Frente contra o impeachment reúne liderança e discute momento atual
Frente Anti Golpe Zona Leste II se reúne com Francisco Chagas para discutir o momento, no que consideram a existência de uma tentativa de golpe
O ex-vereador por São Paulo com seguidos mandatos e ex-deputado federal Francisco Chagas compareceu na tarde do dia 10 na sede do Partido dos Trabalhadores, da Penha, na Vila Ré para ajudar na análise de conjuntura desses tumultuados dias que correm. O convite partiu da Frente Anti Golpe Zona Leste II que congrega militantes de três diretórios zonais cujos outros dois são de Vila Matilde e Ermelino Matarazzo, simpatizantes e outros interessados na ação de denúncia do que entendem ser um processo golpista proposto pelo atual Congresso com o impedimento da presidente Dilma Roussef.
Esse coletivo tem produzido reflexões, articulação de apoios e ações pontuais de panfletagem públicas contra o golpe. A despeito do desgaste do partido por força da grande imprensa, dos processos investigativos e da sanha da oposição ao governo Dilma, os petistas e simpatizantes tem se surpreendido com a receptividade popular durante as abordagens.
Quanto à exposição do ex-parlamentar ele optou por enfocar a situação partindo da situação macro e da geopolítica que permeia a atual conjuntura. Chagas lembrou que os recursos energéticos do Brasil sejam em combustíveis fosseis petróleo e pré-sal e outras fontes tem um peso e uma importância crucial em termos de possibilidades e recursos que despertam poderosos interesses no capital internacional, seja do ponto de vista de seu controle direto e objetivo, seja do ponto de vista de neutralizar a busca da soberania nacional com esses recursos de forma a ter o controle de preços, demandas e ofertas por parte desse capital.
Esse mesmo capital tem enormes interesses e opera em surdina ou de forma, por vezes, incisiva junto às forças politicas do espectro brasileiro no sentido de facilitar o acesso e eventual controle desses bens. Ou seja, a disputa sobre como se dá a participação das empresas estrangeiras na extração e comercialização do petróleo e do pré-sal tem muito a ver com isso. Chagas não descarta que esses interesses estão operando intensamente no sentido de enfraquecer o atual governo em suas tentativas de conservar alguma soberania.
Se o quadro é esse, conforme lembra o ex-deputado o jogo é bruto e cheio de nuances que não podem ser desprezadas. Entretanto, para o momento atual Chagas acha válido e correto as articulações que tem sido feitas pelo ex-presidente Lula, de forma semioficial e de outros personagens do atual governo em busca do convencimento de deputados federais, ainda indecisos sobre qual o posicionamento que poderão ter na votação do impedimento, caso esse chegue ao plenário da Câmara Federal.
Mais ainda, dado as características do atual governo de coligação com outros partidos a partir do Congresso Nacional, Chagas acha que é correto e necessário propor que se ocupem cargos e se ajude a compor o governo até o final do mandato nas vagas deixadas pelo PMDB que saiu parcialmente do governo depois de estar junto e usufruir dessa governabilidade anos a fio.
Com relação às criticas quanto a essas negociações, Chagas e os que lhe ouviam consideram que estas são de validade relativa, uma vez que a lógica de cargos por coligação tem sido a prática adotada até agora. Não seria por causa da saída do PMDB que ela deixaria de ter validade.
Na essência da disputa, Chagas pressupõe que esta a velha questão do patrimonialismo político com o apoderamento do Estado por interesses muito específicos longe da diversidade que contemple a sociedade brasileira. Depois de dois mandatos do ex-presidente Lula e um e meio da presidenta Dilma Roussef dos quais objetivamente essa elite também se beneficiou, esta quer dar um basta à manutenção e a eventual ampliação de direitos trabalhistas e sociais conquistados nesses governos reconhecidos mundialmente. A elite deseja o retorno as melhores condições de exploração. Nada mais, nada menos que a velha luta de classes que alguns teimam em não reconhecer.
Ainda durante a reunião e quando perguntado sobre os próximos passos e as próximas cenas, Chagas considera que é impossível qualquer especulação mais consistente tendo em vista que a conjuntura, nesses dias, tem acordado de uma forma e dormido de outra. A conjuntura está muito pelo imponderável. O que é agora poderá não o ser na hora seguinte. Mesmo assim, a liderança se diz otimista com as perspectivas de conquistar o apoio de um número suficiente de parlamentares que votem contra o impedimento da presidente. O faz, entretanto, com o lápis na mão numa conta de soma e subtração.
No mais reiterou a necessidade de que cada qual faça a sua parte no sentido de denunciar os desmandos e as possíveis e perceptíveis irregularidades em todas as movimentações que envolvem a construção do impedimento seja através do comportamento parcial e partidarizado do judiciário que só tem olhos para as investigações dos petistas e apoiadores do governo, seja através do comportamento da grande mídia em campanha aberta pelo desgaste do governo e das lideranças à esquerda do espectro político.
Nesse sentido deu total apoio, reconhecimento e destaque a movimentação daquelas lideranças, pela base no sentido de ganhar as ruas e a opinião pública para as incongruências desse processo e do atual momento. (JMN)
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