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Espaço de observação comprometido com a cidadania.

Archive for the ‘Meio Ambiente’ Category

O fim do mundo no relatório americano

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Partindo de onde partiu a gente é obrigado a prestar
atenção. Pois bem na metade da segunda quinzena de junho o mais significativo
sinal de que a posição dos Estados Unidos com relação aos problemas ambientais
em todo mundo partiu do governo. Um forte sinal de que de fato alguma mudança
está ocorrendo com a eleição de Barack Obama. Foi da Casa Branca que a
sociedade teve acesso a subsídios que revelam os indiscutíveis efeitos do
aquecimento global naquele país que, lembremos não era signatário do Protocolo
de Kioto.

O estudo, chamado “Os impactos da alteração global do
clima nos EUA” [Global Climate Change
Impacts inte the United States
], que apresenta a gravidade da situação é de
responsabilidade da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (Noaa, na
sigla em inglês), do Laboratório Marinho e Biológico de Woods Hole em parceria
com 13 agências governamentais e departamentos de Estado. “Este relatório provê
informações científicas concretas que dizem, sem margem de erro, que as
mudanças climáticas estão acontecendo agora, nos nossos quintais, e afetam as
coisas com as quais as pessoas se preocupam em seu cotidiano”, teria dito a
representante da Casa Branca a imprensa internacional. “Gostaríamos de deixar claro
que as mudanças climáticas já estão em curso e afetam nossas vidas. Não se
trata de um fenômeno restrito às geleiras do Ártico”, disse Thomas Karl,
diretor do Centro de Informação Climática do Noaa.

Importa considerar se é o próprio governo do EUA que
está reconhecendo e dando crédito às conclusões do relatório é porque a
situação é, de fato, delicada. Além do aumento de temperatura e do nível dos
oceanos, tempestades mais freqüentes e alteração nos rios americanos são os
fatos; já estão acontecendo agora não é para amanhã e não é obra de ficção.

Com o que já vem ocorrendo, caso não aconteçam ações
imediatas o que poderá ocorrer vai surpreender até a imaginação de roteiristas
de filme-catástrofe. O relatório, baseando na atual situação estima que até o final
do século a temperatura média dos Estados Unidos estará 11oC mais alta. A costa
leste dos EUA sofrerá muito com a subida dos oceanos e deve faltar água no
sudeste do país tornando mais quente e seco afetando de forma grave o
ecossistema.

Por conta da elevação dos oceanos como resultado do
aumento da temperatura e do degelo Nova York e Los Angeles à Leste e à Oeste
dos EUA serão parcialmente submersas. Com as temperaturas altas a agricultura e
os pântanos da Flórida serão destruídos. Os Grandes Lagos ficarão mais vazios e
os vinhedos da Califórnia serão extintos.

Como se vê os tempos vindouros será bicudo e dá uma
visão do final do mundo. E mais é documento oficial, o primeiro do governo
Obama que dá enorme e preocupante peso aos problemas ambientais causado pelo
aquecimento. Apesar da visão tenebrosa, pelo menos é mais honesta,
diferentemente da administração anterior, de George W. Bush, que não só
conseguiu evitar que se estabelecessem limites para a emissão de gases de
efeito estufa, por isso negou-se a participar do Protocolo de Kioto, como,
muito pelo contrário estimulava política e financeiramente o entendimento na
opinião pública de que o problema climático não era de responsabilidade humana.
Já foi tarde.

Antes tarde do que nunca, tomara que o relatório da
Casa Branca seja mostra de uma provável mudança na direção dos Estados Unidos
para o meio ambiente o que, sem dúvida dá um pouco mais de esperança para a
humanidade considerando que com o seu poder tecnológico e militar e da sua
economia se os Estados Unidos não se preocupasse a questão climática ficaria
cada vez mais longe de uma solução.

Se, afinal o governo dos Estados Unidos reconhece e
nos coloca agora na expectativa de que as mudanças venham é mais do necessário
que a despeito de serem países em desenvolvimento Brasil,
Índia, China e Rússia também controle mais a emissão de gases de efeito estufa
na atmosfera abandonando o discurso que sustenta a desculpa para não fazer nada
ou pouco, a de que quem polui mais, os países desenvolvidos, que agora paguem à
fatura. Até pode estar correta a alegação, mas não é mais sustentável, esses
países também contribuem significativamente para a caminhada em direção ao
precipício.

Portanto, o nosso presidente Lula, por aqui já pode ir
dando sua contribuição vetando partes da Medida Provisória 458 que entrega
terras na Amazônia para quem desmatou e voltando a apoiar o desenvolvimento e
utilização do combustível de fontes renováveis mesmo com todo o petróleo que
dispõe.

