que aumentar a produção.

Diariamente nas capitais brasileiras o desperdício de água potável equivale a 2.500 piscinas olímpicas (em média 2,5 milhões de litros de água). E a culpa neste caso, não é apenas do consumidor. A perda de cerca de seis bilhões de litros – o suficiente para abastecer 38 milhões de pessoas – acontece entre a retirada dos mananciais e a chegada às torneiras.

Distribuição da água
É preciso lembrar também que, das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país. Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provocam desmatamento  e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.


Written by Página Leste

22 de abril de 2008 at 10:46

Publicado em Meio Ambiente

4ª Caminhada ao Morro do Cruzeiro

with 2 comments

A capital ainda tem reservas de Mata Atlântica secundária em São Mateus, mas se não houver um intervenção forte do poder público, principalmente da Prefeitura e da Segurança, com o reforço e o apoio para desenvolver mais intensamente um policiamento ambiental será por pouco tempo.
Foi o que os participantes da 4ª Caminhada ao Morro do Cruzeiro realizada na manhã do dia 28/07, num frio de 10º C puderam constatar e se revoltar com as várias antenas de rádios piratas instaladas no local e as construções irregulares que crescem a cada dia ao pé do morro.
Por causa do mau tempo no sábado e as trilhas escorregadias os caminhantes e fiéis, entre eles o deputado estadual, Adriano Diogo (PT/SP), único parlamentar presente não subiram e a missa prevista para ocorrer no topo foi realizada ao pé do morro com o bispo retratando durante a homilia a indignação que tomou conta de todos os presentes. O momento foi de muita tristeza.
O Morro do Cruzeiro com seus 990 metros de altura oferece uma visão privilegiada da zona leste de São Paulo e poderia ser um bonito palco da natureza e um significativo recurso para ser explorado em forma de turismo, sem uma intervenção vai se transformar, e breve, em mais uma aglomerado urbano de péssima qualidade de vida.
Não se sabe até quanto, mas a cidade de São Paulo perde cada vez mais as suas reservas de Mata Atlântica que são encurtadas por não estarem preservadas por lei, dando lugar as ocupações irregulares. Moradores vão chegando substituindo a mata.
A luta sempre difícil dos cidadãos conscientes na região tem entre suas lideranças a bióloga Vandineide Ribeiro dos Santos e é para transformar o que resta em uma APA (Área de Proteção Ambiental). No projeto da APA são quatro os pontos de vegetação nativa incluídos: o Morro do Cruzeiro, um dos mais altos de São Paulo; e as nascentes dos rios Aricanduva, Limoeiro e Palanque, no distrito de Iguatemi. O projeto da APA foi apresentado no ano passado, mas não foi aprovado porque houve uma discussão a respeito dos limites do espaço, segundo Vandineide. “Há sugestões para que se torne um parque ou uma APA estadual”, diz. A bióloga alerta, no entanto, que há desvantagens nestas opções. “Para transformar em um parque a Prefeitura teria de comprar os terrenos, que são privados. E uma APA estadual levaria muito tempo em negociações e nós precisamos de ação imediata”.
Se ainda der tempo e chegar a ser transformada em uma APA, a área poderá ser explorada pelo ecoturismo e turismo rural, já que o objetivo em criar espaços como este é compatibilizar a conservação ambiental com o uso sustentável de parte dos recursos naturais. Com a possibilidade de gerar renda com o turismo, os proprietários dos terrenos ajudariam o poder público a fiscalizar as ocupações e o uso irregular das áreas protegidas. “Este é um bem de toda a cidade”, afirma a bióloga, lembrando que os rios da região alimentam o Tietê. Mas, graças às ocupações e à dificuldade de fiscalização, são poluídos apenas algumas centenas de metros após as nascentes. (JMN) 

Written by Página Leste

31 de julho de 2007 at 17:09

Publicado em Meio Ambiente

Ainda o meio ambiente

leave a comment »

