Archive for dezembro 2016
Temer vai se dando bem com fim de ano alienado
Fique à pampa, presidente interino e golpista. O povo não está nem ai para as suas malvadezas. Num tempo em que o luto faz mais sentido e a disposição para a luta se faz mais do que necessária, às coisas continuam como dantes e o povo, principalmente das periferias, seguem o curso do boi no abate, mas de forma festiva para as cerimonias próprias da passagem de ano.
Não fazem absolutamente nada de diferente do que fazem quando podem; quando suas rendas permitem. Reúnem-se em famílias, amigos, comunidades e destilam toda sua efêmera felicidade através dos exageros, de gosto duvidoso com muita bebedeira, muita música alta vindas de todos os cantos; com muitos motoristas irascíveis e afobados se apropriando de todo e qualquer espaço em detrimento da circulação de pedestres; todos se preparando para um foguetório que logo mais vai deixar qualquer cão mais experiente em pânico.
Bastou circular em distintos lugares do mesmo universo da pobreza paulistana para ver quão óbvio é controle da indústria cultural sobre corações e mentes. Todos, quase que de maneira uniforme exibem as mesmas práticas, escutam as mesmas músicas, reproduzem as mesmas posturas e propostas que resumidamente é demonstrar o quanto o ano novo é aguardado e que a felicidade, mesmo que à custa de muito álcool, gritaria, musica e algazarra, daquelas que providenciam o devido entupimento do cérebro e da capacidade cognitiva de pensar e repensar o que é essa tal felicidade é o que se busca.
Neste exato momento, 16 horas, é possível ver pessoas aflitas fazendo as últimas compras de carnes, embalagens de carvão vegetal, energéticos e uísque de segunda linha, além de baldes de cervejas a serem consumidas desesperadamente logo mais. Quando mais atentos até levam refrigerantes para as crianças. No limite ganham as ressacas e a vida mudada pelo interino golpista não muda
Qual o motivo da festa? Seria pelo encaminhamento final do Sistema Único de Saúde, o fim da previdência pública em benefício da privada; do aumento da carga de trabalho sem geração de novos empregos; o final da democracia com o golpe do parlamentarismo que se constrói meticulosamente para o próximo período, entre outros; ou será ainda porque o País será salvo com a aparição mais constante da primeira dama golpista na mídia, conforme esboço de proposta revelada por revista de grande circulação nacional?
Em tempos obscuros como o tal que estamos passando, um povo esperto estaria se preparando para as escaramuças futuras, não delirando em busca da felicidade fugaz, inconsequente e atrasada. Festejar com parcimônia e educação é bom, mas os motivos precisam estar presentes e 2016 e o que se anuncia para 2017 definitivamente não é motivo de festa, mas de refrega. (JMN)
Em três anos, CAPS registra, em média, um novo paciente por dia
O CAPS AD II atende desde pacientes nascidos entre as décadas de 40 e anos 2000.
A maior demanda está entre os homens, entretanto tem sido percebido o aumento de mulheres em busca do serviço
Com pouco mais de três anos de funcionamento ininterruptos, sendo dois deles no mesmo espaço do Ambulatório de Saúde Mental instalado na UBS Santo Antônio, o Centro de Atenção Psicossocial em Álcool, Tabaco e outras drogas – CAPS AD II de Ferraz de Vasconcelos registrou uma média de 260 novos pacientes por ano, informa Gilberto Gouveia, psicólogo e gerente da unidade.
Descontado os fins de semana, quando não funciona, equivale a um novo paciente por dia. Os números são expressivos, mas até pouco quando se leva em conta que o número de pessoas acometidas desses problemas é cada vez mais elevado.
O uso abusivo de álcool, tabaco e substâncias psicoativas (SPA’s) atinge cada vez mais pessoas, das mais diversas idades e das mais distintas classes sociais e é, atualmente, no caso das SPA´s, um dos grandes problemas da humanidade; segundo a concepção do CAPS- problema de saúde pública e como tal deve ser considerado.
Parte do Sistema Único de Saúde (SUS), o CAPS AD é um esforço de atendimento em saúde pública que tenta lidar e tratar pessoas com histórico de uso abusivo das substâncias que compromete a vida pessoal e de familiares com prejuízos evidentes.
Portas abertas com capacidade de atendimento para qualquer morador do município a adesão é livre, mas implica em algumas contrapartidas do paciente que deverá participar e cumprir o estabelecido com o equipamento. Até mesmo em função das características do serviço envolvido o sigilo é garantido.
Há todo um protocolo testado e aprovado de atendimento ambulatorial por uma equipe multidisciplinar especializada composta de psicólogos, psiquiatra, assistente sociais, enfermeiros e terapeuta ocupacional que é adotado de forma uniforme em todas as unidades existentes. Novas abordagens, novos estudos e novos protocolos e formas de tratar os pacientes são experimentadas e adotadas de tempos em tempos.