Written by Página Leste

1 de julho de 2009 at 12:23

Publicado em Meio Ambiente

O que está por trás da polêmica

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Dias antes de completar o primeiro ano no cargo, o ministro do
Meio Ambiente, Carlos Minc, viu-se envolvido em uma polêmica que começou no
final de maio com deputados da bancada ruralista do Congresso Nacional e até
mesmo outros ministros do atual governo. Minc chegou a chamar de “vigaristas”
os grandes agricultores e reclamou da postura de alguns ministros, que também
responderam publicamente. A troca de farpas fez com que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva pedisse o fim da “algazarra”. Incomodada, a presidente da
Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu, protocolou na
Procuradoria-Geral da República, denúncia contra Minc por crime de
responsabilidade.

Na mesma época Minc também criticou ministros do próprio governo
que, a seu ver, não estariam cumprindo acordos referentes às questões
ambientais combinados com o presidente Lula.

O Congresso Nacional
e o Executivo vêm discutindo nos últimos dias importantes questões para a área
ambiental e quase todas às vezes, Minc está de um lado e ruralistas e outros
políticos de outro.  Na discórdia estão
duas medidas provisórias: a 458, já aprovada pelo Senado que prevê a
legalização de terras ocupadas na Amazônia e a 452, que deverá ser refeita pelo
governo e que simplifica a concessão de licenças ambientais para obras de
recuperação das estradas.

A 458 regulariza a
situação dos chamados posseiros; pessoas que por diversas razões foram atraídas
para a região nas últimas décadas e anos e envolve uma área do tamanho da
França, de 67 milhões de hectares. Segundo essa MP as propriedades com até 100 hectares serão
doadas aos seus respectivos ocupantes. Acima de 100 até 400 hectares o valor a
ser pago será simbólico e os proprietários ou atuais ocupantes de áreas com até
1,5 mil hectares vão pagar preços de mercado.

Na avaliação dos
ruralistas, a medida é importante, pois ajudará a "organizar" a
região e, assim, facilitar a fiscalização contra o desmatamento e diminuir os
conflitos. Cerca de 1 milhão de pessoas poderão ser beneficiadas. Já os
ambientalistas argumentam que a medida beneficia pessoas que se instalaram na
região de forma ilegal e que contribuíram para o desmatamento. A medida segue
para as mãos do presidente Lula para ser sancionado ou vetado.

Qual a posição do Minc a respeito?

Nem é tão contrário
às medidas como pode parecer, tendo, inclusive, participado ao lado de outros
nove ministros de reuniões para construção do texto que foi enviado à Câmara
dos Deputados.  Os deputados, entretanto,
sugeriram mudanças que desagradaram ao ministro e ambientalistas.

A sugestão de reduzir
de 10 para três anos o período durante o qual fica o proprietário beneficiado proibido
de vender a terra dá oportunidade a especulação, caracterizando, portanto, a
existência de pessoas que se tornarão proprietárias, mas sem compromisso com a
produção ou a preservação na Amazônia. O presidente Lula ainda pode vetar essa
alteração.

Sobre licenças ambientais

Já a outra MP, a de
número 452, relaxou as regras para concessão de licenças ambientais para obras
em ferrovias federais e deve ser reeditada pelo Executivo. O primeiro texto já
tinha sido alterado na Câmara, onde incluíram uma emenda que permite obras de
melhoria e pavimentação em estradas federais já existentes, só com um licenciamento
ambiental frágil e prévio. Minc e ambientalistas consideraram as modificações como
um “estupro a legislação ambiental”.

Ótimo exemplo é a
BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e cuja pavimentação já consta
como obra do PAC, mas precisa de licenciamento ambiental. Acontece que essa estrada
também é considerada um trunfo importante para a campanha do atual ministro dos
Transportes, Alfredo Nascimento ao governo do Amazonas.

Resta acompanhar
como vai terminar a divergência. Minc está em minoria e a preocupação ambiental
ainda não é consenso mesmo para esse governo. Basta lembrar que há pouco mais
de um ano, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, com relevantes
serviços prestados na área reconhecidos internacionalmente pediu demissão após
uma série de confrontos com outros ministérios.

 

 

Written by Página Leste

1 de julho de 2009 at 12:21

Publicado em Meio Ambiente

Repensar a ocupação para evitar novas Santa Catarinas

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A relação entre as mudanças climáticas no mundo todo e o desastre que deixaram mais de uma centena de mortos e algo próximo de 60 mil desabrigados em Santa Catarina ainda está para ser revelada. Mas a relação entre o desastre e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, segundo Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Claro, que o professor e qualquer cidadão consciente, não desconhecem que a exploração desenfreada dos recursos naturais da Terra com o homem se aproveitando da abundância de recursos como se eles fossem inesgotáveis contribui para desequilíbrios que se manifestam cada vez mais intensamente.

