Archive for novembro 2015
Micro reflexão sobre a crise política
Em nosso artigo passado argumentávamos que o Brasil passa por mais uma crise, nem a primeira nem a última e, em linhas gerais resultante do encontro de sub-crises: econômica, ética e política. No artigo anterior abordamos a questão pelo olhar da economia. Agora vamos tentar alinhavar, sucintamente, argumentos para indicar a existência também de uma crise política.
O Congresso eleito em 2014 é majoritariamente conservador do ponto de vista social; liberal do ponto de vista da economia, conforme pudemos demonstrar e atrasado do ponto de vista dos direitos humanos e do meio ambiente.
Essa composição do congresso tem a ver com os protestos e manifestações de 2013 e o desalento com os políticos uma vez que, salvo honrosas exceções nenhum representante estava correspondendo as expectativas. E quais seriam elas: honestidade, boa gestão administrativa, prestação de contas, governança afiada com base em um programa apresentado e aprovado durante as eleições. E isso, em geral não se dá.
Mas os protestos do período também se deveu a cobrança de tributos que é injusta e progressiva incidindo basicamente sobre o salário e consumo quando, se justos, deveriam recair sobre renda, lucros e dividendos, patrimônio, grandes fortunas e herança, assim como doações e remessas de lucros ao exterior.
Durante aquele período, os protestos teve como protagonista o usuário de serviço público, principalmente do transporte. Nada mudou e os serviços públicos de saúde, educação, saúde, mobilidade urbana, segurança continuam sendo de má qualidade além de insuficientes.
O cidadão ainda estava insatisfeito por outro motivo; quando o governo perdeu o braço de ferro com o mercado financeiro e o Banco Central voltou a elevar a taxa de juros. A inflação veio revigorada e o custo de vida ficou mais caro. O aumento das tarifas públicas da energia elétrica e combustíveis, também impactou o orçamento das famílias, contribuindo para o aumento da indignação do consumidor.
O protesto só não foi mais dirigido a esse aspecto porque, ainda assim, o emprego e renda cresciam. Até por isso os protestos não tiveram na articulação setores organizados, principalmente sindical. Se essa junção tivesse ocorrido a capacidade de articulação e melhor direcionamento político poderia ocorrer.
Com a ausência de setores organizados a movimentação e os protestos não revelaram lideranças claras e interlocução com capacidade e experiência para organizar as reivindicações e, principalmente, capacidade na negociação com os poderes responsáveis por implementar as políticas reivindicadas.
A conseqüência veio a seguir,frustrados o cidadãos/eleitores ficaram indignados e passaram a achar seus representantes entre os populistas, os fundamentalistas ou qualquer profeta messiânico que se apresentasse “contra tudo que está ai”, mas sem indicar a favor do quê. Foi com essa movimentação coletiva que os eleitores, inadvertidamente, deram seus votos a parlamentares conservadores e neoliberais que se somavam as queixas da população, mas que tinham propostas completamente diferentes e opostas ao que desejavam os eleitores. Esses pediam mais governo, mais políticas sociais e mais Estado; os eleitos exatamente o contrário.
Nesse caldo político o resultado foi o congresso sendo formado por bancada evangélica, de ruralistas, da segurança/da bala e da bola que juntas formam a maioria dos eleitos.
A crise política entretanto não se expressa apenas no Congresso, mas também numa série de erros do governo em relação aos parlamentares e partidos. Em 2014, o governo, o PT e a Dilma optaram por se aliarem com partidos de centro-direita ao invés dos partidos de esquerda e centro-esquerda. Até o PMDB estranhou a entendeu que estava sendo tratado como aliado secundário. A relação azedou de vez quando um indicado pelo PT disputou a presidência da Câmara, e perdeu, para o PMDB que revelou o Eduardo Cunha.
A relação com o PMDB só melhorou um pouco, mais recentemente, com este conquistando enorme parte do poder. Mesmo assim nada boas em virtude do que acham os presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e do EC que creditam a inclusão de seus nomes nas investigações da Lava Jato à pressão do governo.
Com Eduardo Cunha a coisa ainda está mais beligerante. O governo depende dele para evitar as pautas-bombas e priorizar as votações que interessam ao governo, enquanto tentam mantê-lo distante da vontade de iniciar um eventual processo de impeachment contra a presidente. Cercado de denúncias consistentes de corrupção, Eduardo Cunha, pressionado, pode aprontar para qualquer lado. Ai está parte da crise política. Um congresso de qualidade duvidosa e um governo enfraquecido. (JMN)
O mar de lama da mineração
Podemos estar passando pelo maior desastre ambiental da história do Brasil. Os danos só serão possíveis de serem remediados em um século ou mais. O ecossistema condenado pode ter sido vítima de muitas negligências.