Além da acolhida aos usuários interessados em ajuda, o CAPS AD ainda ampara a família em grupo ou de forma individualizada buscando dar sustentação às dificuldades que familiares encontram ao lidar com o problema.
Para os pacientes interessados a acolhida, entrevista pessoal e alguns encontros de adesão conseguem dar importantes pistas sobre o problema de cada um revelando suas especificidades e consequentemente indicando os procedimentos mais adequados a cada caso. São propostas distintas com dinâmicas ajustadas às características pessoais de cada um que, em geral, envolvem atividades e terapia de grupo, atendimento personalizado e até consulta e acompanhamento psiquiátrico para os casos em que a necessidade se faz presente.
Em função da natureza dos problemas envolvidos há entre a clientela aqueles que tentam ajuda, desistem e retornam em mais de uma ocasião. As desistências e as recaídas pontuais também são corriqueiras e não são determinantes para a continuidade do acolhimento e tratamento no CAPS-AD.
Serviço: O CAPS-AD vinculado a Secretaria Municipal de Saúde de Ferraz de Vasconcelos atende de segunda a sexta-feira das 07 as 17h00 na Rua Lutécia, 80, Jardim Deise. Telefone: (11)4679-4624. (JMN)
A delação do fim do mundo
Neste fim de ano com as delações dos empresários da Odebrecht aparecendo cada vez mais, que logo em seguida vem sendo contestada por parte do governo com o argumento de que as regras não foram cumpridas, a situação política continua incerta, A contestação dos acusados é do tipo de que a delação não poderia se tornar pública, antes de ser homologada pela justiça, mas isso não interessa nem é tão importante na linha desse artigo.
Ainda como uma espécie de extração profunda do chamado petróleo, a sangria parece não ter fim e está muito longe de ser estancada, a delação premiada que o ex-diretor de Relações Internacionais da Odebrecht, Claudio Mello Filho entregou a Procuradoria-Geral da República está fazendo a terra tremer. Tremerá ainda mais, pois está é apenas uma entre outras possíveis 70 outras micro ou mega delações de pessoas ligadas à empresa.
Legalmente falta a delação ser homologada pelo relator, ministro do STF, Teori Zavascki que ainda não foi feita, mas que em forma de vazamento chegaram ao conhecimento público. Como dito esse detalhe está dando munição ao governo tampão, com personagens importantes envolvidos até o pescoço na bandalheira, inclusive o presidente Michel Temer para que a delação não tenha validade.
O então vice-presidente é acusado de ele próprio ter pedido a Marcelo Odebrecht a quantia de R$ 10 milhões como ajuda ao PMDB. Temer e o Planalto dizem que a doação está certa e contabilizada. Essa é a versão da defesa.
A delação de Mello diz outra coisa. Diz que foi em dinheiro vivo distribuídos da seguinte forma: R$ 6 milhões para o Paulo Skaf, o homem do pato inflável da Avenida Paulista que concorreu a Prefeitura de São Paulo pelo PMDB, e R$ 4 milhões para três destinatários diferentes. Uma parcela do que sobrou foi para o escritório de advocacia do atual chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, uma segunda para o Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, atualmente preso, e a outra para o amigo de Temer, José Yunes, com o qual Temer tem negócios há muito tempo.
Que situação! Vazamentos em delação premiada já chegaram a nomes como Lula, por um lado e a Aécio Neves e José Serra inúmeras vezes por outro e até ao “santo” Geraldo Alckmin, governador de São Paulo evidenciando uma lama que atinge os principais partidos PMDB, PSDB e PT junto com outros de segunda linha. Dai sobrar pouca coisa a se considerar, que dirá confiar.
Diante do quadro estarrecedor de fim de ano, e aqui nem vou voltar à tecla da aprovação acelerada no dia 11 corrente da PEC 241/55 do teto dos gastos públicos, sacana na sua origem, e da perspectiva de tramitação da reforma da previdência, essa completamente insana que propõe que trabalhemos 49 anos para usufruir sabe-se lá o quê com o tempo que não vai sobrar, o que se pensar e propor como saída?
Temos desde a possível caminhada para a forca do Temer, que se justiça houver deverá renunciar ou ser cassado, seguido de uma possível solução congressual, partindo deles, deste congresso altamente suspeito, a indicação e eleição indireta do novo presidente entre os indicados por eles mesmos e com a gente fora do jogo até um turbilhão de ações, protestos e manifestações que dado o grau de desorganização entre os oprimidos, entre os explorados, poucas perspectivas de uma saída positiva são esperadas.