Para se ter idéia dessa exploração, estudos mostram que o atual padrão de consumo dos recursos naturais pela humanidade supera em 30% a capacidade do planeta de recuperá-los, ou seja, a natureza não dá conta de repor tudo o que o homem tira dela. Como método do estudo a ONG World Wildlife Fund estimou a quantidade de terra, água e ar necessária para produzir os bens e serviços utilizados pelas populações e para absorver o lixo que elas geram durante um ano e chegou-se à conclusão de que cada habitante usa 2,7 hectares do planeta por ano. De acordo com a análise, para usar os recursos sem provocar danos irreversíveis à natureza, seria preciso que cada habitante utilizasse, no máximo, 2,1 hectares. Se o homem continuar a explorar a natureza sem dar tempo para que ela se restabeleça, em 2030 serão necessários recursos equivalentes a dois planetas Terra para atender ao padrão de consumo. Essa perspectiva, conclui o relatório, é uma ameaça à prosperidade futura da humanidade, com impacto no preço dos alimentos e da energia.

Posto essa premissa que conta muito, mas operar no presente é muito bom ouvir o professor Wagner que ressaltou a necessidade de também aperfeiçoar os sistemas de previsão de clima e de inundações. Segundo o professor as mudanças climáticas vão aumentar os riscos de desastres ambientais, entretanto antes de pensar em problemas futuros, será preciso encontrar soluções para os antigos e estes estão no resultado do processo brasileiro de urbanização.

O aumento das temperaturas e a variação das chuvas ainda são incertos e não dá para saber ao certo os impactos todos nas cidades brasileiras, mesmo assim é preciso trabalhar com cenários ruins para pensar em adaptações. Cuidar de áreas de risco hoje, no caso brasileiro, é pagar uma dívida social e não se trata apenas de prever melhor as mudanças de humor no clima, mas reparar um processo de urbanização caótico sempre dirigido pela lógica de mercado e exploração imobiliária agressiva.

Mais incisivo nessa direção Luis Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), entende que as mudanças climáticas não tiveram relação com as chuvas torrenciais que devastaram Santa Catarina. Para ele os impactos desastrosos das chuvas naquele estado foi fruto do péssimo planejamento da ocupação do espaço com muita gente se afastando da região ribeirinha para evitar inundações e se instalando nas encostas que, naturalmente, para serem ocupadas tiveram que ser desmatadas. Molion lembra que chuvas como essas já ocorreram no passado. Em maio de 1983, mas também em desastres naturais semelhantes no Vale do Itajaí nas décadas de 1950 e 1960 com os primeiros registros de ocorrências no século 19.

De acordo com ele, no entanto, os fenômenos não tinham conseqüências tão importantes em décadas passadas, no Brasil, porque a concentração populacional nas cidades era bem menor. “Hoje, 80% da população está nas cidades, que absorveram essa população sem planejamento urbano. Para consertar isso, serão necessários investimentos muito maiores do que os recursos necessários para o planejamento há 30 ou 40 anos”, diz.

Segundo Molion, é preciso que as cidades pequenas e médias comecem a se planejar a partir de agora. Para ele, seria preciso investigar melhor a dinâmica da várzea dos rios e estudar as séries históricas de registros hidrológicos e meteorológicos a fim de entender o tempo de retorno de chuvas fortes, acima de 100 ou 200 milímetros.“Temos cerca de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes. A grande maioria dos mais de 5 mil municípios do país está começando a crescer. Seria aconselhável pensar em medidas de planejamento para minimizar problemas do tipo no futuro”, afirmou. (JMN)