Os indícios de que o desastre podia acontecer eram evidentes e a empresa Samarco não tomou as providências necessárias fazendo o monitoramento das bacias dos rejeitos da exploração da mesma forma que não dava o tratamento adequado aos dejetos não inertes e tóxicos. Some-se a isso a ausência de monitoramentos autônomos em relação aos procedimentos da empresa que tem como pano de fundo, veremos mais a frente, a histórica relação de promiscuidade entre poder público e poder econômico no País.
Se permitir ao mercado privado a exploração na mineração, como foi o caso da privatização da Vale, pode até aumentar a produção, mas trás como contrapartida desastrosa o descuido ambiental. É o lucro que é perseguido e para o capital a questão ambiental é secundária dai faltar monitoramento e fiscalização faz muito sentido para essa lógica. “Se houvesse abertura para o monitoramento dos rejeitos tóxicos, além do que a própria empresa faz, e se as secretarias estaduais de meio ambiente (SEMAs) por todo o Brasil fizessem, de fato, a fiscalização que deveriam, nada disso teria acontecido”, diz a coordenadora do Laboratório de Química Analítica e Ambiental da Universidade Federal do Pará, Simone Pereira.
Com razão, a especialista vai mais longe dizendo que empreendimentos como esse precisam ser discutidos com a sociedade, com os ambientalistas e estudiosos, antes de serem colocados em prática. Diz ainda, que é a comunidade do entorno do empreendimento que deve decidir pela adoção e presença desses.
Dado o desastre, Simone Pereira alerta que a implantação desses tipos de bacias em Volta Grande do rio Xingu, o Belo Sun, onde uma mineradora canadense propõe usar cianeto na exploração do ouro na região é um forte candidato a se tornar o próximo desastre. É comum a atividade de mineração usar o mesmo método de depositar os resíduos em bacias. O problema, entretanto, é que ao se utilizar de explosões, trituração, aplicação de processos físicos e químicos estes acabam liberando no ambiente as substâncias ligadas às rochas que podem conter metais tóxicos e elementos nocivos aos seres vivo e meio ambiente.
Para todos esses riscos, o que se tem exigido das empresas é apenas o automonitoramento por parte da própria empresa que tem, como sabemos, o objetivo de gerar lucros. Na outra ponta as secretarias estaduais de meio ambiente (SEMAs) não fazem um monitoramento adequado da parte estrutural das bacias e muito menos ainda, ter um controle do que se produz em termos de rejeitos tóxicos.
Nem sabemos o que tem na lama
Muitos se perguntam do que é composta a lama que continua se movimentando como um tsunami chegando ao Rio Doce, invadindo cidades e agora praias. As mineradoras não tem permitido que os institutos, universidades ou qualquer outro tipo de entidade competente façam um monitoramento à parte ao que ela própria estará sendo obrigada a apresentar as SEMAs. Mas, do pouco que se pode aferir elementos tóxicos, como cádmio, chumbo, mercúrio e outros tem sido detectados em quantidades elevadas.
Do ponto de vista da fiscalização não há uma cobrança mais efetiva do cumprimento da lei que deveria garantir que as substâncias tóxicas não chegassem aos rios em valores acima do permitido e sim represadas nas bacias. Quando o volume de chuvas aumenta tais produtos, por transbordamento ou desvio, acabam sendo descartados no rio mais próximo, em geral sem tratamento desses resíduos que são devolvidos ao meio ambiente.
Existem certos protocolos e procedimentos para tratar e cuidar para que os dejetos, principalmente em meio líquido, fiquem dentro das normas. No limite, explicam os especialistas, as empresas e as fiscalizações ficam na superficialidade. Tratamentos mais completos quase nenhuma empresa desse segmento consegue provar fazer. Mesmo as empresas de porte não tem departamento próprios para isso e contratam empresas para fazer o controle que em busca de manter boa relação com seu cliente evitam criar dificuldades.
As barragens como a que se rompeu são nada mais que uma grande vala cavada no solo, mas não muito funda para não ter contato com lençol freático. Em geral de 2 a 3 metros de profundidade. Algumas empresas até revestem essa vala para que os efluentes perigosos não tenham contato com a água do lençol freático e isso em acordo com a lei, mas não é a regra e nem foi na barragem que provocou todo esse desastre.
