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Expresso Leste por São Mateus ainda gera polêmicas e dúvidas

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A reunião promovida pela Gazeta de São Mateus para discutir a implantação do Expresso Leste pela região indicou, depois de horas de debate franco e aberto, à necessidade de mais debates. Da próxima vez com representantes da empresa Sptrans com que está a responsabilidade pela implantação do que é conhecido como “metro sobre rodas” que vai do Parque Dom Pedro, no centro da cidade de São Paulo até a Cidade Tiradentes passando por São Mateus.
Para debater o tema no dia 10/02 representando a subprefeitura de São Mateus, o engenheiro Nilson tentou esclarecer pontos do projeto. Fez o que pode, deu informações, respondeu a perguntas, polemizou quando foi necessário e concordou com algumas críticas feitas pelos presentes.
Coordenada pelo professor Antonio Carlos, do CDL Clube de Diretores Lojistas de São Mateus, o engenheiro Nilson avisou que não estava respondendo pelo Sptrans, mesmo assim iniciou sua exposição falando sobre os benefícios que projeto trará do ponto de vista urbanístico, de qualidade de vida e de facilidade de Transportes. “Esse projeto que vem pela Sapopemba, passa pela Praça Felisberto Feliz da Silva em direção a Cidade Tiradentes já existia desde a gestão do prefeito Pitta e era conhecido como fura-filas. Na administração passada houve um estudo para que tivesse uma variante em direção à zona leste”, lembra.
O chamado fura filas quase foi implodido no centro mesmo perdendo todo dinheiro investido. Depois de muito debate, a prefeitura resolver terminar o que havia começado, estendendo a linha não tão somente a São Mateus, mas também a Cidade Tiradentes, bairro bastante adensado no extremo leste da cidade.
Nilson continuou dizendo que a subprefeitura de São Mateus foi convidada a opinar sobre o eixo que trata da extensão que envolve São Mateus e como poderia ser transposta a Praça Felisberto Feliz da Silva em direção a Cidade Tiradentes. Inicialmente a Sptrans aventou a possibilidade de se fazer o traçado pelas  laterais da praça com o que não concordaram os técnicos da subprefeitura, incluindo ele. “Era apenas uma divergência técnica”, explica o representante da subprefeitura que apresentou como alternativa a construção de túneis que passassem por baixo da praça. “Como obra poderia ser relativamente mais cara, mas teria menos impacto no entorno da praça”, defende Nilton. Hoje é esse o plano que está sendo considerado pela PMSP.
 “Estamos estudando as melhores técnicas para essa intervenção. Foi criado um grupo de trabalho composto pela Siurb, coordenado pela diretoria de paisagem urbana da Emurb que está colocando a praça no centro das discussões da administração central da prefeitura”, indica.
Para o representante da subprefeitura algumas intervenções menores que as desapropriações serão feitas de forma complementar. Por exemplo, a mudança de local dos pontos de trólebus para uma praça menor próxima; a manutenção das galerias de águas pluviais; o plantio de árvores e a restauração de calçadas originais e apropriadas ao comércio mais próximo. Pretendem-se também estimular uma pequena verticalização no local para abrir novas possibilidades de estimular empresas de serviços.
Sobre a compensação ambiental de tal intervenção o engenheiro entende que esse assunto diz respeito a São Mateus e que só para ali devem vir os recursos necessários para investir na região. Como exemplo citou o Parque da Sabesp que poderia além de estendê-lo até a praça,  contempla-la como um todo e que ainda possa agregar a sua área alguns imóveis que pode à médio prazo ser utilizado como área cultural.
Outra idéia possível é a Sptrans utilizar parte do dinheiro para investir ao lado dos piscinões com o plantio de árvores e recomposição da paisagem, sustenta Nilson: “Haverá empenho em utilizar os recursos para melhorar a vida da população do bairro”.
  Entre os presentes inúmeras dúvidas
 