Written by Página Leste

27 de abril de 2009 at 10:35

Publicado em Meio Ambiente

Repensar a ocupação para evitar novas Santa Catarinas

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A relação entre as mudanças climáticas no mundo todo e o desastre que deixaram mais de uma centena de mortos e algo próximo de 60 mil desabrigados em Santa Catarina ainda está para ser revelada. Mas a relação entre o desastre e o fracasso das políticas de acesso à moradia e de ocupação do espaço urbano é uma certeza, segundo Wagner da Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).
Claro, que o professor e qualquer cidadão consciente, não desconhecem que a exploração desenfreada dos recursos naturais da Terra com o homem se aproveitando da abundância de recursos como se eles fossem inesgotáveis contribui para desequilíbrios que se manifestam cada vez mais intensamente.
Para se ter idéia dessa exploração, estudos mostram que o atual padrão de consumo dos recursos naturais pela humanidade supera em 30% a capacidade do planeta de recuperá-los, ou seja, a natureza não dá conta de repor tudo o que o homem tira dela. Como método do estudo a ONG World Wildlife Fund estimou a quantidade de terra, água e ar necessária para produzir os bens e serviços utilizados pelas populações e para absorver o lixo que elas geram durante um ano e chegou-se à conclusão de que cada habitante usa 2,7 hectares do planeta por ano. De acordo com a análise, para usar os recursos sem provocar danos irreversíveis à natureza, seria preciso que cada habitante utilizasse, no máximo, 2,1 hectares. Se o homem continuar a explorar a natureza sem dar tempo para que ela se restabeleça, em 2030 serão necessários recursos equivalentes a dois planetas Terra para atender ao padrão de consumo. Essa perspectiva, conclui o relatório, é uma ameaça à prosperidade futura da humanidade, com impacto no preço dos alimentos e da energia.
Posto essa premissa que conta muito, mas operar no presente é muito bom ouvir o professor Wagner que ressaltou a necessidade de também aperfeiçoar os sistemas de previsão de clima e de inundações. Segundo o professor as mudanças climáticas vão aumentar os riscos de desastres ambientais, entretanto antes de pensar em problemas futuros, será preciso encontrar soluções para os antigos e estes estão no resultado do processo brasileiro de urbanização.
O aumento das temperaturas e a variação das chuvas ainda são incertos e não dá para saber ao certo os impactos todos nas cidades brasileiras, mesmo assim é preciso trabalhar com cenários ruins para pensar em adaptações. Cuidar de áreas de risco hoje, no caso brasileiro, é pagar uma dívida social e não se trata apenas de prever melhor as mudanças de humor no clima, mas reparar um processo de urbanização caótico sempre dirigido pela lógica de mercado e exploração imobiliária agressiva.
Mais incisivo nessa direção Luis Carlos Molion, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), entende que as mudanças climáticas não tiveram relação com as chuvas torrenciais que devastaram Santa Catarina. Para ele os impactos desastrosos das chuvas naquele estado foi fruto do péssimo planejamento da ocupação do espaço com muita gente se afastando da região ribeirinha para evitar inundações e se instalando nas encostas que, naturalmente, para serem ocupadas tiveram que ser desmatadas. Molion lembra que chuvas como essas já ocorreram no passado. Em maio de 1983, mas também em desastres naturais semelhantes no Vale do Itajaí nas décadas de 1950 e 1960 com os primeiros registros de ocorrências no século 19.
De acordo com ele, no entanto, os fenômenos não tinham conseqüências tão importantes em décadas passadas, no Brasil, porque a concentração populacional nas cidades era bem menor. “Hoje, 80% da população está nas cidades, que absorveram essa população sem planejamento urbano. Para consertar isso, serão necessários investimentos muito maiores do que os recursos necessários para o planejamento há 30 ou 40 anos”, diz.
Segundo Molion, é preciso que as cidades pequenas e médias comecem a se planejar a partir de agora. Para ele, seria preciso investigar melhor a dinâmica da várzea dos rios e estudar as séries históricas de registros hidrológicos e meteorológicos a fim de entender o tempo de retorno de chuvas fortes, acima de 100 ou 200 milímetros.
“Temos cerca de 250 municípios com mais de 100 mil habitantes. A grande maioria dos mais de 5 mil municípios do país está começando a crescer. Seria aconselhável pensar em medidas de planejamento para minimizar problemas do tipo no futuro”, afirmou. (JMN)