Quando a barragem vai esgotando sua capacidade de armazenamento se aumentam as paredes _os taludes. De emenda em emenda a barragem saturada seria como um copo cheio embaixo de uma torneira, transbordaria.
E a responsabilidade política
Essa correnteza de lama com rejeitos tóxicos que destruiu a comunidade de Bento Rodrigues, em Minas vem fazendo estrago por onde passa e mudou a vida ambiental da mais importante bacia hidrográfica da região sudeste não é apenas um acidente.
Os parlamentares da nova legislatura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, novos e velhos parlamentares foram agraciados com doações de campanha das mineradoras que usa desse poder e influência também para decidir quem integraria a Comissão de Minas e Energia da casa. Essa comissão desde tempos imemoriais é a casa das empresas mineradoras que atuam no Estado. É nesta comissão que se analisam os projetos, requerimentos e pedidos que envolvem a área da mineração. E na atual legislatura não há sequer um nome na comissão que não seja aliado das empresas. A maioria dos deputados mineiros tiveram contribuições do setor e não sairia de graça, como nunca saiu.
Além disso o maior lobbista das mineradoras, o empresário José Guilherme Ramos foi nomeado como subsecretário de Política Mineral do Estado pelo governador Fernando Pimentel (PT). O próprio governador teve como ajuda para campanha quase R$ 2 milhões doados pela Vale, proprietária da Samarco, a (i)rresponsável pela barragem.
O que ainda vale saber sobre a Vale
A Vale, companhia que controla a Samarco foi leiloada no governo FHC em 1997. Avaliada em R$ 92 bilhões foi entregue pelo governo pelo valor vergonhoso de R$ 3 bilhões. A Vale privatizada é uma das maiores devedoras do Estado brasileiro, hoje em R$ 42 bilhões. Se as coisas ainda não mudarem a Vale ou Samarco pagará pelo rompimento da barragem em Mariana apenas R$ 1 bilhão. A conclusão, caro leitor, é livre. (JMN)
Terror lá e violência aqui
A morte de 127 pessoas vítimas dos ataques terroristas em solo francês no início de novembro é algo a ser lamentado, como vem ocorrendo por aqui e por grande parte do mundo civilizado. Atos de terror, tais como os impetrados pelos radicais muçulmanos do Estado Islâmico ou por qualquer outra designação ou motivação tem que ter o repúdio veemente da sociedade.
Entretanto a lembrança e a divulgação recente dos números fechados de ocorrências criminosas com vítimas, em 2014, no Brasil, é algo para se preocupar e se indignar com a mesma intensidade.
Segundo noticiou o Portal G1, foram 52.336 pessoas assassinadas em homicídios caracterizados como dolosos onde há a intenção de matar em no ano de 2014. Os dados são oficiais e disponíveis pelas Secretarias de Seguranças dos estados.
Some-se, então, 2.061 pessoas vítimas de latrocínios (roubos seguidos de mortes) e, 2.368 pessoas mortas em confronto com a policia que totalizaremos 56.765 mortos. E isso dá uma média de 155,52 pessoas mortas diariamente como resultado das violências todas.
Vale observar que os números ainda podem ser maiores, visto que apenas se considerou nesses totais os números oficiais entre as mortes que foram registradas como tal.
É nesse diapasão que voltamos aos fatos do início do mês em Paris, França. Os atentados naquele país que comoveu toda a sociedade francesa, européia e outras partes do mundo são estarrecedores, mas quando comparado aos números da violência brasileira podemos ver que ainda estamos com 28,52 mortos a mais. Não se trata de uma disputa e se fosse todos queriam mais era perder de lavada.
Se o mundo fica impactado com o atentado ele tente a não se sensibilizar tanto quanto ao nosso caso ou casos de outros países que estejam no mesmo preocupante patamar. Essa não comoção tão forte com os nosso caso se dá até mesmo porque essa violência é menos intensa, embora mais freqüente. Nós, entretanto, não podemos fazer o mesmo e achar que a nossa situação é menos grave, porque não é.
Diferente do que se viu na França a violência e o terror que vivenciamos e experimentamos no Brasil é de varejo, diário, menos impactante, mas mais constante. Pela média são 155,2 pessoas vitimas de violência diariamente no pais. Se em Paris foram 127 num determinado dia, aqui são mais de 150 todos os dias.