Dai que, reformas poderão ser adotadas, mas de que tipo? Com qual grau de coesão e aprovação? Nada de muito animador está colocado. Será que em função disso a saída será uma espécie de acordão fora-da-lei proposto e adotado pelas elites? Tomara que não!
Agora para o bem do Brasil, nem importa muito o tempo em que essa agonia vai se prolongar. A situação não está boa, há poucas perspectivas que melhore rápido, mas a lei e a justiça tem que ser observada.
Todas as delações deverão ser acolhidas e estudadas na Procuradoria-Geral da República (PGR), e entre as que forem em frente que sejam submetidas às investigações com a lisura desejada. Nenhuma dessas deverá ser abortada agora com a desculpa de que a situação política e também a econômica estão insustentáveis. Se isso ocorrer o País não completará seu esforço de se passar a limpo.
Nós, do andar de baixo, já estamos acostumados com as agruras que essas políticas nos proporcionam. Prefiro o remédio amargo que combata a doença do que o placebo que nos engana. O Brasil nunca conseguirá superar isso se uma enorme pizza for servida.
Fiquemos, portanto, em alerta. Que o caminho seja esse, independente da contrariedade que a elite já vem manifestando com a possível recuperação parcial da imagem do PT e das esquerdas, que até então, estavam submetidas sozinhas à execração pública. Agora, percebe-se cada vez melhor, que em grande parte, que as mesmas desconfianças e acusações cabem a todos os partidos e lideranças citadas aqui e ali.
Objetivamente, como falar mal do Lula e da ex-presidente Dilma, principalmente esta que ainda não aparece de forma consistente nas delações, se todos os do outro campo, antes acusadores e agora no poder e aliados, são os principais beneficiários das propinas das empreiteiras? (JMN)
Que o ano de 2017 seja menos 2016
Então é assim, chegamos vivos ao final de mais um ano deste novo século e isso é algo a comemorar com toda certeza, principalmente por nós brasileiros. Definitivamente um povo sofrido, desrespeitado, massacrado e até certo ponto envergonhado.
Envergonhado por outros tantos, poucos, mas poderosos brasileiros, que durante todos os dias deste ano tiveram seus nomes envolvidos em manchetes, em denúncias, em investigações. Outros poucos, quase nenhum, que faziam coisas nobres e boas ações apareceram e sumiram engolidos pelo mar de lama da política nacional. Você nem bem destacava uma coisa boa para vir logo duas coisas ruins, tipo muito soco na cara e pouco carinho e nada de apaziguar nossos doloridos corações.
Somos eu e você, caro leitor, sobreviventes machucados de uma tormenta que já alguns anos se estabeleceu nos ares do País e que não nos trouxe paz nem reconforto, mas sim muita agonia, muita raiva, muita vontade de proferir palavrões, na maioria das vezes engolidas a seco que, sabemos, faz mal a saúde. A nossa saúde mental com esse tanto de desaforos que temos que aturar vai cada vez mais se deteriorando.
Não bastasse a delicada situação econômica e social do País e uma insegurança cada vez mais assustadora, ainda temos que digerir até o final deste e certamente o começo do próximo ano os malfeitos e a desfaçatez dos nossos políticos; sejam aqueles aninhados em Brasília no Congresso Nacional, Câmara e Senado, seja do outro lado ali no Executivo onde está agora o Temer e uma porção de ministros temporãos, onde com exceção de poucos vários tiveram passagem relâmpago pelo Executivo, a maioria acusados de corrupção, de uso indevido de suas prerrogativas, tráfico de influência etc. Ou seja: uma vergonha!
Mas tivemos também nossas travessas alegrias. Este ano conseguimos demonstrar aquilo que de uma forma geral pensamos: os políticos são uns “tranca rua” e precisamos dar-lhes uma lição, a única possível na atual conjuntura.
A população foi às urnas para dizer um sonoro não ao atual estado de coisas. Com a aritmética não se discute e de uma forma geral os brancos, nulos e ausências foram os grandes vencedores nos principais pleitos. Venceu até certa forma de fazer política que se apresentou como não política o que pode ser também um cavalo de Tróia. Vamos aguardar e conferir.
Independente das dificuldades, sobrevivemos e queremos melhorar. Queremos contar com os bons, os corretos, os que assumem suas responsabilidades, que sabem se comportar de maneira digna e honrada diante das dificuldades, queremos contar com esse tipo de gente; é o que 2017 espera de nós. Que os políticos tome jeito e vergonha na cara e que cumpram a risca sua principal função que é pensar o bem comum.
Da nossa parte queremos dizer que vocês são vencedores, que apesar de feridos, doloridos e magoados sigam no caminho do bem. Para você e apenas para você quero desejar aqui toneladas de esperanças, quilos de felicidade e de harmonia em seus lares e comunidades.