Written by Página Leste

4 de dezembro de 2008 at 12:00

Publicado em Meio Ambiente

São Mateus realiza audiência para usar créditos de carbono

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Para decidir de que forma poderão ser usados os cerca de R$ 13 milhões proveniente do leilão feito no São João, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente promoveu no dia 30/09 no Céu São Mateus uma audiência pública com participação da sociedade civil. Além do secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge estiveram presentes: Helena Magozo, do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Social (CADES); o subprefeito de São Mateus e parlamentares entre os mais de 300 participantes.
Antes do debate, de forma didática o engenheiro Deodoro Vaz, da SVMA, explicou o que significa créditos de carbono e da forma como ele é conseguido. Para tanto voltou no tempo para explicar toda a movimentação em defesa do meio ambiente desde a realização da ECO 92 no Rio de Janeiro seguido do Protocolo de Kioto e do Protocolo de Montreal. Segundo explicou, o aterro São João surgiu em 1992; a secretaria surgiu em 1993 e, desde 1995, já estudava formas de aproveitar a energia saída dos aterros. Disse ainda que apenas em 2005, o Protocolo de Kioto, começou a vingar vinculando o crédito de carbono, uma espécie de compensação feita pelos que mais poluem, chegando à situação atual.
Também de forma didática, Júlio Delbin, da Biogás Ambiental, explicou qual o procedimento para o aproveitamento do gás que se forma a partir da compactação do lixo que se transforma em energia ao mesmo tempo em que destrói grande parte do metano que também provoca o efeito estufa ao ser liberado na atmosfera. Essa exposição também foi reforçada pelo engenheiro químico Antonio Carlos que explicou detalhes. “Do aterro saem o chorume que é mais agressivo e que através de carretas é enviado a Sabesp para tratamento. Temos em operação atualmente 150 pontos de extração que são perfurações feita no lixo compactado que vão liberando o metano que vamos destruindo ao aproveitar o gás. Para cada tonelada de metano que impedimos chegar à atmosfera ganhamos crédito de carbono”, explicou, lembrando que o que antes esses aterros não geravam nenhum tipo de riqueza. Conforme o contrato a receita do biogás é dividida em partes iguais entre a empresa e a Prefeitura.
A terceira apresentação foi de Sueli Rodrigues, vice- presidente do Conselho de Meio Ambiente de São Mateus. Ela mostrou as propostas para a utilização da verba que virá a partir do ano que vem: Parque Linear Aricanduva – trecho da nascente até o piscinão Aricanduva 1; Parque Linear Mar Morto, Canal de Suez; Parque Municipal Jardim da Conquista; Parque Municipal Olímpico; Parque Municipal Nebulosas; Usina de Compostagem de Resíduos de Poda e Corte de Grama; Praça Forte do Leme; Praça Bartolomeu Antunes e Monitoramento Ambiental da bacia do Rio Caguaçu e Centro de Educação Ambiental e Posse Responsável de Animais Domésticos (CEAPRAD).
Comunidade participa dando sugestões e críticas
Ao final da primeira parte o secretário Eduardo Jorge negociou com os presentes como seriam as intervenções da platéia diante do grande número de inscritos.
Acompanhar a distribuição e a aplicação dos recursos exclusivamente para São Mateus esteve na fala de diversos representantes de comunidades e entidades. Outros já lembraram sobre a necessidade de se dar um voto de confiança ao conselho de meio ambiente regional eleito recentemente. “Temos que valorizar o trabalho responsável dos conselheiros que nós mesmos elegemos e participarmos também de forma responsável das reuniões”, registram.
Se Adriano Nogueira lembrou de regiões de São Mateus onde a falta de áreas verdes até provoca problemas respiratórios nas pessoas, outra participante, de nome Alexandra, lembrou da necessidade da educação ambiental, sugestão que esteve presente em diversas intervenções. Sugeriu ainda a criação de um serviço público gratuito de castração de animais domésticos. Uma professora destacou que escolas públicas estaduais locais foram eleitas por trabalhos de conscientização e sugeriu a criação de escola ambiental para conter a degradação do Morro do Cruzeiro.
Por uma associação de moradores, Jerônimo Barreiro da Silva falou do que considera abandono no Jardim Santo André e São Francisco e comentou que o valor creditado é pouco diante das necessidades locais.
O coordenador da Campanha Mais Vida Menos Lixo, José Vicente corrigiu informações feitas durante as exposições e comentou que provavelmente o licenciamento (em curso) do novo aterro São João não será obtido por que afronta leis de proteção ambiental no âmbito federal e o Plano Diretor da cidade de São Paulo. Citando artigos da lei, disse que a área onde se encontra o atual e o projeto do novo aterro é uma zona de preservação ambiental e que por conta disso só é permitido residências. Decidido sugeriu o cercamento da área determinada naquela zepam, praticamente do mesmo tamanho da área do Carmo, com a recuperação das áreas degradadas, o reflorestamento com espécies vegetais e o re-povoamento com animais naturais no que se tornaria um parque para futura visitação. Como praticamente descartou as obras sugeridas anteriormente lembrou que tanto a prefeitura quanto a Eco Urbis tem um passivo ambiental a ser acertado com a região. “O dinheiro dos parques lineares e as outras coisas poderiam vir desse passivo”, explicou.
Pelo Fórum de lideranças do São Francisco houve queixas quanto a Sabesp não tratar esgoto e a sugestão de que os benefícios deveriam ser usados nas áreas mais impactadas, além de campanhas e fiscalização. O Jardim da Conquista com sua carência de áreas verdes também foi lembrado por mais de um participante. Já o presidente do PT de São Mateus, José Marinho, insistiu na descentralização e na utilização exclusiva desses créditos em São Mateus. Pela Terceira Divisão os participantes endossaram a proposta de parque linear naquela comunidade com a lembrança de que essa sugestão já está inscrita no Plano Diretor Regional. Outros participantes chegaram a sugerir que as verbas fossem geridas pelo poder público e pelas entidades representativas locais. A canalização dos diversos córregos também estava entre as sugestões.
Ainda falaram Fátima Magalhães, presidente do Conseg São Rafael sobre as ações ambientais que são desenvolvidas e Delaine Romano do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente do Fórum para o Desenvolvimento da Zona Leste que já acompanha as questões de meio ambiente há quase duas décadas e que vem sugerindo pequenas centrais de triagem de material reciclado e ainda uma outra onde poderia haver formação de mão de obra para diversas atividades que podem fazer parte de aproveitamento de materiais.
Já Hamilton Clemente reforçou a necessidade de observar o que foi discutido no Plano Diretor Regional Estratégico e que não dava para ficar sonhando por conta de apenas 13 milhões de Reais. Contestou a informação corrente de que a Prefeitura não tem recursos para as diversas obras que a região necessita, bem como criticou o fato da prefeitura pagar para o município vizinho pelo armazenamento do lixo da cidade valores muito superiores aos créditos de carbono que a região vai receber.
Ainda foi mencionado o acidente no aterro São João durante o ano passado, logo esclarecido pelo representante do aterro São João.
Finalizando o subprefeito Clóvis Luis Chaves, defendeu o secretário Eduardo Jorge, acusado de pouco vir a região, lembrando que ele sempre esteve presente quando solicitado. “Pelo menos oito vezes durante a minha gestão”. Valorizou o empenho do conselho regional e o bom nível da audiência
Secretário finaliza audiência reconhecendo limitações nos valores
Eduardo Jorge disse que as diversas intervenções constariam nas atas que tem o acompanhamento do Ministério Público. Considerou importante a descentralização que a sua secretaria já adotou em trabalhos junto com as subprefeituras desde 2005. “Claro que é pouco dinheiro quando comparado às receitas da área da saúde, educação, etc.”, reconheceu. “Mas pode melhorar nos próximos anos”, completou. Para o secretário as reivindicações dos munícipes devem continuar a ser feitas nas várias frentes: habitação. Transporte, saúde, educação e outras. “Vocês têm que pressionar. Não será com esse crédito extra que se vão resolver outras pendências”, sugeriu.
Por fim indicou que os projetos têm que ser viáveis para poder utilizar as verbas e que eles não precisam se limitar aos valores desse primeiro crédito. “Os primeiros projetos aprovados serão implementados e não precisamos nos limitar. O mais importante é indicar como e onde utilizar. Não usaremos necessariamente uma ordem pré-definida”, explicou para concluir sobre a importância da participação que acabara de ocorrer e do fortalecimento dos conselhos onde as pessoas interessadas podem participar.
 