A violência que experimentamos aqui é difusa, pega distintas classes sociais e etnias, embora seja mais próspera e intensa entre a classe média baixa e os pobres, e entre os negros.
Acentua-se ainda mais, como destaque, o número de mulheres pobres vítimas de violências; na maioria das vezes violências domésticas causadas pelos próprios companheiros.
Indicadores seguros apontam uma média de 13 mulheres agredidas, espancadas e até mortas diariamente no Brasil. Em 2014 foram mais de 4500 mulheres assassinadas, número expressivamente grande e preocupante mesmo para nossas dimensões continentais.
Outro indicador que testemunha na direção de explicar a violência sendo cometida também por conta da exclusão e das desigualdades sociais e de oportunidades é o fato de os casos de autoria presumida resolvidos pelas investigações apontarem que entre os 607.731 presos no país, 407.178, ou 67% destes serem negros e de baixa renda.
O que isso pode significar não é a finalidade desse artigo. Apenas reflito com os dados que temos e estes apontam que se devemos nos chocar com o terrorismo, também o façamos com nossa violência no dia-a-dia. (JMN)
Canalização do córrego; prefeitura quer fazer, mas TCU cria dificuldades
O que era para se realizar como boa notícia conforme abordamos na primeira quinzena de outubro de 2013, quando, então, se apresentava promissora a promessa de conclusão das obras de canalização de um trecho importante do Córrego dos Germanos que iria das imediações da Rua André de Almeida até a Rua Baltazar dos Reis não se confirmou e hoje está em compasso de espera, parada, no Tribunal de Contas por conta de uma série de questionamentos quanto ao projeto encaminhado pela prefeitura para realização da licitação.
Pior, os questionamentos, ao invés de serem feitos pelo TCU de uma só vez, tem sido feitos separados tornando a tarefa da prefeitura licitar uma espécie de via sacra.
Com recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (Fundurb) o prazo está quase se encerrando, visto que a licitação tem que ser feita esse ano para que os recursos reservados para as obras não tenham que ser recolocados no orçamento geral da prefeitura como manda a regra. Ou a licitação é feita neste ano e as obras iniciam ou a boa notícia mencionada corre o risco de deixar de sê-la.
Por conta disso o subprefeito reuniu lideranças para esclarecimentos sobre onde está o problema, deixando claro que é no Tribunal de Contas do Município e para articular outra conversa que se realizou no dia posterior com o secretário adjunto da Secretaria das Subprefeituras no sentido de interpelarem o Tribunal de Contas do Município para resolver pendências e mostrar o quão esperada, necessária e justa é a obra que a prefeitura pretende realizar e o TCU tem levantado obstáculos.
“Já foi um rio limpo, agora um córrego sujo e fétido – Segundo a moradora as duas vilas estão se formando desde os últimos 63 anos, o mesmo período de existência formal de São Mateus. Se antes era possível até beber da água da bica que alimentava o rio em que crianças brincavam e mulheres lavavam roupas, hoje, apenas ratos, insetos e sujeira prosperam pelo local. Nesse sentido a canalização pode soar como uma grande obra para tanta necessidade” revelava Marlene Tofoleti em outubro de 2013.
Enquanto a pendência no TCU não se resolve os moradores correm risco de vida, foi dito pelas lideranças inúmeras vezes na reunião na subprefeitura. O subprefeito Fábio Santos informou que a verba de R$ 3,4 milhões destinada as obras do Córrego dos Germanos está parada, enquanto o conselheiro Domingos Dissei, que está apreciando o caso, levanta obstáculos. Para alguns, essas dificuldades que consideram secundárias e artificiais, está mais para uma ação política de interesse partidário de oposição ao atual governo municipal do que de tramitação.
As lideranças insistiam na necessidade da obra, visto que como relatado em reportagens anteriores algumas casas envolvidas no trecho e nas proximidades do córrego estão com suas estruturas comprometidas, rachaduras causando transtornos permanentes aos moradores, sendo que grande parte deles, em dia, com seus impostos prediais junto a Prefeitura. Outras, até já desabaram.
Presente a reunião, Álvaro, chefe de gabinete da subprefeitura explicou que R$ 3,4 milhões estão disponíveis no orçamento para fazer parte da drenagem do córrego dos Germanos. Para se concretizar é necessário promover uma concorrência pública para selecionar a empresa com melhor preço e competência para executar a obra.
