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Archive for abril 2017

A coisa está feia, não dá para garantir nada

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A delação da Odebrecht foi feito metralhadora giratória e apontou para quase todos os partidos e políticos mais importantes no cenário nacional. Não escolheu bandeira, sigla, cor, nem status. Estamos vendo nos grandes meios de comunicação a divulgação contra ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com mais empenho, porque faz parte da lógica recente desses veículos, mas do Lula até o senador Aécio Neves, passando pelo presidente em exercício Michel Temer que não pode ser imputado agora, por força de lei, não sobrou nada entre as grandes figuras ou o establishment.

Se qualquer cidadão medianamente atento à política que foi às ruas pedir a saída da Dilma e torce para que o Temer de certo ou dos que foram contra o impedimento da Dilma, ou ainda entre os que estão confiantes na inocência do Lula tinham alguma expectativa de que possam estar certos, tenhamos a certeza de que certeza não vai se encontrada de lado algum.

A coisa ficou tão sinistra com o vazamento das delações de Marcelo Odebrecht, preso, e do pai Emílio Odebrecht, deste, atingindo a liderança, passando pelo governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, esbarrando no Michel Temer como liderança do PMDB , figurões do alto escalão, não menos que mais de meia dúzia dos atuais ministros e a casta dirigente do PSDB que os plenários da Câmara e do Senado, tão cheios de parlamentares durante todo esse período ficaram vazios, do tipo quando se higieniza esses locais.

O que tem de zumbis e cadáveres insepultos na política nacional é dar bons episódios a séries premiadas como The Walking Dead. Figuras públicas, que por serem públicas, dependem de aparecer sempre estão mais escondidos que o dinheiro dos roubos. Quando vaza conversas, em geral é dos sujos falando dos mal lavados. Não tem mais telhado que não seja de vidro.

E os corruptores; quase sempre os mesmos, as grandes e potentes empreiteiras que se embelezam da fama de competentes, bastiões do progresso nacional e que se colocaram de pé através do mesmo expediente corruptor ao longo da história brasileira. Destes, pelo menos uma qualidade podemos destacar, o departamento da propina é democrático e compra políticos de qualquer coloração. Se alguma exceção feita, mesmo assim não devemos apostar que são exceções, apenas os micros partidos de esquerda com baixa ou quase nenhuma influência no tabuleiro de xadrez da política nacional.

À medida que as denúncias surgem o que se percebe é apenas a diferença no valor de compra de cada um. O que pode valer um senador ou deputado ou ministro deste ou daquele partido.

Quanto valia, por exemplo, um Eduardo Cunha (PMDB), ainda guardado na tranca, quando comparado a um ex-ministro da Fazenda como Antônio Palocci (PT), também guardado na tranca, por exemplo. Negócios, apenas negócios.

E onde isso começou, talvez tenhamos que nos lembrar do início da República séculos atrás, não descontando que a corrupção com seus corruptores e corrompidos já vinham do tempo do império senão antes.

A coisa está tão feia que até uma operação envolvendo FHC, Lula e Temer e seus asseclas, e através deles próprios, pois houve uma reunião informal, mas pesada, entre estes, por ocasião do velório da esposa do Lula, Marisa Letícia, vem sendo toda construída com muita delicadeza e visa dar sobrevida aos partidos e políticos do establishment. Essa operação, entretanto, pode não dar muito resultado, porque a reação do eleitor, quase sempre previsível com sua memória curta pode, desta vez, surpreender.

Como a saída é estreita e está cheia de armadilhas há entre os que articulam esse abafa a suspeita de uma saída exótica, digamos assim. Consideram que as mais altas patentes envolvidas na operação Lava Jato, o MP e os investigadores cogitam colocar no passado a classe política para substituí-los na direção do País.

Pode ser fantasia, mas não delírio, do jeito que estão às coisas, não será de se estranhar mais nada. (JMN)

Written by Página Leste

13 de abril de 2017 at 19:03

Persistem denúncias contra Lula; faltam as provas

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Luiz Inácio Lula da Silva goste-se dele ou não é a maior liderança política no Brasil e tem proclamado que é inocente de todas as suspeitas e acusações que se faz contra ele. Faz o mesmo que todos os outros acusados, pelo menos num primeiro momento até que as provas apareçam. Acusadores tentam provar as suspeitas, Lula tenta provar que estão errados.

O ex-presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht preso e participando de delações premiadas com vistas a diminuir e amenizar o cumprimento de suas eventuais penas confirmou dia desses ao Juiz Sergio Moro, que o apelido “Amigo” que aparece nas planilhas da empreiteira que registrava a doação para políticos é o ex-presidente. Ele já havia confirmado, em dezembro passado, a mesma informação quando falou à força-tarefa da Operação Lava Jato. Seu pai Emílio Odebrecht também andou relatando suposta relação com doação para as campanhas petistas ou para Lula.

