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Archive for março 2017

Terceirização, melhor seria submeter ao povo

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Economistas, juristas, empresários não tem a mesma opinião sobre os efeitos que os projetos de terceirização aprovados possam ter. Eu, menos ainda. O que vai acontecer depois do projeto aprovado na Câmara e o que deverá ser votado no Senado é uma assustadora caixa de surpresa.

Uns defendem a flexibilização das relações trabalhistas como forma de incentivar novos empregos, outros asseguram que a terceirização de atividades-fim das empresas poderá fragilizar as relações de trabalho.

Que vai fragilizar as relações até eu sei. A ideia da terceirização é essa mesma, aliviar responsabilidades e deveres das empresas que acreditam vai gerar mais empregos. Eu estou propenso a acreditar que os empregos serão os mesmos ou um pouco mais, mas onde os trabalhadores que tiverem a sorte de serem contratados vão trabalhar mais tempo por menos salários e direitos?

Alguns juízes dizem que se o projeto que está na Câmara for sancionado pelo presidente e é esse que ele apressado quer sancionar os conflitos e os processos na Justiça do Trabalho deverão aumentar por conta mesmo da maior rotatividade dos trabalhadores na empresa. Ninguém mais vai ficar esquentando cadeira e fazendo carreira nas empresas. De olhos nesses processos é que os apoiadores desse governo consideram acabar com os Tribunais de Justiça do Trabalho, embora defendam a extinção alegando os elevados custos que o complexo, sem cerimônia, utiliza.

Armando Castelar, economista da FGV, por exemplo, acha que para evitar ainda mais a precarização das relações de trabalho, sindicatos fortes ainda serão necessários e o diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz, diz que a flexibilização com aumento da terceirização prejudica os trabalhadores.

Estou mais afinado com o Sr. Ganz quando este diz que a flexibilização é uma autorização para reduzir direitos sem a garantir de que isso crie um ambiente favorável ao desenvolvimento. De qualquer forma para os dois estudiosos o projeto que está no Senado, sem dúvida, é melhor do que o aprovado em primeira instância na Câmara. “Ele foi objeto de um longo debate, que incorporou várias contribuições de trabalhadores e empregadores. Vai gerar um ambiente de segurança maior para as empresas e mais confiança para os trabalhadores”, disse Ganz.

Do outro lado, dos empresários, a prioridade é a sobrevivência e a competitividade da empresa e o mundo, mesmo o do trabalho parece que termina ai. Representante de uma empresa como a Vale, por exemplo, considera que permitir a terceirização até mesmo para atividade-fim é adequar-se aos preceitos do mundo globalizado. Outros empresários ainda sustentam que a medida vai aumentar a produtividade das empresas. Para estes a legislação brasileira é muito rígida. Tudo muito bom, mas enfraquecendo a situação do trabalhador na ordem natural das coisas, ou seja, do trabalhador como peça da maior importância na produção da riqueza.

Do ponto de vista de um juiz do Trabalho o projeto do Senado é mais razoável, mas ainda é preciso demarcar diferenças entre terceirização em atividade-fim e atividade-meio. “No caso do projeto do Senado existe uma previsão e mecanismo de um capital garantidor para esse tipo de contratação e a possibilidade da responsabilização solidária, que é o mesmo de manter alguma responsabilidade na contratação da empresa aonde vai de fato se trabalhar, não apenas com a empresa contratante que prestará o serviço. Mesmo assim esse juiz acha que debate deveria continuar porque nenhum dos dois projetos resolve a insegurança jurídica [sobre a terceirização].

Concordo com um e com outro e concordaria ainda mais com tantos outros olhares sobre essa questão. Destaco que as medidas grosso modo visa melhorar o ambiente dos negócios e de aumento de margens de lucro. Quem estará cedendo com a terceirização serão os trabalhadores. Mas, ao final, acho mesmo é que esse tipo reforma tinha  mesmo era que ser submetido à apreciação popular via plebiscito ou referendo.

Written by Página Leste

31 de março de 2017 at 16:28

Direto e reto: a reforma da previdência

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O governo federal vem se empenhando de todas as maneiras e patrocinando a tentativa de reforma da previdência. Tentado desviar das firulas entenda de que forma essa Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287 muda drasticamente a aposentadoria dos trabalhadores.