Disse ainda que o projeto leva em conta o traçado e as condições atuais do córrego que não permite nem é prudente que o serviço seja executado com maquinário pesado. “O projeto está baseando em estudos para que seja feito de forma a não comprometer ainda mais a estrutura das casas, por isso maquinários pesados não serão utilizados”, enfatizou.
O projeto executivo da obra, parado no TCU indica que haverá concreto no leito, com um pouco de alargamento e com espaço paralelo lateral para que os troncos coletores de esgoto da Sabesp sejam colocados, ou seja, o córrego será refeito e os dejetos de esgotos não deverão passar por ele.
Moradores, subprefeitura de SM, secretária das subprefeituras versus TCU
Da reunião na subprefeitura ficou decidido por outra reunião com o secretário adjunto da Secretaria das Subprefeituras de onde participariam o subprefeito e as lideranças dos moradores: Marlene, Lourdes, Francinete, Dra. Cristina, Aparecido e Lucy Mendonça pelo jornal Gazeta São Mateus.
A reunião aconteceu. De lá a empreitada agora aguarda agendamento para uma comissão ir conversar com o conselheiro Domingos Dissei a fim de resolver as pendências e dar início, enquanto ainda dá tempo, as obras pelas quais tanto anseiam os moradores e o poder local. (JMN)
Monotrilho em debate Qual o futuro disso? Ainda interessa?
Já não era sem tempo que a comunidade, principalmente as inseridas no distrito Iguatemi em São Mateus, e as situadas na Cidade Tiradentes deveriam cobrar do governo estadual uma série de explicações sobre um monumento incompleto que vem se transformando em novela infindável chamada monotrilho. Desde sua proposição inicial, muitos anos atrás, lideranças questionavam os porquês da opção por esse veículo leve e possivelmente mais ágil ao invés do modal metrô tradicional. Na ocasião muitos se viam como participes do lado frágil das escolhas governamentais, ou seja da periferia para onde o serviço público, não precisa, necessariamente ser da melhor qualidade. A afirmação se desprende de uma compreensão disseminada na sociedade.
Pois bem é hora e o momento do governo do estado dar satisfações _satisfatórias_ sobre como vai ficar e se vai ficar esse assunto, afinal, como sempre é dinheiro de nossos impostos.
Visitaram a redação algumas lideranças da região com a proposta que desde já a redação abraça e apóia de que é necessário provocar essa discussão em todos as localidades envolvidas e ai é preciso incluir Sapopemba, São Mateus e Cidade Tiradentes.
O fato é que a proposta de instalação do monotrilho iniciado e concluído até a Vila Prudente de onde seria ligado aos bairros citados era contestada entre outras razões pela expectativa que não conseguiria atender a demanda, portanto, fadado, desde o início a se tornar um investimento que não resolveria. E mais, inicialmente orçado em 2 bilhões de reais para a obra toda já consumiu 7 bilhões e ainda está longe de ser concluída.
Hoje, conforme pode ser verificado in loco o “monumento” vem deixando cicatrizes por onde passa colocando ao relento e ao abandono trechos importantes, impactando comércios e atividades empresariais de forma negativa e criando dificuldades aos moradores vizinhos. As lideranças ainda se lembram de uma série de apresentações em maquetes, vídeos e argumentações variadas sobre a viabilidade do modal, pouco disso se concretizou e é preciso, entendem as lideranças rediscutir.
As promessas de entrega do modal, em funcionamento, era para esses dias para não constranger ainda mais esse governo com o fiasco; os recursos estão sendo consumidos; os recursos já estavam no orçamento e o realizado não corresponde ao previsto e prometido, razão mais que suficiente para que o governo se posicione e não apele para pedidos de sigilos, conforme o governador Geraldo Alckmin (PSDB) vem adotando para uma área ou outra.
Boatos e mais boatos dão pistas de que o governo quer agora ampliar as Parcerias Público Privadas (PPPs) para a obra prometida e parada. Se por ai for pode-se prever que os custos vão continuar subindo e a compensação, ou seja o produto ou a obra entregue, se entregue for, continuará sendo a mesma.
As lideranças estão convictas que muitas explicações são cabíveis e se todo o poder emana do povo, conforme previsto na constituição esse poder tem que ser exercido, portanto, o governo estadual tem que explicar e assumir a responsabilidade pelo que tem feito.
