Monotrilho em debate Qual o futuro disso? Ainda interessa?
Já não era sem tempo que a comunidade, principalmente as inseridas no distrito Iguatemi em São Mateus, e as situadas na Cidade Tiradentes deveriam cobrar do governo estadual uma série de explicações sobre um monumento incompleto que vem se transformando em novela infindável chamada monotrilho. Desde sua proposição inicial, muitos anos atrás, lideranças questionavam os porquês da opção por esse veículo leve e possivelmente mais ágil ao invés do modal metrô tradicional. Na ocasião muitos se viam como participes do lado frágil das escolhas governamentais, ou seja da periferia para onde o serviço público, não precisa, necessariamente ser da melhor qualidade. A afirmação se desprende de uma compreensão disseminada na sociedade.
Pois bem é hora e o momento do governo do estado dar satisfações _satisfatórias_ sobre como vai ficar e se vai ficar esse assunto, afinal, como sempre é dinheiro de nossos impostos.
Visitaram a redação algumas lideranças da região com a proposta que desde já a redação abraça e apóia de que é necessário provocar essa discussão em todos as localidades envolvidas e ai é preciso incluir Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes.
O fato é que a proposta de instalação do monotrilho iniciado e concluído até a Vila Prudente de onde seria ligado aos bairros citados era contestada entre outras razões pela expectativa que não conseguiria atender a demanda, portanto, fadado, desde o início a se tornar um investimento que não resolveria. E mais, inicialmente orçado em 2 bilhões de reais para a obra toda já consumiu 7 bilhões e ainda está longe de ser concluída.
Hoje, conforme pode ser verificado in loco o “monumento” vem deixando cicatrizes por onde passa colocando ao relento e ao abandono trechos importantes, impactando comércios e atividades empresariais de forma negativa e criando dificuldades aos moradores vizinhos. As lideranças ainda se lembram de uma série de apresentações em maquetes, vídeos e argumentações variadas sobre a viabilidade do modal, pouco disso se concretizou e é preciso, entendem as lideranças rediscutir.
As promessas de entrega do modal, em funcionamento, era para esses dias para não constranger ainda mais esse governo com o fiasco; os recursos estão sendo consumidos; os recursos já estavam no orçamento e o realizado não corresponde ao previsto e prometido, razão mais que suficiente para que o governo se posicione e não apele para pedidos de sigilos, conforme o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vem adotando para uma área ou outra.
Boatos e mais boatos dão pistas de que o governo quer agora ampliar as Parcerias Público Privadas (PPPs) para a obra prometida e parada. Se por ai for pode-se prever que os custos vão continuar subindo e a compensação, ou seja o produto ou a obra entregue, se entregue for, continuará sendo a mesma.
As lideranças estão convictas que muitas explicações são cabíveis e se todo o poder emana do povo, conforme previsto na constituição esse poder tem que ser exercido, portanto, o governo estadual tem que explicar e assumir a responsabilidade pelo que tem feito.
O conhecimento das realidades locais das lideranças é evidente, tanto em termos de demandas, de funcionalidades, a ponto de alguns até esboçarem dúvidas sobre se é melhor ou não concluir a obra. Com tantos questionamentos querem fazer essa discussão em plenárias públicas com as comunidades, organizadas ou não das regiões envolvidas. São muitos os dados e as reflexões pertinentes e expostas pelas lideranças que não discuti-las é reforçar a desfaçatez desse governo com o assunto.
Contatado, Metrô co-responsabiliza prefeitura
Principal protagonista pelo governo do estado na questão a Companhia do Metrô, consultada pela redação esclareceu que a respeito da Linha 15- Prata, o trecho da Vila Prudente até São Mateus está com as obras em andamento e a conclusão dos serviços está prevista para 2018. Explicou ainda que a prioridade, neste momento, é a conclusão dos trechos que já possuem obras avançadas antes de abrir novas frentes de trabalho.
Em sua resposta a assessoria de imprensa do Metrô destacou que para estender a linha até a Cidade Tiradentes será necessário executar a obra do alargamento do viário, nas avenidas Ragueb Chohfi, Estrada do Iguatemi e dos Metalúrgicos e que essas ações estão em tratativas com Prefeitura de São Paulo, assim como desapropriações e aporte de recursos financeiros.