Vamos contar conosco em mais essa travessia. Que a esperança e bondade inundem nossos lares. Boas festas e um ótimo 2017 para nós que merecemos. (JMN)
Biruta assumindo pode fazer a diferença em Ferraz
Se não repetir ‘mais do mesmo’ e se quiser, novo prefeito pode fazer melhor por Ferraz de Vasconcelos
A despeito das dúvidas entre as forças políticas quanto a sua capacidade de competir à Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, José Carlos Fernandes Chacon (Zé Biruta) foi eleito para ser novamente o prefeito da cidade problema do Alto Tietê em São Paulo. Depois de uma dezena de anos volta à condição de titular do executivo, no município que hoje se encontra em situação bastante diferente. Ao longo desse período, entre a sua primeira passagem e agora, a cidade não só se tornou mais complexa como também mais delicada do ponto de vista de suas necessidades.
Espera-se do novo prefeito paciência, capacidade e compreensão para olhar para a mesma cidade que um dia administrou com outros olhos, com outros parâmetros, com outras ferramentas mais adequadas para lidar com uma realidade que não é mais a mesma. A cidade cresceu em termos demográficos; população e extensão de terra ocupada, e problemas típicos das grandes aglomerações como desorganização urbana, falta de saneamento básico e oferta equilibrada de serviços públicos entre outros.
Quase nada de culpa pela situação pode ser debitada ao prefeito que vai tomar posse. Porém, não dá para dizer que não há nenhuma. Devemos lembrar que o político e cidadão Zé Biruta também têm responsabilidades como qualquer outro com o que ocorre e para onde caminha o município. E, sabe-se, com alguma certeza, que FV não tem caminhado bem, principalmente pela qualidade duvidosa de seus representantes eleitos e os indicados para o Executivo e o Legislativo local.
Se para prefeito e para a câmara de vereadores a eleição se fez necessária, não é o mesmo para o secretariado que compõe a administração da cidade. É boca corrente que em Ferraz de Vasconcelos, a exemplo de municípios menores que orbitam em torno das metrópoles, interesses paroquiais, corporativos e pessoais tem um peso significativo na condução das coisas públicas. Falta espírito público e transbordam expedientes oportunistas e interesseiros. Basta ver ao longo da história recente quem e como se comportaram aqueles que deveriam trabalhar para o bem comum; cuidaram de si próprios e dos seus quase sempre deixando um rastro de malfeitos e prejuízos óbvios ao município e a coletividade.
Se esses malfeitos ficaram no passado, embora ainda sejam passíveis de que um dia venham à tona em forma de denúncias ou investigações, a eleição recente não é o mesmo que passar uma borracha no mau comportamento. É temerário e indesejável que a mesma fórmula se mantenha com o novo prefeito. A sedução do poder é sempre muito forte e caberá ao eleito saber lidar com ela de forma responsável e republicana.
A tarefa, entretanto, não é apenas e tão somente dos novos quadros que vão compor o Executivo local e seus novos e não tão novos vereadores. A fiscalização atenta e permanente também é tarefa do Ministério Público e dos cidadãos, os principais interessados porque é com o fruto de seus impostos diretos que se pagam todas as contas. Também não é preciso muito esforço para entender que além dos impostos diretos que são recolhidos da população as principais linhas de financiamento de outras instâncias de governo também são com recursos de todos os pagadores de impostos, da cidade ou não.
Diante disso e da expectativa de um novo governo, desejamos que o peso dos compromissos e dos desafios que terá pela frente seja leve à figura do prefeito. Entretanto, que ele seja prudente e se sirva do acumulo de informações, dos planos gerais, diretor e planejamentos de que dispõe, reafirmando-os ou alterando-os. Que ele faça o melhor uso de forma justa e, se for o caso, com políticas compensatórias para diminuir os contrastes gritantes que o município apresenta. E mais, que o peso dos desafios seja compartilhado com os setores organizados em seus múltiplos interesses e que ele tenha ouvidos sempre abertos para as demandas que lhes for apresentada.
Mais sábio ainda será, se diante desse rol imenso de problemas que terá para tentar resolver, ele, além de escutar, ainda coteje-os para que, democraticamente, possa elencar as prioridades. Se ao contrário, se comportar como mais do mesmo ai podemos prever a cidade estagnada como hoje está ou piorada, pois a conjuntura brasileira no próximo período vai exigir criatividade e muita competência para não se comportar como uma biruta (aparelho que indica a direção dos ventos de superfície e orienta, nos aeródromos, as manobras dos aviões) que fica mudando de posição a todo instante diante dos ventos ferrazenses. – J. de Mendonça Neto, jornalista é servidor público em FV.