Juntem-se as duas delações do Marcelo o relatório de conclusão de inquérito na Polícia Federal que corrobora a informação de que “Amigo” da planilha seria o Lula. “Amigo do meu pai ou amigo de EO” também estão na planilha e indica que, nesses casos, fazem referência a Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, que voltou a presidência da companhia após a prisão do seu filho Marcelo.

Para a PF, por uma conta corrente teriam sido repassados ao ex-presidente Lula 8 milhões de reais. Já na recente delação para o juiz Moro esse valor seria de 13 milhões. O responsável pelos repasses desse dinheiro, segundo Marcelo Odebrecht, seria o ex-ministro Antônio Palocci, também citado na citada planilha como “Italiano”.

Mesmo o outro ex-ministro da Fazenda de governos petistas, Guido Mantega, aparece com o codinome “Pós-Itália”. O que diz Marcelo Odebrecht é a mesma coisa para à força-tarefa, para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando das audiências que avalia a cassação da chapa Dilma Temer em 2014. Segundo advogado de Mantega, Flávio Caetano, seu cliente deu um depoimento enfático “todas as afirmações de Marcelo Odebrecht são mentirosas. Seu depoimento é uma peça de ficção”, após acompanhar o depoimento de Mantega no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), na capital paulista.

Acontece que depois do vazamento ficou mais claro o tal depoimento dos executivos apesar de contundentes e cheios de detalhes não é tão convincente quanto pretende. Faltam as provas irrefutáveis. Da mesma forma que com relação à doação para Dilma, Marcelo não recebeu nenhum pedido de Lula ou dela, apesar de ser muito provável que houve doações em caixa 2 para o PT, como houve para todos os outros partidos.

Disse apenas, e nem tem tanta certeza, que Lula sabia dos milhões que poderia ser para ele próprio, Lula. “As duas únicas comprovações que eu teria que Lula, de certo modo sabia disso, foi quando veio o pedido de compra do terreno do Instituto IL, mas não me lembro através de quem”. O fato é que nesse caso específico nem a compra desse terreno acabou se concretizando.

Já a defesa do ex-presidente Lula que diante das denúncias vai precisar trabalhar triplicado, sustenta que ele jamais solicitou qualquer recurso em valor que fosse para a Odebrecht ou qualquer outra empresa para que fim fosse e que vai provar isso na Justiça. Sustentam que o ex-presidente teve seus sigilos fiscais e telefônicos quebrados; tiveram sua residência e de familiares próximos sido palco de buscas e apreensões há mais de um ano e que com mais de uma centena de testemunhas ouvidas nos processos nada indicou transferência de recursos indevidos para Lula. De roldão os ex-ministros Mantega e Palocci, este preso em Curitiba, também negam as acusações.

Se Lula é acusado de ter recebido em espécie R$ 13 milhões, não para por ai. Supostamente “Amigo” era o nome que se dava a uma espécie de conta corrente por onde teriam passado também R$ 50 milhões doados à campanha de Dilma, em 2014, e como compensação por uma Medida Provisória assinada em 2009, por Lula, que beneficiou empresa do Grupo Odebrecht.

Parece que no enredo dos próximos capítulos uma possível fraquejada de Palocci que não descarta fazer, também, uma delação premiada, tem semeado preocupação ao comando do PT. Não se sabe como o Lula experimenta essa possibilidade. O certo é que está previsto que sem uma eventual colaboração Palocci, se condenado, deverá o ser em regime fechado por um longo tempo.

O que se vê nesse resumo imparcial é que os ventos sopram forte para os lados da liderança, dos envolvidos e do próprio partido; quase um vendaval, mas como se sabe, o tempo não tem regras nem cabresto e pode ser alterado quando menos se espera.

Por enquanto de concreto se vê que o prestígio do Lula, apesar de grande, já não é mais o mesmo, mesmo assim com muito potencial.

O quanto sua defesa vai provar a inocência e a própria afirmação categórica de Lula sobre a sua inocência vai ser provada, se conseguirem é que poderá dar fim a essa novela, mesmo porque o que pode estar por trás dessas acusações é tornar inviável o nome da liderança numa eventual disputa à presidência da República em 2018, se eleições houver, uma vez que o governo interino de Michel Temer e as alternativas parecidas com ele não estão com moral ilibada o suficiente. (JMN)

Written by Página Leste

13 de abril de 2017 at 18:59