Logo após a exposição inicial os presentes formularam várias perguntas ou considerações que foram respondidas pelo representante da subprefeitura de São Mateus.
Pedro Paulo, do Jardim Mariluce Benedito, também presidente da sociedade amigos de bairro local queria saber sobre o rodoanel.
Já o engenheiro civil e morador da Cidade Tiradentes, Roque Fernandes disse conhecer um pouco da proposta apresentada pelo expositor e lembrou que foi em reuniões anteriores que ocorreu o pedido para que o projeto contemplasse a criação de ciclovias. Sem encaminhar perguntas desaprovou a ausência da Sptrans em uma reunião onde muito poderia ser esclarecido.
Para o médico Carlos Soler, mesmo sem menosprezar a utilidade que possa ter o Expresso Tiradentes, sustenta que a região de São Mateus e Cidade Tiradentes com seus quase 900 mil habitantes precisa é de metro. Mostrou-se preocupado com a possibilidade de uma ocupação habitacional desorganizada do bairro, mas voltou ao assunto do Expresso questionando sobre a intervenção ambiental que pode ocorrer a partir do funcionamento do Expresso Tiradentes. “Que tipo de combustível vai ser utilizado nos ônibus que circularão ininterruptamente pelo traçado: diesel ou gás”, indaga. Para Soler o bairro não pode continuar sendo o depósito de lixo de São Paulo, parecendo fazer uma alusão à ampliação do aterro São João. Antes de encerrar insistindo na necessidade de metro, sugeriu que parte da verba possa ser utilizada na saúde e em projetos que possam ser desenvolvidos nas comunidades feitos em convênio universidade e prefeitura.
Já outro participante lembrou aos presentes que a Prefeitura é praticamente uma sócia no negócio do Bio Gás que será produzido pelo aterro de São Mateus. Usou a situação para reivindicar que os recursos que forem obtidos na região sejam revertidos em políticas públicas na própria região. Durante sua intervenção informou ainda que a discussão sobre o Expresso Leste vem desde a gestão Marta Suplicy e, demonstrando dúvida, disse que havia sido informado em outra ocasião por técnicos da Sabesp sobre a impossibilidade de passar um túnel sob a praça por causa da adutora.
Jerônimo Barreto do Jardim São Francisco apresentou duas perguntas: o por que das linhas de ônibus que passavam pelo bairro terem sido canceladas e porque as compensações para São Mateus não chegam as vilas esquecidas do bairro.
  E as respostas….
O engenheiro Nilson fez o possível para responder as questões levantadas pelas lideranças e de início disse que a obra do rodoanel, apesar da importância que ele tem para a região é de responsabilidade do governo do Estado.
Comentou que para a área livre de São Mateus o Plano Regional Estratégico de São Mateus, feito por ocasião do Plano Diretor encara a situação fundiária. Disse que entre outras iniciativas o desconto de IPTU para essas áreas pode ser oferecido em troca da preservação e não degradação. Mesmo não sendo assunto da pauta, Nilson informou aos presentes que atualmente a cidade de São Paulo faz um monitoramente de suas áreas verdes via satélite o que facilita o monitoramente que evita a depredação. Disse ainda que o PRE local indicou a criação de áreas de vulnerabilidade ambiental e que as áreas de nascentes de córregos e rios sejam desocupadas e protegidas; inclusive com a instalação de bases da polícia ambiental.
Ainda segundo o expositor, a prefeitura pode recolher gratuitamente os entulhos gerados pelas reformas das casas. “Sai mais barato do que tentar limpar os vários cantos por onde os entulhos são jogados pelos moradores que não se dispõe a contratar as caçambas regulares”, registrou.
Ainda fora do tema principal, o expositor disse que a principal ação da atual gestão nos loteamentos populares é a sua regularização, o que complementa até mesmo a ação feita pelo Ministério das Cidades no Jardim São Francisco com o programa São Francisco Global. Segundo ele, falta apenas a construção de equipamentos de lazer para crianças no São Francisco. Pessoalmente o expositor acredita que a instalação de pequenos varejões e galpões onde possam ser alocados pequenos boxes pode melhorar a qualidade de vida localmente.
Para resolver o problema do transporte público que reconhece precária, disse que tem  proposta no PRE de criação de uma linha de integração que percorra essas áreas a um preço menor.
A intervenção nesses locais com a regularização também não são ações de baixo custo. Como exemplo informou que ficaria em 23 milhões de reais a intervenção planejada para o Carrãozinho o que, neste momento da Prefeitura é inviável.
Quanto às compensações, informou que devem ser feitas em toda a extensão e não apenas em alguns lugares. “Estamos propondo alguma coisa na avenida Ragueb Chohfi, com calçamentos e estimulo aos pequenos serviços. Esperamos que a prefeitura esteja atento a tudo que possa ser feito com os recursos. Levaremos tudo em conta”, assegurou.
A intervenção de um dos presentes, respondeu que trabalha na gestão Serra / Kassab e que até onde sabe o projeto anterior terminava na estação de transferência de São Mateus. “ Tanto é que foram feitos estudos técnicos na praça e foram estes que serviram de base para a tomada de posição sobre o projeto. É isso que eu sei. A decisão sobre a travessia da praça foi dessa gestão. Sem querer polemizar” destacou.