Do que interessa pra nós a parte fraca da corda o primeiro ponto trata do aumento da idade mínima para aposentadoria que passará a ser de 65 anos, tanto para homem como para mulher. A mudança também vale para professores e professoras anulando a condição especial do magistério.

Além disso, o tempo mínimo de contribuição para a previdência passará dos atuais 15 para 25 anos sem a garantia do benefício completo. Isso significa que contribuir o tempo mínimo não dá garantia de aposentadoria integral completa do benefício. Com o novo calculo 25 anos dá direito a apenas 76%. Para atingir a integridade da aposentadoria o trabalhador tem que contribuir por no mínimo 49 anos, ou seja, para se aposentar aos 65 anos e recebendo 100% da aposentadoria o trabalhador terá que contribuir pagando o INSS a partir dos 16 anos de idade. Mas, menor de idade não pode trabalhar.

Agora acrescente a essa corrida de obstáculos o avanço significativo nas intenções de aprovação da terceirização ampla e irrestrita, no dia 23, deste mês, com o enfraquecimento da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) conquistada a duras penas nas lutas dos trabalhadores. Quem irá daqui para frente ter emprego estável e regular durante todo o tempo exigido para uma aposentadoria satisfatória ou plena? Piada de mau gosto e maldade sem limites desse governo tampão e desse Congresso repleto de golpistas.

Até mesmo a pensão por morte, benefício dado para quem perde esposa ou marido também mudará se a PEC 287 entrar em vigor. O valor a ser recebido não será mais integral e sim apenas 60% do valor e mais 10% para cada dependente. Também será proibido receber pensão e aposentadoria ao mesmo tempo e a pessoa terá que escolhe o benefício que julgar mais vantajoso.

Mas não para por ai. A reforma prevê ainda que a idade mínima de 65 pode ser ampliada. Segundo a proposta a regra poderá ser alterada a qualquer momento, sem necessidade de nova discussão legislativa caso haja um aumento na expectativa de vida da população brasileira.

A reforma da previdência ainda depende da aprovação no Congresso. A única certeza que temos é que os direitos dos trabalhadores estão em jogo.

Mas precisava mesmo essa reforma? Bem, já analisamos melhor esse assunto em outros artigos e respondemos que não, mas para tirar melhor as dúvidas vejamos o que argumentam os auditores fiscais da Receita Federal responsáveis pelo combate às fraudes e a fiscalização e arrecadação das contribuições sociais da união destinadas ao financiamento da seguridade social.

Primeiro ponto. De acordo com a constituição brasileira a Seguridade Social foi criada para sustentar além da previdência, a saúde e a assistência social de milhões de brasileiros.

Segundo ponto. Dados extraídos das contas do próprio governo federal em 2015 indica que foram arrecadados R$ 700 bilhões para garantir tudo isso, mas foram gastos R$ 688 bilhões, portanto o sistema de seguridade social brasileiro é superavitário; não há um rombo na previdência pública e sim um desvinculo anual das contribuições sociais por parte do governo autorizado por uma emenda constitucional. Em 2015 foram desvinculados para outras finalidades cerca R$ 66 bilhões da previdência, da saúde e da assistência social. Se não fosse isso teríamos superávit na seguridade social e não déficit como é falsamente divulgado.

Terceiro ponto. A previdência social não é sustentada apenas com contribuições dos empregados e dos empregadores. Ela também conta com recursos que estão embutidos em cada produto que compramos ou serviço que contratamos. No preço de tudo que adquirimos estão incluídos tributos que deveriam ser destinados a nossa previdência, a nossa saúde e o amparo de nossa velhice.

Resumindo. Querendo ou não, não podemos permitir que nós, os trabalhadores, percamos nossos direitos por causa dessa distorção. A previdência social é superavitária e é um direito nosso. Nós pagamos por ela.  Não sou de conclamar diretamente os leitores para isso ou aquilo, mas nessa pauta sugiro que compartilhe essa informação e ajude a denunciar essa grande ameaça a nossa aposentadoria.

Written by Página Leste

31 de março de 2017 at 16:25