Box:
Crédito de Carbono:
O comércio de emissões consiste em permitir que países comprem e vendam cotas de emissões de gás carbônico. Assim sendo, países que poluem muito podem comprar créditos não usados daqueles que não realizam grandes emissões.
Atividades que aumentam a capacidade de absorver carbono, envolvendo reflorestamentos (que geram biomassa e podem substituir combustíveis fósseis) assim como a geração de energia com a utilização de biogás, podem ser objeto de comercialização dos créditos de carbono.
O protocolo de Kyoto, visando alcançar reduções de emissão que sejam concretas, duradouras, mensuráveis e economicamente viáveis, introduziu três mecanismos, que são  os projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), Implementação Conjunta (IC) e o Comércio internacional de Emissões (CE).
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, onde além de evitar a queima do metano, que polui 21 vezes mais que o CO2, gera energia elétrica ambientalmente sustentável e atenua a necessidade de investimentos de outros tipos de geração de energia com impacto ambiental significativo. Isso deve resultar em 8 milhões de créditos de carbono (MDL), sendo 50% desses créditos pertencentes à Prefeitura de São Paulo.
O empreendimento da BIOGÁS Energia Ambiental S/A, caracterizado como um projeto MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo), encontra-se validado pela DNV (Det Norske Veritas).
 
O Protocolo de Kyoto:
O protocolo de Kyoto é um acordo internacional que estabelece metas de redução de gases poluentes para os países industrializados. O protocolo foi finalizado em 1997, baseado nos princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992 e foi assinado por 141 nações, embora somente 30 países industrializados estarão sujeitos ao cumprimento das metas.
O protocolo tem por meta o comprometimento desses países para que reduzam de 2008 até 2012 suas emissões de seis gases em no mínimo 5% sobre as emissões realizadas em 1990. Os seis gases que provocam o efeito estufa são: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, hidrofluocarbono, perfluorocarbono e o hexafluorocarbono de enxofre.
As metas estabelecidas em Kyoto é um primeiro passo para se tratar o problema, embora sendo ainda superficial, considerando que é praticamente consenso entre a comunidade científica que estuda as questões do clima, de que seriam necessárias reduções muito mais significativas sobre as emissões atuais.
Se por um lado as metas fixadas pelo protocolo não resolve o problema, por outro, cria as linhas gerais necessárias para que a futuras negociações sejam mais abrangentes, tanto quanto a significância das metas, como a adesão de mais países.
Fonte: Biogás Ambiental.
 