Sobre a adutora; dizer que era impossível o túnel por baixo da praça foi falta de conhecimento de quem perguntou e de quem respondeu. “Eu pessoalmente levantei informações de como foi construído a adutora e os documentos indicam que a adutora passa a 18 metros de profundidade na parte mais alta e a 14 metros de profundidade da parte mais baixa da praça.  Como engenheiro, tenho que saber desses dados para afirmar qualquer coisa. Quando digo que o túnel irá ocupar apenas 6 metros ainda fica um grande espaço de segurança e de distância entre o túnel e a adutora. E mais ainda, ele alivia a carga sobre adutora na medida que tira milhões de quilos de terra de cima dela. A confecção do túnel alivia carga e não sobrecarrega.  Isso é o real, baseado em documentos oficiais da Sabesp”, encerra.
 “Nasceu errado e vai continuar errado”, afirma deputado
  Convidado para a audiência aonde chegou com ela já em andamento, o deputado Adriano Diogo (PT/SP) disse que já havia diversos projetos como o prolongamento da Jacu Pêssego, o eixo do rodoanel em várias vertentes e esboços de várias alternativas de passagem por São Mateus. “Naturalmente que, antes da decisão pela extensão do fura fila não tinha projeto de túnel, mesmo”, alfinetou.
“Considero esse projeto um erro, nasceu errado e vai continuar errado. Todo o trânsito vai desembocar naquela obra da avenida do Estado”, exclama. “Quando ela (a pista) vem paralela ao rio Tamanduateí ela até que vem bem, mas quando ela vem para o Sacomã ela é um absurdo e ai abriram esse ramal pela Anhaia Melo, que passa pelo Sapopemba até chegar na Tiradentes” é um projeto equivocado, insiste.  Mais grave, o deputado sustenta que a adoção do Expresso Leste esconde a possibilidade de São Mateus ter uma linha de metro. “A discussão da linha 4 do metro era de vir por esse mesmo percurso até o largo de São Mateus”, lembra.
  Adriano Diogo considera um absurdo as empreiteiras que constroem o metro agora darem palpites sobre o itinerário que eles devem ter o que responsabilidade do Estado. Para a  ampliação das linhas do metro em São Paulo, não atendem mais tão somente a necessidade de transporte dos passageiros e sim ao empreendedorismo que ganhou muita importânica por conta dessa relação mercadológica envolvendo empreiteiras de construção e grandes empreendimentos comerciais. É nessa perspectiva que o deputado sustenta que a idéia desse governo e fazer esquecer o metro com o paliativo do Expresso Tiradentes.
Voltando as dificuldades do percurso já desenhado, o deputado lembrou que, sem vazão, a Avenida Anhaia Melo quando chove torna-se um mar de água. Também na vila Prudente a população usuária está desesperada porque não se anda naquele trecho entre a Avenida do Estado e a avenida Sarah Maluf. “Lógico que precisa corredor, mas é preciso ainda discutir melhor”, brada o deputado. “Sair da Cidade Tiradentes passando pelo centro de São Mateus para pegar Sapopermba, Anhaia Melo para depois pegar a Avenida do Estado para chegar ao Parque Dom Pedro é uma alternativa boa? Será que não existem alternativas para sair da Cidade Tiradentes? Será que não é melhor pegar a extensão da Jacu Pêssego saindo próximo da Radial  Leste que está sendo feita em Itaquera e ir pelo Tiquatira”, indaga-se com a concordância de parte dos presentes.
Apesar das objeções ao projeto, Adriano Diogo reconhece que ele pode ser irreversível e destaca que se isso ocorrer a participação popular organizada é fundamental para gerenciar melhor todo essa intervenção. Da sua parte admite que a compensação ambiental possa vir com a feitura de outras obras estruturais, talvez a abertura da Avenida dos Machados, cita como exemplo. 
O deputado ainda alertou para as complicações com a abertura prevista da Jacu Pêssego na altura do bairro de Ermelino Matarazzo, dizendo que com isso todo o trânsito de carga vindo do aeroporto de Guarulhos em direção ao ABC e ao porto de Santos deve passar pela região o que pode agravar ainda mais a situação de São Mateus.
  Diante das afirmações do deputado…
“Concordo que para a demanda dessas regiões o melhor seria o metro. Até propusemos uma linha barata de metro ao longo da Avenida Jacu Pêssego que fosse até Mauá. Uma linha ferroviária que pudesse durante o dia ser utilizada para transporte de passageiros e a noite transportasse cargas do terminal aéreo de cargas do aeroporto de Guarulhos até a baixada santista”, replica o expositor informando que diversas alternativas de transporte foram sugeridas no PRE de São Mateus.
Antes de finalizar a sua participação informou que segundo o cronograma da Sptrans prevê a  finalização das obras do Expresso Leste em 2008 para e que uma intervenção dessa envergadura vai ter impacto local. “Vamos conviver com tapumes, desvios, travessias, vai ser um inferno, mas vai ser a solução. Não existe injeção sem dor”, lembrou.
Em função do adiantado da reunião o professor Antonio Carlos ainda registrou que nos 33 anos em que mora na região não testemunhou nenhuma ação do governo do Estado, “A primeira poderia ser o metro”, ironizou. Como encaminhamento ficou a vontade de se realizar novos encontros com a presença de representantes da Sptrans que possa dar respostas mais consistente.