O conhecimento das realidades locais das lideranças é evidente, tanto em termos de demandas, de funcionalidades, a ponto de alguns até esboçarem dúvidas sobre se é melhor ou não concluir a obra. Com tantos questionamentos querem fazer essa discussão em plenárias públicas com as comunidades, organizadas ou não das regiões envolvidas. São muitos os dados e as reflexões pertinentes e expostas pelas lideranças que não discuti-las é reforçar a desfaçatez desse governo com o assunto.
Contatado, Metrô co-responsabiliza prefeitura
Principal protagonista pelo governo do estado na questão a Companhia do Metrô, consultada pela redação esclareceu que a respeito da Linha 15- Prata, o trecho da Vila Prudente até São Mateus está com as obras em andamento e a conclusão dos serviços está prevista para 2018. Explicou ainda que a prioridade, neste momento, é a conclusão dos trechos que já possuem obras avançadas antes de abrir novas frentes de trabalho.
Em sua resposta a assessoria de imprensa do Metrô destacou que para estender a linha até a Cidade Tiradentes será necessário executar a obra do alargamento do viário, nas avenidas Ragueb Chohfi, Estrada do Iguatemi e dos Metalúrgicos e que essas ações estão em tratativas com Prefeitura de São Paulo, assim como desapropriações e aporte de recursos financeiros.
Monotrilho em debate
Está feito o convite e a provocação e a convocação para que os interessados participem do Movimento Monotrilho Em Debate. Para tanto acompanhe as nossas edições e informe-se como participar ligando para Hamilton Clemente, 7823-1932 / 99821-3926; Carlos Viera, 96737-9988; Douglas Alves, 98129-5080.
As falas das lideranças
Destacamos aqui algumas falas das lideranças a frente do Movimento Monotrilho em Debate.
“Como explicar porque o governo do Estado optou pelo monotrilho, na época estimado em 2 bilhões alegando ser mais barato que o metrô, e já ter gasto 7 bilhões de reais com ele inconcluso? Erro de planejamento ou relapso?”, Hamilton Clemente.
“A obra tem deixado uma cicatriz horrível na nossa região. Insistimos que deveria ser metrô, mas resistiram tanto que alguns compraram a ideia fantasiosa de que o modal apresentado em vídeos, animações, maquetes seria melhor. Deu no que deu. Já se sabia que haveria atraso. Estava previsto entrega de trechos importantes em 2018 às vésperas das eleições, mas nem isso está garantido. Agora querem privatizar para que o governo se omita ainda amais, além de tornar a obra, caso ela seja feita mais cara”, Hamilton Clemente.
“Já identificaram que pelo monotrilho ligando CT a Vila Prudente só vai resultar em congestionamento nos terminais e tornar tão penosa quanto já é a viagem até o centro de São Paulo”, dizem as lideranças.
“Na época dizia-se que o monotrilho custaria 2 bi e o metrô desejado, 5 bi. Pois bem, já se aumentou a despesas para 7 bi e parece que nem o monotrilho vão conseguir entregar. O governo do Estado, o metrô ou seus prepostos tem que explicar para o movimento o que acontece e como vai ficar”, Hamilton Clemente.
“Já são 6 anos de atraso, só estão chegando obras pontuais que pouco avançam. Algumas desapropriações foram feitas e os locais dão claros sinais de abandono com 105% a mais nos custos iniciais e atrasos mais atrasos. A previsão inicial era chegar a Ragueb Chohfi em meados de 2009, 2010; São Mateus em 2011 e em 2012 na Cidade Tiradentes. Cadê?”, Douglas Alves.
” Esse governo sem transparência conseguiu enganar a população vendendo gato por lebre como se o monotrilho pudesse atender a demanda tomando como parâmetro as 47 mil pessoas sentido/hora que o metrô realiza. Dizia-se que o monotrilho faria o mesmo. Não vai fazer, afirmar isso é enganar as pessoas. Só para se ter uma ideia, na China, mais experiente nesse tipo de modal, o máximo que atende é de 30 mil passageiros, pois mais que isso a viagem fica muito arriscada”, Ivo Martins.
“Com a indefinição e a morosidade da obra até os prédios que foram desapropriados pelo Metrô ou pela Prefeitura por conta da obra estão sendo retomados irregularmente por parte de antigos e novos ocupantes. Gente que, inclusive está retomando os negócios. Em alguns trechos foram 12 desapropriações de áreas grandes com imóveis pagos. Se não iam ocupar porque desapropriou?”, Ivo Martins.
