Biruta assumindo pode fazer a diferença em Ferraz
Se não repetir ‘mais do mesmo’ e se quiser, novo prefeito pode fazer melhor por Ferraz de Vasconcelos
A despeito das dúvidas entre as forças políticas quanto a sua capacidade de competir à Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, José Carlos Fernandes Chacon (Zé Biruta) foi eleito para ser novamente o prefeito da cidade problema do Alto Tietê em São Paulo. Depois de uma dezena de anos volta à condição de titular do executivo, no município que hoje se encontra em situação bastante diferente. Ao longo desse período, entre a sua primeira passagem e agora, a cidade não só se tornou mais complexa como também mais delicada do ponto de vista de suas necessidades.
Espera-se do novo prefeito paciência, capacidade e compreensão para olhar para a mesma cidade que um dia administrou com outros olhos, com outros parâmetros, com outras ferramentas mais adequadas para lidar com uma realidade que não é mais a mesma. A cidade cresceu em termos demográficos; população e extensão de terra ocupada, e problemas típicos das grandes aglomerações como desorganização urbana, falta de saneamento básico e oferta equilibrada de serviços públicos entre outros.
Quase nada de culpa pela situação pode ser debitada ao prefeito que vai tomar posse. Porém, não dá para dizer que não há nenhuma. Devemos lembrar que o político e cidadão Zé Biruta também têm responsabilidades como qualquer outro com o que ocorre e para onde caminha o município. E, sabe-se, com alguma certeza, que FV não tem caminhado bem, principalmente pela qualidade duvidosa de seus representantes eleitos e os indicados para o Executivo e o Legislativo local.
Se para prefeito e para a câmara de vereadores a eleição se fez necessária, não é o mesmo para o secretariado que compõe a administração da cidade. É boca corrente que em Ferraz de Vasconcelos, a exemplo de municípios menores que orbitam em torno das metrópoles, interesses paroquiais, corporativos e pessoais tem um peso significativo na condução das coisas públicas. Falta espírito público e transbordam expedientes oportunistas e interesseiros. Basta ver ao longo da história recente quem e como se comportaram aqueles que deveriam trabalhar para o bem comum; cuidaram de si próprios e dos seus quase sempre deixando um rastro de malfeitos e prejuízos óbvios ao município e a coletividade.
Se esses malfeitos ficaram no passado, embora ainda sejam passíveis de que um dia venham à tona em forma de denúncias ou investigações, a eleição recente não é o mesmo que passar uma borracha no mau comportamento. É temerário e indesejável que a mesma fórmula se mantenha com o novo prefeito. A sedução do poder é sempre muito forte e caberá ao eleito saber lidar com ela de forma responsável e republicana.
A tarefa, entretanto, não é apenas e tão somente dos novos quadros que vão compor o Executivo local e seus novos e não tão novos vereadores. A fiscalização atenta e permanente também é tarefa do Ministério Público e dos cidadãos, os principais interessados porque é com o fruto de seus impostos diretos que se pagam todas as contas. Também não é preciso muito esforço para entender que além dos impostos diretos que são recolhidos da população as principais linhas de financiamento de outras instâncias de governo também são com recursos de todos os pagadores de impostos, da cidade ou não.
Diante disso e da expectativa de um novo governo, desejamos que o peso dos compromissos e dos desafios que terá pela frente seja leve à figura do prefeito. Entretanto, que ele seja prudente e se sirva do acumulo de informações, dos planos gerais, diretor e planejamentos de que dispõe, reafirmando-os ou alterando-os. Que ele faça o melhor uso de forma justa e, se for o caso, com políticas compensatórias para diminuir os contrastes gritantes que o município apresenta. E mais, que o peso dos desafios seja compartilhado com os setores organizados em seus múltiplos interesses e que ele tenha ouvidos sempre abertos para as demandas que lhes for apresentada.
Mais sábio ainda será, se diante desse rol imenso de problemas que terá para tentar resolver, ele, além de escutar, ainda coteje-os para que, democraticamente, possa elencar as prioridades. Se ao contrário, se comportar como mais do mesmo ai podemos prever a cidade estagnada como hoje está ou piorada, pois a conjuntura brasileira no próximo período vai exigir criatividade e muita competência para não se comportar como uma biruta (aparelho que indica a direção dos ventos de superfície e orienta, nos aeródromos, as manobras dos aviões) que fica mudando de posição a todo instante diante dos ventos ferrazenses. – J. de Mendonça Neto, jornalista é servidor público em FV.
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