Monotrilho em debate
Está feito o convite e a provocação e a convocação para que os interessados participem do Movimento Monotrilho Em Debate. Para tanto acompanhe as nossas edições e informe-se como participar ligando para Hamilton Clemente, 7823-1932 / 99821-3926; Carlos Viera, 96737-9988; Douglas Alves, 98129-5080.
As falas das lideranças
Destacamos aqui algumas falas das lideranças a frente do Movimento Monotrilho em Debate.
“Como explicar porque o governo do Estado optou pelo monotrilho, na época estimado em 2 bilhões alegando ser mais barato que o metrô, e já ter gasto 7 bilhões de reais com ele inconcluso? Erro de planejamento ou relapso?”, Hamilton Clemente.
“A obra tem deixado uma cicatriz horrível na nossa região. Insistimos que deveria ser metrô, mas resistiram tanto que alguns compraram a ideia fantasiosa de que o modal apresentado em vídeos, animações, maquetes seria melhor. Deu no que deu. Já se sabia que haveria atraso. Estava previsto entrega de trechos importantes em 2018 às vésperas das eleições, mas nem isso está garantido. Agora querem privatizar para que o governo se omita ainda amais, além de tornar a obra, caso ela seja feita mais cara”, Hamilton Clemente.
“Já identificaram que pelo monotrilho ligando CT a Vila Prudente só vai resultar em congestionamento nos terminais e tornar tão penosa quanto já é a viagem até o centro de São Paulo”, dizem as lideranças.
“Na época dizia-se que o monotrilho custaria 2 bi e o metrô desejado, 5 bi. Pois bem, já se aumentou a despesas para 7 bi e parece que nem o monotrilho vão conseguir entregar. O governo do Estado, o metrô ou seus prepostos tem que explicar para o movimento o que acontece e como vai ficar”, Hamilton Clemente.
“Já são 6 anos de atraso, só estão chegando obras pontuais que pouco avançam. Algumas desapropriações foram feitas e os locais dão claros sinais de abandono com 105% a mais nos custos iniciais e atrasos mais atrasos. A previsão inicial era chegar a Ragueb Chohfi em meados de 2009, 2010; São Mateus em 2011 e em 2012 na Cidade Tiradentes. Cadê?”, Douglas Alves.
” Esse governo sem transparência conseguiu enganar a população vendendo gato por lebre como se o monotrilho pudesse atender a demanda tomando como parâmetro as 47 mil pessoas sentido/hora que o metrô realiza. Dizia-se que o monotrilho faria o mesmo. Não vai fazer, afirmar isso é enganar as pessoas. Só para se ter uma ideia, na China, mais experiente nesse tipo de modal, o máximo que atende é de 30 mil passageiros, pois mais que isso a viagem fica muito arriscada”, Ivo Martins.
“Com a indefinição e a morosidade da obra até os prédios que foram desapropriados pelo Metrô ou pela Prefeitura por conta da obra estão sendo retomados irregularmente por parte de antigos e novos ocupantes. Gente que, inclusive está retomando os negócios. Em alguns trechos foram 12 desapropriações de áreas grandes com imóveis pagos. Se não iam ocupar porque desapropriou?”, Ivo Martins.
“Moro há 30 anos na Cidade Tiradentes e nos últimos 18 anos já anunciaram o modal como Fura Fila, Expresso Tiradentes e outros nomes e durante todo esse tempo a população sendo enganada e lesada. Em períodos eleitorais foram cometidos estelionatos pelo PSDB. Eles interrompem obra contratada e não conseguem nos convencer com relação a segurança no funcionamento desse modal em caso de acidentes. Acrescente, ainda, a falta de privacidade dos moradores que estarão ao longo dos trechos suspensos com os passageiros olhando para dentro de suas casas”, Carlos Viera.
“Estamos presenciando a degradação dos locais por onde ele está previsto passar, a avenida Anhaia Melo é um exemplo, e só não está pior porque a prefeitura está implantando uma ciclovia que melhorou a circulação e a freqüência do local. Sem estas vários trechos estavam fadados a servirem como abrigo e moradia de pessoas em situação de rua com todas suas conseqüências”, Carlos Vieira.


Deixe um comentário