(Publicado no Gazeta de São Mateus ed-237 fevereiro/2007)

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24 de fevereiro de 2007 at 12:30

Escândalo do lixo em SP, que a Justiça é lenta para julgar, pode sujar o nome de Marta para um ministério

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Por causa de uma flagrante sujeira administrativa, a ex-prefeita Marta Suplicy pode ficar sem seu tão sonhado ministério no segundo governo Lula. São considerados nulos, de pleno direito, os bilionários contratos de varrição, coleta, transporte, tratamento e destinação final do lixo doméstico e hospitalar na capital paulista. O parecer é de um dos maiores especialistas em Direito Administrativo. Com duração de 20 anos, prorrogáveis por outros 20 anos, o acordo foi firmado durante a gestão petista na prefeitura de São Paulo.
O escandaloso acordo é alvo de uma ação em andamento. Mas o caso só será definido pela Justiça daqui a alguns anos. O Ministério Público espera punições para os responsáveis pelo acordo que lesa os cofres públicos em favor dos empreiteiros. O negócio é tão ruim que a Prefeitura de São Paulo passou da figura da ré a parte ativa no processo. O município resolveu também ser pólo ativo da ação, reconhecendo que o contrato assinado na gestão Marta Suplicy é danoso ao povo e aos cofres da municipalidade.
Embora tolerados por uma decisão da 2ª Câmara de Direito Publico do Tribunal de Justiça de São Paulo, emitida em 12 de junho de 2005, os dois contratos assinados pela ex-prefeita Marta já são condenados pela mais respeitada literatura de gestão pública – empregada em todos os concursos públicos e cursos de graduação em Direito e Administração. Na nota 75 da 21ª edição do livro “Curso de Direito Administrativo”, nas páginas 738 e 739, o professor Celso Antônio Bandeira de Mello deixa claro que o contrato do lixo ainda em vigor em São Paulo é nulo de pleno Direito. O Ministério Público apontou supostas falhas na concorrência pública como a falta de publicidade no edital e a ausência de planilhas de custos.
Os beneficiados diretos pelos contratos são os consórcios Limpeza Urbana S/A Sampalimp – atual Logística Ambiental de São Paulo (Loga) – e EcoUrbis Ambiental S/A. Envolvem as empresas Vega, Cavo, SPL, Queiroz Galvão, Heleno e Fonseca e LOT. Os valores contratados chegam a R$ 10 bilhões. O negócio é espetacular. Chega a R$ 41 milhões o gasto mensal da prefeitura com a concessão de varrição e coleta de lixo. Em dezembro de 2004, o juiz da 8ª Vara da Fazenda Pública, Sérgio Fernandes de Souza, chegou a conceder uma liminar suspendendo a contratação da EcoUrbis. O pedido fora do Ministério Público em Ação Civil por atos de improbidade administrativa. Na ação, o MP apontou supostas falhas na concorrência pública, como a falta de publicidade no edital e a ausência de planilhas de custos. Mas o TJ considerou tudo legal.
O desembargador Aloísio de Toledo César foi voto vencido. Inutilmente, o magistrado argumentou que o longo prazo de duração dos contratos iria engessar cinco administrações municipais consecutivas. Mas os desembargadores Alves Bevilacqua (relator), Nelson Calandra e Lineu Peinado aceitaram os argumentos da defesa das empreiteiras.
Em 2004, a Promotoria de Justiça da Cidadania denunciou, por supostas irregularidades na licitação dos serviços, o secretário municipal de Serviços e Obras, Osvaldo Misso, o chefe de gabinete da Secretaria, Marco Antonio Fialho e mais três integrantes da comissão de licitação (Antonio Carlos Nogueira Pimentel Júnior, Zenaide Fraga Bueno e Jealci Reimundes de Queiroz).
No mérito da ação, o Ministério Público pediu à Justiça a condenação do secretário Osvaldo Misso e dos integrantes da comissão de licitação com multa de até 100 vezes o valor de seus salários. Das empresas, requer o pagamento de multa de até 100 vezes o valor da remuneração por elas recebida, além da proibição de contratos com o serviço público pelos próximos três anos.
Crime Organizado
O Ministério Público denunciou, com base em interceptações telefônicas judicialmente autorizadas, que agentes de empresas do setor de limpeza urbana (varrição e coleta de lixo), em conjunto e de forma organizada, atuavam ilegalmente nas cidades e comarcas de Sertãozinho, Jaboticabal, Barretos, Monte Alto, Caçapava, Matão, Araraquara, Franca, Ribeirão Preto e São Paulo.
O objetivo do esquema era fraudar licitações públicas do setor, enriquecer-se ilicitamente e causar dano ao erário”.
Havia suspeita de que o resultado da licitação na capital e em outros nove municípios paulistas tenha sido combinado.
Coisa amarrada
A promotoria denunciou que o resultado da licitação estava “amarrado” ao resultado de outra concorrência feita concomitantemente pelas subprefeituras de São Paulo com a previsão de vitória dos consórcios Bandeirantes e São Paulo Limpeza Urbana e da empresa Qualix.
Ainda conforme denúncia do Ministério Público, através da “contratação mais cara do mundo”, a administração municipal acabou contratando duas empresas condenadas por improbidade administrativa e proibidas a fazer contratos com o poder público durante cinco anos – a Vega Engenharia Ambiental S/A e a Cavo Serviços e Meio Ambiente.
A promotoria garantiu que a Vega devia mais de R$ 1 bilhão em tributos e contribuições ao governo federal.
Problemas nunca solucionados
“O que São Paulo produz de lixo por dia daria para encher um estádio como o Pacaembu. São 15 mil toneladas. E como menos de 1% é reciclado, o aterro sanitário acaba sendo o destino de quase toda a sujeira. Acontece que os dois aterros sanitários estão no limite. No maior, as camadas de lixo e terra já atingiram 130 metros de altura. O aterro não tem mais para onde crescer. Estrada de um lado, a cidade, do outro. No segundo aterro, o lixo é tanto que já invade a reserva de mata atlântica. Um péssimo sinal”.
“Pelo estudo da empresa de controle ambiental do Estado, a capacidade dos aterros estará esgotada dentro de apenas seis meses. E até agora não se sabe o que fazer com todo lixo. Uma alternativa que seria a incineração também se transformou num grande problema em São Paulo. O único incinerador em operação não tem nenhum controle dos poluentes. Pior: tudo que é queimado aqui é lixo hospitalar”.
“De acordo com especialistas, o que sai daquela chaminé é veneno. São 70 toneladas de resíduos hospitalares queimadas por dia. E uma fumaça altamente nociva dentro da cidade. Exames revelaram uma grande concentração de gases ácidos, substâncias tóxicas e cancerígenas. Quem mora ali perto, sabe bem o que isso significa: "Problemas respiratórios"; "Todo mundo têm bronquite"; "Renite alérgica, problema de câncer pulmonar"; "Quando vem aquele cheiro de remédio é uma coisa que não dá, não dá mesmo".
“A prefeitura da cidade de São Paulo já foi multada 13 vezes nos últimos três anos por causa do incinerador. A desta quinta-feira foi de R$ 1,2 milhão. O secretário municipal de obras, João Otaviano Machado Neto, contesta todo o estudo da Companhia Ambiental de São Paulo. E diz que a capacidade dos aterros da cidade não se esgotará antes do ano de 2004”.
Os textos foram veiculados no Jornal Nacional, da Rede Globo, em 23 de novembro do distante ano 2000, na matéria com o título “Lixo de São Paulo vira uma bomba relógio”.