Publicado Gazeta São Mateus – ed 277 setembro de 2008
 

Written by Página Leste

28 de outubro de 2008 at 10:49

Publicado em Meio Ambiente

Meio Ambiente é tema da Escola Estadual Jardim Iguatemi

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 A situação da Escola Estadual Jardim Iguatemi que apresentou o seu Projeto pedagógico para 2008 pode ficar complicada em função do traçado previsto para a Jacu Pêssego contemplar a instalação de um viaduto ou elevado que praticamente vai passar por sobre a escola, quando poderia estar mais a frente, comentou a diretora Suzi Ribeiro em entrevista a Gazeta de São Mateus.
“Temos 1200 alunos no ensino médio, 600 no ensino fundamental e cerca de 200 nas tele-salas de adultos e se isso ocorrer como está previsto teremos conviver com muito barulho e agitação que prejudica o aprendizado e a condição da escola se manter com a qualidade que tem hoje”, diz na esperança de que o projeto seja revisto senão ficará inviável.
Se a situação pode ficar ruim, hoje, entretanto, a escola é reconhecida atualmente como uma das melhores da região. Tanto é assim que ela já foi objetivo de reportagem de uma grande revista semanal que tinha como pauta propostas pedagógicas inovadoras e de bons resultados. “Foi a secretaria de Estado da Educação que indicou a nossa escola. O que muito nos orgulha”, registra Suzi.
E as razões disso são até simples. Basicamente envolvimento de professores, operacionais, diretoria da escola motivadas e interessadas e alunos idem que reconhecem o valor da escola enquanto estabelecimento e a relação respeitosa e participativa que ali se pratica.
Com uma postura peculiar a escola apresenta desde 2002 projetos pedagógicos multidisciplinares que envolvem todos os participantes da escola em ações durante todo o ano. O primeiro deles, segundo explica a diretora foi que cada sala adotaria um artista plástico, pintor famoso, no caso e sobre eles o ano todo era trabalhado a biografia, conhecimento das obras, interpretação, etc. Naquele ano o projeto foi finalizado com a pintura externa de 250 metros de muros com 58 obras de arte. A ação teve repercussão grande na comunidade;
Em 2004 foi a vez de trabalhar os escritores nos mesmos padrões com cada sala se envolvendo com um, entretanto, teve visita a bibliotecas e os alunos leram naquele ano, pelo menos um livro cada um. Concursos literários, de cartas e leituras em todos os grupos com interpretação de texto, oficinas e muita investigação aconteceram.
Em 2004, aniversário de São Mateus, a escola foi uma das poucas que desfilaram no evento apresentando o envolvimento da comunidade escolar com o assunto do ano que eram as olimpíadas. De novo, salas, pesquisas sobre vários aspectos dos paises envolvidos, manifestações culturais fizeram parte das atividades daquele ano.
Em 2005, ainda pra mantermos o retrospecto e comemorando o Ano Internacional da Física foram realizados fórum e simpósios científicos com a participação da comunidade acadêmica, professores da USP e da Unifesp. Também este ano o muro da escola foi pintado com o tema das contribuições dos cientistas para a humanidade. As obras eram explicadas pelos seus autores aos interessados. Uma feira de ciências fez parte do cardápio do ano com participação ativa da escola e comunidade.
Mais maduros
“Em 2006 achamos que estavam maduros e abordamos a Filosofia. Alguns alunos entraram em parafuso desde as 5ª até os 3º anos com a questão da Filosofia”, comenta a diretora. De novo ocorreram encontros: um fórum e um simpósio filosófico. “No fórum sentou-se de um lado um filosofo da USP, Gabriel Perissè e de outro uma aluna da 5ª série que falariam sobre o pensamento de um filosofo espanhol chamado Quintas. Primeiro apresentou-se a aluna. Quando o Gabriel pegou o microfone ele disse ‘vou falar o que se a Sara já falou tudo’”, ri. O aluno discutiu com o mestre igualdade de condições evidenciando que o interesse dos alunos e o acerto da proposta davam resultados.
“Em 2007 tendo como pano de fundo o Panamericano trabalhamos os atletas, houve até concurso de logo e slogan e foram premiados alunos que até já tinham saído da escola, formados, mas que voltaram para a premiação. Trouxemos atletas, houve tele-salas. Em uma das salas tínhamos um cadeirante. Essa sala escolheu um nadador cadeirante com necessidades especiais e conhecendo o esforço destes para vencer as limitações. Conhecer a figura do atleta até ajudou a convivência interna entre os alunos”, frisou.
Projeto em 2008 chama atenção para o meio ambiente
Com o tema Amazônia: o mundo novamente verde foi a vez de a escola apresentar no Céu São Mateus no dia 15/05 o projeto para este ano.
Segundo explicou a diretora à escola está praticamente fechando um círculo, pois nos anos anteriores estudaram várias matérias e entende que a questão do meio ambiente contempla todas as demais. “A aceitação entre professores foi unânime e também houve votação para o slogan e imagem que é uma folha do ecossistema com uma gota de orvalho sobre ela, mas que dentro da gota aparece o planeta terra”, explica.
Alguns professores junto com a diretora estiveram na Amazônia rural, numa região conhecida como Castanhal, no Pará como parte de um programa de intercâmbio onde aprenderam e conviveram com os costumes locais das diversas comunidades, assentamentos e agrovilas. Posteriormente professores daquela localidade vieram conhecer a situação na cidade de São Paulo. Do contato, explica a diretora, o compromisso com o meio ambiente se aprofundou entre os participantes. “A Amazônia ficou em nosso coração”, disse.
Para a diretora, entretanto, o projeto pedagógico deste ano quer pensar o planeta, pensar a região amazônica, mas quer agir localmente e pretende trabalhar forte na conscientização de alunos, famílias e comunidades sobre o que cada qual pode fazer pela preservação local. “A idéia é que as pessoas adquiram uma visão de responsabilidade para com o meio ambiente”, diz.
“Nosso projeto foi aberto no CEU e já fizemos à pintura do muro da escola O próximo passo é levar essa reflexão para outros lugares. Cada sala tem um nome e um tema. Fauna, flora, economia, demografia, etc. Cada sala colocou no muro a idéia de conhecimento e conscientização. Agora estão estudando realizar um fórum interno de discussão, alunos, professores e depois sair do entorno da escola”, vai explicando Suze que ainda quer conseguir 50 casas para levar essa idéia da pintura com conscientização.
Publicado na Gazeta São Mateus – 2a quinzena/junho/08