Assunto recorrente que tem muito a ver com nossas vidas, vira e mexe vamos tocar no assunto a partir das observações que fazemos no dia-a-dia.
Chamou-nos a atenção uma notícia na manhã do dia 28/03. A Prefeitura da cidade americana de San Francisco, aquela que é palco de inúmeros filmes norte americanos, aprovou um projeto que proibirá as bolsas de plástico fabricadas com derivados de petróleo nos grandes supermercados, num esforço para proteger o meio ambiente.
O prefeito Gavin Newsom deve sancionar a lei, que fará de San Francisco a primeira cidade dos Estados Unidos a adotar uma medida desse tipo.
Segundo a legislação, os grandes supermercados não poderão distribuir bolsas de plástico fabricadas com derivados do petróleo dentro de seis meses. As grandes farmácias teriam um ano para se adaptar à medida.
As novas regras permitiriam apenas a distribuição de bolsas de plástico recicláveis feitas com produtos derivados do milho. Seu uso é pouco freqüente hoje. Papel reciclado e tela são outros materiais admitidos.
"Muitas cidades estrangeiras e outros países já adotaram legislações semelhantes", disse Ross Mirkarimi, o legislador que propôs a medida. Ele disse esperar que outras cidades americanas sigam o exemplo.
Que maravilha! Primeiro mundo é outra coisa e tomará que a lei que está sendo proposta ganhe corpo e mentes dos americanos no país que está entre os que mais poluem. Pode ser até uma forma de imprimir a si próprios uma pequena penitência pelos pecados cometidos contra o meio ambiente que é propriedade de todos sem ser de ninguém. Veneno à parte, torcemos para que essa possa ser uma lei daquelas que pegam e que seja copiada e imitada em outros países do primeiro mundo seja no continente americano, no europeu e asiático.
Mas como a notícia nos faz refletir parei por um instante para imaginar uma iniciativa igual a esta em nossa metrópole. Deu o que pensar. Será que os moradores desta grande e caótica cidade se dariam a esse trabalho que mudar hábitos tão arraigados e substituir os saquinhos de mercado, hoje fiéis depositários dos nossos refugos?
Depois de pensar, deu para assustar. Essa prática e inofensiva embalagem de nossos grandes mercados; aquelas que recolhemos até um pouco a mais do que o necessário para acomodarmos o nosso lixo do dia-a-dia é o mais plástico entre os plásticos. Aquele mesmo que no solo da natureza leva mais de centenas de anos para se transformar em outra coisa ou desaparecer, será que abriríamos mão de usá-los? Tenho certeza que não.
É indiscutível a praticidade dos saquinhos plásticos para acomodar o lixo. Os mais antigos talvez ainda se lembrem de que o lixo doméstico era colocado em latas de 20 litros, entre as mais comuns as de óleo, que eram recolhidas pelos lixeiros que depositavam o conteúdo sobre os caminhões de lixo, largando a lata metros à frente de onde foram colocadas. Na eminência da passagem do caminhão de lixo, era comum as pessoas se postarem no portão de suas casas para recuperarem as latas que voltariam a armazenar o lixo do dia seguinte.
Como não tem a menor viabilidade voltar a esses tempos bucólicos, a indústria, a mesma que para ampliar ganhos estimulou o hábito no uso dos sacos plásticos, cabe buscar alternativas. Para tanto pode buscar ajuda nas universidades e prestar muita atenção ao que os americanos estão propondo.
Para nos resta reduzirmos a produção de lixo, portanto, a utilização dos práticos saquinhos. A mudança de hábitos será uma travessia enorme uma vez que ainda temos vizinhos perto ou longe que além de usarem e abusarem dos sacos plásticos ainda os joga em córregos, terrenos e ruas isoladas, ao invés de armazenarem adequadamente para o lixeiro pegar.
Publicado na Gazeta de São Mateus -ed 239 -2aquinzenamarço2007

Written by Página Leste

2 de abril de 2007 at 13:24

Publicado em Meio Ambiente