Por Jorge Serrão Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

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20 de janeiro de 2007 at 10:49

Receita autua Daslu em R$ 236 milhões

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É acompanhar para crer no que isso vai dar. A "lojinha" envolvida é por onde circula o suprasumo dos esnobes de São Paulo
A Receita Federal autuou a Daslu em R$ 236 milhões devido à suposta sonegação de impostos na importação de produtos vendidos na butique de luxo, informou o Ministério Público Federal. A multa aplicada pela Receita refere-se a valores de impostos não-recolhidos em 2001 e 2005 acrescidos de multas e juros.
Em defesa da Daslu, a advogada criminalista Joyce Roysen, disse que a autuação da Receita ocorreu contra a importadora Multimport, que fornecia mercadorias para a varejista. "A Daslu comprava a mercadoria da Multimport já nacionalizada. "
Segundo Joyce, por ocasião da autuação da Multimport, a NSCA, empresa que administrou a Daslu até 2005, foi autuada como responsável solidária. "O que é um absurdo, porque a Daslu nunca importou mercadorias." De acordo com a advogada, a Daslu entrará com um recurso administrativo nos próximos dias para impugnar a infração.
A dona da Daslu, Eliana Tranchesi, e o irmão, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, respondem a processo na 2ª Vara Federal de Guarulhos (SP). São acusados de formação de quadrilha, descaminho e falsidade ideológica.
 

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14 de dezembro de 2006 at 8:30

Conselho Político dá prazo de 45 dias para partidos apresentarem propostas sobre reformas

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Com o encaminhamento apontado na notícia abaixo, para o bem ou para o mal, o próximo governo do presidente Lula não pode mais ser identificado como uma administração petista. O arco de aliança estimulado pelo presidente Lula às vésperas do início do segundo mandato aponta para um governo de coalizão que, a bem da verdade, deveria ser dessa forma ser submetida e julgada no próximo pleito eleitoral.
 
Elaborar as reformas política e tributária é o grande desafio do Conselho Político do Governo formado por presidentes e líderes de dez partidos da base aliada do governo, o Conselho se reuniu pela primeira vez (13).
No encontro, o Conselho decidiu que os partidos terão 45 dias para apresentar propostas sobre as duas reformas. A reforma política precisa ser aprovada no primeiro semestre de 2007.
Conforme o ministro das Relações Institucionais Tarso Genro, o fim da guerra fiscal é ponto crucial dentro da reforma tributária.
Mesmo com o apoio dos partidos do conselho o governo, Tarso Genro sabe que o governo poderá perder nas votações do Congresso. “O conselho não será um bloco férreo de votação”. Segundo o ministro, "o Conselho será um órgão de ajuste para projetos estratégicos do governo, buscando o maior consenso possível para votações rápidas e formação de maioria eficaz”.
O presidente do PMDB, Michel Temer, que falou em nome dos partidos aliados, afirmou que cargos no governo não foram debatidos na reunião. “Esta coalizão visa à formulação, que não depende de cargos. Se depois o presidente entender que para a execução, que é uma outra fase, dependerá dos partidos políticos, ele vai colocar naturalmente os partidos”, afirmou.
Participaram da reunião Marco Aurélio Garcia, presidente interino do PT; José Renato Rabelo, presidente do PC do B; Roberto Amaral, presidente do PSB; Vitor Araújo dos Santos, presidente do PRB; Michel Temer, presidente do PMDB; Carlos Lupi, presidente do PDT; Alfredo Nascimento, presidente do PR; José Luiz Penna, presidente do PV; Nélio Dias, presidente do PP, deputado José Múcio, líder do PTB na Câmara; senador Marcelo Crivela, do PRB e o governador eleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

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13 de dezembro de 2006 at 22:53

População se mobiliza para manter piscinão de Guaianases

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A continuidade da operação do Piscinão Luiz Matheus, foi objeto da reivindicação dos moradores de Guaianases, durante ato público promovido pelo Diretório Zonal do PT com apoio dos vereadores petistas Beto Custódio e Senival e do deputado estadual Adriano Diogo, dia 13 de dezembro em frente à subprefeitura de Guaianases.

