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Micro reflexão sobre a crise econômica

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O Brasil passa por uma crise, não a primeira, nem a única, nem a última e qualquer um de nós, adultos, temos uma lembrança, aqui e ali, de crises que vieram e crises que foram embora com a vida continuando. Pois bem, nesse Brasil de agora, ocorre uma combinação de quatro fatores que isolados, mas principalmente juntos tem como resultado crise seja aqui ou em qualquer outro país.

Tenha ao mesmo tempo, um governo fraco, um Congresso conservador e extremamente subordinado ao poder econômico, um Judiciário que de tempos para cá é mais midiático que cerimonioso e uma imprensa tendenciosa. O resultado dessa combinação flamejante é tornar o ambiente político e social confuso deixando atônita a população.

Em linhas muito gerais abordaremos alguns aspectos da dimensão econômica, não deixando de lembrar que junto à essa crise outras duas, a ética e política que ficarão para outra oportunidade.

O fato é que a presidente Dilma assumiu seu primeiro mandato muito interessada em reduzir a taxa de juros. Nesse intento ela modificou a forma de remuneração da poupança, orientou o Banco Central a abaixar a taxa Selic e os bancos públicos a reduzirem o spreed bancário.

O resultado foi aparecendo, da mesma forma junto com o desgosto do sistema financeiro que teve suas margens de lucros controladas ou reduzidas. Mecanismos de política econômica e das instituições de governo para interferir na margem de lucro dos investidores do sistema financeiro é, para eles, uma agressão, uma violência contra uma regra sagrada do capitalismo. Os cidadãos e o setor produtivo, entretanto, gostaram de pagar menos juros e não se somaram a choradeira do sistema financeiro.

Com o sucesso e o apoio da maioria da população para essas medidas que também usufruíam de uma melhoria relativa das condições de vida e que já conseguia comprar e fazer empréstimos com juros mais baixos, o governo resolver ampliar o modelo para outras áreas da atividade econômica. Inicialmente onde tinha alguma influência; nos setores que estavam sob concessão pública. Fixou metas, margem de retorno dos investimentos e limitou a margem de lucros em setores como rodovias, aeroportos, portos e da energia elétrica, além da mineração.

Com a medida, o empresariado desses setores, que até se dispunham a contribuir no esforço de redução de tarifas ficou muito incomodado em ter que registrar em lei ou contratos essa contribuição. Entre os argumentos destes, o fato de que as ações dessas empresas deixariam de ser atraentes por terem suas margens de lucro previamente controladas, seja por governos ou por qualquer coisa. Em geral, a governança corporativa das empresas têm regras que impedem que elas comprem ações de outros empreendimentos com margem de lucro pré-determinada ou controlada por governo ou por quem quer que seja.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com o setor da energia elétrica. Dispunha-se a aceitar a redução do valor da tarifa conforme o desejo do governo, mas queriam conseguir isso pelo aumento da produtividade, pela gestão mais eficiente, enfim, dariam um jeito, mas não pretendiam que isso constasse em contrato, pois dessa forma inibiriam eventuais investimentos. Como o governo fez jogo duro e apesar da renovação dos contratos serem feitas por outros 30 anos, o setor decidiu por não investir enquanto durasse o mandato da atual presidente.

É possível que a presidente só percebeu que o mercado a estava enxergando como alguém contra o lucro, contra a iniciativa privada e de uma forma difusa contra o capitalismo, quando a presidente da Argentina, Cristina Kirchner pediu a Dilma que ela intercedesse junto a Vale do Rio Doce que havia fechado uma mina de potássio naquele país a rever essa decisão. A resposta do presidente da Vale foi que a empresa não iria rever o encerramento das atividades naquele país  porque tem como regra que a empresa não fica em qualquer país, inclusive no Brasil, se lei ou contrato instituir participação especial ou reduzir sua margem de lucro.

Foi essa percepção do mercado acerca do governo da presidente Dilma que, em grande medida, é a responsável pela crise econômica que se vive.

Apesar disso o Brasil continua sendo importante como destino do investimento estrangeiro, mas poderá deixar de ser tão atraente se os EUA modificarem sua política monetária e se mais uma agência de risco duvidar e retirar o selo de bom pagador do país. Já no setor empresarial interno a alegação é de que os investimentos não acontecem na intensidade que poderiam por temor que o governo interfira na margem de lucro.

Some-se a isso o comportamento dos fundos de pensão, fortes investidores, que priorizam a compra de títulos do governo ao invés de investir no setor produtivo. Acrescente, ainda, o fato de que Petrobras e o BNDES, que estão como os fundos de pensão, em investigações no Congresso, reduziram drasticamente os investimentos.

Como se vê, alguns elementos que indicam que a crise econômica é realmente preocupante.(JMN)

Written by Página Leste

13 de novembro de 2015 às 20:18

Publicado em Sem categoria

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