“Moro há 30 anos na Cidade Tiradentes e nos últimos 18 anos já anunciaram o modal como Fura Fila, Expresso Tiradentes e outros nomes e durante todo esse tempo a população sendo enganada e lesada. Em períodos eleitorais foram cometidos estelionatos pelo PSDB. Eles interrompem obra contratada e não conseguem nos convencer com relação a segurança no funcionamento desse modal em caso de acidentes. Acrescente, ainda, a falta de privacidade dos moradores que estarão ao longo dos trechos suspensos com os passageiros olhando para dentro de suas casas”, Carlos Viera.
“Estamos presenciando a degradação dos locais por onde ele está previsto passar, a avenida Anhaia Melo é um exemplo, e só não está pior porque a prefeitura está implantando uma ciclovia que melhorou a circulação e a freqüência do local. Sem estas vários trechos estavam fadados a servirem como abrigo e moradia de pessoas em situação de rua com todas suas conseqüências”, Carlos Vieira.
Micro reflexão sobre a crise econômica
O Brasil passa por uma crise, não a primeira, nem a única, nem a última e qualquer um de nós, adultos, temos uma lembrança, aqui e ali, de crises que vieram e crises que foram embora com a vida continuando. Pois bem, nesse Brasil de agora, ocorre uma combinação de quatro fatores que isolados, mas principalmente juntos tem como resultado crise seja aqui ou em qualquer outro país.
Tenha ao mesmo tempo, um governo fraco, um Congresso conservador e extremamente subordinado ao poder econômico, um Judiciário que de tempos para cá é mais midiático que cerimonioso e uma imprensa tendenciosa. O resultado dessa combinação flamejante é tornar o ambiente político e social confuso deixando atônita a população.
Em linhas muito gerais abordaremos alguns aspectos da dimensão econômica, não deixando de lembrar que junto à essa crise outras duas, a ética e política que ficarão para outra oportunidade.
O fato é que a presidente Dilma assumiu seu primeiro mandato muito interessada em reduzir a taxa de juros. Nesse intento ela modificou a forma de remuneração da poupança, orientou o Banco Central a abaixar a taxa Selic e os bancos públicos a reduzirem o spreed bancário.
O resultado foi aparecendo, da mesma forma junto com o desgosto do sistema financeiro que teve suas margens de lucros controladas ou reduzidas. Mecanismos de política econômica e das instituições de governo para interferir na margem de lucro dos investidores do sistema financeiro é, para eles, uma agressão, uma violência contra uma regra sagrada do capitalismo. Os cidadãos e o setor produtivo, entretanto, gostaram de pagar menos juros e não se somaram a choradeira do sistema financeiro.
Com o sucesso e o apoio da maioria da população para essas medidas que também usufruíam de uma melhoria relativa das condições de vida e que já conseguia comprar e fazer empréstimos com juros mais baixos, o governo resolver ampliar o modelo para outras áreas da atividade econômica. Inicialmente onde tinha alguma influência; nos setores que estavam sob concessão pública. Fixou metas, margem de retorno dos investimentos e limitou a margem de lucros em setores como rodovias, aeroportos, portos e da energia elétrica, além da mineração.
Com a medida, o empresariado desses setores, que até se dispunham a contribuir no esforço de redução de tarifas ficou muito incomodado em ter que registrar em lei ou contratos essa contribuição. Entre os argumentos destes, o fato de que as ações dessas empresas deixariam de ser atraentes por terem suas margens de lucro previamente controladas, seja por governos ou por qualquer coisa. Em geral, a governança corporativa das empresas têm regras que impedem que elas comprem ações de outros empreendimentos com margem de lucro pré-determinada ou controlada por governo ou por quem quer que seja.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com o setor da energia elétrica. Dispunha-se a aceitar a redução do valor da tarifa conforme o desejo do governo, mas queriam conseguir isso pelo aumento da produtividade, pela gestão mais eficiente, enfim, dariam um jeito, mas não pretendiam que isso constasse em contrato, pois dessa forma inibiriam eventuais investimentos. Como o governo fez jogo duro e apesar da renovação dos contratos serem feitas por outros 30 anos, o setor decidiu por não investir enquanto durasse o mandato da atual presidente.