Antes de serem recebidos em comissão pelo subprefeito Eduardo Carlos Felipe e demais assessores, as lideranças expressavam em público suas preocupações quanto à continuidade do piscinão, visto que, segundo os depoimentos, havia sinais de abandono do local com quase nenhuma manutenção sendo feita. Para Valdir Moita de Melo, morador da rua Amojuiba, no  Parque Central, a subprefeitura abandonou a manutenção e as possibilidades de enchentes neste período são mais evidentes. “Não estão limpando a calha do piscinão e a área de reservatório de água vem diminuindo o que pode facilitar uma possível enchente se continuar a chover”, acredita. Outros moradores corroboram a declaração do morador dizendo que a capacidade de armazenamento diminuiu em 30%.

Para o atual subprefeito de Guaianases, Eduardo Carlos Felipe, durante a audiência, é a falta de uma definição mais clara da situação jurídica que cria dificuldades para a Prefeitura. Até agora, o piscinão não é nada mais do que o aproveitamento de uma calha natural de 74 mil m2 feita a partir da exploração do terreno anos a fio, por uma pedreira que operava no local. Por conta disso, na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy optou-se por negociar uma locação com os supostos proprietários para o funcionamento do piscinão em busca de soluções para as enchentes durante o períodos das chuvas.

Segundo o deputado estadual Adriano Diogo (PT/SP), também presente a audiência, e que na gestão anterior, era o secretário do Meio Ambiente, após as negociações foi afixado o valor mensal do aluguel em R$ 150 Mil. Esse valor foi baseado na avaliação feita pela secretaria municipal que cuidava das apropriações e que avaliaram em R$ 15 milhões todo o terreno, algo próximo de 240 mil m2 em contra partida ao pedido dos supostos proprietários que pediam R$ 45 milhões.

Para minimizar os problemas com as enchentes no local, esclareceu o deputado, a administração anterior optou por fazer a locação e iniciar um projeto de desapropriação para fins de utilidade pública. Para Adriano Diogo, a atual administração do ex-prefeito Serra (PSDB) e do Rodrigo Cassab (PFL), não deu o prosseguimento necessário em busca da desapropriação o que criou o atual impasse.

Apesar de demonstrar durante a audiência interesse no funcionamento adequado do piscinão, o subprefeito deixou transparecer que a situação é incerta uma vez que a pendência sobre a regularidade daquela área é objeto de discussão jurídica, como explicou o engenheiro Carlos Calil, outro assessor da subprefeitura. “A área está como se fosse em sub-judice. A regularização da propriedade pelo Afonso Dias que reivindica ser o dono tem que passar pela solução sobre as dívidas de um passivo ambiental que beira algo em torno de R$ 10 milhões, o que não é uma situação tão simples”, especula. Segundo Calil a questão está no jurídico da Prefeitura e a tramitação nem sempre é tão ágil quando o necessário e desejado a solução dos problemas da comunidade.

Após ouvirem a declaração de intenções por parte do subprefeito de tentar agilizar uma solução institucional e pelo compromisso com a manutenção mínima ao funcionamento do piscinão e de apresentar como prova uma comunicação interna autorizando consultas e eventuais compras de bombas para drenar a água, os vereadores Beto Custódio e Senival, o deputado Adriano Diogo e as lideranças presentes decidiram dar um voto de confiança vigilante ao subprefeito. Algumas lideranças, atendendo a convocação do vereador Beto Custódio ainda se dirigiram a Delegacia de Polícia do bairro para registrar um possível boletim de ocorrência preventivo para manutenção de direitos, conforme definição do vereador Beto Custódio em entrevista durante o início do ato público. (JMN)

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13 de dezembro de 2006 at 16:41

Portal da Transparência do governo federal é reformulado para facilitar navegação

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Ao completar dois anos de implantação, o Portal da Transparência, do governo federal é reformulado para oferecer “uma navegação mais amigável e moderna, com a inclusão de novas possibilidades de consulta”, de acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU). O site já tem mais de 433 milhões de registros sobre as ações governamentais.

Foi incluída a Consulta por Favorecidos, que presta informações detalhadas sobre os recursos públicos federais destinados a empresas, órgãos ou cidadãos, independentemente da origem dos valores. A pesquisa pode ser feita por nome ou por código de identificação, como CPF, CNPJ ou NIS, sendo possível também listar os favorecidos em ordem decrescente de valor.