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4 de julho de 2008 at 17:56

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Consumo consciente

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Aqui está um trabalho que reputo da maior importância e que sugiro seja de conhecimento de que até aqui chegou, J.deMendonça

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12 de junho de 2008 at 16:38

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Terra dividida

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Cobertura da agência Brasil sobre a demarcação das terras indiígenas na Raposa Serra do Sol em Roraima. Segue a disputa pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol, depois que a operação de retirada dos não-índios foi suspensa. Discussão agora está no STF .
 

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11 de junho de 2008 at 18:17

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Desperdício

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A falta de água atinge 29 países e 1,7 bilhão de pessoas. Especialistas defendem que, até 2015, 40 países sofrerão com a escassez desse recurso. O uso humano é responsável por 20% do desperdício

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11 de junho de 2008 at 18:11

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Exemplo chinês

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A China enfrenta hoje uma grave crise ambiental. Seus dois principais rios – o Azul e o Amarelo -, que cortam boa parte do vasto território chinês, estão poluídos, assim como o ar do país, que chega a afetar nações vizinhas, como as Coréias do Sul e do Norte.
Tais condições vêm provocando uma série de problemas à sociedade chinesa, traduzindo-se em perdas à economia – em 2007, foram gastos 64 bilhões de dólares com problemas decorrentes da degradação de seu meio ambiente, o equivalente a 3% de seu PIB – conseqüentemente, num empecilho ao próprio desenvolvimento da China.
Desde a eclosão do "boom" econômico chinês, há aproximadamente 10 anos, políticos, ambientalistas, entre outros, não deixam calar a pergunta: e se os chineses começarem a consumir na proporção em que crescem? Preocupam-se porque sabem que o mundo não suportaria um novo Estados Unidos. Não há "infra-estrutura natural" para dar conta de mais de 1 bilhão de indivíduos, em apenas um das centenas de países, vivendo como o american way of life designa.
As autoridades chinesas, aparentemente, já tomam providências, ainda que tais ações reflitam a iminência das olimpíadas de Pequim, em 2008, podendo ser apenas provisórias, sem projeções a longo prazo. Se for o caso, a preocupação persiste: se as atividades chinesas já prejudicam países próximos, dentro de alguns anos poderão ter implicações em todo o ecossistema terrestre.
A situação vivida pela China serve de lição a outros países emergentes, incluindo o Brasil. Regidos ainda por um modelo de desenvolvimento insustentável, por serem utilizados pelas nações mais desenvolvidas como zonas industriais, fazendas, plantações e, atualmente, até como reservas de oxigênio, esses países gabam-se por seus superávits e pelo crescimento na produção e exportação, enquanto superexploram seus recursos naturais. Ao invés de perpetuarem tais condições – quase que de subserviência – os países emergentes deveriam investir em educação, em pesquisas, formalizar patentes e, principalmente, planejar seu desenvolvimento com responsabilidade socioambiental.
Caso não haja uma mudança de paradigma, com a aplicação de modelos que conciliem as necessidades humanas e a preservação ambiental, tanto a China como o Brasil e a Índia poderão seguir o mesmo caminho que os países desenvolvidos já vem trilhando há algum tempo, deixando um ‘rastro de sujeira’ que é responsável pelas atuais condições do meio ambiente terrestre.
É preciso, portanto, que os países emergentes se unam para pressionar o resto do mundo a adotar práticas sustentáveis, principalmente os países desenvolvidos. Afinal, num mundo globalizado, em que o fluxo internacional de capitais dita o ritmo de desenvolvimento de países em todo o planeta, aqueles que não adotam estratégias de crescimento agressivas, quase sempre prejudiciais ao meio ambiente, saem perdendo (recebem menos investimentos; são considerados rústicos e obsoletos). Daí a importância de se promover uma transformação radical nos modelos que regem as relações produtivas em escala planetária, a começar pelas principais potências mundiais. (JMN/JR)
 
Legenda: China precisa adotar práticas sustentáveis

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23 de maio de 2008 at 10:13

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