É possível que a presidente só percebeu que o mercado a estava enxergando como alguém contra o lucro, contra a iniciativa privada e de uma forma difusa contra o capitalismo, quando a presidente da Argentina, Cristina Kirchner pediu a Dilma que ela intercedesse junto a Vale do Rio Doce que havia fechado uma mina de potássio naquele país a rever essa decisão. A resposta do presidente da Vale foi que a empresa não iria rever o encerramento das atividades naquele país porque tem como regra que a empresa não fica em qualquer país, inclusive no Brasil, se lei ou contrato instituir participação especial ou reduzir sua margem de lucro.
Foi essa percepção do mercado acerca do governo da presidente Dilma que, em grande medida, é a responsável pela crise econômica que se vive.
Apesar disso o Brasil continua sendo importante como destino do investimento estrangeiro, mas poderá deixar de ser tão atraente se os EUA modificarem sua política monetária e se mais uma agência de risco duvidar e retirar o selo de bom pagador do país. Já no setor empresarial interno a alegação é de que os investimentos não acontecem na intensidade que poderiam por temor que o governo interfira na margem de lucro.
Some-se a isso o comportamento dos fundos de pensão, fortes investidores, que priorizam a compra de títulos do governo ao invés de investir no setor produtivo. Acrescente, ainda, o fato de que Petrobras e o BNDES, que estão como os fundos de pensão, em investigações no Congresso, reduziram drasticamente os investimentos.
Como se vê, alguns elementos que indicam que a crise econômica é realmente preocupante.(JMN)
Proposta quer dar privilégio as igrejas
Poderia chamar de uma comissão de desmiolados, mas não o farei porque miolos esse povo tem. E não é que a comissão especial para analisar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 99/11 que concede a entidades religiosas de âmbito nacional poder propor ação direta de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) a aprovou!
O presidente da Frente Parlamentar Evangélica e autor da proposta,deputado João Campos (PSDB-GO) conta com outros 14 parlamentares membros da bancada evangélica num universo de 18 e por isso recebeu apoio unânime da comissão; os outros quatro só pra não contrariar, seguiram juntos nessa esquisitice. A proposta segue agora para votação em dois turnos no Plenário da Casa onde, espero, os miolos estejam funcionando bem.
A proposta quer dar poder às instituições religiosas para questionar sobre leis que “venham a interferir direta ou indiretamente no sistema de liberdade religiosa ou de culto”, entretanto se eles tiverem a prerrogativa que você, eu e outros não temos, a não ser conseguindo milhares de assinaturas Brasil afora, para contestar toda e qualquer decisão do STF eles estarão acima dos pobres mortais num suposto regime democrático que deixaria ainda mais de sê-lo.
O relator ainda teve a desfaçatez de argumentar que as questões de interesse moral em discussão na sociedade são mais bem entendidas ou focalizadas pelas lideranças religiosas, como se a religião ou os religiosos já tivessem em caráter vitalício ou sagrado saber sobre esses temas mais que qualquer outro. Não existe comprovadamente nenhuma garantia de que os parâmetros das religiões sejam as mais justas e adequadas aos tempos que correm. Se assim for poderemos estar trilhando um túnel escuro em direção a neutralização de um estado laico podendo desembocar sabe-se lá aonde.
Acho até que vale o alerta de que o Estado Islâmico, movimento que tem cometido verdadeiras atrocidades em países do Oriente Médio, as justifica, à partir de preceitos e dogmas de suas crenças.
Pouco importa até que entre as alegações da proposta está a de não distinguirem grupos religiosos. Portanto católicos, evangélicos, judaico ou maometanos poderão contestar também, mas ai lembrarmos que sequer o restante das outras milhares de religiões, num universo de quase 2 mil, não foram citadas. Insisto que a religião não é chave sagrada que coloque os seus praticantes acima dos cidadãos e de outros setores organizados da sociedade.
Acho ainda que devemos ter em conta que se essa aberração for aprovada e entrar em vigor isso permitirá que entidades como Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil e Supremo Concílio das Igrejas Presbiterianas do Brasil possam questionar a constitucionalidade de legislações contrárias às doutrinas religiosas.
Atualmente, só podem propor esse questionamento ao STF o presidente da República, as Mesas do Senado e da Câmara, a Assembleia Legislativa do Distrito Federal, os governadores das unidades federativas do país, o procurador-geral da República, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partidos políticos representados no Congresso e sindicatos ou entidades de classe.
Portanto, caro leitor, é hora de orar para aqueles que são de orar, e de ação, denúncia e protestos de quem ora e quem não ora. Não dá para aceitar essa regalia por parte dos religiosos, afinal a maioria deles está a milhas de distâncias de serem santos. (JMN)