Está aberta também a Consulta de Diárias Pagas a servidores que viajam a serviço das repartições públicas, bastando para isso pesquisar informações através da digitação do nome do servidor. A Consulta Transferência por Ação de Governo acessa o repasse de recursos para estados, municípios e diretamente a servidores, classificadas por Ação de Governo. Com essa modalidade de consulta obtém-se os valores liberados pelo governo para quaisquer destinações, como o Fundef, o programa Bolsa Família, a qualquer pessoa ou organização.

Todos os convênios firmados pelo governo federal a partir do dia 1 de janeiro de 1966 estão disponíveis no portal no item Consulta a Convênios, onde o internauta obtém dados sobre os recursos liberados. O portal está também prestando informações instrutivas sobre a navegação no site, inclusive sobre como fiscalizar a  aplicação de recursos federais.  Foram incluídos os itens Aprenda Mais, Perguntas Freqüentes e Participação e Controle Social.

Ontem, (9), a CGU promoveu ações em todos os estados, por ocasião da comemoração do Dia Internacional contra a Corrupção, com apoio do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (Unodc). De acordo com a controladoria, “a idéia é aproveitar a celebração da data para na segunda-feira (11) qualificar membros dos conselhos municipais de controle social e incentivar a participação ativa do cidadão no acompanhamento e na fiscalização do uso do dinheiro público por parte dos governantes”.

Participam também das ações no Dia Internacional contra a Corrupção, o Ministério Público Federal, os ministérios públicos estaduais, o Departamento de Polícia Federal e o Tribunal de Contas da União. A CGU entende que “a conscientização e a mobilização sociais são importantes para potencializar os resultados do seu trabalho”. Para o ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria Geral da União, “o controle institucional, por mais bem aparelhado que esteja, nunca será suficiente para coibir irregularidades sem a participação ativa da população”.

De acordo com a Controladoria Geral da União, o Programa Olho Vivo no Dinheiro Público, por ela desenvolvido, já realizou 37 eventos de educação presencial em 25 estados do país, abrangendo um total de 284 municípios.

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11 de dezembro de 2006 at 21:15

É para a esquerda Lula, diz Hugo Chávez

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Brasília – Os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Luiz Inácio Lula da Silva no parlatório do Palácio do Planalto. Início de dezembro pós reeleição de Lula no Brasil e HC na Venezuela 

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7 de dezembro de 2006 at 15:53

Câmara aprova PEC com antecipação de recursos para Fundeb

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Iara Bernardi: "Neste momento, daremos uma grande prioridade à educação brasileira que será um marco no País."

O Plenário aprovou nesta quarta-feira, dia 6/12, em segundo turno, o substitutivo do Senado para a Proposta de Emenda à Constituição do Fundeb (PEC 536/97). A votação teve 328 votos a favor e 4 contra. A PEC deverá ser promulgada em sessão do Congresso Nacional.
A principal modificação em relação ao texto aprovado inicialmente na Câmara é a antecipação, de cinco para quatro anos, do alcance da meta da União na complementação dos recursos destinados aos fundos que serão criados pelos estados e Distrito Federal para o desenvolvimento da educação básica. O texto acatado é o aprovado pela comissão especial, com parecer da deputada Iara Bernardi (PT-SP).
Unidade
A relatora elogiou o trabalho da comissão, destacando que todos os integrantes trabalharam com unidade em torno da matéria. "Neste momento, daremos uma grande prioridade à educação brasileira que será um marco no País. Poderemos universalizar o ensino infantil em quatro anos para todas as crianças. O fundo deverá garantir educação para todos", espera.
O Fundeb substituirá o atual
Fundef, que acaba neste ano e vincula a aplicação de recursos apenas ao ensino fundamental. O novo fundo contará com recursos de outros impostos hoje não distribuídos para esse fim e a complementação da União será maior.
Com duração de 14 anos, o Fundeb atenderá os alunos da educação infantil, do ensino fundamental e médio, além de financiar a educação de jovens e adultos. O fundo será implantado de forma gradativa.
Complementação
O texto aprovado no Senado mantém a mesma complementação da União de R$ 2 bilhões aprovada na Câmara para o primeiro ano. No entanto, os senadores aumentaram os valores no segundo e no terceiro anos – R$ 3 bilhões e R$ 4,5 bilhões respectivamente – contra os R$ 2,85 bilhões e R$ 3,7 bilhões propostos inicialmente pelos deputados. Já no quarto ano, a União deverá complementar os recursos com 10%, no mínimo, do total dos investimentos dos fundos criados em cada estado e no Distrito Federal.
Igual percentual de 10% desses valores poderá ser distribuído aos fundos por meio de programas direcionados à melhoria da qualidade da educação. A forma da distribuição desse percentual será definida pela mesma lei que tratará da organização dos fundos, da distribuição proporcional de seus recursos, da forma de cálculo do valor anual mínimo por aluno e de outros detalhes.
Mais repasses
Para custear as despesas do Fundeb, a PEC aumenta de 15% para 20% o percentual dos impostos de transferência constitucional destinados aos atuais fundos existentes nos estados e no Distrito Federal e inclui outros tributos na repartição. De acordo com o texto aprovado hoje, fica reduzido de quatro para três anos o prazo para alcance desses 20% de repasse. No primeiro ano, o índice passa a ser de 16,66%; e no segundo ano, 18,33%, atingindo os 20% no terceiro ano.
Os novos tributos incluídos na repartição serão distribuídos em percentuais de 6,66% no primeiro ano; de 13,33% no segundo ano; e de 20% no último ano, de acordo com a proposta do Senado.
Da mesma forma, são alterados os quantitativos de matrículas das novas fases da educação básica abrangidas pelo Fundeb. As matrículas para a educação infantil, para o ensino médio e para a educação de jovens e adultos passarão a ser contadas na proporção de 1/3 de sua totalidade no primeiro ano de implantação, 2/3 no segundo ano e na totalidade a partir do terceiro ano.

Written by Página Leste

7 de dezembro de 2006 at 11:28

Insensibilidade e miopia

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Para nossa reflexão, segue editorial do jornal Correio da Cidadania, da última semana.

Se se perguntar a dez brasileiros o que pensam a respeito da enorme disparidade social que marca a nossa sociedade, os dez responderão que é um absurdo. Contudo, não se conhece grupo ou corporação que esteja disposta a aceitar a mais mínima restrição em seus ganhos, a fim de contribuir para reduzir a distância entre os mais ricos e os mais pobres.
Esta insensibilidade mostra que estamos muito distantes daquele grau de solidariedade orgânica requerido para transformar um aglomerado populacional em uma verdadeira Nação.
Veja-se o caso do aumento dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Em uma época de pouco dinamismo econômico e de elevado nível de desemprego, os funcionários públicos mais bem pagos do país não têm pejo de demandar um aumento de 5% em suas remunerações.
Como a legislação determina que a remuneração dos ministros do Supremo seja a base da remuneração de todos os demais juízes e de várias outras carreiras, o Ministério do Planejamento calculou que o aumento significará um dispêndio extra de trezentos milhões de reais.
Se, em vez de conceder 5% de aumento a pessoas que já ganham muito bem, esses trezentos milhões fossem usados para aumentar o valor do Bolsa Família, 11 milhões de famílias muito pobres receberiam aumentos de R$ 30,00 a R$ 40,00, o que representaria, para elas, aumentos em média superiores a 30% do seu rendimento. Obviamente, isto somente não resolveria o problema da pobreza. Porém, indicaria a consciência dos que se encontram no tope da pirâmide das remunerações pagas pelo Estado, da necessidade de fazer algo urgentemente para resolvê-lo.
Sem dúvida, os juízes reagirão a uma proposta tão ingênua e indagarão, indignados, por que só eles terão que arcar com o ônus de mitigar um problema que não criaram, enquanto banqueiros, comerciantes, industriais, profissionais liberais de renome, artistas de TV, jogadores de futebol ganham muito mais – sem falar dos especuladores que se locupletam, lícita e ilicitamente, nesse cassino em que se transformou a administração da dívida pública da União.
A razão que possam ter – e, sob este aspecto, têm – não resolve o problema, pois, quando até a elite intelectual e política da classe dominante mostra-se incapaz de perceber que um país mais homogêneo é do seu próprio interesse, tampouco conseguirá fazer com que o regime institucional adquira a legitimidade necessária para a plena vigência da democracia. Terá de usar, cada vez mais, a força bruta, cavando assim a ruína da Nação.

Written by Página Leste

7 de dezembro de 2006 at 11:25

Ministério Público aumenta o próprio teto salarial para R$ 24.500

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O teto salarial dos integrantes dos ministérios públicos estaduais passa a ser de R$ 24.500 – o mesmo dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O aumento foi aprovado hoje (4) por sete votos a cinco no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

O autor da proposta que alterou o antigo teto – de R$ 22.111,25 – , conselheiro Sant´Clair Nascimento, argumentou, segundo nota publicada no site do CNMP, que o parâmetro dos limites dos salários deve ser "o valor do subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal".

Lula vetou, no dia 29 de novembro, a gratificação para os membros do CNPM e também a criação de 58 cargos comissionados. Com a gratificação, chamada de jetom, os 14 integrantes do conselho iriam receber R$ 2.793 por sessão, limitado a duas sessões mensais. No veto, o governo federal justifica que, com o benefício, o salário dos conselheiros oriundos do Ministério Público ultrapassaria o teto do funcionalismo, R$ 24.500, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bastos diz que decisão sobre aumento no Ministério Público é do Supremo  – O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou no mesmo dia que a decisão sobre o aumento salarial está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF). O Supremo deverá julgar uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) que será impetrada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, contra a elevação do teto de R$ 22.111 para R$ 24.500. Thomaz Bastos também disse que é preciso cuidado com aumentos salariais neste momento, a fim de não prejudicar as contas públicas: "É fundamental que a política de responsabilidade fiscal seja conservada, a fim de evitar a cascata que se faz através da isonomia, em que se dá um aumento e depois tem que dar outro".

Written by Página Leste

5 de dezembro de 2006 at 8:38